“O Captain! my Captain! rise up and hear the bells;
Rise up — for you the flag is flung — for you the bugle trills”
“Ó Capitão! meu Capitão! Ergue-te ao dobre dos sinos;
Por ti se agita o pendão e os clarins tocam teus hinos”
(Walt Whitman a Abraham Lincoln)
Soffiati na charge de Marco Antônio Rodrigues
Já escrevi aqui, que tenho o historiador Aristides Arthur Soffiati na conta de irmão, mestre e maior intelectual vivo destas terras de planície paridas e cortadas pelo Paraíba do Sul. Num gesto digno de elogio, o deputado estadual Dr. Julianelli (Rede), campista radicado há anos em Resende, vai entregar amanhã a Soffiati a Medalha Tiradentes, mais alta honraria concedida pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). A cerimônia está marcada para às 19h dessa sexta, dia 15, na Câmara Municipal de Campos.
Abaixo, o convite feito (aqui) por Soffiati na democracia irrefreável das redes sociais, a reprodução do convite impresso pela Alerj e a repetição da cena final do filme “Sociedade dos poetas mortos” (1989), do mestre australiano Peter Weir, como homenagem particular:
Senhoras e senhores,
Entendeu o Deputado Estadual Dr. Julianelli distinguir-me com a Medalha Tiradentes, alta comenda da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Sinto-me honrado pela distinção por conhecer bastante bem o Dr. Gláucio Julianelli. Ele é campista, mas, há muitos anos, está radicado na cidade de Resende. Médico, ele também é militar do Exército. Ele me honra ao propor-me a comenda porque é também um homem honrado e honesto. Excelente médico e militar, ele é agora excelente representante do povo na Alerj.
Se não posso enviar convite a todos, permitam-me convidá-los, de forma virtual, à solenidade de entrega da medalha e do respectivo diploma na Câmara Municipal de Campos dos Goytacazes, no próximo dia 15 de abril às 19 horas.
Atualização às 22h17 para correção do partido do deputado Dr. Julianelli, que está no Rede Sustentabilidade, não no Psol, como inicialmente colocado.
Se eclodem pelo país as manifestações favoráveis e contrárias ao impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), Campos já tem marcadas suas, num sentido e no outro também.
Amanhã (15/04) quem defende o governo federal se reunirá para fazê-lo às 16h, em frente a rodoviária Roberto Silveira, de onde está programada uma passeata até o Pelourinho, no Boulevard Francisco de Paula Carneiro. A manifestação pró-Dilma se repete no domingo (17/04), dia da votação do impeachment, no Jardim do Liceu de Humanidades de Campos. Também no domingo, dia que promete parar o Brasil, quem defende o afastamento da presidente se reunirá na praça São Salvador, onde será instalado um telão para acompanhar ao vivo a votação na Câmara Federal.
Para maiores informações, basta clicar aqui e aqui. Independente do resultado no domingo, quem vence é a democracia.
Alterações de discurso são muitas vezes mais reveladoras do que confissões. Quando a retórica abandona a disputa direta do objeto, para se fixar no desmerecimento da mesma, ou projetando-a numa suposta tentativa de depois, quase sempre é uma maneira de tentar manter a pose quando já não dá mais para disfarçar os acessos de tosse da vaca, acometida da gripe contraída na umidade do brejo.
Desde o discurso raivoso de Dilma de ontem (aqui), classificado aqui pela jornalista Vera Magalhães de “cerimônia prévia do adeus”, até a revelação da presidente (aqui), hoje, diante de jornalistas, de que, se vencer no domingo, proporá um pacto, mas se perder, será “carta fora do baralho”, é visível o desânimo em quem ainda se simula impermeável à lógica dos fatos criminosos eviscerados na operação Lava Jato, ou ao desastre econômico do governo federal, com custo de 282 brasileiros (aqui) desempregados a cada hora.
Nesse clima sem música de Baile da Ilha Fiscal (o último do Império no Brasil, antes da proclamação da República em 1889), dois textos foram produzidos na circunscrição goitacá da democracia irrefreável das redes sociais, que este “Opiniões” pede licença para republicar abaixo.
O primeiro (aqui) é de Léo Zanzi, militante dos movimentos negros, dirigente municipal do Psol e servidor público federal. O segundo (aqui), mais longo, é do Fernando Leite, fundador do PT na Campos do início dos anos 1980, jornalista e poeta.
Muito embora agora talvez seja um pouco tarde, a toada de ambos parece ecoar a advertência de Chico Buarque, feita ao então presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), numa longa entrevista a O Globo, ainda em 2004, mas aparentemente ignorada de lá para cá: “Vai dar merda!”
Na dúvida do desfecho, confira abaixo os textos de Léo e Fernando:
Léo Zanzi, servidor federal e dirigente do Psol
Será que Deus pode me julgar?
Por Léo Zanzi
Deus usa barba, mora em São Bernardo move milhares de pessoas, divide o pão com os ricos, fez escola com os diabos tucanos e pemedebistas, também tem lá seus Judas delatores. Se diz crucificado, mas comprou o martelo e os pregos. E o pior, tira dos pobres para dar aos ricos.
Mas é Deus, jamais deve ser questionado pelos seus seguidores. Mas não mais com a barba de molho! Como não sou servo do senhor, duvido da sua bondade. Mas é o todo poderoso, afinal tem até ateu devoto do ser supremo.
O senhor não é meu pastor e tudo nos faltará. Já está faltando.
Fernando Leite, jornalista e poeta
O PT, o impeachment, os meus amigos e eu
Por Fernando Leite
Tenho amigos no PT, o que me inibe muitas vezes, de proclamar diatribes contra o alto comissariado do Partido. Embora o momento peça temperança, os ânimos cívicos estão à “pele da flor”. Espadachins do ódio inútil, revidam a crítica mais amena, com furor de ofendidos na alma. A palavra vira florete!
É findo o civilizado debate de ideias. Está instaurado o pugilato verbal.
Prometi a mim mesmo, não devolver a raiva ideológica na mesma proporção. Simplesmente, rejeito a raiva. Ela não é minha. Que fique com o seu dono. Por isso, tenho procurado evitar o tema.
Também, muito por asco.
Mas, me perdoem, não posso mais ouvir quieto este mantra; “não vai ter golpe!”
A frase se transformou no único álibi de um governo putrefato. Os nossos gestores, até nas vicissitudes, têm mania de grandeza. Para acusá-los, a Justiça pode recorrer ao corolário interminável de crimes que já cometeram.
Já teve o golpe. Aliás, foram muitos e todos sob o beneplácito e as barbas de Lula e da companheirada.
O que houve na Petrobras foi GOLPE! Provem que não. Sei, dirão que a roubalheira é antiga e remonta a outros partidos. Mas crimes pretéritos não justificam crimes presentes, nem futuros. Poderia citar Pasadena, o BNDES, o Banco do Brasil e outras autarquias com seus cofres violados.
No caso explícito da Petrobras, ladrões bem postos abordaram a empresa da sociedade brasileira e tungaram 9 bilhões só de propinas, transformando-a numa instituição com um passivo de 59 bilhões de reais e afundando-a no pré-sal do ranking das petroleiras internacionais.
Lula e Dilma nada souberam sobre isso. O casal governa Pasárgada! Não são acusados por tamanho assalto!
A questão que está posta nas inflamadas discussões, são as “pedaladas fiscais” e o debate interminável se configuram crime de responsabilidade ou não. Juristas pró impeachment dizem que sim, juristas anti-impeachment dizem que não.
Julgar é interpretar à luz do Direito. Há os que entendem que maquiar o superávit primário, com dinheiro dos bancos públicos e não com recursos do Tesouro, que é o republicano. E, por conseguinte, desorganizar de tal ordem a economia, que todas as agências internacionais rebaixaram o status do país, além do desemprego e do flagelo da inflação, é crime. Juristas e economistas se engalfinham nessa equação.
Impeachment sem crime é golpe! Golpe eleitoral e aparelhamento do Estado é alta traição.
Repito, pessoalmente, sou contra o impeachment de Dilma Vana Roussef. Não por outra razão, que não seja a de vê-la, em romaria, até o fim do caminho, com o incômodo cadáver do governo nas costas.
O impeachment é uma invenção da Câmara inglesa. De tal forma guarda ainda marcas do rito do reino de Sua Majestade, Elizabeth, a Primeira, que nem há tradução literal para o termo. O que mais se aproxima é impedimento. É um julgamento político, em sua essência. Por isso se dá no Parlamento, que não tem o feitio das cortes judiciárias.
Mas, confesso que pouco me interessa o impeachment, como ato solitário. Defendo eleições gerais — de vereador a presidente. Nada e ninguém me obrigam a escolher um lado nesse duelo de bandidos ao pôr do sol. Não temo julgamentos, nem de terceiros, nem da história. Só me preocupa o que dirá, de mim, minha consciência.
Digo isso sem nenhuma alegria. Estive no movimento de fundação do PT no município. Votei sistematicamente no Partido, na maioria das eleições. Votei em Lula muitas vezes, mas confesso que ele e Dilma me desesperançaram.
O roubo público não deveria combinar, sequer, com a mais leve leniência do Partido, quanto mais com a ação deletéria de alguns de seus mais destacados medalhões.
Mas há vida política ao largo do PT e dos partidos conservadores, que, realmente, querem vingança eleitoral. Os de sempre, fáceis de serem identificados, pela boca torta, pela artéria aorta e pelo sangue ruim.
Rechaço o maniqueísmo fomentado pela grande mídia, enormes aparatos de Poder, como bem identificou Marshall MacLuhan. Eles não me enganam. Nunca me enganaram.
Minha utopia não morreu. Procuro nos Partidos modernos, com preocupações ambientais e planetárias, o guardião, fiel depositário do meu sonho de uma Pátria justa, uma frátria.
Perdoem-me meus amigos, que, com honestidade intelectual de mim divergem. Sigamos, em paz, com nossas convicções. Não nos converteremos um à causa do outro.
Perdoem-me vivandeiras e carpideiras de Lula, mas vossos líderes tanto fizeram que, pelos sinais das ruas, muito provavelmente, abreviaram a sua cerimônia do adeus. Com impeachment ou não.
Ornella Muti e Vicent Perez, o Capitão Tornado (foto: divulgação)
Você gosta mais de teatro ou cinema? Se ficou na dúvida, deveria tirá-la nessa quarta-feira, 13 de abril, a partir das 19h30, quando o Cineclube Goitacá exibe “A viagem do Capitão Tornado”, na sala 507 do edifício Medical Center, no cruzamento da rua Conselheiro Otaviano com avenida 13 de Maio. Com apresentação seguida de debate, ambos mediados por mim, a sessão será também uma homenagem ao seu diretor, o mestre italiano Ettore Scola (1931/2016), morte no último dia 19 de janeiro.
Desde que assisti ao filme pela primeira vez, em 1990, logo após seu lançamento, de cara passei a considerá-lo como o melhor que já tinha visto sobre teatro. A condição só seria dividida a partir de “Birdman ou (A inesperada virtude da ignorância)”, que em 2015 rendeu o primeiro Oscar de melhor diretor ao mexicano Alejandro González Iñárritu, prêmio bisado este ano, com “O regresso”.
Massimo Troisi na pele de Pulcinella (foto: divulgação)
Mas se Hollywood fez o anti-hollywoodiano “Birdman” para retratar os palcos da Broadway contemporânea, a produção franco-italiana “Capitão Tornado” percorre a França do século 18, alguns anos antes da Revolução Francesa, junto da modesta companhia itinerante que encena em castelos suntuosos e vilarejos miseráveis um dos pilares do teatro ocidental: a “Commedia dell’arte”. O conceito nasceu na Itália entre as Idades Média e Moderna, baseado na improvisação de atores analfabetos, como era a maioria do povo à época. Numa Europa rural, se deslocavam em carroças cobertas que serviam como transporte, casa, palco, coxia e cenário. E foi assim que deram início à profissionalização do teatro.
Nessa aconchegante confusão mambembe, o jovem barão de Signorac (o suíço Vicent Perez), falido e imaturo, se junta a trupe de atores que se refugia em seu castelo decadente, numa noite chuvosa. Entre a arte que imita a vida para ser por ela imitada, Signorac passa a aprender sobre uma e a outra também, até ter sua vida antes vazia de nobre preenchida pela arte de um intéprete marcado por seu personagem: o Capitão Tornado.
Não por coincidência, quem introduz Signorac tanto na arte, quanto na nova vida, é quem nesta assume as funções mistas de servo e conselheiro: o palhaço Pulcinella, interpretado pelo italiano Massimo Troisi (1953/94), mais conhecido por seu papel derradeiro em “O carteiro e o poeta” (1994), de Michael Radford. E mais uma vez, da vida à arte, essa junção do bufão atrapalhado, egresso das camadas sociais mais baixas, tem a contrapartida no herói de origem nobre, num duplo de arquétipos característico da “Commedia dell’arte” que seguiria popular até nossos dias.
Quem também está no elenco, ainda linda, é a diva italiana Ornella Muti, na pele sedutora de Serafina. Apesar da vida difícil de mulher sem pai ou marido naqueles tempos, quando as lidas de atriz e prostituta eram confundidas ao bel prazer dos homens da nobreza, ela consegue ensinar-lhes como ser menos fiel ao ouro do que às metáforas.
Nessa quarta, a entrada e o debate no Cineclube Goitacá, como sempre, são livres. Por ora, equilibrado entre vida e arte, fique com o trailer desse pequena obra prima de um gênio do cinema:
Atualização às 13h52 de 13/04: Confira aqui a matéria sobre a sessão de hoje no Cineclube, publicada na capa da Folha Dois de hoje, assinada pela jornalista, escritora e crítica de cinema Paula Vigneron.
Paulo Feijó na Câmara Federal onde votará pelo impeachment de Dilma no próximo domingo, 17 de abril (foto: divulgação)
Como o blogueiro Christiano Abreu Barbosa previu ontem aqui e o Alexandre Bastos confirmou hoje aqui, o deputado federal Paulo Feijó vai mesmo votar a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), na sessão da Câmara do próximo domingo, dia 17.
De Brasília, por telefone, o deputado revelou agora há pouco ao blog que tinha tomado essa decisão há algum tempo. Embora tivesse ciência que seu voto vinha sendo até então contabilizado como indeciso pela mídia nacional, ele aguardava uma decisão do PR pela liberação da bancada. Na verdade, com o voto pelo impeachment, temia afetar sua indicação para presidente de uma bancada da Câmara, como havia sido adiantado aqui, acordada nas negociações em que deixou de ir para o PSD, para ficar no PR. Mas como o partido não tomou uma decisão coletiva, Feijó resolveu revelar hoje seu voto, a cinco dias de fazê-lo diante dos olhos de todo o Brasil:
— O PR realmente estava muito rachado nessa questão (do impeachment). Estava aguardando uma posição coletiva, não só porque temia perder a indicação pelo partido numa comissão da Câmara, como por conta do meu projeto para instalar uma linha férrea de turismo entre Campos e São Fidélis. As locomotivas já estão em Campos e os vagões devem chegar ainda este mês. Para que isso aconteça, é preciso contar com boa vontade do governo. Mas como a decisão do partido não aconteceu, resolvi deixar meus interesses e projetos pessoais em segundo plano e votar de acordo com aquilo que, diante da minha consciência, eu acho melhor para o Brasil.
Indagado sobre quais motivos o farão votar pelo impeachment da presidente, o deputado apresentou justificativas jurídicas, políticas e pessoais:
— Voto pelo mérito da questão. As “pedaladas” configuram, sim, crime de responsabilidade. E a presidente sabia exatamente o que estava fazendo. Além do mais, a verdade é que nestes 13 anos de PT foram um atraso para o brasileiro, e o povo agora está vendo isso. A operação Lava Jato abriu os olhos da população. Então, hoje e no domingo tenho que estar sintonizado com o eleitor fluminense, sobretudo no Norte e Noroeste do Estado, em sua grande maioria favorável ao impeachment. Também não posso esquecer que na minha trajetória sempre fui muito criticado pelo PT, por esse pessoal do sindicato. O PT está colhendo o que plantou.
Segundo Christiano informou ontem em seu “Ponto de vista”, a deputada Clarissa Garotinho (PR) também votará a favor do impeachment da presidente Dilma.
Confira a cobertura completa do assunto amanhã (13/04), na edição de amanhã da Folha da Manhã
Em 1989, um jovem político destronou uma velha liderança e assumiu as rédeas do poder em Campos pelos 27 anos seguintes. Hoje, quando o Garotinho reflete apenas um nome, um dos que se lança para tentar destroná-lo é o jovem neto do velho líder do passado. Após explicar porque considera o governo Rosinha Garotinho (PR) “um dos piores da história”, o vereador Rafael Diniz (PPS) disse não ter dúvida do futuro: o prefeito de Campos será da oposição.
Rafael Diniz (foto: Folha da Manhã)
Governo Rosinha — Um dos piores da história! O governo que mais arrecadou e ainda assim tem a Educação nas últimas posições do Ideb, a Saúde completamente abandonada, o transporte público caótico, obras paradas, funcionalismo desvalorizado. E ainda venderam por duas vezes nossos royalties, comprometendo o nosso futuro pelo menos até 2020. Completa ausência de prioridade e transparência. Até hoje não buscaram alternativas a dependência dos royalties, como por exemplo ciência e tecnologia, agricultura e turismo. E, se a gente for pensar, não faltou oportunidade para que isso fosse feito. Em 2013, tivemos um aviso disso, no momento em que saiu a decisão do Congresso pela redistribuição dos royalties, nos deixando presos a uma liminar, que pode cair a qualquer instante. E, mesmo com o aviso, nada foi feito até agora. É ou não é para falar que se trata de um dos piores governos da nossa história?
Oposição – Acredito que vem cumprindo muito bem o seu papel e se fortalecendo cada vez mais. Discordo quando as pessoas falam que existe vaidade na oposição. Todos temos o direito de nos lançarmos e defendermos o nosso espaço. Até porque, como o próprio nome diz, somos apenas pré-candidatos. E muita coisa pode acontecer até o lançamento das futuras candidaturas. O que não pode existir é desrespeito e ataques entre nós, opositores. Pois uma coisa é certa: todos temos que estar juntos num eventual segundo turno. E outra coisa é mais certa ainda: o futuro prefeito de Campos é da oposição.
Crítica sem proposta – É a maior mentira do mundo! Quem acompanha nosso trabalho, e falo por mim e outros colegas da oposição, sabe que apresentamos, sim, propostas e projetos que o governo prefere engavetar ou não ouvir. Posso citar três projetos meus: a criação de um pólo universitário, buscando a valorização desse setor tão forte em nossa cidade; a criação de bicicletário público e a eleição direta para diretores das escolas municipais. Sem falar nas várias vezes que debatemos a lei orçamentária, quando apresentamos nossas emendas buscando o fortalecimento de pontos como agricultura, ciência e tecnologia, esporte, trabalho e renda, educação, saúde, cultura. E nenhuma delas foi aceita. Somos, sim, propositivos, mas não podemos deixar de apontar todos os problemas que esse desgoverno causou na nossa cidade. Além de legislar, nossa função também é fiscalizar.
“Independentes” – Os vereadores da bancada “independente” têm contribuído, e muito, com os nossos trabalhos na Câmara. Eles podem muito bem dizer que o governo, ou melhor, desgoverno, vai de mal a pior, pois estiveram lá e hoje não estão mais exatamente por entender que quem manda na Prefeitura não cuida de Campos como deveria. Vale dizer que eles nos ajudaram bastante na nossa tentativa de impedir a segunda “venda do futuro”, como também na absurda reformulação do Código Tributário.
Vir de vice – Eu sou pré-candidato a prefeito. E é nesse contexto que nós vamos seguir.
Vice – Uma hora o nome vai surgir. E estou trabalhando para que seja o melhor nome possível. Temos dialogado com várias pessoas, sejam com mandato ou não, e até as convenções traremos um nome para formar a nossa chapa.
Nominata – Temos trabalhado bastante e pretendemos alcançar de três a quatro cadeiras na Câmara. Hoje, posso falar pelo PPS, mas acredito que, na formação da coligação, novos partidos possam se aproximar. A Rede do vereador Marcão é um partido muito importante nesse processo e certamente estará em nossa coligação.
Neto de Zezé x Garotinho – A história nos prepara e também nos leva a momentos que podem nos remeter ao passado. Mas não é nisso que eu me prendo. A história deles (Zezé Barbosa e Anthony Garotinho), lá atrás, foi uma. E a minha, aqui e agora, é outra. Carrego o orgulho de ser neto de Zezé e filho de Sérgio Diniz. Como eles me ensinaram, meu sonho é um só: ajudar a reconstruir esta cidade; que não é de político nenhum. O verdadeiro dono de Campos é o campista.
“O governo Rosinha é um dos piores da história. Foi o que mais arrecadou e, ainda assim, venderam nossos royalties duas vezes, comprometendo nosso futuro pelo menos até 2020”.
“Os ‘independentes’ podem muito bem dizer que o governo, ou melhor, desgoverno, vai de mal a pior, pois estiveram lá e hoje não estão mais exatamente por entender que quem manda na Prefeitura não cuida de Campos como deveria”.
“A história deles (Zezé Barbosa e Anthony Garotinho) foi uma. A minha, aqui e agora, é outra. Carrego o orgulho de ser neto de Zezé e filho de Sérgio Diniz”.
Estes foram alguns trechos da entrevista concedida hoje pelo vereador Rafael Diniz (PPS), pré-candidato à sucessão da prefeita Rosinha Garotinho (PR). Confira a íntegra da entrevista amanhã (12/04), na Folha da Manhã.
Do lado de cá da apuração, alguns lances revelaram a importância que o ex-deputado Alberto Dauaire tinha no cenário político da região. A quem apurou, dois marcaram mais. O primeiro, do governador Luiz Fernando Pezão (PMDB). Sob a pressão combinada da grave crise financeira no estado do Rio com a gravidade da sua situação pessoal de saúde, ele achou tempo, mesmo internado num hospital, para digitar e enviar de próprio punho a mensagem pessoal (aqui), antes mesmo que sua assessoria o fizesse com mais extensão e formalidade:
— Alberto Dauaire era um grande amigo e um companheiro de muito tempo. Conhecemos-nos em 1982, quando entrei na política. O estado do Rio perdeu um grande político.
Entre os que me couberam ouvir, na divisão de trabalho com os jornalistas Arnaldo Neto, Suzy Monteiro e Antunis Clayton, o segundo depoimento que mais marcou foi (aqui) o do também ex-deputado estadual Fernando Leite, atualmente sem partido. Jornalista sem jornal, mas atuante nas redes sociais e em seu blog como “ronin” (samurai sem senhor), ele destacou a elegância de Alberto, unanimidade entre os testemunhos colhidos, mas na prosa com jeito de verso que só um (bom) poeta seria capaz de cometer:
— Alberto Dauaire tinha a fleuma dos lordes ingleses. Até sua figura física lembrava esse traço de sua personalidade política. Era discreto, elegante, falava manso. Quando eu cheguei à Alerj, em 1990, encontrei no jardim frontal do prédio anexo, uma placa que fazia referência aos seus sete mandatos consecutivos.
Na concordância com a definição de Fernando, nessa “fleuma inglesa” do brasileiro filho de imigrantes libaneses, o pensamento se estendeu até Thomas Edward Lawrence (1888/1935). Arqueólogo, militar e escritor britânico, ficaria mais conhecido no mundo como Lawrence da Arábia, nome que batizaria um clássico do cinema dirigido em 1962 pelo mestre inglês David Lean (1908/91), com o irlandês Peter O’Toole (1932/2013) inigualável no papel-título.
Na vida real, detalhada em seu livro “Os sete pilares da sabedoria”, Lawrence narra em pormenores a Revolta Árabe, em apoio aos britânicos e franceses, na qual ele comandou “ondas de homens” de língua e cultura diferentes da sua contra o Império Turco Otomano, durante a I Guerra Mundial (1914/18). Historiador, guerreiro e prosista de raro brilho, entre as muitas faces de um gênio renascentista em pleno século XX, Lawrence impressionava também por sua lealdade ao general Edmund Allenby (1861/1936), comandante da frente britânica no Oriente Médio.
Em dado momento das mais de 600 páginas do livro, nas quais demonstra dotes incomuns de inteligência, cultura e sensibilidade, Lawrence ressalva que Allenby poderia não possuir a agudeza do seu pensamento, mas embainhava dentro de si o gume mais grave do leme que determina o curso dos grandes navios.
O primeiro depoimento colhido sobre Alberto Dauaire, filho brasileiro daquele Oriente Médio redesenhado por Lawrence e Allenby, foi de quem me deu a notícia momentos após sua morte: seu filho Betinho. Ao falar consternado pelo telefone sobre a vida e morte do pai, confidenciou só então ter a dimensão do que seu interlocutor sentira quando perdera o seu — um neto de imigrante português, igualmente capaz de reunir a realidade da sua família em torno do seu sonho.
Mais tarde, na escolha entre as muitas fotos da carreira do patriarca dos Dauaire postadas nas redes sociais por Cacá, seu outro filho, visando aproveitá-las na edição de ontem da Folha, entre Brizolas, Albertos, Dodozinhos e Zezés, inevitável refletir sobre o muito que esses homens passaram e fizeram. Olhar para seus tempos e feitos, remete a quem divisa da popa a esteira de espuma rasgada nas águas por um grande navio. O mesmo no qual todos hoje navegamos sem leme nos mares do município, do estado e do país.
Querido leitor, peço que volte ao tempo comigo, poucos dias, prometo trazê-lo logo com um novo sabor para o mesmo café que tomarás.
Caminhando próximo ao IFF, soube, ao meu lado abriram uma ferida numa menina, tão grande que pele nenhuma cicatrizaria. 1 Minha respiração pediu tempo ao corpo e minha alma refúgio. À noite um jovem de 18 anos será morto a tiros enquanto conversa com um amigo sentado na calçada de Travessão. 2 Há poucas horas, a primeira das sete balas perfurava a cabeça de um adolescente de 14 anos. 3 Amanhã os jornais noticiarão, morrerá um homem no Parque Prazeres 4 enquanto outro jovem é baleado em Guarus 5, mas dessa vez não será você, caro leitor, nem eu.
Depois de amanhã morrerá o jovem, vítima do amanhã, no Hospital Ferreira Machado. 6 Não resistiu às dores desse mundo, levou as lágrimas da família, a esperança no futuro, deixou as tristezas dessa terra manchada de sangue. Mas dessa vez não foi você, leitor, nem eu.
Chegamos ao dia presente, agora, já não posso dizer, se amanhã será eu ou você. 7 Para alguns o futuro está nas mãos de Deus, que protege os homens bons daqueles que não tiveram as mesmas oportunidades, daqueles que o primeiro giz de professor foi a pólvora.
‘Abandonado aos pensamentos nascidos das aparições noturnas, quando o sono profundo cai sobre os homens, o medo apoderou-se de mim e também o tremor, que sacudiu os meus ossos… houve um silêncio e ouvi uma voz: — Será o homem mortal mais justo do que Deus?’ 8
Para outros o futuro está sendo vendido num navio sem rumo. Escravos do tempo, quem me comprou e não pagou pra ser o curativo da pele que o tempo estragou? Na veia fraca cortada pela ignorância, o sangue, a bomba, bomba, bomba, bomba, bomba…
Eu aqui, catando poesia no chão, rasgando a garganta, gritando forte antes que o coração perdoe os surdos para quem recitei, os cegos para quem apresentei num eterno pretérito prefeito, vou caminhando… até quando?
Diluídas nessas palavras estão as minhas lágrimas, precisamos lutar, leitor, precisamos mudar…