Opiniões

Fim da Lava Jato une Bolsonaro e Lula na torcida para 2022

 

Bolsonaro, Lula e Moro (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) cumpriu a promessa feita em 7 de outubro de 2020, quando afirmou (relembre aqui): “eu não quero acabar com a Lava Jato, eu acabei com a Lava Jato”. Desde hoje a Lava Jato do Paraná, que teve início em 2014 e gerou outras forças-tarefa homônimas em outros estados brasileiros, inclusive no Rio e São Paulo, deixou oficialmente de existir (confira aqui). Suas investigações agora passam ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público Federal (MPF) do Paraná.

Augusto Aras, procurador-geral da República de Bolsonaro

O crédito ao fim oficial da Lava Jato cabe à Procuradoria Geral da República (PGR), comandada por Augusto Aras. Advogado de fato do governo Bolsonaro, em inversão institucional extremamente perigosa à República, o chefe da PGR tem outra aparente bipolaridade: é amigo do ex-ministro petista José Dirceu. Este, em agosto de 2013, prestigiou uma festa para a cúpula do PT, dada (confira aqui) por Aras em sua casa. A quem Bolsonaro escolheria a dedo, em setembro de 2019, para ocupar a PGR fora da lista tríplice do MPF.

A Lava Jato, por certo, merece críticas. Pelo menos desde a eleição presidencial de 2018, onde o então juiz federal Sérgio Moro liberou (relembre aqui) uma delação do ex-ministro petista Antonio Palocci, a seis dias das urnas do 1º turno, que não havia aceitado no julgamento da ação penal. E depois de prejudicar política e dolosamente o PT, aceitou ser ministro da Justiça de Bolsonaro, principal beneficiado da ação eleitoral de quem deveria ter a isenção de um magistrado.

Ricardo Lewandowski, ministro do Supremo Tribunal Federal de Lula

Moro ultrapassou o limite da função de juiz, atuando em parceria com a acusação. Os fatos vieram à tona (confira aqui) com a Vaza Jato do site esquerdista Intercept, em junho de 2019. E desde a última segunda-feira, 1º de fevereiro, ganharam tom oficial, quando o ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), atendeu (confira aqui) à defesa de Lula. Que terá acesso ao material que o grupo de hackers da Vaza Jato conseguiu ao invadir os celulares de Moro e do procurador Deltan Dallagnol, entre outros nomes da Lava Jato.

Ignorar os erros de Moro e Dallagnol só é comparável a quem pensa que, a partir deles, desaparecerá, como em um passe de mágica, a montanha de evidências da corrupção sistêmica dos 13 anos do PT no poder (confira aqui e aqui). Como as evidências reunidas pelo Ministério Público do Rio de Janeiro de que o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos) é um ladrão reles, com suas “rachadinhas”. Ou ignorar que, bem antes do então presidente Lula nomear Lewandowski ao STF, em 2006, eles já eram amigos de longa data (confira aqui), desde os velhos tempos de ambos em São Bernardo do Campo. Falecida esposa de Lula, Marisa Letícia foi muito amiga de Karolina, mãe de Lewandowski.

 

Arthur Lira, Jair Bolsonaro e Rodrigo Pacheco (Foto: Pablo Jacob – Agência O Globo)

 

Ao eleger (confira aqui) Rodrigo Pacheco (DEM/MG) e Arthur Lira (PP/AL), respectivamente, presidentes do Senado e da Câmara Federal, no mesmo dia 1º de fevereiro em que Lewandowski liberou o material de Moro e Dallagnol para Lula, Bolsonaro em tese garantiu o necessário para se manter no cargo e longe da abertura de um dos seus 60 pedidos de impeachment, até tentar sua reeleição em 2022. E ela estará mais próxima se seu adversário no provável 2º turno for novamente o PT, que voltou a apostar todas suas fichas em Lula, a partir de uma eventual anulação das suas condenações judiciais.

Chamados por seus detratores, respectivamente, de “Miliciano” e “Presidiário”, Bolsonaro, sem Lula, é o Piupiu sem o Frajola (relembre aqui). E vice-versa. Se reeditarem em 2022 a polarização de 2018, conseguirão impedir que o país siga naturalmente o pêndulo político do mundo. Que rumou ao centro — não ao direitista Centrão — com a eleição de Joe Biden (confira aqui) como presidente dos EUA, em novembro de 2020. Caminho alternativo ao binário “nós contra eles” em que o Brasil se meteu desde as eleições presidenciais de 2014. E onde chafurda, entre os aloprados de esquerda e direita guinchando seus dogmas, até hoje.

 

Na tragicomédia da política brasileira, fique com seu resumo híbrido na animação do carturnista André Guedes:

 

 

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Este post tem um comentário

  1. Análise impecável! Síntese de tudo que sabemos, mas não conseguimos expressar ou entender em seus mínimos detalhes e nuances. Irretocável! Não entendo de política, mas de bons textos…

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