Homem do PT no Petrolão, Duque se cala na PF. Costa levou 4 meses preso antes de “cantar”

 

Por Julia Affonso, Fausto Macedo e Mateus Coutinho

 

O ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque — homem forte do PT no esquema de corrupção e cartel na estatal petrolífera — permaneceu calado, como lhe garante a Constituição Federal, ao ser questionado pela Polícia Federal se “tinha interesse em celebrar acordo de delação premiada, como fez Paulo Roberto Costa”, seu ex-colega da Diretoria de Abastecimento, que após quatro meses de cárcere decidiu contar o que sabia, em troca de redução de pena.

O ex-diretor de Serviços foi preso no dia 16, na décima etapa da Lava Jato, batizada de “Que País é Esse”, uma referência à frase dita por ele ao telefone, quando conversava com o advogado, no instante em que era detido pela primeira, dia 14 de novembro de 2014.

Além de Costa, o ex-gerente de Engenharia Pedro Barusco, que era braço-direito de Duque na estatal e espécie de contador da propina arrecadada na diretoria de Serviços fez delação premiada com a Lava Jato.

 

Renato Duque chega à Polícia Federal (foto de Márcia Foletto - Ag. O Globo)
Renato Duque chega à Polícia Federal (foto de Márcia Foletto – Ag. O Globo)

 

Duque, medalhão desse grupo de agentes públicos indicados por partidos e corrompidos pelo cartel de empreiteiras, era braço estratégico do PT na estatal. Por meio de sua diretoria, o partido arredava 2% de propina nos contratos da demais áreas, por ser responsável pelas licitações e execuções dos contratos.

Os delegados da Lava Jato ouviram Duque no dia 18 de março, dois dias após ser preso pela segunda vez, em sua residência no Rio. O primeiro dos questionamentos registrados no termo foi sobre seu possível parentesco com o ex-ministro José Dirceu, conforme disse os delatores. Ele não respondeu, usando o direito dado ao acusado de não produzir prova contra si mesmo.

No Congresso, ao ser ouvido pela CPI da Petrobrás, ele também recorreu ao direito constitucional ao silêncio, mas fez explicações pontuais. uma delas foi para negar que tinha ligação familiar com o ex-ministro, também alvo da Lava Jato.

Duque ocupou o cargo de diretor de Serviços entre 2003 e 2012, indicado por Dirceu — que nega. Saiu e montou uma empresa de consultoria, a D3TM, pela qual continuou a trabalhar para empreiteiras do cartel, como consultor. Mesmo caminho percorrido por Paulo Roberto Costa, que abriu a Costa Global.

 

Trecho do depoimento à PF no qual Duque, por enquanto, preferiu permanecer calado diante à oferta de delação premiada só aceita por Paulo Roberto Costa após quatro meses de cadeia
Trecho do depoimento à PF no qual Duque, por enquanto, preferiu permanecer calado diante à oferta de delação premiada só aceita por Paulo Roberto Costa após quatro meses de cadeia

 

“Bob”

No interrogatório, os delegados da PF perguntaram também quem era o “Bob” que ele tinha registrado em um dos programa de bate-papo em seu telefone celular, que foi apreendido. Duque, mais uma vez, nada falou.

Em delação premiada, o doleiro Alberto Youssef afirmou que Dirceu e o ex-ministro Antônio Palocci eram “as ligações” do lobista e operador de propina Julio Gerin Camargo com o PT.  Segundo ele, o nome de Dirceu consta no registro de contabilidade de propina com a rubrica “Bob” — suposta referência ao apelido de um ex-assessor do ex-ministro da Casa Civil.

“Julio Camargo possuía ligações com o Partido dos Trabalhadores, notadamente com José Dirceu e Antonio Palocci”, afirmou Youssef.

O doleiro disse que o lobista tinha uma pessoa que era responsável pela contabilidade das propinas, Franco Clemente Pinto.
“Franco é homem de confiança de Julio Camargo e o responsável pela contabilidade de pagamentos ilícitos a título de propina e caixa 2”, afirmou Youssef. Segundo o doleiro, Franco armazenava toda movimentação de propina em um “pen drive”, acessado com senha.

“Eram utilizadas siglas em tal contabilidade ilícita”, explicou o doleiro. “A de José Dirce era ‘Bob’.” Para a PF, pode tratar-se de Roberto Marques, um ex-assessor. Youssef diz ter visto várias vezes o registro de contabilidade. Ele não foi encontrado. Atualmente, trabalha na Assembleia Legislativa de São Paulo.

O doleiro afirmou ainda não sabe sobre valores que teriam sido repassados a Dirceu, mas contou que o ex-ministro, depois de deixar o governo Luiz Inácio Lula da Silva, utilizou o jato Citation Excel que pertence ao lobista Julio Camargo.

“Não sabe dizer quantas vezes o avião foi utilizado por José Dirceu e nem a razão do uso. Mas pode afirmar que Julio Camargo e José Dirceu são amigos”, registraram os investigadores da Lava Jato no termo de delação 11 do doleiro.

 

Publicado aqui, no Blog do Fausto Macedo

 

0

No “Opiniões”, a opinião de Renato Janine sobre o governo Dilma antes de ser seu ministro

coincidência

 

Quase sempre à frente, dentro da blogosfera goitacá, na cobertura da preocupante cenário nacional, deflagrada pelo envolvimento até a medula do PT e do governo federal no Petrolão, além do estelionato eleitoral praticado por Dilma Rousseff (PT) em 2014, fruto do desempenho econômico desastroso do seu primeiro mandato, este “Opiniões” tem se preocupado em reproduzir o que há de mais revelante não só em noticiário, mas também em opinião sobre a grave crise brasileira. Foi assim que, veja só você, leitor, o blog reproduziu aqui, em tempo real, a entrevista feita pela jornalista de O Globo Mariana Sanches com Renato Janine Ribeiro, filósofo e professor da Universidade de São Paulo (USP), antes dele ser indicado por Dilma como seu novo ministro da Educação, conforme o jornalista da Folha Arnaldo Neto ontem adiantou aqui, em primeira mão, na blogosfera local.

Quem quiser conferir o destino vexatório do antigo titular da pasta no governo Dilma, o intempestivo Cid Gomes, basta refrescar a lembrança aqui, aqui e aqui.

Como diria outro filósofo, o alemão Friedrich Wilhelm Nietzsche: “coincidências não há”. Não por outro motivo, ilustrativo relembrar e guardar bem vivo na memória o que Janine de fato pensava do governo Dilma, no qual chegou a votar em 2014, antes de aceitar ser seu mais novo ministro:

— Há um descontentamento grande com o governo. Até porque o governo descumpriu promessas da eleição sem dar excelentes explicações. A Dilma e os ministros tinham que ir à TV todo dia. É um erro grande da Dilma não perceber que fazer política democraticamente é explicar o tempo todo. A Dilma parece ter uma ideia de que comunicação é contratar um assessor de imprensa que embale qualquer coisa de maneira bonita. Como se não tivesse a ver com conteúdo, fosse uma questão de forma.

Confira abaixo a íntegra da entrevista:

 

“A novidade da Lava Jato é que pegou os corruptores”

Por Aluysio, em 08-03-2015 – 6h46

Filósofo, professor e agora novo ministro da Educação Renato Janine Ribeiro
Filósofo, professor e agora novo ministro da Educação Renato Janine Ribeiro

Por Mariana Sanches

 

Para Renato Janine Ribeiro, há descontentamento com o governo porque promessas da eleição foram descumpridas sem grandes explicações

Qual é a origem da prática de se tratar a coisa pública como privada?

A corrupção da Lava-Jato não destoa da linha histórica do país, que, em sua origem, tem o patrimonialismo ibérico, de Portugal. Mas estamos independentes há 200 anos. Portanto, isso não é mais problema deles, é nosso. A separação entre público e privado aqui não é de pedra e cal, como nos EUA. O Brasil tem uma cultura política muito pobre, a única forma que a maior parte das pessoas tem para conceituar sua divergência de um político é dizer que ele é ladrão. Daí achamos que quando um país funciona é porque ele não tem roubo.

O financiamento empresarial de campanha é um fator comum no mensalão e na Lava-Jato. Ele favorece a corrupção?

O problema está vinculado ao financiamento: se a campanha é cara e demanda dinheiro pesado, esse dinheiro é dado em troca de algo. Se você doa como indivíduo, pode estar motivado por ideais, por preferências por políticas. Mas empresas só têm o incentivo de contribuir se conseguem tirar vantagens, e essas vantagens não são republicanas. Empresa não é eleitor. A regra número um de uma empresa é a busca do lucro. Qual é o lucro de uma empresa que financia um candidato? É um lucro sujo.

O fato de empresários ricos e políticos já terem ido parar atrás das grades revela algum prenúncio de mudança num país em que a Justiça sempre foi mais rigorosa com ladrões de galinha?

Podemos ter esperança. A novidade da Lava-Jato é que pela primeira vez aparecem as figuras dos corruptores. Antes a corrupção era sempre algo que acontecia sem autor. Era como a imaculada concepção, não havia quem fizesse o mal, embora o mal estivesse feito. Claro que esses empresários têm que ter defesa, tem que ser tudo apurado e julgado. Não temos que ficar contentes só porque eles foram presos. Temos que ficar contentes porque, caso forem condenados, a Justiça no Brasil finalmente começa a ser aplicada aos ricos e não só aos pobres.

Como o senhor vê a situação da presidente Dilma diante da crise política provocada a partir da Lava-Jato?

Há um descontentamento grande com o governo. Até porque o governo descumpriu promessas da eleição sem dar excelentes explicações. A Dilma e os ministros tinham que ir à TV todo dia. É um erro grande da Dilma não perceber que fazer política democraticamente é explicar o tempo todo. A Dilma parece ter uma ideia de que comunicação é contratar um assessor de imprensa que embale qualquer coisa de maneira bonita. Como se não tivesse a ver com conteúdo, fosse uma questão de forma. Há uma deficiência muito grande do governo nisso.

A insatisfação justificaria a queda do governo?

A única maneira de retirar uma pessoa do poder no presidencialismo de coalizão é acusar a pessoa de crime. Não democracia, não há um instrumento de “cansou”, de “não queremos mais”, como no parlamentarismo. Então como você vai retirar um governo cuja chefe não cometeu ilegalidade e, no entanto, há descontentamento com ele? É a grande questão que ronda o país. Vai se forçar a renúncia dela? A renúncia é uma decisão unilateral. E, além disso, na linha de sucessão há três cabeças do PMDB, duas na mira da Lava-Jato.

O senhor declarou voto na Dilma. Se sente enganado por ela?

Na situação que estava, foi o melhor voto, mas não quer dizer que esteja satisfeito. Me sinto enganado no sentido de que houve um compromisso implícito de que ela mudaria o estilo de governo, ia parar de governar pela braveza e dialogar e delegar mais. Ela o cumpriu limitadamente quando nomeou um ministro que praticamente não pode demitir, o Joaquim Lévy. Dilma tem a imagem de quem não dialoga e isso não é bom para um presidente.

Como interpretar o fato de que só se consiga desnudar um caso como esse por meio de delação premiada?

É um sistema-padrão para quebrar a coesão de uma quadrilha. É preciso jogar um criminoso contra outro e desfazer laços de lealdade. É legítimo fazer isso, é o único meio de se quebrar uma máfia. É ético? Sim, pelo resultado final, mas não pelo meio. Temos que garantir que o delator vá pagar alguma pena, mesmo pequena. Se não, há o risco de o crime se tornar vantajoso.

 

Publicado aqui, na globo.com

 

0

Bola rolada à tabela do Alexandre Bastos com o Arnaldo Neto

pausa

 

Por conta de outras atividades jornalísticas, farei outra pequena pausa na lida blogueira. Para quem se acostumou a buscar neste “Opiniões”, em tempo real, o que há de mais relevante em noticiário e opinião sobre a grave crise brasileira, instalada pela corrupção do Petrolão e pelo desastre econômico do primeiro governo Dilma Rousseff (PT), pode continuar a fazê-lo no Blog do Bastos e no Blog do Arnaldo Neto. Na certeza, leitor, que você estará em melhor companhia, aceite meu desejo sincero de uma boa tarde.

Inté!!!…

 

0

Eduardo Cunha é vaiado por militantes do Psol e aplaudido por petistas

Beijo gay em protesto hoje nas galerias da Assembleia Legislativa de São Paulo, contra Eduardo Cunha, presidente da Câmara Federal (foto de Jorge Araújo - Folhapress)
Beijo gay em protesto hoje nas galerias da Assembleia Legislativa de São Paulo, contra Eduardo Cunha, presidente da Câmara Federal (foto de Jorge Araújo – Folhapress)

Por Alexandre Aragão

 

Recebido em sessão pública da Assembleia Legislativa de São Paulo nesta sexta (27), o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), foi vaiado por manifestantes, que acabaram retirados à força por policiais militares.

Enquanto era apresentado pelo presidente da Alesp, deputado estadual Fernando Capez (PSDB), Cunha começou a ser vaiado por manifestantes, que ocupavam a galeria do plenário.

Logo em seguida, para abafar o som incômodo, os políticos presentes aplaudiram Cunha — inclusive petistas, como o secretário municipal Alexandre Padilha (Relações Governamentais), terceiro colocado na disputa ao governo estadual no ano passado, e o deputado federal Carlos Zarattini (PT-SP).

Boa parte dos manifestantes era de integrantes do Juntos!, movimento ligado ao Psol. Cunha iniciou sua fala, mas foi interrompido diversas vezes aos gritos de: “O povo quer falar, constituinte já!”.

“A educação manda que a gente aprenda a escutar, até para que a gente possa discutir”, disse o presidente da Câmara, semblante impassível, sem alterar o tom de voz.

Os manifestantes retrucaram: “Machista, machista, não passarão! Fora Cunha! Corrupto!”, gritaram. Dois manifestantes entraram no plenário com uma faixa, mas foram retirados por um policial.

“Muito obrigado pela possibilidade de permitir a minha fala”, afirmou Cunha, com um riso irônico.

 

“Constrangedor”

Em meio à confusão, o deputado estadual Luiz Fernando Machado (PSDB) pediu a Capez que as galerias fossem esvaziadas, ou que a sessão fosse encerrada, já que, segundo ele, a situação era “constrangedora”.

O presidente da Assembleia determinou que o público fosse retirado, citando trecho do Regimento Interno que determina o fechamento da galeria caso o público esteja atrapalhando.

Policiais militares foram, a princípio, conversar com os manifestantes, pedindo que saíssem. Com a recusa, os PMs empurraram e puxaram pela camisa e pelo braço os cerca de 50 presentes.

Só então Cunha continuou a falar. Disse: “Cumprimentos aos intolerantes, os intolerantes sempre merecem os nossos cumprimentos”.

Mais à frente, a galeria foi reaberta, e as pessoas que acompanhavam a sessão puderam entrar novamente.

Depois que Cunha deixou a Alesp, os manifestantes que haviam sido retirados também voltaram —um representante do Juntos! chegou a fazer perguntas aos deputados que permaneceram na sessão.

 

PM tentou dialogar com manifestantes, antes de retirá-los à força (foto de Jorge Araújo - Folhapress)
PM tentou dialogar com manifestantes, antes de retirá-los à força (foto de Jorge Araújo – Folhapress)

 

Publicado aqui, na folhadesaopaulo.com

 

0

Dilma se junta a Collor, Deodoro e Floriano entre os piores PIBs da história da República

Info folha sp 1
Infográfico da Folha de São Paulo

 

Com a divulgação do PIB (Produto Interno Bruto) de 2014 e a revisão dos resultados dos anos anteriores, o crescimento econômico no primeiro governo Dilma Rousseff atingiu uma média de 2,1% ao ano.

Trata-se do pior desempenho em um governo desde Fernando Collor, que ocupou o Planalto entre 1990 e 1992, antes de sofrer um processo de impeachment. Na época, o PIB encolheu 1,3% ao ano.

Se considerados apenas presidentes que concluíram um mandato inteiro, são os números mais baixos da história da República — mas essa comparação deve ser feita com cuidado.

O PIB começou a ser calculado em 1947. Para anos anteriores, há estimativas baseadas nos dados disponíveis sobre a produção do período, que era predominantemente agrícola.

Economias em estágio inicial de desenvolvimento apresentam naturalmente taxas de expansão mais elevadas. Nenhum dos presidentes pós-redemocratização está entre os líderes de crescimento.

Resultados piores que os de Dilma e Collor só podem ser encontrados no governo de Floriano Peixoto (1891-1894), que assumiu a presidência após a renúncia de Deodoro da Fonseca, nos primórdios da era republicana.

 

Info folha sp 2
Infográfico da Folha de São Paulo

 

Publicado aqui, na folhadesaopaulo.com

 

 

0

Crítica de cinema — Inocente, que nem criança

De olhos bem abertos

 

Cinderela

 

 

Mateusinho 4Cinderela — Em 1950, depois de oito anos sem estrear uma animação de respeito, os Estudos Disney lançavam o filme “Cinderela”, que resultou um sucesso de bilheteria de tal magnitude que salvaria a empresa da sua iminente falência.  Com efeito, apesar de hoje venerados, filmes como “Pinochio” (1940), “Fantasia” (1940) e “Bambi” (1942), não retornaram o investimento almejado e, não fosse por Cinderela, provavelmente a Walt Disney Company tivesse encerrado suas atividades, ou, no melhor dos casos, teria se limitado à produção de filmes menos ambiciosos. Certamente, a Disneylândia e o Disney World não existiriam — imaginem só!

A questão é que, 65 anos depois, a Disney lança “Cinderela” em live-action, isto é, com atores ‘de carne e osso’.  A personagem principal é interpretada por Lily James (do seriado Downton Abbey), e o príncipe pelo ator Richard Madden (de Game of Thrones). A direção fica por conta nada menos que de Kenneth Brannagh, o ator/diretor britânico que iniciara sua carreira cinematográfica adaptando as obras de Shakespeare “Henry V” e “Hamlet”, e quem em 2011 dirigira a megaprodução “Thor”, da Marvel.

Há de se dizer que Brannagh, em “Cinderela”, toma uma decisão curiosa. Ele mantém praticamente inalterada a história do filme original, com a inteligente iniciativa de excluir os segmentos musicais. Sendo assim, não há muita coisa a revelar em relação ao clássico conto de Perrault que o leitor já não saiba, a não ser um prólogo onde conheceremos a mãe e o pai de Cinderela e saberemos como ela fica órfã. Também veremos a chegada à casa da malvada madrasta (uma Cate Blanchett impactante, mas sem ofuscar o resto do elenco) e suas frívolas filhas, prontas para infernizar a existência da boa moça.

O filme até revela a origem do nome da personagem. Infelizmente, a explicação não será facilmente entendida pelas crianças brasileiras, dado que aqui nunca se traduziu ao português. Recomendo, leitor, caso você seja o encarregado de levar os pequenininhos ao cinema, que os ajude informando-lhes previamente que a palavra ‘cinder’ significa ‘cinza’ em inglês.

“Cinderela” impacta pelo seu visual. Tanto as locações quanto os figurinos são deslumbrantes, e em nada fica atrás em relação ao desenho de 1950 no que tem a ver com a recriação fantástica desse reino de conto de fadas (falando delas, a encarregada de aprontar a protagonista para que possa se apresentar no baile é Helena Bonham Carter, a ex mulher de Tim Burton). A cena da dança no palácio certamente fascinará as meninas com idades entre 3 e 70 anos.

Mas, dentre todos os aspectos positivos que o longa tem, eu destacaria um que, no presente ponto da nossa cultura cinematográfica, resulta completamente inovador: a sua completa falta de cinismo. Não há em Cinderela uma única referência metalinguística a nenhum aspecto da cultura contemporânea, como pareceria ser a regra nos atuais filmes infantis. Não há, também, nenhum comic relief  que faça comentários mordazes. Tampouco veremos aqui o revisionismo irônico das estórias clássicas, à la Shrek, nem mudança no ponto de vista, como em “Malévola”.

O “Cinderela” de Kenneth Brannagh possui a pureza e a inocência dos contos que nos contam por primeira vez, naquele instante da vida onde não há lugar para parodias ou deboches, e onde os vilões são maus e os heróis, bonzinhos. Em outras palavras, “Cinderela” é tão cândido quanto uma criança deveria ser.

Poderia se pensar que um filme como este não funcionaria nos tempos atuais, em que os meninos deixam de acreditar em Papai Noel cada vez mais cedo. Mas nos Estados Unidos, onde estreou há duas semanas, já é um sucesso de bilheteria. Provavelmente o êxito também se repita no Brasil. Isso seria bastante auspicioso, pois indicaria que um simples e belo conto de fadas, sem a necessidade adereços sarcásticos, ainda é capaz de comover.

 

Mateusinho viu

 

Publicado hoje na Folha Dois

 

Confira o trailer do filme:

0

Na CPI da Petrobras, Graça Foster diz ter “muita vergonha” do Petrolão

Graça Foster, hoje, na CPI da Petrobras
Graça Foster, hoje, na CPI da Petrobras

 

 

Por Pedro Venceslau, Daniel Carvalho, Daiene Cardoso e Bernado Caram

 

Em sua quinta passagem pelo Congresso Nacional em menos de um ano, a ex-presidente da Petrobras Graça Foster  disse nesta quinta-feira, 26, aos integrantes da CPI que investiga a estatal que sente “muita vergonha” dos colegas que participaram do esquema de corrupção flagrado pela Operação Lava Jato, da Polícia Federal. “Lógico que passo horas do meu dia pensando em tudo o que está acontecendo na Petrobras. Eu entrei aqui nas outras CPIs , em audiências, com muito mais coragem do que entro hoje. Podiam ter todas as suspeitas mas não tinham os fatos que estão aí. Eu tenho realmente um constrangimento muito grande por tudo isso, de olhar para vocês”.

Questionada sobre seu sentimento em relação aos diretores evolvidos no esquema, ela afirmou sentir “muita vergonha” e ter “decepção”. “Já passei por várias fases de sentimento. Eu tenho vergonha, muita vergonha”, afirmou. Ao falar do gasoduto Gasene, disse que “gostaria que tudo isso fosse mentira e que não tivesse tido propina alguma”.

A presidente da estatal chegou ao plenário 2 da Câmara às 10h20, escoltada por deputados petistas e acompanhada de ao menos quatro advogados, inclusive uma da Petrobras. Os parlamentares Sibá Machado (AC), Maria do Rosário (RS), Afonso Florence (BA) e Valmir Prascidelli  (SP) se revezaram em elogios e defenderam Foster das críticas da oposição. O relator, o também petista Luíz Sérgio (RJ), fez longas perguntas.

Apesar da tentativa de blindagem, Foster foi pressionada por deputados de oposição a dizer se gostava mais do PT ou da companhia. “A Petrobras, mil vezes a Petrobras”. E fez uma autocrítica: “Certamente a Petrobrás merecia um gestor muito melhor do que eu. Não tenho a menor dúvida disso”. A ex-presidente negou que a perda de R$ 88,6 bilhões registrada no terceiro trimestre do ano passado seja referente à corrupção. “Esses R$ 88 bilhões representam o valor justo por conta de uma série de ineficiências, até mesmo por causa de chuva e outros, não são o número da corrupção”.

FHC. Quando inquirida sobre a declaração do ex-gerente da estatal Pedro Barusco, que afirmou ter recebido propina de forma isolada durante o governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB), a ex-dirigente da empresa duvidou da versão. “Não consigo imaginar como pode ser verdadeira a fala do Barusco de que ele sozinho recebia propina. Não consigo entender isso de forma alguma”.

“Fico surpresa de saber que alguém pode ganhar alguma coisa no meio da estrutura sem ninguém de cima saber. Quando a gente vê o Barusco falando de si, a gente pensa que está em outro planeta”. O ex-executivo, que fez um acordo de delação premiada, disse à CPI que começou a receber propina de forma individual em 1997, durante a gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Segundo o ex-gerente, porém, os pagamentos de forma organizada e envolvendo diretores da estatal e o tesoureiro do PT tiveram início em 2004, no mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

“Nunca soube de propina na Petrobrás. O esquema de corrupção se formou fora (da estatal)”, afirmou Graça. “Não fomos capazes de captar a corrupção na empresa”. Ela afirmou ser a Polícia Federal a responsável pela descoberta da corrupção na estatal. “Não tenho dúvida em relação ao bem que a Operação Lava Jato já vem causando à Petrobras”.

A ex-presidente negou que a corrupção na estatal tenha se tornado “sistêmica” durante a gestão do PT, como afirma Pedro Barusco. “A partir do momento em que eu não sabia, como diretora e como presidente, passei a ter informações depois da Operação Lava Jato, não posso caracterizar a corrupção como sistêmica e institucionalizada”.

Foster disse ter sido indicada pela presidente Dilma Rousseff tanto para a diretoria quanto para a presidência da Petrobras. Ela afirmou desconhecer os responsáveis pelas indicações de Nestor Cerveró, Paulo Roberto Costa e Renato Duque, ex-executivos investigados por envolvimento no esquema de corrupção. A ex-presidente disse nunca ter visto o ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, acusado por Barusco de receber US$ 300 mil para a campanha presidencial de Dilma em 2010. Ela também disse já ter discordado do ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva e citou a localização de uma fábrica de fertilizantes como exemplo. “Cabe também desagradar o líder, dizer que isso dá ou não dá pra fazer”, afirmou.

Como em outras sessões, petistas e deputados de outras legendas protagonizaram bate-bocas. No momento mais tenso da sessão, o deputado Jorge Solla (PT-BA) questionou o porquê de supostos operadores do PMDB não terem sido convocados até o momento. Ele discutiu acaloradamente com o Delegado Waldir (PSDB-GO)

 

Publicado aqui, no estadao.com

 

0

Para quem não gosta do PT e de Lula, Dilma Rousseff deveria ser um ídolo

Dilma ok

 

 

Cientista político Murillo de Aragão
Cientista político Murillo de Aragão

Lá vem um táxi vazio

Por Murillo de Aragão

 

Para quem não gosta do PT e de Lula, Dilma Rousseff deveria ser um ídolo. Afinal, sob suas competentes mãos, estão sendo destruídos, simultaneamente, o “lulismo”, o “petismo” e as possibilidades de Lula se eleger em 2018. Daí, ironicamente, alguns dizerem: deixem a mulher trabalhar! Nada resistirá ao furacão de incompetência política do atual governo.

Sob a orientação esclarecida de Dilma, o Planalto destruiu a credibilidade fiscal e a credibilidade econômica; e ainda abandonou a prática do diálogo político e social. Mataram o lulismo e não o substituíram por nada. Antes, a destruição estava limitada ao governo. A popularidade da presidente resistia. Mas, agora, com a avaliação no chão e um apoio significativo para o impeachment, a situação mudou muito. De quebra, acabou o predomínio do Executivo no debate político.

Os repórteres Daniel Carvalho e Pedro Venceslau, do Estadão, acertaram em cheio ao afirmar que a crise que levou Dilma Rousseff a atingir o pior índice de popularidade para um presidente da República brasileira inverteu uma das principais características do presidencialismo nacional: o poder sobre a agenda política do país. Até então, cabia ao Executivo impor os temas de debate, argumentam eles.

Esse comportamento gerava reclamações de parlamentares, que se tornavam reféns do Palácio do Planalto. Agora, o jogo virou. Graças ao fortalecimento do Legislativo, é o Congresso que exerce o protagonismo. É na pauta em gestação no Congresso, encabeçada pelo PMDB, que se constata o fortalecimento do Legislativo, no que já é chamado no meio político, segundo os repórteres, de “parlamentarismo branco” e “presidencialismo congressual”.

Um bom exemplo: enquanto o governo se concentra na aprovação das medidas do ajuste fiscal, os parlamentares querem aprovar, em segundo turno, a PEC da Bengala, que eleva de 70 para 75 anos a idade para a aposentadoria compulsória dos ministros dos tribunais superiores e do Tribunal de Contas da União. Com a aprovação da PEC, Dilma deixará de indicar cinco ministros do Supremo.

Como disse Raymundo Costa, do Valor Econômico, a crise também afeta a imagem de Lula. A qualquer momento, quando começarem a fazer pesquisas eleitorais com seu nome, o estrago será comprovado. Outro fato inacreditável dos tempos atuais é a incompetência política do governo; tão grande que não deixa espaço para a oposição. Nada do que a oposição tentar fazer será grandioso o suficiente para se comparar aos erros do governo. Com uma gestão como essa, para que oposição? Como diria Churchill, lá vem um táxi vazio e dele desce o governo.

 

Publicado aqui, no Blog do Noblat

 

0

The Economist denuncia “estelionato eleitoral” de Dilma, mas é contra impeachment

The Economist

 

 

A revista britânica The Economist publicou um novo editorial sobre o Brasil na edição que chega às bancas neste final de semana. Intitulada “Lidando com Dilma”, a publicação aponta os motivos que deixam brasileiros “fartos” da presidente. Para a Economist, Dilma mentiu na campanha e os eleitores estão percebendo que foram vítimas de um “estelionato eleitoral”. “Mas um impeachment seria uma má ideia”, diz a revista.

“Não é difícil ver por que os eleitores estão com raiva”, afirma a publicação. “Ela presidiu o conselho da Petrobras de 2003 a 2010, quando os promotores dizem acreditar que mais de 800 milhões de dólares foram roubados em propinas e canalizados para os políticos do PT e aliados”, diz.

Além disso, a revista afirma que Dilma venceu as eleições presidenciais de outubro “vendendo uma mentira”. “De fato, como muitos eleitores estão percebendo agora, Dilma vendeu uma mentira”, diz o texto. A revista diz que os erros cometidos no primeiro mandato de Dilma levaram o Brasil à situação de crise atual, que exige corte de gastos públicos e aumento de impostos e juros. “Some-se a isso o fato de que a campanha de reeleição pode ter sido parcialmente financiada pelo dinheiro roubado da Petrobras. Os brasileiros têm todos os motivos para sentirem que eles foram vítimas de um equivalente político do estelionato”, diz o texto.

Apesar das palavras duras, o editorial da The Economist afirma que o impeachment pode ser “um exagero emocional“. “A legislação brasileira considera que presidentes podem ser acusados apenas por atos cometidos durante o atual mandato”, diz o texto. “E, ainda que muitos políticos brasileiros achem que a presidente é dogmática ou incompetente, ninguém acredita seriamente que ela enriqueceu. Contraste com Fernando Collor que embolsou o dinheiro.”

O editorial também afirma que as instituições estão trabalhando para punir os criminosos. “Um impeachment iria se transformar em uma caça às bruxas que enfraqueceria as instituições, que ficariam politizadas”, diz o texto, que pede que Dilma e o PT assumam as responsabilidades “pela confusão que ela fez no primeiro mandato, em vez de se tornarem mártires do impeachment”. “Ter Dilma no gabinete fará com que os brasileiros estejam mais propensos a entender que as velhas políticas é que são as culpadas, não as novas.”

 

Publicado aqui, na veja.com

 

0

Delator do Petrolão: “Tinha esse pleito do Palocci para atender a campanha da dona Dilma”

Nos tempos em que “era o dono do orçamento” na Petrobras, Paulo Roberto Costa assinava por Dilma, que assinava por Sergio Gabrilelli, enquanto Graça Foster observava tudo
Nos tempos em que recebia na Petrobras os “pleitos para atender a campanha da dona Dilma”, Paulo Roberto Costa até assinava na presidente, que assinava em Sergio Gabrilelli, enquanto Graça Foster observava tudo

 

 

Por Julia Affonso, Ricardo Brandt e Fausto Macedo

 

O ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás, Paulo Roberto Costa, primeiro delator da Operação Lava Jato, disse que o doleiro Alberto Youssef, personagem central da trama de corrupção e propinas na estatal petrolífera, o procurou em 2010 e disse que o ex-ministro Antonio Palocci, da Fazenda, pediu uma contribuição de R$ 2 milhões para a campanha de Dilma Rousseff (PT) à Presidência. Os relatos de Costa na delação premiada foram todos gravados em vídeo pela força tarefa do Ministério Público Federal e da Polícia Federal.

Ao ser questionado sobre repasse de valores para a campanha de 2010 da Presidência da República, o ex-diretor da Petrobrás declarou. “Alguns fatos como esse específico, as pessoas falavam diretamente com o Youssef. Outros fatos, as pessoas falaram comigo. Ministro Lobão falou comigo. Pessoal aqui do governo do Rio falou comigo, não tem nada a ver com o Youssef. Senador Sergio Guerra, falecido, falou comigo.”

No início do mês, o ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF), mandou para a Justiça Federal no Paraná, base da Operação Lava Jato, representação do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, para investigação sobre o ex-ministro chefe da Casa Civil do governo Lula, Antonio Palocci. Como não detém foro privilegiado, Palocci fica sujeito à investigação da Polícia Federal.

A ordem de investigação á amparada no depoimento de Costa. Ele disse que conheceu Palocci em 2004. Na ocasião, Palocci era membro do Conselho de Administração da Petrobrás. Dilma presidia o Conselho de Administração da estatal e ocupava o cargo de ministra das Minas e Energia.

Sobre o episódio em que cita Palocci, Costa declarou. “O Youssef me trouxe numa reunião que eu tive com ele. Ele falou: ‘ministro Palocci está pedindo aqui uma contribuição para a campanha da Dilma Rousseff em 2010 de R$ 2 milhões. Podemos dar? Pode, pode dar. Eu autorizei o Youssef a fazer. Mas quem me trouxe esse assunto foi o Youssef e quem operacionalizou foi o Youssef. Eu não tive nenhum contato nem com o Palocci e muito menos com a Dilma, sobre esse fato. Isso tudo veio pelo Youssef.”

“O Youssef falou comigo que o Palocci, não tenho certeza agora se foi o Palocci que falou com ele ou se foi um interlocutor, não posso te confirmar isso. Mas tinha esse pleito do ex-ministro Palocci para atender a campanha da dona Dilma Rousseff em 2010. ‘Paulo, pode fazer?’. ‘Faça’.”

Paulo Roberto Costa disse que não perguntou detalhes para Youssef sobre quem tinha mandado o Palocci fazer a solicitação. “Ele chegava com o pleito, fazia ou não fazia. Mas não entrava em detalhe, quem fez, como foi, tal.”

Os investigadores da Lava Jato perguntaram ao ex-diretor se as pessoas sabiam que Youssef trabalhava com ele. Ao responder essa pergunta Costa fez menção a outros quatro personagens emblemáticos da grande investigação sobre malfeitos na Petrobrás: João Vaccari Neto, tesoureiro do PT, Renato Duque, ex-diretor de Serviços da estatal petrolífera, Fernando Soares, o Fernando Baiano, suposto operador do PMDB na Petrobrás, e Nestor Cerveró, ex-diretor de Internacional da Petrobrás – os últimos três estão presos.

“Notório. Como sabiam que o Vaccari trabalhava com o Duque, como sabiam que o Fernando Baiano trabalhava com o Nestor. Isso aí todo mundo sabia.”

 

Ex-ministro Antonio Palocci (foto de Dida Sampaio - Estadão)
Ex-ministro Antonio Palocci (foto de Dida Sampaio – Estadão)

 

Como foi feito o pagamento?, perguntaram os investigadores. ”Não sei. Não sei, porque isso o Youssef não me falava e nem eu perguntava para ele.”

Sobre o local da reunião em que Youssef falou sobre o pedido, ele disse. “Possivelmente em São Paulo.” Costa foi questionado se a presidente Dilma tinha conhecimento do esquema na Petrobrás quando exercia a função de ministra de Minas e Energia e também se Lula sabia, enquanto presidente. ”Não sei, não sei, não sei.”

Ele disse que nunca conversou sobre isso com Dilma e Lula. Também não conversou com Palocci sobre o assunto. Esse foi o único repasse para campanha presidencial que ele se recorda. Mas “não teve feedback” sobre o dinheiro, não soube se os R$ 2 milhões chegaram.

“Para mim, não. Era muito difícil alguém agradecer. O que normalmente acontecia era o cara não reclamar. O cara não voltar ao tema, mas agradecer, para ser sincero, não teve nenhum um caso.”

O criminalista José Roberto Batochio, constituído por Palocci, diz que “os depoimentos conflitantes comprovam a inocência” de Palocci. “Como vai ficar essa delação de Paulo Roberto Costa? Se ele mentiu, perderá os benefícios da colaboração.”

Paulo Roberto Costa disse que conheceu Palocci em 2004. Na ocasião, Palocci era membro do Conselho de Administração da Petrobrás. Dilma Rousseff presidia o Conselho de Administração da estatal e ocupava o cargo de ministra das Minas e Energia. O ex-diretor da Petrobrás, indicado para o cargo em 2004 pelo PP, afirmou que esteve em “várias reuniões” com Palocci, então ministro da Fazenda. Costa afirma que, em 2010, recebeu uma solicitação, por meio de Alberto Youssef, para que fossem liberados R$ 2 milhões do caixa do PP, para a campanha presidencial de Dilma.

Questionado sobre essas declarações do ex-diretor, que lhe atribuiu participação no caso, o doleiro Youssef foi taxativo. “Esta afirmação não é verdadeira.”

Para Batochio, a contradição põe abaixo a suspeita levantada contra o ex-ministro. “Palocci não conhece, nunca viu, nunca soube da existência de Alberto Youssef. Para ele a existência (do doleiro) era desconhecida.” Segundo o criminalista, Palocci “nunca conversou” com Paulo Roberto Costa.

Batochio destaca que Palocci, em 2004, como ministro da Fazenda, pertenceu ao Conselho de Administração da Petrobrás “seguindo a tradição de que todo ministro da Fazenda é membro do colegiado”.

“(Palocci) pode ter visto Paulo Roberto Costa lá (no Conselho), mas nunca tratou com ele assunto sobre campanha eleitoral, jamais, em tempo algum.”

 

Confira a íntegra do depoimento do delator:

 

 

Publicado aqui, no Blog do Fausto Macedo

 

0

PF faz operação contra corrupção na Receita, cujos desvios podem superar Petrolão

Receita Federal

 

 

Por Andreza Matais e Lu Aiko Otta

 

A Polícia Federal iniciou na manhã desta quinta-feira, 26, a Operação Zelotes, que investiga crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, advocacia administrativa, tráfico de influência e associação criminosa no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), que é uma espécie de tribunal da Receita Federal.  Investigadores acreditam que os desvios na Operação Zelotes podem superar os valores da Operação Lava Jato, estimados em R$ 10 bilhões.

Há suspeitas que os valores possam ultrapassar os R$ 19 bilhões, referentes a 70 processos investigados. Já foram apurados desvios de R$ 5,7 bilhões. Nas operações de busca realizadas durante a manhã em Brasília, São Paulo e Ceará, foram apreendidos R$ 1 milhão em dinheiro vivo e carros de luxo.

O termo Zelotes foi escolhido para descrever falso zelo ou cuidado fingido. Foram cumpridos mandados em dois gabinetes na sede do Carf, em Brasília. As investigações apontam para o suposto envolvimento do atual conselheiro Paulo Roberto Cortez e do ex-presidente do Carf em 2005, Edison Pereira Rodrigues. A PF cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços dos dois.

O Carf é um colegiado formado por funcionários do Ministério da Fazenda e representantes da sociedade, cuja função é julgar recursos em que contribuintes questionam a cobrança de tributos, multas e juros.

Segundo fontes informaram mais cedo, a organização atuava no órgão patrocinando interesses privados, buscando influenciar e corromper conselheiros com o objetivo de conseguir a anulação ou diminuir os valores dos autos de infração e da Receita, o que resultaria em milhões de reais economizados pelas empresas autuadas em detrimento do erário da União. Servidores repassavam informações privilegiadas para escritórios de assessoria, consultoria ou advocacia em Brasília, São Paulo e outras localidades para que realizassem captação de clientes e oferecessem facilidades no Carf.

Segundo notas divulgadas pela Receita e pela Corregedoria da Fazenda, “constatou-se que muitas dessas consultorias teriam como sócios conselheiros e ex-conselheiros do Carf”.

As investigações, iniciadas em 2013, apontaram que grupos de servidores estariam manipulando o trâmite de processos e o resultado de julgamentos no conselho. A investigação se estende sobre julgamentos suspeitos desde 2005.

Ao todo, foram expedidos 41 mandados de busca e apreensão e determinado sequestro de bens e bloqueio de recursos financeiros dos principais envolvidos. A Receita e a Corregedoria informaram que as operações se estenderam a escritórios de advocacia e a salas de conselheiros do Carf. A operação abrange Distrito Federal, São Paulo e Ceará, e conta com a participação de 180 policiais federais, 60 servidores da Receita e três servidores da Corregedoria Geral do Ministério da Fazenda.

Entenda — O Carf julga processos na esfera administrativa, em que contribuintes questionam a cobrança de tributos. É um colegiado formado por funcionários do Ministério da Fazenda e por representantes da sociedade. Ele é composto por três seções de julgamento, cada uma especializada em um grupo de tributos. Assim, por exemplo, a primeira seção julga casos relacionados ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Na segunda, vão os questionamentos sobre o Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) e contribuições previdenciárias. Na terceira, estão os processos referentes ao PIS/Cofins, Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Imposto de Importação (II) e Imposto de Exportação (IE).

 

Publicado aqui, no estadao.com

 

0