
Lula admite manobra por Couto no RJ
Talvez empolgado com as revelações dos contatos próximos entre Flávio Bolsonaro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, Lula disse no sábado, no Rio, diante do desembargador e governador interino do RJ Ricardo Couto: “A Justiça tomou uma decisão que hoje acho correta, de colocar você como governador interino até as eleições”.
STF pró-Lula x Constituição do RJ
Em 15 de abril (confira aqui) e 13 de maio (confira aqui), a coluna alertou sobre a intenção de alguns ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) ligados a Lula de manter Couto governador até outubro. Para evitar que o presidente eleito da Alerj, Douglas Ruas (PL), assuma como governador-tampão, como reza o Art. 141 da Constituição Estadual do RJ.
Ruas para em Dino e Zanin
Ruas é o pré-candidato bolsonarista a governador. Que, contra o amplo favoritismo do ex-prefeito carioca Eduardo Paes (PSD) nas pesquisas, teria mais chance se concorresse ao Palácio Guanabara já nele. Mas a definição da eleição a governador-tampão está parada no STF por decisões dos ministros Flávio Dino e Cristiano Zanin.
Motivo eleitoral da manobra do STF
Dino é ex-ministro da Justiça de Lula. Zanin é ex-advogado pessoal de Lula. Para tentar se reeleger em 2026, Lula precisa tentar diminuir a vantagem que Bolsonaro teve sobre ele (56,53% a 43,47%) no segundo turno presidencial de 2022 dentro do RJ. Que abriga o terceiro maior colégio eleitoral do país. No qual Lula teria um palaque com Paes.
O legítimo e o ilegítimo
É legítimo querer um gestor testado como Paes governador do RJ. É legítimo supor que Couto trabalha para sanear o RJ. É legítimo achar que o grupo do ex-governador Cláudio Castro (PL), alvo de ações da Polícia Federal, é suspeito. Mas é ilegítimo, sobretudo por parte do STF, agir politicamente no RJ como admitiu publicamente Lula.
Publicado hoje na Folha da Manhã.
