Dédalo em óleo sobre tela de Jacob Peter Gowy, 1635, Museu do Prado
O voo de Dédalo
Fernando Pessoa
Era o verão de 2007. O tempo, como definiu em vida o diretor de cinema e teatro Domingos Oliveira, “é um camundongo passando pela sala”. O que não mudava era o umbigo de Dédalo no mundo em Atafona. Leal até no combate, só àquela praia na foz do rio Paraíba do Sul e à língua de Luís de Camões era fiel. Em meio às dúvidas do resto, sobre a mesa da sala iluminada pelo sol que entrava pela porta direita aberta ao vento nordeste, observou atentamente a conjugação. Parecia casual. Mas não era. Sobre as fotos do ensaio que Roxanne enviara por lobby, estavam os brincos sem lóbulo deixados na passagem física de Lígia.
Poeta de vagas horas, das vagas de um mar castanho, se sentou diante da mesa e suas dúvidas. E resolveu transformá-las em versos. Olhando os brincos e as fotos sobrepostos, pensava no que um poeta de fato, conterrâneo de Camões, falava sobre definições. Para Fernando Pessoa optar pelo crescimento do ramo de uma árvore, era abrir mão das possibilidades de todos os outros. Por isso promoveu antes de Oppenheimer, pai da bomba atômica, a primeira divisão do átomo. Pessoa se repartiu em pessoas. E liberou a força dos heterônimos Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos. Caberia a este descrever o ruído nuclear da explosão: “Estala, coração de vidro pintado!”.
Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos no traço de Almada Negreiros
Leitor obsessivo de Pessoa na adolescência, a quem passou a ter como messias, no sentido daquele que veio à Terra para salvar-lhe a alma, Dédalo dera sorte. Da mais de dezena e meia de relações sérias que mantivera ao longo da vida, só se arrependia de duas. Que viriam depois daqueles brincos e daquelas fotos. Na média, se julgava no lucro. Considerava todas válidas ao conhecimento do caráter humano em sua face primeva e mais fértil de mulher.
Incomodava a Dédalo apenas o sofrimento alheio, causado sem dolo aos términos. Sentira na pele no único determinado contra a sua vontade. Foi quando inoculou o vírus que tornaria seu cotovelo imune. Era a mesma das fotos, agora sobre a mesa. Talvez sua única paixão, Roxanne também tinha dúvidas. Mas, na disputa dela, o adversário era o Deus fundamentalista dos pentecostais. Dogmas à parte, um homem não pode competir com o Divino. Nem se devoto do primeiro milagre de Cristo. Submisso como islâmico, tomou a benção ao mesmo Deus de Abraão. E, entre Sara e Agar, conformou-se.
Naquele verão de 2007, Dédalo já vivia há algum tempo da prosa parida em teclado e tela de computador. Mas só era capaz de escrever versos com papel e caneta. Pensando nos descaminhos da sua vida na conjugação de carne e sentimento, lembrou-se de Jack Kerouac. A leitura da maior obra deste, “On the Road”, diário de viagem de quem cruzou várias vezes os EUA do pós-II Guerra, abriu a cabeça de um adolescente a machadadas. Como Pessoa.
Agora adulto, Dédalo pensou numa frase do prosista para abrir o poema. Mas em ato de oxímoro: tirar de dentro de si a desilusão para louvá-la. E o resto foi vindo em aliterações. Aprendera em festivais de poesia que participou no início dos anos 2000 com Alexandro Mouro, seu camarada em armas. E com elas abriu veredas de papel e tinta à catarse: expressar com palavras o que apenas palavras não podem expressar.
Como era do seu hábito, tomou sem pedir licença outras duas referências na estrofe final. De Shakespeare, conferiu a todas as mulheres a paixão de Julieta, “na bela cidade de Verona” que Dédalo depois conheceria ao lado de Lígia, calçada de brincos. E do maldito Charles Bukowski, emblematicamente do seu “Um Poema de Amor”, roubou o desejo feminino carnado em metáfora com a manteiga derretida no miolo quente do pão. Com destino trágico ou não, pão, manteiga e desejo são comuns a qualquer mulher. Derreta-se por Romeu ou outra Julieta.
Na dúvida entre o brinco e as fotos sobre a mesa daquele verão de 2007 em Atafona, desposaria as donas de ambos em tempos diferentes, antes e depois. E delas se separaria, como de outras, na fluidez das “relações líquidas” do filósofo polonês Zygmunt Bauman. Como da sua primeira (ex-)esposa, Dana, mãe do seu único filho, hoje homem, sobre o qual Dédalo passou a orbitar quando cambiou sua existência de sol a satélite. E se rebatizou enquanto personagem coadjuvante da própria vida.
Mas, mesmo na liquidez, algo concreto sempre fica a ser redescoberto. A lembrança de uma mulher é capaz de revelar o que há de comum em todas. De uma maneira ou outra, como Chico Buarque escreveu sobre a melodia de Tom Jobim: “É desconcertante rever um grande amor”. De outro estilo musical, só quando da morte do compositor e cantor inglês George Michael, no dia de Natal de 2016, Dédalo tomou conhecimento da regravação de um sucesso do grupo The Police, que integrou sua trilha sonora pessoal nos anos 1980.
Entre as prostitutas do famoso Bairro da Luz Vermelha, na Amsterdã de 1999, um homem que amava outros homens foi capaz de cantar de maneira pungente a condição masculina seduzida por mulheres. Na contrapartida de Chico, heterossexual que canta o macho como fêmea, o homossexual George Michael reinventou com sensibilidade à flor da pele uma canção de Sting: “Roxanne”.
Dédalo descobriu na regravação da música, homônima à sua paixão do passado, uma síntese do que sentia em fascínio de menino e desejo de homem pelas mulheres. Foi no mesmo ano de 2016 em que estreou nos cinemas do mundo o filme “La La Land”, de Damien Chazelle. Indicado ao Oscar do ano seguinte em 13 categorias, o musical levaria sete estatuetas. É uma história romântica passada em Los Angeles, entre um pianista de jazz (Ryan Gosling) e uma aspirante a atriz de Hollywood (Emma Stone).
No final do filme, em meio ao solo de piano, os desencontros do casal protagonista parecem caminhar à reconciliação do “felizes para sempre”. Deve ter sido a todos os demais espectadores, capazes de acreditar nisso, naquela mesma sala escura de cinema. Mas não para Dédalo.
“Pianista” que nunca aprendeu a dedilhar nada, a não ser por conta própria a melodia de “But Not for Me” (“Mas Não Para Mim”), dos irmãos George e Ira Guershwin, Dédalo sabia previamente que o final do filme remeteria aos seus. Que seriam melhor descritos em outros versos de Álvaro Campos: “Ah, quem escreverá a história do que poderia ter sido?/ Será essa, se alguém a escrever,/ A verdadeira história da humanidade”.
Expectativa real confirmada na ficção, Dédalo sentiu um estranho frescor de melancolia no peito. Libertou as idealizações de Ida, menina sonhadora como a personagem de Emma Stone, pela qual conservava ternura paternal. E optou pela pavimentação dos rumos que nunca abandonara em Lena. Ao norte e ao sul da geografia mais ampla de mulher.
Depois foi ler o poema que escrevera naquele verão de 2007 em Atafona. Dúzia de anos depois, em busca de pouso, seu uivo ainda enfunava o voo de Dédalo:
Na manhã de hoje, o professor Luciano D’Ângelo fechou a semana do Folha no Ar 1ª edição (Foto: Isaias Fernandes – Folha da Manhã)
“Eu não estou vendo com muito entusiasmo esse quadro que está aí, de (pré-)candidaturas (a prefeito de Campos em 2020). Eu sempre fiquei esperançoso que tivesse um outsider, que saísse desse quadro antigo de sucessão familiar. É só uma vontade. Se eu tivesse que olhar para a realidade, eu diria: é o Rafael (Diniz, Cidadania), é o Wladimir (Garotinho, PSD), é o Caio (Vianna, PDT). A disputa vai se dar aí. O Rafael tem desgaste, há que reconhecer isso. O Wladimir, por sua vez, embora faça um bom mandato de deputado federal, traz o desgaste familiar. E o Caio é um menino que ainda não brotou de forma exuberante, embora tenha sido bem votado, de forma até surpreendente para deputado (federal em 2018, quando não se elegeu, mas fez 21.017 votos, 18.900 deles em Campos)”. Essa foi a opinião de um respeitado analista da política goitacá, o professor Luciano D’Ângelo (PT), convidado que encerrou na manhã de hoje a rodada semanal de entrevistas do programa Folha no Ar 1ª edição, da Folha FM 98,3.
Com o conhecimento de quem foi secretário municipal de Campos duas vezes, nos governos Arnaldo Vianna (PDT) e Carlos Alberto Campista (ex-PDT, hoje sem partido), assim como de Niterói, na gestão Godofredo Pinto (PT), Luciano foi por décadas considerado um dos maiores articuladores petistas no interior do Norte Fluminense. Primeiro diretor eleito da antiga Escola Técnica Federal, hoje Instituto Federal Fluminense (IFF), no último ano da ditadura militar no Brasil (1964/85), ele cobrou que Campos tenha um prefeito que “faça uma coisa diferente”:
— A obrigação principal do prefeito é ter um lema para a cidade. E que a sociedade reconheça o lema dele. Eu tive um lema quando fui diretor da Escola (Técnica Federal de Campos). Naquela ocasião, o lema se justificava, era democracia. Eu vim para democratizar a Escola, que era autoritária, não por conta do ex-diretor. Era por conta de uma ditadura militar autoritária. Tudo que eu fiz na Escola estava fundamentado na redemocratização. Então eu quero um prefeito, que o munícipe olhe para ele, entenda qual é o lema dele e colabore com ele. (O governo Rafael) claramente não tem isso, não tem um apelo. Ele não trouxe a população com ele para ajudá-lo a governar. Isso é política. Falta isso. E aos outros também. Isso, para mim, é uma questão fundamental. É a comunicação com a sociedade. Aí, diga-se de passagem, Garotinho, com todos os defeitos, eu sempre fui seu adversário, essa identificação com o povo, os governos dele sempre tiveram. Não da forma melhor. Mas tenho que reconhecer também que esse município viveu esses últimos anos (no governo Rafael) debaixo de uma grave crise econômica.
Pelo papel histórico na redemocratização do que hoje é o IFF, seu ex-diretor foi saudado por vários ex-estudantes durante o Folha no Ar, através das redes sociais do programa. Inclusive pelo atual reitor, professor Jefferson Manhães de Azevedo, candidato à reeleição este ano, como anunciou aqui, em entrevista à Folha em 27 de abril). Luciano também analisou o processo eleitoral da maior instituição de ensino de Campos e região, que ja começou (aqui) e cujo pleito deve ocorrer no próximo dia 10 de dezembro:
— Pelo que estou informado, o Jefferson deve ser candidato único, como foi da última vez. Então acho que não vai polarizar. Ele fez uma boa gestão e é um bom quadro.
De volta da Espanha, professores do Uniflu Inês Ururahy, Rafael Crespo e Cristiano Miller abrirão o Folha no Ar da próxima semana (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Após o final de semana, o Folha no Ar 1ª edição volta ao ar na próxima segunda-feira (14), na Folha FM 98,3. Sempre a partir das 7h da manhã, trará outros educadores da cidade: a reitora do Uniflu, Inês Ururahy e outros dois professores da instituição, Rafael Crespo e Cristiano Miller, que também é presidente da OAB-Campos. Eles regressam a Campos após uma missão acadêmica na Espanha, onde participaram de eventos na Universidade Coplutense de Madrid e na Universidade de Burgos.
Antes da rodada da próxima semana, a partir desta segunda, confira os quatro blocos do Folha no Ar da manhã de hoje, com o professor Luciano D’Ângelo:
Nas três fotos de hoje, na Universidade de Burgos, os professores Rafael Crespo; Cristiano Miller e Sana Gimenes; e Inês Ururahy (Fotos: Dvulgação – montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
A reitora do Uniflu, Inês Ururahy, acompanhada dos professores de Direito Cristiano Miller, Rafael Crespo e Sana Gimenes participam de eventos acadêmicos na Espanha. O primeiro ocorreu na Universidade Complutense de Madrid, no último dia 08. O segundo foi realizado hoje (10), na Universidade de Burgos. As exposições dos professores versaram sobre Direitos Humanos, Cidadania e Acesso à Justiça. Dos eventos em evidência, participaram estudiosos da América Latina e da Europa.
Do lado de cá do Atlântico, o promotor estadual Victor Queiroz saudou a missão acadêmica dos colegas juristas em terras de Espanha: “É a difusão internacional presencial do pensamento jurídico campista. Gente de Campos brilhando na Europa em nível acadêmico”. Das palavras dele, o blog pede licença de fazer as da comarca goitacá.
Governador Witzel e representantes da Ompetro, com os prefeitos Rafael Diniz e Carla Machado à sua esquerda (Foto: Divulgação)
O colapso financeiro do Estado do Rio e de municípios da região como Campos, São João da Barra, Quissamã e Macaé tem data marcada: 20 de novembro, daqui a apenas 41 dias. Hoje (10), o governador e ex-juiz federal Wilson Witzel (PSC) afirmou certeza de que estados e municípios produtores de petróleo vão perder o julgamento, no plenário do Supremo Tribunal Federal (STF), da Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) nº 4.917. Em liminar da ministra Carmen Lúcia, ela segura desde 2013 a nova lei de partilha dos royalties e Participações Especiais (PEs) aprovada naquele mesmo ano no Congresso Nacional. E é ao Congresso que agora se recorrerá na tentativa de uma negociação política de última hora sobre a partilha, no que já é apontada como única alternativa ao caos econômico.
Witzel com deputados federais, entre eles Clarissa e Wladimir Garotinho, e estaduais (Foto: Divulgação)
Se antes apostava na vitória no julgamento do STF, Witzel hoje jogou a toalha. Foi o que informou uma fonte presente na reunião encerrada agora à noite, entre o governador, secretários, deputados federais e estaduais, além de prefeitos da Organização dos Municípios Produtores de Petróleo (Ompetro), presidido pela campista Rafael Diniz (Cidadania). A Procuradoria-Geral do Estado do Rio ainda vai insistir na tentativa de adiamento do julgamento por 120 dias, que o jornalista Lauro Jardim informou (aqui) na terça, em O Globo. Segundo ele, o suposto acordo teria sido costurado por Witzel com presidente do STF, ministro Dias Toffoli e a ministra Carmen Lúcia, mas não houve confirmação.
Presente na reunião e perguntado diretamente se o governador Witzel tinha decretado a derrota dos produtores de petróleo no STF, o prefeito de Campos não confirmou, mas admitiu sua preocupação:
— A situação é delicada. Eu e todos saímos da reunião muito precoupados. Ninguém saiu confiante da reversão da situação no STF. O que foi definido na reunião é que a articulação agora tem que ser no Congresso Nacional. E que o governador Witzel será o articulador das negociações. Que têm que ser acima das bandeiras partidárias e disputas políticias, como eu ressaltei, com a concordância da deputada (federal) Clarissa (Garotinho, Pros). Se a situação de Campos e outros municípios produtores, como o próprio Estado do Rio, já está muito difícil com a queda dos royalties, se a partilha for aprovada seria catastrófico.
— O governador Witzel vai liderar um movimento nacional com outros governadores e partidos para aprensentarem em breve um novo projeto de lei. Ele agora entende que o movimento é político — disse o deputado federal Wladimir Garotinho (PSD), líder da Frente Parlamentar em Defesa dos Municípios Produtores de Petróleo. Em 10 de abril, quando Dias Toffoli marcou o julgamento da partilha dos royalties para 20 de novembro, Wladimir foi (aqui) mais incisivo: “Se perdemos essa batalha, será a insolvência definitiva do Estado Rio e dos municípios produtores”.
Em estudo da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), divulgado pela Folha (aqui) no último sábado (05), os impactos da redistribuição dos royalties e PEs foram projetados ao Estado do Rio e seus municípios produtores. Entre 2020 e 2023, estariam em risco o abastecimento de água para 95.931 pessoas, a manutenção de 566 mil alunos no sistema de ensino e a disponibilidade de mais de 4 milhões de atendimentos no sistema de saúde pública, entre 2020 e 2023.
Eraldo à esquerda e Johnatan à direita na bancada do Folha no Ar de hoje (Foto: Isaias Fernandes – Folha da Manhã)
Se a UFF-Campos, como as demais universidades públicas do país, são mesmo um domínio da esquerda, como alega o bolsonarismo, o Folha no Ar 1ª edição do início da manhã de hoje, na Folha FM 98,3, mostrou que pelo menos nas manifestações virtuais o domínio é da direita. Pelo menos foi assim nos comentários (confira aqui) na página da rádio no Facebook, no streaming ao vivo do debate promovido pelo programa com os estudantes da UFF-Campos Eraldo Duarte, do movimento conservador UFF Livre, e Johnatan França de Assis, militante de movimentos de esquerda.
A ideia do debate de hoje foi gerada em outro Folha no Ar, que foi ao ar (reveja aqui) em 26 de setembro, com o diretor do UFF-Campos, professor Roberto Rosendo. Como a UFF Livre e seus simpatizantes também exerceram domínio nos comentários do streaming ao vivo daquele programa, Eraldo foi convidado ao debate de hoje, assim como seu colega Johnatan, para fazer o necessário contraponto.
— Ainda que a direita tenha entrado dentro na universidade, tenha se organizado por meio de movimentos “livres” no Brasil inteiro, o movimento ainda é discente. Ele está chegando ao nível docente agora, com outro movimento que eu também auxilio nas redes sociais, que é o “Docentes pela Liberdade”. Ele é um fenômeno recente. Por muito tempo se colocou o PSDB como a direita neoliberal do Brasil. Quem votava no PSDB, porque não tinha uma outra opção, era visto como direita, conservador. Então, surge esse debate que culminou com a eleição do presidente Bolsonaro, o PSL fazendo uma ótima bancada, com o Partido Novo, com o centro se desgastando e a direita surgindo como proposta política, e isso entra na universidade. Mas está entrando timidamente ainda, apenas alunos. E esperamos que no futuro surjam mais professores.
Para Eraldo, foi esse domínio da esquerda na academia que gerou o episódio de apreensão de 470 panfletos do PCdB na UFF-Campos, durante a campanha eleitoral de 2018, pelo juiz Ralph Manhães. O fenômeno depois se alastrou na Justiça Eleitoral sobre várias universidades do país. Até que o Supremo Tribunal Federal (STF) colocou um basta nas ações de fiscalização, a partir (recorde aqui) de uma decisão da juíza eleitoral de Niterói Maria Aparecida da Costa Barros. Em 25 de outubro, três dias antes do segundo turno presidencial, ela mandou que fosse retirada uma faixa da Faculdade de Direito da UFF, que dizia: “Direito UFF Antifascista”. A magistrada proibiu por entender que ser antifascista era ser contra Jair Bolsonaro (PSL), que seria eleito presidente. E foi enquadrada pelo STF.
Sobre a ação da Justiça Eleitoral na UFF-Campos, em 13 de setembro, Johnatan deu seu testemunho:
— Eu não estou dizendo nem que o juiz (Ralph Manhães) não tem autoridade, nem que aquela ação era ilegal, no sentido de, sim, fiscalizar (…) Mas realmente foi uma ação muito arbitrária. Eu discordo totalmente do (professor Roberto) Rosendo (diretor da UFF-Campos), no momento em que ele disse aqui nesse programa, há duas semanas, que foi um mal entendido. Não foi mal entendido, foi arbitrário. Ele (o juiz) deu voz de prisão para o Rosendo, para mim e para o (professor) Hélio Coelho, lá embaixo. Temos as ações do TRE nacional, que o STF se posicionou, e temos essa ação local, que eu chamo de vanguarda do atraso.
Citado criticamente por Johnatan, mas também por Eraldo, que citou casos de pichações na universidade, o professor Roberto Rosendo ligou ao programa e pedir para dar a sua versão dos fatos. No início do último bloco do Folha no Ar, o diretor da UFF-Campos disse por telefone:
— Só gostaria de me manifestar no debate entre esquerda e direita, que a posição da direção da universidade é democrática. E, obviamente, quando há excessos de um lado ou do outro, a gente tem que aplicar as regras. Sempre conversando, sempre dialogando com todos os alunos, de direita e de esquerda. Quando há excessos, são apurados em sindicância. Tudo é possível, desde que haja respeito. Este é o ponto fundamental para qualquer posicionamento político, de esquerda ou de direita. Esta é a lógica com a qual a gente tem trabalhado. Quem for hoje na UFF-Campos vai ver que não tem pichação, nem no muro externo da universidade, nem nos internos.
A partir das 7h da manhã desta quarta (08), o convidado do Folha no Ar 1ª edição será o secretário de Fazenda de Campos, Leonardo Wigand. Até lá, confira abaixo os quatro blocos do Folha no Ar com o debate da manhã de hoje entre os estudantes da UFF-Campos Eraldo Duarte e Johnatan França de Assis:
Saída da eleição a reitor (aqui) mais polarizada dos 26 anos de história da Uenf, esta será passada em revista a partir das 18h desta quarta (09), no auditório do seu Centro de Convenções. Nele se dará a mesa “Os Desafios Institucionais da Uenf em Perspectiva Histórica”. Além do atual reitor e do eleito, respectivamente os professores Luís Passoni e Raúl Palacio, três ex-reitores promoverão o debate entre passado, presente e futuro da mais importante universidade de Campos e região: os professores Raimundo Braz Filho, Almy Júnior e Silvério Freitas. Antes, com respostas próprias às mesmas perguntas, os três falaram nesta entrevista das suas experiências, analisaram o pleito recente e os desafios que esperam a universidade concebida pelo antropólogo Darcy Ribeiro. Promoção do cientista político e professor da Uenf Hamilton Garcia, o evento é organizado pela Centro de Ciência e Tecnologias Agropecuárias (CCTA), com o apoio do Centro de Ciências do Homem (CCH), do Movimento Uenf Democrática e do Grupo Folha da Manhã.
Ex-reitores da Uenf Raimundo Braz Filho, ALmy Júnior e Silvério Freitas (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Folha da Manhã – Qual seu maior legado na reitoria da Uenf?
Raimundo Braz – Contando com um excelente vice-reitor e uma competente e dedicada equipe de pró-reitores, assessores em todos níveis administrativos, diretores dos Centros CCT, CCTA e CCH, a diretoria e assessores da Casa de Cultura Villa Maria, foi possível estabelecer produtivo convívio acadêmico e científico com órgãos de fomento, como a Faperj, secretarias de educação e de ciência, institutos e universidades do estado do Rio de Janeiro, envolvendo inclusive o contexto nacional: CNPq, Capes, Finep. Nos casos de sucesso observados em tais empreendimentos encontram-se necessariamente a parceria e o consenso de todas as forças da sociedade que atuam no desenvolvimento regional. Assim, a participação efetiva da Prefeitura, do Sebrae no apoio à pequena e micro empresa, da Uenf e de outras instituições de ensino sediadas em Campos e regiões adjacentes, sem descuidar das demais representantes das sociedades organizadas locais, como Fundenor, Firjan, Acic e CDL, promovemos o desenvolvimento regional
Almy Junior – Acredito que nosso maior legado repousa na recuperação e ampliação a infraestrutura universitária. Foi um momento com avanços importantes como a recuperação da Casa de Cultura Villa Maria, a construção do restaurante universitário, criação de núcleos de pesquisa, e de conquistas importantes para os servidores. Pautamos ações importantes para a expansão ao Noroeste e Macaé do modelo proposto por Darcy Ribeiro, principalmente após planejamento estabelecido no mandato do professor Raimundo Braz. Um aspecto importante que parece ter se perdido um pouco foi um ambiente de estímulo à iniciativa e à criatividade dos servidores, inclusive para ampliar sua formação. Conseguimos, à época, por exemplo, ver grupos de técnicos administrativos organizando eventos importantes em suas respectivas áreas. O projeto para expansão da Uenf no Noroeste e em Macaé, que ainda não vingou, e o retorno efetivo das ações da universidade via consórcio Cederj, foram importantes e são bases para o estabelecimento de ações para o desenvolvimento regional, que acredito ser o papel mais importante da nossa universidade.
Silvério Freitas – O maior legado na reitoria da Uenf foi o nosso esforço, juntamente aos diversos segmentos de servidores e discentes, para que a universidade se fizesse ouvir junto aos representantes do governo estadual e demais órgãos, federais, municipais e privados. Juntos, demos prosseguimento à consolidação e ampliação da Uenf, com a criação da Agência Uenf de Inovação (AgiUenf), da Diretoria de Informação e Comunicação (DIC), da Escola de Extensão, do Centro de Memória da Uenf, bem como a aprovação e criação de novos cursos de graduação e de pós-graduação nos diferentes colegiados, a ampliação da infraestrutura de ensino e pesquisa, extensão e inovação.
Folha – O que mudou da Uenf em seu tempo como reitor para a universidade de hoje?
Raimundo – Ocorreu, principalmente, maior condição para que a Uenf possa recepcionar, comemorar e sediar confraternizações a nível interno e a nível da sociedade campista, alimentando a cultura de boa convivência , proporcionado pela inauguração do Centro de Convenções. A construção e funcionamento do Restaurante Universitário foi outro avanço no sentido da convivência universitária. Sinto, infelizmente, uma redução do entusiasmo acadêmico e científico no contexto interno da comunidade universitária nos últimos anos, ocorrendo, provavelmente, em face da redução de recursos e outras facilidades disponibilizadas pelos órgãos de fomento para as atividades inerentes.
Almy – Pouca coisa. Talvez o que mais preocupa tem sido o acirramento e a divisão entre servidores que se ampliaram muito e isso tem se tornado um grande gargalo. Apesar dos muitos avanços com as bases colocadas por Darcy, como demonstrado pelo ranking da Folha de São Paulo (RUF) que saiu esta semana, e que nos coloca como a segunda melhor universidade brasileira entre aquelas com menos de 30 anos e a primeira entre aquelas consideradas pequenas em número de alunos, no qual estamos em 3º geral no número de artigo publicado e de teses por docentes, em 7º no número de citações por docentes, entre outras, ainda precisamos de muito mais. Muitos professores estão fora da pós-graduação e precisamos resolver esta questão, notadamente com aquilo que tem sido pautado, por meio da Capes, para a produção científica brasileira.
Silvério – A crescente restrição orçamentária na universidade tem sido uma realidade em diversas ocasiões, causando limitações severas para a sua manutenção e o seu necessário crescimento, chegando ao ponto de atrasar e ou parcelar salários em 2016 e 2017. A escassez de verbas implica numa avaliação constante, ainda mais crítica e cuidadosa, do que vem a ser realmente prioritário dentro da universidade. Nesse contexto, a comunidade universitária tem que ser forçosamente interativa e, em conjunto, trabalhar o mais harmoniosamente possível. Acredito que a comunidade está mais consciente de que é preciso estar mais unida e fortalecida internamente para alcançar as conquistas necessárias.
Folha – A autonomia financeira, a partir dos duodécimos, é o principal pleito da Uenf? Como chegar lá?
Raimundo – A autonomia financeira é um pleito muito importante e faz parte de uma luta muito antiga. Agora parece-me que a próxima etapa depende predominantemente de ação administrativa do Governo do Estado, já que conta a aprovação da Alerj. Na nossa administração, a conquista de etapa da autonomia da Uenf, em 23 de outubro de 2001, envolveu vários atores, particularmente a nossa comunidade universitária e a mídia local. Na ocasião, a Uenf não conquistou autonomia plena, incluindo a financeira, mas certamente ultrapassou etapas importantes.
Almy – Tenho muitas preocupações com o modelo de autonomia financeira aprovada. Sem vinculação com a arrecadação estadual, como é a Faperj, por exemplo, acho que a nossa, se aplicada, é fragil. Se a Assembleia Legislativa não aprovar orçamentos que cubram efetivamente as despesas da universidade, estaremos sempre nas mãos do governador que estiver ocupando o cargo. Além disso, autonomia financeira pressupõe muita responsabilidade, vejamos o que aconteceu com as universidades paulistas, que têm autonomia financeira vinculada a percentual do orçamento, tem a responsabilidade com relação aos aposentados. A USP criou um fundo de segurança que chegou a ter R$ 3 bilhões. E mesmo assim passaram muito aperto nos últimos anos, não conseguindo repor quadros, financiar projetos. E hoje, inclusive na Unesp, se fala em fechar alguns campi. Como será o debate sobre reposição salarial com autonomia fragilizada?
Silvério – A Uenf traz em seu DNA uma herança de lutas e conquistas, herdadas de seus idealizadores e fundadores, professores, cientistas, técnicos, estudantes, políticos, empresários e o povo de Campos e região, que sempre estiveram presentes com seu apoio nas horas necessárias. Com esse trabalho coletivo a Uenf chegará lá. Todos os reitores trabalharam para viabilizar a autonomia financeira da Uenf. Todavia, houve avanços e retrocessos. Agora, na gestão do professor Passoni, houve a aprovação dos duodécimos na Alerj, o que sem dúvida é um passo importante para a Uenf. Mas é necessário que isso seja viabilizado pelo Governo do Estado.
Folha – A pesquisa e a extensão, assim como o ensino gratuito e de qualidade, estão no tripé pensado por Darcy Ribeiro à Uenf. Como vê hoje essas três atividades?
Raimundo – A universidade gera novos conhecimentos através da pesquisa, forma profissionais de qualidade pela graduação e pós-graduação, monitora a qualidade do meio ambiente nas vizinhanças, oferece cursos anuais para produtor rural desde a nossa administração e estuda a qualidade de vida da população da região através da extensão, além de formar e treinar profissionais para a Petrobras. Assim, a Uenf assumiu parceria importante na busca de caminhos alternativos para a nossa sociedade, inclusive quando não existir mais petróleo, que é um recurso natural finito. Portanto, essas três atividades encontram-se consolidadas e em pleno desenvolvimento na Uenf. Nos seus primeiros 11 anos de intensa existência, tempo muito curto para a vida de uma universidade, as atividades da Uenf concentraram-se na consolidação de seus cursos de graduação, dos programas de pós-graduação e na criação e fortalecimento dos grupos de pesquisa, que permitiram ao CNPq classificar a Uenf em primeiro lugar no cenário nacional na composição qualificada do número de doutores.
Almy – As atividades de ensino-pesquisa-extensão na Uenf ocorrem de um modo muito particular, talvez tenhamos um dos melhores no cenário acadêmico nacional, com uma extensão pujante. Entretanto, precisamos investir mais na qualidade do ensino e das pesquisas universitárias. Precisamos estar mais antenados com as mudanças que o mundo tem exigido. Neste ponto me preocupa muito o que estamos ensinando e como nossos jovens estão se preparando para o mundo, que cada vez mais exige menos diplomas e mais habilidades para o trabalho.
Silvério – A Uenf continua reconhecida pelo MEC como uma das melhores universidades brasileiras, no ranking nacional baseado no IGC (Índice Geral de Cursos da Instituição), que compila num único índice uma série de parâmetros de qualidade da totalidade dos cursos de graduação e pós-graduação. Tem um programa robusto na extensão universitária, tem uma iniciação científica muito forte, premiada várias vezes pela Capes. Todavia, dentro de seus 26 anos, a Uenf passou por diversos momentos de dificuldade. A partir de outubro de 2015, houve o agravamento desse quadro, piorando ainda mais em 2016 e 2017, com a falta de verbas suficientes para o custeio das atividades básicas e essenciais da universidade, assim como para os pagamentos dos servidores professores, técnicos administrativos, estudantes bolsistas e das empresas prestadoras de serviços, além da paralisação de muitos projetos de pesquisa, devido aos atrasos na liberação dos recursos da Faperj.
Folha – Desde sua fundação, em 1993, a Uenf sofre críticas por ser “olímpica”, afastada do cotidiano de Campos e região. O que esse olhar tem de certo e errado? Algo mudou nos últimos 26 anos?
Raimundo – A nossa administração tentou buscar e ampliar ao máximo a nossa integração com a comunidade do Norte e Noroeste Fluminense, tanto com os poderes públicos, quanto com a iniciativa privada e órgãos representativos da sociedade civil. Para nós, a comunidade externa e seus problemas sempre foram fontes de reflexão, inspiração e estímulos. É natural que cada cidadão sinta orgulho e defenda a universidade pública como um patrimônio seu, querendo uma convivência máxima na sua vida cotidiana. A convivência inicial da Uenf revelou-se aparentemente arrogante e conseguimos reduzir significativamente tal situação injustificável, procurando trazer a comunidade para conviver através da oferta de cursos e programa de atividade de extensão e participando de todos eventos realizados na cidade e região.
Almy – Este é o grande desafio de todas as universidades brasileiras. Várias delas estão em regiões que reclamam da ausência. Precisamos estar mais presentes nas ações do dia a dia, mas o que fará a diferença é o modelo de desenvolvimento que a região busca. Vou citar um exemplo da minha área, a agronomia: a Uenf nunca estará presente efetivamente na região se esta, a região, não tiver mecanismos que, primeiro, reconheça o diferencial e busque mecanismos para os profissionais formados pela nossa universidade continuem na região.
Silvério – Reconhecemos a dificuldade que a Uenf teve para se integrar à cidade nos primeiros anos e ainda tem. Todavia, olhando para o futuro e pensando no presente, observamos um crescente número de estudantes de Campos e região que participam do curso de pré-vestibular, dos diversos cursos de graduação e da pós-graduação. Além dos egressos da Uenf fazendo a diferença aqui em Campos e região, diversos projetos de extensão, com participação da comunidade campista, e a Agência de Inovação incentivando incubação de novas empresas. É um processo lento, porém capaz de transformar a sociedade e a própria universidade.
Folha – Antagonizada publicamente pelo presidente Bolsonaro e boa parte dos seus eleitores, a universidade pública é encarada como domínio e centro de doutrinação da esquerda. Em que essa visão está correta ou equivocada? Por quê?
Raimundo – A verdadeira esquerda brasileira estava sendo construída por Leonel de Moura Brizola, Darcy Ribeiro. Os dois construíram a Uenf e criaram o programa Centros Integrados de Educação Pública (Cieps). Isso sem falar de Miguel Arraes, Valdir Pires, entre outros, que foram realmente perseguidos e tiveram que se ausentar do país pela imposição do regime ditatorial. Os cortes orçamentários e os contingenciamentos de recursos adotados pelos governos brasileiros nas dotações orçamentárias dos Ministérios de Educação (MEC) e de Ciência e Tecnologia (MCT) representam ameaças permanentes para a manutenção do ensino de qualidade oferecido pelas universidades públicas e para a sobrevivência de grupos de pesquisa formados através de grande esforço e dedicação individuais e institucionais. A relação de aproximadamente 500 pesquisadores no Brasil para cada milhão de habitantes é muito diferente da observada em outros países. Na Coréia do Sul esta relação é de 2.000 e no Japão de 6.000. A ausência de uma política consistente para o desenvolvimento educacional, científico e tecnológico no país contribui para a permanência de um ambiente desarticulado para a ciência e a tecnologia, provocando uma disritmia no processo de formação de recursos humanos e no sistema de atividade de pesquisa. No Brasil programa-se muito, investe-se pouco e não se cobra quase nada.
Almy – O momento político brasileiro, tanto de um lado quanto do outro, não tem dado espaço para debates mais produtivos. A imagem de que tudo é “à esquerda” dentro das nossas universidades tem fundamento no caráter questionador que a ciência tem e, às vezes, em movimentos reivindicatórios corporativos. De qualquer modo, é preciso trabalhar melhor, internamente, fazer uma autocrítica e deixar claro qual é nossa missão, com a construção do conhecimento, com o rigor científico, devolver à sociedade jovens com capacidade de promover mudanças que todos nós queremos e com autonomia e visão tecnológico-científica, antenados com um mundo que exige transformações rápidas. Evitar a partidarização, à esquerda ou à direita, é hoje o nosso maior desafio, não só nas universidade quanto em qualquer autarquia pública. Mas, as universidades estão sempre questionando modelos, na China, atualmente, questionam o modelo de desenvolvimento considerado à esquerda.
Silvério – Esta visão está equivocada. Mesmo que haja problemas em casos específicos, nas universidades impera um ambiente democrático, com diversidades de pensamentos e de ideias. A falta de prioridade dos governantes com relação à educação, ciência, tecnologia e inovação, compromete o presente e o futuro, indo na contramão do desenvolvimento do país. É sabido que a sociedade só se transforma positivamente com investimentos em educação, ciência e tecnologia, fato comprovado pelos exemplos de sucesso de muitos países que priorizaram investimento em educação e hoje estão recebendo os dividendos social e econômico.
Folha – Não só o Brasil, mas o mundo vive um negacionismo da ciência. Fatos científicos como o aquecimento global pela ação humana, a validade das vacinas, a ida do homem à Lua e até a forma redonda da Terra, hoje são abertamente questionados. Como a ciência deve reagir a esse obscurantismo?
Raimundo – Tais problemas podem ser resolvidos mediante um sistema educacional competente, amplo e consistente.
Almy – A ciência deve agir como sempre agiu, com o método e o rigor científico. Isso pereniza é o que tem garantido os fabulosos avanços que impactam positivamente a vida de todos nós. O momento é tenso, leigos questionando fortemente ações de quem se preparou para o tema é algo muito complexo. Se as universidades se fortalecerem no princípio científico, com a qualidade devida, este será apenas um momento de questionamentos e transição para um modus operandi que venha a superar o ceticismo advindo da desinformação.
Silvério – Com o avanço da tecnologia de informação, as pessoas passaram a ter acesso a muitas informações verdadeiras e falsas, em curtíssimo espaço de tempo. Desta forma, não há tempo suficiente para uma análise mais profunda. Muitas vezes as pessoas não têm formação adequada para entender estas informações e são levados a acreditar em coisas irreais. Encontrar uma estratégia de combate às informações falsas é um desafio neste momento.
Folha – Em períodos de dificuldade, como a crise financeira do estado do Rio em 2017, quando a Uenf teve salários atrasados e parte de seus profissionais recorreu (aqui) à doação de cestas básicas para sobreviver, a universidade é questionada por não ser mais aberta à iniciativa privada. Como vê a questão?
Raimundo – O estabelecimento de uma interação das universidades com empresas não será alcançado sem a adoção de uma política consistente de investimento do empresariado em atividades de pesquisa e desenvolvimento, utilizando os conhecimentos apropriados decorrentes das investigações universitárias. Em tal contexto ampliado com a participação de diversos atores públicos e privados interessados, detectou-se imediatamente a necessidade do estabelecimento de mecanismos efetivos de transferência de tecnologia para permitir a tradução do conhecimento gerado na Uenf em bens tangíveis e intangíveis, transformando-os em empreendimentos com capacidade de atuação como uma das molas propulsoras para o desenvolvimento regional. A título de exemplo, veja o que ocorreu nos Estados Unidos com as patentes, que constituem produtos típicos do investimento empresarial em pesquisa e desenvolvimento, através da aplicação de conhecimentos produzidos no ambiente acadêmico: das mais de 53 mil patentes registradas nos EUA em 1994, apenas 3% surgiram das atividades universitárias. Para nós, a comunidade externa e seus problemas constituem fontes de reflexão, inspiração e estímulos para atividades de pesquisa e para a formação do profissional cidadão que desejamos. Estou convicto de que é através da sintonia com os problemas e as demandas da sociedade que a universidade se torna capaz de formar não apenas o profissional, mas também cidadão apto a dar conta das necessidades do setor produtivo e dos desafios sociais.
Almy – Este é um problema mais complexo, no nível da autonomia universitária. Temos que fazer uma autocrítica, boa parte dos nossos movimentos internos universitários têm muitas dificuldades para entender e/ou apoiar parcerias com empresas privadas. O modelo universitário brasileiro tem muitas dificuldades com captação de recursos da iniciativa privada. Primeiro porque boa parte do que a iniciativa privada usa de tecnologia desenvolvida em outros países, que acabam por financiar o desenvolvimento científico nas matrizes das multinacionais. Outra que tanto nossas universidades quanto o setor empresarial têm enormes dificuldades de comunicação. Mas temos coisas boas, se observarmos no RUF, num ranking com 198 universidades, a Uenf é a 23ª em publicações de artigos em colaboração com empresas.
Silvério – A Uenf é uma construção inspiradora, de diferentes pontos de vista. Do ponto de vista acadêmico, a universidade propôs inovar em termos de estrutura organizacional, especialmente substituindo os antigos departamentos por laboratórios transdisciplinares, entre outras inovações propostas por Darcy Ribeiro, como o quadro de professores, todos com doutorado e dedicação exclusiva. Defende o ensino público, gratuito e de qualidade. É considerada uma das melhores universidades do país. A instituição tem que procurar, não somente em época de crise, outras parcerias com órgãos federais, estaduais e municipais e empresas privadas. Estes projetos e convênios são viabilizados pelas partes na Agência Uenf de Inovação (AgiUenf) para os devidos trâmites nos colegiados da universidade. A integração com todos os setores é sempre bem vida.
Folha – A Uenf saiu da eleição a reitor talvez mais disputada da sua história. Há quem tenha visto a vitória apertada de Raúl Palacio como o triunfo eleitoral dos técnicos e alunos sobre os professores. Houve uma luta de classes no pleito de 2019? Como cicatrizar as feridas?
Raimundo – O processo eleitoral da Uenf obedece à correspondente lei constitucional do Darcy Ribeiro: 70 % docentes, 15 % servidores não docentes e 15 % discentes. Assim, se a lei foi obedecida, não existe qualquer possibilidade de alguém ser eleito somente com votos de servidores não docentes e discentes, que totalizam 30%. Nestas circunstâncias, só se pode justificar tal resultado com base na ausência de docentes no processo eleitoral.
Almy – Eleições sempre são momentos de grande energia, às vezes com ações que não devem acontecer. Não vejo esta eleição com luta de classe, talvez precisamos clarear mais o projeto institucional com foco na formação, no desenvolvimento científico e tecnológico e na captação de recursos financeiros. Todos, cada um na sua função, estão inseridos nisso. Entendo que o tempo, e as ações dos vencedores do pleito, podem levar a um ambiente mais harmônico. A cicatrização só será possível com o engajamento de todos nas ações da universidade, no trabalho do dia a dia e com metas bem estabelecidas.
Silvério – Foi a vitória da democracia. Devemos combater preconceitos e respeitar a vontade da maioria e o resultado da eleição. O reitor eleito é para toda universidade; ele deve administrar para o bem comum. Deve respeitar e valorizar a experiência de todos que lutaram e continuam lutando para a consolidação da Uenf, na busca de uma universidade produtiva, mais humana, mais participativa. Também deve valorizar a inteligência e a garra dos jovens que representam o presente e o futuro desta universidade.
Folha – O jornalista Elio Gaspari volta e meia escreve missivas imaginárias de líderes do passado aos do presente. Se tivesse que escrever uma carta ao reitor eleito, o que diria?
Raimundo – Recomenda-se a preocupação permanente com a manutenção, fortalecimento e consolidação das atividades acadêmicas e científicas da instituição, respeitando sempre a hierarquia institucional e atendendo permanentemente as exigências do processo evolutivo e as necessidades e aspirações da sociedade. Nunca esquecer que a universidade é inquestionavelmente um patrimônio da sociedade e independente de pretensões partidárias, sindicalistas e outras entidades reivindicatórias personalizadas.
Almy – Difícil tal ação (risos). Mas diria: foco na capacitação técnico-científica dos nossos estudantes. A sociedade e nosso principal “produto”, o estudante, não vão nos perdoar, se não fizermos isso. Precisamos de um plano de metas bem claro, a defesa pura e simples da universidade pública e gratuita não nos ajuda mais. Precisamos prestar contas sempre. O Sistema de Pós-Graduação Brasileiro, com metas bem estabelecidas, com foco na qualidade científica, já é um caminho. As ações administrativas e respeito aos procedimentos democráticos é que nos levará a passar por este momento difícil.
Silvério – Diria que, em respeito a todos aqueles que lutaram pela fundação e pela existência da Uenf com qualidade, tenho a certeza de que ela resistirá, e sairá deste período de crise mais fortalecida e preparada para novas conquistas. Que é necessário encarar a realidade atual, a crise econômica no país e, principalmente, no Estado do Rio de Janeiro, conforme alerta da CPI da Crise Fiscal da Alerj, e se colocar a serviço da comunidade universitária, independentemente do apoio ou não que recebeu nas eleições. Conclame a todos para se colocar a serviço da plenitude de todas as nossas potencialidades e seguir em frente, pois ainda temos muito que avançar. Busque novas estratégias, trabalhando de forma integrada com toda comunidade universitária e a população de Campos e região, para que se mantenham em mobilização, com determinação, lucidez e capacidade. E que não fiquemos conformados em lamentar as dificuldades. Mas, ao contrário, que possamos aprimorar rotinas, articular e empreender novos caminhos e continuar, cada um de acordo com sua aptidão, a defender o presente e o futuro da Uenf, que é uma obra-prima, uma joia rara, uma riqueza inesgotável, um bem público que tem muito a contribuir para o desenvolvimento social e econômico da região, do estado e do país. A percepção da riqueza deste processo é o que garante o respeito e a reverência à instituição, independentemente das controvérsias ou disputas que ocorrem no ambiente de uma universidade.
Folha – Incluindo seu tempo como reitor, de onde veio a Uenf? Onde está e para onde vai? O que o passado da universidade deve ensinar ao presente e ao futuro?
Raimundo – Todos nós sabemos que a Uenf surgiu de movimento de anseios e empenho da sociedade campista e da capacidade criativa e política de Darcy Ribeiro e Leonel de Brizola. A administração da Uenf deve trabalhar intensamente no fortalecimento, consolidação e desenvolvendo de programas e parcerias para o desenvolvimento municipal, regional e estadual, preservando sempre a atuação profissional nas três atividades de ensino, pesquisa e extensão, envolvendo a formação de recursos humanos qualificados e geração de novos conhecimentos. Os docentes ocupantes de cargos administrativos não podem descuidar das necessárias atividades científicas essenciais para manutenção do mérito profissional através de publicações de artigos, apresentações de trabalhos em reuniões científicas nacionais e internacionais e orientações/coorientações de alunos.
Almy – No preâmbulo do volume 1, do Plano Orientador da Uenf, escrito por Darcy Ribeiro ele diz: “Dos planos que fiz, nenhum se cumpriu como fora pensado. Mas sua existência deu coerência e diretriz à vida universitária que prefigurou. O futuro, felizmente, é sempre imprevisível e surpreendente. Sendo assim, saúdo daqui a Universidade Estadual do Norte Fluminense, que há de ser, no mundo das coisas, tal como a história a fará. Desejando que dê ouvidos para as diretrizes que proponho e que faça suas as ambições generosas que lhe atribuo”. Darcy queria uma universidade pautada pela ciência. Ele, em princípio, queria uma universidade para formar doutores. Sinto que estamos desviando este caminho, temos que retomar, com bases no que o mundo está nos exigindo. Precisamos de protagonismo dos estudantes na formação deles próprios. E isso só se consegue com disciplina, trabalho e foco. Temos uma fragilidade emocional atualmente que tem sido barreira para que este protagonismo floresça.
Silvério – A Uenf é uma construção coletiva singular, cuja história está cheia de personalidades célebres e heróis anônimos. A universidade nasceu de um movimento popular, que se organizou e conseguiu incluir a criação da Instituição na Constituição do Estado de 1989, recorrendo ao mecanismo de emendas propostas pelo público. O sucesso deste esforço cívico significou uma grande quantidade de energia gasta por um grande número de pessoas. Hoje é uma instituição de ensino reconhecida no Estado do Rio de Janeiro, no país e internacionalmente. No futuro, espero uma instituição que tenha se expandido para outros municípios, conforme previsto em seu projeto de criação, com cursos atuais consolidados e criação de novos cursos e mantida a excelência no ensino, pesquisa, extensão e inovação.
Folha – O que pensa de iniciativas como a mesa de debate “Os Desafios Institucionais da Uenf em Perspectiva Histórica”, que se dará a partir das 18h desta quarta (09), reunindo o senhor, outros dois ex-reitores, o atual reitor e o eleito, promovido pelo cientista político e professor da universidade Hamilton Garcia, com apoio do Grupo Folha?
Raimundo – O programado debate “Os Desafios Institucionais da Uenf em Perspectiva Histórica” é uma proposta oportuna e positiva, já que a universidade precisa sempre ser repensada, discutida e avaliada para continuar no pleno atendimento da importante missão que lhe é conferida.
Almy – Achei a iniciativa excelente, infelizmente estarão ausentes ex-reitores nos quais destaco o primeiro, professor Wanderley de Sousa, tão importante na gênese da nossa Uenf; e o primeiro eleito, professor Salassier Bernardo. Acredito que a iniciativa e a liberdade para debatermos o que podemos fazer para sair do estado das coisas que estamos é fundamental para o desenvolvimento da Uenf e da região.
Silvério – Será uma excelente oportunidade para os ex-reitores, reitor atual e o reitor eleito compartilharem experiências e contribuírem no diagnóstico dos problemas a superar pela nova reitoria. Parabéns ao professor da universidade Hamilton Garcia e ao Grupo Folha pela iniciativa.
Para ler ou reler a entrevista com o professor Raúl Palacio, logo após sua eleição como reitor da Uenf, confira aqui.
Publicado hoje (08) nas páginas 6 e 7 Folha da Manhã
Idealizador do FDP!, Vitor Menezes no Folha no Ar de hoje (Foto: Isaias Fernandes – Folha da Manhã)
Como definido na reunião (aqui) da última sexta (04), na Casa de Cultura Villa Maria, o 3º Festival Doces Palavras (FDP!) será realizado, mesmo sem o apoio da Prefeitura de Campos e do Sesc. Ainda sem data definida, mas provavelmente em novembro, e em vários locais, não mais centralizado na Praça do Liceu. Idealizador do FDP!, professor do Uniflu e assessor de imprensa do Sindipetro-NF, Vitor Menezes foi o convidado no início da manhã de hoje do programa Folha no Ar 1ª edição, da Folha FM 98,3. Ele falou da importância do festival, da decisão de realizá-lo mesmo sem o apoio público, cuja retirada em cima da hora foi alvo de críticas:
— A gente teve uma conversa com os produtores culturais da cidade, numa convocação da Associação de Imprensa Campista (AIC). A gente foi surpreendido com essa decisão da Prefeitura de Campos, que é realizadora do festival junto com a AIC e com a Academia Campista de Letras (ACL). O que nos deixou muito chocados, dada a contribuição que o festival tem dado ao longo desse tempo para a valorização dos autores campistas e da pesquisa sobre a literatura campista. E a produção de doce, que é uma tradição que como várias outras vem passando por muitas dificuldades.
O idealizador do evento também questionou a falta de soluções alternativas, cujo contingenciamento de gastos, com as perdas de Campos nas receitas do petróleo, foi alegado como motivo da suspensão do apoio do poder público municipal ao FDP!:
— Eu considero essa decisão injustificável, a despeito de entender todo o cenário de crise que a gente vive. Mas a gente também se surpreende com a falta de zelo com esse patrimônio, porque isso poderia ser feito de uma outra forma. Já está sendo construída a possibilidade de programação descentralizada, a gente vai abrir um chamado para quem quiser participar do 3º FDP!, não mais realizado pela Prefeitura, mas pelo coletivo de produtores culturais, para que se inscrevam, para que digam o que querem e podem fazer. Imagine o que não seria possível construir num ambiente institucionalizado como a Prefeitura, com uma rede de 200 escolas municipais, por exemplo, falando de literatura campista durante quatro, cinco dias. Isso não teria custo nenhum para a Prefeitura. Junto com a iniciativa privada também, as escolas particulares.
Lembrado que a proposta inicial do Folha do Ar de hoje era um debate, entre ele e um representante da Prefeitura, que preferiu declinar do convite, Vitor subiu o tom para criticar a posição da Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima (FCJOL) na nota que anunciou (aqui) o cancelamento da sua participação no FDP!:
— Seria bacana, seria um diálogo. Da minha parte, não seria polarizado, porque eu estaria conversando com os realizadores do evento, que eu inclusive valorizo muito. Não é porque eles disseram que não vão realizar, que eu vou negar toda a contribuição e importância da Prefeitura. Porque esse é um evento da cidade, não é um evento da AIC, da ACL. O FDP! só existe por causa da Prefeitura de Campos. Foi ela quem realizou o evento em 2015 e 2017 e vinha caminhando para realizar o de 2019. Posso usar uma palavra dura, mas eu achei desonesta a nota da Fundação Cultural, quando ela diz que estava cancelando o evento na condição de parceira. A Prefeitura de Campos, isso é público, está nos folders das duas edições e todos os documentos que foram redigidos, é realizadora e decidiu não realizar este ano. Não entendi muito bem essa nota.
Como o motivo dado para o cancelamento da participação da Prefeitura no FDP! foi o contingenciamento de gastos, o convidado do programa na manhã desta quarta (08), o secretário municipal de Fazenda Leonardo Wigand, poderá falar sobre esse assunto, entre outros. Antes, a partir das 7h desta terça (09), o debate que não houve na manhã de hoje está programado para acontecer entre dois estudantes da UFF-Campos, de espectros políticos opostos: Eraldo Duarte, do movimento de direita UFF Livre, e Johnatan França de Assis, militante de movimentos de esquerda.
Debate entre os estudantes da UFF-Campos Eraldo Duarte e Johnatan França de Assis no Folha no Ar desta terça (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Enquanto Johnatan e Eraldo não esquentam a manhã de terça, fique com os quatro blocos dos vídeos do Folha no Ar de hoje, com Vitor Menezes:
Exposição de fotos de Atafona embaixo da ponte do Brooklin (Foto: Divulgação)
Em todo o mundo, o passar do tempo geológico é quase sempre muito lento para ser acompanhado na brevidade de uma vida humana. Com o avanço do mar sobre a ocupação do homem a partir da construção da barragem de Santa Cecília nos anos 1950, com o desvio de 60% das águas do rio Paraíba do Sul para atender o Grande Rio no Sistema Guandu, Atafona é uma exceção. Que ganhou o mundo numa exposição de fotografias sobre o balneário sanjoanense embaixo da Ponte do Brooklin, em Nova York.
O autor dos registros é o fotógrafo carioca Felipe Fittipaldi, 37 anos, que se dedica a projetos ambientais e sociais. Ele colabora com veículos como El País, Editora Abril e National Geographic. E já foi contemplado com prêmios nacionais e internacionais como Lens Culture, Life Framer e POY Latam. Graças a ele, as ruínas humanas deixadas pelo mar na foz do rio Paraíba ganharam atenção embaixo da ponte sobre o rio East, entre Manhattan e Brooklin.
Nos tempos do Cream, Ginger Baker em primeio plano com sua bateria, escudado por Jack Bruce no baixo e Eric Clapton na guitarra
Sempre que me perguntam qual é a melhor banda de rock de todos os tempos, “Beatles ou Rolling Stones?”, não tenho dúvida ao afirmar: foi o Cream! Também britânica, durou pouco, é verdade. Foram apenas dois anos, de 1966 a 1968. Mas enquanto esteve em atividade, vendeu e influenciou a música tanto ou mais que suas duas congêneres mais famosas.
No domingo de hoje, acordei tarde com a notícia da morte de Ginger Baker, baterista do Cream. Antes dele, em 2014, o baixista Jack Bruce já havia feito a passagem. Completava o legendário trio o deus da guitarra Eric Clapton, sobrevivente de perdas anteriores — como as de seus camaradas em armas Jimmy Hendrix e Steve Ray Vaughan, com os quais esteve momentos antes de suas mortes.
Muito da sofisticação musical do Cream se devia à formação jazzística de Ginger Baker. Embora tenha definido o que seria o baterista de rock, ele detestava a classificação e se sempre se considerou um “baterista de jazz”. Viciado em heroína como tantos ícones do jazz, da diva Billie Holiday ao gênio do sax Charlie Parker, Baker tinha o temperamento forte e irascível. Certa vez, chegou a ameaçar Jack Bruce com uma faca. E chamou Mick Jagger, no auge do sucesso dos Stones, de “um idiota musical”. Com Clapton, depois da dissolução do Cream, chegou a tocar junto em outra super-banda de rock: a Blind Faith.
Em 2005, o Cream voltou a se reunir para uma série de shows ao vivo, nos seus últimos palcos de 1968. Trinta e sete anos depois, Baker, Bruce e Clapton tocaram quatro noites de maio no Royal Albert Hall, em Londres, e duas noites de outubro, no Madison Square Garden, em Nova York. Nelas, a maior banda de rock que já existiu voltou a executar composições próprias, como “Badge”, “White Room” e “Sunshine Of Your Love”, além da regravação de “Crossroads”, do mestre do delta blues Robert Johnson (1911/1938), que o Cream resgatou no final dos anos 1960 para influenciar outras gerações pelo mundo.
Já na casa dos 60 anos, em sucessos dos seus tempos psicodélicos, confira abaixo o que o trio de “velhinhos” foi capaz de fazer neste novo milênio:
Com a batida sofisticada e poderosa de Ginger Baker, o olimpo do rock está mais cheio. Jack Bruce, que nunca foi bobo em vida, vai ficar mais esperto. E o deus da guitarra, caído na Terra, ficou mais só.
O meu domingo e o de tantos outros ao redor do mundo amanheceu triste. Com o vento lamentando na planície de outro delta de rio, como um blues.
Antes, durante e após a polarização da eleição a reitor da Uenf, seus professores Roberto Dutra e Hamilton Garcia mantém no blog um diálogo em melhor nível (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Encerrada a polarização, com direito a ataques pessoais e uso de fake news, que marcou o segundo turno da eleição a reitor da Uenf (veja aqui o resultado), o debate produzido por seus melhores quadros segue em alto nível no blog. Como ocorrerá no auditório do Centro de Convenções da universidade, a partir das 18h desta quarta (09), na mesa “Os Desafios Institucionais da Uenf em Perspectiva Histórica”. Promovido pelo cientista político e professor da Uenf Hamilton Garcia, com apoio do Grupo Folha, o encontro reunirá o reitor eleito, professor Raúl Palacio; o reitor atual, professor Luís Passoni; mais os professores e ex-reitores Silvério Freitas, Almy de Carvalho e Raimundo Braz Filho.
Hamilton deu prosseguimento ao diálogo crítico com seu colega da Uenf, quando o Opiniões publicou o texto “Brasil não é para principiantes”, em 23 de setembro. E, ontem (04), Roberto enviou por e-mail sua tréplica ao seu ex-professor, que o blog hoje (05) publica abaixo:
Roberto Dutra, sociólogo e professor da Uenf
A imaginação e a idolatria institucional
Por Roberto Dutra
No diálogo com Hamilton Garcia, promovemos algumas concordâncias e discordâncias muito claras. Tentarei, do meu ponto de vista, pontuar essas discordâncias e concordâncias. Elas não são aleatórias. Têm referenciais bem determinados em diferentes visões e tradições interpretativas sobre os problemas sociais, econômicos, políticos e culturais brasileiros e suas possíveis soluções. Discordamos e concordamos sobre temas e problemas comuns porque olhamos estes problemas e suas possíveis soluções mobilizando argumentos de diferentes tradições do pensamento social e político no Brasil, que se distinguem também pelo modo como recebem e utilizam tradições teóricas estrangeiras.
Diferentes tradições do pensamento social e político no Brasil
Hamilton busca combinar autores marxistas com a sociologia weberiana de Faoro sobre o patrimonialismo. Esta combinação, de acordo com a classificação proposta pelo professor Carlos Sávio Gomes Teixeira (http://www.sesc.com.br/portal/publicacoes/sesc/revistas/sinaissociais/n+28/maio-agosto+2015), não é apenas entre autores, mas entre duas tradições do pensamento social e político brasileiro: o “estruturalismo sociológico” de viés mais marxista e o “liberalismo culturalista” de viés mais weberiano. Não vou discutir estas tradições, mas apenas ressaltar um ponto comum entre elas que se destaca no pensamento de Hamilton Garcia, ressaltando o contraste com meus argumentos. O ponto comum é o problema da imaginação institucional, especialmente nas esferas da economia, da política, mas também nas esferas do direito e da educação.
Florestan Fernandes (estruturalismo sociológico) e Raymundo Faoro (liberalismo culturalista), autores que Hamilton combina em sua argumentação sobre o patrimonialismo e a “idolatria do estado” no Brasil, têm enormes dificuldades em pensar soluções políticas reais para os problemas brasileiros. A “revolução socialista” de Florestan e a “reforma do estado” de Faoro são soluções presas aos limites do que a realidade sociopolítica dos países do Atlântico Norte oferece ou já ofereceu como possível. Por mais que tentem e consigam, em certa medida, romper com o eurocentrismo no diagnóstico de nossos problemas, não conseguem fazer esta ruptura na dimensão da imaginação institucional. Compartilham, de modos distintos, uma idolatria institucional das soluções políticas, administrativas, econômicas e culturais inventadas nos EUA e na Europa. Não transformam o diagnóstico de nossas especificidades em concepções sobre a especificidade de nossas soluções. Para Hamilton, por exemplo, soluções políticas diferentes do “liberalismo inglês” e do “americanismo” são sempre inapropriadas, mesmo que ele ressalte que somos muito diferentes da Inglaterra e dos EUA. A teoria social e política contemporânea tem se empenhado para relativizar os parâmetros comparativos entre realidades distintas, buscando considerar a multiplicidade de referências comparativas nas esferas da política, da economia, do direito etc. A ideia básica é combinar a variedade da realidade com a variedade dos modelos sobre como organizar a economia, a política, o direito e a relação entre estado e sociedade como um todo. A modernidade produz variações também nas soluções possíveis e adequadas para problemas comuns de organização da economia, da política, da administração pública e do direito. E este é o ponto que parece não encontrar espaço na argumentação da Hamilton.
Na visão de Hamilton, filiada às tradições do “estruturalismo sociológico” e do “liberalismo culturalista”, a idolatria institucional bloqueia a imaginação sobre a relação entre estado e sociedade. Idealiza-se uma relação contínua de controle do estado pela sociedade civil na produção de um aparato administrativo racionalizado e revolucionário, típica do “liberalismo inglês” e do “americanismo”. Esta idealização é a base para se pensar, por comparação, em uma relação de soma zero tipicamente desviante e própria de países periféricos: se o estado for forte e interventor, a sociedade seria sempre fraca e tutelada. Na verdade, na Inglaterra e nos EUA o estado foi assumindo, desde meados do século XIX, como o próprio Gramsci enfatiza, crescente protagonismo na organização da própria sociedade, sobretudo na criação de forças organizacionais e produtivas em setores estratégicos como transporte ferroviário, telecomunicações, agricultura, energia e tecnologia digital. De fato, a construção da infraestrutura associativa destes países teve início pujante independente do estado. Mas isto foi uma relação encerrada, a partir de meados do século XIX, junto com a fase liberal da modernidade. Tanto no fordismo do pós-II Guerra como no pós-fordismo, o que se vê são imbricações muito decisivas entre o público e o privado. O “liberalismo inglês” e o “americanismo”, não por acaso, encontram enormes dificuldades em lidar com os problemas políticos de seus países. Tratá-los como únicas soluções vitoriosas em termos de formas políticas capazes de institucionalizar o ideal democrático não parece ser um caminho muito promissor.
Meu ponto de vista parte de uma terceira tradição identificada pelo professor Carlos Sávio Gomes Teixeira: o construtivismo institucional. Esta tradição busca dialogar com as duas outras, mas assume uma perspectiva distinta ao enfatizar a especificidade das formas políticas, econômicas, culturais e jurídicas que devem ser inventadas para a superação do subdesenvolvimento e da subcidadania. Inclui autores como Alberto Torres, Oliveira Vianna, Alberto Guerreiro Ramos e Roberto Mangabeira Unger. Ao diagnosticar a dependência do país em relação aos centros globais, esta tradição prioriza a superação do colonialismo mental também na dimensão da imaginação institucional, ou seja, na busca de alternativas sobre como organizar a política, o direito, a economia e a relação entre estado e sociedade para além das possibilidades conhecidas do Atlântico Norte.
Vou pontuar minhas discordâncias e concordâncias com Hamilton a partir do contraste entre essas tradições.
A especificidade da relação entre estado e sociedade no Brasil
1) A primeira concordância é sobre a pertinência de comparar o Brasil com outros países para determinar a especificidade de nossa formação social. Também concordamos que esta especificidade é a de um país periférico e que a resolução de nossos problemas internos está ligada ao enfrentamento da dependência em relação aos centros econômicos e políticos globais. No entanto, discordamos em relação aos parâmetros normativos de comparação. Hamilton defende a superação da condição periférica por meio da adesão aos modelos institucionais fornecidos pelas experiências dos países do Atlântico Norte. Nossa condição periférica seria tão poderosa que nos privaria de possibilidades e soluções próprias para superar o subdesenvolvimento e a subcidadania.
Para darmos um rumo progressista e inclusivo à nossa democracia e à nossa economia teríamos que seguir o “liberalismo inglês” e o “americanismo” e isto significa racionalizar um estado visto como patrimonialista, corrupto e controlado por estamentos oligárquicos ligados ao controle da terra. Discordo da ideia de que as relações corruptas entre estado e sociedade sejam frutos de uma especificidade patrimonialista do Brasil. A corrupção não é um problema herdado de formas políticas portuguesas, mas um problema moderno que pode ser relativamente maior ou menor no Brasil, a depender do modo como a observamos. Tem a ver com a imperfeição da própria diferenciação entre as esferas política, econômica e jurídica. A dominação racional legal nunca foi plena em nenhum lugar. E, seja na Inglaterra, no Brasil ou nos EUA, as oligarquias que mais fortemente corrompem o direito e a política são as oligarquias financeiras, que dominam inclusive a propriedade fundiária rural e urbana. São as contradições gerais das relações entre economia, direito e política, para as quais existem soluções sempre parciais e variadas, mas nunca soluções absolutas a serem idolatradas.
Concordo com Hamilton que o enfrentamento das oligarquias econômicas ineficientes é uma tarefa fundamental para construir um estado que induza processos de modernização condizentes com a superação do subdesenvolvimento e da sudcidadania. Mas discordo que o estado brasileiro não tenha sofrido processos de racionalização importantes que o tornassem capaz de enfrentar oligarquias internas antagônicas ao desenvolvimento e à ampliação da cidadania civil, política e social. Isto nos leva ao segundo ponto.
2) As tradições do “estruturalismo sociológico” e do “liberalismo culturalista”, que Hamilton busca combinar, levam-no a aderir à ideia de que o estado é a grande fonte de nossos problemas. O objetivo é substituir o estado patrimonialista pelo estado racionalizado e transformador. Concordo com ele sobre a necessidade de construir um estado racionalizado e transformador. Mas discordo do diagnóstico de que este estado não tenha existido ou que seja algo estranho ao Brasil. E também discordo da solução jacobina de destruir este estado por meio de cruzadas supostamente modernizadoras como a Operação Lava Jato. Onde Hamilton vê jacobinos lutando por um estado moderno, não corrupto e racionalizado, eu vejo a história se repetindo como farsa e tragédia: uma classe média de funcionários públicos cooptada pelo discurso neocolonial de que o Brasil é sistemicamente corrupto e deve ser salvo pela importação dos modelos institucionais, políticos e jurídicos inventados pelos países e organizações do Atlântico Norte como a OCDE e o Departamento de Estado dos EUA. Apesar de criticar o que chama de modismos intelectuais, Hamilton pratica certa idolatria das soluções importadas. Na prática, estas soluções importadas implicam na balcanização do estado brasileiro como inimigo número um do desenvolvimento e da cidadania. O diagnóstico de terra arrasada pela corrupção justifica e requer, para quem é coerente como os jacobinos da Lava Jato, a destruição deste estado tido como intrinsecamente patrimonialista e corrupto.
Neste ponto minhas discordâncias são bem claras e remontam às visões distintas que Hamilton e eu temos sobre a natureza das estruturas sociais, dos problemas e das tarefas que a colonização nos deixou no terreno da construção político-administrativa do estado brasileiro. Na visão engendrada por Raymundo Faoro e continuada por Hamilton, o Brasil colônia foi marcado pela importação, implantação e desenvolvimento de um estado todo poderoso, controlado por estamentos agrários e burocráticos, cuja função foi a de tutelar, cooptar e impedir o desenvolvimento autônomo da sociedade e suas distintas esferas como a economia, o direito e a própria política moderna democrática. A idolatria do estado seria a expressão mais forte deste sistema patrimonialista. Nosso maior obstáculo para construir formas de bem comum seria a atuação sufocante e centralizadora de um estamento burocrático que coopera com os setores mais atrasados da sociedade, cooptando e tutelando o novo para adequá-lo ao velho. O estado seria o problema e a sociedade civil a solução. Esta visão “liberal culturalista”, que programaticamente culmina na adesão ao programa lavajatista de destruir o estado, de fato compartilha com a visão “sociológica estruturalista” a ideia de que o Estado brasileiro sempre foi um mero conluio de oligarquias econômicas atrasadas. Não é por acaso que as duas visões endossam a visão de que as classes econômicas paulistas deveriam comandar politicamente o país para nos salvar de um estado que seria responsável por tutelar e sufocar o que há de mais avançado na sociedade.
Este ponto de discordância articula o principal neste debate: o julgamento sobre o papel do estado e da centralização político-administrativa na criação ou solução de nossos problemas. Enquanto Hamilton mobiliza os argumentos de uma tradição que vê um estado todo poderoso e centralizador controlando a sociedade, eu recuso estes argumentos em favor da maior plausibilidade que vejo nos argumentos da tradição do “construtivismo institucional”: a formação colonial brasileira, ao contrário de ser marcada por um estado centralizador, foi marcada pela mais radical fragmentação política e administrativa. O argumento é que Gilberto Freye e sua análise da descentralização do Brasil colônia em patriarcados locais e a tese de Oliveira Vianna sobre o caráter clânico e fragmentador da empreitada colonial portuguesa têm maior plausibilidade que a tese de Raymundo Faoro sobre um estado patrimonial todo poderoso. O regime político do império é um tema que deixa esta divergência bem nítida: enquanto Faoro vê no império, assim como na Era Vargas, mudança superficial que reproduz o mesmo estado patrimonial herdado na colônia, Oliveira Vianna, a quem sigo neste aspecto, vê esforços de centralização de caráter claramente modernizador. Onde Faoro vê continuidade Vianna vê descontinuidade. Para Hamilton, portanto, nosso estado possui uma relação de soma zero com a sociedade: quando ele é forte e interventor é sempre para tutelar ou sufocar a autonomia da sociedade. Um estado capaz de induzir transformações sociais precisaria ser construído a partir da destruição daquele que temos. Discordo deste julgamento absoluto sobre o caráter atrasado e conservador do estado brasileiro. Nosso estado pode ter sido predominantemente isso, mas não foi apenas isso.
3) O julgamento sobre a Era Vargas acaba sendo uma extensão desta discordância sobre o papel do estado em nossa formação social e política. Para Faoro, para Florestan e para a sociologia do populismo, Vargas promoveu uma política de inclusão com tutela e sufocamento de setores organizados da sociedade. A tradição do “construtivismo institucional” reconhece as contradições de Getúlio Vargas, mas rompe com a visão de que a ação organizadora do estado tenha apenas enfraquecido a sociedade e sua organização. Autores como Renato Boschi e Eli Diniz (http://inctpped.ie.ufrj.br/pdf/livro/Estado_e_Sociedade_no_Brasil.pdf) ressaltam que as inovações institucionais de Vargas, sobretudo os canais de participação e ação organizadora do executivo em setores da sociedade antes excluídos dos processos decisórios, acabou induzindo também a auto-organização de muitos destes setores. O argumento rompe com ideia de um jogo de soma zero entre estado organizador e sociedade civil no Brasil: tivemos experiência, imperfeita como todas mas efetiva em grau significativo, na indução, via inovação institucional do estado, de processos de transformação social em diferentes setores. Inovações que a literatura chama de “corporativismo” ou “neocorporativismo” foram criadas porque a importação de modelos institucionais ingleses e americanos haviam falhado em responder a nossos problemas durante a República Velha.
A tradição de pensamento que mais aprecio no Brasil, o construtivismo institucional, esteve desde sempre empenhada em criticar a idolatria e a importação de modelos institucionais e doutrinas políticas e jurídicas. Já na década de 1930, foi a tradição que ousou pensar para além dos limites e das soluções inventadas no Atlântico Norte, período em que muito se questionou as relações existentes entre estado e sociedade. Neste período, a moda era pensar o Brasil para além de soluções exclusivas como o “liberalismo inglês” ou o “americanismo”. Podemos não concordar com as soluções corporativas que vários países criaram para enfrentar a crise do liberalismo daquele período. Mas não podemos ignorar que as inovações político-institucionais deste período foram decisivas para que o Brasil deixasse de ser um conglomerado de fazendas de café para se tornar uma das dez maiores economias do mundo. Vargas não foi uma derrota acachapante. É um marco de ruptura em nossa história das ideias e práticas políticas. Não podemos ignorar que a crise atual do liberalismo político e econômico exige esforço de imaginação institucional semelhante ao que foi feito no período de Vargas. Neste contexto, nada mais infecundo do que a moda antiga de idolatrar a “trajetória vitoriosa” de uma única forma de organizar a política, a economia e as relações entre o estado e sociedade, e com isso ignorar a evolução de nosso sistema político e as virtualidades de nossos esforços de centralização política como o presidencialismo.
O Folha no Ar 1ª edição da próxima semana, sempre a partir das 7h na Folha FM 98,3, com streaming ao vivo do programa (aqui) na página da rádio no Facebook, começa quente. De cara, traz uma das polêmicas da semana: o cancelamento do Festival Doces Palavras (FDP!), cuja definição oficial está se dando em reunião neste momento na Casa de Cultura Villa Maria. Para analisar o assunto, o convidado no início da manhã desta segunda (07) será um dos idealizadores do evento, o professor do Uniflu e assessor de comunicação do Sindipetro-NF, Vitor Menezes.
Vitor Menezes, Eraldo Duarte, Johnatan França de Assis, Leonardo Wigand, Eron Simas e Luciano D’Ângelo no Folha no Ar da próxima semana, sempre a partir das 7h da manhã (Montagem: Eliabe de Souza, O Cássio Jr.)
O Folha no Ar segue quente na terça (08), com o debate entre os estudantes da UFF-Campos Eraldo Duarte, do movimento de direita UFF-Livre, e Johnatan França de Assis, militante de movimentos de esquerda. Na quarta (09), será a vez do secretário municipal de Fazenda Leonardo Wigand; seguido na quinta (07) do juiz estadual Eron Simas, responsável pelo julgamento eleitoral da operação Chequinho; com o professor, ex-secretário municipal de Campos e Niterói, além de primeiro diretor eleito da Escola Técnica Federal (depois Cefet e, hoje, IFF), Luciano D’Ângelo.
Promotor estadual da 3ª Vara de Família de Campos, Victor Queiroz enviou o anúncio do lançamento do livro “Direito e Justiça em Destaque”, pela editora Autografia. Será às 18h do próximo dia 24, na Casa do Advogado de Campos. Organizada pelo professor Christiano Fagundes, vice-presidente da OAB-Campos, a obra reúne 29 artigos de professores e operadores de várias áreas do Direito, todos naturais de Campos ou militando na comarca — incluindo um do paulista Victor, campista por adoção, tratando de direitos de vizinhança.