Opiniões

Enquanto sonha acordado com o Liverpool, Flamengo passeia pelo Palmeiras no Maraca

 

Gabigol comemora o primeiro dos seus dois gols, no passeio de 3 a 0 de hoje, no Maracanã, sobre o Palmeiras (Foto: André Fabiano – Gazeta Press)

 

Com dois gols de Gabigol e um do uruguaio Arrascaeta, o Flamengo bateu o Palmeiras com sobras, hoje, no Maracanã. No confronto entre os dois melhores elencos do futebol brasileiro, venceu o de melhor momento, ataque e técnico.

Emblemático que o time do português Jorge Jesus tenha passeado no Maraca contra a equipe de Felipão. Sobretudo quando lembrado que este já mostrara, desde o 7 a 1 diante da Alemanha, na semifinal da Copa de 2014, o quanto os técnicos brasileiros estão taticamente desfasados no futebol mundial.

Nas duas gestões do ex-presidente Eduardo Bandeira de Mello, o Flamengo já tinha ensinado aos demais grandes do Rio como sanear um clube financeiramente. Agora, presidido por Rodolfo Landim, o clube da Gávea leciona o caminho no campo ao futebol brasileiro: apostar no intercâmbio de treinadores.

Não por coincidência, após a rodada de hoje, os dois líderes empatados do Brasileirão são o Flamengo de Jesus e o Santos, treinado pelo argentino Jorge Sampaoli.

Até as semifinais do Flamengo e Grêmio pela Libertadores, nos dias 2 e 23 de outubro, muita água passará embaixo da ponte.O Tricolor de Porto Alegre já conquistou três Libertadores, a primeira comandada em 1983 dentro de campo por seu atual técnico: Renato Gaúcho. O Flamengo só tem uma, conquistada naquele inesquecível ano de 1981.

Em 23 de novembro de 2019, no campo neutro de Santiago, no Chile, o vencedor entre Grêmio e Flamengo terá outra pedreira. Pegará na final da Libertadores quem sobreviver ao clássico argentino da outra semifinal, entre os copeiros Boca Juniors e River Plate.

Quem quer que seja o campeão da Libertadores, terá a chance de disputar a final do Mundial Interclubes. E será contra o inglês Liverpool, que já conquistou sua vaga ao levantar a Champions da Europa.

Foi contra o Liverpool que o Flamengo se sagrou campeão mundial em 1981. O time de Zico, Leandro, Júnior, Mozer, Andrade, Adílio, Tita e Nunes bateu o forte time inglês em ritmo de ritmo, por 3 a 0.

Para quem viveu aquilo, ou aprendeu desde criança pelas memórias que pulsam vivas até hoje, disputar novamente o Mundial contra o Liverpool seria o Valhala.

No plano dos mortais, se não der, faz parte do futebol. Tanto mais diante do Grêmio, do Boca ou do River. Mas, sem dúvida, qualquer eventual tropeço rubro-negro seria comemorado como título pela segunda maior torcida do futebol do Estado do Rio: a antiflamenguista. Que certamente reeditaria a provocação do “cheirinho”.

Ao flamenguista, é fato. Com Arrascaeta, Gabigol e Bruno Henrique, melhor ataque do futebol brasileiro, que só deslanchou sob a batuta de Jesus, tem sido inevitável sonhar acordado com os tempos de Zico e cia.

Com seu nome gritado hoje no Maracanã pela maior torcida do Brasil, “Mister” Jorge Jesus deu, após o jogo, o choque de realidade necessário: “Ainda não ganhamos nada”.

 

Técnico português Jorge Jesus tem reeditado no Flamengo o futebol ofensivo que marcou os anos de glória do clube

 

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