William Passos — Pesquisas projetam lulismo de Pirro a 2026?

 

Lula e o general grego Pirro, que se opôs aos romanos na Itália, onde batizaria o termo “vitória de Pirro”, triunfo momentâno que causa perdas insustentáveis

 

 

William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE

Lulismo de Pirro?

Por William Passos

 

Na semana passada, o IBGE e o ministério do Trabalho divulgaram os números do mercado de trabalho. Os resultados são ótimos. Ao todo, o país gerou 576.082 empregos com carteira assinada somando janeiro e fevereiro. Nesse momento, o Brasil registra máxima histórica de trabalhadores com CLT, a renda média dos trabalhadores ocupados bate recorde, a informalidade recuou e o desemprego, em 6,8%, foi o menor para fevereiro em toda a história do país, desde que a taxa de desocupação começou a ser monitorada.

Entretanto, esses resultados não têm se refletido em melhoria da aprovação do governo Lula. Que, na medição (confira aqui) de terça-feira (01) da Latam Pulse, Bloomberg e AtlasIntel, com margem de erro de 1 ponto percentual para mais ou menos, caiu para 44,9% em março de 2025. É sua menor aprovação desde o início da medição em janeiro de 2024, quando a aprovação foi apurada em 51,2%.

Com alta confiabilidade e testada em diferentes países, esta metodologia inovadora, que coleta o humor do eleitorado através de técnicas estatísticas sofisticadíssimas, com tecnologia de ponta e baseada em big data, aferiu 53,6% de desaprovação ao terceiro mandato do sindicalista e metalúrgico Luiz Inácio Lula da Silva. Que é um dos símbolos da luta em favor da democracia e contra o Regime Militar do país, num contexto ainda de Guerra Fria, que dividia o mundo entre a influência ideológica e militar dos EUA e URSS.

A alta da desaprovação de um dos principais líderes populares da história recente da democracia da América Latina, politicamente forjado no ABC Paulista, uma das veias do coração da indústria de substituição de importações brasileira, também foi captada pela Genial/Quaest (confira aqui) de quarta-feira (02). Que, com entrevistas presenciais, o padrão-ouro das pesquisas de opinião, e margem de erro de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, dimensionou em 56% a insatisfação do eleitorado brasileiro.

Dessa reprovação, são 46% no Nordeste e 45% entre aqueles que ganham até dois salários mínimos, justamente as duas bases de sustentação da vitória apertada de Lula em 2022. Contra um capitão reformado do Exército simpatizante de autocratas e regimes de exceção.

Com o salário-mínimo necessário calculado pelo Dieese em R$ 7.229,32 (direito, em tese, assegurado pelo Artigo 7° da Constituição Federal de 1988), exatos R$ 5.711,32 a mais que os R$ 1.518,00 do salário-mínimo federal, o terceiro mandato de Lula é marcado por um carrinho de supermercado mais vazio para a classe trabalhadora. O café, item elementar da nutrição do brasileiro, acumula alta de 66,57% entre fevereiro de 2024 e fevereiro de 2025, em números corrigidos pelo INPC, do IBGE. O óleo de soja, outro item indispensável na cozinha, alcança 23,61% de aumento no mesmo período.

A despeito da promessa, na última campanha eleitoral, do acesso a picanha com cerveja, o preço médio das carnes foi a 21,52%, no acumulado dos últimos 12 meses medidos pelo IBGE, com os valores do sal e condimentos acumulando alta média de 12,04%. Ainda na cozinha, os mais pobres viram as aves e os ovos subirem 10,23%, com o preço do leite e derivados aumentando em 9,10%.

Outro item com impacto dramático no orçamento das famílias mais pobres com acesso a automóvel, o combustível acumulou alta de 11,26%, com o preço da gasolina elevando a 10,59%. O etanol, por sua vez, cada vez mais proibitivo, viu seu preço subir a 20,36%, enquanto o transporte por aplicativo, uma alternativa emergencial ao transporte público, viu seu preço acrescer em 17,77%.

Num país com uma classe trabalhadora geracionalmente diferente daquela dos anos 1980, muito menos sindicalizada, sonhando menos com os direitos da CLT e muito mais aberta ao trabalho por conta própria e ao microempreendedorismo individual, a inflação dos alimentos e o tamanho do carrinho dos supermercados continuam sendo fatores decisivos para a reeleição (ou não) de presidentes. Sejam eles de esquerda ou de direita.

O fenômeno, no entanto, ganha contornos internacionais quando são observadas outras democracias liberais organizadas em torno de economias de mercado pelo mundo. No epicentro do capitalismo, Joe Biden enfrentou um pico de inflação de 9,1% em junho de 2022, com a inflação dos alimentos ultrapassando os 25%, segundo o Bureau of Labor Statistics (BLS), secretaria de Estatísticas do Trabalho dos EUA.

A situação nos EUA levou muitos trabalhadores a se endividarem para comprar comida, inclusive democratas de longa data de estados importantes como a Pensilvânia. Como sabemos, aliada a outras razões, a pressão inflacionária levou a desistência de Biden no meio da campanha eleitoral, em favor de sua vice, Kamala Harris. Que sofreu uma dura derrota nas urnas para o ex (e agora também atual) presidente Donald Trump.

No Brasil, num contexto de desaprovação crescente do Lula 3, a inelegibilidade do ex-presidente Jair Bolsonaro cacifa o governador Tarcísio de Freitas ao Palácio do Planalto. Diretor-geral do Dnit no governo Dilma (2011 a 2015) e ministro da Infraestrutura de Bolsonaro (2019 a 2022), o perfil pró-entregas do carioca Tarcísio agrada às elites de São Paulo. Que anseiam pela retomada da agenda neoliberal interrompida desde o Lula I, mas ensaiada por Temer e Paulo Guedes, o ministro da economia de Bolsonaro.

A cerca de um ano e oito meses do fim do Lula 3, em sobrevoo raso, dois olhares de diferentes origens se alinham em voo de cruzeiro. Sob o olhar europeu do jornalista Philipp Lichterbeck, correspondente da DW radicado no Rio de Janeiro, o Brasil de Lula está (confira aqui) preso ao passado, travado por abordagens nostálgicas e ultrapassadas.

Sob os olhos do paulista de nascimento André Singer, filho de pai austríaco, o “sonho rooseveltiano” de erradicação da miséria e diminuição das desigualdades sociais, inspirado no 32º presidente dos EUA e que deu sentido ao “lulismo” — isto é, a criação, no curto espaço de alguns anos, de um país onde as maiorias pudessem levar uma “vida material reconhecidamente decente e similar” — pode não ter passado, na verdade, como o título do quinto capítulo do último livro da trilogia do autor, de “Uma vitória de Pirro”.

 

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Deputado Caio Vianna fecha a semana do Folha no Ar nesta 6ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Deputado federal de Campos, Caio Vianna (PSD) é o convidado para fechar a semana do Folha no Ar nesta sexta (04), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3.

Ele falará da sua aliança política com o prefeito Wladimir Garotinho (PP) em 2024, com quem disputou um acirrado 2º turno pelo governo de Campos em 2020, e analisará os três primeiros meses da segunda gestão no município.

Caio também falará da sua atuação por Campos e região na Câmara Federal, bem como do ambiente que nela sente para a proposta de anistia, tentada pela oposição, para a tentativa de golpe de Estado no Brasil entre 2022 e 2023.

Por fim, com base nas pesquisas e movimentação de bastidores, ele tentará projetar as eleições de 6 de outubro de 2026 a presidente (confira aqui, aqui, aqui e aqui), governador (confira aqui, aqui e aqui), senador e deputados.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta sexta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook e no YouTube.

 

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Apesar de queda, Lula à frente de Bolsonaro e outros 7 a 2026

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Apesar da erosão de popularidade em todas as pesquisas, Lula (PT) se reelegeria hoje no 2º turno da eleição presidencial em 2026. Numericamente, ainda que em empate técnico, ele ficaria à frente do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado à inelegibilidade até 2030. Que teria 40% de intenção de voto, contra 44% do presidente em um eventual 2ª turno.

Ainda assim, perguntados se o presidente deveria se candidatar à reeleição, 62% acham que não, com apenas 31% dizendo que sim. A rejeição que marcou a eleição presidencial de 2022, na qual Lula bateu Bolsonaro no 2º turno por apenas 1,8 ponto, continua presente para 2026: 44% dos eleitores tem mais medo da volta do capitão ao poder, contra 41% que temem mais a permanência do petista. Na rejeição, é outro empate técnico entre ambos.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Com mais vantagem e fora da margem de erro de 2 pontos para mais ou menos da pesquisa Quaest, cuja parte eleitoral só foi divulgada hoje, o petista também bateria outros sete pré-candidatos nas simulações do 2º turno para 2026. Entre eles, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL), o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (REP); e o influenciador digital Pablo Marçal (PRTB).

As duas partes da mesma pesquisa Quaest, feita com 2.004 eleitores entre 27 e 31 de março, foram divulgadas separadamente. Ontem, na de avaliação do governo, a tendência de queda de Lula em todas as pesquisas foi confirmada (confira aqui) na aprovação de 41%, contra a maioria dos 56% que hoje desaprovam. Mas, hoje, na parte eleitoral da pesquisa, o presidente teve 44% de intenção de voto, contra 38% de Michelle, em um eventual 2º turno de 2026.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Além de Jair, em empate técnico, e Michelle, Lula também ficou à frente de Eduardo Bolsonaro (45% a 34%), Tarcísio (43% a 37%) e Marçal (44% a 35%) na projeção do 2º turno presidencial da Quaest. No qual o petista também superou os governadores, respectivamente, do Paraná, Ratinho Júnior (PSD, por 42% a 35%); de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo, por 43% a 31%); e de Goiás, Ronaldo Caiado (União, por 44% a 30%).

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

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Quaest confirma queda livre de Lula em série de pesquisas

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Pré-candidato à reeleição em 6 de outubro de 2026, daqui a 1 ano e meio, o presidente Lula (PT) segue em queda livre nas pesquisas. Foi o que mostrou ontem (confira aqui) a pesquisa AtlasIntel e, hoje, a nova pesquisa Quaest. Na qual Lula cresceu 7 pontos de desaprovação nos dois últimos meses: dos 49% de janeiro à maioria dos 56% dos brasileiros em março. Como caiu, no mesmo período, 6 pontos na aprovação: de 47% aos atuais 41%.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Desaprovado pela maioria da população nas regiões Sudeste (60%), Sul (64%) e Centro-Oeste/Norte (52%), a aprovação da gestão Lula3 teve queda acentuada até na região Nordeste. No tradicional reduto eleitoral petista, caiu 7 pontos de aprovação nos últimos dois meses: de 59% aos atuais 52% dos nordestinos. Enquanto os que desaprovam o Governo Federal, no mesmo período, cresceram 9 pontos na região: dos 37% de janeiro aos atuais 46%. Hoje, Lula tem só 6 pontos a mais de aprovação sobre a sua desaprovação no Nordeste.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Feita com 2.004 eleitores, com margem de erro de 2 pontos para mais ou menos, entre os dias 27 e 31 de março, a pesquisa Quaest foi a primeira realizada integralmente após o Supremo Tribunal Federal (STF) colocar, no dia 26, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na condição de réu por tentativa de golpe de Estado. Mas não parece ter afetado sua popularidade. Entre os dois governos, 43% dos brasileiros consideram o de Bolsonaro melhor que o Lula3, que é melhor para 39%.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Apesar do empate técnico, no limite da margem de erro, na comparação direta entre os dois governos, é a primeira vez que o de Lula foi numericamente considerado pior que o de Bolsonaro. Isso, dentro da série histórica de sete pesquisas Quaest, desde junho de 2023.

De fato, o Lula3 ficou numericamente atrás não só de Bolsonaro, como dos dois primeiros governos Lula, entre 2003 e 2011. A maioria de 53% dos brasileiros, crescimento de 8 pontos desde os 45% de janeiro, considera a gestão atual pior que as do passado. Como despencou 12 pontos, nos últimos dois meses, os que consideram o terceiro governo melhor que os dois primeiros: de 32% dos eleitores aos apenas 20% atuais.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

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Ato nesta 5ª contra veto do prefeito Wladimir, que questiona

 

Praça do Liceu (Foto: Rodrigo Silveira/Folha da Manhã)

 

 

Ato antirracista contra veto do prefeito

Às 17h desta quinta (03) está marcado (confira aqui) o ato “Juventude por uma Educação Antirracista” na Praça do Liceu, tanto na Câmara Municipal, quanto na sede da OAB-Campos. O objetivo é protestar contra o veto do prefeito Wladimir Garotinho (PP) à Lei Municipal 9.490, relativa ao projeto “Por uma Infância sem Racismo” às escolas municipais, do vereador Abdu Neme (PL).

 

Dois dias antes do ataque à juíza

A manifestação seria também motivada pelo repúdio aos ataques racistas do advogado José Francisco Barbosa Abud contra (confira aqui, aqui, aquiaqui, aqui e aqui) a juíza Helenice Rangel Gonzaga Martins, da 3ª Vara Cível de Campos. O caso ganhou repercussão nacional no dia 20. Só dois dias depois do veto do prefeito a um projeto de um vereador da base ser mantido (confira aqui) na sessão da Câmara do dia 18.

 

Wladimir questiona

“O veto foi feito porque não existe previsão orçamentária e nem estudo de impacto financeiro, como manda a lei orgânica do município. Colocar-me no mesmo patamar de um ato racista contra a magistrada não é correto”. Questionou ontem o prefeito Wladimir Garotinho (PP). Enquanto informações da organização do ato davam conta de dificuldade na mobilização.

 

A questão orçamentária

Em 15 de maio de 2024, o veto tinha sido publicado em Diário Oficial (DO). Com a justificativa reforçada ontem pelo prefeito: “A execução da campanha proposta demandaria recursos significativos, os quais não foram devidamente previstos na legislação, podendo comprometer o equilíbrio financeiro do município”.

 

A questão da “discriminação positiva”

O problema foi a justificativa anterior, também publicada no DO de 15 de maio e questionada pelos movimentos antirracistas da cidade: “A promoção de rotinas de atendimento específicas para famílias indígenas e negras no âmbito do Poder Público Municipal pode gerar segmentação e discriminação positiva” — esta também conhecida por ação afirmativa.

 

Casca de banana

Não há relação direta entre o veto do prefeito à lei antirracista e as ofensas racistas à juíza de Campos. Mas, além do tema comum, a associação foi temporal: dois fatos de 2024 que vieram à tona quase juntos em março de 2025. O que tornou a “discriminação positiva” no DO uma casca de banana ao governo. Que deveria ter sido evitada desde maio do ano passado.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Lula 2026 atrás no 2º turno de Bolsonaro, Tarcísio e Marçal

 

Luiz Inácio Lula da Silva, Jair Bolsonaro, Tarcísio de Freitas e Pablo Marçal (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Bolsonaro no STF não é “Lula 2026”

Em qualquer texto de noticiário ou opinião sobre o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por tentativa de golpe de Estado no Supremo Tribunal Federal (STF), virou comum que lulopetistas comentem nas redes sociais com a torcida “Lula 2026” ou “Lula Tetra”. Mesmo que nenhuma pesquisa indique, até aqui, nenhuma relação de uma coisa com a outra.

 

Bala de prata ou festim?

Ontem, foi divulgada a nova pesquisa AtlasIntel. Com 4.659 eleitores entre os dias 20 e 24 de março, foi feita antes de Bolsonaro e outros sete acusados serem considerados réus pelo STF no dia 26. Ainda assim, não trouxe resultados animadores a quem supõe que a eventual condenação e prisão do ex-presidente seria uma bala de prata à reeleição de Lula em 2026.

 

Bolsonaro à frente de Lula

Condenado por inelegibilidade desde 2023, Bolsonaro lidera em março de 2025 a presidente. À pergunta “Se as eleições presidenciais fossem acontecer neste próximo domingo e se os candidatos fossem os mesmos de 2022, inclusive Lula e Bolsonaro, em quem você votaria?”, o ex-presidente teve 45,6% de intenções de voto na AtlasIntel, contra 40,6% do atual.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Governo segue em queda de aprovação

Por sua vez, ao contrário de Bolsonaro, Lula segue em tendência de queda de popularidade. Entre fevereiro e março na série AtlasIntel, a maioria que desaprova seu governo oscilou para cima: de 53% a 53,6%. E para baixo na aprovação: dos 45,7% de fevereiro aos 44,9% de março.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

É a inflação, estúpido!

Não é preciso pesquisa para saber o principal motivo da erosão popular do governo Lula. Mas a AtlasIntel confirmou o que todos descobrem ao fazer compra. Perguntados se “A inflação e o aumento dos preços são uma grande preocupação para você no momento?”, 86,6% dos eleitores responderam que sim, contra apenas 13,4% que disseram não.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Entre elegíveis, Lula à frente no 1º turno

Entre os pré-candidatos hoje elegíveis em 2026, Lula ainda lidera ao 1º turno presidencial. Onde tem 41,7% de intenção, seguido de Tarcísio de Freitas (REP), com 33,9%. Ainda que o governador de São Paulo não tenha lançado sua pré-candidatura a presidente. E nem deva fazê-lo este ano, para preservar sua aliança com Bolsonaro.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Atrás de Bolsonaro, Tarcísio e Marçal no 2º turno

A situação é mais delicada quanto ao hoje provável 2º turno presidencial de 2026. No qual Lula ficou atrás de Bolsonaro (46% a 48%), de Tarcísio (46% a 47%) e até de Pablo Marçal (46% a 51%). Contra os dois primeiros, o petista ainda ficaria no empate técnico. Mas, hoje, perderia o 2º turno para Marçal fora da margem de erro da AtlasIntel, de 1 ponto para mais ou menos.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Alta confiabilidade

“Com alta confiabilidade e testada em diferentes países, essa medição inovadora da AtlasIntel coleta o humor do eleitorado através de técnicas estatísticas sofisticadíssimas, com tecnologia de ponta e baseada em big data. E aferiu 53,6% de desaprovação ao Lula 3”, observou William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE.

 

“Brasil de Lula preso no passado”

Jornalista alemão de linha editorial progressista, Philipp Lichterbeck é especializado em América Latina e residente na cidade do Rio de Janeiro. No dia 26, ele publicou (confira aqui) um artigo de análise no conceituado site DW Brasil. Que, para explicar o presente, intitulou “Brasil de Lula está preso no passado”.

 

Como Joe Biden nos EUA?

Antes de a pesquisa AtlasIntel divulgada ontem projetar no hoje as urnas presidenciais de 2026, o alemão meio que a resumiu em seu texto. Que concluiu: “Se Lula não mudar de rumo rapidamente, abrirá o caminho, assim como Joe Biden fez por teimosia geracional nos EUA, para um bolsonarista como Tarcísio de Freitas chegar ao Palácio do Planalto no próximo ano”.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Missa de 10 anos de Antônio Roberto Kapi às 19h desta 4ª

 

Antônio Roberto de Góis Cavalcanti, o Kapi (Foto: César Ferreira)

 

Às 19h desta quarta (02) será celebrada a missa de 10 anos de morte de um dos maiores artistas que Campos produziu: o diretor teatral e poeta Antônio Roberto de Góis Cavalcanti, o Kapi. Será na Capela de Nossa Senhora das Graças, na rua Olímpia Rosa Freitas, nº 7, no Parque Barão do Rio Branco, próximo ao Guarus Plaza Shopping.

 

 

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Ato antirracista nesta quinta contra veto do prefeito

 

(Foto: Divulgação)

Às 17h desta quinta (03) está marcado o ato “Juventude por uma Educação Antirracista” na Praça do Liceu, tanto na Câmara Municipal de Campos, quanto na sede da OAB-Campos. O objetivo é protestar contra o veto do governo Wladimir Garotinho (PP) à Lei Municipal 9.490, de 25 de abril de 2024. Que é relativa ao projeto “Por uma Infância sem Racismo” às escolas municipais, de autoria do vereador governista Abdu Neme (PL).

O ato desta quinta foi também motivado pelo repúdio aos ataques racistas do advogado José Francisco Barbosa Abud (confira aqui, aqui, aquiaqui, aqui e aqui) contra a juíza Helenice Rangel Gonzaga Martins, titular da 3ª Vara Cível de Campos. O caso ganhou repercussão nacional no dia 20. Só dois dias depois do veto do prefeito a um projeto de um vereador da sua base ser mantido (confira aqui) na sessão da Câmara Municipal do dia 18.

O prefeito questionou a associação do seu veto com o caso da juíza, que tem sido feito nas redes sociais. E reafirmou o motivo orçamentário da sua decisão:

— O veto foi feito porque não existe previsão orçamentária e nem estudo de impacto financeiro, como manda a lei orgânica do município. Colocar-me no mesmo patamar de um ato racista contra a magistrada não é correto —  contestou Wladimir.

Em 15 de maio de 2024, o veto ao projeto tinha sido publicado em Diário Oficial. Com a justificativa: “A promoção de rotinas de atendimento específicas para famílias indígenas e negras no âmbito do Poder Público Municipal pode gerar segmentação e discriminação positiva(…) A execução da campanha proposta demandaria recursos significativos, os quais não foram devidamente previstos na legislação, podendo comprometer o equilíbrio financeiro do município”.

A concentração e confecção de cartazes ao ato antirracista às 17h desta quinta, contra o veto do prefeito, está marcada para às 15h, no prédio do novo prédio da UFF-Campos.

 

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Racismo contra juíza e Bolsonaro no STF no Folha no Ar desta 3ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Os advogados Érica Barreto e Cristiano Miller são os convidados do Folha no Ar desta terça (01), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3.

Eles falarão sobre o caso dos ataques racistas (confira aqui, aqui, aquiaqui, aqui e aqui) do advogado José Francisco Barbosa Abud contra a juíza Helenice Rangel Gonzaga Martins, titular da 3ª vara Cível de Campos, em caso que ganhou repercussão nacional.

Érica e Cristiano também tentarão projetar o julgamento, na 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outros sete denunciados (confira aqui, aquiaqui, aqui e aqui) pela Procuradoria Geral da República (PGR) por tentativa de golpe de Estado.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta terça pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook e no YouTube.

 

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Inscrições abertas até 27 de abril ao I Festival Goitacá de Cinema

 

Na sexta de 28 de março, dia em que Campos celebrou os 190 anos da sua elevação de vila à cidade, foram abertas as inscrições de longas e curtas-metragens ao I Festival Internacional Goitacá de Cinema. Que, com apoio do Grupo Folha, será realizado entre 19 e 24 de agosto.

As inscrições, que seguem abertas até 27 de abril, podem ser feitas AQUI.

Segundo seus realizadores, da produtora carioca de cinema Quiprocó Filmes, as mostras do Festival celebrarão “a diversidade de linguagens cinematográficas, com destaque às obras de realizadores, sejam eles novos ou veteranos”.

 

(Arte: Reprodução)

 

As mostras competitivas serão:

● Mostra Competitiva Brasileira: Filmes nacionais (curtas e longas) que se destacam
pela inovação.

● Mostra Competitiva Internacional: Filmes internacionais com novas perspectivas.

● Mostra Zezé Motta: Filmes que abordam questões de gênero, raça e diversidade.

● Mostra KBrunquinho: Filmes infantis e para jovens, com categorias para curtas e longas.

● Mostra Olhares da Planície: Foco na produção do interior do Rio, revelando novos talentos.

 

Premiação: O Troféu Kbrunco, inspirado na cultura tradicional da região, será entregue aos vencedores de cada categoria.

 

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Pampolha no meio do caminho de Castro e Bacellar a 2026

 

Thiago Pampolha, Cláudio Castro e Rodrigo Bacellar (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Pampolha no meio do caminho

Presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União) tem algumas variáveis para consolidar sua pré-candidatura a governador em 2026. A principal talvez seja tirar o vice-governador Thiago Pampolha (MDB) da sucessão do governador Cláudio Castro (PL). Para que, na renúncia deste para disputar a senador ou deputado federal, Bacellar pudesse concorrer já como governador.

 

Vice fala grosso

Ocorre que, em entrevista ao jornal O Globo na quinta, Pampolha afirmou: “Vou disputar as eleições ao governo do estado do Rio”. E completou, em aparente desafio a Castro e Bacellar: “Tentaram me colocar como um vice decorativo e eu não me encaixo nesse papel. Se pensaram que eu iria ficar apanhando quieto, aplaudindo tudo, estavam muito enganados”.

 

Réplica e tréplica

A entrevista de Pampolha foi uma réplica a Castro. Que, no dia 14, disse que só cederia a cadeira de governador ao seu vice “se morrer ou infartar”. Ontem, Castro deu sua tréplica: “Ele (Pampolha) não faz parte do meu grupo para que eu o apoie como governador. Preciso viabilizar meu candidato, que é o Rodrigo Bacellar”.

 

Racha no grupo

Também falando a O Globo, Castro complementou: “(A opção por Bacellar) não se trata de um demérito ao Thiago (Pampolha), nem de falta de capacidade, mas meu grupo político não pode entregar de bandeja a cadeira a alguém que não faz parte dele”.

 

MDB quer candidato a governador

Também ontem, quem falou sobre a eleição do governador do RJ foi o presidente nacional do MDB, deputado federal Baleia Rossi: “Thiago (Pampolha) é um grande nome. Com eventual renúncia do Castro, tem o dever de disputar ou apoiar o nome do ex-prefeito Washington Reis, que fez bons mandatos em Duque de Caxias e é uma forte liderança do MDB”.

 

Variável Washington Reis

Ex-prefeito de Duque de Caxias, 2º maior colégio eleitoral do RJ, Washington está hoje inelegível no STF. Mas, além do MDB, seu apoio é disputado pelo prefeito carioca Eduardo Paes (PSD), líder nas pesquisas a governador, e por Bacellar. Que se reelegeu presidente da Alerj mantendo o deputado Rosenverg Reis, irmão de Washington, como 1º secretário da Casa.

 

A marchinha e o passe

“Quem conhece a política fluminense e trabalha na oposição a Bacellar diz que Pampolha encarna a marchinha ‘Daqui não saio, daqui ninguém me tira’. Quem conhece a política do RJ e trabalha com Bacellar diz que o vice-governador está valorizando o passe”. Foi o que a coluna registrou (confira aqui) em 12 março. Passados 17 dias, a marchinha ficou mais forte. E o passe mais caro.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Com Bolsonaro no STF, Tarcísio na cola de Lula para 2026

 

Jair Bolsonaro, Alexandre de Moraes, Luiz Inácio Lula da Silva e Tarcísio de Freitas (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Bolsonaro será condenado no STF

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) será condenado por tentativa de golpe de Estado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Possivelmente, em setembro deste ano, com pena que pode chegar a 40 anos de prisão. Provavelmente, pela unanimidade dos cinco ministros da 1ª Turma do STF. Talvez com o contraditório do ministro Luiz Fux vencido na dosimetria da pena.

 

Questionamentos jurídicos

É o que a maioria dos juristas projeta ao julgamento. Mesmo que muitos deles também façam restrições ao papel do ministro Alexandre de Moraes como juiz de instrução — com poderes de investigação alheios à magistratura na ordem jurídica do Brasil —, relator, julgador e vítima do caso. Como se questiona também o julgamento na 1ª Turma, não no plenário do STF.

 

Aposta em Rui Barbosa, não em César

Se há evidência da culpa de Bolsonaro, e a denúncia (confira aqui) da Procuradoria-Geral da República (PGR) aponta várias, Moraes e o STF parecem ignorar o dito dos antigos romanos, que deram a base do Judiciário moderno: “À mulher de César não basta ser honesta, é preciso parecer honesta”. A aposta parece ser em Rui Barbosa: “O Supremo tem a prerrogativa de errar por último”.

 

Moraes com Bolsonaro, Moro com Lula

Na bipolaridade política do Brasil, boa parte da esquerda comemora a perspectiva de condenação e prisão de Bolsonaro. Não porque seria justa. Mas, sobretudo, para vingar a prisão do hoje presidente Lula (PT) pela Lava Jato. Mesmo que independa do zelo ao devido processo legal de Moraes com Bolsonaro. A exemplo da parcialidade de Moro com Lula.

 

Noção de ridículo e biruta moral

Ninguém, com noção de ridículo, embarca na narrativa de “velhinhas de Bíblia na mão” da extrema direita ao 8 de janeiro de 2023. Como ninguém, dotado da mesma noção, deixa de se espantar com o quanto dela carece a esquerda que varia sua biruta moral entre garantista e punitivista pelo sopro do oportunismo político/eleitoral.

 

Tiro pela culatra

Com o bolsonarismo, a sanha punitivista foi um tiro pela culatra. Lula foi preso em 2018 para tirá-lo da eleição presidencial daquele ano, em que liderava todas as pesquisas. Mas, mesmo da cadeia, pôs Fernando Haddad no 2º turno vencido por Bolsonaro. Liberto em 2019, Lula recuperou seus direitos políticos para derrotar Bolsonaro e se eleger presidente em 2022.

 

Sem bala de prata

Até aqui, nada indica que a eventual prisão de Bolsonaro será uma bala de prata à reeleição de Lula, na urna de daqui a pouco mais de 1 ano e 6 meses. Na quarta (26), no mesmo dia em que o STF transformou Bolsonaro e outros 7 acusados em réus, foi divulgada uma pesquisa da Futura Inteligência a presidente, que ouviu 1.000 pessoas entre 19 e 22 de março.

 

Tarcísio à frente de Lula

Na simulação do 2º turno, a pesquisa Futura deu o atual governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), com 42,3% de intenção de voto a presidente. Ainda que em empate técnico na margem de erro de 3,1 pontos para mais ou menos, o ex-ministro de Bolsonaro ficou numericamente à frente de Lula, que teve 37,6%.

 

Maioria desaprova o governo

Na quinta (27), dia seguinte a Bolsonaro se tornar réu no STF, foi divulgada a pesquisa Ipespe. Feita com 2.500 eleitores entre 20 e 25 de março, ela deu ao governo Lula a aprovação de 41% dos brasileiros, enquanto a maioria de 54% desaprova. Na dúvida dos números até a urna de 6 de outubro de 2026, a certeza: o júri não será togado, mas popular.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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