Independente das urnas de domingo, como reunificar um país dividido e envenenado?

Militantes de Dilma e Aécio se enfrentaram fisicamente hoje  em São Paulo, diante ao teatro Municipal (foto de Michel Filho - Agência o Globo)
Militantes de Dilma e Aécio se enfrentaram fisicamente hoje nas ruas do Centro de São Paulo, diante ao Theatro Municipal (foto de Michel Filho – Agência o Globo)

 

 

 

Jornalista Cora Rónai
Jornalista Cora Rónai

Democracia, a palavra mágica

Por Cora Rónai

 

Amigos petistas (sim, ainda tenho alguns) dizem que votam no PT por causa das suas políticas sociais. É um bom argumento: não há pessoa com um mínimo de sensibilidade e compaixão que possa ser contra políticas de inclusão social, especialmente num país tão desigual quanto o nosso.

A questão é que ele parte do princípio de que o PT detém o monopólio das boas intenções sociais, e aí entramos na área da desqualificação do adversário, da qual o partido tanto entende. Que eu me lembre, em momento algum Aécio ou o PSDB afirmaram que pretendem mudar o que, a duras penas, já se conquistou; mas a propaganda do PT insiste nisso e pronto, basta a palavra do marqueteiro João Santana para transformar o que jamais foi dito em verdade sacramentada.

Outro problema com esse argumento é que, por melhores que sejam as intenções sociais de quem quer que seja, elas não existem fora de um contexto mais amplo. Sem dinheiro não se faz nada, nem bom ensino, nem boa saúde, nem distribuição de renda. Simplesmente não há política social que consiga se manter, a médio ou longo prazo, diante de uma economia desastrosa como a do governo Dilma.

Eu até poderia dizer, parafraseando os meus amigos petistas, que não voto no PT justamente porque prezo as conquistas sociais do país, e não quero que elas desapareçam levadas por uma política econômica que vai de mal a pior.

Mas não é só isso.

Entre outros incontáveis motivos, não voto no PT porque tenho vergonha do papel que o meu país está fazendo no cenário internacional, abraçando ditaduras obsoletas, financiando tiranos e dando apoio a terroristas.

Ao contrário de tanta gente que prestigia o partido, eu não acho que democracia seja essencial para nós, brasileiros, mas desnecessária para iranianos, cubanos ou venezuelanos. Eu quero que todo mundo tenha as mesmas prerrogativas que eu tenho, quero que todas as pessoas do mundo possam viver e respirar em ambientes de liberdade, dizendo o que têm vontade de dizer sem risco de ir para a cadeia no dia seguinte.

Eu quero ouvir a voz do meu país denunciando ditaduras, e não compactuando com elas.

Passei vários anos da minha vida brigando por liberdade no Brasil e pedindo uma imprensa livre. Na minha cabeça, não faz o menor sentido votar, agora, num governo que apoia regimes que perseguem seus cidadãos por crimes de opinião — e que, vira e mexe, fala em “democratizar” a mídia.

Eu vi esse filme há muito, muito tempo, e não gostei.

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O país está dividido e envenenado; as redes sociais, por tabela, também estão. Frequento a internet desde sempre e nunca vi tanto rancor, tanta grosseria, tanta agressividade. Postei uma primeira versão deste texto no Facebook. Mesmo sabendo como andam as coisas, fiquei impressionada — ou “estarrecida”, para usar uma palavra da moda — com o nível de ódio da militância.

De ontem para hoje, não tenho feito outra coisa a não ser capinar a área de comentários, subitamente invadida por pessoas que não são minhas amigas, não têm conhecidos em comum comigo, não seguem a minha página e jamais apareceram sequer para dar like numa foto de gato — e agora vêm, cheias de fúria, dirigir ofensas a mim e aos que concordam comigo.

Esse comportamento antidemocrático está acontecendo dos dois lados.

Espero que o próximo presidente, seja quem for, tenha a humildade de reconhecer o quanto é rejeitado, ou rejeitada, pela metade da nação — e dedique-se, com afinco, à sua reunificação.

 

Publicado aqui, na globo.com

 

Brasil dividido

 

 

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Você vota em Aécio ou Dilma? Por quê?

Murillo DieguezVoto em Aécio por três motivos. O primeiro é a conquista do Plano Real. Eu e meu irmão passamos o cão na época da inflação alta. Mas não é só a inflação. A gestão FHC  foi transformadora sobre todos os aspectos, inclusive no social. Dona Ruth Cardoso era uma das mais  preparadas sociólogas do país. O Serra na Saúde foi transformador, e até hoje é considerado o melhor ministro da Saúde de todos os tempos. Enfim: a gestão do PSDB, considerando as circunstâncias, foi a melhor. A segunda, é que vou a  Minas Gerais com freqüência e pude ver o grande governo que Aécio fez lá. Na educação, Minas é o estado com melhor desempenho no país. Aécio sabe montar equipe. O terceiro é que acho fundamental  a alternância de poder. Mesmo aprovando o governo FHC, votei no Lula. Por tudo isso agora vou de Aécio.

(Murillo Dieguez, empresário e colunista)

 

 

Cilênio TavaresBem, é a primeira vez que torno meu voto público. E a opção por Dilma Rousseff é pautada pela falta de um candidato melhor ou “menos pior” no segundo turno. Mas, no todo, o que pesou: programa habitacional que melhorou o acesso aos financiamentos, com prestações em ordem decrescente; ProUni; abertura de mais escolas de ensino técnico; postura menos subserviente ao FMI e seus pares; taxa de juros menos alta, quando o governo do adversário encerrou com taxa Selic beirando aos 26%; melhora na distribuição de renda, embora ainda tímida; reajuste anual ainda ínfimo da tabela do IR, congelada por dez anos nos governos Itamar Franco e FHC; aumento do respeito ao país no exterior; avanço nas exportações; manutenção das leis trabalhistas…

Nos pontos negativos, os dois se equiparam. Se hoje se tem o “mensalão” e o “petrolão”, manchando a biografia do PT, que tinha, sim, discurso pela moralidade quando estava na oposição, não dá para tirar da memória os escândalos do período tucano, com a compra de votos pela emenda da reeleição, caso Sivam, entre outros que não caberiam neste espaço. E aí, podem perguntar: um erro justifica o outro? Claro que não. E triste é saber que, ganhe quem ganhar, quem vai continuar governando o país é o PMDB. Mas, como disse no começo, o voto é no “menos pior”. Para não votar nulo.

Cilênio Tavares (jornalista e blogueiro)

 

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Ponto final — “Fogo” de Hitler pode queimar o Brasil na boca de Lula

Ponto final

 

“Nazistas” e “obrigação moral”

Na terça, com a presidente Dilma Rousseff (PT) a tiracolo, o ex-presidente Lula comparou “eles” (os tucanos) a “nazistas” e  os classificou de “intolerantes, mais que Herodes quando mandou matar Jesus Cristo”. Não satisfeito, ontem, em Porto Alegre, sem nenhuma distinção entre nordestinos e sulistas tão ao gosto petista, Lula disse que “eleitor de Marina tem obrigação moral de votar em Dilma” (confira os dois episódios aqui).

 

O pior se revela

Como foram dois dias distintos, imagina-se que com algum sono no meio, não daria nem para atribuir todas as declarações à eventualidade do mesmo porre. Mas seria melhor se fosse, pois se encaradas como fruto de uma mente sóbria de álcool, ou é delírio psicótico, ou pior das possibilidades: revela-se o sujeito mais megalômano, irresponsável, autoritário e inescrupuloso que nas últimas três décadas usou a faixa presidencial no Brasil, desde que ela passou a ser envergada por civis, em 1985.

 

Ridículo e ridículo e meio

Para uma pessoa normal, talvez bastasse contrapor o ridículo de quem acusa o adversário de nazista num dia, para no outro pretender “obrigar” toda uma coletividade, publicamente, a votar em quem quer que seja. Mas a coisa se torna especialmente mais ridícula diante de qualquer eleitor de Marina, alvo de toda sorte de ataques mentirosos e levianos no primeiro turno, da parte do mesmo Lula e da mesma Dilma que agora se acham no direito de exigir, na cara dura, os votos dados a quem se uniram para caluniar, levar às lágrimas e ainda tripudiar destas, classificando-as como sinal de fraqueza.

 

Escolha de Aécio

Mas não foi apenas por maldade que Lula fez e mandou fazer com Marina o que agora acusa Aécio Neves (PSDB) de fazer com Dilma, depois que o tucano passou a ser também atacado e reagiu. Numa longa conversa na noite anterior ao primeiro turno (veja aqui), o presidente nacional do PT, Rui Falcão, disse preferir Marina no segundo turno, enquanto Lula queria Aécio. Por isso mandou centrar fogo em sua ex-ministra no primeiro turno e reservar a munição contra o tucano, que já quis levar ao PMDB para fazer dele seu próprio candidato a presidente da República — Aécio recusou.

 

Escolhas de Lula

Por isso, talvez, o descontrole de Lula nestes poucos dias que nos separam do segundo turno. Foi ele quem escolheu Dilma em 2010 como sua sucessora, dizendo que ela seria melhor administradora do que ele, mas acabou por conduzir o Brasil à sua pior recessão desde que Fernando Henrique Cardoso, ainda ministro da Fazenda do governo Itamar Franco, estabilizou a economia ao implantar, em 1994, o Plano Real — no qual o PT votou contra. Assim como, 20 anos depois, foi Lula quem apostou e trabalhou para ter Aécio como adversário de Dilma no pleito do próximo domingo.

 

Sem Herodes ou Cristo

Em outras palavras, Lula escolheu sua jogadora, escolheu seu adversário, passou por cima de várias regras e, aparentemente insatisfeito com o desenrolar do jogo próximo ao resultado final, agora parece disposto chutar o tabuleiro do próprio país, quer ganhe ou perca. Assim como Aécio, PSDB, Marina, PSB, Eduardo Campos, ou qualquer outra pessoa ou partido que se colocarem como opção ao PT, na alternância de poder tão necessária à democracia, jamais se transformarão por isso em “Herodes”, certamente Lula e Dilma não são Jesus Cristo.

 

Com Hitler?

Já em relação ao nazismo, representado por um partido político sem nenhuma vergonha de apelar ao radicalismo, mas que chegou ao poder na Alemanha pelo voto popular, antes de se converter na ditadura que mergulhou o mundo na II Guerra Mundial (1939/45), ao custo final de 60 milhões de vidas humanas, talvez não seja irrelevante saber o que pensava sobre seu Führer (“Líder”), Adolf Hitler (1889/1945), um certo dirigente sindical brasileiro, ainda inexperiente como líder político: “O Hitler, mesmo errado, tinha aquilo que eu admiro num homem, o fogo de se propor a alguma coisa e tentar fazer (…) O que eu admiro é a disposição, a força, a dedicação”.

 

Sua escolha

A entrevista de Lula a “Playboy”, título da revista com que agora acusa o estilo de vida pessoal de Aécio, foi publicada em julho de 1979. Oxalá esse “fogo” de Hitler tão admirado por quem depois seria eleito duas vezes presidente do Brasil, não termine por queimar a todos nós, antes ou depois de 26 de outubro. Até porque, numa democracia, as únicas “disposição”, “força” e “dedicação” que merecem qualquer admiração são as suas, leitor, livre para escolher na urna o seu destino e do seu país. Que eles sejam de mais paz do que quem escolheu Hitler.

 

 

Publicado hoje na Folha 

 

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Intervenção do TSE, só agora, foi em benefício de Dilma

Dilma e Dias Toffoli, na posse deste na presidência do TSE (foto: José Cruz - Agência Brtasil)
Dilma e Dias Toffoli, na posse deste na presidência do TSE (foto: José Cruz – Agência Brtasil)

 

 

Jornalista Ricardo Noblat
Jornalista Ricardo Noblat

A intervenção da Justiça Eleitoral beneficia Dilma

Por Ricardo Noblat

 

No primeiro turno da eleição, a campanha de Dilma a presidente teve todo o tempo do mundo para bater duro em Marina Silva, a candidata do PSB em substituição a Eduardo Campos, morto em um desastre aéreo.

Valeu qualquer coisa para impedir a vitória de Marina: ataques grosseiros, uso fraudulento de informações, mentiras deslavadas.

No segundo turno da eleição, a poucos dias de ser concluído, novamente a campanha de Dilma teve todo o tempo do mundo, dessa vez para bater duro em Aécio, candidato do PSDB a presidente.

A recíproca foi verdadeira? Em termos. Aécio bateu, digamos, com mais elegância. Ou com o receio de ser acusado de gostar de bater em mulher. Acabou sendo acusado, sim. Dilma, coitadinha, se fez de vítima.

Não mais que de repente, a Justiça Eleitoral decidiu intervir na troca de ofensas. Só o fez quando o desempenho de Dilma claramente melhorou. Aécio tenta se curar das feridas provocadas pelos ataques da adversária.

Dilma está a salvo de retaliações.

Quem ganhou com a intervenção da Justiça Eleitoral?

Pois é.

 

Publicado aqui, no Blog do Noblat

 

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Macunaíma: herói sem nenhum caráter ou herói de um país sem caráter algum?

Macunaíma

 

 

Jornalista Dora Kramer
Jornalista Dora Kramer

O herói sem caráter

Por Dora Kramer

 

Remexendo na gaveta de recortes de jornais — valorosos e não raro mais úteis que o Google — encontro um texto escrito em 7 de setembro de 2010. Apenas coincidência a data da Independência. O título, Macunaíma. O herói sem nenhum caráter de Mário de Andrade.

Faltava pouco menos de um mês para o primeiro turno da eleição em que o então presidente Luiz Inácio da Silva fazia o “diabo” e conseguiria na etapa final realizada em 31 de outubro eleger uma incógnita como sua sucessora.

Deu todas as garantias de que a chefe de sua Casa Civil, Dilma Rousseff, seria uma administradora de escol para o Brasil. Não foi, conforme comprovam os indicadores de um governo que se sustenta no índice positivo do emprego formal, cuja durabilidade depende do rumo da economia.

Como ex-presidente, Lula agora pede que se renove a aposta. Sem uma justa causa, apenas baseado na ficção por ele criada de que a alternância de poder faz mal à democracia brasileira. A propósito de reflexão a respeito da nossa história recente, convido a prezada leitora e o caro leitor ao reexame daquele texto.

“Só porque é popular uma pessoa pode escarnecer de todos, ignorar a lei, zombar da Justiça, enaltecer notórios ditadores, tomar para si a realização alheia, mentir e nunca dar um passo que não seja em proveito próprio?

Um artista não poderia fazer, nem sequer ousaria fazer isso, pois a condenação da sociedade seria o começo do seu fim. Um político tampouco ousaria abrir tanto a guarda. A menos que tivesse respaldo, que só revelasse sua verdadeira face lentamente e ao mesmo tempo cooptasse os que poderiam repreendê-lo tornando-os dependentes de seus projetos dos quais aos poucos se alijariam os críticos por intimidação ou cansaço.

A base de tudo seria a condescendência dos setores pensantes e falantes; oponentes tíbios, erráticos, excessivamente confiantes diante do adversário atrevido, eivado por ambições pessoais e sem direito a contar com aquele consenso benevolente que é de uso exclusivo dos representantes dos fracos, oprimidos e assim nominados ignorantes.

O ambiente em que o presidente Luiz Inácio da Silva criou o personagem sem freios que faz o que bem entende e a quem tudo é permitido — abusar do poder, usar indevidamente a máquina pública, insultar, desmoralizar — sem que ninguém consiga lhe impor paradeiro, não foi criado da noite para o dia. Não é fruto de ato discricionário, não nasceu por geração espontânea nem se desenvolveu por obra da fragilidade da oposição.

Esse ambiente é fruto de uma criação coletiva. Produto da tolerância dos informados que puseram seus atributos e respectivos instrumentos à disposição do deslumbramento, da bajulação e da opção pela indulgência. Gente que tem vergonha de tudo, até de exigir que o presidente da República fale direito o idioma do país, mas não parece se importar de lidar com quem não tem pudor algum.

Da esperteza dos arautos do atraso e dos trapaceiros da política que viram nessa aliança uma janela de oportunidade. A salvação que os tiraria do aperto em que estavam já caminhando para o ostracismo. Foram ressuscitados e por isso estão gratos.

Da ambição dos que vendem suas convicções (quando as têm) em troca de verbas do Estado.

Da covardia dos que se calam com medo das patrulhas.

Do despeito dos ressentidos.

Do complexo de culpa dos mal resolvidos.

Da torpeza dos oportunistas.

Da superioridade dos cínicos.

Da falsa isenção dos preguiçosos.

Da preguiça dos irresponsáveis.

Lula não teria ido tão longe com a construção desse personagem que hoje assombra e indigna muitos dos que lhe faziam a corte não fosse a permissividade geral. Se não conseguir eleger a sucessora não deixará o próximo governo governar. Importante pontuar que só fará isso se o país deixar que faça; assim como deixou que se tornasse esse ser que extrapola.”

 

Publicado aqui, no Estadão

 

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Eleição presidencial na margem de erro e à beira do fascismo contra a imprensa

fascismo

 

 

 

Jornalista Merval Pereira
Jornalista Merval Pereira

Margem de erro

Por Merval Pereira

 

Tudo indica que a margem de erro das pesquisas vai perseguir os cidadãos até o dia da eleição, domingo que vem. Nada está definido, a tendência de alta de Dilma ainda tem de ser confirmada por novas pesquisas que serão feitas diariamente até sábado, o último dia possível de publicá-las (hoje, aliás, deve estar saindo uma nova do Datafolha), e os candidatos estão lutando por territórios, especialmente Rio e MG.

A Região Sudeste, a de maior eleitorado, é onde Dilma cresce, mesmo que Aécio continue na frente. Mas os 5 pontos que a candidata do PT cresceu foram suficientes para fazê-la ultrapassar seu concorrente no cômputo geral, na explicação do diretor-geral do Datafolha, Mauro Paulino.

Aécio já superou Dilma em MG, mas não conseguiu ainda abrir frente suficientemente ampla para compensar perdas em outros locais. A previsão é que tire cerca de 1,8 milhão de votos de dianteira, bem menos que os 3 milhões a 4 milhões previstos inicialmente.

No Rio, Aécio andou empatado tecnicamente com Dilma, mas agora já foi superado por boa margem (48% a 37%). Aqui no Rio, vigora situação exemplar de como a base aliada do governo é tão ampla e heterogênea: ela apoia os dois candidatos que se digladiam pelo governo do estado, um atacando o outro impiedosamente. E os outros dois derrotados também a apoiam.

São máquinas poderosas trabalhando a favor da reeleição, e a dissidência do PMDB – o Aezão, mistura de Aécio com Pezão – não parece ser forte o suficiente para manter votação capaz de competir com a da presidente, embora desta vez a diferença a favor de Dilma seja bem menor do que da vez anterior, em que ela abriu mais de 1,5 milhão de votos de frente no estado.

Além do mais, há uma máquina oficial em favor de Pezão, que trabalha também a favor de Dilma — a quem o governador que tenta a reeleição se refere sempre como “presidenta”, o que demonstra uma proximidade que se choca com o movimento dissidente que ele também alimenta. Coisas do modelo de coalizão presidencial mais apropriadamente chamado de “modelo de cooptação”.

Vamos ver esta disputa voto a voto provavelmente até o final desta semana, com Aécio tentando ampliar sua votação em Minas, o que seria mais natural se não tivesse cometido um dos poucos erros de sua campanha ao abandonar seu estado no 1º turno, como se os votos a seu favor caíssem por gravidade no seu colo.

Quando se deu conta do prejuízo, Aécio dedicou-se a Minas como deveria ter feito desde o início e conseguiu reverter a situação no 2º turno, depois de o PSDB ter perdido a eleição para o governo do estado.

Outra preocupação, esta nova, é não perder votos em SP, onde a situação de crise do abastecimento de água pode estar afetando a imagem dos tucanos, a grande máquina do PSDB que reelegeu Alckmin no 1º turno e deu a Aécio cerca de 45% dos votos.

Neste 2º turno, o candidato do PSDB à Presidência já estava chegando a uma votação correspondente a 60% dos votos, mesma margem por que foi eleito José Serra senador. A piora da situação hídrica do estado, no entanto, pode estar afetando a votação de Aécio, assim como afetaria a de Alckmin caso tivesse havido 2º turno em SP.

A recente pesquisa do Datafolha mostra que hoje haveria segundo turno para governador, reflexo da piora da situação de escassez de água que está sendo muito explorada pela campanha de Dilma Rousseff.

Nesta reta final, as campanhas deverão ser mais propositivas, ficando, de parte do PT, o papel sujo a cargo do ex-presidente Lula, que está se excedendo no cumprimento da função. O debate da TV Globo sexta-feira ganhou relevo especial com a disputa apertada, e os indecisos, que participarão com perguntas aos candidatos, podem ser decisivos na definição do vencedor.

Irresponsável

“Daqui para frente, é a Míriam Leitão falando mal da Dilma na televisão, e a gente falando bem dela (Dilma) na periferia. É o (William) Bonner falando mal dela no ‘Jornal Nacional’, e a gente falando bem dela em casa. Agora somos nós contra eles […]”.

Essa fala irresponsável é do ex-presidente Lula no seu papel de língua de trapo da campanha petista. O PT deu agora para nomear seus “inimigos”, incentivando assim ações radicais contra jornalistas que consideram adversários do “projeto popular”.

Recentemente, um dirigente do partido havia nomeado sete jornalistas numa espécie de “lista negra”. É uma típica ação fascista, que está sendo usada já há algum tempo na Argentina de Cristina Kirchner. É neste caminho que vamos, caso Dilma se reeleja.

 

Publicado aqui, no Blog do Merval

 

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Você vota em Dilma ou Aécio? Por quê?

Gustavo MatheusQuase iniciei este texto dizendo o porquê de não votar em Aécio e, apesar de ser bem mais fácil, como todo lugar comum, não seria uma premissa democrática e propositiva. Portanto, tratarei de defender o meu voto sem diminuir o de terceiros. Antes de qualquer coisa, deixo claro que não sou eleitor de Dilma Rousseff, apenas a escolhi para este segundo turno. Por isso, o meu relato deve ter alguma imparcialidade, se é que isso existe. Bem, pelo menos gosto de pensar que não contará com “destreza cega e absoluta” de quem fala pela paixão ao invés da razão. O meu voto é racional. Tratam-se de duas diferentes formas de gestão, e escolhi a que mais se aproxima de minhas convicções no momento.

Para não haver engano e nem licença poética, me dispus de números e dados para explicitar esta minha escolha pelo atual governo. Aliás, governo este que enumera bem suas prioridades, reconhecendo que Educação de qualidade não é gasto, mas investimento com retorno social, cultural e econômico garantido. Com 18 universidades federais, mais de 400 escolas técnicas, Prouni disponibilizando mais de um milhão de bolsas e Ciências Sem Fronteiras com 100 mil disponibilizadas. A atual gestão também não perde tempo ao olhar para os mais necessitados, os números são impressionantes. A redução da desigualdade, que no governo anterior estava em 2,2%, já alcançou 11,4%. E o desemprego, que saiu de 12,2% para 5,4%? Também muito significativo. Mas, na minha opinião, um dado que realmente impressiona é de brasileiros que deixaram a “extrema pobreza”, até agora são mais de 22 milhões de pessoas. E muitos outros números que mostram que o Brasil só cresceu. Os líderes mundiais respeitam o nosso país como potência. Sobrevivemos quase que intactos a essa crise mundial que afetou todas as grandes economias de todo o mundo. Fazemos parte do Brics. São muitos pontos positivos a serem considerados.

Enfim, penso que votar na Dilma, hoje, mesmo com todos os problemas, sem me achar dono da verdade ou senhor da razão, trata-se de um ato de altruísmo. É se colocar no lugar de milhões de pessoas que deixaram as mazelas da ditadura militar e governos reacionários que antecederam o modelo de gestão atual, alcançando um mínimo de dignidade e qualidade de vida.

(Gustavo Matheus, jornalista, blogueiro e presidente municipal do PV)

 

Joca MuylaertNo primeiro turno das eleições presidenciais, defendemos a candidatura e caminhamos com o Eduardo Jorge. Certos estávamos antecipadamente de que ele desenvolveria a importante tarefa de representar e apresentar — principalmente aos jovens — os principais pontos programáticos do Partido Verde. Temas jamais levados aos debates entre candidatos à presidência da República foram abordados e debatidos democraticamente, desnudando uma realidade de hipocrisia e resistência às minorias que ainda assola este país.

Para o segundo turno, a executiva nacional Verde se reúne e opta por Aécio — amparada nas congruências entre os programas de governo apresentados pelo PV e pelo candidato oposicionista do segundo turno, com grande destaque para a reforma política, exterminando o financiamento privado de campanhas, a redução da jornada de trabalho e, principalmente, as questões ligadas à sustentabilidade e ao meio ambiente.

Mas o clamor das massas não pode ser esquecido. O Brasil foi às ruas e clamou por mais transparência, educação, saúde, transporte, segurança… Disseram um não contra aquilo representado pelo governo atual, envolvido em embaraçosos problemas de ordem ética e moral. Ouvindo as ruas e em função da minha responsabilidade com um amanhã mais verde e amarelo, de verdade, votarei no candidato da oposição neste segundo turno.

(Joca Muylaert, jornalista, blogueiro e coordenador regional do PV)

 

 

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Datafolha mantém Dilma à frente em empate técnico com Aécio: 52% a 48%

Datafolha4 2º turno (1)

 

Pesquisa Datafolha divulgada nesta quarta-feira (22) aponta os seguintes percentuais de votos válidos no segundo turno da corrida para a Presidência da República:

– Dilma Rousseff (PT): 52%
– Aécio Neves (PSDB): 48%

Para calcular esses votos, são excluídos da amostra os votos brancos, os nulos e os eleitores que se declaram indecisos. O procedimento é o mesmo utilizado pela Justiça Eleitoral para divulgar o resultado oficial da eleição.

A pesquisa foi encomendada pelo jornal “Folha de S.Paulo”.

De acordo com o Datafolha, na reta final da eleição, os candidatos continuam empatados, no limite da margem de erro, de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

No levantamento anterior do instituto, divulgado no dia 20, o resultado foi o mesmo: Dilma tinha 52%, e Aécio, 48% dos votos válidos.

 

Votos totais

Se forem incluídos os votos brancos e nulos e dos eleitores que se declaram indecisos, os votos totais da pesquisa estimulada são:

– Dilma Rousseff (PT): 47%
– Aécio Neves (PSDB): 43%
– Em branco/nulo/nenhum: 6%
– Não sabe: 4%

Segundo o Datafolha, 82% dos eleitores de Dilma acham que a presidente será reeleita. Entre os eleitores de Aécio, 78% acham que o tucano será o vencedor neste segundo turno.

 

Segmentos sociais

Nos segmentos sociais, a pesquisa confirma avanços da petista entre as mulheres, que tem a preferência de 47%; e no grupo das pessoas que recebem entre dois e cinco salários mínimos, com 45% de preferência.

No Sudeste, Dilma tem a preferência de 40% dos eleitores entrevistados.

O instituto ainda perguntou se o eleitor tem grande interesse pela eleição e 50% responderam sim, contra 39% do registrado no fim de agosto.

 

Economia

O Datafolha detectou que os eleitores não estão mais tão pessimistas com a economia do país e que esse sentimento ajuda a explicar a reação de Dilma na corrida presidencial neste segundo turno.

De acordo com a pesquisa, 31% acham que a inflação vai aumentar –  esse índice é inferior aos registrados em setembro, de 50%, e em abril, de 64% -; 35% disseram que a inflação ficará como está; e para 21% dos entrevistados, a inflação vai diminuir.

Com relação ao desemprego, 33% acham que vai ficar estável; 31%, reduzir; e 26%, aumentar. E ainda: 44% responderam que a economia do país vai melhorar; 33%, que vai ficar como está; e 15%, piorar.

 

Agressividade

O Datafolha também perguntou ao eleitor sobre a agressividade na campanha eleitoral: 71% criticaram a agressidade. Para 36% dos eleitores, Aécio é o mais agressivo neste segundo turno. 24% acham que Dilma é a mais agressiva.

O Datafolha ouviu 4.355 eleitores no dia 21 de outubro em 256 municípios. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%. Isso significa que, se forem realizados 100 levantamentos, em 95 deles os resultados estariam dentro da margem de erro de dois pontos prevista. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-01160/2014.

 

 

Publicado aqui, no G1

 

Atualização às 11h20: Aqui e aqui, os jornalistas Sérgio Mendes e Cilênio Tavares, respectivamente, já tinham publicado a nova pesquisa Datafolha

 

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Ponto final — Na incerteza entre Dilma ou Aécio à frente, para governador, só milagre

Ponto final

 

 

Dilma ou Aécio na frente?

Depois que o Datafolha divulgou sua última pesquisa na segunda-feira, primeira no segundo turno a registrar a presidente Dilma Rousseff (PT) na frente, com 52% dos votos válidos, contra 48% de Aécio Neves (PSDB), ontem foi a vez do desconhecido instituto Veritá dizer que é o tucano quem lidera a corrida presidencial, com 53,2% dos votos válidos, contra 46,8% da petista. O Datafolha ouviu 4.389 pessoas no mesmo dia 20 em que foi divulgada, enquanto o Veritá ouviu 7.700 eleitores entre os dias 17 e 20.

 

Pró-Dilma

Na comparação das últimas duas pesquisas presidenciais do Datafolha, respectivamente nos dias 15 e 20 deste mês, o quadro estaria se alterando favoravelmente a Dilma não só nas intenções dos votos válidos (de 49% a 52%), como na aprovação de seu governo: de 40% que consideravam sua gestão ótima ou boa, o índice aumentou para 42%. Ademais, enquanto a presidente abaixou sua rejeição de 42% para 39%, Aécio aumentou a sua de 38% para 40%, ultrapassando Dilma no quesito negativo, também pela primeira vez, incluídas as pesquisas do primeiro turno.

 

Pró-Aécio

Embora apontem claramente uma tendência de queda de Aécio e crescimento de Dilma, todos os índices favoráveis à presidente não ultrapassaram o empate técnico com seu adversário, na margem de erro do Datafolha de dois pontos percentuais para mais ou menos. Porém, a vantagem de Aécio no Veritá é superior à margem de erro do instituto, de 1,4 ponto, não só na liderança oposicionista de 6,4 pontos nos votos válidos, como também na rejeição, na qual o tucano teria apenas 39,1%, contra 46,1% da presidente.

 

Dúvidas

Quando, no entanto, são comparadas o conhecimento e credibilidade do Datafolha, diante do obscuro Veritá, a vantagem ultrapassa qualquer margem de erro a favor da pesquisa liderada por Dilma. Todavia, na comparação da última consulta Datafolha no primeiro turno com o resultado das urnas de 5 de outubro, a credibilidade do instituto paulista já conheceu melhores dias.

 

Certezas

Enquanto a pesquisa Datafolha divulgada em 3 de outubro deu 44% dos votos válidos a Dilma, ela só levou 41,59% nas urnas de dois dias depois. Ou seja, embora o instituto tenha projetado à presidente uma votação 2,4 pontos superior à que ela de fato teve, ficou dentro da margem de erro, que aceita diferença de até 4 pontos. Mas não foi de maneira nenhuma o caso de Aécio, para quem o Datafolha projetou 26% dos votos válidos, 7,5 pontos percentuais abaixo dos 33,55% do eleitorado que escolheram o candidato tucano no primeiro turno.

 

Novidades

Nestes quatro dias que nos separam das urnas do próximo domingo, o Datafolha programou divulgar novas pesquisas a governador do Rio e presidente, hoje e no sábado. Por sua vez, o Ibope, outro que andou errando muito no primeiro turno, projetou divulgar as suas novas amostragens, também a governador e presidente, na quinta e no sábado.

 

Debates e milagre

Nas dúvidas que sobreviverão mesmo após essas quatro novas pesquisas, a única certeza é que os debates da Globo, a governador na quinta e a presidente, na sexta, podem ser decisórios, sobretudo entre Dilma e Aécio, onde tudo indica que a disputa será mais apertada do que a de Luiz Fernando Pezão (PMDB) e Marcelo Crivella (PRB). Com os 12 pontos de vantagem do governador, nos mesmos 56% contra 44%  repetidos na últimas consultas Datafolha e Ibope, o sobrinho de Edir Macedo e bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus parece cada vez mais precisar de um milagre.

 

 

Publicado hoje na Folha

 

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Luta progressista se divide entre uma esquerda socialdemocrata e outra pré-64

Onça bebe água

 

 

Cineasta e jornalista Arnaldo Jabor
Cineasta e jornalista Arnaldo Jabor

A hora da onça beber água

Por Arnaldo Jabor

 

Dilma Rousseff: seu duro passado de militância e luta lhe deixou um viés de rancor e vingança, justificáveis. Ela foi uma típica “tarefeira” da VAR-Palmares e hoje, como tarefeira do PT, ela quer realizar o sonho de sua juventude. Por isso, quer estatizar o que puder na economia, restos de sua formação… (eu ia dizer “leninista”, mas é “brizolista”).

Seus olhos fuzilam certezas sobre como converter (ou subverter) a pátria amada. Petistas e brizolistas acham que democracia é “papo para enrolar as massas”, como já declarou um professor emérito da USP; ela idealiza o antigo “proletariado” e despreza a classe média “fascista”, como acha outra emérita professora.

Ela desconfia dos capitalistas e empresários, ela quer se manter no poder e virar o PT num PRI mexicano; ela finge ignorar a queda do muro de Berlim, o fim da guerra fria, ela ama o Lula, seu operário mágico que encarnou o populismo “revolucionário”.

Conheci muitas “dilmas” na minha juventude. As “dilmas” eram voluntariosas, com uma coragem irresponsável diante da muralha da ditadura. Professavam uma liberdade mais grave do que os hippies da época; era uma liberdade dolorosa, perigosa, sacrificial, suicida, sem prazer, liberdade e luta. Até respeitável.

Mas, para as “dilmas” e “dirceus” do passado, a democracia era uma instituição “burguesa”. Ela se considerava e se acha ainda “membro” (ou “membra”?) de uma minoria que está “por dentro” da verdade, da chamada “linha justa” que planejava um outro tipo de “liberdade” (Lenin: “É verdade que a liberdade é preciosa; tão preciosa que precisa ser racionada cuidadosamente”).

Ela se julgava e se julga superior — como outros e outras que conheci (inclusive eu mesmo — oh, delícia de ser melhor que todos; oh, que dor eu senti ao perder essa certeza…). Nós éramos os fiéis de uma “fé cientifica”, uma espécie de religião da razão que salvaria o mundo pelo puro desejo político — éramos o “sal da terra”, os “sujeitos da história”. Toda a luta progressista de hoje se trava entre a esquerda que amadureceu e ficou socialdemocrata e a esquerda que continua na ilusão de 63. A velha esquerda brasileira existe como nostalgia de uma esquerda que desapareceu.

Dilma foi executiva da comissão de frente que organizou a aliança de Lula com a liderança sindicalista pelega e com a direita mais vergonhosa do País, liderada por Sarney et caterva. Como era “trabalhadeira”, Lula se impressionava com ela (ele que odeia o batente) e transformou-a em um “poste” que se revelou persistente no erro, com a típica burrice dos teimosos.

E aí ela começou a governar com um medidas e táticas pretensamente “socialistas” em um país capitalista. Dá em bolivarianismo, esse terror contra o povo da Venezuela.

A “claque” sindicalista que subiu ao poder nunca desistiu de seus planos; suas mentes são programadas para repetir as mesmas táticas. A esquerda velha continua fixada na ideia de “unidade”, de “centro”, de Estado-pai, ignorando a intrincada sociedade com bilhões de desejos e contradições.

Muitos riquinhos e mauricinhos hoje dizem que votam na Dilma porque ela seria “contra a pobreza”. Não sabem de nada, tinham 10 anos quando FHC fez o Plano Real contra a vontade do PT e seus aliados. Hoje, esses mauricinhos se dão ao luxo de se sentirem de “esquerda”, antes de irem para a balada.

São absolutamente ignorantes sobre política e acham o PT um partido de “esquerda”, quando é claramente de “direita” (“É a economia, estúpidos!” — James Carville, assessor do Clinton contra Bush).

O povão do Bolsa Família não pode entender isso, mas esses babacas que estudaram deviam ser menos primitivos. Os petistas dão graças a Deus que muitos de seus eleitores não sabem ler. Por exemplo, eles não têm ideia do que seja o escândalo da Petrobrás e do aparelhamento do Estado cleptomaníaco que foi montado. Não entenderam nem o mensalão, pois, como disse o Lula, “povo pensa que dossiê é doce de batata”. Votarão no escuro de suas vidas. Como se explica isso?

Resposta: o País tem um movimento “regressista” vocacional. O verdadeiro Brasil é boçal, salvacionista, para gáudio dos seus exploradores. E o PT aproveita.

A crescente complexidade da situação mundial na economia e na política os faz desejar um simplismo voluntarista que rima bem com o fundamentalismo islâmico ou com a boçalidade totalitária dos fascistas: “complexidade é frescura, o negócio é radicalizar e unificar, controlar, furar a barreira do complexo com o milagre simplista” (Lenin: “Qualquer cozinheiro devia ser capaz de governar um país”).

O Plano Real e uma série de medidas de modernização que abriram caminho para a economia mundial favorecer-nos são tratados como se fossem uma política do governo atual, que só fez aumentar despesas públicas e inventar delírios desenvolvimentistas virtuais. Não houve um lampejo de reconhecimento pelo país que FHC deixou pronto para decolar e que foi desfeito (Stalin: “A gratidão é um sentimento de cachorros…”).

Nesta eleição, não se trata apenas de substituir um nome por outro. Não. O grave é que tramam uma mudança radical na estrutura do governo, uma mutação dentro do Estado democrático. Querem fazer um capitalismo de Estado, melhor dizendo, um “patrimonialismo de Estado”. Para isso, topam tudo: calúnias, números mentirosos, alianças com a direita mais maléfica.

Não esqueçamos que o PT não assinou a Constituição de 88, combateu a Lei de Responsabilidade Fiscal, foi contra o Plano Real para depois roubá-lo como se fosse obra do Lula. Alardeiam coisas novas que “vão fazer”, se eleitos de novo mas, pergunta-se: por que não fizeram nada durante doze anos?

É isso aí, bichos… Se Dilma for eleita, teremos o início de um bolivarianismo “cordial”.

 

Publicado aqui, no Estadão

 

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