Na crise financeira, quem lucra com baile funk a céu aberto no Tamandaré?


Só dinheiro?
Parte da mesma população que considerou a segunda gestão Rosinha Garotinho (hoje, Patri) tão ruim ao ponto de eleger Rafael Diniz (Cidadania) no primeiro turno de 2016, não faz juízo diferente de quem hoje a governa. Se a ex-prefeita teve em seus oito anos de administração, sem correção pelo IPCA, a média de R$ 120 milhões de Participação Especial (PE) de petróleo, as dificuldades financeiras são bem maiores (confira o contraste aqui) para quem teve média de PE de R$ 40 milhões, como Rafael. Sendo que a última, paga em novembro, não chegou a R$ 17 milhões. Mas dinheiro, ou sua falta, não é a única explicação.
Procura-se a GCM
Desde que o grupo que explora a boate Luxx se instalou comercialmente na rua Pero de Góis, ainda no governo rosáceo, o bairro residencial do Parque Tamandaré, com um dos IPTUs mais caros da cidade, passou a viver um inferno nas suas noites e madrugadas antes tranquilas. Só que, com Rosinha no poder, a Guarda Civil Municipal (GCM), atendia às chamadas e enviava viaturas para coibir o estacionamento em fila dupla, por vezes tripla, dos clientes da casa noturna na Pero de Góis. Só que, nos três anos do governo Rafael, a GCM simplesmente deixou de fazer esse tipo de serviço.
Brigas e tiros
Autorizada provisoriamente pela superintendência de Postura a cada novo evento, a seleta clientela da boate Luxx transformou as madrugadas das ruas do Parque Tamandaré em palco (confira todos os vídeos aqui) para brigas generalizadas, agressões físicas e verbais a mulheres, e até disparos com arma de fogo, como foram flagrados por câmeras de segurança na madrugada de 1º de novembro de 2018. Diante da divulgação do fato pela Folha, a Postura foi forçada a agir. Em dezembro daquele ano fechou a casa noturna para tratamento acústico. Depois do qual foi novamente liberada em maio de 2019.
Fogueteiro
A vedação acústica da Luxx é cobrada com juros por seus frequentadores. Com a inação da GCM, os baladeiros de outros bairros não só voltaram a parar carros em filas duplas e até triplas no Tamandaré, como acintosamente elevam potentes sons automotivos à máxima altura. E transformam noites e madrugadas de quem quer dormir, dentro da sua casa, em um inferno. Seu início é bem conhecido dos residentes do bairro. Como fogueteiro do tráfico, uma moto passa pela Pero de Góis roncando o motor. É a senha para que o baile funk a céu aberto comece. Quase sempre, até raiar o dia.
Adestrados
Com o movimento nas praias nos finais de semana, o verão trouxe uma novidade. Os ilícitos dos frequentadores da boate, que fazem da rua sua extensão, começaram esta semana na noite de quarta (22). E se estenderam pela madrugada de ontem. Avisado da bandalha acústica, o solícito comandante do 8º BPM, tenente-coronel Henrique, enviou uma viatura ao local. Mas, na mesma sincronia com o ronco da moto como fogueteiro do tráfico, os frequentadores da Luxx abaixam o som dos seus carros quando chega a patrulha. Que retornam ao máximo volume assim que a PM dobra a esquina.
Confira nos flagrantes de vídeos o baile funk a céu aberto na rua Pero de Góis, que só cessa enquanto passa a PM:
Jogo de empurra
Nesse jogo de gato e rato, duas viaturas da PM flagraram um carro parado na contramão, em frente à Luxx, que acabara de abaixar o volume do som. Saudados pelos seus ocupantes, como filmado por um morador insone do Tamandaré, os PMs nada fizeram. Após assistir ao vídeo, o comandante Henrique disse que a função de coibir o estacionamento na contramão é da GCM sempre ausente. Como a Postura diz que sua obrigação é coibir o som da boate, não dos carros, que seria função da PM. E nesse jogo de empurra, o prejudicado é o cidadão pagador dos seus impostos e impedido de dormir.
Confira nos flagrantes de vídeo o carro na contramão com som na máxima altura, em silêncio só quando passam as viaturas da PM, que nada fazem com o veículo em estacionamento irregular:
Quem lucra?
O superintendente da Postura é pré-candidato a vereador. Se confirmar a pretensão, dificilmente terá um voto no Parque Tamandaré. Por enquanto, é membro da mesma gestão cuja GCM se omite. E é estranho que um governo sem receio de se indispor com a população carente no corte de programas sociais, ou com médicos, hospitais, servidores e comerciantes da CDL, pareça ter medo em fazer cumprir a lei sobre uma boate instalada em bairro residencial. Em um município em crise financeira, até onde se saiba, só quem tem lucrado com o inferno do Tamandaré são os donos da Luxx.
Publicado hoje (24) na Folha da Manhã










“1917”
Motivo de crítica por Luiz Fernando Veríssimo em “Dunkirk” (
Ganhador dos Oscar de melhor diretor e melhor filme por “Beleza Americana” (2009), filme de estreia de Sam Mendes e clássico recente do cinema, o diretor inglês traz em “1917” uma comentada novidade estética: seu novo filme é todo em plano-sequência, sem cortes. Outro inglês, o mestre Alfred Hitchcock já havia feito isso em “Festim Diabólico” (1948), todo filmado dentro de um apartamento. Ao levar a ousadia técnica a campo aberto, Mendes foi agraciado com o Globo de Ouro de melhor diretor em 5 janeiro. É sempre um forte indicativo ao Oscar, que será entregue em 9 de fevereiro.
“PARASITA”
Questão emblemática desde sempre no conceito marxista da “luta de classes” — que o excelente roteiro sul-coreano não busca nivelar no proletariado, apenas tomar o lugar do patrão —, o “cheiro do povo” tem sua universalidade independente de Ocidente e Oriente, hemisférios Norte ou Sul. É ele que ativa o turning point contundente da história, ao transformar uma comédia na mais extremada tragédia. Tragédia no sentido grego do termo, que não serve de base ao Extremo Oriente, não de fazer tragédia. De fato, esse “cheiro do povo” evoca uma frase marcante de um bom filme brasileiro, “Linha de Passe” (2008), dirigido por Walter Salles Júnior e Daniela Thomas, sobre desigualdades sociais muito semelhantes: “Olha pra minha cara, porra!”.
Com suas surpresas subterrâneas, “Parasita” talvez seja um filme ainda mais revolucionário e marcante do que o frenético “Oldboy” (2003), de Park Chan-wook. Foi com ele, numa leitura oriental de Tarantino em suas bases no cinema de kung-fu de Hong Kong, que a Coréia do Sul impactou o mundo do cinema no novo milênio. Se não dedicado à violência estilizada de “Oldboy”, o sangue derramado em “Parasita” pode chocar ainda mais. Tanto quanto a antológica cena da jovem e bela mulher sentada sobre a privada que regurgita esgoto durante uma inundação no porão onde habita, enquanto fuma seu cigarro “mentolado” de fezes. E é choque necessário para tirar o espectador de classe média da sua zona de conforto, em qualquer parte do mundo.


Em mais um episódio de espantosa gravidade, o País foi dormir na quinta-feira e acordou na sexta assombrado por um pesadelo: num vídeo de composição macabra, o então secretário nacional de Cultura, Roberto Alvim, recitava com excitação indisfarçada e olhos vidrados um texto com trechos copiados de Joseph Goebbels, o mais fanático dos ideólogos do nazismo, que foi com Hitler até o final e morreu e matou a mulher e os seis filhos para não fazer nenhuma concessão e não abdicar da ideologia mortífera que ajudou a implementar.





