Witzel e Gil comemoram “gol”, enquanto bloqueio deixa médicos de Campos no 0 a 0

Ponte Rio/Niterói
A execução de Willian Augusto dos Santos, de 20 anos, que sequestrou e atravessou um ônibus na ponte Rio/Niterói, no início da manhã de ontem, dividiu opiniões. Em Campos não foi diferente, com a matéria sobre o caso (aqui) entre as mais acessadas do Folha1, maior site de notícias do Norte Fluminense. A maioria, no entanto, foi favorável ao desfecho do caso, que terminou com os 39 reféns, incluindo o motorista do coletivo, libertados sem ferimentos. Seis deles já haviam sido liberados pelo sequestrador, antes deste ser alvejado por um sniper do Bope. Camuflado sobre o teto de uma ambulância, ele fez sinal de positivo após efetuar os disparos.
“Gol” e “placar”
Deputado estadual, pré-candidato a prefeito de Campos e PM reformado, Gil Vianna (PSL) celebrou a ação (aqui) nas redes sociais: “CPF cancelado!”. Quem também comemorou foram motoristas parados há 4h na ponte e o governador Wilson Witzel (PSC). Após a execução, ele desceu do helicóptero da PM erguendo os braços, como se comorasse um gol. Eleito prometendo dar ordem a snipers para abaterem bandidos armados com “um tiro na cabecinha”, ontem o governador diminuiu um “placar” adverso. Neste ano, foram 33 mortos por bala perdida em confrontos entre bandidos e polícia fluminense. Incluindo seis jovens, só na semana passada.

Dinheiro dos médicos
Se, para a maioria, a “sorte” sorriu ontem ao endurecimento contra o crime no Estado do Rio, o dia foi de azar a quem em Campos queria baixar a corda tensionada no confronto com os médicos da Saúde Pública do município. Na noite de segunda (19), em carta aberta à categoria em greve desde o último dia 7, o prefeito Rafael Diniz (Cidadania) prometeu pagar ontem 50% das gratificações e substituições. Só que, até o final da tarde, nenhum médico recebeu. Como o blog Opiniões noticiou em primeira mão no início da noite, o dinheiro foi depositado pela Prefeitura no Santander pela manhã, mas a conta havia sido bloqueada por motivo jurídico.
Azar em hora ruim
Duas horas após o Folha1 noticiar o caso, o governo de Campos confirmou o problema em nota oficial. Não explicou o motivo do bloqueio judicial da conta, mas garantiu: “Logo no início da manhã desta quarta-feira (21) será feito o reprocessamento da folha, para pagamento no correr do dia”. Antes da nota oficial, ao ser informado pela reportagem da Folha da origem do problema, o presidente do Sindicato dos Médicos de Campos (Simec), José Roberto Crespo, disse: “Havia o compromisso moral de se pagar hoje (ontem). A reação da categoria é de desconfiança, de descrédito”. Azar acontece. Mas não é bem-vindo para se contornar crises.
Cabeça em 2020
Um dos pontos positivos do Festival do Samba, realizado no último fim de semana durante a Semana Municipal do Folclore, foi o caráter de resistência demonstrado pela cultura popular campista. Como se desenha o retorno do Carnaval à data oficial em em 2020, alguns carnavalescos já começam a se mobilizar para o próximo ano. Ontem, o carnavalesco do Juventude da Baleeira, Wallace Vicente, usou o Facebook para divulgar o enredo da escola: “Não me leve a mal, brincar Carnaval não é prejudicial à Saúde”.
Participativo
A secretaria de Transparência e Controle apresentou, ontem, na Câmara Municipal, os resultados do Orçamento Participativo 2019. O principal objetivo, segundo o órgão, é tornar mais democrático e responsável a escolha de prioridades dos investimentos junto à comunidade. Ao todo, nove regiões foram contempladas com as audiências públicas, 447 lideranças locais ouvidas e 178 participantes em 62 bairros e distritos representados. Além das participações online que decidiram como três prioridades para a Lei Orçamentária Anual (LOA) 2020, as demandas de Saúde (31,3%), Infraestrutura e Mobilidade (20,4%) e Educação (17%).
Prioridades
O subsecretário adjunto de Planejamento e Orçamento, Fernando Antônio Loureiro, destacou durante a sessão o retorno positivo nos últimos anos, quando a Prefeitura de Campos conquistou a posição entre os cinco municípios mais transparentes, eleito pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE), levando dois dos nove prêmios. Pela Controladoria Geral da União (CGU), obteve a terceira maior nota em transparência no país. “O Orçamento Participativo visa ao atendimento das peculiaridades de cada local. É uma construção necessária para que se torne mais eficiente a aplicação dos recursos”, disse Fernando.
Com Aldir Sales e Matheus Berriel
Publicado hoje (21) na Folha da Manhã














“Era uma vez em… Hollywood” — Logo após assistir a “Cães de Aluguel” (1992), disse com muita convicção a meu pai, também cinéfilo, a quem mostraria o filme, ainda no antigo VHS: “o cinema agora se divide em antes e depois de Quentin Tarantino”. Logo na cena inicial, sua assinatura: a câmera circula sobre os bandidos de terno e gravata negros, à exceção do chefe da quadrilha, sentados na mesa de uma lanchonete. Enquanto o próprio Tarantino faz dublê de ator ao explanar a teoria do diretor e roteirista sobre a música “Like a Virgin”, de Madonna. Pela tese, como pelo fato das mulheres quase não aparecerem no filme — estreia mais impactante de um diretor desde “Cidadão Kane” (1941), de Orson Welles —, Tarantino foi acusado de machista. A pecha é reforçada por seu novo filme, “Era Uma Vez em… Hollywood”. Estreou na última quinta (15) no Brasil, incluindo Campos, na sala 5 do Kinoplex, no Shopping Av. 28.


Endosso de como a classificação de machista incomoda Tarantino, ele reproduziria sua quarta obra em quinta: “Kill Bill — Volume I” (2003) e “Kill Bill — Volume II” (2004). Ambas foram estreladas por uma das personagens femininas mais fortes da história do cinema: Beatrix Kiddo, também conhecida como “Mamba Negra” ou “A Noiva”. Era interpretada por Uma Thurman, que já havia protagonizado com Travolta a icônica cena do concurso de dança, em “Pulp Fiction”. Por quem o diretor teve a deferência de esperar a gravidez para começar a filmar “Kill Bill”.
















