A vida e o mundo na pandemia da Covid-19 pelos olhos das crianças de Campos

 

Desenho de Glenda Calmon Souto de Alencar, 11 anos, do 6º ano do Colégio pH

 

 

Crianças dos EUA indo à escola em 1918, durante a gripe espanhola, que nasceu no estado americano do Kansas

“Coronavírus: uma palavra que eu nem sabia pronunciar. Veio de uma maneira inexplicável e mudou o mundo e meu dia a dia”. Aos 7 anos, Davi Dias Monteiro Biéle cursa o 2º ano do ensino fundamental da Escola Municipal Sebastiana Machado, onde começa a se tornar íntimo da palavra escrita. E precisou de poucas para resumir como todos se sentem sobre a pandemia da Covid-19. Que a sua geração carregará como experiência diferente de todas as demais. As crianças de hoje não descobrirão só adultos ou idosos como a realidade da humanidade pode desmoronar da noite para o dia. Ganharam a consciência disso enquanto ainda formam a sua sobre si mesmos e o mundo. Como talvez antes só tenha acontecido com as crianças da II Guerra Mundial (1939/1945), que se calcula ter matado até 85 milhões de pessoas, incluindo brasileiros e campistas. Ou as crianças da última pandemia comparável à do novo coronavírus: a gripe espanhola, Influenza H1N1 e hoje imunizada por vacina, que se estima ter matado até 100 milhões de pessoas entre 1918 e 1920, inclusive no Brasil e em Campos.

As crianças que sobreviveram à gripe espanhola são hoje centenárias. As que sobreviveram à II Guerra, são no mínimo octogenárias. Diferente das que nasceram e cresceram depois, se julgando inatingíveis por tragédia em escala semelhante, o tempo deixou poucas memórias vivas das duas últimas grandes crises globais. Mas, por mais traumáticas que tenham sido suas experiências, nenhuma delas foi reforçada com tanta informação quanto as crianças de hoje. Antes mesmo da Covid-19, muitas aprenderam a mexer em iPhones e computadores, com acesso à internet, enquanto ainda aprendiam a andar e falar. O universo virtual que usam durante a pandemia, para continuar estudando, se divertindo, contatando amigos e familiares distantes pelo isolamento, é o mesmo pelo qual recebem informações sobre a doença. E elas têm medo da realidade que já infectou milhões e matou centenas de milhares no mundo. “Tenho medo de morrer ou que algum dos meus familiares ou amigos morra”, sintetizou Paula de Magalhães Pacheco, 8 anos, do 3º ano da Escola Riachuelo.

 

Crianças órfãs da II Guerra, em campo de concentração da Rússia (Foto: Getty Images)

 

Desenho de Paula de Magalhães Pacheco, 8 anos, do 3º ano da Escola Riachuelo

Se nenhum especialista é capaz de dizer quando essa crise vai passar, mais que qualquer um deles, são as crianças de hoje que poderão responder: como será o mundo depois que isso tudo acabar? Será aquele que suas vidas construírem, a partir das que foram e serão destruídas pela Covid-19. Como foi o mundo que as crianças sobreviventes da gripe espanhola e da II Guerra cresceram para erguer. E o fizeram com a segurança que pôde ser medida por quase um século, antes da humanidade enfrentar outro desafio capital. Depois dele? “Sinceramente, quando essa pandemia acabar, o mundo continuará do mesmo jeito, pois nós, seres humanos, desprezamos a capacidade de um vírus e somos egoístas”, advertiu Bernardo Soares Tuche, 9 anos, do 5º ano do Colégio pH. “Acredito que todos terão mais cuidado com o corpo, a natureza e com o próximo” projetou Kaio Riscado Costa, 7 anos, do 2º ano do Alpha. “Essa é a resposta que todos nós estamos procurando, nem tudo tem que ser tão triste assim”, mediou Lívia de Oliveira Corrêa, 11 anos, do 6º ano do Auxiliadora.

“Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”. A sentença é do clássico infantil “O Pequeno Príncipe”, livro do aviador francês Antoine de Saint-Exupéry, publicado a primeira vez em 1943, no auge da II Guerra. E se tornou lugar comum, atravessando gerações com a narração do encontro entre um homem e uma criança no isolamento do deserto, onde se conhecem entre palavras e desenhos. Além de ouvir 18 crianças da rede pública e privada do ensino fundamental de Campos, sobre suas vidas e suas visões do mundo com a pandemia da Covid-19, a Folha pediu que elas as retratassem também em desenhos, alguns publicados nesta edição. Vendo através dos seus olhos, entre o medo e a esperança, impossível não se cativar. E não assumir a responsabilidade de quem veio antes pelo mundo que lhes será entregue.

Davi Biéle

— Coronavírus: uma palavra que eu nem sabia pronunciar. Veio de uma maneira inexplicável e mudou o mundo e meu dia a dia. Espero que tudo isso passe logo. Sinto muita falta dos meus amigos e de estar na escola. Mas faço muita coisa com minha família para passar o tempo, como brincar de adedonha, ver filmes, ler livros. Em breve, tudo voltará ao normal. Ficarei mais feliz ainda em estar perto das pessoas que eu amo. O mundo está mudando e vai mudar mais ainda. E pra melhor — apostou Davi Biéle, 7 anos, do 2º ano da Escola Municipal Sebastiana Machado.

Mariana Cavalcante Feitoza Freitas

— Sim, tenho muito medo de pegar o coronavírus. Para mim o pior é não poder ir para à escola. Ficar o dia todo em casa é desconfortável. Eu tenho uma rotina. Tenho aula online de canto, violão, inglês, faço todos os dias as minhas atividades escolares e vejo vários filmes. Em ligações com as minhas amigas, nós falamos como está a nossa quarentena. Em relação aos meus pais, fazemos atividades físicas de manhã, conversamos mais ainda agora. Tenho sentido muita falta dos meus amigos na escola. Também estou com muitas saudades dos meus avós, pois eu ia para a casa deles toda a semana. Eu também me pergunto por que em pleno 2020 acontece isso? Mas você já parou para pensar que com essa pandemia o céu ficou mais puro, as águas mais claras e as pessoas mais unidas? Então! A união foi necessária, pessoas no mundo inteiro começaram a orar pelo fim da pandemia, as pessoas deram mais valor às coisas mais simples. O ser humano não será o mesmo depois que isso tudo acabar. Todos nós seremos mais gratos pelo que temos, com mais amor ao próximo e a Deus. Eu também! — comprometeu-se Mariana Cavalcante Feitoza Freitas, de 10 anos, do 5º ano do Auxiliadora.

Paula de Magalhães Pacheco

— É uma doença nova, que está deixando as pessoas doentes. Tenho medo de morrer ou que algum dos meus familiares ou amigos morra. É pior ter que estudar em casa, porque é uma confusão danada de folha pra cá e imprimir folha pra lá. Não conseguimos adiantar e fica um desespero pra fazer as atividades. Brinco com a minha irmãzinha, comecei a estudar lettering e falo no WhatsApp com meus amigos. Pergunto aos meus colegas como eles estão, se sentem saudades da escola e dos amigos, do que estão brincando. Sinto falta deles, mesmo aqueles que me enjoam, de brincar junto, de viajar e abraçar meus avós. A última vez que os vi foi no carnaval. As pessoas precisam se respeitar mais, os mais velhos, pensar no próximo — disse Paula de Magalhães Pacheco, 8 anos, do 3º ano da Escola Riachuelo.

Aquiles Paes Pasco Peixoto Neves

— É uma pandemia que põe muito medo em todo mundo. Eu tenho muito medo de ficar doente e ficar sozinho no hospital sem minha família e triste. Tenho medo de ficar sem meus familiares. Acho que estudo mais agora, em casa. Como não tem os professores perto para ensinar, eu tenho que fazer tudo praticamente sozinho e com minha mãe. Tenho brincado no celular, no videogame, visto muitos filmes. Agora, com a minha mãe trabalhando em casa, a gente tem muito mais tempo pra ficar juntos. Na minha casa eu converso sobre o coronavírus com minha mãe, meu irmão e agora com meus avós, que vieram ficar aqui em casa. É mais seguro para eles aqui e fico preocupado para não fazer nada que possa deixar eles doentes.  Sinto muita falta dos meus amigos, da liberdade de ir ao shopping, tomar café na padaria. Estou há mais de um mês sem sair de casa. Acho que as pessoas e o mundo vão estar diferentes depois disso tudo, só não sei como. Quando você não vê uma pessoa há muito tempo, também acaba vendo muita diferença — observou Aquiles Paes Pasco Peixoto Neves, 11 anos, do 6º ano do Colégio Bittencourt.

Kaio Riscado Costa

— Coronavírus é uma gripe muito perigosa causada por um novo vírus e que tem matado muitas pessoas. Sim, tenho medo da minha família e amigos não conseguirem se proteger e acabarem pegando essa doença. Não poder ir para à escola é ruim, porque, além de estudar, posso brincar e conversar com os meus amigos. Tenho brincado com os meus brinquedos, assistido a vídeos, desenhos e filmes, na televisão e pela internet. Tenho saudades dos meus amigos, professores, de ir para a escola, de ir ao shopping com minha mãe e da escolinha de futsal. Acredito que quando isso tudo acabar, todos terão mais cuidado com o corpo, a natureza e ao próximo — enumerou Kaio Riscado Costa, de 7 anos, do 2º ano do Alpha.

Bernardo Soares Tuche

— Não é uma gripezinha nem aqui, nem na China. No ano de 2019, na China, uma gripe com febre alta, falta de ar, tosse, se espalhou pelo mundo, atacando os mais idosos, crianças e adultos com problemas de saúde. É um vírus que é chamado de coronavírus. No Brasil, surgiu no ano de 2020. Me deu muito medo de perder minha família, meus amigos. E por isso estamos em quarentena em casa. Desde que chegou ao Brasil, estão fechadas as escolas. Estudamos em casa, não encontramos os amigos, os professores, é muito ruim. E por isso tenho estudado menos que o normal. Nestes dias de quarentena, jogo videogame online com meus amigos, leio livros e, se teve coisa boa, foi que ganhei dois gatos: Mia e Oreo. Sinceramente, quando essa pandemia acabar, o mundo continuará do mesmo jeito, pois nós, seres humanos, desprezamos a capacidade de um vírus e somos egoístas — sentenciou Bernardo Soares Tuche, 9 anos, do 5º ano do Colégio pH.

 

Desenho de Aquiles Paes Pasco Peixoto Neves, 11 anos, do 6º ano do Colégio Bittencourt

 

 

Página 6 da edição de hoje (09) da Folha

 

 

Desenho de Daniel Landes Gouvêa Primo, 9 anos, do 4º ano da Escola Riachuelo

 

Lívia deOliveira Corrêa

— É um vírus que está atacando o mundo todo. Tenho medo, sim, pois é realmente perigoso. Por isso estamos cada um na sua casa. Se não nos protegermos, podemos pegar o vírus. O problema não é ficar em casa, mas eu queria poder ir à escola e abraçar a todos. Quando íamos à escola, as professoras cobravam mais da gente. Em casa precisamos ser mais independentes e responsáveis para fazer nossas atividades. Além de estudar, eu brinco, toco ukulele, canto, leio livros e assisto a séries e filmes na Netflix com a família. Converso com meus amigos pelo telefone, mesmo sem nos ver matamos um pouquinho da saudade. Nesses dias comecei a olhar o mundo com outra cor, comecei a ver coisas majestosas em coisas tão simples. Nem tudo precisa mudar, precisamos tirar lições importantes deste momento. Por que o bonito deveria mudar? Essa é a resposta que todos nós estamos procurando, nem tudo tem que ser tão triste assim — ressaltou Lívia de Oliveira Corrêa, 11 anos, do 6º ano do Auxiliadora.

Anna Luiza Alves Pontes

— A gente pouco sabe. Então, esse é o motivo da quarentena. A gente tem que se prevenir para não pegar o vírus. Temos que passar álcool em gel, evitar beijar, abraçar. Quando for na rua, tem que usar a máscara ou luva. Eu passo meu dia a dia vendo televisão, estudando ou brincando. Sinto muita falta dos meus amiguinhos, de estudar e brincar juntos, essas coisas de criança. Lá na frente, a gente vai ficar mais prevenido. Então, a vida vai ser melhor — projetou Anna Luiza Alves Pontes, 8 anos, do 3º ano da Escola Municipal Sebastiana Machado.

Mariana Salles Aguiar Barros

— Tenho medo de pegar o vírus. Não poder ir à escola é ruim, porque lá estudo, brinco, converso. Nossas mães marcam uma live para a gente matar um pouco a saudade. Aí a gente conversa sobre o que vai fazer depois que acabar esse coronavírus. A gente brinca de adedonha, de boneca, pintar, desenhar. Eu vou fazer uma festa, para comemorar meu aniversário que está chegando, dia 26 de maio. Mas vou compartilhar com toda a família. Uma avó minha, mãe do meu pai, mora do meu lado, e a minha outra avó, mãe da minha mãe, está ficando aqui na minha casa, porque ela mora sozinha. Então a gente resolveu que ela vai ficar aqui em casa. Ajuda a matar a saudade, mas eu sinto falta de abraçar e beijar elas. A minha avó que está ficando aqui na minha casa, fica de máscara o tempo todo e lava bem as mãos. Tenho saudades de ir à rua. E o mundo? A gente vai saindo de casa aos pouquinhos, porque se a gente sair de casa e voltar a se aglomerar, o vírus vai voltar para outra visitinha. E isso é o que ninguém quer — ressalvou Mariana Salles Aguiar Barros, 7 anos, do 2º ano do Auxiliadora.

Raj Araújo Freitas

— O coronavírus chegou aqui no Brasil e assustou muita gente. Pelo que estou vendo, é uma doença muito perigosa. Aqui na minha casa, passo o meu tempo mexendo no tablet e estudando inglês pelo YouTube. Eu sinto muita falta da minha escola, dos meus amigos, mas a gente sempre se fala pela rede social. Eu acho que, quando tudo isso acabar, nós devemos continuar com os mesmos hábitos de sempre lavar as mãos, porque isso é importante — lembrou Raj Araújo Freitas, 10 anos, do 5º ano da Escola Municipal Sebastiana Machado

Ravi Araújo Freitas

— O coronavírus está assustando o mundo inteiro. Muitas pessoas estão ficando doentes. Na minha casa, eu passo o meu tempo escutando músicas, vendo filmes e brincando com o meu irmão. Eu sinto muita falta dos meus amigos, da escola. Quero voltar a estudar logo. Quando tudo isso acabar, eu acho que as pessoas vão ficar muito felizes. E nós devemos agradecer a Deus por tudo isso ter voltado ao normal — disse Ravi Araújo Freitas, irmão gêmeo de Raj, também do 5º ano da Escola Municipal Sebastiana Machado.

Gabriela Arantes Machado

— Tenho medo, porque esse vírus está causando a morte de muitas pessoas e não quero perder ninguém da minha família. Não poder ir à escola é ruim. Lá é muito melhor para estudar. Também sinto falta de brincar com os amigos no pátio, no intervalo, estar com as pessoas. A ajuda das professoras, as atividades com meus colegas, aulas em ambientes diferentes, faziam as tardes mais alegres. Agora eu jogo no celular, brinco com minha cachorrinha, vejo filmes com meus pais, desenho, brinco de bola e durmo até mais tarde (risos). Tenho falado muito com meus amigos sobre jogos do celular, como está sendo a quarentena, sobre o que estão fazendo em casa. Uma das coisas que mais sinto falta são os meus avós. Eu sempre visitava eles, almoçávamos juntos. Apesar de eu falar com eles todos os dias pelo celular, eles se sentem muito sozinhos. Nós nunca mais seremos os mesmos. As pessoas deveriam ter mais amor no coração, respeitar o próximo, ser menos egoístas e ter gratidão a Deus — testemunhou Gabriela Arantes Machado, 9 anos, do 4º ano do Auxiliadora.

Daniel Landes Gouvêa Primo

— É um vírus que causa doença nas pessoas. Sim, tenho medo de ficar sem ar. Não poder ir à escola é ruim, porque além de estudar, eu ia para me divertir. Agora, além de estudar em casa, brinco de bola, jogo no tablet e no videogame. Tenho conversado mais com meus pais, mas não tenho falado com meus amigos pela internet. Sinto, muita (muuuuita) saudade de estar com meus avós. Sinto muita saudade de andar de bicicleta e poder sair de casa. Quando a pandemia acabar, todo mundo vai poder se divertir de novo. Todos teriam que brincar mais nos parques — pregou Daniel Landes Gouvêa Primo, 9 anos, do 4º ano da Escola Riachuelo.

Lara Sales Severino Peçanha das Dores

— Coronavírus é uma gripe muito evoluída causada pelo vírus chamado Covid-19. Tenho medo da minha família não conseguir se proteger e acabar pegando essa doença. Principalmente meu avô, que precisa embarcar, e meu pai, que sai para trabalhar todo dia. Sinto falta de ir à escola, porque podia ver meus amigos, ter contato com eles e com os meus professores. Em casa, mesmo por vídeo conferência, não é a mesma coisa. É muito triste. Estudar em casa é mais difícil, porque na escola a gente aprende a nem perceber, é mais natural. Tenho lido livros, brincado mais com meu irmão, visto filmes com minha família e conversado com minhas amigas pela internet. Sinto muita saudade de poder passear e de abraçar as pessoas. Já estamos mudando. Precisamos aprender a aproveitar mais os momentos com nossa família e nossos amigos. A nossa higiene também precisa mudar para continuarmos a nos proteger, não só do coronavírus, mas de outras doenças — lembrou Lara Sales Severino Peçanha das Dores, 10 anos, do 6º ano do Alpha.

Júlia Ladeira Vilela

— Para mim coranavírus e Covid-19 são a mesma coisa, é um vírus que causa uma gripe muito forte. Eu tenho medo das consequências da doença no corpo das pessoas. Sinto falta de poder ir à escola, pois é bom ter a presença dos professores. O que eu mais tenho feito é assistir a séries e usar o celular. Eu sempre conversei muito com os meus pais, então isso não mudou. Fico triste de não poder encontrar meus amigos e avós. E minha saudade aumenta mais quando conversamos contamos um ao outro como está a nossa quarentena. Sinto falta também de poder passear, ir ao cinema, sair com amigos e familiares, de viajar. Se pudesse agora, eu iria parar de reclamar da rotina, que muitas vezes é cansativa. E daria mais valor a coisas pequenas como ir à praça, tomar um banho de piscina, sair para tomar sorvete. Eu acho que as pessoas têm que ajudar ao próximo, como estão ajudando nessa quarentena — disse Júlia Ladeira Vilela, 11 anos, do 6º ano do Auxiliadora.

Pedro Otávio Enes Barreto Neto

— O coronavírus e a Covid-19 são a mesma coisa. Um bichinho perigoso que está pegando todo mundo. É ruim não poder ir à escola. Porque fico sem ver os meus amigos. Vejo filmes, TV, vou na piscina, jogo um pouco de futebol, brinco. Converso muito com meus pais. Todo tempo! Também converso com meus amigos. Tem que falar o nome do amigo? É Pedro Barreto, a gente conversa sobre jogos. Sinto muita saudade de todos, do meu futsal e da pelada que ia com meu pai. Dos meus avós, tenho mais saudade ainda. Queria que o mundo não tivesse mais a Covid-19 e nem pessoas morando na rua — desejou Pedro Otávio Enes Barreto Neto, 6 anos, do 2º Ano do Centro Educacional Vivendo e Aprendendo.

Davi Barcelos Ribeiro

— É uma doença perigosa que está deixando pessoas do mundo doente e longe uns dos outros. Eu tenho medo dela, porque não quero ficar doente e nem que minha família e meus amigos também fiquem. É pior não ir à escola e melhor ficar junto dos amigos. Brincar no recreio juntos e estudar com a professora que é muito legal. Agora em casa eu estudo mais, porque tem muito mais tarefas que eu fazia na aula. Quando não estudo, fico jogando minecraft no videogame, vejo YouTube, brinco de jogo com meus pais, vejo tv, ajudo a arrumar meu quarto e às vezes falo com alguém no celular. Tenho saudade de brincar com meus amigos, de ir ao shopping, de lutar kickboxing, abraçar e beijar as pessoas. Quando isso acabar, acho que Deus vai fazer todas as pessoas se amarem mais, serem amigos e unidos. Eu vou ser mais feliz — resumiu Davi Barcelos Ribeiro, 8 anos, do 3º ano do Auxiliadora.

Glenda Calmon Souto de Alencar

— O coronavírus é um vírus perigoso. Tenho medo pelas pessoas que conheço, dentre elas amigos, família e até eu mesma de pegarmos o vírus e morrermos. Já o Covid-19 é o nome da doença que esse vírus causa. Não ir à escola é ruim. Precisamos de socialização, amizades. Sem a escola, isso fica muito difícil. Claro que temos a internet e nossos familiares, mas nada disso é tão bom quanto ver todos os amigos e professores pessoalmente. Sem falar da quebra da rotina, que mudou completamente. Estou conversando bastante com meus pais, com amigos e brincando mais com meu irmão mais novo. Para passar o tempo, estou ajudando bastante meus pais e fazendo ballet, que com certeza me ajuda a esquecer as coisas ruins que estão acontecendo em todo o mundo. Pela internet não é a mesma coisa que pessoalmente. Tenho mais saudade de sair, ver como o mundo está. Acho que ele vai ficar diferente. Ou, pelo menos, deveria ficar! As pessoas estão aprendendo com essa quarentena a dar valor ao que tem. Muitas estão reclamando de não poder sair, mas quando tudo isso acabar, elas agradecerão por todo o aprendizado que estamos tendo com essa situação — finalizou Glenda Calmon Souto de Alencar, 11 anos, do 6º ano do Colégio pH.

 

️‍️‍️‍Desenho de Júlia Ladeira Vilela, 11 anos, do 6º ano do Auxiliadora

 

 

Página 7 da edição de hoje (09) da Folha

 

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