Condenação por ofensa à moral de um quadrilheiro
Condenado como quadrilheiro e criminoso eleitoral, o sr. Anthony Matheus, o Garotinho, divulgou ontem, em seu blog (aqui) uma indenização de R$ 8 mil, que a Folha e o jornalista Alexandre Bastos foram condenados a pagar a título de danos morais. Na blogosfera local, o post chegou a ser ecoado pelo candidato derrotado nas últimas eleições de OAB local, na qual teria contado com o apadrinhamento do ex-governador.
Na verdade, tanto eu, quanto meu irmão, Christiano Abreu Barbosa, pensamos em noticar o fato antes de ambos, mas, por motivos éticos, preferimos fazê-lo só depois que se pronunciasse o Bastos, autor do artigo que gerou a condenação. Não por outro motivo, segue abaixo a resposta dada hoje pelo jornalista, em seu blog (aqui), seguido de um meu comentário, mas não sem antes reafirmar que continuo assinando embaixo de tudo aquilo que o jovem articulista, hoje blogueiro mais acessado nesta terra de planície, escreveu em 2004.
Vivendo e aprendendo a jogar
Por Alexandre Bastos, em 18-11-2010 – 16h56
Em 2004, aos 22 anos de idade, comecei a publicar artigos na Folha da Manhã. Naquela época, em meio a uma guerra entre Anthony Garotinho e Arnaldo Vianna, entendi que o melhor para Campos seria evitar que o ex-governador voltasse a dar as cartas no município. Para defender o meu ponto de vista, usei palavras duras e fui, de certa forma, ingênuo. Agora, aos 28 anos, fiquei sabendo que por conta de dois artigos publicados em 2004, fui condenado, ao lado da Folha da Manhã, pela 17ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), a indenizar Garotinho em R$ 8 mil.
Respeito a decisão da Justiça e creio que tudo isso serviu como aprendizado. No entanto, é importante lembrar que em 2004 eu não atuava como repórter do jornal. Era um colaborador como outros tantos que opinavam e ainda opinam na página 2 da Folha. A Justiça entendeu que se tratava de uma matéria jornalística, quando na verdade o artigo expressava uma opinião. Mas como tudo tem limite, vejo que a minha opinião poderia ter sido demonstrada de uma forma mais branda. Não vou me fazer de vítima e dizer que estou sendo perseguido. Isso combina muito mais com o Garotinho do que comigo.
Perto dos 30 anos, já começo a perceber que gritos e desabafos não resolvem muita coisa. A grande coragem é a prudência. Muitos perguntam se a minha indignação morreu, se concordo com tudo que está aí. Não, ela continua bem viva e discordo de muitas coisas. Porém, ao invés de ficar na arquibancada xingando, resolvi jogar. E posso dizer que no campo as coisas são bem mais complicadas do que pareciam. Sei que vou me decepcionar, acertar e errar. Mas não irei desistir. E apesar de não concordar com várias atitudes do Garotinho, tenho que admitir que ele sabe muito bem perder e se reerguer. O seu grupo perdeu a eleição de 2004, perdeu a suplementar de 2006 e conseguiu voltar ao poder com Rosinha em 2008. Como diria o escritor José Saramago: “O que as vitórias têm de ruim é que não são definitivas. O que as derrotas têm de bom é que também não são definitivas”.
Caro Bastos,
Na minha modesta opinião, vc é não só o melhor jornalista da sua geração, mas um dos mais talentosos com que pude conviver em 21 anos de redação. Além do profissional, conheci também o jovem irriquieto, que assisti, não sem orgulho fraternal, se tornar um homem de bem. Não posso dizer o mesmo de quem processou vc e a Folha, por ter publicado seu artigo. Tenho plena convicção de que o juízo que condenou vc e o jornal está eivado de equívocos, mas decisão judicial não se discute, cumpre-se, seja o pagamento de indenização por danos morais a quem nunca teve o menor pudor em atentar à moral alheia, seja, por exemplo, uma condenação federal por formação de quadrilha armada. Isso sem contar a condenação também por crime eleitoral, que garante o mandato de deputado eleitoral do sr. Anthony Matheus sobre o frágil equilíbrio de uma liminar.
Na verdade, nenhum de nós sabe muito bem que placar final nos espera neste jogo de idas e voltas chamado vida. Saiba, no entanto, que tenho orgulho de jogar ao seu lado. E, quando digo isso, creio falar não só em nome de todos nossos colegas de redação, mas, sobretudo, dos nossos leitores.
Do seu amigo e admirador,
Aluysio







