Nisso…
- Autor do post:Aluysio Abreu Barbosa
- Post publicado:17 de abril de 2015 - 16:37
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Chappie — Um robô projetado inicialmente para ser policial em Joanesbugo descobre ter uma alma. O seu criador modificou sua programação para que nasça tão cândido quanto um bebê, e para que aprenda acerca da vida da mesma forma que uma criança faz, embora muito mais rápido. Entretanto, o inocente robô perceberá que o mundo dos humanos é sórdido e cruel, e deverá se reprogramar se quiser sobreviver e proteger à sua “família”. Em paralelo, um cientista da mesma corporação onde Chappie foi construído tentará impor um outro modelo de robô-policial, e para isso deverá destruir o nosso herói de metal.
Se “Chappie”, o novo filme do sul africano Neil Blomkamp, fosse um filme dos estúdios Universal na década de 40, ele se chamaria “Pinocchio meets Robocop”. Mas se poderiam colocar nesse título os nomes dos andróides de “Blade Runner” e “AI — Inteligência Artificial”, ou os personagens de “O Incrível Robô” e “Frankenstein”. O que temos aqui é a velha história do monstro que não apenas se descobre mortal, mas também capaz de sentir emoções como amor, raiva e compaixão.
Hugh Jackman, o astro de X-Men, interpreta aquele cientista obcecado em sabotar o robô, no que talvez seja o seu primeiro papel como vilão. Sigourney Weaver aparece totalmente subaproveitada como a CEO da corporação que fabrica os andróides, e Dev Patel, o garoto de “Quem Quer ser um Milionário”, é o “Gepetto” de Chappie, ou seja, o seu criador.
Curiosamente, o ator que mais se destaca é aquele que não aparece em todo o filme: Sharlto Copley o compatriota de Blomkamp. Para dar vida ao andróide, os técnicos utilizaram os movimentos, os gestos e as falas de Copley, que foram gravados e posteriormente “copiados” em CGI (animação digital). O resultado é surpreendente: um robô feito de cabos e ferro que se expressa e se move com a plasticidade de um humano.
Blomkamp se utiliza de todas as inspirações cinematográficas anteriormente mencionadas e cria um pastiche deliberadamente absurdo e exagerado. Portanto, para curtir o filme, o espectador deverá entrar na mesma sintonia grotesca da história, e só assim poderá engolir um robô de aparência ameaçadora se comportar como um nenezinho, implorando por sua mãe adotiva quando assustado.
Na carreira do jovem diretor constam dois filmes. O primeiro foi “Distrito 9”, uma alegoria ao sistema de apartheid instaurado no seu país, onde a discriminação se focava num grupo de alienígenas literalmente caídos na Terra. O sucesso desse filme projetou Blomkamp para Hollywood, aonde viria a realizar a sua segunda fita: “Elysium”, com Matt Damon e Wagner Moura(!) — outra ficção científica que falava sobre sociedades separadas por um sistema de castas opressivo. O primeiro filme foi uma agradável e original surpresa; o segundo, uma mega produção sem alma.
Neste terceiro trabalho, os críticos acusaram Blomkcamp de se repetir mais uma vez, além de copiar descaradamente outros filmes. Entendo que parte do problema está na expectativa da platéia, que pode ser induzida ao erro de pensar que irá assistir um filme de ficção científica “sério”. “Chappie” certamente não o é, ou pelo menos, não deveria ser apreciado assim. Nesse sentido, há nele um destemor ao ridículo próprio do primeiro Robocop, do cínico diretor Paul Verhoeven. Será que isso conta como plágio, também?
Publicado hoje na Folha Dois
Confira o trailer do filme:

O DESTINO DOS POETAS
(Fernando Leite Fernandes)
Kapi,
carpiste a Poesia
como poucos,
como os loucos,
que à tua semelhança
não pisam a pele do chão.
Levitam, gravitam,
é gente feita de sol.
És da legião das letras
dos que são únicos e plurais,
doidivanas e samurais,
pós modernos e ancestrais,
tudo e um pouco mais.
Para onde fostes?
Para a pátria dos poetas universais,
Pasárgada, talvez.
Imagino-te explicando a Garcia Lorca
com tua fluência verbal caudalosa
como se faz poesia com verso torto
na língua de Guimarães Rosa.
Ave, Kapi!


Os Vaccari, uma família em pânico
Por Ricardo Noblat
Essa gente não parece ter receio de envolver a própria família em suas trapaças.
Não foi assim com Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras e delator número 1 da Operação Lava-Jato?
Meteu as duas filhas e os genros na corrupção da Petrobras. Foi por causa deles que delatou.
A Polícia Federal e o Ministério Público investigam se o dinheiro usado pela filha de João Vaccari Neto na compra de uma casa veio do esquema de pagamento de propinas pelas empreiteiras.
Nayara de Lima Vaccari comprou a casa por R$ 800 mil na Zona Sul de São Paulo. Na época, outubro de 2013, fazia residência em medicina.
Usou seis cheques administrativos para pagar a casa. No mesmo dia em que a comprou, a tia Marice Corrêa de Lima, que recebia propina em nome de Vaccari, transferiu R$ 345 mil para a sobrinha.
A empresa Arena de Indaiatuba Incoporadora, investigada pela Lava-Jato, depositou mais R$ 280 mil na conta de Nayara.
Tem mais: alguns dias antes de emprestar dinheiro para Nayara, Marice faturou R$ 430 mil da empreiteira OAS, recebidos pela revenda de um apartamento para a construtora no Guarujá.
Ocorre que Marice não desembolsou um único centavo pelo imóvel nem tinha escritura de posse dele.
A família Vaccari está em pânico! Por causa dela, se concluir que irá pelo buraco como foi Marcos Valério, o operador do mensalão, Vaccari poderá contar parte do que sabe. Só parte.
Publicado aqui, no Blog do Noblat

Por André Borges e Fábio Fabrini
O Tribunal de Contas da União (TCU) declarou não haver mais nenhuma dúvida de que o governo Dilma Rousseff incorreu, de fato, em crime de responsabilidade fiscal, ao utilizar recursos de bancos públicos para inflar artificialmente seus resultados e melhorar as contas da União. As operações, que contrariam frontalmente a Lei de Responsabilidade Fiscal, passaram a ser conhecidas como “pedaladas fiscais”.
“Não tenha dúvida. Há um descumprimento de lei. Um banco público não pode emprestar dinheiro para o governo. É como se você estivesse devendo no seu cheque especial, e o governo não pode ter esse cheque especial”, disse o relator do processo do TCU, José Múcio. “Faltou dinheiro e a conta foi paga por terceiros”. Nos cálculos do TCU, mais de R$ 40 bilhões foram sacados pelo governo das contas do Banco do Brasil, Caixa e BNDES, para engordar a contabilidade fiscal e se aproximar da meta de superávit primário, a economia feita para o pagamento dos juros da dívida pública.
Na prática, a decisão do plenário do TCU sobre as “pedaladas fiscais” pode fortalecer a intenção da oposição, que analisa um possível pedido de impeachment de Dilma por “crime de responsabilidade”. Após as manifestações do dia 12, o PSDB pediu ao ex-ministro da Justiça Miguel Reale Júnior que avaliasse a possibilidade. Ao Estado, Reale Júnior disse que o seu parecer não se refere, na prática, ao impeachment, mas sim à avaliação se houve um crime comum para a solicitação de uma eventual ação penal. “O ponto nuclear é a análise das ‘pedaladas fiscais’ detectadas no TCU”, disse.
O tema impeachment foi levantado em uma reunião da bancada de deputados com o presidente nacional da sigla, senador Aécio Neves (MG). No final do encontro, Aécio pediu para que deputados que defendiam a proposta se manifestassem. Praticamente todos os presentes levantaram a mão a favor. O principal defensor da ideia na Câmara é o líder da minoria, Bruno Araújo (PE), que conta com o apoio do líder da bancada, Carlos Sampaio (SP).
Explicações
Em decisão tomada nesta quarta-feira, 15, pelo plenário do TCU, 17 autoridades do governo Dilma Rousseff terão de explicar essas operações. O ministro José Múcio Monteiro deu 30 dias de prazo improrrogável, para que todos prestem informações sobre as irregularidades nas contas. Caso sejam condenadas, as autoridades podem ser alvos de multas e processos por crime de responsabilidade. O TCU tenta identificar quem deu a ordem para as “pedaladas”. Perguntado se a presidente Dilma poderia ser chamada a dar explicações, Múcio disse que essa possibilidade “não é avaliada”.
Mas o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, entrou para a lista de convocados para prestar esclarecimentos sobre a utilização de dinheiro de bancos públicos pelo governo. Além de Tombini, a corte de contas quer ouvir explicações do atual presidente da Petrobrás e ex-presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendine.
“Não tenha dúvida. Há um descumprimento de lei. Um banco público não pode emprestar dinheiro para o governo” — relator do processo do TCU, José Múcio
Também estão listados o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega; o ex-secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin; o atual ministro do Planejamento, Nelson Barbosa; o ministro do Trabalho, Manoel Dias; o ex-presidente da Caixa Jorge Hereda, e o presidente do BNDES, Luciano Coutinho.
As “pedaladas” no Banco do Brasil envolveriam, por exemplo, recursos para subsidiar juros baixos em financiamentos de produtores rurais e incentivos a exportadores. A situação motivou representação de acionistas minoritários do banco ao TCU para que a situação fosse apurada.
Banco Central
Presente na sessão plenária do TCU, o procurador-geral do Banco Central, Isaac Ferreira, disse que o BC não tem, por competência, a tarefa de detectar as irregularidades fiscais que foram cometidas pelo governo. Ferreira também fez questão de frisar que Alexandre Tombini não é alvo de investigações ou acusações de irregularidades, mas foi chamado apenas para prestar esclarecimentos. “O Banco Central não tem competência para captar irregularidades fiscais, nem para punir bancos que porventura foram acusados de cometer irregularidades fiscais”, disse Ferreira.
Segundo o procurador, o BC não é órgão de execução da política fiscal, não ordena despesa nem arrecada receita orçamentária, cabendo-lhe apenas elaborar estatísticas fiscais, “o que é bem distinto da execução ou contabilidade orçamentária”.
“Quanto ao mérito, tenho a convicção jurídica pessoal de que, do ponto de vista da regulação bancária, sequer enxergo elementos que caracterizem operação de crédito vedada. De todo modo, os trabalhos do TCU ainda estão em sua fase inicial e tudo se submeterá ao crivo do contraditório”, afirmou Ferreira.
Publicado aqui, no estadao.com

Um drama sem resultados
Por Clara de Góes
O que é uma crise, senão uma fresta por onde escorre a história, quer se considere líquida, sólida, concreta, encadeada ou solta. É o ponto de virada decisivo em que, num tratamento médico, por exemplo, se decide a cura ou a morte. Crise, então, é uma variável que implica um tempo. O tempo onde se decide a vida ou a morte. É também um estado súbito de desequilíbrio.
A questão é: como aplicar essas considerações ao capitalismo, que, justamente, se reproduz, em sua forma ampliada, sob a forma de crises que fomenta. No capitalismo, a crise perde seu caráter excepcional e se torna corriqueira. Pode ser também uma crise epilética. É um ponto limite, necessário a uma separação, e a inscrição de fronteiras. Esse é um ponto essencial. Vivemos o apagamento de fronteiras: geográficas, morais, políticas e éticas.
Esse apagamento é como uma crise epilética à qual o sujeito sucumbe, ficando à deriva, entregue às forças cegas do corpo. A metáfora que nos define é uma crise convulsiva? Como e onde se localiza o sujeito durante as convulsões?
O país está sem liderança. Votar em Dilma não é votar em Dilma, mas não votar na direita (eu ainda acho que existe separação entre esquerda e direita). E aí? O PT é um partido de esquerda ou de direita? Talvez essa questão não se sustente sendo formulada no campo da ontologia, mas do significante. O significante, cuja propriedade de não representar a si mesmo lhe obriga a produzir cadeias significantes, opera na linguagem entendida como modo de produção, e não como ontologia. Não cabe, portanto, a pergunta, “o que é ser de esquerda ou ser de direita?”, mas, como se produz uma práxis de esquerda ou de direita? Um caminho seria se perguntar por que o PT quer estar no poder, a não ser pelo gosto narcísico e perverso de se perpetuar em uma situação de força. Maquiavel definiu muito bem essa paixão.
É a política do bucho! (pra quem não é nordestino, eu traduzo: a política do estômago)
Não falo aqui de políticas tidas como assistencialistas, pois isso é o de menos. Falo de uma forma de perceber o trabalhador como um miserável que está ligado à política por um único órgão, o bucho.
Qual deveria ser a política de um partido que passou décadas batendo em uma tecla, a moral e a mudança!? Usar a cultura como arena e sustentar um discurso anticapitalista de valorização das pessoas, e não dos objetos/mercadorias sob a forma de dinheiro. Aqui é urgente que um limite se estabeleça e restabeleça a dignidade do trabalhador. É preciso uma crise para que se decida a vida entre a cura ou a morte.
Quando Marx associa o comunismo à classe operária, a revolução à classe operária, e faz um divisor de águas entre o burguês e o operário, ele marca uma distinção fundamental que, parece, caiu no esquecimento.
A burguesia toma o poder para se perpetuar nele, para ganhar força enquanto classe. O operário, a classe operária, tomaria o poder para se extinguir como classe. Essa diferença supõe e implica estratégias políticas muito diferentes. O socialismo soviético levou na direção contrária o discurso político, isto é, promoveu uma idealização do trabalhador e do trabalho. Eis aí o “realismo socialista”.
Qual foi o aporte que o PT trouxe depois da vitória espetacular de Lula quando foi presidente do Brasil pela primeira vez? A política de encher o bucho dos miseráveis e, no fundo da caridade, tratá-los como animais. Não que não seja importante a dimensão biológica do sujeito falante; sem ela, não há gente. Mas um homem não é somente isso. Há uma dimensão que é para além do bucho. E a essa dimensão do “para além” o PT não se dirigiu. Então, a política passou a ser formulada com a materialidade que estava disponível pra isso: o preconceito, o racismo, a homofobia etc.
Entretanto, é mais fácil estabelecer pontos de convergência entre ricos e pobres do que entre canalhas e homens de bem. Quero dizer que existem outros pontos de chegada para além da luta de classes, clássica, no século XIX.
De minha parte, o socialismo já era. Alguma coisa, no entanto, há que se inventar sob pena de cairmos sob o cutelo do Estado Islâmico. Nesse sentido, não há crise, pois não se atingiu nenhum limite de decisão. O que se conseguiu (e o PT é o grande responsável por isso) foi a indistinção da noite onde todos os gatos são pardos.
Publicado aqui, em o globo.com
A série Divergente: Insurgente — Herdeira de “1984”, de George Orwell, e “Admirável mundo novo”, de Aldous Huxley, a norte-americana Veronica Roth lançou, em 2011, o livro “Divergente”, o primeiro da série homônima, que conta também com “Insurgente” e “Convergente”. Duas das obras literárias foram adaptadas para o cinema, entre março de 2014 e março de 2015. Baseada na ideia de distopia, na qual uma sociedade é oprimida por governos ou grupos dominantes, Divergente segue os caminhos abertos recentemente pela trilogia “Jogos Vorazes” (2008), que terá o último longa-metragem, “A esperança – pt.2”, será lançado no final deste ano.
“Insurgente”, dirigido por Robert Schwentke, dá sequência à história de Beatrice/Tris Prior (Shailene Woodley), uma jovem que, após ser descoberta como divergente e ameaçada, é obrigada a abandonar, junto ao namorado Tobias Eaton/Quatro (Theo James), a Audácia, facção da qual fazia parte.
Dividida em cinco facções — Audácia, Erudição, Franqueza, Amizade e Abnegação —, a sociedade apresentada na “Série Divergente” vive em uma Chicago pós-guerra, com 200 anos de afastamento da raça humana. Os homens e mulheres são mantidos distantes do muro que protege a cidade, acreditando ser esta o único reduto em que há formas de vida.
Entre cenas de ação e, ocasionalmente, de romance, o filme mantém o enredo dentro das expectativas do telespectador, sem grandes surpresas, sendo facilmente percebido o caminho que será percorrido pelos protagonistas e antagonistas nas cenas seguintes. Classificado como ficção científica, Insurgente apresenta, em oposição aos filmes do gênero, poucos efeitos especiais. Com cenários predominantes de destruição, alternando com prédios suntuosos e informatizados e, também, com espaços verdes e construções simples, o longa foca mais no enredo adaptado, e não nos efeitos — que são pouco mais explorados no final —, sendo aquele o ponto principal da construção do longa-metragem.
O elenco conta, também, com a veterana Kate Winslet, que vive Jeanine Matthews. O papel, se não fosse relevante para o desenvolvimento da história, poderia ser descartado devido à falta de entrega da atriz à personagem, que permanece com ar insosso do início ao fim. Vencedora do Oscar de Melhor Atriz, em 2009, por “O Leitor”, de Stephen Dry e baseado no livro de Bernhard Schlink,Winslet mostrou um dos mais fracos desempenhos de sua carreira.
Em determinados momentos, é perceptível a semelhança da série com outras sagas de sucesso, como “Harry Potter”, criada pela inglesa J.K Rowling e adaptada para os cinemas entre os anos de 2001 e 2011. Com um enredo que evolui junto ao crescimento dos personagens, os quatro últimos filmes da Warner Bros mostram conflitos, tensões e mortes na maior parte do roteiro. Em “Insurgente”, é possível notar passagens que relembram cenas da franquia inglesa, como a organização de um exército para combater os inimigos e a redenção da protagonista para evitar o extermínio.
No segundo volume da série “Divergente”, a ficção também dialoga com a realidade. O viés político notado no filme equipara-se, em situações pontuais, ao cotidiano. Alianças que visam o benefício individual em nome de um suposto bem comum, combates para tirar o grupo dominante e conquistar o poder e o distanciamento da facção Amizade (que compreende não fazer parte dos confrontos por estes não atingi-los diretamente, assim como grupos da sociedade atual que permanecem afastados do cenário público) são aspectos retratados na história, que, apesar de configurada a partir de um roteiro que foge a questões predominantes no mundo real, pode proporcionar ao público breve reflexão sobre jogos políticos que envolvem as relações humanas.
Publicado hoje na Folha Dois
Confira o trailer do filme:

Por Ricardo Noblat
Depois de oito meses de indefinição, Dilma Rousseff indicou para a vaga do ex-ministro Joaquim Barbosa no Supremo Tribunal Federal (STF) um jurista que já foi garoto propaganda de sua candidatura à presidência da República em 2010.
O nome dele é Luiz Edson Fachin, advogado, catedrático de Direito Civil pela Universidade Federal do Paraná e professor visitante do King’s College, na Inglaterra.
— O advogado Luiz Edson Fachin cumpre todos os requisitos necessários para o exercício do mais elevado cargo da magistratura do país — diz nota da Secretaria de Imprensa da Presidência da República.
Em ato montado para ser filmado e depois inserido nos programas de propaganda de Dilma no rádio e na televisão, Fachin lê um manifesto assinado por juristas onde pede votos para a candidata à sucessão do presidente Lula.
Ele é conhecido por suas estreitas ligações com a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e o Movimento dos Sem Terra (MST).
Contava com o apoio do PT do Paraná. Seu maior cabo eleitoral, porém, foi Ricardo Lewandowski, presidente do STF.
Lewandowski chegou ao STF por indicação inicial de dona Marisa Letícia, mulher de Lula. Ele é amigo da família dela.
O nome de Fachin será submetido à aprovação do Senado. Ali, senadores paranaenses de partidos da oposição ao governo saíram em defesa dele. Todos se apressaram em louvar sua sabedoria.
Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado, prometeu a Dilma trabalhar pela aprovação do nome de Fachin.
Em 2013, Roberto Gurgel, então Procurador Geral da República, denunciou Renan ao STF por peculato, falsidade ideológica e uso de documento falso.
Renan é acusado de ter comprado notas frias para provar que tinha renda suficiente em 2007 para arcar com a pensão de um filho que teve fora do casamento.
O relator do caso no STF é Lewandowski, que até agora não disse se acolhe a denúncia.
Se tiver seu nome aprovado pelo Senado, caberá a Fachin herdar o caso.
Publicado aqui, no Blog do Noblat

Por Reynaldo Turollo Jr.
Se houvesse uma consulta nacional à população, 87% dos brasileiros seriam a favor da redução da maioridade penal de 18 para 16 anos, revela pesquisa Datafolha realizada na semana passada.
O percentual é o maior já registrado pelo instituto desde a primeira pesquisa sobre o tema, em 2003. Naquele ano e também em 2006, quando ocorreu um segundo levantamento, 84% disseram ser a favor da redução da idade.
Contrários à mudança são 11% (mesmo índice de 2006), indiferentes, 1%, e não souberam responder, 1%.
O tema, objeto de uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição), está em discussão em uma comissão especial na Câmara, que tem cerca de três meses para analisá-lo.
Em seguida, será votado na Casa e, se for aprovado, seguirá para o Senado.
Segundo o Datafolha, a maior aprovação à proposta de reduzir a maioridade está nas regiões Centro-Oeste (93%) e Norte (91%) do país.
Já a maior rejeição à mudança está entre os mais escolarizados (23%), que têm ensino superior, e entre os mais ricos (25%), com renda familiar mensal superior a dez salários mínimos –a margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
O percentual dos favoráveis à redução da maioridade para todos os tipos de crime também é o maior já registrado pelo Datafolha: 74%.
Na comissão da Câmara que analisa o tema, 14 dos 27 deputados defendem a mudança somente para jovens de 16 e 17 anos que cometerem crimes hediondos, como homicídio qualificado, latrocínio, estupro e sequestro.
Tempo de internação
Uma outra proposta tem sido encabeçada pelo governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB).
O tucano não quer a redução da maioridade penal, mas propõe a ampliação do tempo máximo de internação para os jovens que praticarem crimes hediondos —dos atuais três para oito anos.
A presidente Dilma Rousseff (PT) também já se manifestou contra a redução da idade penal. Mas, nesta semana, afirmou que o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), de 1990, “sempre pode ser aperfeiçoado”.
À Folha, o ministro José Eduardo Cardozo (Justiça) também disse que o governo federal está “aberto” para discutir “alternativas polêmicas” à redução da maioridade, como a proposta paulista.
O tema tem dividido estudiosos, políticos e entidades da sociedade civil.
Em linhas gerais, os contrários à mudança na maioridade dizem que o sistema prisional comum vai ser uma escola do crime para os jovens.
Os que a defendem dizem que jovens de 16 anos já têm discernimento para entender o que é crime e estão sendo aliciados por adultos para praticar delitos, já que sofrem punições mais brandas.

Publicado aqui, na folhadesaopaulo.com

Por Natuza Nery e Flávio Ferreira
O Tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, foi preso nesta quarta-feira pela Polícia Federal em sua casa, em São Paulo. Secretário de Finanças do partido, o petista nega envolvimento no esquema de corrupção que atingiu a Petrobras nos últimos anos.
Vaccari vai ser deslocado pela polícia para Curitiba, que conduz as investigações. Segundo a Folha apurou, Vaccari estava tranquilo no momento da prisão.
A nova etapa da operação Lava Jato cumpre também mais um mandado de prisão, um de condução coercitiva e outro de busca e apreensão. A mulher de Vaccari, Giselda Rousie de Lima, foi conduzida para prestar depoimento.
No último dia 9, Vaccari foi ouvido (aqui) pela CPI da Petrobras na Câmara dos Deputados em Brasília. No depoimento, ele defendeu as doações que o partido recebeu de empresas investigadas pela Operação Lava Jato e admitiu ter se encontrado com operadores do esquema de corrupção descoberto na estatal, mas evitou explicar os contatos.
Ele havia obtido uma liminar na Justiça que o desobrigava de falar a verdade, para não produzir provas contra si.
As doações ao PT estão sob suspeita porque, segundo o Ministério Público Federal, foram uma forma de pagamento da propina que empresas deviam ao PT para manter contratos com a Petrobras.
Delatores da Lava Jato afirmaram que Vaccari era encarregado de recolher propina cobrada pela diretoria de Serviços da Petrobras. O diretor na época era Renato Duque, que tinha o ex-gerente Pedro Barusco como subordinado.
Barusco, que decidiu colaborar com as investigações, disse (aqui) que parte da propina ficava com ele e outra parte ia para o PT. Em depoimento à CPI da Petrobras, o ex-gerente disse que ele e Duque se reuniam com Vaccari em hotéis para tratar da propina.
Logo após depoimento de Barusco, a secretaria de Finanças do PT divulgou nota contestando as acusações do ex-gerente da Petrobras. Na nota, o PT afirmou que “Barusco não apresentou nenhuma prova ou mesmo indício (apresentou aqui) que ligavam secretário João Vaccari Neto ao recebimento de propinas”. Dizia ainda que Barusco é um delator que “busca agora o perdão judicial envolvendo outras pessoas em seus malfeitos”.
Publicado aqui, na folhadesaopaulo.com