De Lula a Bolsonaro, Brasil entre a justiça e a vingança

 

Jair Bolsonaro, Alexandre de Moraes, Luiz Inácio Lula da Silva e Sergio Moro (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Desde as eleições presidenciais de 2014, no 2º turno entre a então presidente Dilma Rousseff (PT) e o hoje deputado federal Aécio Neves (PSDB), o Brasil padece de bipolaridade política. Fenômeno radicalizado a partir de 2018, com o bolsonarismo. Na mesma oposição irracional ao PT que este fez aos dois governos Fernando Henrique Cardoso (PSDB), entre 1995 e 2003.

Onze anos após 2014, a bipolaridade política do Brasil parece ter evoluído à esquizofrenia. Cujos sintomas se notam nas manifestações mais banais. Como, em link de matéria (confira aqui) sobre o deputado estadual campista Rodrigo Bacellar (União) buscando o apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), no lulopetista que comenta (confira aqui) nas redes sociais: “Daqui a pouco vai visitar no presídio”. E é curtido por um… bolsonarista.

O motivo? Confirmando a baixa capacidade cognitiva que lhe é atribuída como média, o bolsonarista supôs que a referência do “presídio”, feita pelo lulopetista, seria a… Lula.

Seria trágico, se não fosse também cômico. Pelo fato de o lulopetista usar contra seu maior antagonista político a referência “presídio”. Mesmo antes de qualquer julgamento de Bolsonaro e seus asseclas, entre eles seis generais e um almirante, por tentativa de golpe de Estado. Na tentativa de antecipar uma espécie de forra ao “ex-presidiário” até hoje usado pelos bolsonaristas para se referir a Lula.

 

Relembrando caso de Lula

Lula foi condenado a 9 anos e 6 meses de prisão, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, na 13ª Vara Federal de Curitiba do então juiz Sergio Moro, em 12 de julho de 2017. A sentença foi confirmada em 24 de janeiro de 2018, com pena ampliada a 12 anos e 1 mês de reclusão, pela unanimidade dos três membros da 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF 4).

Lula se entregou à Polícia Federal (PF) em 7 de abril daquele ano eleitoral de 2018, quando liderava todas as pesquisas presidenciais. Após ter seu pedido de habeas corpus preventivo negado pela unanimidade dos cinco ministros na 5ª Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em 6 de março de 2018. E negado, por 6 votos a 5, no plenário do Supremo Tribunal Federal (STF), em 4 de abril, três dias antes de a prisão tirar Lula da eleição à qual era favorito.

Após 580 dias preso numa sala adaptada da Superintendência da PF em Curitiba, Lula seria solto em 8 de novembro de 2019. Sem coincidência, foi no dia seguinte ao STF voltar atrás em sua posição anterior. Para passar a considerar inconstitucional, também por 6 votos a 5, a prisão após condenação em 2ª instância.

Antes disso, a parcialidade política da 13ª Vara de Curitiba havia sido assumida em plena campanha presidencial de 2018. Quando Sergio Moro levantou o sigilo da delação do ex-ministro Antonio Palocci a uma semana do 1º turno presidencial de outubro daquele ano. Com claro objetivo de prejudicar a candidatura petista de Fernando Haddad e favorecer Bolsonaro. Que venceu e pagou em 1º de novembro, quando Moro aceitou ser seu ministro da Justiça.

Essa parcialidade política de Moro, ao julgar e condenar Lula, para depois prejudicar o candidato deste, Haddad, às portas da urna presidencial de 2018, seria comprovada a partir de 9 de junho de 2019. Quando começou a divulgação de conversas no Telegram no episódio conhecido por Vaza Jato. Que evidenciou a promiscuidade entre o então juiz e o então procurador da República Deltan Dallagnol, que investigou e acusou o então ex-presidente.

Quando ainda estava na 13ª Vara de Curitiba, Moro deveria ter se afastado do caso por suspeição, que é um critério subjetivo. Reforçado com a liberação da delação de Palocci para tentar prejudicar Haddad. Sobretudo após as revelações da Vaza Jato, ficou patente o impedimento, critério objetivo, que o magistrado deveria ter para julgar o caso.

 

Vingança, não justiça

Como é objetivo o impedimento de Alexandre de Moraes para julgar agora Bolsonaro. Depois de revelado que este tinha conhecimento e participou do planejamento do sequestro, assassinato e exposição pública na Praça dos Três Poderes do corpo do ministro do STF. Que, nesse intento, chegou a ser campanado por militares golpistas.

Em qualquer Estado Democrático do planeta Terra, que preze pela lisura do devido processo legal, uma vítima não pode julgar seu algoz. Caso contrário, o que se terá não é justiça, mas vingança.

Quem finge discordar, por mera paixão política, que responda com sinceridade: que isenção qualquer um teria para julgar quem planejou sequestrá-lo, assiná-lo e expor seu corpo em praça pública? A resposta é tão óbvia, e objetiva, quanto a parcialidade de Moraes.

 

Revisões do entendimento no STF

Após ganhar a liberdade em 2019, no dia seguinte ao STF revisar seu entendimento de cumprimento de pena em condenação de 2ª instância, Lula teria outras vitórias na instância máxima da Justiça do Brasil. Que, em 8 de março de 2021, com o ministro Edson Fachin, tornaria o ex-presidente elegível. Ao anular suas condenações na Lava Jato por questão de foro. Que seria a Justiça Federal de Brasília, não a 13ª Vara de Curitiba.

A decisão de Fachin em 2021 revisou outro entendimento anterior do STF. Antes de morrer num acidente aéreo em 19 de janeiro de 2017, o ministro Teori Zavascki decidiu em 13 de junho de 2016 enviar os cinco processos da Lava Jato ao juízo de Moro em Curitiba. Em 15 de abril de 2021, no entanto, o entendimento de Fachin contrário a Zavascki foi endossado pelo plenário do STF, por 8 votos a 3, na anulação das condenações de Lula pela questão do foro.

Lula teria mais vitórias no STF, que pavimentaram sua reconquista da Presidência da República pelo voto popular em 2022. Comprovada na Vaza Jato, a despeito da ilegalidade na obtenção das provas por um hacker, a parcialidade de Moro ao julgar Lula foi endossada em 23 de março de 2021 pela 2ª Turma do Supremo, por 3 votos a 2.

A maioria mínima foi garantida por outra mudança do entendimento anterior, pela ministra Cármen Lúcia. Coincidência ou não, foi só 15 dias após Fachin anular as condenações de Lula por questão de foro. E antes de a decisão da 2ª Turma sobre a parcialidade de Moro no julgamento de Lula ser confirmada no plenário do STF, por 7 votos a 4, em 23 de junho daquele mesmo ano de 2021.

Rememorados todos esses fatos, seu resumo: Lula teve suas condenações anuladas pela questão técnica do foro e pela parcialidade comprovada de Moro. Ambas, determinadas pelo Supremo em revisão de decisões anteriores da Corte. O que parece dar razão a quem entende que foi uma reação dolosa desta para tornar elegível o único político do Brasil com capacidade eleitoral para derrotar Bolsonaro, e seus ataques abertos ao Supremo, nas urnas de 2022.

 

Alerta de juristas sobre Moraes

Sobre a parcialidade de Moraes, para juristas independentes e conceituados, como Wálter Maierovitch, parece não haver dúvida. Desembargador aposentado do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP), colunista do UOL, comentarista da rádio CBN e Prêmio Jabuti em 2022 na categoria ciências sociais, ele explicou (confira aqui) em 19 de fevereiro:

— Há prova de que queriam matar Lula, Alckmin e Moraes. Ora, não dá para querer que ele seja imparcial; ele está envolvido nisso. “Ah, dá para ele travar as emoções”. Não. Um segundo ponto, que me parece fundamental e é um problemaço, diz respeito à velha regra do princípio constitucional do sistema acusatório. Não existe juiz de instrução, e Moraes foi um.

A posição está longe de ser solitária entre juristas brasileiros independentes. Não os agora mudos do Grupo Prerrogativas. Mas os que não são seletivos politicamente e também questionam a isenção de Moraes para julgar Bolsonaro. Em entrevista à BBC Brasil de 20 de fevereiro, Aury Lopes Jr. endossou (confira aqui) Maierovitch quase integralmente. Doutor em Direito Processual Penal e professor da PUC do Rio Grande do Sul, o primeiro disse:

— O ministro Alexandre deveria se dar por suspeito e não deveria participar desse julgamento (…) Não só porque já instruiu esse caso, então ele está contaminado, juridicamente falando, mas também porque existe uma suspeição dele dada toda aquela circunstância de ameaça em relação à vida dele (…) É inequívoco que ele foi afetado pelo fato, ele era alvo do golpe. Então, seria muito interessante e salutar para a própria jurisdição que ele se afastasse.

Na mesma esquizofrenia política dos bolsonaristas até hoje cegos à parcialidade de Moro com Lula em 2018, os lulopetistas de 2025 questionam até a independência dos juristas que alertam à parcialidade de Moraes com Bolsonaro. Quando a advertência só se dá porque a corrupção passional do juízo tende a cobrar o mesmo preço: corromper a condenação.

— Estamos diante de um caso grave, onde se tentou rasgar a Constituição, instalar de novo uma ditadura e o golpismo levou até o 8 de janeiro (…) Não estou criticando trabalhos, mas colocando questões técnicas. Quero uma história na qual fique comprovado que houve o golpe e que não existiram outros caminhos para que isso não fique sujo, maculado — alertou Maierovitch.

— O que existe é um imenso prejuízo (de imparcialidade) que decorre dos pré-juízos que ele (Moraes) já elaborou. Não é uma questão de bondade, de maldade, de perseguição ou não, é uma questão de inconsciente, de dissonância cognitiva. Quando você é chamado a tomar várias decisões sobre o caso e depois você tem que julgar esse caso, você está contaminado. Você já tem uma visão pré-estabelecida, isso é da natureza humana — ressaltou Lopes Jr.

Autoevidente, o impedimento de Moraes para julgar Bolsonaro foi negado por ampla maioria do STF. Que, em 13 de dezembro de 2024, por 9 votos a 1, dobrou a aposta e negou tirar a vítima da relatoria do caso do algoz.

Foi a senha à Procuradoria-Geral da República (PGR). Que, em 18 de fevereiro, denunciou (confira aqui) o ex-presidente e outros 33 acusados pelos crimes de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, formação de organização criminosa armada, dano qualificado sobre o patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado.

 

Após tiro pela culatra em 2022, “bala de prata” a 2026?

A cada nova pesquisa nacional mais emparedados pela queda de popularidade de Lula, com a de Bolsonaro inalterada mesmo após ser condenado duas vezes à inelegibilidade pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 2023 e denunciado pela PGR por tentativa de golpe de Estado em 2025, os lulopetistas parecem crer que a condenação e prisão do ex-presidente seria uma “bala de prata” às urnas presidenciais de 2026. Daqui a 1 ano e 7 meses.

Além do fetiche com “presídio”, comum a bolsonaristas e lulopetistas, na esquizofrenia compartilhada entre justiça e vingança, o problema é também de memória. Ao fato de que, mesmo preso, Lula pôs Haddad no 2º turno presidencial de 2018, vencido por Bolsonaro com a ajuda de Moro. E que, martirizado por 580 dias de prisão, o líder petista voltou ao poder nas urnas de 2022. Mesmo que por apenas 1,8 ponto de diferença nos votos válidos.

Com Gleisi Hoffman alçada ao ministério das Relações Institucionais, o governo Lula 3 parece mais um Dilma 2 e ½ na fórmula: controlar preços artificialmente e abrir a porteira dos gastos públicos. No vale-tudo para jogar dinheiro na rua, estimular o consumo e tentar seduzir o eleitor perdido. Exatamente como Bolsonaro fez e quase conseguiu em 2022.

Na dúvida sobre quem subirá a rampa do Palácio do Planalto em 1º de janeiro de 2027, a certeza: 2026 promete. Quando, no lugar de carta fora do baralho, mesmo se condenado e preso, Bolsonaro pode ser o coringa que espera no morto. Como foi para Wladimir Garotinho (PP) se reeleger prefeito de Campos no 1º turno de 2024. E Rodrigo Bacellar busca para ter chance a governador em 2026.

 

Página 3 da edição de hoje da Folha da Manhã

 

 

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Reitor e diretora da UFF no Folha no Ar desta sexta

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Professores, o reitor da UFF, Antonio Claudio da Nóbrega, e a diretora da UFF-Campos, Ana Maria da Costa, são os convidados do Folha no Ar desta sexta (14), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3.

Antonio Claudio e Ana falarão da história e da inauguração do novo prédio da UFF-Campos, cuja inauguração foi transferida de 17 de março, na próxima segunda, para 10 de abril, com a possibilidade de presença do presidente Lula (PT). Os dois tambem analisarão o papel da educação pública no Brasil e dos ataques políticos que as universidades têm sofrido dentro e fora do país.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta sexta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook e no YouTube.

 

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As variáveis da equação de Rodrigo Bacellar a governador

 

Rodrigo Bacellar e Jair Bolsonaro, Eduardo Paes, Flávio Bolsonaro, Cláudio Castro, Benedita da Silva, Washington Reis e Thiago Pampolha (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

A aposta de Bacellar a governador

“Desde 2014, quem larga na frente nas pesquisas, perde a eleição para governador do RJ. Em 2014, Garotinho e Crivella largaram na frente. Pezão venceu. Em 2018, Paes largou na frente. Witzel venceu. Em 2022, Freixo largou na frente. Castro venceu”. É com essa lógica que opera a pré-candidatura de Rodrigo Bacellar (União), presidente da Alerj, a governador em 2026.

 

Paes lidera pesquisas

Bacellar esteve (confira aqui) com Jair Bolsonaro (PL), em Angra dos Reis, na Quarta-Feira de Cinzas da semana passada. Com 2% de intenção de voto a governador na pesquisa Quaest, divulgada dia 27, o político de Campos busca a popularidade do ex-presidente (confira aqui) para tentar decolar. Enquanto o prefeito carioca Eduardo Paes (PSD) tem 29% a governador — 27 pontos a mais.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Votos de Bolsonaro e Flávio

A pesquisa Quaest trouxe outro dado relevante: 64% do eleitorado desaprovam o governo Lula (PT), aliado de Paes. Também reflexo disso, o senador Flávio Bolsonaro (PL), filho 01 do capitão, teve 20% de intenção de voto a governador.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Extrema direita mira Senado contra STF

Flávio está em 2º lugar a governador, atrás apenas de Paes, na pesquisa Quaest. No entanto, com Bolsonaro denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por tentativa de golpe de Estado no Supremo Tribunal Federal (STF), talvez interesse mais à extrema direita reforçar em 2026 sua bancada no Senado. Que é onde o STF pode ser constitucionalmente enfrentado.

 

A despeito de Flávio?

“Tem outro fator pesando muito nos bastidores: Rodrigo tentou ir a Jair através de Flávio e não teve sucesso. Ele deu a volta e foi através de Gutemberg Fonseca, o que fez Flávio ficar muito irritado e abrir outras conversas”, disse uma fonte que conhece bem os bastidores da política fluminense, ligada ao grupo dos Garotinho.

 

Juntos e misturados?

No grupo de Rodrigo, não há notícia de rusgas com Flávio. Tanto com ele quanto com o vereador carioca Calos Bolsonaro (PL), a relação de Bacellar seria boa. E foi Flávio quem indicou Gutemberg a secretário de Defesa do Consumidor do governo Cláudio Castro (PL).

 

Bené e Washington Reis

Atrás de Paes e Flávio na pesquisa Quaest a governador em 2026, e à frente de Rodrigo, ficaram a deputada federal Benedita da Silva (PT), com 7% de intenção de voto; e o ex-prefeito de Duque de Caxias, Washington Reis (MDB), com 5%. Bené deve caminhar com Paes. Enquanto Washington está condenado por inelegibilidade no STF até 2026.

 

Flávio Dino no STF

Na sexta (7), Washington não teve boa notícia à pretensão de disputar mandato eletivo em 2026. Relator do seu caso no STF, por crime ambiental num loteamento quando era prefeito de Caxias, o ministro Flávio Dino votou contra o recurso do político da Baixada Fluminense. Que também é secretário estadual de Castro, na pasta de Transportes.

 

Baixada Fluminense na Alerj

Caxias tem o segundo eleitorado do estado, atrás apenas do município do Rio. Por isso o apoio de Washington, aliado de primeira hora dos Bolsonaro, é disputado para 2026. Tanto por Paes, quanto por Bacellar. Que, reeleito à presidência da Alerj, manteve o também deputado estadual Rosenverg Reis, irmão de Washington, na 1ª secretaria da Casa Legislativa.

 

A variável Pampolha

Político que tem na capacidade de articulação a sua maior virtude, Bacellar trabalha, além da popularidade dos Bolsonaro no RJ e dos Reis na Baixada, com outras variáveis da equação. Uma das principais é o vice-governador Thiago Pampolha (União).

 

Com a máquina do RJ na mão?

É dado como certo que Castro se desligará do cargo de governador até o prazo de 6 meses antes do pleito de 4 de outubro de 2026, para se candidatar a senador, na 2ª vaga de Flávio, ou a deputado federal. Se Pampolha também saísse, Bacellar se candidataria a governador já no cargo, com a máquina na mão. O que pesaria tanto ou mais que o apoio de Bolsonaro.

 

Daqui não saio?

Quem conhece a política fluminense, mas trabalha na oposição a Bacellar, diz que Pampolha é a encarnação da marchinha “Daqui não saio, daqui ninguém me tira”. Quem conhece a política fluminense e trabalha com Bacellar, aposta que o vice-governador só está valorizando o passe.

 

Plano B é o TCE

Quem também conhece a política do estado, mas consegue se dar bem com Bacellar, Paes e os Garotinho, analisou a pré-candidatura do primeiro a governador: “Seria um adversário muito forte. Não acredito que seja e talvez opte pelo TCE. Mas fez certo em apostar na polarização (Bolsonaro x Lula) e lançar o nome. O problema é unir a direita. Parte dela irá para Paes”.

 

“Apoio de Bolsonaro é fundamental”

Em meio a tantas fontes íntimas da política fluminense que preferiram preservar o sigilo, uma assumida a olhar o RJ das Minas Gerais: “Com certeza, o apoio de Bolsonaro é fundamental para as pretensões de Bacellar, visto que o bolsonarismo tem se mostrado mais fiel que o lulismo”, avaliou o jornalista Sebastião Carlos Freitas, ex-editor-geral da Folha.

 

Os exemplos de Lula

“A Paes, até o momento confortável com os números da Quest, o trabalho é unir forças do centro e da esquerda, a exemplo do que Lula fez ao ter como vice Alckmin. Mesmo se condenado e preso, Bolsonaro continuará forte, também a exemplo de Lula. Que, mesmo preso, quase elegeu Haddad presidente em 2018”, lembrou o mineiro Sebastião.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Flamengo vence Vasco de virada e vai à final do Carioca

 

 

O Flamengo não venceu o Vasco de virada, por 2 a 1, apenas pela superioridade financeira do clube e técnica do seu elenco. Foi também bem superior na parte física, sobretudo no segundo tempo. O que marca outra grande diferença positiva entre o jovem e promissor técnico Filipe Luís e seu antecessor, Tite, treinador do Brasil nas duas últimas Copas do Mundo.

O Vasco abriu o placar aos 22 minutos, com gol de oportunismo do português Nuno Moreira, bom reforço do time. Mas Bruno Henrique, sempre ele, empatou ainda no 1º tempo, em lance que gerou reclamação sobre linha de impedimento. O fato é que foi o 11º gol que o veterano atacante, com saúde de garoto e sempre decisivo nos clássicos, marcou no Cruzmaltino.

O gol que definiu a partida, aos 24 do 2º tempo, foi um belo lance individual de Luiz Araújo. Que driblou três marcadores vascaínos antes de vencer o goleiro Léo Jardim. Ele e outros jovens valores do Flamengo, como o equatoriano Plata, que fez outro bom jogo, mostra como o time passa a depender menos dos seus remanescentes de 2019.

Agora, se der a lógica amanhã, no Fluminense e Volta Redonda que goleou por 4 a 0 no 1º jogo da outra semifinal, teremos outro Fla-Flu na final do Carioca. E o Tricolor das Laranjeiras é o time para quem o da Gávea é freguês em finais, mesmo que tenha mais títulos, dinheiro, elenco, torcida e vitórias em jogos normais. A ver.

 

 

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“Ainda Estou Aqui” fez história ao cinema e cultura do Brasil

 

Walter Salles, no Oscar, e Fernanda Torres, no Globo de Ouro, ganharam prêmios até então inéditos ao cinema brasileiro com “Ainda Estou Aqui” (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

“Ainda Estou Aqui” desde a estreia

“Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles, foi lançado nos cinemas brasileiros em 7 de novembro. Nos dias 13, 16 e 20 daquele mês, o filme foi analisado, respectivamente, por três críticos de cinema na Folha da Manhã: Felipe Fernandes (aqui), Aluysio Abreu Barbosa (aqui) e Arthur Soffiati (aqui).

 

Produtora de Campos

Os três críticos reconheceram na Folha, de cara, as virtudes do filme brasileiro. Que tem entre seus produtores a campista Maria Carlota Fernandes Bruno, parceira antiga de Walter. Em entrevista publicada na Folha (aqui) em 30 de novembro, ela projetou as chances ao Oscar.

 

Ineditismo no Globo de Ouro e Oscar

Em 6 de janeiro, Fernanda Torres ganhou (aqui) o Globo de Ouro de melhor atriz dramática — até então inédito ao cinema brasileiro. E, em 23 de janeiro, foram confirmadas as indicações (aqui) de “Ainda Estou Aqui” ao Oscar. Nas categorias filme — até então inédita ao cinema da América do Sul —, filme internacional e atriz, com Fernanda.

 

No domingo de carnaval

No final da noite do último dia 2, em pleno domingo de carnaval, veio o Oscar de filme internacional. Desejado e frustrado desde a indicação na mesma categoria de “O Pagador de Promessas”, de Anselmo Duarte, em 1963. Para ser celebrado em 2025, por todas as cidades do país, em meio à folia. Onírico, como tinha que ser em se tratando de arte e Brasil.

 

 

Frustração por Fernanda

Já na madrugada de segunda (3), ficou também a frustração pelo Oscar não levado por Fernanda. Que, além de uma soberba atuação no filme, fez tudo que tinha que fazer na campanha. Fluente ao dar entrevistas em inglês, espanhol, francês e italiano, levou ao mundo seu carisma já tão conhecido dos brasileiros.

 

Etarismo?

Para filme, não. Quem entende algo de cinema e Oscar, sabia que a indicação já era o prêmio. Mas a frustração a atriz foi maior porque a vencedora não foi Demi Moore, mulher madura como Fernanda, por sua atuação em “A Substância”, de Coralie Fargeat. Mas para Mikey Madison, de 25 anos, por seu papel em “Anora”, de Sean Baker, grande vencedor da noite.

 

Festa brasileira no México

Não foi a maior injustiça do Oscar, marcado por vencedores e perdedores imerecidos em seus 96 anos. Mas foi a primeira vez que o Brasil levou a estatueta. Que foi também comemorada no México. Porque o principal concorrente de “Ainda Estou Aqui” em filme internacional era “Emilia Pérez”, ambientação francesa do México bastante criticada pelos mexicanos.

 

Transmissão da TV Azteca, do México, faz festa para a vitória de “Ainda Estou Aqui” no Oscar de filme internacional

 

Do Brasil à Letônia 

Também derrotado por “Ainda Estou Aqui” em filme internacional, “Flow”, de Gints Zilbalodis, levou o Oscar de longa de animação. No qual bateu gigantes dos EUA na categoria, como Disney e Pixar. E, no poder mundial do cinema, também virou celebração popular na Letônia.

 

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Bacellar busca Bolsonaro contra Paes favorito a governador

 

Rodrigo Bacellar e Jair Bolsonaro, Eduardo Paes e Lula (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Bacellar com Bolsonaro

Se quer mesmo ser candidato a governador do RJ contra o prefeito carioca Eduardo Paes (PSD) em 2026, o deputado estadual campista Rodrigo Bacellar (União), presidente da Alerj, deu um passo significativo na Quarta-Feira de Cinzas. Quando foi (confira aqui e aqui) a Angra dos Reis se encontrar com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em busca do seu apoio.

 

Paes favorito a governador

A 1 ano e 7 meses da urna de 6 de outubro de 2026, Paes é favorito em todas as pesquisas até aqui a governador. Na última, divulgada no dia 27 e feita pelo instituto Quaest, entre os mais conceituados do país, o prefeito do Rio liderou a governador com 29% de intenção de voto.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Os demais na corrida

Fora da margem de erro de 3 pontos para mais ou menos, o senador Flávio Bolsonaro (PL) ficou em 2º a governador, com 20%. Foi seguido da deputada federal Benedita da Silva (PT), com 7%; do secretário estadual de Transporte e ex-prefeito de Caxias, Washington Reis (MDB), com 5%; e de Bacellar, com 2%. À frente da vereadora carioca Monica Benicio (Psol), com 1%.

 

Bolsonaro x Lula no RJ

A distância entre Paes e Bacellar a governador, hoje, é imensa: 27 pontos. Para tentar diminuí-la, o apoio de Bolsonaro seria fundamental ao político de Campos. Não só pelo que poderia herdar dos 20% de intenção de Flávio, filho do capitão. Mas porque o prefeito do Rio é aliado do presidente Lula (PT), em queda livre em todas as pesquisas nacionais.

 

Lula mal no RJ (I)

Lula teve 43,47% dos votos válidos do Estado do Rio no 2º turno presidencial de 2022, contra 56,53% de Bolsonaro. Dois anos e dois meses depois, Lula ampliou essa desvantagem regional. Na mesma Quaest de fevereiro, o atual Governo Federal teve entre os fluminenses apenas 35% de aprovação, contra expressivos 64% de desaprovação.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Lula mal no RJ (II)

Comparado o resultado eleitoral de outubro de 2022 no RJ com a pesquisa Quaest de fevereiro de 2025, Lula caiu 8,47 pontos entre voto e aprovação de governo. Como cresceu 7,47 pontos de rejeição entre o eleitor fluminense. Para cima e para baixo, são quase os mesmos números.

 

Esconde e mostra

Se essa tendência se mantiver ou agravar, a despeito dos 7% na Quaest que poderia herdar da petista Benedita, Paes precisará esconder Lula na sua campanha a governador. Enquanto Bacellar teria no possível apoio de Bolsonaro, e na tentativa de espelhar a polarização política nacional no RJ de 2026, seu maior cabo eleitoral.

 

Bolsonaro preso?

Inelegível, se Bolsonaro for condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e preso por tentativa de golpe de Estado, isso pode tirar o peso eleitoral do seu apoio em 2026? Pode! Como pode, a exemplo de Lula preso em 2018 para se eleger presidente em 2024, aumentar a popularidade pela martirização.

 

Castro mal no RJ

Conhecido pela capacidade de articulação, Bacellar precisará de todo apoio que conseguir. Não só para tentar tirar a grande vantagem de Paes, como para superar outro obstáculo apontado na Quaest: 52% dos fluminenses acham que o governador Cláudio Castro (PL), aliado do presidente da Alerj, não merece eleger seu sucessor. Apenas 39% acham que merece.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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“Ainda Estou Aqui” após o Oscar no Folha no Ar desta 2ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

O historiador e crítico de cinema Arthur Soffiati, o cineasta e crítico Felipe Fernandes e o cineasta Carlos Alberto Bisogno são os convidados do Folha no Ar desta segunda (3), após a entrega do Oscar na noite de hoje (2), no domingo de carnaval.

Eles falarão sobre o projeto do Festival Internacional de Cinema de Campos (confira aqui) programado para agosto e a possibilidade (confira aqui) da criação de um curso de cinema na Uenf, que constava do projeto inicial da universidade nos anos 1990 e foi depois abandonado.

Soffiati, Felipe e Bisogno também analisarão os resultados do Oscar nas principais categorias. Sobretudo as três que o longa brasileiro “Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles, concorrem: filme,  filme internacional e Fernanda Torres como atriz principal.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta sexta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook e no YouTube.

 

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Brasil em clima de Copa do Mundo com “Ainda Estou Aqui”

 

Filme de Walter Salles baseado em romance homônimo de Marcelo Rubens Paiva, “Ainda Estou Aqui” disputa neste domingo o Oscar de filme, filme internacional e atriz, com Fernanda Torres

 

Desde 23 de janeiro, quando foram divulgados os indicados ao Oscar, com “Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles, concorrendo a filme, filme internacional e atriz com Fernanda Torres, o clima no Brasil é de Copa do Mundo. A indicação a melhor filme, junto aos de língua inglesa, é a primeira do cinema da América do Sul nos 96 anos de história do Oscar. Mas onde “Ainda Estou Aqui”, que tem como produtora a campista Maria Carlota Fernandes Bruno, estará na entrega do maior prêmio de Hollywood, na noite deste domingo (2) de carnaval?

A maior chance do longa brasileiro, baseado em uma história real que revela a crueldade homicida da nossa última ditadura militar (1964/1985), é na categoria de filme internacional. Onde seu principal concorrente, o filme francês “Emilia Pérez”, em ambientação no México bastante criticada pelos mexicanos, tem sofrido reveses com declarações xenófobas do seu diretor, Jacques Audiard, e da sua protagonista, a atriz espanhola trans Karla Sofía Gáscon. Que também concorre com Fernanda Torres como atriz, categoria que tem a estadunidense Demi Moore, por sua atuação em “A Substância”, de Coralie Fargeat, apontada como favorita.

Fernanda Torres com seu Globo de Ouro de melhor atriz dramática

Entre torcida e projeções realistas, com base em todas as premiações mais importantes anteriores ao Oscar, incluindo o Globo de Ouro de Fernanda como atriz dramática, o que se pode esperar da premiação na noite de amanhã? No maior prêmio da indústria cinematográfica que tem como característica a surpresa, com injustiças históricas entre vencedores e perdedores?

Para tentar responder a essas perguntas, o programa Folha no Ar de ontem (28), na Folha FM 98,3, ouviu o cineasta, produtor e doutorando em sociologia da Uenf, Fernando Sousa; a médica e cinéfila Bárbara Gazineu; e o estudante de letras e crítico de cinema Lucas Barbosa. Como entrevistará no programa de segunda (3), já com os resultados do Oscar, o historiador e crítico de cinema Arthur Soffiati, o cineasta e crítico de cinema Felipe Fernandes e o cineasta Carlos Alberto Bisogno. À Folha Dois, estes três últimos anteciparam seus palpites:

Arthur Soffiati

— Como os festivais dos Estados Unidos são muito contaminados por formas de compensação e de ficar bem com todos, temo que se entenda Fernanda Torres como já contemplada como melhor atriz (dramática) no Globo de Ouro. Chance real, ela tem, mas, pelo sistema de compensação, o Oscar de melhor atriz pode ir para Karla Sofía Gáscon, de “Emilia Pérez”, ou para Demi Moore, de “A Substância”. “Ainda Estou Aqui” pode ser compensado como o melhor filme internacional — projetou Arthur Soffiati.

Felipe Fernandes

— Com suas 13 indicações ao Oscar e prêmios em outras competições importantes, era esperado que “Emilia Pérez” fosse o grande favorito na categoria filme internacional, situação que vem caindo pelas polêmicas envolvendo alguns de seus realizadores. Com seu lançamento em diversos mercados ao redor do mundo, obtendo números excelentes, “Ainda Estou Aqui” chega forte na briga e para muitos, inclusive, para mim, se tornou o favorito da categoria. O Brasil nunca esteve tão perto do seu primeiro Oscar. Na categoria de atriz, a movimentação pelo prêmio de Fernanda Torres é imensa. Elogiada mundo afora, sua impressionante atuação chega com justiça entre as indicadas, mas não deve levar o prêmio. Hollywood adora histórias de atores/atrizes que passam anos no segundo escalão e ressurgem em alguma obra com destaque no Oscar. Foi assim com Brendan Fraser em 2023 e muito provavelmente será com Demi Moore em 2025 — comparou Felipe Fernandes.

Carlos Alberto Bisogno

— “Ainda Estou Aqui” tem boas chances na categoria filme internacional, mas enfrenta forte concorrência, especialmente do francês “Emilia Pérez”, que venceu o Globo de Ouro e outros prêmios importantes. No entanto, as controvérsias em torno desse filme podem favorecer o longa brasileiro. Outros concorrentes, como “Flow”, da Letônia, e “A Semente do Fruto Sagrado”, da Alemanha, também são bem cotados. Para atriz, Fernanda Torres é uma das favoritas. Sua performance foi amplamente elogiada, e ela já venceu o Globo de Ouro e o Satellite Award. No entanto, enfrenta forte concorrência de Demi Moore, por “A Substância”, cuja atuação também tem sido muito destacada — antecipou Carlos Alberto Bisogno.

Lucas Barbosa

— Estou otimista em relação ao Brasil no Oscar. Nas três categorias (em que “Ainda Estou Aqui” foi indicado), a mais provável de ganhar é filme internacional. Eu boto minha mão no fogo que a gente vai levar esse Oscar. O outro grande candidato, que era “Emilia Pérez”, perdeu muita força. Não só por conta dos tuítes da Karla Sofía Gáscon sobre questões delicadas (islamofobia, xenofobia e racismo), mas pelos tuítes que ela fez sobre a Academia, sobre a própria premiação do Oscar (criticando sua diversidade). Isso pegou mal entre os votantes. Quando “Ainda Estou Aqui” foi indicado a melhor filme, acendeu uma luz: o Brasil vai levar o prêmio de melhor filme internacional. O prêmio de melhor atriz, realmente, é mais difícil. Demi Moore é a franca favorita — disse Lucas Barbosa ontem no Folha no Ar.

Bárbara Gazineu

— Assisto ao Oscar há muitos anos e ele é sempre imprevisível, mas este de 2025 é especial. A Academia, depois de muita crítica, ampliou muito o quadro de votantes e a ala internacional desses votantes. Acho que o Brasil já fez história. A última indicação (a filme internacional) do país foi em “Central do Brasil”, em 1999. E nunca um filme brasileiro (e sul-americano) foi indicado a melhor filme. Das três indicações (de “Ainda Estou Aqui”), acho que a mais provável é filme internacional. Embora esses incêndios em Los Angeles tenham ampliado o tempo de votação e a Fernanda Torres apareceu. Até dezembro, ela não era nem conhecida. E ela foi aparecendo, ganhou o Globo de Ouro (de atriz dramática), que deu muita visibilidade. Ela tem dado muita entrevista, é muito carismática. Mas acho que este é o ano da Demi Moore, ela é a superfavorita, ganhou a maior parte dos prêmios — lembrou Bárbara Gazineu na Folha FM.

Fernando Sousa

— Sou otimista e acredito na força de Fernanda Torres, na força dela no filme. Essa cena da sorveteria (sem diálogos, só com a expressão facial e corporal da atriz, após a personagem saber que seu marido foi assassinado pela ditadura), ela pega. É a câmera, a narrativa está na câmera, na fotografia, no olhar, nas sutilezas dos gestos; está tudo ali. Por essa cena “Ainda Estou Aqui” já merece o prêmio. O filme tem um apelo muito contemporâneo, é um drama que não é somente brasileiro, é o drama das eleições da Alemanha (do último da 23, onde a extrema direita teve sua maior votação naquele país desde as eleições de 1932, que levaram os nazistas e Adolf Hitler ao poder), do recrudescimento desse autoritarismo. E “Ainda Estou Aqui” tem uma sacada sobre isso com a história de uma família. Que é uma família brasileira, mas poderia ser de qualquer outro lugar sob regime autoritário. Acredito muito no (Oscar de) filme internacional. E acho que Fernanda Torres pode surpreender muito positivamente. Estamos na briga. Estamos muito bem na briga — apostou Fernando Sousa no Folha no Ar.

 

Capa da Folha Dois da edição de hoje da Folha da Manhã

 

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Carlos Augusto de Alencar — Como as Democracias sobrevivem?

 

Cartaz do partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AFD), que tem 20% de neonazistas entre seus filiados, pichado pelo movimento que gerou o “cordão sanitário” parlamentar antifacista (Foto: Kirill Kudryavtsev/AFP)

 

 

Carlos Augusto Souto de Alencar, professor de geografia, escritor e acadêmico de letras

Como as Democracias se defendem (ou sobrevivem)?

Por Carlos Augusto Souto de Alencar

 

Ao ler a análise intitulada “Com o avanço da extrema direita, o que esperar da Alemanha?”, assinada pelo jornalista Aluysio Abreu Barbosa e publicada no blog Opiniões, no último dia 24, me veio a reflexão. Há um livro chamado “Como as Democracias morrem”, muito importante para se entender o que ocorre no mundo atual, de autoria de Steven Levitsky e Daniel Ziblatt, lançado no Brasil pela editora Zahar. Talvez seja o caso de pensarmos como elas se defendem.

O sistema de governo é um dos fatores mais importantes para se avaliar as formas como as Democracias podem se proteger dos ataques que hoje partem, quase exclusivamente, de um movimento internacionalizado de extrema direita. E, como bem sabemos, os dois sistemas de governo existentes nas Democracias são, basicamente, o parlamentarismo e o presidencialismo.

O parlamentarismo parece funcionar melhor que o presidencialismo. Claro, os nazistas chegaram ao poder e a Alemanha já era parlamentarista. Porém, creio que, ao menos hoje, ele parece resistir bem com a tática dos “cordões sanitários”. Que, na Alemanha e na França, por exemplo, estão conseguindo isolar e conter os extremistas. Mesmo que as votações na extrema direita só cresçam a cada eleição. Mas quero acreditar que elas, em determinado momento, atinjam seu teto entre 30% e 35%.

O fato é que, no parlamentarismo, será preciso sempre negociar para se governar e isso parece conter o extremismo. Tanto que Giorgia Meloni, por mais que seja claramente extremista, não conseguiu implementar um regime ditatorial na Itália. Pode-se argumentar que isso é uma tática para fazer com que as pessoas se acostumem com o extremismo e aceitem um futuro governo radicalizado. Sugiro uma pesquisa sobre a chamada “Janela de Overton”, que descreve o conjunto de ideias suportadas pela população no discurso público.

Por outro lado, também se pode alegar que o poder desgasta. O que pode fazer com que, no futuro, os extremistas caiam na vala comum e percam a força de seu discurso. “O poder tende a corromper, e o poder absoluto corrompe absolutamente”, como preconizou o historiador britânico John Emerich Edward Dalberg-Acton, mais conhecido como Lord Acton, (1834/1902).

E o presidencialismo? Nessa hora eu olho para o Brasil e para os Estados Unidos. Como tivemos ditaduras em períodos lamentavelmente longos em nossa História, fizemos a Constituição de 1988 com instrumentos legais de proteção à Democracia. Os Estados Unidos, por não terem conhecido ditaduras, não têm dispositivos constitucionais semelhantes. Então acontece uma coisa interessante.

O Brasil defende bem a Democracia, com problemas, porém consegue, no que se refere ao arcabouço legal. Já os Estados Unidos têm uma Democracia avançada em várias outras esferas, mas peca justamente nesse item.

Se pensarmos em uma armadura completa, o Brasil usa um elmo que protege a cabeça enquanto o resto do corpo apanha sem proteção. Já os Estados Unidos têm a armadura quase completa. Mas falta proteger a cabeça.

O fato é que, no presidencialismo, é muito mais fácil implementar a tão danosa polarização, tão conveniente para os extremistas. Implementar o parlamentarismo no Brasil resolveria a questão? Bom, se os partidos fossem fortes, sim. O certo seria fortalecer os partidos primeiro. O problema é que implementar parlamentarismo, com partidos sem compromisso ideológico ou programático, seria abrir caminho para uma desestabilização que interessaria muito aos extremistas.

Isso deveria ter sido feito lá, na promulgação da Constituição de 1988, de forte teor parlamentarista. Só que no plebiscito de 1993, entre presidencialismo e parlamentarismo, o primeiro venceu por larga margem de voto popular. No futuro, o tema pode ser revisitado, quando o risco à Democracia tiver diminuído. Isso, claro, se diminuir — quero acreditar nisso.

O que se faz hoje, não pelos motivos certos, é diminuir o poder do Executivo e aumentar o do Legislativo. Não só para aumentar o controle deste sobre verbas públicas, mas, também, para enfrentar o Judiciário. Que teve seu poder aumentado, pela própria omissão do Legislativo. Por este, ironicamente, se preocupar muito mais com o controle orçamentário do que com sua função precípua que é, vejam só, legislar.

Existem críticas à atuação do Poder Judiciário, algumas até bem embasadas, outras apenas manifestações de ódio com base apenas em fanatismo. Mas não se pode negar que, ao defender a Constituição Cidadã, o Judiciário tem sido fundamental à manutenção da Democracia no Brasil. E que, por isso, é alvo de ataques incessantes de extremistas, principalmente nos meios digitais. Onde, por falta de regulação que deveria vir, vejam só, do Legislativo, prosperam crimes e ilegalidades. Que, no mundo real, gerariam prisões e outras punições.

Na verdade, se pensarmos mais a fundo, quem está se defendendo é a própria Constituição Cidadã. Através do Judiciário e das demais instituições e indivíduos que a prezam e que reconhecem seu caráter humanista.

A verdade é que só os pouco informados ou os que praticam desonestidade intelectual negam: a luta do mundo hoje não é sobre direita e esquerda. E os parlamentares europeus, em geral, parecem ter percebido isso claramente. A luta hoje é entre os que defendem a Democracia e os que defendem ditaduras.

Se assim não fosse, como explicar que países governados por “comunistas” estejam associados geopoliticamente a países governados por oligarcas e por outros governados de forma teocrática. Todos estes contra países governados por conservadores, liberais ou progressistas que são democráticos?

“A Democracia é o pior dos regimes, excetuando-se todos os outros”. É a definição de um grande defensor da Democracia mundial, Sir Winston Churchill (1874/1965). Sim, ele era de direita…

 

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Chances de “Ainda Estou Aqui” ao Oscar no Folha no Ar desta 6ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

O cineasta e produtor Fernando Sousa, a cinéfila e médica Bárbara Gazineu e o crítico de cinema e estudante de Letras Lucas Barbosa são os convidados para o Folha no Ar desta sexta (28), último antes da noite de entrega das estatuetas do Oscar neste domingo (2) de carnaval. Eles falarão sobre o projeto do Festival Internacional de Cinema de Campos (confira aqui) programado para agosto e a possibilidade (confira aqui) da criação de um curso de cinema na Uenf, que constava do projeto inicial da universidade.

Fernando, Bárbara e Lucas também analisarão, entre torcida e perspectiva real, as chances do longa brasileiro “Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles, para o Oscar de filme e filme internacional, além de Fernanda Torres como atriz principal. Como os demais principais prêmios do maior festival de cinema de Hollywood.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta sexta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook e no YouTube.

 

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Com avanço da extrema direita, o que esperar da Alemanha?

 

Jornalista e ex-colega do curso de jornalismo na Fafic, a Silvana Venâncio, de Bom Jesus do Itabapoana, me pediu uma análise das eleições parlamentares ontem (23) da Alemanha, locomotiva econômica (patinando sobre os próprios trilhos em dois anos de recessão) da União Europeia. O que só me arrisquei a fazer após trocar algumas impressões com o campista Roberto Dutra, sociólogo e professor da Uenf que cursa pós-doutorado na Alemanha, país onde já tinha residido. E domina seu idioma, política, economia e cultura.

Na expectativa da eleição germânica do último domingo e seus desafios, num mundo em que o equilíbrio ocidental do pós-II Guerra tem sido entortado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, Roberto já havia publicado, em seu blog no Folha1 e na edição de sábado (22) da Folha da Manhã, o artigo “Pra onde vai a Alemanha?”. Cuja leitura, aqui e aqui, recomendo.

Encerrado o pleito e contabilizados seus votos, dentro do sistema parlamentar em que a Alemanha é referência ao mundo, vamos, por partes, a alguns pontos. Com lições didáticas à revisão aos dogmas de fé de “esquerda” ou “direita” nesta nossa zona periférica do “Extremo Ocidente” — como o ex-presidente do Brasil Fernando Henrique Cardoso, outro sociólogo, classificou um dia a América do Sul.

 

Bundestag, Parlamento da Alemanha

 

1 – O chanceler da Alemanha egresso das urnas será o conservador Friedrich Merz. Líder da aliança União Democrata Cristã (CDU) e União Social Cristã (CSU), que cresceu 4,4 pontos da eleição anterior de 2021 para fazer em 2025 28,60% dos votos, ou 208 das 630 cadeiras que compõem o Bundestag, Parlamento alemão. No qual Merz terá que compor com outros partidos para formar maioria. Até que o faça, Ofaf Scholz deve se manter interinamente no poder, abreviado com a eleição de ontem após perder a maioria.

 

2 – Com a má avaliação à gestão Scholz, seu Partido Social Democrata (SPD) perdeu 9,3 pontos entre 2021 e 2025. E conquistou no domingo 16,40% dos votos, ou 120 cadeiras, passando de 1ª à 3ª força do Bundestag. É a maior derrota socialdemocrata da história eleitoral alemã. Ainda assim, o SPD deve ser o fiel da balança para o CDU de Merz conseguir maioria.

 

3 – Isolado pelo chamado “cordão sanitário” dos partidos convencionais nas alianças parlamentares, o Alternativa para a Alemanha (AfD) cresceu impressionantes 10,4 pontos entre as eleições de 2021 e 2025. Literalmente, dobrou de tamanho e, com 20,8% dos votos populares, fez 152 cadeiras no Bundestag, onde terá a 2ª maior bancada. É o mais perto que a extrema direita chegou do poder na Alemanha em quase 93 anos. Desde que as eleições parlamentares de julho de 1932 deram ao Partido Nacional-Socialista (Nazista, na corruptela) de Adolf Hitler a maior bancada do Reichstag (Bundestag, a partir de 1945), com 230 cadeiras. Em 2025, o Departamento Federal de Proteção da Constituição (BfV), serviço de inteligência doméstica da Alemanha, estima que 20% dos membros da AfD são neonazistas.

 

4 – É consensual entre historiadores e militares que foi o esforço combinado dos EUA e da antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS, cuja grande herdeira atual é a Rússia), em duas frentes, que derrotou por esgotamento a Alemanha Nazista na II Guerra Mundial (1939/1945). Oitenta anos depois, as coisas parecem ter se invertido na eleição de ontem. Na qual a AfD contou com o apoio declarado dos EUA de Donald Trump — do seu vice, J.D. Vance, e do dublê de bilionário sul-africano e seu chefe do Departamento de Eficiência Governamental, Elon Musk — e da Rússia de Vladimir Putin.

 

5 – As aparentes ironias do destino a erodir estereótipos entre esquerda e direita não param no apoio dos EUA e da Rússia de hoje a quem se uniram para derrotar na II Guerra. Se a eleição de domingo fosse só na antiga Alemanha Oriental, ditadura comunista tutelada pela URSS que durou de 1949 até a reunificação do país em 1990, após a queda do Muro de Berlim em 1989, a AfD sairia vencedora das urnas de 2025. Foram os eleitores da capital Berlim e, sobretudo, da antiga (e capitalista) Alemanha Ocidental que ontem impediram a vitória eleitoral da extrema direita.

 

6 – A inversão dos estereótipos vai além. No lugar de um artista plástico frustrado por ter sido rejeitado duas vezes na Academia de Belas Artes de Viena, que declarou guerra ao modernismo e considerava as mulheres alemães como úteros de produção à raça ariana, como foi Hitler, a AfD é comandada por uma analista de investimentos com PhD em economia na China: Alice Weidel, neta de um juiz nazista. Apesar de o seu partido celebrar a família tradicional, ser radicalmente contra a imigração e nacionalista, Weidel é lésbica assumida e casada com uma imigrante do Sri Lanka, produtora de cinema. Com quem tem dois filhos e vive a maior parte do tempo na Suíça.

 

7 – Os desafios do novo governo Merz, assim que for formado, não serão poucos.“Os temas principais serão imigração, decadência econômica do modelo fordista exportador de máquinas e segurança externa, com o realinhamento geopolítico (na aliança entre os EUA de Trump e a Rússia de Putin para isolar a Europa e tentar resolver a Guerra da Ucrânia em termos favoráveis ao país invasor). É muita coisa para um governo fazer. Pior ainda seria o cenário se o governo começasse e não acabasse, como foi o caso agora de Scholz. Eu diria que (o futuro governo Merz) é a última chance que o establishment político alemão, CDU e SPD, tem. Governar de uma maneira surpreendente, assumir riscos que nunca foram necessários desde o pós-II Guerra, para frear o crescimento da extrema direita, da AfD, à condição de 1º partido”, ponderou Roberto Dutra após o resultado das urnas alemãs.

 

8 – Merz sucederá a Scholz, provavelmente com seu apoio parlamentar e que, por sua vez, sucedeu a Angela Merkel, após esta comandar a Alemanha por 16 anos. Socialdemocrata do SPD, Scholz está à esquerda de Merkel e Merz, que disputaram o poder no conservador CDU e na sucessão da liderança de Helmut Khol, chanceler da Alemanha em sua reunificação. Foi a vitória interna no controle do partido, de Merkel sobre Merz, que afastou este temporariamente da vida política em 2009, até regressar em 2021. Advogado com experiência na iniciativa privada, não na administração pública, é mais conservador que Merkel. Tanto no controle da imigração quanto no abandono da energia nuclear por um país que ficou mais dependente do gás da Rússia.

 

9 – Ontem, antes mesmo dos resultados finais da eleição, o virtual novo comandante da Alemanha falou grosso ao responder à ameaça dos EUA de Trump deixarem a Europa e a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) entregues à própria sorte com a Rússia de Putin: “Minha prioridade absoluta será fortalecer a Europa o mais rápido possível para que, passo a passo, possamos realmente alcançar a independência dos EUA. Pelo menos desde as declarações de Donald Trump na semana passada, está claro que os americanos, ou pelo menos parte deles, neste governo, são amplamente indiferentes ao destino da Europa”.

 

10 – Conhecido também em português, há um provérbio alemão que diz: “Leichter gesagt als getan” (“Falar é uma coisa, fazer é outra”). A ver.

 

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Denúncia contra Bolsonaro pela PGR em contraditório

 

O jornalismo tem algo em comum com a democracia: só se faz com contraditório. Temporariamente afastado do jornalismo, abri ontem (19) uma exceção sazonal. Para tentar analisar, em seus aspectos jurídicos, éticos, políticos e eleitorais reunidos em 6 pontos, a denúncia da Procuradoria-Geral da República contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outros 33 suspeitos de envolvimento na suposta tentativa de golpe de Estado no Brasil.

Neste blog e nas redes sociais, o texto gerou (confira aqui, aqui e aqui) bom engajamento e comentários. Alguns, de simples manifestação descerebrada e passional de torcida. Que caracteriza a esquizofrenia da bipolaridade política brasileira e tanto aproxima o que de pior há no bolsonarismo e no lulopetismo. Outros, no entanto, de acréscimo dialético ao debate, sobretudo quando em contraditório.

Abaixo, em nome do bom debate sobre um tema grave, complexo e que ainda renderá bastante nos próximos meses, algumas dessas opiniões. Emitidas pela professora e ex-vereadora Odisséia Carvalho, presidente do PT de Campos; pelo advogado, ex-prefeito e ex-presidente da Câmara Municipal de Campos, Nelson Nahim; e pelo jornalista Sebastião Carlos Freitas, ex-editor-geral da Folha da Manhã:

 

Ex-presidente Jair Bolsonaro, procurador-geral Paulo Gonet, ministro Alexandre de Moraes, presidente Lula e o Supremo Tribunal Federal (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Odisséia Carvalho, professora, ex-vereadora e presidente do PT de Campos

Odisséia Carvalho — “O procurador-geral da República, Paulo Gonet, denunciou Bolsonaro e mais 33 aliados ao Supremo Tribunal Federal (STF) na noite de terça-feira (18), pelos crimes de organização criminosa, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado. Essa denúncia histórica leva o Partido dos Trabalhadores a fazer, mais uma vez, a defesa enfática da democracia, do Estado Democrático de Direito e a colocar um ponto final em qualquer tentativa de anistia aos golpistas.

A denúncia apresentada por Gonet mostra com muita habilidade como o golpe começou a ser tramado desde 2021, quando Bolsonaro ameaça não reconhecer os resultados eleitorais de 2022 e usa o desfile de 7 de setembro para atacar o STF. Além do já conhecido plano que envolveria o assassinato de Alexandre de Moraes, Geraldo Alckmin e do presidente Lula.

O nosso país não pode ser refém do golpismo que já desrespeitou resultados eleitorais tantas vezes ao longo da nossa história. Esse é um passo importante e didático para todos aqueles que ousarem desafiar a democracia brasileira. Sem anistia! Cadeia já!”

 

Nelson Nahim, advogado, ex-prefeito e ex-presidente da Câmara Municipal de Campos

Nelson Nahim — ”Como advogado e político não tenho dúvida que se o Bolsonaro quisesse de fato dar um golpe de Estado teria feito com a caneta na mão enquanto estava presidente. E mais, os atos de 8 de janeiro (de 2023) não podem ser considerados como tentativa de golpe contra o Estado de Direito; mas sim uma baderna, por sinal muito mal feita.

Condenar pessoas a 17 anos de prisão com esse argumento, aí, sim, fere de morte a nossa combalida democracia e tudo que estudei na nossa Faculdade de Direito de Campos 42 anos atrás”.

 

Sebastião Carlos Freitas, jornalista e ex-editor-geral da Folha da Manhã

Sebastião Carlos Freitas — “Infelizmente, nosso Brasil continua sendo de poucos.

Brigas pelo poder, povo sendo usado e nada de positivo.

Triste ver um Congresso tão ruim, parcialidade no Judiciário e Executivo na mão de deputados que fazem bem somente para seus próprios bolsos.

Acredito que este momento passa também pela educação sucateada de um país onde governantes querem o povo cada vez com menos conhecimentos, para assim não serem contestados diante de suas ações absurdas.

Qual o número de brasileiros deve saber o que é orçamento secreto?

Como lulista, eu talvez deveria estar feliz em saber que o golpista, aquele mesmo que debochou de pessoas que morriam de Covid. Mas o momento do Brasil não é de felicidade.

Como Kakay (advogado aliado de Lula que divulgou carta pública com críticas ao isolamento do presidente e ao seu atual governo), também não posso fechar os olhos para o momento vivido pelo governo Lula, mas ver políticos como o senador Cleitinho (Azevedo, REP) e o deputado Nikolas (Ferreira, PL), conterrâneos de minha querida Minas Gerais, representando o povo no Congresso Nacional, é algo que me envergonha como mineiro!”

 

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