Crítica de cinema — Sem fôlego para aguentar o tranco

De olhos bem abertos

 

O franco-atirador

 

Mateusinho 2O franco-atirador — É inevitável comparar “O franco-atirador” àquele outro filme do mesmo diretor, Pierre Morel: “Busca implacável”. Além de compartilhar o realizador, ambos possuem um herói de ação de mais de 50 anos (Liam Neeson em “Busca…”, Sean Penn em “Franco-atirador”), uma história de problemática internacional com uma leve crítica social e, sobretudo, disparos e perseguições. Entretanto, apesar de copiar o modelo na sua essência, o novo filme é bem inferior a seu antecessor. As principais falhas que poderíamos apontar são a falta de carisma de Sean Penn e a pouca fé que os realizadores têm em seus personagens. Quando os atores parecem não acreditar naquilo que estão fazendo, fica difícil que o espectador receba alguma emoção sincera.

A história começa em 2006 na Republica Democrática do Congo. Jim Terrier (Sean Penn) faz parte dum grupo de agentes especiais que protegem às organizações que realizam tarefas humanitárias, buscando reconstruir o país devastado pelas guerras civis. Mas na verdade isso é uma fachada: os agentes realizam tarefas menos nobres, ao serviço de corporações empresárias e políticas. Em paralelo, Terrier se envolve com a doutora Annie (Jasmine Trinca) quem trabalha para uma das ONGs. Depois de uma operação onde Terrier deve cumprir o papel do franco-atirador do título, ele se vê forçado a abandonar rapidamente o país e sua namorada. Oito anos depois, Terrier está de volta no continente africano, mas desta vez tentando expiar as suas culpas. A aparição de um grupo que tenta assassiná-lo visando “queimar o arquivo” o obrigará a voltar a utilizar suas habilidades violentas para descobrir os autores, limpar seu nome, recuperar a namorada e se redimir do passado.

Longe da intensidade de seus trabalhos em “Rio Místico” ou “21 Gramas”, aqui Penn tenta dar uma virada na sua carreira avançando num terreno onde já entraram, com resultados diferentes, o já mencionado Liam Neeson, Matt Damon, Daniel Craig e Tom Cruise. O resultado é anódino: o personagem de Penn carece de profundidade psicológica, e o seu ‘sofrimento’  se revela basicamente pela expressão facial do ator, que pareceria estar constantemente chupando um limão. Com o personagem do espanhol Javier Bardem a inconsistência é similar. Começa como um vilão, mas ao longo do filme se revela que não é tão malvado assim, mas em verdade uma espécie de marionete ao serviço de interesses muito mais poderosos. Aqueles que visam eliminar Terrier.

Do ponto de vista técnico, quase tudo em “Franco-atirador” é um compilado de lugares comuns do gênero: a utilização excessiva das tomadas aéreas para  mostrar os lugares onde acontece a ação (Londres, Gibraltar, Congo); as cenas de ação (golpes, disparos e alguma explosão)  filmadas em modo ‘automático’, e a raiva vingadora do protagonista. Em conclusão, um filme com uma receita consagrada, mas cujos ingredientes não ligaram. A diferença de “Busca implacável”, que teve fôlego para mais duas sequencias, “O franco-atirador” se esgota em si mesmo.

 

Mateusinho viu

 

Publicado hoje na Folha Dois

 

Confira o trailer do filme:

 

 

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Garotismo tem “pajelança” nesta sexta para tentar reagir às pesquisas

Outros quintais

 

“Pajelança” do governo municipal nesta sexta

Por Fernando Leite, em 14-05-2015 – 16h45

Nesta sexta feira, 14, o governo municipal faz a sua pajelança, sob a liderança do primeiro secretário, Anthony Garotinho, quando deverá ficar definido um plano de ação para os próximos meses, que seja capaz de levantar a imagem da administração, que rasteja, segundo as últimas pesquisas de opinião pública (aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui).

Espera-se um “sermão” caudaloso do líder republicano. Cobranças serão semeadas à mancheia e os colaboradores do governo serão estimulados à defenderem a prefeita, na mídia, nas redes sociais e, principalmente, nos bairros, onde o desgaste do governo foi detectado em ritmo acelerado. Para Garotinho, há aliados que estão se comportando como songas mongas Querem o bônus do governo, mas fogem nas crises.

Questões ligadas à sucessão municipal não serão discutidas abertamente, mas estarão subentendidas nos movimentos dos pré-candidatos.

 

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Mercado Municipal de Campos para quem e por quê?

Mercado Municipal retomou as obras após decisão do Ministério Público de Campos contrária à recomendação do Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (inepac)
Governo Rosinha retomou as obras no entorno do Mercado Municipal após entendimento do Ministério Público de Campos contrário à recomendação do Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac)
Titular da 2ª Promotoria Estadual de Tutela Coletiva em Campos, Marcelo Lessa
Titular da 2ª Promotoria Estadual de Tutela Coletiva em Campos, Marcelo Lessa

Mercado Municipal

Por Marcelo Lessa

Compreendo este nobre espaço não somente como um espaço de reflexão e de manifestação da opinião crítica mas, também, um espaço para dar satisfações aos leitores de nossas atividades na vida pública. Principalmente para esclarecer o que nem sempre é informado de maneira exata. Refiro-me ao Mercado Municipal, tema deste breve relato.

Tem gerado bastante discussão um projeto de revitalização do entorno do Mercado Municipal, com demanda no Ministério Público no sentido de impedir o prosseguimento das respectivas obras em andamento no Município. O argumento é que o projeto em execução “empacharia” o prédio do mercado, dificultando sua visualização, porque ficaria emparedado pelos boxes que serão construídos para abrigarem os ambulantes que exercem o comércio em seu entorno.

Mas o que o demandante não leva em conta é que, atualmente, o prédio do Mercado se encontra nas mesmíssimas condições: “empachado”, emparedado pelos referidos ambulantes, que exercem seu comércio de forma improvisada, impedindo ainda mais a visualização do prédio do Mercado. Com o projeto que se pretende para o local, ainda que se mantenha a situação, ao menos minimiza-se o impacto da visualização, porque diminui o gabarito construído ao redor e padroniza os boxes, criando uma espécie de shopping popular ao ar livre.

É a solução ideal? É a solução correta na perspectiva da preservação do patrimônio histórico-arquitetônico? Não. Reconhece-se que não. A solução correta, como parece quererem os demandantes, é banir dos arredores do mercado todos os comerciantes que há décadas exercem o comércio informal na localidade, com isto tirando o sustento de inúmeras famílias mantidas por gerações através deste comércio. E a pergunta que se impõe é a seguinte: para onde levar esses comerciantes? Espalhá-los pelo centro da cidade? Mas aí teria que combinar com a ACIC e a CDL, que, outrora, demandaram no Ministério Público justamente o contrário, ou seja, a retirada dos camelôs do centro da cidade. Ou levá-los para um local isolado, onde os fregueses, evidentemente, não teriam como ir fazer suas compras? Uma sugestão seria muito bem-vinda.

Ora, o bom senso reclama uma visão macro do problema, que não permite o encontro da solução ideal, mas apenas da solução possível, já que não se pode deixar de considerar, ao lado do aspecto histórico-arquitetônico, o aspecto social da questão, uma situação que nesta perspectiva está consolidada há décadas, com a mesma riqueza histórica da construção que se pretende deixar em evidência, para deleite contemplativo dos que poderiam observá-la à distância.

Cabe ao Ministério Público ponderar os valores em jogo; e não deixar que o exagero de um interesse venha a aniquilar o outro, já que ambos são para lá de legítimos.

Advogado, blogueiro e diretor-geral do Observatório de Controle Social de Campos, José Paes Neto
Advogado, blogueiro e diretor-geral do Observatório de Controle Social de Campos, José Paes Neto

Manda quem não pode, obedece quem não tem juízo

Por José Paes

 

A questão envolvendo o Mercado Municipal e o seu entorno voltou a ser destaque nesta semana, pelos seguintes motivos: manifestações de camelôs cobrando melhores condições de trabalho e rapidez nas obras do antigo espaço que ocupavam e declarações da Promotoria de Tutela Coletiva de Campos “autorizando” a continuação dessas mesmas obras pelo Município, mesmo após recomendação do Inepac — órgão estadual que trata da preservação do patrimônio histórico — em sentido contrário.

Inicialmente, gostaria de fazer um singelo esclarecimento. O Ministério Público, em seus diversos níveis e esferas, exerce importantíssimo papel na sociedade, sendo instituição essencial à função jurisdicional do Estado e à defesa do regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis. Mas ao contrário do que pode eventualmente transparecer, o Ministério Público não tem o poder de liberar ou deixar de liberar a continuidade de obras públicas. Tem sim, o dever de fiscalizar e, eventualmente, através dos mecanismos processuais que lhe são facultados, até mesmo requerer ao Judiciário eventuais ordens nesse ou naquele sentido.

Dito isto, preciso externar minha preocupação com o posicionamento adotado pela 2ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva de Campos, no sentido de referendar a continuidade das obras do Mercado Municipal e do Shopping popular, da forma como propostas pela Prefeita de Campos.

A continuidade das obras, da forma como proposta pela Prefeitura Municipal, certamente comprometerá todo o esforço que diversas entidades e cidadãos vêm empregando para garantir a preservação e revitalização desse importante e histórico Prédio, de fundamental importância para o projeto de revitalização do Centro Histórico da nossa cidade.

Não se desconhece nem se é insensível a situação das milhares de pessoas que direta e indiretamente retiram o seu sustento do Mercado Municipal e do Shopping Popular. O que se está tentando expor, é que a preservação do Mercado Municipal não implica necessariamente em prejudicar essas pessoas. Inúmeras alternativas que contemplam, ao mesmo tempo, o aspecto da preservação do prédio e o aspecto da questão social já foram apresentadas ao longo dos últimos anos. Basta ter boa vontade e atitude por parte do Município, para que o diálogo seja iniciado e uma solução que atenda a todos os interesses seja efetivamente implementada.

O que não se pode admitir, é que entre o descaso da Administração Municipal e arroubos de arrogância, a questão seja tratada com tamanha singeleza, sob um viés tão obtuso. Não se trata aqui do prazer de observar um prédio a distância, mas do desejo de devolver e integrar à comunidade um prédio em que pulsa a história dessa cidade.

 

Publicados hoje na Folha da Manhã

 

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Em e-mail e site, MPF fala em prisão do diretor do HFM, mas diz que decisão foi da delegada

Coletiva hoje no MPF (foto de Valmir Oliveira)
Coletiva hoje no MPF (foto de Valmir Oliveira – Folha da Manhã)

 

“Na verdade o diretor (do Hospital Ferreira Machado, Ricardo Madeira) foi conduzido à delegacia (134ª DP de Campos), mas a delegada (Nathália Patrão) entendeu, e ela tem todo o direito de fazer isso, que não haveria como averiguar responsabilidade dele. Quer dizer, isso foi o entendimento dela na lógica criminal. Por isso ela não o autuou em flagrante. Ele foi conduzido até a delegacia junto com os demais (seis presos, liberados após pagamento de fiança) e lá a delegada, que é quem naquele momento faz esse juízo, entendeu que não haveria como comprovar ali, naquele momento, que ele teria culpa ou mesmo dolo no que aconteceu (armazenamento de medicamentos com data de validade vencida no HFM). Isso não exime ninguém, durante as apurações, daqui a um, dois, três, quatro, cinco, seis meses, que a gente apure que há responsabilidade tanto na perspectiva da improbidade, quanto criminal. Esse foi juízo inicial da delegada, que a gente tem mais é que respeitar”.

Em entrevista gravada pela reportagem da Folha, foi isso que o procurador da República em Campos, Eduardo Oliveira, esclareceu numa coletiva encerrada agora há pouco, sobre a condução do diretor do HFM, Ricardo Madeira, após uma vistoria do MPF ter flagrado remédios com datas de validade vencida no hospital. Em outra entrevista gravada, ainda na noite de ontem, com a delegada Nathália Patrão, ela explicou a sua interpretação e ação sobre o caso:

Delegada Nathália Patrão
Delegada Nathália Patrão (foto de Michelle Richa – Folha da Manhã)

— Foi lavrado um auto de prisão em flagrante de seis pessoas, que foram as responsáveis por manter o remédio impróprio para consumo armazenado. Então a gente se direcionou pela responsabilidade penal pessoal, não lavrando o auto de flagrante em face do diretor do hospital, que tem diversas funções e delega. Apenas os responsáveis diretos pelo armazenamento desse medicamento impróprio para consumo no armário é que foram conduzidos e presos em flagrante. Todos pagaram fiança e foram liberados. O diretor do hospital vai responder civelmente, administrativamente. Com certeza vai recair uma responsabilidade em cima dele sobre tudo, mas o direito penal é uma responsabilidade pessoal. Não é porque ele é o diretor que iria responder por uma situação dessa, porque ele não tem como fiscalizar 24 horas todos os remédios que existem num hospital daquele porte. Isso é aceitável e razoável.

Ventilada ontem na 134ª DP, a prisão do diretor do hospital chegou a ser publicada momentaneamente no Blog do Bastos e na Folha Online. Todavia, a informação foi suprimida momentos depois, após ser negada pela assessoria do direção do HFM, pelo próprio Ricardo Madeira, além da delegada.

Ricardo Madeira vistoria MPF no HFM 12-0515 (Genilson Pessanha)
Ricardo Madeira durante a vistoria de ontem do MPF, antes de ser conduzido à 134ª DP (foto de Genilson Pessanha – Folha da Manhã)

Sobre a notícia da sua prisão, ouvido também na noite de ontem por este blog, antes de receber, ao seu lado, leitor, o pedido de desculpas público em noma da Folha (aqui) pela veiculação virtual momentânea da informação incorreta, Ricardo disse:

— A notícia de que fui preso e solto sob fiança é mentira. Após a constatação de remédios com datas de validade vencidas na vistoria do Ministério Público Federal (MPF) no Hospital Ferreira Machado (HFM), eu fui, sim, à 134ª DP, mas de livre e espontânea vontade, na condição de testemunha. Não sou responsável pela compra, pela guarda ou pela distribuição de medicamentos. Não teria, portanto, como ser responsabilizado.

Confira abaixo, com os destaques do blog, as versões oficiais do MPF sobre o caso, emitidas hoje por e-mail e em seu site (aqui) sobre o caso:

 

 

MPF e-mail
Reprodução do e-mail do MPF, com destaque do blog (clique na imagem pala ampliá-la)

 

MPF site
Reprodução do site do MPF com destaque do blog (clique na imagem para ampliá-la)

 

 

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Crítica de cinema — Entre drama e comédia

Bagdá Café

 

 

Entre abelhas

 

Mateusinho 3Entre abelhas — “Até que ponto a gente sabe que existe?” Em seu cotidiano, o ser humano parece condenado ao esquecimento e a diferentes espécies de invisibilidade, que o levam a permanecer em total ou parcial isolamento, seja por opção ou não. Geradas pelas ausências física e emocional e suas consequências, a invisibilidade e as consequências são o ponto central do filme “Entre abelhas”, dirigido e roteirizado (em parceria com o ator Fábio Porchat) por Ian SBF – responsável, também, pelos vídeos do canal Porta dos Fundos.

Apesar de classificado, também, como comédia e de contar com parte do elenco que atua nos vídeos produzidos pela produtora Porta dos Fundos, o longa-metragem segue, em grande parte da história, distante do tradicional viés cômico da dupla de roteiristas e atores. Em cena, Fábio Porchat interpreta Bruno, um homem que não aceita o pedido de separação de Regina, vivida por Giovanna Lancellotti. A dificuldade para lidar com a nova fase de sua vida faz com o protagonista perca a capacidade de enxergar as pessoas que estão a sua volta.

Em busca de explicações, Bruno procura médicos, que não conseguem definir o mal que acomete o homem. As primeiras pessoas que deixam de ser notadas por ele são desconhecidas. No decorrer da história, aliado ao desinteresse pelo mundo que o cerca – após a decepção pelo fim do casamento –, começam os desaparecimentos dos amigos e companheiros de trabalho. Com o auxílio da mãe, dona Ângela (Irene Ravache), e de Nildo, personagem de Luis Lobianco, Bruno tenta encontrar meios para normalizar sua vida e relações sociais.

Em “Entre abelhas”, o público se depara com Porchat em um papel, que, embora passe por breves situações de humor, possui maior tendência ao drama. Bruno desvincula, timidamente, o ator dos demais personagens a que dá vida nas produções do grupo que atua em Porta dos Fundos. Em poucas sequências, é possível reconhecer o humorista, cuja carga, no desempenho do papel, é mais voltada ao aspecto trágico e dramático do que às brincadeiras e piadas sempre presentes nos roteiros destinados ao canal da web.

Ao contrário do que é esperado pelo público – devido ao elenco, encabeçado por Porchat, que conta, também, Marcos Veras e Letícia Lima –, a comicidade do filme brasileiro é concentrada em breves e rápidos momentos, como na aparição de Luis Lobianco, que também faz parte da produtora Porta dos Fundos, e nas cenas em que o protagonista vivencia a angústia e o pavor – apresentados com leve humor – do sumiço de rostos e corpos pelas ruas e bares, sendo estas a contraparte do filme “Mulher invisível”, dirigido por Claudio Torres e lançado em 2009, no qual Pedro (Selton Mello) passa por situações bizarras e hilárias por ser o único a enxergar Amanda (Luana Piovani).

Distanciando-se do aspecto cômico, que está longe de ser o principal do roteiro, “Entre abelhas” mostra circunstâncias que, embora desenvolvidas superficialmente, tendem a levar quem assiste a refletir sobre diversos temas, como invisibilidade, separações e dificuldades para lidar com novas fases da vida. Em seu final de semana de estreia nacional, o filme foi visto por 171.700 pessoas. O número, aquém da expectativa de seu diretor e roteirista, reflete o encontro do público com um filme brasileiro, que, diferentemente da maior parte dos longas-metragens de comédia produzidos no país, opta por mostrar situações de tensões e conflitos internos ao invés de prender os espectadores com gargalhadas e humor exagerado e artificial.

 

Mateusinho viu

 

Publicado hoje na Folha Dois

 

Confira o trailer do filme:

 

 

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Saúde Pública de Campos: A alma do negócio é a propaganda; mas o corpo é seu

Propaganda

 

Aqui, o jornalista e blogueiro Fernando Leite postou desde ontem o vídeo do encerramento do jornal Folha no Ar, da Plena TV (canal 24 da Via Cabo e 3, da Ver TV), apresentado e produzido pelo jornalista Robson Almeida. No simples contraste das imagens da propaganda milionária do governo municipal de Rosinha Garotinho (PR) com os flagrantes de superlotação e descaso generalizado capturados ontem nos corredores do Hospital Ferreira Machado (HFM), durante a vistoria do Ministério Público Federal (MPF), que ainda gerou (aqui) a prisão em flagrante de seis funcionários pelo armazenamento de medicamentos fora da validade, pouco ou nada resta a ser dito.

Nos parabéns ao Robson pelo belo trabalho jornalístico, confira com seus próprios olhos de leitor, contribuinte e eleitor, o quadro real da Saúde Pública de Campos, bancado com seu dinheiro de impostos municipais reajustados extorsivamente este ano, como o IPTU (relembre aqui), na justificativa oficial de melhor atendê-lo:

 

 

 

 

 

Atualização às 20h27: O belo trabalho jornalístico de Robson Almeida no fechamento do Folha no Ar de ontem, na Plena TV, foi destacado também aqui, no blog Carraspana Campista

 

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Folha errou e deve desculpas a Ricardo Madeira e a você, leitor

Diretor do HFM, Ricardo Madeira, em coletiva na parte da manhã sobre a vistoria do MPF no hospital (foto de Genilson Pessanha - Folha da Manhã)
Diretor do HFM, Ricardo Madeira, em coletiva na parte da manhã sobre a vistoria do MPF no hospital (foto de Genilson Pessanha – Folha da Manhã)

 

“A notícia de que fui preso e solto sob fiança é mentira. Após a constatação de remédios com datas de validade vencidas na vistoria do Ministério Público Federal (MPF) no Hospital Ferreira Machado (HFM), eu fui, sim, à 134ª DP, mas de livre e espontânea vontade, na condição de testemunha. Não sou responsável pela compra, pela guarda ou pela distribuição de medicamentos. Não teria, portanto, como ser responsabilizado”. Foi o que garantiu agora à noite, por telefone, o diretor do HFM, Ricardo Madeira.

A notícia da sua prisão e da sua soltura sob fiança chegou a ser apurada pela equipe de reportagem da Folha presente à 134ª DP, sendo depois repassada sem a confirmação devida ao jornalista Alexandre Bastos, que aqui tinha assumido a cobertura virtual do caso desde a manhã. Com link ao Blog do Bastos, a versão da prisão de Ricardo chegou a circular alguns minutos também na Folha Online, sendo retirada de ambos tão logo a assessoria questionou a informação. Sem a versão oficial até agora do MPF, a delegada Nathália Patrão, responsável pelo caso, confirmou também agora há noite a versão de Ricardo:

—  Foi lavrado um auto de prisão em flagrante de seis pessoas, que foram as responsáveis por manter o remédio impróprio para consumo armazenado. Então a gente se direcionou pela responsabilidade penal pessoal, não lavrando o auto de flagrante em face do diretor do hospital, que tem diversas funções e delega. Apenas os responsáveis diretos pelo armazenamento desse medicamento impróprio para consumo no armário é que foram conduzidos e presos em flagrante. Todos pagaram fiança e foram liberados. O diretor do hospital vai responder civilmente, administrativamente. Com certeza vai recair uma responsabilidade em cima dele sobre tudo, mas o direito penal é uma responsabilidade pessoal. Não é porque ele é o diretor que iria responder por uma situação dessa, porque ele não tem como fiscalizar 24 horas todos os remédios que existem num hospital daquele porte. Isso é aceitável e razoável.

Diante disso, o que não é aceitável ou razoável foi o erro virtual que a Folha chegou a cometer por alguns minutos, arrastando com ela neste tempo seu blog mais lido, por conta de uma falha evitável na apuração da matéria na 134ª DP, bem como na sua coordenação dentro da redação, atribuindo momentaneamente a Ricardo Madeira uma prisão que na verdade se restringiu a seis de seus subordinados. A ele e a você, leitor, fica nosso sincero e devido pedido público de desculpas.

 

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Visto de Marte, o Sol é azul

Cosmonauta Yuri Gagarin a bordo da nave Vostok, na qual foi o primeiro homem no espaço e constatou com seus próprios olhos que a Terra é azul
Em abril de 1961, o cosmonauta Yuri Gagarin a bordo da nave Vostok, na qual foi o primeiro homem no espaço e a ver com seus olhos que a Terra é azul

 

“A Terra é azul!”. Foi o que teria dito em reação espontânea o cosmonauta russo Yuri Alekseievitch Gagarin (1934/68), em 12 de abril de 1961, ao olhar pela janela da nave espacial Vostok, a bordo da qual se tornou o primeiro homem em órbita da Terra. Pois, divulgadas ontem, fotos feitas pela sonda Curiosity, no último dia 15 de abril, quase 54 anos exatos após o voo espacial de Gagarin, revelaram que visto em seu poente no solo do planeta Marte, o Sol também é azul.

De acordo com um comunicado oficial da Nasa: “Isso faz com que as cores azuis da mistura de luzes vindas do Sol fiquem mais concentradas na parte do céu onde o astro se encontra, em comparação com a maior dispersão do amarelo e do vermelho. O efeito é mais pronunciado perto do pôr do Sol, quando a luz vinda do Sol cruza um caminho maior na atmosfera do que ao meio-dia”.

Tiradas por uma Mast Camera, que captura as cores de forma bastante similar ao olho humano, a sequência de quatro imagens foi tirada num intervalo de 6 minutos e 51 segundos e mostra o Sol  azul se escondendo por trás de montanhas do Planeta Vermelho, como Marte ficou conhecido por sua cor vista da Terra, numa localidade que os astrônomos batizaram como cratera Gale.

Confira abaixo uma foto e aqui a sequência completa no site da Nasa.

 

Sol azul em Marte (NASA-JPL-Caltech-MSSS-Texas A&M Univ)
Em abril de 2015, o Sol azul em Marte (NASA-JPL-Caltech-MSSS-Texas A&M Univ)

 

 

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Adendo da segunda com acento português ao poema do domingo

Aqui, publiquei o poema “O Monstrengo”, de Fernando Pessoa (1888/1935), bem como a justificativa fraterna e histórica de minha escolha poética sempre feita aos domingos. Como fui muito influenciado pelo áudio da interpretação de Paulo Autran (1922/2007) desses versos pessoanos, optei por reproduzi-los ao final da postagem, tentando comungar com você, leitor, aquilo que tanto me impactara. Mas, buscando no youtube o áudio de Autran, acabei esbarrando com um curta de animação sobre o mesmo poema, da lavra de Fernando Simões, Hugo Tiago Andrea e Valter Ramos, falado em português de Portugal e ambientado no fantástico que permeava o imaginário humano nos sécs. XV e XVI das Grandes Navegações.

Por conselho do meu irmão, Christiano Abreu Barbosa, e da minha namorada, Mahelle Pereira, ele também segue abaixo, como adendo retroativo da segunda-feira ao poema do domingo:

 

 

 

 

IV. O Monstrengo

 

O mostrengo que está no fim do mar

Na noite de breu ergueu-se a voar;

À roda da nau voou três vezes,

Voou três vezes a chiar,

E disse: “Quem é que ousou entrar

Nas minhas cavernas que não desvendo,

Meus tectos negros do fim do mundo?”

E o homem do leme disse, tremendo:

“El-Rei D. João Segundo!”

 

“De quem são as velas onde me roço?

De quem as quilhas que vejo e ouço?”

Disse o mostrengo, e rodou três vezes,

Três vezes rodou imundo e grosso.

“Quem vem poder o que só eu posso,

Que moro onde nunca ninguém me visse

E escorro os medos do mar sem fundo?”

E o homem do leme tremeu, e disse:

“El-Rei D. João Segundo!”

 

Três vezes do leme as mãos ergueu,

Três vezes ao leme as reprendeu,

E disse no fim de tremer três vezes:

“Aqui ao leme sou mais do que eu:

Sou um povo que quer o mar que é teu;

E mais que o mostrengo, que me a alma teme

E roda nas trevas do fim do mundo,

Manda a vontade, que me ata ao leme,

De El-Rei D. João Segundo!”

 

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