Garotinho e Wladimir contra Rafael, Caio, Rodrigo e Gil? (Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
“(Na eleição a prefeito de Campos em 2020) Quem quer Rafael Diniz (PPS) abraçado com Ilsan (Vianna, PDT), vota em Caio Vianna (PDT). Quem quer Rafael Diniz de braços dados com (Marcos) Bacellar (PDT), vota em Rodrigo (Bacellar, SD). Todo mundo lembra o que Bacellar fez na Prefeitura na época de (Alexandre) Mocaiber. E quem quer Rafael Diniz de braços dados com Zé Carlos (DC) e com os vereadores (de Campos), vota em Gil Vianna (PSL), que é da mesma panelinha. A única composição verdadeira de Campos (…) é a candidatura do nosso grupo, que será representada por Rosinha (Patri), ou por Wladimir (PSD)”.
Sumido no noticário desde que perdeu o poder em Campos após 28 anos, perdeu junto seu grupo de comunicação e foi preso três vezes, duas na operação Chequinho e uma na Caixa d’Água, o ex-governador Anthony Garotinho (sem partido) deu a declaração acima nas redes sociais locais do último dia 31. Como a ex-prefeita Rosinha está inelegível até 2026, pela reprovação das suas contas de 2016 no Tribunal de Contas do Estado (TCE) e na Câmara de Campos, o deputado federal Wladimir é única candidatura viável do garotismo para tentar reassumir as rédeas da cidade.
Em se tratando de Garotinho, a cantilena “ninguém presta, além de quem eu disser” é mais antiga que vento sul. Há anos teve qualquer poder de convencimento consumido. Mas como tudo indica que a eleição a prefeito de Campos do próximo ano será em dois turnos, atacar todos os possíveis adversários no primeiro parece péssima tática. Que já deu errado nas eleições a governador de 2014, quando Garotinho não foi nem ao turno final, e de 2018, quando a Justiça Eleitoral confirmou sua inelegibilidade — que, como ocorre agora com Rosinha, todos sabiam existir.
Qualquer chance de sucesso de Wladimir em 2020 reside na sua capacidade de se libertar dos seguidos erros do pai.
Hamilton Garcia de Lima, cientista político e professor da Uenf
Clientelismo, cargos e voto — Como as oligarquias erodem a democracia
Por Hamilton Garcia de Lima
Em artigo de setembro do ano passado (Os candidatos e suas estratégias para superação da crise política), eu dizia: “Até que ponto e em qual momento a ingovernabilidade sistêmica, contratada pela ausência de reforma político-eleitoral, vai se apresentar ao candidato vitorioso, não é possível determinar, mas é certo que o fará em algum momento (…); naturalmente, a depender do grau de resistência que seu programa encontre na sociedade e no Estado”.
O problema da disfunção eleitoral do nosso sistema político foi discutido em outro artigo (Accountability e Reforma Política), onde argumento que o sistema proporcional de lista aberta agrava e amplifica a dificuldade histórica em instituir um governo representativo. Em perspectiva diversa, a escola institucional-formalista[i] desloca a tensão para o plano das escolhas políticas, considerando que o sistema eleitoral atual “gera incentivos para o multipartidarismo” diminuindo as chances “de o partido do presidente alcançar sozinho a maioria (…) do Congresso”. Sendo assim, a escolha mais eficiente seria a de “montar e gerenciar coalizões pós-eleitorais” ofertando “recursos políticos e financeiros (…) (aos) potenciais parceiros em troca de apoio político”, processo que, em tese, requereria “negociação, não necessariamente corrupção”.
Que tal tese se tornou marginal em face do desenvolvimento mais recente de nossa tradição política, frente aos problemas estruturais conhecidos, e da puerilidade do quadro partidário, avesso ao etos programático das poliarquias estáveis, restam poucas dúvidas.
Por isso mesmo, a descrição dinâmica do modelo, de que lançam mão os formalistas, aparece sob a forma fotográfica ideal da Nova República sob FHC, como se as “escolhas do presidente” hoje estivessem postas nos mesmos termos dos anos 1995-1998, quando a crise de representatividade estava em seu início e sua solução aparentava estar no eixo paulistano do PSDB-PT: “Coalizões com um menor número de parceiros (…) ideologicamente homogêneos”, compartilhando “poder e recursos de forma proporcional com os aliados”, que espelhem “a preferência mediana do Legislativo”, produziriam “um governo de coalizão eficiente, com uma taxa de sucesso legislativo muito alta e um custo de governabilidade muito baixo”.
Como as preferências medianas do Legislativo, todavia, sofreram sensível agravamento depois de 13 anos de governos petistas e do aprofundamento da fragmentação partidária — dos 20 partidos com representação congressual em 1998 (FHC), passamos a 30 em 2018 (Bolsonaro) —, depois que o STF, em 2006, considerou inconstitucional qualquer restrição ao Fundo Partidário e ao tempo de propaganda dos partidos, é crível que os resultados da “melhor escolha”, garantidos pelo modelo, podem não ser mais satisfatórios.
O problema dessa abordagem é, precisamente, seu déficit de concretude, que permite ao analista não só desconsiderar os elementos sincrônicos da complexidade histórico-estrutural, como os diacrônicos do seu contínuo desenvolvimento, tornando, assim, sua análise pouco efetiva. Como frisava Montesquieu (1689-1755)[ii], as leis políticas (e da política) são forjadas em meio ao “gênero de vida dos povos”, vale dizer, suas relações econômicas, espirituais e costumeiras, que ele considerava o “espírito das leis” — que “consiste nas diversas relações que as leis podem ter com diversas coisas”.
Portanto, a aproximação com a realidade exige a agregação, aos modelos explicativos do funcionamento do “presidencialismo de coalizão”, dos elementos constitutivos de nossa difícil e irresoluta democratização (vide, A Democratização do Estado), calcada numa cidadania marcada pelas mazelas da disparidade moral e material deixadas pelo regime servil-escravocrata[iii] em seus 300 anos de dominação — mal superados por quase 100 anos de modernização sob a marcada do liberalismo de Casa-Grande. Mais especificamente, é preciso entender como o Parlamento, que, no momento, se arvora em antídoto ao autoritarismo bolsonarista, na verdade, consiste em um de seus importantes combustíveis — como outrora ocorreu, mesmo que por omissão, nos momentos críticos que antecederam a República (1889), a República Nova (1930) e a Revolução Redentora (1964). O DNA do nosso parlamento, associado a seu desenvolvimento, sobretudo na Primeira República (1889-1930), nos dá pistas preciosas da questão.
Entre nós, as Câmaras surgem no período colonial pela necessidade da Corte portuguesa de controlar o processo de ocupação do território, na prática levado a cabo por colonos privados escolhidos e apoiados pela Metrópole. Com o desenvolvimento da ocupação e da empresa agrário-exportadora, as Câmaras vão se transformando em aparelhos de dominação senhorial sem perderem suas características de ligação com o poder central, dando origem, na república, ao coronelismo, “sistema político (…) dominado por uma relação de compromisso entre o poder privado decadente e o poder público fortalecido”[iv].
É sob tal compromisso que os latifundiários renovam seu poder sobre a grande massa, utilizando o voto para captar recursos públicos que reforçariam a “sujeição de uma gigantesca massa de assalariados, parceiros, posseiros e ínfimos proprietários”, “quase sub-humanos (…) no trato de suas propriedades”. A “superposição de formas desenvolvidas do regime representativo (…)(a) uma estrutura econômica e social inadequada”, ao invés de produzir a emancipação dos indivíduos, como rezava a cartilha liberal, “havendo incorporado à cidadania ativa um volumoso contingente de eleitores incapacitados para o consciente desempenho de sua missão política, vinculou os detentores do poder (…) aos condutores daquele rebanho eleitoral. (…) Despejando seus votos nos candidatos governistas nas eleições estaduais e federais, os dirigentes políticos do interior fazem-se credores de especial recompensa, que consiste em ficarem com as mãos livres para consolidarem sua dominação no município”[v].
Foi por meio de tal sistema de “aparelhamento do Estado” que as oligarquias foram capazes de “conter qualquer rebeldia do poder privado”[vi], aprisionando nossas instituições e nossa cidadania nas velhas práticas coloniais-imperiais do favor. Tendo hoje caducado a necessidade de cabrestear a sociedade civil — papel desempenhado hoje pelo PT, em chave diversa (“correia de transmissão”) —, resta ainda à tradição, embora claudicante, a vital função de manter o controle sobre as instituições, impedindo-as de se republicanizar na dimensão exigida pelas modernas sociedades, ou seja, por meio do governo representativo, em oposição ao clientelismo forjado na fome de cargos e na sede de erário, que substituem o programa e o partido na livre competição pelas cadeiras legislativas.
Até aqui, conservadores, liberais, social-democratas e populistas, conseguiram manusear o modelo com maior ou menor eficiência, não importa, mas sempre apoiados numa carga disfuncional de impostos e de ordenamento burocrático-administrativo, cuja externalidade (o subdesenvolvimento) sufoca cíclica e continuamente nossa economia até a apoplexia, quando aí se faz necessário algum tipo de choque institucional para reverter a paralisia.
Os bolsonaristas estão convencidos de que este momento chegou, mas parecem presos a outro modelo que caducou: o velho autoritarismo de caserna, que, em seus vinte anos de plena vigência, não foi capaz de desatar o nó histórico, não obstante o tremendo avanço material obtido.
O viés autoritário do bolsonarismo, bafejado pelo neointegralismo olavista e suas invectivas anti-institucionais, todavia, não deveriam nos iludir quanto ao ponto nevrálgico da crise, que não está nas inclinações plebiscitárias do presidente — que são só a consequência —, mas no anacronismo de nosso sistema político, que alimenta um “pacto oligárquico” que se tornou insustentável pela sociedade e pelo Estado.
[i] Vide Carlos Pereira, Coalizão x presidencialismo plebiscitário, O Estado de S.Paulo, 02 de junho de 2019, in. <https://politica.estadao.com.br/noticias/geral,coalizao-x-presidencialismo-plebiscitario,70002853544>.
[ii] Charles-Louis de Montesquieu, O Espírito das Leis, in. Francisco Weffort, “Os Clássicos da Política”, vol. 1, ed. Ática/SP, 1993, p. 126.
[iii] Vide Caio Prado Jr., Formação do Brasil Contemporâneo, ed. Publifolha/SP, 2000, p.4.
[iv] Víctor Nunes Leal, Coronelismo, Enxada e Voto – o município e o regime representativo no Brasil, ed. Alfa-Omega/SP, 1975, p. 252.
Uma mãe que estaciona seu carro numa vaga reservada a portadores de necessidades especiais, tem que sair com seu filho acometido de paralisia cerebral, no horário da criança tomar o remédio, é impedida por um carro parado de maneira ilegal, procura o auxílio da Guarda Civil Municipal (GCM) e não encontra nenhum agente. Foi o que ocorreu no início da tarde de ontem (05), em plena praça São Salvador. A mãe filmou sua angústia e publicou em um grupo local de redes sociais, onde o vídeo viralizou e gerou vários comentários críticos.
Fruto da deseducação cotidiana do campista no trânsito, o caso seria passível de todo o rigor da lei. Mas está aparentemente isento, como tantos outros que se repetem diarimente na cidade, pela ausência do serviço público. Confira abaixo:
Atualização às 12h06 para incluir a resposta do poder público municipal: “A Guarda Civil Municipal informa que, diariamente, conta com quatro agentes de trânsito que atuam na praça São Salvador e nas ruas do Centro da cidade, sendo que os eles percorrem toda a área central e contam com o apoio de viaturas no combate às irregularidades. Nesse caso específico da reclamação, foi identificada ausência da Guarda no local devido à remanejamento para atuação em outro local dentro das necessidades de serviço. A Guarda Municipal conta com agentes de trânsito nas ruas das 07h às 19h. A Guarda Municipal volta a orientar motoristas para que respeitem a sinalização de trânsito e todos os espaços destinados à estacionamento. Situações como esta prejudicam o cidadãos e o motorista flagrado cometendo este tipo de infração recebe as sanções previstas em lei e acumula pontos na carteira de habilitação”.
O deputado federal Wladimir Garotinho (PSD) voltou a classificar como “politiqueira” e “ridícula” a ação movida pelo Psol que pede a cassação do seu mandato e do deputado estadual Bruno Dauaire (PSC) por abuso de poder. A denúncia cita, ainda, uma suposta ligação (aqui) entre um cabo eleitoral e o chefe do tráfico no Parque Eldorado, que favoreceria a eles. O parlamentar de primeiro mandato classifica o fato como “outra inverdade”. Para ele, é uma “suposição” por ter sido o mais votado na região, junto com seu aliado. Wladimir diz que não há nenhuma menção ao seu nome ou ao de Bruno em interceptações. Negou ter levado denúncias sobre a Saúde de Campos (aqui) para a Câmara no mesmo dia da movimentação do processo como forma de tentar encobrir (aqui) a notícia negativa. Já sobre o deputado Rodrigo Bacellar (SD), que o chamou (aqui) de “plano B do pai”, o ex-pai governador Anthony Garotinho (sem partido), para eleição a prefeito de Campos, Wladimir insistiu no discurso de que não é candidato: “Meu foco é o meu mandato de deputado federal”.
(Foto: Genilson Pessanha – Folha da Manhã)
Folha da Manhã — Você chamou a ação do diretório estadual do Psol que pede a cassação do seu mandato e de Bruno por compra de voto de “politiqueira” e “ridícula”. Poderia dizer por que com mais substantivo e menos adjetivo?
Wladimir Garotinho — É ação insuflada pelo candidato derrotado do governo à Câmara Federal, disse isso desde o primeiro dia. O advogado da ação do Psol é o mesmo que defende o PR no caso da perda de mandato dele. Continuo afirmando que é politiqueira e ridícula, fui às ruas e ganhei no voto, pela vontade popular.
Folha — A denúncia fala de uma ligação grampeada entre o cabo eleitoral Juninho Jubiraca e “Cotó”, preso e apontado pela Polícia como chefe do tráfico no Parque Eldorado, que comprovaria uma relação privilegiada para você e Bruno fazerem campanha naquele bairro. O que pode dizer?
Wladimir — Isso é outra inverdade. Eu não sou réu nesse processo, portanto, procurei me informar com alguns advogados que atuam nele e não existe nenhuma ligação em que apareça no áudio o nome do cabo eleitoral, muito menos o meu e o de Bruno. Estão “supondo” que seja ele porque eu e Bruno fomos os mais votados na região. Inclusive a Justiça de Campos já negou pedido de prisão dele por duas vezes, pois não existe nenhum fundamento. Deveriam se atentar ao fato e perguntar aos moradores quem foi que transformou a realidade de quem vivia na lama e hoje tem asfalto na porta, que vivia no esgoto e hoje tem um Bairro Legal. Nosso voto é consequência de trabalho e muitas realizações. Além do mais, diversos candidatos têm fotos fazendo campanha no Eldorado, o que prova que a tese da ação está errada. Só que o povo preferiu votar em quem já fez de verdade por eles.
Folha — O vice-presidente do TRE, desembargador Cláudio Brandão de Oliveira, determinou que você e Bruno revelem os endereços de três testemunhas de defesa apontadas como autores de compra de voto, e que Juninho Jubiraca preste depoimento. Como viu a decisão?
Wladimir — Trâmite normal de processo. Não tenho com o que me preocupar e tenho convicção que a ação não vai adiante. Falei o mesmo sobre uma outra ação ridícula, a do PRP, na qual já tive parecer favorável. Os derrotados e, talvez, desesperados, ficam criando ações judiciais para tentar me amedrontar e gerar confusão na opinião de alguns.
Folha — Na terça, no mesmo dia em que foram reveladas as determinações do TRE sobre seu caso, você usou a tribuna da Câmara Federal para ecoar denúncias de suposto desvio de dinheiro do SUS na Saúde de Campos. Por que não entender sua atitude como cortina de fumaça?
Wladimir — Em primeiro lugar eu não fiz as denúncias, eu apenas as li e pedi providências. Elas foram feitas por um membro do conselho que é presidente da comissão de licitação e contratos. Minha obrigação é essa. Fiz questão de frisar no discurso que todos são inocentes até que se prove ao contrário, mas as afirmações do conselheiro são gravíssimas e o caos na saúde de Campos corrobora com elas. Eu não sou homem de me esconder atrás de nada, sou do diálogo e do entendimento pela resolução de problemas, mas eu tenho posição.
Folha — Deputado estadual, Rodrigo Bacellar disse que você, ao cobrar investigação sobre a Saúde de Campos na Câmara Federal, apenas ecoou as palavras do seu pai. Conversou com o ex-governador Anthony Garotinho antes do seu pronunciamento?
Wladimir — Eu falei em defesa das pessoas que estão morrendo nos hospitais, que estão sem atendimento médico, sem remédio e sem esperança de conseguir um simples exame. Ele, como representante eleito, deveria fazer o mesmo, mas ele evita, pois o pai, Marcos Bacellar (PDT), é ligado ao prefeito e tem centenas de pessoas nomeadas em DAS ou contratadas por RPA.
Folha — Rodrigo também disse que Garotinho trabalha para tentar reverter a inelegibilidade de Rosinha (Patri) para tentar lançá-la a prefeita de Campos em 2020. E o chamou de “plano B” do seu pai. Como você mesmo já admitiu que sua mãe é o “plano A”, o deputado está correto?
Wladimir — Eu não sou plano A e nem B, meu foco é o meu mandato de deputado federal e eu nunca disse diferente disso. Tenho muito a contribuir como único paramentar na Câmara Federal e já tenho trazido benefícios à região em apenas quatro meses de mandato. Estou em constate diálogo com muitos segmentos da sociedade, que ecoam uma voz uníssona de descrença em relação ao modelo de governo praticado pela atual administração.
Wladimir Garotinho e Rafael Diniz (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
No meio político é normal que quem atravessa situação defavorável tente criar uma ruim também ao seu principal opositor. Ontem, foi o que fez o deputado federal Wladimir Garotinho (PSD), ao ecoar (aqui) na Congresso Nacional denúncias de supostos devios de recursos do SUS na Saúde de Campos. Foi uma cortina de fumaça para o fato de no mesmo dia ter sido divulgado que o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) determinou (aqui) o avanço das investigações sobre as denúncias de compra de voto contra Wladimir e o deputado estadual Bruno Dauaire (PSC).
Outra maneira de tentar sair de uma situação desfavorável, é tentar criar uma boa. Assim, atingido pelo pronunciamento assertivo de Wladimir na Câmara Federal, que cobrou investigações ao poder público federal na Saúde de Campos, o prefeito Rafael Diniz (PPS) ontem gravou e divulgou um vídeo nas redes sociais. E nele anunciou a eleição direta para diretores de escolas e creches do município. Promessa da sua campanha vitoriosa em 2016, já havia sido feita e descumprida pela ex-prefeita Rosinha Garotinho (hoje, Patri).
O problema é que o anúncio do prefeito desagradou alguns vereadores da situação, cujo apoio também se dá em troca da indicação de pessoas da sua confiança aos cargos de diretor de escolas e creches da sua base eleitoral. Em comentário ao vídeo postado por Rafael, foi o caso do edil governista Jorginho Virgílio (PRP), que declarou (aqui):
Vereador governista Jorginho Virgílio
— Desculpas meu amigo prefeito, mas como vereador eleito democraticamente como o senhor não posso aceitar mais decisões de governo sem a mínima discussão com a base de sustentação do governo… Já são 2 anos e 5 meses de governo e o parlamento não participa das decisões de governo, muitas vezes desastrosas como foi o aumento do IPTU que a equipe de governo preparou e a Câmara aprovou, mas o senhor acabou tendo que voltar atrás, como aconteceu no reajuste dos servidores… Ou o parlamento é respeitado e ouvido nas decisões de governo ou o barco vai realmente afundar…
Questionado depois pelo blog, Jorginho informou que o projeto de lei do prefeito já chegou à Câmara, mas ainda não está à disposição dos edis para análise. Ele confirmou ter cerca de 10 indicações de diretores de escolas e creches. E, embora assegure que a maioria é de concursados, admitiu que não são todos. Perguntado se o descontentamento poderia gerar um pula-pula antecipado na base, ele disse não acreditar: “Os vereadores não estão preocupados se os seus indicados se elegerão ou não. Estão preocupados com a falta de diálogo do governo”.
Apesar da resistência da bancada da situação, não é necessário pesquisa para se constatar que a eleição para diretores de escolas e creches tem o apoio maciço do magistério, alunos, pais e da população.
Rodrigo Bacellar fechou o apoio em 2020 com o PV e Jorge Magal (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Deputado estadual, Rodrigo Bacellar (SD) fechou o apoio do PV à sua pré-candidatura a prefeito de Campos em 2020. Ainda que ele trabalhe uma aliança com o também pré-candidato Caio Vianna (PDT), o apoio verde foi fechado apenas ao parlamentar. Além do partido que em 2016 apoiou a eleição de Rafael Diniz (PPS), Rodrigo também terá o apoio em 2020 do ex-vereador Jorge Magal (PSD), que mantém muita força eleitoral na região de Guarus, mesmo depois de condenado na operação Chequinho.
O deputado estadual esclareceu que foi um equívoco a nomeação (aqui) ontem de Magal em Diário Oficial (DO), npara subdiretoria-geral de Recursos Humanos da Alerj. A retificação deve ocorrer hoje: o ex-vereador na verdade será assessor parlamentar de Rodrigo, que como advogado o defendeu e inocentou das acusações criminais da Chequinho. Na eleitoral, Magal foi condenado e está inelegível até 2024, o que não o impede de atuar como cabo eleitoral em 2020.
Com capital político em Guarus importante em qualquer eleição municipal, Magal revelou que foi sondado por Rafael Diniz e pelo deputado federal e também pré-candidato a prefeito Wladimir Garotinho. Mas decidiu apoiar Rodrigo porque “ele pode ser estourado, mas sempre cumpre o que fala”.
Além de falar sobre os apoios que já amarrou a 2020, Rodrigo analisou o pronunciamento feito ontem na Câmara Federal por Wladimir, cobrando (aqui) a apuração de uma denúncia de suposto desvio de recursos do SUS na Saúde Pública de Campos:
— Está claro: Wladimir quer polarizar com Rafael. Mas, pela boca do filho, quem fala é o pai. (Anthony) Garotinho (sem partido) não é mais protagonista do jogo político de Campos. E sabe disso. Na verdade, ele trabalha para tentar fazer de Rosinha (Garotinho, atual Patri) a candidata a prefeita do grupo deles em 2020. Mas todos sabem que ela está inelegível. E acho muito difícil que isso se reverta até o próximo ano. Wladimir é só o plano B do pai.
Rodrigo será o entrevistado desta sexta (7) do Folha no Ar. O programa ao vivo da Folha FM 98,3 vai ao ar das 7h às 8h45 da manhã. Nesta quinta (6), o convidado será Roberto Dutra, sociólogo e professor da Uenf.
Parto de um mês: Rafael Diniz, João Peixoto, Nildo Cardoso e Robson Correa Vieira (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Acossado por seus próprios erros, como a desastrada suspensão (aqui) do reajuste salarial de 4,18% ao servidor, e agora por uma blitzkrieg (aqui) de pré-candidatos de oposição a prefeito de Campos em 2020, o governo Rafael Diniz (PPS) finalmente publicou hoje em Diário Oficial (DO) a nomeação do seu novo secretário de Agricultura. Assume oficialmente a pasta o técnico em agropecuária Robson Correa Vieira, o Robinho. Servidor concursado desde 1999, foi uma indicação política do deputado estadual João Peixoto (DC), para selar o apoio deste à reeleição de Rafael.
Exoneração de Nildo e nomeação de Robinho na Agricultura no DO de hoje (Reprodução)
Além da nomeação de Robinho e da exoneração de Nildo Cardoso (DEM) do cargo, para manter o ex-vereador no governo, também foi publicado hoje no DO a criação da superintendência municipal de Abastecimento. Nela, Nildo passa a responder à secratraria de Desenvolvimento Econômico. E se dedicará na nova superintedência ao seu projeto pessoal, de grande importância aos produtores rurais de Campos e região: reativar a antiga Ceasa.
No DO de hoje, criação da superintendência de Abastecimento, que será comandada por Nildo (Reprodução)
Nenhum dos fatos oficializados hoje em DO é novidade. Em 5 de maio, a coluna Ponto Final anunciou (aqui) que João Peixoto havia fechado aliança com Rafael para 2020, que provocou as mudanças administrativas de 2019. No dia 10, a coluna do empresário Murillo Dieguez anunciou (aqui) que Robinho seria o novo secretário de Agricultura e que Nildo se dedicaria ao projeto de reativação da Ceasa. E, no dia 16, as duas novidades foram confirmadas (aqui) novamente no Ponto Final.
Para uma gestão municipal que ultrapassou a metade do seu mandato com altos níveis de desaprovação, 2019 é considerado fundamental para correção de rumo, na tentativa da reeleição em 2020. Já no quinto mês do ano de véspera das urnas, demorar 30 dias na oficialização de mudanças para garantir apoio político, é tempo demais. E tempo é tudo que o governo Rafael não pode continuar a perder. A oposição dá reiteradas provas de que não vai mais perder o dela.
Muito menos conhecido do que deveria, “A Filha de Ryan” (1970), do mestre inglês David Lean, será o filme exibido às 19h desta quarta (05) no Cineclube Goitacá. A sessão acontece na sala 507 do edifício Medical Center, no cruzamento das ruas Conselheiro Otaviano e 13 de Maio. Ao final, ocorre debate, mediado por mim. A entrada e a participação são gratuitas.
Diante de “Lawrence da Arábia”, dirigido por Lean em 1962 e considerado como um dos maiores clássicos da história do cinema, difícil impedir que seu brilho solar ofusque o resto da filmografia do diretor. Mas “A Filha de Ryan” também poderia integrar, sem favor, qualquer lista de melhores filmes de todos os tempos. Sobretudo se a coletânea for do gênero romance.
A história se passa numa pequena vila de pescadores da Irlanda, durante a I Guerra Mundial (1914/1918). Vizinha à Inglaterra, a ilha da Irlanda é hoje dividida entre a Irlanda do Norte, de maioria protestante e ainda ligada à Grã-Bretanha, e a independente República da Irlanda, de maioria católica. A atual divisão só se deu a partir da Guerra de Independência do país, entre 1919 e 1921.
Durante a I Guerra, toda a Irlanda era dominada desde o séc. XVII pela Inglaterra. Que estava militarmente ocupada em disputar o poder na Europa Continental, no Oriente Médio e na Ásia contra a Alemanha, Império Austro-Húngaro e Turquia. Com a maior parte dos dominadores britânicos dedicados ao conflito global, os dominados irlandeses se animaram com seus sonhos de independência, que só seriam concretizados poucos anos depois.
O contexto político é pano de fundo para a história de um triângulo amoroso, mas fundamental em sua evolução e desfecho. Na isolada aldeia de pescadores de Killary, na península irlandesa de Dingle, Sarah Miles é Rose Ryan. Jovem saída da adolescência, sonha com um mundo que só conhece de livros de romance e catálogos de artigos femininos, enquanto o mundo real explode em conflitos sangrentos.
Órfã de mãe, Rose é a filha única de Thomas Ryan (Leo McKern) — daí o título do filme. Dono também do único bar do local, fato de importância redobrada em se tratando de irlandeses, o pai pode ser considerado rico em meio a pescadores pobres, e mima Rose sempre que pode. Líder espiritual da aldeia, o velho padre Collins (Trevor Howard, poderoso como sempre) se preocupa com o choque inevitável entre sonho e realidade da filha de Ryan.
Das poucas pontes de Rose com o mundo exterior que idealiza é o professor da vila, Charles Shaughnessy. É interpretado pelo galã Robert Mitchum, astro de Hollywood na produção britânica, convincente como irlandês. Viúvo de meia idade e fã de Beethoven, é alvo da paixão platônica da ex-aluna, que só se consuma após insistência dela. A sequência do casamento e da noite de núpcias é uma das tantas do filme que merecem destaque.
Tudo poderia ir bem naquele cenário isolado de mar, penhascos e campos verdejantes, não fosse a chegada do novo comandante da guarnição britânica instalada para vigiar as atividades dos inimigos no litoral. O jovem e garboso oficial Randolph Doryan (Cristopher Jones) chega com a fama de herói dos campos de batalha da Europa, mas revela a realidade na perna comprometida por ferimento e no trauma de guerra que o atormenta.
É pela fragilidade que Rose se aproxima do “inimigo”, jovem como ela. Como é na deficiência física que se criará o vínculo entre o oficial britânico e o louco da aldeia irlandesa: Michael, em composição que deu o Oscar de coadjuvante a John Mills. Perambulando em seu mundo particular, ele será testemunha muda, mas mímica, do romance consumado em sequência com cenas da natureza entre as mais sensíveis da história da sétima arte — mesmo em clara metáfora de ejaculação.
O mundo real surge no descarregamento de armas de um navio alemão para reforçar a resistência irlandesa contra os ingleses, durante uma tempestade. A coragem dos aldeões contra a violência do mar dialoga com outro clássico do cinema: o documentário “O Homem de Aran” (1934), de Robert Flaherty, também filmado na Irlanda. E se trata de mais uma sequência soberba, cujo desfecho se abaterá como tragédia aos protagonistas da ficção.
Há poucos filmes perfeitos. “A Filha de Ryan” é um deles. Se não fossem as virtudes de interpretação, roteiro, adaptação de época, som e música, é fruto de uma das duplas que mais contribuíram para fazer do cinema um espetáculo sobretudo visual: o diretor David Lean e o diretor de fotografia Freddie Young, também inglês. Este, pelo trabalho, levou seu terceiro Oscar, após outros dois em parceria com Lean: “Lawrence da Arábia” e “Dr. Jivago” (1965).
Ao final do filme, sem spoiler, a mensagem tem a benção do padre Collins: amar pode ser também perdoar.
Não concordo com algumas posições de Ciro Gomes, cujo destempro pessoal, não muito diferente do presidente Jair Bolsonaro, demonstra há anos ser seu pior inimigo.
Mas assisti só hoje a uma palestra do político cearense, feita no final do mês passado, em que ele dá a melhor definição do lulopetismo diante do governo Bolsonaro que ajudou a eleger:
— Tem petista que se assemelha a uma cartomante com Alzheimer: sabe tudo o que vai acontecer daqui a 4 anos, mas não lembra de nada do que aconteceu 16 para trás.
Basta zapear pelas redes sociais, observar quem de cara limpa credita apenas ao atual governo a crise econômica criada pelo PT no poder, para constatar o quanto a definição de Ciro é correta. E, ao menos, dar boa risadas.
Josiane Morumbi e Genásio vão debater ao vivo o servidor de Campos, às 7h desta segunda (03), no Folha no Ar (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Assunto presente no noticiário das últimas semanas, os servidores de Campos voltarão à pauta do Folha no Ar a partir das 7h da manhã na próxima segunda (03). O programa da Folha FM 98,3 recebe os vereadores Josiane Morumbi (PRP) e Genásio (PSC) para debater o tema, que vinha quente e alcançou a fervura quando o governo Rafael Diniz (PPS) retirou (aqui) na última terça (28) a proposta de reajuste salarial de 4,18% à categoria.
Os servidores pressionaram a Câmara Municipal. No sessão do dia 29, o presidente Fred Machado (PPS) anunciou (aqui) o convite ao secretário municipal de Gestão, André Oliveira, numa sessão extraordinária na próxima quinta (06). A edil de oposição Josiane foi além e protocolou (aqui) um ofício para que o próprio prefeito vá ao Legislativo goitacá se explicar. Ela vai explicar por que no debate com o líder governista Genásio no Folha no Ar.
Victor Aquino, Lesley Beethoven, Roberto Dutra e Rodrigo Bacellar (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Sempre das 7h às 8h30, de segunda a sexta, o programa da Folha FM terá sequência na terça (04), com o secretário de Transportes de São João da Barra, arquiteto e militante bolsonarista, Victor Aquino; na quarta (05), com o presidente do PSDB em Campos, Lesley Beethoven; na quinta (06), com o sociólogo e professor da Uenf Roberto Dutra; fechando a semana na sexta (07), com o deputado estadual Rodrigo Bacellar (SD).
Passeata pela educação ontem (30) reuniu ontem (30) 2 mil no Boulevard de Campos (Foto: Keven de Oliveira)
Contabilidade das ruas
Até às 20h40 de ontem (30), os protestos contra os cortes do governo Jair Bolsonaro (PSL) na educação pública tinham sido registrados em 129 municípios de 25 estados da União, mais o Distrito Federal. O levantamento foi do G1, que apurou adesão maior aos protestos pela educação do dia 15: até o mesmo horário tinham chegado a 156 cidades de todos os 26 estados. Como a contabilidade final daquelas primeiras manifestações chegou a 222 municípios, é possível que os números de ontem cresçam mais. No dia 26, os protestos a favor de Bolsonaro chegaram ao total de 156 cidades em todos os estados.
É a economia, estúpido!
Independente dos números, os protestos bolsonaristas surtiram efeito. Acuado pelas repetidas trapalhadas do seu governo, dos seus filhos e astrólogo nas redes sociais, mais as ruas do dia 15, o presidente ganhou fôlego nas ruas do dia 26, mesmo com adesão inferior no número de cidades brasileiras. No dia 28, os presidentes da Câmara, Senado e Supremo Tribunal Federal (STF) aceitaram o convite de Bolsonaro por um pacto pela estabilidade institucional e pelas reformas. Mesmo que sejam conduzidas pelo Congresso no “parlamentarismo branco” instalado no país, serão elas e seu resultado econômico que ditarão o futuro do governo.
Em Campos
Campos não foi exceção no movimento das ruas do Brasil. E seus manifestantes pela educação parecem ter aprendido lições importantes. Primeiro, ontem não voltaram a fechar vias públicas, atrapalhando o direito de ir e vir alheio, como tinham feito dia 15 na av. Alberto Lamego, em frente à Uenf. Segundo, após não contabilizarem o primeiro protesto, diferente dos bolsonaristas que anunciaram ter levado 400 campistas às ruas no dia 26, a organização do evento de ontem anunciou uma soma bem superior: 2 mil participantes. E quem viu ao vivo ou pelas imagens do Boulevard não tem motivo para duvidar.
Lições
Se a lição foi aprendida na planície goitacá, o mesmo não ocorreu no Planalto Central. Em Brasília, quando a passeata de ontem se encaminhava ao Congresso, houve um princípio de tumulto entre manifestantes e policiais militares, que usaram spray de pimenta e prenderam um homem. Apostar no confronto sempre será perigoso contra um presidente que se elegeu e pretende governar estimulando-o. Dos dois lados, bom lembrar: foi a repressão policial que deu força às Jornadas de Junho de 2013. Como foi o rojão disparado por um manifestante em 2014, ao matar um cinegrafista da Band, que sepultou aquele movimento.
Cores e erros
Outra lição que a esquerda brasileira não aprendeu é meramente cromática, mas tem grande relevância. Nos protestos de ontem, voltaram a dominar as bandeiras vermelhas, em contraste ao amarelo e verde das manifestações pelo governo. Quem entrega a bandeira nacional ao oponente, pode entregar junto a nação. Foi o que ocorreu na eleição presidencial de 2018. No segundo turno, quando a batalha já parecia (e estava) decidida, beirou ao ridículo a tentativa da candidatura petista de Fernando Haddad de tentar trocar o vermelho da sua campanha pelo verde, amarelo, azul e branco. Quem não aprende com seus erros, os repete.
Aposentadoria
Prefeito de Conceição de Macabu por quatro mandatos, o campista Cláudio Linhares anunciou no último domingo, durante a 28ª edição da Feijoada da Folha, que vai se aposentar da política. Sem partido desde que deixou o MDB, depois dos recentes escândalos da legenda no Estado do Rio de Janeiro, Cláudio apoiou ex-prefeito carioca Eduardo Paes (DEM) para Governo do Estado e o ex-capitão Jair Bolsonaro (PSL) para presidência. Apesar da força da máquina, como na esmagadora maioria dos municípios fluminenses, não conseguiu fazer com que Paes superasse o fenômeno Wilson Witzel (PSC).
Vice
Cláudio Linhares foi eleito pela primeira vez em 2000, pelo PSB, quando obteve apenas 85 votos a mais do que o segundo colocado, Ercínio Pinto (PDT). Quatro anos depois foi reeleito com 410 votos à frente de Lídia Mercedes, a Têdi (PT). Em 2008, Cláudio lançou a candidatura do vice Marcos Couto (PMDB), mas foi derrotado por Têdi, que também ganhou de Linhares no confronto direto em 2012. Porém, a petista foi cassada pela Justiça Eleitoral em 2013 e ele assumiu a prefeitura. A população o manteve no cargo em 2016 e agora ele anunciou que vai colocar novamente o vice, desta vez Helinho Guerhard (PR), na disputa do ano que vem.
Deputada Clarissa Garotinho entregou hoje seu projeto ao presidente Jair Bolsonaro (Foto: Divulgação)
Durante reunião da Bancada Feminina nesta quinta-feira (30) com o presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL), a deputada Clarissa Garotinho (Pros) entregou em mãos ao presidente proposta de criação no âmbito federal do programa “Um Lar para Mim”. O objetivo é estimular no Brasil a adoção de crianças e adolescentes.
“O programa está em efetividade no Estado do Rio de Janeiro e tem como objetivo o incentivo a adoção de crianças acima da faixa etária de 5 anos de idade. No Brasil, existem cinco vezes mais famílias dispostas a adotar do que crianças para serem adotadas. A burocracia emperra também precisamos de um novo olhar para a maiores, que tem chances muito menores de conseguir um novo lar”, afirma a deputada.
A proposta consta do requerimento de indicação 773/19, de autoria de Clarissa, que sugere a criação de um auxílio-adoção para servidores.
De acordo com o programa, famílias que optarem pela adoção de crianças e adolescentes podem receber benefício que varia entre três e cinco salários mínimos, variando de acordo com a faixa etária. O incentivo também seria aplicado para famílias que optarem pela adoção de crianças de 0 a 5 anos com deficiência ou doença grave que exija acompanhamento médico permanente.
De acordo com dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), atualmente cerca de nove mil crianças aguardam por adoção em instituições de acolhimento de todo o País, mas apenas 7,3% dos pretendentes à adoção aceitariam crianças com mais de 5 anos.