Craque do Tetra de 94 se antecipa: “somos só pessoas normais, seres humanos”

 

Folha – E de todos os títulos que conquistou, todos os jogos que disputou, o que você leva para sua vida pessoal com mais carinho, com mais emoção?

Aldair – Se eu falar de título, será sempre do Mundial (94), porque ganhamos para a gente e para uma nação. Então, é uma responsabilidade muito grande. Como título, certamente aquele pela Seleção Brasileira. Mas o que a gente leva é a amizade. Você vê, hoje, estamos aqui com vários amigos, pessoas que conheci muito depois. E estamos bem juntos. É isso que a gente tem que levar. E essa foi minha vida até quando jogava. Porque muitas vezes os jogadores pensam só no momento, ali, em que estão jogando, e esquecem que somos pessoas normais, seres humanos. Temos só uma oportunidade de representar um país, um clube cheio de torcida, de grande responsabilidade. Mas somos só pessoas normais, seres humanos.

 

Com a mesma forma física e categoria dos tempos de zagueiro, Aldair hoje se dedica ao futevôlei (foto: Satiro Sodré - Agif)
Com a mesma forma física e categoria dos tempos de zagueiro, Aldair hoje se dedica ao futevôlei (foto: Satiro Sodré – Agif)

 

Este foi o fechamento da entrevista com o ex-zagueiro Aldair Santos do Nascimento, craque do Flamengo campeão brasileiro em 1987, do Roma campeão italiano na temporada 2000/01 e titular absoluto da Seleção Brasileira na campanha do Tetra, na Copa dos EUA, em 1994, primeira conquistada após um hiato de 24 anos. Para conferir a íntegra da entrevista, leia a edição de amanhã (27/03) da Folha da Manhã.

 

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Fabio Bottrel — O Anfitrião Goytacá

Ilustração surrealista do polonês Jarek Kubicki (reprodução)
Ilustração surrealista do polonês Jarek Kubicki (reprodução)

 

 

– Campos é uma cidade em busca da juventude perdida como uma criança que não teve infância, meu jovem, se tem projetos de vida, veio ao lugar certo. – Disse o homem de pele marcada, virando uma dose de cachaça assim que eu me ajeitei no balcão.

– Não se escuta isso de quem viveu 50 anos tomando o mesmo café, usando o mesmo açúcar, espreitando da janela a cana velha que nessa terra não nasce mais.

Por arrancarem meus olhos com foice enferrujada não enxerguei o futuro, me afundei no passado. Hoje o que me resta é o reflexo no fundo desse copo de cachaça com tabaco, em cada dose as palavras que me faltaram, os sorrisos que desconheci.

Escute bem, meu rapaz, afofei essa terra com cuspe e sangue quente, aqui plantarás sua semente e dela colherás frutos somente se enraizar na sua mente. Sou descendente dos Goytacazes, não me dizimará mãos de capatazes, honre a minha memória e faça dela a glória. Quantos oceanos há de atravessar para encontrar o seu lugar?

– Meu senhor, nasci de um aborto, meu dente é rente, é tilintar pro teu sangue quente, se Campos me deu lugar, aqui, vou ficar. Não se engane, quando a guerra acaba sou o soldado no campo de batalha, defendo a minha pátria nem que seja com navalha. Afaste de mim essa enxada, cheguei até aqui com as palavras colhidas das flores, nelas vou pra onde a minha vista não alcança e levo junto o teu nome pra longe dessa manada.

– Rapaz, tire do seu peito esse ranço, veja na minha pele que a vida não me fez manso, não deixe que ela faça o mesmo com você. O dia já está se deitando pra noite aconchegar, deveria procurar um lugar ou alguém que faça o teu sorriso se abrir.

– Senhor, vejo tuas marcas, bem sabes que a ferida maior está onde não se pode ver. A verdade é que poucos desamados sabem ser altruístas, tempos mortos para o meu coração não se transformam em virtudes, aguçam a pobreza da minha essência. Meu senhor, devolverei teus olhos, facão nenhum cortará a tua gana, nessas palavras está o meu sangue e dele você há de beber. – Terminei a dose de um só gole e bati o copo no balcão, limpei a boca com o dorso da mão.

– Não tenha pressa garoto, seria melhor se não deixássemos esse bar, já sabemos o que nos espera lá fora. Pegue uma cadeira, sente-se, agora temos todas as semanas, nesse mesmo dia, para te contar o que vivi…

 

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Escritor Fabio Bottrel todo o sábado no “Opiniões”

Quem me conhece pessoalmente sabe que, ao contrário do que possa parecer, não gosto de política. Pesar-me-á sempre, neste caso, a crença no questionamento em prosa do poeta Dante Milano (1899/1991): “A admiração da humanidade por um indivíduo exigiria uma correspondente admiração do indivíduo pela humanidade, falsa, porque a humanidade não é digna de admiração, mas de piedade”. Não por outro motivo, se pudesse orientar minha lida profissional pelo voto pessoal, cultura e esportes seriam meus temas de eleição.

Mas como este ano é das eleições municipais, que prometem ser quentes em Campos e cidades vizinhas, num país que circula em órbita descendente sobre o ralo do esgoto revelado em operações Lava Jato e a Zelotes, voltei das férias no início do ano destinado: é sobre política que devo falar. Não que blogs como os dos jornalistas Suzy Monteiro, Alexandre Bastos e Arnaldo Neto e, fora da Folha Online, do Ricardo André Vasconcelos e do Fernando Leite, careçam de ajuda. Mas, seja em política ou qualquer outro editoria, jornalismo é, foi e será trabalho coletivo. Um a mais no bolo, pode ter, portanto, sua valia.

Isso posto com talvez mais letras do que talvez merecesse o assunto, escrevo para dizer que, na parte cultural, este “Opiniões” ganha um reforço de mais técnica que o titular. A partir de amanhã (26/03), o escritor Fabio Bottrel, capixaba que transpôs o rio Itabapoana para se instalar às margens do Paraíba do Sul, assinará todo sábado um texto neste blog honrado pela colaboração. Nas palavras breves de quem dividirá as suas conosco, o que eu e você, leitor, podemos esperar:

 

Escritor Fabio Bottrel
Escritor Fabio Bottrel

 

“Os textos tratarão de temas culturais históricos e contemporâneos: histórias e eventos que acontecem na cidade transformados em literatura. Fusão de poesia e prosa, diferentes faces brasileiras em letras no meio da nossa riqueza cultural”.

 

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Gil Vianna: “Essa eleição tem cara de mudança, tem cara da oposição”

Se vier como prefeito, com base em dois mandatos consecutivos como vereador e nos seus 22.240 votos para deputado estadual, Gil Vianna (PSB) pode ser um forte candidato. Mas, com eleitorado espalhado entre Centro e Baixada, se decidir compor chapa, ele seria o vice dos sonhos de muita gente. Embora ressalte a boa relação pessoal com os pré-candidatos garotistas, Gil aposta: ele vai disputar a eleição majoritária, cuja “cara é da oposição”.

 

Gil Vianna (foto: Folha da Manhã)
Gil Vianna (foto: Folha da Manhã)

 

Independente ou oposição? – Oposição! Já fui governo. Ganhamos duas eleições juntos, eu e Rosinha (Garotinho, PR). Contribuí para a eleição dela em 2008 (quando concorreu por nominata de oposição) e a reeleição em 2012. Acreditei no projeto dela e tentei algumas iniciativas junto à prefeita, como a criação de um centro de reabilitação para pessoas com necessidades especiais. Ele seria instalado na Baixada Campista, que é uma área minha. E nada disso aconteceu. Na eleição da mesa diretora (da Câmara Municipal), em 2014, eu já votei contra a reeleição do presidente (Edson Batista, PTB). E também votei contra a “venda do futuro”, quando surgiu a bancada “independente”. De lá para cá, já tinha definido que não iria mais participar do governo. Como não ser oposição a um governo que fez esse código tributário absurdo, para meter a mão no bolso dos mais humildes: os camelôs e os feirantes?

Oposição – Algumas pessoas do governo falam que a oposição é desunida. Não vejo dessa forma. Temos companheiros com vontade de mudança e que se acham dispostos a encarná-la: Rafael Diniz (PPS), Geraldo Pudim (PMDB), Tô Contigo (PRB), João Peixoto (PSDC), Nildo Cardoso (DEM), Caio Vianna (PDT). O que eu vejo é muita vontade de mudança, não desunião. Vamos esperar 2 de abril, quando termina o prazo das filiações, quando começarão pra valer as conversas para definir chapa. Quem vai participar do pleito (majoritário), eu não sei. Sei que eu vou participar.

Governo – Tem ótimos pré-candidatos no governo, pessoas até amigas. A princípio, acho que o candidato deve ser Chicão (de Oliveira, PR), que é vice-prefeito e tem toda a autoridade para tentar suceder Rosinha. Vejo também Edson, Mauro (Silva, PSDB), Fábio (Ribeiro, PR), Auxiliadora (Freitas, PHS) e (Thiago) Ferrugem (PR). São pessoas com as quais eu tenho um bom relacionamento. Mas saio às ruas todo dia e hoje o que eu vejo nelas é um governo muito desgastado, em virtude das muitas promessas de campanha não cumpridas ao longo de duas administrações. Eles vão ter muita dificuldade para escolher um nome: será um ou serão dois? O observamos 24h na rua é que a vontade é de mudança, renovação. E vejo na oposição essa cara de mudança. Quem vai estar no pleito, Deus sabe. Mas a cara é de mudança, a cara é da oposição.

Vir de vice – Hoje eu me coloco como candidato a prefeito pelo PSB. Numa reunião do partido no Rio, na presença do senador Romário (presidente regional do PSB), esse convite foi feito para que eu pudesse representar o PSB na eleição majoritária da nossa cidade. Na época, conversei com minha família e meu grupo político, e viemos amadurecendo essa ideia. Se eu viesse como vereador de novo, teria uma reeleição boa. Mas como a vida nossa é feita de desafios, é uma certeza: eu vou disputar a eleição majoritária. Só estamos esperando o prazo de filiação (2 de abril) para o senador Romário vir a Campos e fazer o lançamento da nossa candidatura a prefeito.

Fogueira das vaidades – Vaidade da minha parte não tem. Nós queremos é ganhar a eleição de prefeito em Campos.  O povo do município clama por mudança. O Brasil pede isso e em Campos não é diferente. Muito pelo contrário! Vamos trabalhar por isso, sem vaidade, sem orgulho. Quero ser candidato a prefeito, sim! Mas se for para vir de vice, se for para o bem do grupo, se for para ganhar a eleição, não tem problema algum.

Nominata – Na nossa nominata esta sobrando pré-candidato, graças a Deus. Ela foi montada com muita cautela e atenção, escolhendo os candidatos por área, em todas as sete Zonas Eleitorais do município. Elegeremos de dois a três vereadores.Vamos trabalhar para isso.

 

Página 2 Folha 25-03-16

 

Publicado hoje (25/03) na Folha da Manhã

 

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Fala do fã, não do ídolo. Pranto de um gênio pelo outro. Tabela triste, mas bela

Sabedor das suas façanhas como craque da revolucionária Holanda de 1974, do Ajax ou do Barcelona, não dei a sorte de ver Johan Cuyff como jogador. Mas o conheci como técnico do grande Barcelona nos anos 1990, no qual ele soube extrair o melhor e harmonizar talentos como o brasileiro Romário, o búlgaro Stoichkov, o dinamarquês Laudrup, o holandês Koeman e os espanhóis Zubizarreta e Guardiola. Se este último seria depois seu discípulo como treinador ofensivo e apologista do lúdico, foi ao Baixinho, hoje senador da República, que Cruyff elegeu à posteridade na definição: “gênio da pequena área”.

Sensibilizei-me com sua morte desde que dela soube ao telefone, na tarde de ontem, pelo jornalista Antunis Clayton. Sensibiliza-me a morte de um gênio, como foram em suas áreas o cineasta Ettore Scola e o semiólogo Umberto Eco, ambos italianos e também mortos estes ano, num mundo cada vez mais condenado à sua mediocridade. Todavia, o que mais me sensibilizou na morte de Cruyff foi ler agora há pouco, nesta madrugada, o relato sobre ele, feito aqui, na democracia irrefreável das redes sociais, por um craque dos campos a quem me foi dada a sorte de conhecer muito bem.

A fala é do fã, não do ídolo. O pranto de um gênio pelo outro. Tabela triste, mas bela.

 

 

Johan Cruyff
Johan Cruyff (1947/2016)

 

 

 

Zico
Zico

Por Arthur Antunes Coimbra

 

Vou abrir uma exceção e escrever aqui um texto mais longo e acho que todos vocês vão entender. Hoje (ontem) é um dia muito triste para quem ama o futebol. Morreu um dos cinco maiores jogadores que vi atuar: o holandês Johan Cruyff.

Não joguei ao lado dele, nem contra ele, e só tive uma chance de conhecê-lo, mas desperdicei. Estávamos no mesmo avião, eu cheguei a pensar em ir falar com Cruyff, mas acabei desistindo e perdi a chance de ter uma foto ao seu lado.

Não pude dizer a Cruyff que eu o conheci por causa do meu irmão. Era engraçado que Nando tinha passado um tempo em Portugal jogando na década de 70 e, depois de voltar ao Brasil, ele dizia nas peladas que era Cruyff e a gente não entendia nada porque as imagens ainda eram raras. Nando falava do grande time do Ajax, da Holanda, que no início da década de 70 foi três vezes campeão do que hoje conhecemos como Liga dos Campeões da Europa.

Meu irmão citava ainda outros nomes de uma geração holandesa que conhecemos melhor em 1974 aí sim pela Tv, um carrossel que representou a grande revolução do futebol. Mas Cruyff, sem dúvida, já era o destaque brilhando pelo Barcelona.

Cruyff era inspirador porque acreditava demais na simplicidade e na objetividade. E não vou negar que eu e muitos jogadores da minha geração bebemos nessa fonte. Como treinador, manteve essa característica e acabou formando discípulos como Guardiola, que é também outro grande treinador do futebol mundial.

O estádio aqui embaixo perdeu hoje um dos maiores nomes do futebol. Mas o céu certamente recebeu mais uma estrela para o seu time. Que ele brilhe por todos nós.

 

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Gil Vianna: Como não ser oposição a um governo que fez esse código tributário absurdo?

Gil Vianna (foto: Folha da Manhã)
Gil Vianna (foto: Folha da Manhã)

 

 

“Como não ser oposição a um governo que fez esse código tributário absurdo, para meter a mão no bolso dos mais humildes: os camelôs e os feirantes?”

“Quem vai estar no pleito, Deus sabe. Mas a cara é de mudança, a cara é da oposição”.

“Se for para vir de vice, se for para o bem do grupo, se for para ganhar a eleição, não tem problema algum”.

 

Estas foram algumas das colocações feitas por Gil Vianna, pré-candidato a prefeito pelo PSB e vereador que hoje prefere se identificar mais como da oposição, do que “independente”. A íntegra da entrevista você confere amanhã (25/03) na edição da Folha da Manhã.

 

 

 

 

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Ponto Final — “Sou, mas quem não é?”

Ponto final

 

 

Ledo engano

Engana-se quem pensa estar definida a questão do impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT). Do Planalto Central à planície goitacá, não é preciso ser grande observador para perceber que são duas as táticas de quem defende o governo federal. A mais óbvia é a simples negação da realidade, primeiro caso a ser estudado pelo pai da psicanálise, Sigmund Freud (1856/1939), a partir da sua filha Anna.

 

Da mente à alma

Diretor dos dois filmes “Tropa de elite”, que prepara agora uma série internacional sobre a operação Lava-Jato, José Padilha ressalvou (aqui) a negação como defesa psiquiátrica contra realidades externas que ameaçam o ego. Não há dolo. A segunda tática de defesa lulopetista, no entanto, além de dolosa, é mal intencionada. E quem a melhor definiu foi outro grande intérprete do bicho homem, menos pela mente, do que pela alma: o comediante Chico Anysio (1931/2012).

 

“Sou, mas quem não é?”

Copo de whisky sempre à mão, terno, gravata e os indefectíveis óculos Rayban aviador, o personagem Tavares imortalizou o bordão na TV brasileira dos anos 1970: “Sou, mas quem não é?” Assim, após um pronunciamento (aqui) agressivo na negação da realidade, visivelmente abatida e ecoada por uma claque que parecia “importada” do companheiro venezuelano Nicolás Maduro, a presidente Dilma teve a tensão aliviada no dia seguinte. Às 11h27 de ontem, pela revelação (aqui) de planilhas apreendidas pela Polícia Federal (PF) desde 22 de fevereiro, com doações em dinheiro a políticos de quase todos os partidos, incluindo o PT.

 

“Companheiros”

Coincidentemente, a revelação coube ao site UOL, parceiro da Folha de São Paulo, novos “companheiros” do lulopetismo na “mídia golpista”. Coincidentemente, aqueles mesmos para quem a manifestação nacional de 13 de março, maior na História do Brasil, colocou (aqui) 500 mil pessoas na av. Paulista, número que a estimativa oficial da PM contabilizou (aqui) em 1,4 milhão. Já nas planilhas da Odebrecht, sobraram números para quase todos e codinomes para alguns. Desde o presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha (PMDB/RJ), o “Caranguejo”, ao ministro da Casa Civil apeada de Lula, Jaques Wagner (PT/BA), o “Passivo”.

 

Os Garotinho

Sem codinome que não o apelido do radialista José Carlos Araújo transformado em nome de família, os Garotinho estiveram presentes com quase todo o clã: a prefeita Rosinha (PR), seu secretário Anthony (PR) e a deputada federal Clarissa (PR). Também outros prefeitos da região, como Dr. Aluízio (PMDB), de Macaé, e Alcebíades Sabino (PSC), de Rio das Ostras. Isso sem contar a cúpula do PMDB fluminense, atual aliada de Dilma, como já foi de Cunha e Garotinho: o presidente da Alerj, deputado Jorge Picciani, o “Grego”; o ex-governador Sérgio Cabral, o “Proximus”; e o governador Luiz Fernando Pezão, sem alcunha além da própria.

 

O “Lindinho”

Todos, por óbvio, negaram qualquer irregularidade. Uns negaram (aqui) sequer os repasses, enquanto outros disseram (aqui) os ter recebido dentro da lei. Foi o caso dos Garotinho, para quem a Odebrecht construiu 6,5 mil casas populares em Campos, no valor total de R$ 930 milhões e cuja primeira fase teve o resultado anunciado meses antes (aqui) nesta mesma coluna. Mas, se nada falaram antes sobre a Odebrecht, pelo menos os Garotinho o fizeram agora. Atitude mais digna que a do senador petista Lindbergh Farias, “Lindinho” também da maior empreiteira do país, que se calou.

 

Moro vazado?

Mesmo à custa do “sangue” de companheiros como “Passivo” e “Lindinho”, as planilhas da Odebrecht vazadas pela “companheira” UOL foram comemoradas pelos companheiros da mídia, sem aspas, mas com verbas públicas, como o site Tijolaço, que deu (aqui) à matéria a manchete: “‘Listão da Odebrecht’ tem mais de 200 nomes de políticos. E nenhum deles é Lula”. O juiz federal Sérgio Moro, que parece ter sido atingido pelos vazamentos seletivos dos quais é acusado, após Eugênio Aragão ter assumido o ministério da Justiça, decretou ao caso o sigilo do cadeado após a porta arrombada.

 

“Hora de ir”

Enquanto isso, a imprensa séria do mundo ecoa quem ainda tenta sê-la no Brasil. Nesse final de semana, a revista britânica “Economist” trará (aqui) um editorial sobre a crise brasileira. Nele, a denúncia: “A indicação de Lula parece uma tentativa grosseira de impedir o curso da Justiça. Mesmo que isso não fosse sua intenção (de Dilma), esse seria o efeito. Foi o momento em que a presidente escolheu os limitados interesses da sua tribo política por cima do Estado de Direito”. Ilustrado pela foto de Dilma, trajando seu tailleur vermelho tão indefectível quanto os óculos Raiban do Tavares, o título do editorial é “Time to go” (“Hora de ir”).

 

Publicado hoje (24/03) na Folha da Manhã

 

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Picciani: Minha ascendência é da Itália e Síria, não Grécia

Presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), o deputado estadual Jorge Picciani também comentou sobre seu nome nas planilhas de pagamento da Odebrecht, nas quais aparece com o codinome de “Grego”. Confira abaixo:

 

Jorge Picciani (divulgação)
Jorge Picciani (divulgação)

 

 

Nota de esclarecimento

Sobre a divulgação de planilhas apreendidas na casa de um executivo da Odebrecht referentes a supostas programações de doações da construtora para políticos diversos durante as campanhas de 2012 e 2014, o deputado Jorge Picciani esclarece que:

1 – Nas eleições municipais de 2012, ele não concorreu a nenhum cargo público.

2 – Na eleição de 2014, quando foi eleito deputado estadual, não constam doações da empreiteira ao candidato, nem de forma direta nem indireta, via partido.

3 – Picciani nunca foi chamado de grego. Até porque sua ascendência vem da Itália e da Síria — e não da Grécia.

 

Leia amanhã a cobertura completa do caso na Folha da Manhã

 

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Dr. Aluízio afirma que nunca recebeu nenhuma quantia da Odebrecht

Dr. Aluízio (Ascom)
Dr. Aluízio (Ascom)

 

Prefeito de Macaé, Dr. Aluízio (PMDB) se manifestou sobre a citação do seu nome nas planilhas de pagamento da construtora Odebrecht, apreendidas desde o último dia 22 de fevereiro pela Polícia Federal (PF), na operação Lava Jato. Confira abaixo:

 

Lava-Jato Dr. Aluizio

 

Leia amanhã a cobertura completa do caso na Folha da Manhã

 

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Garotinho na Lava Jato: “Quem não deve, não teme e prova a verdade”

Secretário de Governo de Campos, Anthony Garotinho (PR), acabou de usar seu blog para falar sobre o envolvimento do seu nome nas planilhas apreendidas na Odebrecht pela Operação Lava-Jato. Confira abaixo:

 

Lava-Jato

 

 

“Quero me antecipar e esclarecer os fatos, porque quem não deve, não teme, e prova a verdade. Antes que pessoas inescrupulosas possam fazer qualquer associação entre o meu nome e o esquema da Lava Jato, quero deixar claro que meu nome aparece numa doação oficial, com CNPJ da campanha, e conta registrada no Banco Itaú, informada à Justiça Eleitoral, relativa à campanha de 2010, quando concorri para deputado federal. Quero afirmar categoricamente que não há qualquer citação ao meu nome relativo ao Petrolão, como meus adversários podem tentar insinuar. Ressalto ainda que misturar doações oficiais, legalmente declaradas à Justiça Eleitoral, de acordo com a lei então vigente, que permitia às empresas fazerem doações de campanha, com propinas, confunde as pessoas.

Agora é importante: reparem na planilha apreendida pela Polícia Federal, que foi feita uma doação de R$ 800 mil para o Comitê Financeiro Único do PR – RJ. Portanto é bom esclarecer tudo, porque tenho as mãos limpas, para que daqui a pouco não venha alguém querer insinuar que recebi propina. Esta é a verdade dos fatos”.

 

Leia amanhã a cobertura completa do caso na Folha da Manhã

 

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Porque rir é sempre melhor do que chorar em posição fetal

Por certo a tragédia da política brasileira eviscerada já em decomposição em operações como a Lava-Jato e a Zelotes, tem proporcionado uma competição até certo ponto desleal com os comediantes brasileiros. Estes, para competir, têm se desdobrado para tentar retratar o competidor, produzindo alguns resultados tão hilariantes quanto a realidade. É o caso da turma da Porta dos Fundos, produtora de vídeos de comédia na internet, em parceria com o site humorístico Kibe Loco.

Até porque rir é sempre melhor do que chorar e babar em posição fetal, embaixo da mesa, com o punho na boca, confira abaixo o prólogo e o vídeo — sem deixar de atentar, no final deste, à sátira enluvada na mão de quem assina como ministro dos Esportes:

 

“Em qualquer lugar do mundo é assim: quando um ministro é foco de investigações, o presidente trata de afastá-lo para que ele não contamine o Governo. No Brasil, é o contrário. E isso mostra que a disputa que vivemos não é só pelo poder substantivo, mas também pelo poder verbo. Aqui pode tudo”.

 

 

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Presidente da OAB-Campos a favor do impeachment de Dilma

O presidente da OAB-Campos, Humberto Nobre, é favorável à abertura do pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT). Embora respeite a posição contrária do presidente da OAB-RJ, Felipe Santa Cruz, que foi candidato a vereador pelo PT (e perdeu) em 2004, Humberto não apenas concorda com decisão de apoiar o impeachment de Dilma, tomada por 26 votos a 2 pela OAB nacional, como cobra que esta endosse formalmente o pedido já em apreciação na Câmara Federal, ou também faça um por conta própria. Ao questionar a criação de “heróis nacionais”, o presidente da OAB Campos criticou arbitrariedades que estariam sendo cometidas pelo juiz federal Sérgio Moro, na condução da operação Lava-Jato.

 

 

Presidente da OAB-Campos, Humberto Nobre (foto de Tércio Teixeira - Folha da Manhã)
Presidente da OAB-Campos, Humberto Nobre (foto de Tércio Teixeira – Folha da Manhã)

 

 

Folha da Manhã – Com a OAB-RJ se posicionando em defesa do governo Dilma e a OAB-Brasil a favor do impeachment da presidente, como a OAB-Campos se posiciona e julga essa aparente oposição de posições? 

Humberto Nobre – Falando apenas por mim, é difícil reconhecer que, mesmo diante de momento tão difícil, com a ética sendo discutida no esgoto das instituições que antes eram alicerces da democracia, se tenha posições antagônicas sobre o impeachment. Mas é forçoso também reconhecer que não necessitamos todos comungar das mesmas idéias. Enquanto homens e mulheres da Ordem, somos todos obrigatoriamente defensores da Constituição e do estado democrático de direito. O presidente da seccional (Felipe Santa Cruz) tem demonstrado ser líder dirigente e árduo cumpridor de seus deveres institucionais à frente da OAB-RJ. Então, penso que possa demonstrar entendimento diverso de outros juristas, posto que seu posicionamento se alicerça em argumento também jurídicos. Penso eu, no entanto, que no caso presente do impeachment (da presidente Dilma), houve procedimento interno no Conselho Federal da OAB, com ampla análise das provas, com exposição dos motivos jurídicos para deflagração do processo de impeachment. Diante disso não tenho como pessoalmente me posicionar em sentido diferente. Entendendo, inclusive, que se houve a votação pela presença dos elementos autorizadores do impeachment, a cada minuto que se passe sem o ajuizamento da respectiva ação, a OAB Nacional se demonstra omissa no seu dever institucional.

 

Folha – Como você e a OAB-Campos analisam a atuação do juiz federal Sérgio Moro, dos procuradores da República e delegados da Polícia Federal envolvidos nas investigações da operação Lava-Jato?

Humberto – Pessoalmente não acho de devamos criar “herois nacionais”. O juiz federal Sérgio Moro é um servidor, que a exemplo de tantos outros juízes, enfrenta diariamente o labor de uma profissão difícil e pessoalmente custosa. E cumpre seu dever da forma como esperamos e a lei impõe. Mas também não tenho dúvidas de que a infringência a direitos legalmente instituídos, em especial pelas várias notícias publicadas de que as prerrogativas dos advogados dos acusados estariam sendo violadas, não pode ser tolerada. Conforme expressão amplamente repetida, ninguém está acima da lei. Nem o ex-presidente Lula, tampouco o juiz federal Sérgio Moro. Quando se trata de direitos fundamentais, nenhum desvio é permitido ou tolerado. E penso que há, no mínimo, acusações de arbitrariedades que devam ser investigadas.

 

Página 3 da edição de hoje (23/03) da Folha
Página 3 da edição de hoje (23/03) da Folha

 

Publicado hoje (23/03) na Folha da Manhã

 

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