Populismo político tenta pegar carona na glória do Flamengo

 

Gabigol dribla Wilson Witzel no gramado no Monumental de Lima (Foto: Reprodução)

 

O Flamengo nunca havia conquistado um título nacional ou continental sem alguém da era Zico. Seja dentro do campo, ou no comando fora dele, como Andrade, clássico volante daquele time mítico de 1981 e técnico do último Brasileiro do clube, em 2009. Ao conquistar a Libertadores ontem (aqui), no Monumental de Lima, finalmente se libertou dessa escrita. E, como todo renascimento, foi parto dolorido.

Rei rubro-negro, Zico e sua era de ouro sempre serão a referência maior a qualquer flamenguista. Mas, a despeito do nó tático que tomou do River Plate de Marcelo Gallardo no primeiro tempo, o Flamengo de Jorge Jesus provou que pode haver vida para além do complexo de Édipo. Sem matar o “pai”, encarnou a mensagem generosa que o Galinho de Quintino enviou do Japão — “Pra cima deles, Flamengo!” — e assumiu seu lugar como protagonista da própria história.

Isso posto, resta lamentar por quem não tem nenhum papel a desempenhar na reconquista da América do Sul pelo Flamengo, 38 anos após o feito de Zico. Um deles, o governador Wilson Witzel (PSC) foi driblado por Gabigol ainda no Monumental de Lima. Ao se ajoelhar diante do autor dos dois gols da virada história de 2 a 1, o governador do “tiro na cabecinha” foi alvejado por seu disparo oportunista saído pela culatra.

 

 

Não pode ser esquecido que, após fazer gestos obscenos com uma garrafa d’água para o banco do River, Gabigol mereceu a expulsão que os flamenguistas tanto temiam. Mas sua atuação no jogo e depois dele, reduzindo Witzel ao seu papel patético, deram crédito ao jovem artilheiro da Libertadores e do Brasileiro.

Mas Witzel não foi o único “papagaio de pirata” na glória do clube mais popular do mundo. Usando a Força Aérea Brasileira como sua milícia eleitoral, o presidente Jair Bolsonaro mandou caças para escoltar o vôo do time do Flamengo no retorno ao país. Até aí, tudo bem. Mas quando o piloto, servidor público federal, repetiu no rádio o slogan eleitoral do capitão, ultrapassou, mais que o limite do som, aquele que deveria existir entre público e pessoal.

 

 

Witzel e Bolsonaro não chegam a ser uma novidade. Ditador fascista, Benito Mussolini também aproveitou o Bicampeonato Mundial da Itália de 1934 e 1938 para fazer propaganda política. Embora composto de craques, como Giuseppe Meazza, faltou àquele grande time alguém com a atitude de Gabigol. Todos faziam a saudação fascista antes dos jogos.

 

Primeira bicampeã mundial na história do futebol, a Itália das Copas de 1934/38 fazia a saudação fascista antes dos jogos

 

Do lado de cá do Atlântico, os exemplos são mais próximos. E independem de bandeira ideológica. Pode ser o ditador Emílio Garratazu Médici — referência presidencial maior assumida por Bolsonaro — pegando carona na glória da Seleção Brasileira de 1970, na volta do Tri no México.

 

Maior jogador de todos os tempos, Pelé levanta a taça Jules Rimet ao lado do ditador brasileiro Emílio Garrastazu Médici, após o Tri de 1970

 

Pode ser a desastrosa tentativa de Dilma Rousseff na Copa de 2014, sediada em um Brasil que o PT acintosamente quis vender como “Pátria de Chuteiras”. O placar final (relembre aqui)? Basta ver o algarismo vaticinado pela “presidenta” antes da fatídica semifinal contra a Alemanha.

 

Na síntese da sua passagem como presidente, Dilma antevê o placar entre Brasil e Alemanha em 2014

 

Na vitória e na derrota, inerentes ao futebol e à vida, o populismo político poderia fazer o favor de ficar bem longe do campo. Nele, não serve nem como gandula ou maqueiro.

 

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Flamengo Bi na Libertadores — Não foi como a torcida queria. Mas como sua alma foi forjada

 

Acompanhado por Bruno Henrique, Gabibol tira a camisa para comemorar o gol da Libertadores (Foto: Raul Sifuentes – Getty Images)

 

Não foi na técnica pela qual o time de Jorge Jesus se marcou. Foi na raça e no drama, marcas da história do Flamengo. Herói do jogo com os dois gols na virada nos últimos minutos do jogo, Gabigol acabou expulso por ter feito gestos obscenos à torcida do River. O que reforçou o caráter épico da conquista da Libertadores da América, como se regido pela torcida: “Pra cima deles, Mengo!”

O time argentino mandou no primeiro tempo. E abriu o placar aos 15 minutos com um gol do atacante colombiano Borré, numa jogada pela direita. A bola cruzou a defesa flamenguista, que voltou a apresentar o preocupante apagão dos 4 a 4 contra o Vasco. O erro coletivo foi coroado com a falha individual de Willian Arão, que teve atuação muito ruim.

Completamente perdido, o volante rubro-negro personificou o nó tático que Marcelo Gallardo aplicou em Jesus na etapa inicial. Ao marcar sob pressão no campo do adversário, o River deu ao Flamengo uma dose do seu próprio veneno. Com atuação monstruosa de Enzo Pérez, ganhou o meio de campo, dificultou a saída de bola do time carioca, cortou suas linhas de passe e explorou os espaços dos seus laterais. Gallardo deu o xeque, mas não o mate.

Se o time portenho sobrou no primeiro tempo, Gallardo errou ao fazer substituições no segundo, quando o Flamengo conseguiu igualar as ações. Supôs que poderia garantir o 1 a 0, a quinta Libertadores ao River e sua terceira como técnico. Faltou combinar com Bruno Henrique, sempre ele, que inventou aos 43 a jogada do primeiro gol, marcado por Gabigol após ótimo passe de Arrascaeta.

Após empatar o jogo, que levaria a final à prorrogação, o mérito da virada histórica foi todo de Gabigol. Ganhou uma disputa de bola aérea com dois jogadores mais altos dentro da área do River e fuzilou de canhota. Literalmente aos 46 minutos do segundo tempo. Ao tirar a camisa para comemorar o gol, levou o cartão amarelo. Que depois seria completo pelo vermelho.

Não foi uma exibição de gala, como sua apaixonada torcida queria. Mas como sua alma foi forjada.

 

 

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É hoje! — Futebol da América do Sul entre o Time da Favela e Los Millionarios

 

Capa da Folha da Manhã de hoje (23)

“Quieta que eu quero ouvir Flamengo e River Plate”. O verso do tricolor Chico Buarque foi escrito para a música “Biscate” em 1993. E nunca foi tão válido quanto hoje. Os dois clubes do Rio de Janeiro e Buenos Aires já escreveram seus nomes na história do futebol. Mas hoje se enfrentarão pela primeira vez numa final da Libertadores da América. A partir das 17h de Brasília, no Estádio Monumental de Lima, Peru, Brasil e Argentina vão parar para assistir. E se dividirão entre torcer a favor e contra. Vascaínos comporão o Rivasco. Xeneizes, como são chamados os torcedores do Boca Juniors, clube mais popular entre os argentinos, fecharão com o Flamengo, reconhecido pela Fifa como o mais popular do mundo. Quem dúvida tiver, basta ver o fenômeno antropológico que nos últimos dias faz as ruas da capital peruana serem confundidas com o Baile do Vermelho e Preto do carnaval carioca.

As diferenças entre os dois finalistas da Libertadores são de raiz. Chamado pelos adversários de “Time da Favela”, o Flamengo se assemelha ao Boca em sua popularidade democrática. Enquanto o River atende pela alcunha de “Los Millionarios”, condição elitizada que remete no Brasil ao Fluminense e ao São Paulo. Mas, “Favela” ou “Millionarios”, Fla e River também têm características em comum. Seus êxitos no futebol refletem a seriedade da gestão administrativa fora do campo, onde servem de exemplo a seus rivais locais. E, apesar dos vários grandes jogadores de lado a lado, as principais estrelas dos dois times hoje estarão à beira do gramado: o técnico português Jorge Jesus, que provocou uma revolução no futebol brasileiro, e o ex-craque Marcelo Gallardo, considerado o melhor treinador da América Latina e cotado até para assumir o Barcelona de Lionel Messi.

 

Craques dos times fora do campo, Jorge Jesus e Marcelo Gallardo (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Conhecido por não poupar jogadores em jogos de menos importância, Jesus entrará com sua força máxima. A escalação já está decorada pelos flamenguistas: Diego Alves, Rafinha, Rodrigo Caio, Pablo Marí e Filipe Luís; Willian Arão, Gérson e Arrascaeta; Éverton Ribeiro, Gabigol e Bruno Henrique. A dúvida, que só será desfeita momentos antes da partida, fica por conta do time que Gallardo levará a campo. O mais esperado é que entre com Armani, Montiel, Martínez Quarta, Pinola e Casco; Enzo Pérez, De La Cruz, Palacios e Nacho Fernández; Borré e Suárez. Mas se decidir entrar com uma escalação mais defensiva para tentar conter o ímpeto ofensivo do Flamengo, pode adotar a linha de três zagueiros que andou treinando. No caso, o beque chileno Paulo Díaz entraria no lugar de um meia: Palacio ou De La Cruz.

 

Candidatos a craque da Libertadores: Bruno Henrique, Gabigol, De La Cruz e Nacho Fernández

 

Rafael Santos Borré

Em outra semelhança, Flamengo e River têm seus respectivos artilheiros, Gabigol e o colombiano Borré, brilhando no futebol da América do Sul, depois de terem fracassado no futebol da Europa. Na Libertadores, no entanto, o atacante brasileiro tem brilhado mais. Lidera a artilharia do Sul-Americano, com sete gols. Pelo clube portenho, os dois que mais marcaram até agora foram os meias Nacho Fernández e De La Cruz. Cada um balançou as redes adversárias três vezes. Não por acaso, os dois estão previamente indicados como candidatos do River a craque do torneio. Pelo Flamengo, além de Gabigol, o outro pré-candidato é seu parceiro de ataque. Destaque rubro-negro da temporada, tanto mais em momentos decisivos, Bruno Henrique já marcou cinco gols na Libertadores. E tem o mesmo número de assistências, estatística que lidera na competição.

Enzo Pérez

No River, a variação na escalação e no esquema do também pode ocorrer durante a partida, a depender do desenrolar. Há quem aposte que a dúvida seria só um estratagema para tentar confundir o treinador português, que fez treinos fechados não para esconder variações de escalação ou táticas. Mas para treinar o que tem sido uma das maiores armas ofensivas do Flamengo: jogadas ensaiadas de bola parada. Em contrapartida, Gallardo tem no clássico volante Enzo Pérez uma das armas para descobrir os segredos do técnico rubro-negro. O jogador argentino era terceiro homem do meio de campo, mais próximo ao ataque, até ser treinado por Jesus no Benfica de Portugal. Foi quem convenceu Pérez a recuar à posição de volante, onde atua até hoje e é um dos destaques do River. Volta de contusão no ombro, mas deve jogar.

Cláudio Coutinho

O que não é segredo é o que transformou o Flamengo sob o comando de Jesus no melhor time do Brasil com sobras: posse de bola, marcação sob pressão, compactação entre os três setores, mobilidade, velocidade e, sobretudo, intensidade. Titulares absolutos do meio de campo do Flamengo que conquistou a Libertadores em 1981, Zico, Adílio e Andrade comparam aquele time mítico ao atual. E lembram do princípio do boxe que o falecido treinador rubro-negro Cláudio Coutinho adaptou ao futebol. Quando o pugilista adversário sente um golpe, análogo ao gol, não é o momento de parar para tentar ganhar por pontos. Mas de encaixar quantos golpes mais forem necessários para vencer por nocaute. Foi o caso da goleada aplicada pelo Rubro-Negro em seu último jogo na Libertadores: os 5 a 0 na semifinal sobre o Grêmio, no Maracanã. Entre o Flamengo de 81 e o de hoje, para quem viu o ex-campeão peso pesado Mike Tyson lutar no início de carreira, é mais ou menos aquilo ali.

 

 

Se não tem a mesma intensidade que o Flamengo apresenta há cinco meses, o River é o atual campeão da Libertadores, fruto de um trabalho consistente há cinco anos. Na sua fase de recuperação após cair à segunda divisão do Campeonato Argentino em 2011, para voltar à primeira no ano seguinte, o jogo de hoje será a terceira final de Libertadores que o clube disputará com Gallardo como técnico. Sob seu comando, o River foi senhor da América do Sul em 2015 e 2018, repetindo os títulos que o clube havia conquistado em 1986 e 1996. Quando “Los Millionarios” entrarem em campo contra o “Time da Favela”, disputarão a 14ª final de campeonato com Gallardo, que já conquistou 11 títulos nestes últimos cinco anos. É o patrimônio de um campeão, independente do placar final no Monumental de Lima.

Virtual campeão brasileiro de 2019, o Flamengo pode garantir matematicamente este título sem entrar em campo. Basta que o vice-líder Palmeiras não vença o Grêmio neste domingo (23). Mas os 81 pontos (13 de vantagem) no Brasileirão remetem ao objetivo mais alto que será decidido na véspera: foi em 1981 que Zico e companhia conquistaram não só a única Libertadores do Rubro-Negro, como depois o Mundial, com um passeio de 3 a 0 sobre o Liverpool, em Tóquio. Aparentando destino, é o mesmo clube inglês que, após levantar mais uma Champions da Europa, espera 38 anos depois o vencedor entre Fla e River no Mundial deste ano, no Qatar. A final será jogada em 21 de dezembro.

“Em dezembro de 81/ Botou os ingleses na roda/ Três a zero no Liverpool/ Ficou marcado na história/ E no Rio não tem outro igual/ Só o Flamengo é campeão mundial/ E por isso o seu povo/ Pede o mundo de novo”. É o que cantam 40 milhões de flamenguistas — um entre cada cinco brasileiros — na adaptação da música “Primeiros Erros”, de Kiko Zambianchi, que fez sucesso nos anos 1980, tempo das glórias de Zico. Sonhando revivê-las, Bruno Henrique, Gabigol, Arrascaeta, Gérson, Filipe Luís, Éverton Ribeiro e Jorge Jesus despertaram uma nação. Que no meio do caminho tem o River, tem o River no meio do caminho.

 

 

 

Marcelo Gantos, professor e diretor do CCH da Uenf, argentino e brasileiro, torcedor do River e do Flamengo

Este sábado 23 fechamos por futebol

Por Marcelo Gantos

 

O convite ao desafio de escrever sobre futebol é, parafraseando Jorge Valdano, o de escrever sobre homes que jogam ou vêm jogar. Entretanto, no meu caso, o futebol inexoravelmente vai além, é uma alegria que dói. A validade desta afirmação estará em jogo este sábado que se avizinha, quando o juiz apite e de início ao pleito continental. Até ali o tempo do torcedor está em suspenso e a data ensejada de ver a bola rodando no Monumental de Lima parece não chegar nunca.

Respira-se ansiedade nas ruas e nas casas dos torcedores da nação rubro-negra, que espera palpitante e com alegria inusitada o desenlace desta epopeia com sabor de drama pelo que estará em disputa. Poderá o Flamengo quebrar o jejum da Liberta, como gostava chamar meu filho Lautaro a cobiçada taça continental? Tento fugir com desculpas intelectuais dessa ansiedade e sentimento plural que mobiliza a metade mais um deste país. Mas é impossível, pois meu coração de torcedor também bate forte. Com um agravante especial: tanto Flamengo quanto River Plate são os times dos meus amores, um desde o berço quase prescritivamente por mandato familiar e opção, outro por destino e conversão. Desafiadora contradição que faz parte de minha experiência vital. Assim como ser argentino e me sentir e brasileiro ao mesmo tempo.

Apesar da tentativa racional de amenizar e justificar perante gregos e troianos a complexa natureza dessa contraditória paixão e amálgama identitária, a potência e ineditismo deste momento decisivo, único e irrepetível durante o resto da minha existência, obriga-me pelo amor ao futebol a assumir e viver com grandeza e liberdade esta condição proibida de bigamia de chuteiras.

O que sabemos do futebol é que se trata de uma aventura coletiva na qual, em distinta medida, triunfam e fracassam todos, embora nos encante santificar ou apedrejar apenas um responsável. Ainda que nos encante ter sempre a razão, bastarão apenas alguns segundos de bola rodando para que, em meio da guerra de nervos que todo jogo cria, se desate um terremoto emocional e a cordura e a mesura saiam disparadas para o espaço sideral. O que sentimentalmente me provoca esta espetacular final entre River e Flamengo é uma força imprevisível chamada futebol e que, seja qual for o resultado, não nos deixará em paz por muito tempo. O futebol, como alguma vez decretou Juan Sasturain, independente do eventual resultado, é infinito.

Este sábado desde cedo a porta de nossa vida ficara “Fechado pelo Futebol”. Tentarei assistir o jogo animado não pelo dever de ver um dos times ganhar e se coroar. Mas pelo prazer do gozo da fantasia que o futebol nos oferece de tanto em tanto. Sobretudo em épocas tão sombrias para sonhar, como as que vivemos em nosso país e parte do continente. Deus salve o futebol. E que triunfe o “mais” melhor.

 

Página 8 da Folha da Manhã de hoje (23)

 

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De Zico ao Flamengo x River, às vaias a Rafael por claque de Wladimir

 

Zico já demonstrava inteligência emocional de vencedor, mesmo quando ainda era mais jovem que Rafael e Wladimir (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Reconhecidos pela Fifa como a maior torcida do planeta, o que os flamenguistas fizeram ontem no Rio de Janeiro, na despedida do time do Ninho do Urubu ao aeroporto do Galeão, e voltou a fazer na madrugada e no dia de hoje em Lima, tingindo de vermelho e preto as ruas da capital do Peru, torna todo o resto menor para uma nação de 40 milhões — um entre cada cinco brasileiros. E assim será até que a bola finalmente role entre o Flamengo e o tradicional copeiro argentino River Plate, a partir das 17h deste sábado (23), no Estádio Monumental de Lima, pela final da Libertadores da América.

 

 

 

 

Eleito não só pela Fifa, como pelas revistas europeias World Soccer e France Football, entre os 10 grandes camisas 10 do futebol mundial no séc. 20, além de maior jogador do Flamengo de todos os tempos, Zico gravou na terça (19) uma live em seu canal no YouTube. Nela, falou do que espera da final da Libertadores. E comungou a experiência de quem liderou no campo a conquista rubro-negra da América do Sul e do mundo, em 1981. Feito que o time de Bruno Henrique, Gabigol, Arrascaeta, Gérson, Filipe Luís, Éverton Ribeiro e Jorge Jesus tenta repetir.

Aos 25’36 do vídeo, respondendo à pergunta de um telespectador, Zico aconselhou Gabigol, cujo destempero provocou sua merecida expulsão e quase custou a vitória de 1 a 0 do Flamengo sobre o Grêmio no último domingo (17). O ex-craque usou seu próprio exemplo. Na série de três jogos da final da Libertadores de 1981, contra o violento e desleal time chileno do Cobreloa, lembrou como um dos jogadores adversários lhe aplicou um “exame de urologia” quando que ele ia cobrar uma falta, sua especialidade.

 

 

A reação de Zico? Nas suas palavras: “Tranquei. E na hora de bater eu olhei para ele e falei assim: ‘Olha, no final do jogo você me dá seu telefone, tá?’. O cara começou a rir e parou. Agora, se eu dou uma porrada na cara dele e revido, o jogo 0 a 0, era isso que ele queria. Eu não ia jogar o outro jogo”. O Galinho de Quintino revidou de outra maneira. Nos três jogos contra o Cobreloa, fez quatro gols: dois de bola rolando, um de pênalti e o último, que selou o título da Libertadores ao Flamengo, em cobrança de falta. Na sua especialidade, o craque deu o “toque retal” definitivo.

Comandado por Zico, o Flamengo foi fazer a final do Mundial contra o Liverpool, no Japão, batido em 13 de dezembro de 1981, em ritmo de treino, por 3 a 0. Coincidência ou não, é o mesmo clube inglês que esperará no Qatar o vencedor do sábado entre Flamengo e River, para disputar outro Mundial de Clubes. Sua final será jogada em 21 de dezembro.

Descer das glórias do passado do Flamengo, ou da possibilidade de repeti-las daqui a apenas dois dias, para falar de política, deveria ser proibido. Mas o exemplo de Zico, como de hábito, serve também para outros campos. Ocorrida no final da manhã de hoje, a inauguração do Guarus Plaza Shopping, do empresário Joilson Barcelos, viralizou nas redes sociais pelas vaias ao prefeito Rafael Diniz (PPS). No palanque, também estavam o governador Wilson Witzel (PSC) e o deputado federal Wladimir Garotinho (PSD), entre outros.

 

Rafael discusa sob vaias no palco junto ao governador Witzel, Joilson, Mérida e Wladimir (Foto: Isaias Fernandes – Folha da Manhã)

 

Enquanto era estridentemente apupado, Rafael buscou demonstrar coragem: “Talvez muitos não estivessem aqui hoje. Talvez muitos não tivessem a coragem de pegar o microfone, aqui, agora, e olhar nos olhos dos senhores”. E, no que disse, estava absolutamente certo no motivo que tinha para nada ter dito. Sobretudo no dia seguinte à interdição (aqui) de sete setores do Hospital Geral de Guarus (HGG), por problemas de infiltração de água de chuva que se arrastam desde o governo municipal Rosinha Garotinho (hoje, Patri).

 

 

O fato da vaia ter sido puxada pela claque de Wladimir, liderada pelo vereador de oposição Alonsimar (PTC) e por Dinalva da Silva, irmã da ex-vereadora Linda Mara (do mesmo PTC de Alonsimar), foragida há 44 dias da Polícia Federal, não altera o desgaste à imagem do prefeito nas redes sociais. Na verdade, tem o mesmo efeito prático de quem cometeu a ingenuidade, primária na política, de não compor uma claque oposta porque estaria vistoriando o estrago das chuvas da semana, que interditou o HGG, nos distritos do município.

Como pouco importa se Joilson é muito ligado a Marcelo Mérida, que já foi secretário municipal de Rosinha, é pré-candidato a prefeito pelo PSC de Witzel e se especula poder funcionar como linha de apoio à pré-candidatura de Wladimir em 2020. Rafael é flamenguista como Wladimir, que teve a malandragem de levar sua claque e não fazer uso da palavra.

Pela idade, Rafael e Wladimir não deram a sorte de ver Zico jogar. Mas podem, como o Flamengo contra o River, herdar sua lição: um vencedor, além da coragem e do talento, só se constrói ou sustenta com inteligência emocional nas reações.

 

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Debate sobre uso medicinal da maconha na Uenf antecipado no Folha no Ar

 

Pesquisadores Almy e Igrid falaram hoje no Folha no Ar do seminário sobre o uso medicinal da maconha, amannhã na Uenf (Foto: Cláudio Nogueira – Folha FM)

 

Cannabis sativa é o nome científico da maconha. E nesta quinta (21), o uso medicinal da planta será tema de seminário no Centro de Convenções da Uenf, das 8h às 17h20. Um dia antes, no início da manhã do feriado de hoje (20), dia da Consciência Negra, dois organizadores do evento, engenheiros agrônomos e pesquisadores da maior universidade de Campos e região adiantaram um pouco do polêmico assunto no Folha no Ar 1ª edição, na Folha FM 98,3: a pós-graduanda Ingrid Trancoso e o professor Almy Júnior, ex-reitor da Uenf.

—  O seminário vai focar no uso medicinal, principalmente devido à demanda que está havendo na sociedade. Não só no Brasil, mas no mundo inteiro. Diversos locais estão mudando a sua legislação. Mas é claro também que é difícil também separar os temas (uso medicinal e recreativo da maconha). E acho interessante que hoje, dia da Consciência Negra, a gente estar trazendo esse tema aqui, porque a proibição do uso da cannabis está muito ligada ao preconceito racial. A primeira lei no mundo que a proibiu foi no Rio de Janeiro, em 1830. É importante trazer esse debate também para a universidade. Como pesquisador, o nosso foco é no uso medicinal. A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária, vinculada ao ministério da Saúde, que regula serviços e produtos) já recebeu milhares de pedidos para fazer esse tratamento (com uso medicinal da maconha). Este é o foco do debate, mas com certeza os palestrantes também vão abordar a proibição (para uso recreativo).

— A gente vai fazer um seminário amanhã na Uenf sobre uso medicinal da cannabis. E este é um tema que todos nós apoiamos, porque ele é ciência pura. É um tema que países conservadores como Israel, ou estados conservadores (dos EUA) como o Texas, já fazem há muito tempo. E as pessoas só vão entender no dia em que alguém da família precisar de um medicamento qualquer. E eu não estou falando só do canabidiol, que é oriundo da cannabis. O Brasil é um país que importa um produto pagando US$ 2 mil, US$ 3 mil a tonelada, que exportou recebendo US$ 200, US$ 300. A gente não agrega valor à nossa produção e depois a importa. Isso ocorre com o maracujá, que é uma planta nativa do Brasil, que a gente exporta princípio ativo para produzir medicamentos que estão nas farmácias. Então o debate é que a gente está cerceado do direito de fazer ciência. Além do problema financeiro, que é um problema brasileiro, quando comparado aos países do primeiro mundo, o pesquisador aqui tem o problema da legalização, corre o risco de ser preso porque usa o material nativo do Brasil para fazer ciência. E nós estamos falando de uma planta (a cannabis) que tem 10 mil anos de utilização pelo homem.

 

Professora Elizabeth Araújo (Foto: Aluysio Abreu Barbosa)

 

No início da manhã desta quinta, um pouco antes do debate sobre o uso científico da maconha ter início na Uenf. a convidada do Folha no Ar 1º edição é a educadora Elizabeth Araújo, Prêmio Alberto Lamego de Cultura. Até lá, confira abaixo os quatro blocos da entrevista com os pesquisadores da Uenf Ingrid Trancoso e Almy Júnior:

 

 

 

 

 

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Chuva cai dentro do HGG, interdita sete setores e suspende atendimento clínico

 

Flagrante de água da chuva entrando na enfermaria, feito hoje por filho de paciente

 

A chuva que cai sobre Campos desde segunda (18) provocou hoje a interdição de sete setores do Hospital Geral de Guarus (HGG), a interrupção do atendimento de clínica médica e a remoção de pacientes para hospitais contratualizados. A informação foi confirmada pelo diretor do HGG, Dante Pinto Lucas. Foram sete os setores do hospital afetados por problemas de teto com a chuva: Clínica Médica, Pediatria, quarto dos médicos da UTI, Laboratório, Ambulatório, sala de cirurgia e corredores. O diretor destacou que os problemas no teto do ocorrem desde o governo municipal Arnaldo Vianna (PDT), quando o HGG foi inaugurado. Secretário de Saúde de Campos, Abdu Neme anunciou que sua pasta passará a funcionar no hospital, até que os problemas sejam resolvidos.

Acionada de emergência, a Santa Casa de Misericórdia de Campos (SCMC) vai receber ainda hoje cerca de 25 pacientes do HGG. O Hospital Escola Álvaro Alvim (HEAA) receberá outros quatro doentes, assim como o Hospital Plantadores de Cana (HPC), em número ainda não definido. Dante disse que pretende manter no HGG os serviços de UTI, Unidade de Pacientes Graves (UPG), Pediatria com emergência, Urologia e duas enfermarias como retaguarda para a UTI. Mas, até que seja dada uma solução definitiva, o atendimento de clínica médica que era prestado diariamente no HGG terá que ser feito pelo Hospital Ferreira Machado e as demais unidades 24h da Saúde Pública do município. Além da rede contratualizada, que tem o pagamento da complementação municipal atrasada desde junho, no valor total de R$ 20 milhões.

Uma emenda federal no valor de R$ 5 milhões, conseguida ainda no mandato do hoje ex-deputado federal Paulo Feijó (PR), já estaria destinada para o reparo do teto do HGG. Enquanto o dinheiro não era liberado pela Caixa Econômica Federal (CEF), o processo licitatório foi adiantado pelo governo Rafael Diniz (Cidadania). Teve a primeira sessão em 1º de novembro e a escolha da empresa para a obra já tinha sido marcada para esta quinta.

Abaixo, confira os flagrantes de outro vazamento de chuva pelo teto do HGG, registrados em 11 de abril de 2014, durante a gestão Rosinha Garotinho (hoje, Patri):

 

Água da chuva já vazava opelo teto do HGG desde 11/04/14, no governo Rosinha (Foto: Reprodução)

 

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Carla anuncia missa de 7º dia de Pedro na Igreja da Penha, nesta quinta, em Atafona

 

Prefeita de São João da Barra, Carla Machado (PP) postou aqui, em suas redes sociais, o convite para a missa de 7º dia do seu filho único, Pedro Machado. Empresário e estudante de Direito, ele sofreu (aqui) um acidente automobilístico no final da madrugada da última sexta (15), na av. XV de Novembro, e morreu com apenas 21 anos. A missa será realizada às 17h 30 desta quinta, pelo padre Jorge, na Igreja Nossa Senhora da Penha.

Em respeito e empatia à perda de uma mãe amorosa, o blog republica abaixo:

 

 

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Após pressão de Wladimir, Ibama autoriza licença para duplicar BR 101 em Macaé

 

(Foto: Divulgação)

 

O Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) emitiu as guias de licença ambiental para a duplicação em mais de 30 quilômetros da BR 101. Por intermédio do deputado federal Wladimir Garotinho (PSD), a autorização para obras de alargamento e reforma da pista compreende o km 144 até o 177, em Macaé, no Norte Fluminense. Restará apenas trecho até Rio Dourado, em Rio das Ostras.

Entre as muitas reuniões para tratar da duplicação de uma das principais vias de acesso às cidades do entorno da Bacia de Campos, Wladimir chegou a cobrar pessoalmente o presidente Jair Bolsonaro, em encontro realizado no início de setembro. O deputado comemorou a notícia da liberação do Ibama:

— Desde que assumi o mandato estou empenhado nesta causa. É uma grande etapa vencida. Continuo na luta pelo trecho que falta porque entendemos o quanto isso vai ajudar a desenvolver a região Norte e Noroeste do nosso estado. Vai dar mais segurança a quem trafega na rodovia.

Para Wladimir, além de evitar acidentes, a duplicação também vai impulsionar a economia através da geração de emprego e renda. A paralisação já chegou a ser apontada pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), em Macaé, como um dos maiores gargalos logísticos para o desenvolvimento econômico da região.

O parlamentar garante que buscará novas reuniões com representantes do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e da concessionária Arteris para que sejam encontradas soluções das pendências ambientais que ainda impedem a liberação do último trecho:

— Não vou descansar até que a via esteja completamente duplicada. As negociações continuam.

 

Da assessoria do deputado

 

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Brasil entre os lunáticos do messias de Guaranhuns e do Messias do Vale da Ribeira

 

Filósofo e professor da USP, Pablo Ortellado é uma das maiores cabeças pensantes, por não dogmática, da esquerda brasileira. Ler o seu artigo publicado hoje (aqui) na Folha de São Paulo, sobre o primeiro discurso de Lula à militância do PT, em Salvador, é tão necessário quanto preocupante.

Sinaliza que quem embarcar na fala do petista não será diferente dos lunáticos de camisa amarela marchando sem sair do lugar e batendo continência para uma Estátua da Liberdade fake, em Araçatuba, interior de São Paulo, no último domingo (17). Tudo contra o STF que trocou livrar a cara do senador Flávio Bolsonaro pelo Lula livre.

 

 

Abaixo, a reflexão do Ortellado sobre as palavras de quem, tanto quanto o capitão, “fomentou — e fomenta! — o mais primitivo culto à personalidade”:

 

Lula durante encontro do PT em Salvador no último dia 14 (Foto: Ricardo Stuckert – PT/AFP)

 

Pablo Ortellado, filósofo e professor da USP

Sem autocrítica

Por Pablo Ortellado

 

Em seu primeiro discurso à militância do partido em Salvador, Lula disse que o PT vai polarizar e que o partido não vai fazer autocrítica —que se alguém quiser criticar, que o faça da oposição a ele.

O discurso é péssima notícia para a esquerda e para o país.

A dupla mensagem tem algo de redundante. Ao dizer que o PT vai polarizar, Lula sugere que o partido vai jogar todo o seu peso contra qualquer contestação substantiva da sua hegemonia sobre a esquerda. Quem vai estabelecer a linha de antagonismo com o bolsonarismo é ele e o partido que controla.

A segunda parte apenas esclarece que, na sua dimensão propositiva, esse antagonismo não vai admitir uma revisão de trajetória — vai defender o legado do projeto implementado entre 2002 e 2015 e vai empurrar quem criticá-lo para o outro campo.

Essa postura dogmática é ruim, mas fica pior se lembrarmos que não existe mais a conjuntura internacional que permitiu o sucesso daquelas políticas, o que significa que, caso a esquerda lulista triunfe, corremos o risco de reviver os erros, sem garantia de resgatar os acertos.

E os erros não foram poucos.

Em primeiro lugar, temos o próprio messianismo de Lula, que não apenas matou de vez a democracia no partido como esmagou a pluralidade da esquerda e fomentou o mais primitivo culto à personalidade.

Seu personalismo, aliás, é diretamente responsável pela indicação de Dilma Roussef como candidata, uma administradora sem qualquer vocação política e responsável por graves erros na condução da política econômica.

Sua adoção, no auge da crise, de uma política baseada no tripé preços administrados, empréstimos subsidiados e desonerações não apenas gastou a única bala do cartucho com uma política inócua como gerou efeitos distributivos bastante regressivos.

A atitude corporativa do PT frente às denúncias de corrupção explorou os efetivos abusos da Lava Jato para jogar fumaça sobre os fatos. Agiu como se a crítica da mudança do conceito de prova e do abuso das prisões preventivas apagasse os fatos apurados, como se não tivesse havido desvios bilionários sob a administração petista ou como se isso não importasse.

Todos esses equívocos, mais os graves erros da política indigenista, os perdulários gastos com os grandes eventos e a completa falta de prioridade em rever a política tributária, raiz da nossa desigualdade, Lula diz que não serão objeto de autocrítica.

Se depender dele, teremos mais uma vez que recorrer ao messias de Garanhuns para tentar escapar do Messias do Vale do Ribeira.

 

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Tá tudo dominado! — Banda do 8º BPM executa o hino do Flamengo

 

Em seu primeiro show no Brasil, em 1993, no Maracanã, a pop-star Madonna foi uma das tantas que vestiu o “manto sagrado” como sinônimo de brasilidade

 

Até a bola rolar entre Flamengo e River Plate neste sábado (23), a partir das 17h de Brasília, no Estádio Monumental de Lima, no Peru, pela final da Libertadores da América, é difícil segurar a ansiedade. Para quem integra a maior torcida de um clube de futebol na Terra, pela perspectiva de ser novamente senhor da América do Sul após 38 anos, para igualar o feito do time de Zico e companhia em 1981. Para quem integra a segunda maior torcida do planeta, a antiflamenguista, pela chance de reeditar a provocação do “cheirinho”, caso o Rubro-Negro — mesmo campeão virtual do Brasileiro de 2019 — tropece diante do tradicional copeiro argentino.

Independente do resultado, daqui a apenas cinco dias, não dá para deixar de dar razão ao treinador português Jorge Jesus. Em vídeo promocional veiculado na véspera de 27 de outubro, Dia do Flamenguista e de São Judas Tadeu, padroeiro do clube, o Mister conjecturou: “Deve ser muito ruim não ser flamenguista e eu não quero saber como é isso”.

 

https://www.youtube.com/watch?v=BOUFeSaC9iQ

 

Como Campos não é exceção ao clima que tomou conta do país, seja a favor ou contra, na tarde chuvosa de hoje o 8º Batalhão de Polícia Militar (BPM) teve sua banda marcial filmada enquanto ensaiava. Não vale uma passagem para Lima, mas advivinha que música a banda da PM de Campos estava executando?

 

 

Chamado pejorativamente de “Time da Favela” pelos adversários cariocas, no que deveria ser o maior motivo de orgulho a todo o rubro-negro, qualquer um que tenha passado hoje diante do 8º BPM pôde ter a certeza da sua ocupação pelo sentimento popular. E, até em respeito à corporação, exclamar com orgulho cidadão: “Tá tudo dominado!”.

Como observou o jornalista rubro-negro Cilênio Tavares, até o cão parou no pátio para ouvir.

 

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Campeão Brasileiro de 2019, instabilidade de Gabigol preocupa Jesus

 

Expulso de maneira justa e desnecessária, Gabigol saiu de campo provocando os gremistas ao contar nos dedos os 5 a 0 da eliminação dos gaúchos pelo Flamengo na Libertadores (Foto: Reprodução)

 

O Flamengo já era campeão do Brasileiro de 2019 antes de entrar hoje na Arena Grêmio. E saiu dela com seu título mais consolidado, após o pênalti discutível, convertido por Gabigol para definir a vitória de 1 a 0. Somado ao 1 a 1 entre Bahia e Palmeiras, segundo colocado na tabela, o Rubro-Negro se isolou ainda mais na liderança: 13 pontos a apenas cinco rodadas do fim. O desafio do Fla já não é mais ser campeão brasileiro, mas o maior deles na era dos pontos corridos.

Fatura definida, noves fora as possibilidades matemáticas, resta o que o jogo de hoje deve ensinar a quem quer passar à história como primeiro time a conquistar o Brasileiro e a Libertadores na mesma temporada, depois do Santos de Pelé, que bisou a façanha em 1962 e 1963. Após reclamar da marcação com o bandeirinha e o árbitro, como já havia feito em lance anterior, Gabigol sofreu uma expulsão tão justa, quanto absolutamente desnecessária. Com um homem a mais, o Grêmio tomou conta do jogo e só não empatou por sorte.

Após a partida, o treinador português Jorge Jesus citou seu compatriota Luís de Camões para falar da “inveja”. Foi uma resposta velada, mas contundente, aos colegas brasileiros de ofício que têm sua reserva de mercado no futebol brasileiro ameaçada pelo sucesso do técnico do Flamengo, além do argentino Jorge Sampaoli, no Santos. Mesquinhez humana à parte, Jesus também admitiu estar preocupado com a falta de inteligência emocional do seu artilheiro.

Com 36 gols marcados na temporada — 22 só no Brasileiro, superando a marca história dos 21 que Zico anotou em 1980 e 1982 —, Gabibol também se destaca no recebimento de cartões: com os de hoje, já foram 19 amarelos e dois vermelhos em 2019. Adversário do Flamengo na final na Libertadores, em jogo único em Lima, no Peru, no próximo sábado, dia 23, o River Plate não é um time catimbeiro. Mas é representante do futebol argentino, que se destaca pela pressão emocional e física sobre os adversários, tanto quanto pela qualidade no toque de bola.

Comandante do River fora de campo e considerado o melhor treinador da América Latina, cotado inclusive para assumir o Barcelona de Messi, Marcelo Gallardo tem no seu volante Enzo Pérez, ex-jogador de Jorge Jesus no Benfica de Portugal, uma boa fonte de como pensa o técnico do Flamengo. Para saber da instabilidade emocional de jogadores rubro-negros como Gabigol e Arão, as fontes são suas próprias atitudes em campo.

Trinta e oito anos de história e a possibilidade de fazer outra final de Mundial, contra o mesmo Liverpool batido pelo Flamengo de Zico por 3 a 0 em 1981, são importantes demais para serem jogados fora por descontrole dos nervos. São só seis dias para colocá-los no lugar.

 

 

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Filho único de Carla, Pedro Machado morre em colisão à beira do rio Paraíba do Sul

 

Pedro Machado diante do Atlântico (Foto: Facebook)

Como várias pessoas com a vida dividida entre São João da Barra e Campos, acordei hoje com a trágica notícia da morte do jovem empresário e estudante de Direito Pedro Machado. Com apenas 21 anos, era o filho único da prefeita sanjoanense Carla Machado (PP). O Toyota Corolla que ele guiava derrapou alguns metros e colidiu de maneira violenta contra uma árvore na Av. XV de Novembro. Eram 5h30 da manhã, chovia e a pista estava molhada. Ele provavelmente perdeu a direção no desnível da pista na subida da ponte Barcelos Martins. O impacto foi todo do seu lado, ferindo Pedro no torso e provocando a morte por hemorragia interna. Seu corpo está sendo velado desde às 11h na Igreja de São Pedro, em São João da Barra. Uma missa de corpo presente será realizada às 15h, com o enterro em seguida, no cemitério São João Batista.

Pedro havia passsado a noite e madrugada no show do cantor de pagode Ferrugem, na boate Multi Place, na av. Alberto Lamego. Nos storys do Instagram, ele estava anunciando um show para a noite de hoje, em Atafona, do grupo Imagina Samba, no Cais do Porto, de propriedade de Carla, ao lado da igreja Nossa Senhora da Penha. Amigos que estiveram com ele na Multi Place, souberam do acidente e foram até o local, estavam inconformados com a tragédia. A violência da colisão, que deixou o carro destruído, parece indicar que guiava em alta velocidade, como especulado nas redes sociais. E só quem não já foi um jovem de 21 anos, com alguma condição sócio-econômica e a vida pela frente, pode especular sobre quem teve a sua interrompida por uma fatalidade.

Há alguns anos trabalhando com jornalismo político, além de sempre manter casa e vida em Atafona, conheci Pedro ainda criança, em conversas com sua mãe. Como sempre gostei muito de crianças e ele gostava muito de lutas, contei-lhe sobre a carreira e a vida de Muhammad Ali, ex-campeão olímpico e profissional de boxe, considerado o maior pugilista de todos os tempos. Dado o seu interesse, emprestei-lhe uns DVDs sobre Ali. Quando sua mãe os devolveu a mim, disse que o filho ficara tão impactado que disse a ela: “Ele foi o maior de todos, mamãe”. Ao que a Carla, ciumenta, indagou: “Maior que sua mãe?”. E ele, com a política já no sangue, respondeu: “Não, depois de você”.

Como pai de único filho, quase com a mesma idade de Pedro, me solidarizo com Carla, seu irmão Fred e toda a sua família. “Do coração do meu coração”, como reforçou Shakespeare em sua maior tragédia. A perda de um filho, sobretudo se único, deveria ser dor proibida a qualquer mãe ou pai. Mas essa é a vida real, como a de Pedro, que se foi à beira do rio Paraíba do Sul. Em suas águas castanhas, que cortam Campos para desaguar e tingir de barro o oceano Atlântico, em Atafona.

 

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