Opiniões

Médicos, servidores, Wladimir, Bolsonaro, PT e memória

 

 

Médicos e servidores na Folha FM

Na manhã de ontem (1º), o Folha no Ar entrevistou as presidentes do Sindicato dos Profissionais Servidores Públicos Municipais de Campos (Siprosep), Elaine Leão, e do Sindicato dos Médicos de Campos (Simec), Maria das Graças Rangel. Numa cidade só com homens entre seus 25 vereadores, ter mulheres à frente de duas categorias tão importantes é referência. Na pauta principal, o jornalista Arnaldo Neto, editor-geral da Folha da Manhã, e o radialista Cláudio Nogueira, gerente da Folha FM 98,3, repercutiram o pacote aprovado parcialmente pelo governo Wladimir Garotinho (PSD), na tensa semana passada (confira aqui) da Câmara Municipal.

 

Cortes x contrato

Além do que está retratado (confira aqui) na matéria página 3 desta edição, a entrevista ao vivo na rádio mais ouvida de Campos trouxe alguns outros pontos. “Tivemos uma reunião com Frederico, solicitando a retirada desse item (da complementação) do pacote. Mas agora, infelizmente, já foi sancionado (…) E que economia vai se fazer com a complementação de 57 médicos, em um município que está programando um contrato de R$ 33 milhões?”, disse a presidente do Simec. O contraponto crítico dos cortes aos servidores Saúde, sancionados ontem por Wladimir, com o contrato da Saúde suspenso (confira aqui) na sexta (28), era inevitável.

 

Tiro no pé

Com apresentação anunciada para sexta, o contrato do município com a empresa MX Gestão de Saúde para “a gestão profissional das unidades hospitalares” foi suspenso no mesmo dia. Segundo a Prefeitura, porque “na fase final de avaliação, para a formalização do contrato, foi identificado o não preenchimento dos pressupostos exigidos em Lei”. O contrato emergencial de 180 dias seria firmado sem licitação, no valor total de R$ 33,6 milhões, conforme publicação do processo em Diário Oficial. Para fechar a semana conturbada, em que o governo começou com 22 vereadores e terminou com 15, foi um desgaste absolutamente desnecessário.

 

Pergunta do vice-prefeito

Na interatividade do Folha no Ar, Maria das Graças responderia à indagação enviada por WhatsApp pelo vice-prefeito Frederico Paes (MDB). Que relatou que a presidente do Simec estava em uma reunião com ele, mais representantes do Ministério Público, quando anunciou previamente a intenção do contrato na Saúde. E, segundo o vice-prefeito, com a aquiescência da representante dos médicos de Campos. “Ele (Frederico) realmente relatou o interesse da gestão pública de instalar OS (Organização Social) no município”, confirmou parcialmente Maria das Graças, antes de reafirmar a posição contrária do Simec.

 

Simec e Siprosep firmam posição

“Nós, do Simec, contestamos o motivo pelo qual não se faria a gestão dos hospitais com profissionais de carreira do município. Em momento nenhum fomos a favor de se trazer uma empresa, nem nos foi relatado o valor que seria gasto. A princípio, o Simec é contra a privatização da rede pública municipal. É a nossa bandeira: somos contra”, reiterou Maria das Graças. E foi ecoada pela presidente do Siprosep: “O que eles (o governo municipal) estão tentando fazer? Andam alinhados, claramente, com o governo federal na questão de cortes de direitos, terceirização de serviços”, disse Elaine Leão também à Folha FM.

 

Formandos da Faculdade de Medicina de Campos (FMC) em 18 de março de 2016 (Foto: Blog Ponto de Vista)

 

Medicina da memória (I)

Aludido pela presidente do Siprosep, se esse alinhamento com o governo Jair Bolsonaro (sem partido) realmente existe, não é exclusivo do governo Wladimir. Dois anos e meio antes do capitão ser eleito presidente da República, quando sua pré-candidatura ainda não era levada a sério por boa parte dos brasileiros, uma categoria de Campos ganhou a grande mídia por pensar o contrário. Em 18 de março de 2016, estudantes da Faculdade de Medicina de Campos (FMC) postaram (confira aqui) nas redes sociais uma foto de formatura segurando cartazes onde se lia: “Bolsomito”. E tiveram repercussão nacional pelo ato de apoio.

 

Em maio de 2016, a Faculdade de Medicina de Campos (FMC) pichada em vermelho por lulopetistas (Foto: Blog Ponto de Vista)

 

Medicina da memória (II)

Em 28 de outubro de 2018, Bolsonaro foi eleito no segundo turno presidencial com 55,13% dos votos válidos. Em Campos, teve diferença positiva em relação ao resto do país, com 64,87%, quase 10 pontos a mais. Ninguém duvida que o percentual foi ainda maior na classe médica campista, boa parte dela servidora do município e descontente com os cortes de Wladimir. Como não convém duvidar que entre os 35,13% dos votos que Fernando Haddad (PT) teve na cidade em 2018, o percentual também foi mais alto. Entre aqueles que, em 2016, picharam os muros da tradicional instituição de ensino superior goitacá: “FMC golpista”.

 

Publicado hoje (02) na Folha da Manhã

 

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Este post tem um comentário

  1. TEMOS ENTENDER A DIFERENÇA CONSCIÊNCIA E CIÊNCIA!! A MAIORIA SABE QUE ALGUNS POLÍTICOS SÃO OBSECADOS CARGO SUPERIOR MEIO POLÍTICO E MUITOS ABUSAM DA INTELIGÊNCIA CADA UM SER HUMANO!! PODENDO OFERECER COISAS SURREAL E MUITOS ACABAM SE DEIXANDO CAIR NESTA ARMADILHA DE CONSCIÊNCIA E A CIÊNCIA DEIXA DE LADO EM SUA MENTE PRIMORDIAL!! LER TAMBÉM É EXCERCÍCIO MENTE.

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