Bolsonaro: inimigo nº1 da liberdade de imprensa

 

Fotógrafo Dida Sampaio, do Estadão, agredido por bolsonaristas em manifestação de apoio ao presidente em Brasília (Foto: Ueslei Marcelino/Reuters)

 

Ricardo Noblat, jornalista

Bolsonaro, o inimigo número um da liberdade de imprensa no Brasil

Por Ricardo Noblat

 

Direto ao ponto: embora parte da imprensa não reconheça por medo, cumplicidade ou em troca de favores milionários, o presidente Jair Bolsonaro é hoje seu maior inimigo. Quer dizer: o maior inimigo da liberdade de imprensa no Brasil.

No final de outubro, em Roma, para o encontro dos chefes de Estado das 20 maiores economias, agentes de segurança de Bolsonaro agrediram jornalistas e ele disse depois nada ter a ver com isso. Pior: negou ter presenciado o que aconteceu à sua frente.

 

 

Desta vez não tem como negar porque há filmes. Uma equipe da TV Bahia, afiliada da TV Globo, foi agredida, ontem (12), por seguranças e apoiadores de Bolsonaro durante a visita que ele fez às cidades atingidas pelos temporais no extremo sul da Bahia.

A repórter Camila Marinho foi agarrada pelo pescoço por um segurança, como num golpe de “mata-leão”. Outro tentou impedir que os jornalistas apontassem os microfones em direção a Bolsonaro. Ao ser tocado pelos microfones, o segurança ameaçou:

— Se bater de novo vou enfiar a mão na tua cara. Não bata em mim.

Bolsonaro limitou-se a afagar o ombro do segurança agressor na esperança de acalmá-lo. Na hora, não o repreendeu com a severidade merecida. Em seguida deu às costas para os jornalistas quando um deles foi atacado por um dos seus apoiadores.

 

 

A campanha eleitoral de 2022 sequer começou oficialmente e as coisas já estão assim por culpa exclusiva do presidente da República que não cansa de mandar os jornalistas calarem a boca, e que já ameaçou “encher de porrada” a boca de um deles.

 

 

Bolsonaro quer uma imprensa subserviente que só lhe pergunte o que ele aprecia responder. Uma fatia da imprensa brasileira comporta-se ao seu gosto, mas a maior parte dela, não. O que ele deseja é o que todos os que o antecederam no cargo desejaram.

Mas há uma escandalosa diferença: desde a redemocratização do país em 1985, somente Bolsonaro expressou sua fúria contra os jornalistas e as empresas que os empregam. Somente ele estimulou a violência contra os que se restringem a cumprir seu papel.

Presidentes em apuros tentam confundir-se com o Estado na esperança de ser poupados de críticas. De fato, sua honra é distinta da honra nacional. Eles passam, o país fica. E muitos acabam sendo reduzidos pela História a simples notas de pé de página.

Não será o caso de Bolsonaro. Nunca um presidente eleito diretamente pelo povo fez tanto mal ao Brasil como ele – e isso deve ser estudado em profundidade para que jamais se repita. Acertos não ensinam. Infelizmente, só aprende-se errando.

 

Publicado no Metrópoles.

 

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Este post tem 2 comentários

  1. Cesar Peixot

    Eu discordo de que Bolsonaro é inimigo da imprensa,é muito difícil governar com uma parte da mídia ficar torcendo que tudo de errado,como a organização Globo e a Folha de São Paulo.

    1. Aluysio Abreu Barbosa

      Caro Cesar Peixoto,

      Como a foto e os três videos da postagem evidenciam, a condição de Bolsonaro de inimigo da imprensa independe da sua concordência.

      Grato pela chance de ressaltar o óbvio!

      Aluysio

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