Lula, Donald Trump e os chilenos Jeannette Jara e Gabriel Boric (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Lula de Trump à operação no Rio
Especialista em História Política da América Latina, Aggio também foi indagado no Folha no Ar sobre recuperação da popularidade de Lula, de julho a outubro (confira aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui), na onda do tarifaço de Trump. E sobre sua queda nas pesquisas em novembro (confira aqui, aqui, aqui e aqui), após ter chamado de “matança” a megaoperação policial do dia 28 no Rio, com 121 mortos e (confira aqui, aqui, aqui, aqui e aqui) amplo apoio popular.
Alberto Aggio, historiador, professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e especialista em História Política da América Latina
A dificuldade da criminalidade
“O Lula, no início de 2025, era um político em declínio e o Trump (com o tarifaço) acende uma luz muito favorável à sua reeleição. Logo depois vem essa operação, que desmonta essa configuração benfazeja ao presidente. E revela a grande dificuldade dos governos democráticos, não só do PT, em lidar com a criminalidade”, ponderou Aggio.
Por que Lula caiu nas pesquisas?
“Nós estamos diante de um enorme desafio (na segurança pública). E, lamentavelmente, isso começa a ser trabalhado do ponto de vista eleitoral, a partir de uma lógica do tudo ou nada. Que é manifestada pela resposta da população, os pesquisados, em cair o percentual de apoio que o Lula havia conseguido (a partir de Trump)”, avaliou o historiador.
“Lula não é Jara; Lula não é Boric”
“Houve uma reunião em que quatro governadores (Tarcísio de Freitas, Ratinho Júnior, Ronaldo Caiado e Romeu Zema) poderiam sair (a presidente em 2026) e, no 2º turno, juntam as forças. Como o que acontece no Chile agora. Só que Lula não é Jeannette Jara; Lula não é Boric. Lula tem uma popularidade alta. O que não acontece (com a esquerda) no Chile”, advertiu Aggio.
Oliver Stuenkel, pesquisador e professor de Relações Internacionais da Fundação Getúlio Vargas (FGV)
Indicação à direita no Chile
“Tudo indica que o próximo presidente chileno será de direita”. Foi o que também projetou, ainda na noite de domingo, o pesquisador e escritor Oliver Stuenkel, alemão radicado no Brasil como professor de Relações Internacionais da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e respeitado analista do tema na imprensa do mundo.
Direita vence na Bolívia e Argentina
“Diante da derrota histórica da esquerda nas eleições presidenciais da Bolívia (o conservador Rodrigo Paz venceu em 19 de outubro, após 20 anos da esquerda no poder do país) e do bom resultado de Javier Milei na Argentina (nas eleições parlamentares de 26 de outubro), parece claro que está em curso uma guinada à direita na política latino-americana”, concluiu Stuenkel.
Brian Winter, jornalista dos EUA e editor da revista Americas Quaterly
Crime gera guinada na América Latina
“Não acredito que a guinada à direita na América Latina seja mais um movimento passageiro, um típico pêndulo contra os governantes no poder. É algo maior. O crime organizado é hoje a principal preocupação em diversos países”, cravou o jornalista estadunidense Brian Winter, editor da revista Americas Quaterly, dedicada à política, negócios e cultura nas Américas.
Filho de nazista, admirador de Pinochet
Candidato a presidente do Chile pela 3ª vez, tendo perdido o 2º turno em 2021 para Boric, Kast é advogado, admirador do ex-ditador chileno Augusto Pinochet e filho de um ex-militar da Alemanha na II Guerra (1939/1945), que foi filiado ao partido Nazista. Sua plataforma de campanha tem como base o combate ao crime e à imigração ilegal, que culpa pelo primeiro.
Crime e imigração na eleição chilena
Embora com criminalidade bem menor que a do Brasil, o Chile vive a explosão de 140% em homicídios na última década, com 76% de aumento em sequestros durante o governo Boric. Para Kast, essa violência está ligada à imigração ilegal, sobretudo de venezuelanos. Hoje, cerca de 10% dos residentes do Chile, atraente aos vizinhos pela economia estável, são estrangeiros.
Alberto Aggio, historiador, professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e especialista em História Política da América Latina
“Kast, provavelmente, vencerá”
Perguntado no Folha no Ar de ontem sobre o aumento da violência entre os chilenos, Aggio respondeu: “Houve um avanço muito grande da criminalidade no Chile. Em comparação com o Brasil, você poderia dizer que é até irrelevante. Mas afeta o chileno porque é uma mudança forte. Isso pode definir uma eleição. Kast, provavelmente, vencerá em 14 de dezembro”.
Em 19 de dezembro de 2021, o socialista Gabriel Boric se elegeu presidente do Chile. Em 30 outubro de 2022, Lula se elegeu presidente do Brasil. Até o 1º turno a presidente do Chile no último domingo (16), a esquerda sul-americana celebrava a comunista Jeannette Jara líder nas pesquisas. Mas o conservador José Antonio Kast saiu da urna favorito ao 2º turno de 14 de dezembro.
Conta da soma contra a esquerda
Jara ficou na frente no 1º turno, com 26,85% dos votos. Kast teve 23,92%. Que, com os 19,71% do centrista Franco Parisi, os 13,94% do ultraconservador Johannes Kaiser e os 12,46% da conservadora moderada Evelyn Matthei, somam 70% do voto chileno à oposição ao governo Boric. Do qual Jara, mesmo distante na campanha, foi ministra da Educação.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Meio caminho da direita andado
Após surpreender na 3º colocação, o “antissistema” Parisi disse que não apoiará nem Kast, nem Jara. Mas seus votos dificilmente migrarão à candidata de esquerda. O presidente Boric não chega a 30% de aprovação de governo. Por sua vez, Kast teve apoio declarado por Kaiser e Matthei. E os três, somados, já tiveram 50,3% dos votos dados pelos chilenos no domingo.
Alberto Aggio, historiador, professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e especialista em História Política da América Latina
“Quase consignada a vitória de Kast”
“A votação desses três candidatos (Kast, Kaiser e Matthei) ultrapassa 50%. No 2º turno de 14 de dezembro, nós temos quase que consignada a vitória de Kast”, projetou em entrevista ao programa Folha no Ar, na manhã de ontem, o historiador Alberto Aggio, professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e especialista em História Política da América Latina.
Fator interno ou da América do Sul?
Embora Chile e Brasil sejam vizinhos e estejam entre os países mais importantes da América do Sul, tanto a eleição a presidente do jovem Boric em 2021, quanto a do veterano Lula em 2022, se deveram fundamentalmente a fatores internos. Só que há quem observe o cenário sul-americano não isoladamente, mas como uma possível nova onda conservadora no continente.
Historiador, professor da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp) e especialista em História da América Latina, Alberto Aggio é o convidado do Folha no Ar desta terça (18), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3.
Ele analisará o resultado do 1º turno da eleição a presidente do Chile no domingo (16), que definiu a comunista Jeannette Jara e o conservador José Antonio Kast como adversários no 2º turno de 14 de dezembro, bem como as consequências do pleito à América do Sul.
Aggio também analisará os movimentos recentes na opinião pública visando às eleições presidenciais do Brasil em 2026. Com a recuperação de Lula (PT) nas pesquisas entre julho e outubro (confira aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui), surfando a onda da soberania nacional com o tarifaço de Donald Trump, e a nova queda do petista nas pesquisas (confira aqui, aqui, aqui e aqui) após suas críticas públicas à megaoperação policial do Rio no dia 28, com 121 mortos e (confira aqui, aqui, aqui, aqui e aqui) amplo apoio popular.
Quem quiser participar do Folha no Ar desta terça poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook e no YouTube.
Entre Donald Trump e Lula e os 91 fuzis apreendidos na megaoperação policial no Rio do dia 28, o geógrafo e estatístico William Passos e os cientistas políticos George Gomes Coutinho e Hamilton Garcia (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Por Aluysio Abreu Barbosa, William Passos, George Gomes Coutinho e Hamilton Garcia
De dezembro de 2024 a novembro de 2025 — A quem acompanha a formação de opinião do brasileiro a partir das pesquisas, não da torcida pessoal, alguns movimentos parecem claros. De dezembro de 2024 a junho de 2025, o governo Lula 3, em aparente desgaste de material, perdia (confira aqui, aqui, aqui e aqui) aprovação de governo e intenção de voto a cada nova consulta de opinião pública.
De julho a outubro, após o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçar e impor seu tarifaço ao Brasil por conta do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no Supremo Tribunal Federal (STF), Lula soube surfar bem a onda de defesa da soberania nacional. E, em meio também a erros seguidos da direita brasileira, recuperou-se (confira aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui) nas pesquisas.
Esse era o quadro até a megaoperação policial do dia 28 contra a facção criminosa Comando Vermelho, nos complexos cariocas de favelas do Alemão e da Penha, com saldo de 121 mortos. Que, a despeito de as pesquisas iniciais revelarem ter apoio (confira aqui, aqui, aqui e aqui) da maioria do eleitorado no país, estado e município do Rio, foi classificada no dia 4 por Lula como “matança” e “desastrosa”.
Durante a semana, duas pesquisas nacionais dos institutos Paraná e Quaest, entre os quatro que mais acertaram (confira aqui) os resultados das urnas no 2º turno presidencial de 2022, revelaram que Lula entrou em novembro perdendo parte do que tinha recuperado em aprovação de governo (confira aqui e aqui) e intenção de voto (confira aqui e aqui). E que, nesta, todos os nomes da oposição melhoraram seus números.
Todos esses movimentos, de queda de Lula de dezembro a junho, da sua recuperação de julho a outubro impulsionada por Trump, e de aparente nova queda a partir deste mês de novembro, após a operação policial no Rio com amplo apoio popular, foram gradativos, sem alterações bruscas. Mas inequívocos como tendências de momento.
Para tentar entender esses movimentos na opinião do eleitor, a pouco mais de 10 meses da urna de 4 de outubro de 2026, a Folha buscou especialistas. E traz as análises do geógrafo e estatístico William Passos, analista estatístico do Nuperj/Uenf; e de dois cientistas políticos, os professores George Gomes Coutinho, da UFF-Campos; e Hamilton Garcia, da Uenf.
William Passos — “Tanto a Paraná quanto a Quaest apontam para a perda de terreno de Lula para os adversários, em especial, no 2° turno. Com margem de erro de 2,2 pontos para mais ou menos, a Paraná testou quatro cenários. Contra Jair Bolsonaro, atualmente inelegível, a diferença a Lula caiu a 0,6 ponto. Contra Tarcísio de Freitas, a vantagem de Lula recuou a 1,2 ponto. Contra Michelle Bolsonaro, oscilou a 1,4 ponto. E contra Flávio Bolsonaro, diminui para 6,8 pontos. Entre os elegíveis, Lula empata tecnicamente no 2° turno com Tarcísio e Michelle.
Por sua vez, na Quaest, 9 cenários foram testados no 2° turno, com margem de erro de 2 pontos para mais ou para menos. Neles, Lula empata tecnicamente com Jair Bolsonaro (+3) e vê sua diferença cair para todos os demais nomes da oposição: Ciro Gomes (+5 para Lula), Tarcísio de Freitas (+5), Ratinho Júnior (+5), Romeu Zema (+7), Ronaldo Caiado (+7), Michelle Bolsonaro (+9), Eduardo Bolsonaro (+10) e Eduardo Leite (+13).
Realizadas após a megaoperação do Rio, Quaest e Paraná confirmam piora também na aprovação de governo de Lula. Com o petista oscilando negativamente depois da melhora registrada em levantamentos anteriores. Em ambas as pesquisas, a aprovação ao governo Lula ficou abaixo de 50%. No que diz respeito à megaoperação apurada na Quaest, 67% da população brasileira aprova a intervenção e não acha que a polícia exagerou na força empregada.”
George Coutinho — “A pesquisa reflete as consequências e os impactos na opinião pública da megaoperação policial ocorrida no Complexo do Alemão, especialmente no que tange às intenções de voto do eleitor no cenário eleitoral de 2026.
A operação mais letal da polícia na Nova República tanto reacendeu a segurança pública como prioridade do momento na opinião pública brasileira, quanto excitou as direitas hegemonizadas pelo bolsonarismo, já mirando a corrida eleitoral.
Entretanto, é importante ressaltar que, em uma sociedade que enfrenta problemas estruturais de diferentes naturezas, debates diversos se impõem e prioridades são flutuantes. Vivemos em tempos de dinâmicas comunicativas ultrarrápidas, em que pautas são infladas para morrerem de inanição no dia seguinte. Portanto, diversos setores cravarem, pura e simplesmente, que a segurança pública será ‘a grande pauta’ das eleições de 2026 me parece precipitado. Trata-se de ansiedade eleitoral.
Pela direita, há a busca por uma bala de prata que neutralize o leve e persistente favoritismo de Lula e sua presença indiscutivelmente competitiva nas urnas em 2026. Note que os dados, ainda que indiquem diminuição da sua vantagem na conjuntura ou empate técnico com alguns nomes da direita bolsonarista, não evidenciam o petista como um candidato ferido de morte.
Lula segue, em termos comparativos, sendo uma das lideranças mais populares entre seus pares da América Latina. Isso se dá tanto por seu indiscutível carisma quanto pelos resultados econômicos consistentemente superiores aos experimentados pelo eleitor durante o governo Bolsonaro.
Vale mencionar que o próprio Felipe Nunes, CEO do instituto Quaest Pesquisa, em aparição no canal Globo News na quinta (13), levantou a hipótese de Lula obter até mesmo uma vitória ainda no 1º turno. A depender das configurações das candidaturas hegemonizadas pelo bolsonarismo — com exceção de Eduardo Leite, o único nome identificado com uma direita democrática — e do absenteísmo do eleitorado conservador na eleição propriamente dita.
Matanças realizadas por policiais precisariam produzir um efeito mais duradouro, gerando uma sensação de segurança consistente — algo alcançado por Bukele, em El Salvador, com métodos anti-Estado de Direito. A matança em si no Alemão, ou a mera repetição desse modus operandi, não tem o poder de definir as eleições de 2026. A demanda do eleitor comum por vingança estatal tem limite. E, mais cedo ou mais tarde, quando notarem que a sociedade não está mais segura, perceberão que tudo não passava de um truque sangrento.”
Hamilton Garcia — “As oscilações eleitorais entre as forças de esquerda e de direita polarizadas ocorrem sob o impacto de pautas conjunturais. Mas é preciso atentar ao fato de que problemas estruturais não resolvidos, como os da segurança pública e da corrupção, que têm destaque hoje nas preocupações populares, tendem a beneficiar a direita em detrimento da esquerda. Pelo modo como esta aborda os temas, negligenciando o aspecto central da crise de um Estado incapaz de proteger o direito fundamental do cidadão à segurança.
Isso posto, o Governo Lula precisa corrigir seu rumo na direção oposta de seu partido, para quem o interesse público se reduz à política de benefícios sociais, e a política de segurança se expressa fundamentalmente na luta contra as desigualdades. Tal perspectiva esteve na base da sustentação eleitoral do PT nos últimos 45 anos. Mas apresenta hoje sinais claros de desgaste em função da estagnação econômica do país e do agravamento das condições de segurança mesmo em cidades do interior, em todos os estados e regiões do país.
Essas duas questões impactam a expectativa de mobilidade social alimentada pela própria política do PT. Isso explica porque as velhas políticas de inclusão, promovidas desde 2003, deixaram de ter a resposta eleitoral de outrora, até por parte de seus beneficiários.”
Qual é a causa da perda de Lula, entre outubro e novembro, em aprovação de governo e intenção de voto, na qual todos os seus adversários cresceram? Criticada pelo presidente, a ação policial do Rio, na Quaest, é aprovada pela maioria de 67% dos brasileiros. Uma minoria de 25% desaprova, enquanto 4% não aprovam ou desaprovam e outros 4% não responderam.
Sem exagero da polícia para 67%
Chamada por Lula de “matança” no dia 4, a megaoperação do dia 28 não cometeu exagero na força adotada pela polícia contra traficantes fortemente armados do Comando Vermelho, na pesquisa Quaest, para a mesma expressiva maioria de 67% dos brasileiros. Uma minoria de 29% vê exagero na ação, enquanto 4% não souberam responder.
Traficantes vítimas dos usuários?
Quatro dias antes da operação do dia 28, Lula já havia causado polêmica com outra declaração de improviso. Em Jacarta, na Indonésia, ele falou no dia 24 sobre as ações militares dos EUA para, supostamente, combater o tráfico internacional de drogas na costa marítima da Venezuela: “Os usuários são responsáveis pelos traficantes, que são vítimas dos usuários”.
Oito em cada 10 discordam de Lula
Diante da pergunta da Quaest, se concorda que “os traficantes são vítimas dos usuários”, a esmagadora maioria de 81% dos brasileiros discorda de Lula. Uma minoria de apenas 15% concorda, com 5% que não souberam responder.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Para 57%, operação não foi “desastrosa”
Sobre outra declaração de Lula, que também chamou a megaoperação de “desastrosa”, a maioria de 57% dos brasileiros discorda. Uma minoria de 38% concorda, enquanto 5% não souberam responder.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Contra-ataque de Lula no RJ?
De olho nas pesquisas, o marqueteiro e ministro da Comunicação de Lula, Sidônio Palmeira, promete o contra-ataque. Desde sábado (8), a conta oficial do Governo Federal anuncia (confira aqui) nas redes sociais: “Polícia Federal vai aprofundar investigação de facções e milícias do RJ. Foco vai ser na lavagem de dinheiro e na infiltração do crime organizado no Poder Público”. A ver.
Postagem do Governo Federal no Instagram (clique na imagem para acessar)
Também na parte eleitoral das suas novas pesquisas, Paraná e Quaest revelaram (confira aqui) os mesmos movimentos. A partir da megaoperação no Rio e das críticas de Lula a ela, o presidente perdeu intenção de voto em todas as simulações, sobretudo de 2º turno. E, em contrapartida direta, todos os presidenciáveis de oposição ganharam intenção de voto com vistas a 2026.
Três empates técnicos no 2º turno
A Paraná fez quatro simulações de 2º turno. Nas quais Lula apareceu em empate técnico em três. Contra Bolsonaro, mesmo inelegível até 2060, por 43,7% a 43,1% (só 0,6 ponto à frente). Contra o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (REP), por 43,0% a 41,8% (1,2 ponto). Contra a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), por 44,1% a 42,7% (1,6 ponto).
Proximidade no 2º turno da Quaest
A Quaest fez 10 simulações de 2º turno. Nas quais Lula só apareceu em empate técnico contra Bolsonaro, por 42% a 39% (4 pontos à frente). Mas o petista ficou 5 pontos à frente, apenas 1 ponto acima da margem de erro, contra o seu ex-ministro Ciro Gomes (PSDB), por 41% a 36%; Tarcísio, por 40% a 35%; e o governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), por 40% a 35%.
Duas pesquisas, mesmos movimentos
Em empate técnico, próximo ou distante de Lula em todas as 13 simulações de 2º turno da Paraná e Quaest, os movimentos são os mesmos. O presidente perdeu intenção de voto, entre outubro de novembro, contra todos os adversários. Seja ele um Bolsonaro inelegível, Tarcísio, Michelle, Ciro ou Ratinho Jr. E todos ganharam intenção de voto no 2º turno contra Lula.
Outros nomes da oposição
Em um eventual 2º turno, mesmo com Lula hoje à frente além da margem de erro, ele perdeu intenção de voto e também ganharam outros nomes da oposição. Na Paraná, o senador Flávio Bolsonaro (PL). Na Quaest, os governadores de Goiás, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, respectivamente, Ronaldo Caiado (União), Romeu Zema (Novo) e Eduardo Leite (PSD).
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
O campeão da rejeição
O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) também foi testado na Quaest em cenário de 2º turno contra Lula. Mas, responsável pela taxação dos EUA contra o Brasil, ele lidera a rejeição entre os presidenciáveis pesquisados: 67% dos brasileiros o conhecem e não votariam. A lista das maiores rejeições segue entre os Bolsonaro, com 61% a Michelle e 60% a Jair.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Lula abaixo dos Bolsonaro na rejeição
Abaixo só dos Bolsonaro, a maior rejeição é de Ciro, com 57% dos brasileiros que o conhecem e não votariam. Mas, abaixo dele, Lula aparece com 53% de rejeição em novembro, proibitiva numa eleição em dois turnos e na qual cresceu 2 pontos desde outubro, após suas declarações no dia 4 sobre a megaoperação do dia 28 no Rio.
“Operação do Rio pode ser à direita o que Trump foi a Lula?” Foi a pergunta feita (confira aqui) em 1º de novembro, com base nas primeiras pesquisas sobre a megaoperação policial nos complexos cariocas de favelas do Alemão e da Penha três dias antes, no dia 28. E que, mesmo com saldo de 121 mortos, tiveram amplo apoio popular (confira aqui e aqui) no país, estado e município do Rio.
Opinião da base x maioria
A possibilidade de consequências negativas a Lula se reforçou no dia 4, quando o presidente, falando de improviso, chamou a megaoperação de “matança” (confira aqui) e “desastrosa” (confira aqui). O que reforça a opinião majoritária na sua base, mas que já tinha se revelado minoritária no conjunto dos brasileiros que votarão a presidente na urna de 4 de outubro, daqui a pouco mais de 10 meses.
Sobe e desce nas pesquisas
Em todas as pesquisas, Lula perdeu popularidade de dezembro de 2024 a junho de 2025 (confira aqui, aqui, aqui e aqui). Recuperou-se de julho a outubro, ao surfar bem (confira aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui) a onda do presidente dos EUA, Donald Trump, que tarifou o Brasil pelo julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no Supremo Tribunal Federal (STF). E entra em novembro, após a ação policial, perdendo parte do que recuperou.
Lula perde aprovação e intenção de voto
Em termos de aprovação de governo, as pesquisas dos institutos Paraná e Quaest (confira aqui), respectivamente, na terça (11) e quarta (12), com números e metodologias diferentes, revelaram os mesmos movimentos. De outubro a novembro, com a megaoperação policial no meio, o Lula 3 perdeu aprovação e cresceu em desaprovação.
Perda de aprovação na Paraná
A pesquisa Paraná ouviu 2.020 brasileiros de 6 a 10 de novembro, com margem de erro de 2,2 pontos para mais ou menos. Nela, a aprovação ao Lula 3 oscilou 2 pontos para baixo de outubro a novembro: de 47,9% aos atuais 45,9%. Por sua vez, a desaprovação oscilou 1,7 ponto para cima no mesmo período: de 49,2% aos atuais 50,9%.
Perda de aprovação na Quaest
A pesquisa Quaest sobre a aprovação do Lula 3 ouviu 2.004 brasileiros de 6 a 9 de novembro, com margem de erro de 2 pontos para mais ou menos. Nela, a aprovação ao Lula 3 oscilou 1 ponto para baixo de outubro a novembro: de 48% aos atuais 47%. Por sua vez, a desaprovação oscilou 1 ponto para cima no mesmo período: de 49% aos atuais 50%.