
Demofobia de esquerda
Demofobia. Em grego: medo do povo. Na ciência política, refere-se à desconfiança do poder do povo e da democracia direta. Essa foi a reação de grande parte dos eleitores de Lula, desde a noite de sexta, quando a apuração eleitoral, já com pouco mais 60% dos votos, deu certeza de que Flávio ficaria à frente de Lula no 1º turno.
A causa
A explicação de boa parte da esquerda que diz defender o povo? “O povo não sabe votar”. Nos últimos quatro anos, os bolsonaristas de baixa renda foram chamados de “pobres de direita”, os pequenos empreendedores de “CEOs de MEI”, os evangélicos de “cristofascistas”, as mulheres de “pessoas que gestam” e os homens de “misóginos”.
O efeito
O troco veio na urna e agora querem reclamar? Como pretendem virar votos de Flávio a Lula nos próximos 18 dias até o 2º turno? Por favor, companheiro nazifascista, pode dar um voto de confiança ao PT? Contra as elites no discurso, Lula foi na resposta real o mais votado em bairros da elite carioca: Leblon, Ipanema, Copacabana e Lagoa.
STF vira voto ao Senado
Houve ainda a esquerda que quis morrer abraçada ao seu “herói da democracia”, o ministro do STF Alexandre de Moraes. Porque ele foi vítima e algoz de Jair. Enquanto o bolsonarismo transformou a reprovação popular ao STF em objeto do voto antes difuso ao Senado. E elegeu 19 dos 54 novos senadores. Agora tem 28, maior bancada da Casa.
PL é maioria no Congresso
O PL deve eleger o próximo presidente do Senado e do Congresso, provavelmente Rogério Marinho, coordenador da campanha de Flávio. Sem contar os 121 deputados federais que o PL elegeu, maior bancada também da Câmara. Em outras palavras, mesmo que Lula consiga uma virada histórica e hoje improvável, não governará.
Publicado hoje na Folha da Manhã.
