A partir das 7h da manhã desta terça (08), o convidado do Folha no Ar, na Folha FM 98,3, é o policial federal e especialista em Segurança Pública Roberto Uchôa. Ele analisará a ação da Polícia Civil na favela do Jacarezinho em 6 de maio (confira aqui), com saldo de 24 mortos, e de bandidos no Amazonas (confira aqui), durante o último final de semana.
Uchôa também falará sobre a troca de comando no 8º BPM de Campos (confira aqui) e a política de Segurança Pública do governo Wladimir Garotinho (PSD), que ele apoiou politicamente no segundo turno a prefeito de 2020. E falará da sua experiência como candidato a vereador, além de fazer uma análise da nova Câmara Municipal de Campos.
Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta terça pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.
Cartazes de “The Quarry” e “Fé Corrompida” (Montagem: Joseli Mathias)
Filmes sobre pregadores religiosos não são exatamente uma novidade. “As Sandálias do Pescador” (1968), de Michael Anderson, traz o grande Anthony Quinn como um Papa fictício. É parcialmente inspirado no italiano João XXIII e seu revolucionário Concílio Vaticano II. Mas, pela origem do personagem no Leste Europeu, parece também antever a realidade do polonês João Paulo II. Que só seria eleito Papa 10 anos após o lançamento do filme. Para ter papel protagonista na queda do “socialismo real” na Europa.
Filme mais recente e abertamente inspirado nos dois últimos ocupantes do Trono de Pedro, “Dois Papas” (2019) é dirigido pelo brasileiro Fernando “Cidade de Deus” Meirelles. Na transição entre o alemão Bento XVI e o argentino Francisco, traz Anthony Hopkins como o primeiro e Jonathan Price, como seu sucessor. Há ficção no roteiro adaptado de Anthony McCarten para contar fatos reais, com sucesso razoável de público e crítica. Ainda que, indicados ao Oscar de 2020 em categorias diferentes, Hopkins, Price e McCarten não tenham levado a estatueta dourada de Hollywood por seus trabalhos.
Ainda que seja mais sobre a ambição do homem na Terra, “Sangue Negro” (2007), de Paul Thomas Anderson, é considerado por muita gente boa uma obra-prima do cinema no século 21. Muito por conta da atuação visceral de Daniel Day-Lewis, como amoral e incansável prospector de petróleo. Que dialoga em nível mais alto com o pastor pentecostal, de moral igualmente duvidosa, vivido por Paul Dano. Entre algumas cenas antológicas do filme, está a que Day-Lewis usa a ambição material de Dano para obrigá-lo a repetir: “Eu sou um falso profeta e Deus é uma superstição”.
Instiga imaginar o que personagens como Jair Bolsonaro, Edir Macedo, Silas Malafaia, R. R. Soares, ou Valdemiro Santiago diriam na mesma cena…
Sobre denominações protestantes menos fetichistas, há dois filmes talvez pouco conhecidos sobre pregadores religiosos que merecem a conferência. E ambos estão disponíveis pelo streaming.
Atores geralmente relegados a coadjuvantes, Shea Whigham e Michael Shannon são os protagonistas de “The Quarry”, escrito e dirigido por Scott Teems
Um deles, no Prime Vídeo, da Amazon, é “The Quarry” (2020). Dirigido e roteirizado por Scott Teems, traz como protagonistas dois atores quase sempre relegados a papéis coadjuvantes, geralmente como “vilões”. Shea Whigham é um andarilho que assume o lugar de um pastor itinerante numa igrejinha nos cafundós do Texas, frequentada por fiéis mexicanos e pobres. Michael Shannon é o xerife da cidade, que começa a desconfiar do novo “homem de Deus”. Seus passados e motivos vão sendo revelados sem “milagres”, no correr do thriller. Até que a última parte do quebra-cabeças se encaixa aguda na sentença: “Não sou eu quem pode perdoar!”
O outro filme, disponível na Netflix, é “Fé Corrompida” (2017), escrito e dirigido pelo veterano Paul Schrader. Apenas como roteirista, ele traz no currículo clássicos como “Taxi Driver” (1976), “Touro Indomável” (1980) e “A Última Tentação de Cristo” (1988), todos dirigidos pelo mestre Martin Scorsese. Também como diretor, Schrader assinou obras de peso, como “Gigolô Americano” (1980), “Mishima — Uma Vida em Quatro Capítulos” (1985) e “Temporada de Caça” (1998), que rendeu o único Oscar da longeva e brilhante carreira do ator James Coburn.
Ethan Hawke é um pastor protestante em conflito em “Fé Corrompída”, de Paul Schrader
Em “Fé Corrompida”, Ethan Hawke prova ser mais que um galã envelhecido ao interpretar um ex-capelão militar e pastor encarregado de uma igreja protestante de tradição secular. Ele revela seus próprios conflitos internos ao aconselhar um ambientalista, a pedido da esposa deste, desencantado com os rumos do mundo e a perspectiva de colocar nele um filho. A relação do religioso de meia idade com o jovem casal vai se estreitando. Até desfechos tão fortes quanto, não de todo, inesperados. A catequese vai se dando em via de mão dupla, na busca da resposta à pergunta: “Deus nos perdoará?”
O filme de Scott Teems é uma obra promissora de um diretor e roteirista com a carreira ainda pela frente. O de Paul Schrader, a prova de que nem tudo já ficou para trás. Ambos, encarnados por atores inspirados.
Na vida ou na arte que a imita para ser imitada, Deus só prevalece na vida dos homens pelo amor.
Confira abaixo os trailers de “The Quarry” e de “Fé Corrompida”:
A partir das 7h desta segunda (07), quem abre a semana do Folha no Ar, na Folha FM 98,3, é o jornalista Luiz Costa, subsecretário de Comunicação de Campos. Ele falará sobre comunicação social e de governo no tempo das redes sociais e fake news. E das diferenças entre jornalismo e comunicação na assessoria ao poder público. Por fim, ele analisará a comunicação e o governo Wladimir Garotinho (PSD).
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Ilustração de Vitor Flynn na capa do jornal francês Le Monde, na paródia gráfica do Brasil de Bolsonaro na Covid com uma icônica cena do filme “Dr. Fantásticio” (1964), única comédia do mestre do cinema Stanley Kubrick
O mal que o governo Jair Bolsonaro fez e faz ao país vai além da condução criminosa da pandemia da Covid-19. Está nas sombras em que mergulha a mente dos seus seguidores. Deprimente ver o negacionismo, encampado em pleno Senado da República, no depoimento esclarecedor e corajoso que presta à CPI da Covid a médica infectologista Luana Araújo.
Ela foi convidada e chegou a ser anunciada com secretária da Covid do ministério da Saúde. Mas não teve o nome confirmado por ser contra o “tratamento precoce”. Tratado pela infectologista como o que de fato é: “neocurandeirismo”. Questão que, no mundo, só existe no Brasil. Ou sua porção caída, como Lúcifer, no Bolsoquistão que os negacionistas pensam ter o poder de fundar.
“Estamos discutindo de que borda da Terra Plana vamos pular”, definiu a questão Luana. Diante de senadores da República como Marcos Rogério (DEM/RO), Luis Carlos Heinze (PP/RS) e quetais. Que, em defesa do seu “mito” obscurantista e suas fantásticas emendas parlamentares do governo, lembram até (confira aqui) alguns vereadores de Campos dos Goytacazes.
Médica infectologista Luana Araújo na CPI da Covid (Foto: Reprodução de TV)
Na manhã de ontem (1º), o Folha no Ar entrevistou as presidentes do Sindicato dos Profissionais Servidores Públicos Municipais de Campos (Siprosep), Elaine Leão, e do Sindicato dos Médicos de Campos (Simec), Maria das Graças Rangel. Numa cidade só com homens entre seus 25 vereadores, ter mulheres à frente de duas categorias tão importantes é referência. Na pauta principal, o jornalista Arnaldo Neto, editor-geral da Folha da Manhã, e o radialista Cláudio Nogueira, gerente da Folha FM 98,3, repercutiram o pacote aprovado parcialmente pelo governo Wladimir Garotinho (PSD), na tensa semana passada (confira aqui) da Câmara Municipal.
Cortes x contrato
Além do que está retratado (confira aqui) na matéria página 3 desta edição, a entrevista ao vivo na rádio mais ouvida de Campos trouxe alguns outros pontos. “Tivemos uma reunião com Frederico, solicitando a retirada desse item (da complementação) do pacote. Mas agora, infelizmente, já foi sancionado (…) E que economia vai se fazer com a complementação de 57 médicos, em um município que está programando um contrato de R$ 33 milhões?”, disse a presidente do Simec. O contraponto crítico dos cortes aos servidores Saúde, sancionados ontem por Wladimir, com o contrato da Saúde suspenso (confira aqui) na sexta (28), era inevitável.
Tiro no pé
Com apresentação anunciada para sexta, o contrato do município com a empresa MX Gestão de Saúde para “a gestão profissional das unidades hospitalares” foi suspenso no mesmo dia. Segundo a Prefeitura, porque “na fase final de avaliação, para a formalização do contrato, foi identificado o não preenchimento dos pressupostos exigidos em Lei”. O contrato emergencial de 180 dias seria firmado sem licitação, no valor total de R$ 33,6 milhões, conforme publicação do processo em Diário Oficial. Para fechar a semana conturbada, em que o governo começou com 22 vereadores e terminou com 15, foi um desgaste absolutamente desnecessário.
Pergunta do vice-prefeito
Na interatividade do Folha no Ar, Maria das Graças responderia à indagação enviada por WhatsApp pelo vice-prefeito Frederico Paes (MDB). Que relatou que a presidente do Simec estava em uma reunião com ele, mais representantes do Ministério Público, quando anunciou previamente a intenção do contrato na Saúde. E, segundo o vice-prefeito, com a aquiescência da representante dos médicos de Campos. “Ele (Frederico) realmente relatou o interesse da gestão pública de instalar OS (Organização Social) no município”, confirmou parcialmente Maria das Graças, antes de reafirmar a posição contrária do Simec.
Simec e Siprosep firmam posição
“Nós, do Simec, contestamos o motivo pelo qual não se faria a gestão dos hospitais com profissionais de carreira do município. Em momento nenhum fomos a favor de se trazer uma empresa, nem nos foi relatado o valor que seria gasto. A princípio, o Simec é contra a privatização da rede pública municipal. É a nossa bandeira: somos contra”, reiterou Maria das Graças. E foi ecoada pela presidente do Siprosep: “O que eles (o governo municipal) estão tentando fazer? Andam alinhados, claramente, com o governo federal na questão de cortes de direitos, terceirização de serviços”, disse Elaine Leão também à Folha FM.
Formandos da Faculdade de Medicina de Campos (FMC) em 18 de março de 2016 (Foto: Blog Ponto de Vista)
Medicina da memória (I)
Aludido pela presidente do Siprosep, se esse alinhamento com o governo Jair Bolsonaro (sem partido) realmente existe, não é exclusivo do governo Wladimir. Dois anos e meio antes do capitão ser eleito presidente da República, quando sua pré-candidatura ainda não era levada a sério por boa parte dos brasileiros, uma categoria de Campos ganhou a grande mídia por pensar o contrário. Em 18 de março de 2016, estudantes da Faculdade de Medicina de Campos (FMC) postaram (confira aqui) nas redes sociais uma foto de formatura segurando cartazes onde se lia: “Bolsomito”. E tiveram repercussão nacional pelo ato de apoio.
Em maio de 2016, a Faculdade de Medicina de Campos (FMC) pichada em vermelho por lulopetistas (Foto: Blog Ponto de Vista)
Medicina da memória (II)
Em 28 de outubro de 2018, Bolsonaro foi eleito no segundo turno presidencial com 55,13% dos votos válidos. Em Campos, teve diferença positiva em relação ao resto do país, com 64,87%, quase 10 pontos a mais. Ninguém duvida que o percentual foi ainda maior na classe médica campista, boa parte dela servidora do município e descontente com os cortes de Wladimir. Como não convém duvidar que entre os 35,13% dos votos que Fernando Haddad (PT) teve na cidade em 2018, o percentual também foi mais alto. Entre aqueles que, em 2016, picharam os muros da tradicional instituição de ensino superior goitacá: “FMC golpista”.