“Vamos ouvir aqui em Campos os gritos de alegria de Buenos Aires”

Os brasileiros que hoje torcerão pela Argentina, na final da Copa, o farão em nome de uma “fraternidade americana”. Quem torcer pela Alemanha, o fará pela rivalidade com Argentina. A conclusão?  “Ninguém simpatiza, ou detesta uma seleção estrangeira apenas pelo seu jogo”. É o que pensa o argentino Gustavo Alejandro Oviedo, publicitário e advogado radicado na planície goitacá desde 2001, após se casar com a campista Anna Karina. O torcedor do Racing questiona a lógica futebolística do cântico “Brasil, decime que se siente”hit da torcida argentina na Copa que hoje certamente ecoará nas arquibancadas do Maracanã. Embora admita que os alemães tenham uma equipe mais equilibrada, ressalva que todo o time mais brilhante tem um mau dia. Em contrapartida, lembra que Messi já teve o seu, na semifinal contra a Holanda, que ontem derrotou o Brasil por 3 a 0 na disputa do 3º lugar. Se a Argentina ganhar, o hermano mapuche e goitacá aposta: “vamos ouvir aqui em Campos os gritos de alegria de Buenos Aires”.

 

Oviedo, com a camisa da seleção argentina (de rugby)
Oviedo, com a camisa da seleção argentina (de rugby)

 

Folha – Como os argentinos estão encarando essa primeira final em 24 anos? Se ganhar uma Copa no Brasil, dentro do Maracanã, acha que isso poderá ser considerado na Argentina como um novo “Maracanazzo”?

Gustavo Oviedo – Não, seria um novo “Maracanazzo” só se Argentina vencesse o Brasil, o que, no fundo, imagino era o desejo de todo argentino, da mesma forma que os brasileiros queriam uma final com Argentina. Nunca vamos perdoar os alemães por ter nos tirado essa possibilidade. De toda forma, há na Argentina uma euforia muito grande por ter chegado à final depois de 24 anos. Quem tem menos de 28 anos nunca viu Argentina ser campeão, o que corresponde aproximadamente à metade da população. Se Argentina levar a Copa vamos ouvir, aqui em Campos, os gritos de alegria vindos de Buenos Aires.

 

Folha – Sucesso nas arquibancadas da Copa, o cântico “Brasil, decime que se siente” teve origem na rivalidade das torcidas do Boca e River. Como um torcedor do Racing vê a provocação aos brasileiros?

Oviedo – Sou do Racing, mas prefiro não ver nada sob a ótica do torcedor, pois é uma visão limitada e subjetiva do futebol. Ademais, considerando o desempenho do Racing nos últimos 30 anos, minha visão de torcedor seria amarga e rancorosa. Sobre a canção dos  torcedores argentinos, me parece ao mesmo tempo fantástica e patética. Que os argentinos tentem provocar os brasileiros evocando uma eliminação acontecida há 24 anos, quando nesse intervalo de tempo o Brasil conquistou mais duas Copas, só pode ser considerada surreal e inofensiva. Nem dá para se indignar! Mas as provocações são o condimento que deixam o futebol mais gostoso. Só não pode passar disso, senão azeda.

 

Folha – Neymar disse que vai torcer pela Argentina, por conta do Messi e do Mascherano. Acha que isso ajuda a angariar a simpatia brasileira na final?

Oviedo – É bem provável que ajude. Muita gente aqui em Campos já tinha me falado que iria torcer pela Argentina, o que realmente me surpreendeu. São pessoas evidentemente malucas: o normal é torcer contra! Falando sério, quero destacar uma coisa: tanto aqueles brasileiros que torcem a favor da Argentina, quanto os que torcem contra, argumentam razões completamente extra futebolísticas. Quem é pró-Argentina fala da fraternidade americana; de não querer que a Alemanha seja tetracampeã, ou até do confronto político-econômico entre países emergentes e desenvolvidos. Já os que torcem a favor da Alemanha, o fazem porque não gostam da Argentina, ao ponto tal de apoiar os seus algozes. Uma espécie de Síndrome de Estocolmo (apego do sequestrado ao sequestrador). Conclusão: ninguém simpatiza, ou detesta, uma seleção estrangeira apenas pelo seu jogo.

 

Folha – Na Argentina, a transmissão dos jogos da seleção foi estatizada pela Cristina Kischner. Após o vexame contra a Alemanha, Dilma quer intervir no futebol. Até onde a “pátria em chuteiras” pode ir nessa associação entre política e futebol?

Oviedo – Foram declarações emitidas sob o trauma do 7 a 1, e penso que isso não irá prosperar. É que nem a ‘mini-constituinte’ que Dilma propôs depois dos protestos de junho do ano passado; lembra? O governo pode até pressionar para que aconteça uma mudança na cúpula da CBF, o que seguramente isso fará, mas não poderá ir mais longe. Mas não deixa de ser interessante observar que está se promovendo toda uma transformação na administração do futebol brasileiro derivada do resultado de um único jogo. Ou seja, se o Brasil tivesse ganhado contra Alemanha, as falcatruas da cartolagem não seriam tão graves assim. Na Argentina, como você disse, o governo comprou os direitos de transmissão do futebol local. Pagando caro, logicamente. Assim, o que se vê durante as emissões é propaganda oficial o tempo todo, tanto nos intervalos quanto na narração dos jornalistas esportivos. E o futebol local está a cada dia pior. Os jogos acontecem em estádios sem torcida visitante, por conta da violência. Não é um modelo a seguir.

 

Folha – Di María joga ou não? Se o fizer, não pode repetir Diego Costa pela Atlético de Madri, na final da Liga dos Campeões, onde o brasileiro naturalizado espanhol entrou para não conseguir jogar e sair, queimando uma substituição?

Oviedo – Parece que joga. Vi hoje no jornal que está treinando para isso. Ele faz tanta falta ao time argentino que, ainda jogando um tempo, será lucro para Argentina.

 

Folha – Não é irônico que a Argentina tenha chegado com fama pelo ataque, mas temendo pela defesa, e nos últimos jogos venha se destacando mais pela segunda do que pelo primeiro? Na semifinal, o volante Mascherano e o goleiro Romero foram os craques do time?

Oviedo – O que demonstra que, em se tratando de futebol, é temerário tentar dar algum palpite. Lembre-se que depois da primeira fase todo mundo dizia que o Mundial tinha se transformado na Copa América, pela quantidade de times da região classificados. Mas, ao chegar às semifinais, ficaram dois times de América e dois da Europa, e nenhum deles foi uma zebra.

 

Folha – De novo a Alemanha no caminho da Argentina. Quem leva esse tira-teima de 1986 e 1990? Que lembranças você e seu povo guardam daquelas duas finais seguidas de Copa?

Oviedo – Em 1986 Argentina tinha uma grande seleção, embora costuma-se dizer que era apenas Maradona mais 10. Os jogadores não eram craques, mas funcionaram de forma eficiente e o time mostrou um grande futebol. Para mim, essa Copa foi ganha de forma incontestável. Já na Copa de 90, a Argentina chegou à final graças apenas a duas pessoas: Maradona, eliminando numa única jogada o Brasil, que havia jogado melhor; e o goleiro Goycoechea, decisivo nos pênaltis contra Iugoslávia e Itália. A final de 1986 foi um jogaço, com Alemanha empatando depois da Argentina ir à frente por dois gols, e no final Burruchaga definindo o jogo. Por sua vez, a definição de 1990 foi bem mais chata, com apenas um gol de pênalti alemão, bastante polêmico para os argentinos. Espero que este novo encontro seja tão emocionante como aquele de 86, e com o mesmo resultado.

 

Folha – Considera a atual geração alemã melhor do que aquela de Matthäus, Klinsmann, Brehme e Völler? Depois do que fizeram com o Brasil, como parar Schweinsteiger, Müller, Kroos, Klose e cia? À bala?

Oviedo – Parece-me que a seleção alemã de hoje é sem dúvidas melhor que aquela de Beckenbauer (como técnico). Pense que Joachim Low  já era técnico na Copa anterior, que eliminou Argentina por 4 a 0, e nessa partida jogaram três dos quatro jogadores que você menciona, o que revela um time que se conhece e está bem engajado. Um jornalista argentino definiu o time alemão como uma seleção que joga sem se importar em como vai jogar o seu adversário, mantendo suas características, que são a boa administração da bola, a firmeza na marcação e a solidariedade, que faz com que a bola chegue ao jogador melhor posicionado na hora de definir.

 

Folha – Parece consenso que os alemães têm o melhor time, enquanto os argentinos, o melhor jogador do mundo. Num esporte coletivo o primeiro não tem que prevalecer? Ou vingará a capacidade de desequilíbrio do grande craque?

Oviedo – Vamos ver. A lógica determina que uma equipe bem associada deveria ser mais eficiente do que outra cujos talentos são irregulares. Mas isto talvez funcione melhor em campeonatos de pontos corridos, onde o bom desempenho prevalece no longo prazo. Toda equipe, por mais brilhante que for, em algum momento tem um dia ruim. E se esse dia for uma final da Copa do Mundo, derruba o sucesso dos seis jogos anteriores. Por sua vez, Messi não jogou bem contra a Holanda. O dia ruim dele já passou.

 

Folha – Se Messi ganhar esta Copa, dentro do Brasil, poderá ser maior que Maradona? Algum dos dois é melhor do que Pelé?

Oviedo – O critério de quem é o foi o melhor jogador da história é completamente subjetivo, pois depende não apenas do jogador, mas também da pessoa que o avalia, e a relação emotiva que existe entre ambos. Quando se trazem argumentos estatísticos, a coisa não melhora. Para muitos brasileiros, Pelé tem números bem melhores aos de Maradona, o que lhe confere superioridade. Mas esses mesmos brasileiros consideram, com razão, que Ayrton Senna foi o melhor piloto de todos os tempos, sendo que quem venceu mais campeonatos de Fórmula 1 foi o Schumacher. Não estou fugindo da pergunta, apenas preparo o terreno para dizer que para os argentinos, e aqui me incluo, Maradona é o melhor, e para os brasileiros, foi Pelé. Acho que ambos grupos estão certos. Por sua vez, Messi é um craque, mas ainda está longe do patamar místico dos outros dois.

 

Publicado hoje na edição impressa da Folha

 

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Com Neymar no banco, Brasil vai com Maxwell contra Holanda sem Sneijder

Com Neymar no banco para apoar os colegas, mas sem condições de jogo, o Brasil terá Maxwell na lateral esquerda, daqui a pouco, para disputar o terceiro lugar, às 17h, daqui a pouco, no Mané Garrincha, contra a Holanda. Além de ter falhado em alguns gols dos sete feitos pela Alemanha na semifinal de terça (08/07), sobretudo no lance que originou o primeiro, o ex-titular Marcelo sempre teve na defesa seu ponto fraco. E hoje, para marcar o craque holandês Arjen Robben, e com a obrigação brasileira de não dar outro vexame,  as preocupações defensivas se redobram.

Assim, Maxwell é outra mudança em relação ao time que desmoronou diante da Alemanha, além das entradas já esperadas (e anunciadas aqui) de Paulinho, Ramires, William e Jô nos lugares, respectivamente, de Fernandinho, Hulk,  Bernard (Neymar) e Fred — este último, já vaiado pela torcida de Brasília, assim que seu nome foi anunciado, mesmo entre os reservas. O Brasil entra em campo com: Júlio César, Maicon, Thiago Silva, David Luiz e Maxwell; Luiz Gustavo, Paulinho, Ramires e Oscar; William e Jô.

 

Atualizado às 16h22

 

Um dos principais destaques e cérebro da seleção da Holanda, o meia Wesley Sneijder sentiu uma fisgada na parte anterior da coxa direita, enquanto chutava uma bola no aquecimento, já dentro do gramado do Mané Garrincha, e não vai enfrentar o Brasil.

 

Atualizado às 16h41

 

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Brasil hoje em campo para retomar a obra de homens

 

Velocista improvável aos 30 anos e dono de um drible de canhota tão mortal quanto o de Messi, Arjen Robben foi o craque da Copa até as semifinais. Louis van Gaal pode ser um baú de papelão sem alça em dia de chuva, mas é também um tático brilhante, capaz de alterar esquemas de acordo com os adversários e de mudar placares com substituições durante o jogo. A bem da verdade, de todas as quatro seleções que ainda estão no Mundial, ou das 28 que já voltaram para casa, a Holanda é o time mai difícil de ser derrotado. Tem  uma defesa sólida e um contra-ataque letal, conjunto que garantiu uma campanha invicta, desclassificada pela Argentina apenas na loteria dos pênaltis.

Mesmo que contasse com Neymar em forma e não tivesse sofrido a maior humilhação da história das Copas, diante do mundo e dentro da sua própria casa, nos 7 a 0 impostos pela Alemanha, seria uma parada indigesta para o Brasil, na decisão do terceiro lugar de logo mais, a partir das 17h, no estádio Mané Garrincha, em Brasília. Na escalação mais compacta, com Paulinho em substituição a Fernandinho e, sobretudo, com Ramires no lugar de Hulk, além da volta de Thiago Silva à zaga, o Brasil, pelo menos em tese, estará mais seguro na defesa. Bem verdade que a insistência em jogar com centroavante fixo, com Fred cedendo vez a Jô, para poupar o primeiro das vaias das quais foi vítima no vexame do Mineirão, demonstram que Felipão está mesmo superado para o futebol hoje praticado no resto do mundo.

Mas quer saber, e daí? Os 11 que entrarem em campo o farão já exorcizados da pressão eleitoral de uma “pátria de chuteiras” cuja presidente-candidata descartou todos os 23 na manhã seguinte à derrota, como “pior dos pesadelos” e com direito a confissões de ex-guerrilheira marxista diante à câmera yankee da CNN. Da mesma maneira, jogarão de grilhões rompidos com uma obrigação de vitória imposta pela arrogância dos comandantes que teriam de proteger-lhes fora de campo, mas que de lá trouxeram para dentro o dilema entre glória ou maldição, sob a expiação de uma pátria que só se lembra de sê-la de quatro em quatro anos.

Se, como pregou ontem seu capitão na coletiva (aqui), quem hoje jogar realmente buscar no campo a restituição de sua honra representando um país, será capaz de fazê-lo, independente do placar. Como sua metáfora, talvez não haja esporte mais fiel à vida do que o futebol. Com a única certeza do apito final em ambas, que a Seleção Brasileira consiga hoje encarnar o estoicismo de Marco Aurélio (121 d.C./ 180 d.C.), imperador e filósofo romano: “Levanto-me para retomar a minha obra de homem”.

Muito mais por eles do que nós, essa é a torcida!

 

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“Pátria de chuteiras” — Dilma quer intervenção, Aécio chama de “Futebras” e Campos ironiza

Como tudo começou, em 2007, com os então presidentes da CBF e da República, Ricardo Teixeira e Lula, e o ainda presidente da Fifa, Joseph Blatter, entrelaçando mãos e interesses para a escolha do Brasil como “pátria em chuteiras”, sete anos depois
Como tudo começou, em 2007, com os então presidentes da CBF e da República, Ricardo Teixeira e Lula, e o presidente da Fifa até hoje, Joseph Blatter, entrelaçando mãos e interesses para a definição do Brasil como a “pátria de chuteiras” de sete anos depois

 

Independente do jogo entre Brasil e Holanda de logo mais, no Mané Garrincha, em Brasília, pela disputa pelo terceiro lugar da Copa do Mundo, alguém ainda duvida que ainda vivemos há algum tempo na deturpação da expressão “pátria em chuteiras”, criada pelo jornalista e dramaturgo Nelson Rodrigues (1912/80)? Bem, se incerteza há, escute abaixo a vinheta gravada desde o ano passado, antes mesmo da Copa das Confederações vencida pelo Brasil, na campanha do governo Dilma Rousseff (PT) para a Copa do Mundo em ano de eleição, custeada pelo dinheiro público e batizada de… “Pátria de Chuteiras”:

 

 


Infelizmente, pelo menos para quem torcia apenas pelo futebol da Seleção Brasileira, não por sua utilização num projeto político de perpetuação no poder, tinha uma Alemanha no meio do caminho, no meio do caminho tinha uma Alemanha. E numa tarde do Mineirão deu-se o vexame dos vexames na Copa das Copas.

 

Entre Carlos Alberto Parreira, José Maria Marin, Marco Polo Del Nero e Luiz Felipe Scolari, Dilma agora quer interferir no futebol do qual já foi grande parceira e recebia camisa personalizada para o netinho Gabriel
Entre Carlos Alberto Parreira, José Maria Marin, Marco Polo Del Nero e Luiz Felipe Scolari, Dilma agora quer ameaça fazer uma intervenção, mas só após da humilhação mundial do Brasil, no futebol do qual já foi grande parceira e recebia camisa personalizada para o netinho Gabriel

 

Como nunca antes na história deste país, nem de nenhum outro, uma  seleção campeã do mundo de futebol e semifinalista de uma Copa foi tão humilhado, por todos os ângulos e em tempo real, diante dos olhos de todo o planeta. Depois de gastar mais de R$ 9 bilhões na reforma e construção de estádios pelo país, 95% deles bancados com dinheiro público, mais que o somatório do custo das duas Copas anteriores na África do Sul (2010) e na mesma Alemanha (2006), além de resolver a mobilidade urbana brasileira na base dos feriados em dias de jogos, desafogando o trânsito, mas também o trabalho e a produção, num prejuízo estimado em R$ 60 bilhões, o que fazer antes de entregar o ouro esculpido em taça na mão do outro, na final de domingo no Maracanã?

Bem, já no dia seguinte (o9/07) ao vexame da goleada de 7 a 1 imposta com facilidade pela Alemanha, na semifinal de terça (08), a primeira a se mexer foi própria presidente Dilma Rousseff (PT), que buscou a rede estadunidense de TV CNN para tentar se justificar diante do mundo pela humilhação do Brasil na Copa que sedia (confira aqui a íntegra da entrevista). Ato contínuo, na manhã seguinte (quinta, dia 10), foi a vez do ministro dos Esportes Aldo Rebelo (PC do B), em pleno briefing promovido pela Fifa, ameaçar uma intervenção estatal no futebol brasileiro (relembre aqui).

 

Na “pátria em chuteiras”, o ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso, o candidato tucano Aécio Neves, o presidente da CBF, José Maria Marin, e o presidente eleito da entidade, Marco Polo Del Nero
Na sociologia da “pátria em chuteiras”, o ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso, o candidato tucano Aécio Neves, o presidente da CBF, José Maria Marin, e o presidente eleito da entidade, Marco Polo Del Nero

 

Pois ontem, a oposição também resolveu entrar no jogo. Provando que vai fazer uso da democracia irrefreável das redes sociais em sua campanha, o candidato tucano à presidência, Aécio Neves, entrou de sola contra a iniciativa federal, que chamou de “Futebras”. Confira abaixo a reprodução da nota postada aqui, no perfil do Facebook do político mineiro:

— O futebol brasileiro precisa, é claro, de uma profunda reformulação. Mas não é hora de oportunismo. Principalmente daqueles que estão no governo há 12 anos e nada fizeram para melhorá-lo. E nada pode ser pior do que a intervenção estatal. O país não precisa da criação de uma “Futebras”. Precisa de profissionalismo, gestão, de uma Lei de Responsabilidade do Esporte. Com foco nos atletas, nos clubes e nos torcedores.

 

Eduardo Campos entre José Maria Marin e Marco Polo Del Nero, recebendo camisa autografada da Seleção Brasileira, sonho de muitos eleitores
Eduardo Campos entre José Maria Marin e Marco Polo Del Nero, recebendo camisa autografada da Seleção Brasileira, sonho de muitos eleitores

 

Por sua vez, o candidato do PSB a presidente da República, Eduardo Campos, também entrou jogo. Cumprindo agenda de campanha ontem em Natal (RN), ele ironizou os dois adversários, dizendo que Dilma e Aécio parecem estar querendo se candidatar a presidência da CBF:

— O debate de conteúdo é que precisa ser feito, um debate do bom senso. Pelo visto estão querendo se candidatar a presidente da CBF a Dilma ou o Aécio. Precisa do envolvimento e escuta da sociedade sobre uma lei de responsabilidade nos esportes de uma maneira geral, precisa fazer isso sem estar contaminado pelo ambiente eleitoral, tem que fazer com responsabilidade.

 

Ministro de Dilma, o comunista Aldo Rebelo comungou da mesma mesa com a cartolagem da CBF que agora ameaça de intervenção
Ministro de Dilma, o comunista Aldo Rebelo comungou da mesma mesa com a cartolagem da CBF que agora ameaça de intervenção, depois de retirar artigos do projeto de um deputado tucano para moralizar o futebol, como denunciou publicamente Romário, aliado do petista Lindberg

 

Enquanto a bola é dividida pelos três como numa pelada, um ex-gênio dos gramados, deputado federal do partido de Eduardo Campos e candidato a senador na chapa do petista Lindberg Farias ao governo do Rio, também faz uso da democracia irrefreável das redes sociais para cobrar publicamente ao ministro Rebelo e à presidente Dilma. Romário pressiona ambos pelo apoio a um projeto de deputado federal tucano Otávio Leite (RJ), no sentido de sanear o futebol brasileiro, que teve vários artigos retirados com apoio do governo federal. Segundo o Baixinho denunciou aqui:

“Os artigos 36, 37, 39, 40 e 41 foram os retirados da proposta, em resumo, eles propunham o seguinte:

“Constituíam a Seleção Brasileira de Futebol e o Futebol Brasileiro como Patrimônio Cultural Imaterial; obrigavam a CBF a contribuir com alíquota de 5% sobre as receitas de comercialização de produtos e serviços proveniente da atividade de Representação do Futebol Brasileiro nos âmbitos nacional e internacional. O tributo também incidiria sobre patrocínio, venda de direitos de transmissão de imagens dos jogos da seleção brasileira, vendas de apresentação em amistosos ou torneios para terceiros, bilheterias das partidas amistosas e royalties sobre produtos licenciados. O valor seria destinado a um fundo de iniciação esportiva para crianças e jovens. A CBF também ficaria sujeita a auditoria do Tribunal de Contas da União.

“Ministro, curiosamente, tanto o Sr. como o presidente da Câmara dos Deputados pediram a retirada destes artigos, alegando que com eles a proposta não seria aprovada. Fica a pergunta, o ministério vai apoiar estas propostas? Aguardo a resposta.

“Incrível o que uma porrada de 7×1 não faz!”

 

Mesmo depois ter colocado o retrato de Dilma na parede como sua fiel sucessora, Lula ainda recebia os afagos dos cartolas Del Nero e Marin, também com direito à camisa personalizada com o número do PT e da sorte que o Brasil teria na Copa das Copas
Mesmo depois ter colocado o retrato de Dilma na parede como sua fiel sucessora, Lula ainda recebia os afagos dos cartolas da CBF Del Nero e Marin, também com direito à camisa personalizada com o número do PT e da sorte que o Brasil teria na Copa das Copas, na “porrada de 7 a 1” referida por Romário

 

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Thiago Silva: “Não é mais o 1º lugar que está em disputa, é a nossa dignidade”

Thiago Silva2Holanda — Não é mais o primeiro lugar que está em disputa, mas sim a nossa honra, a nossa dignidade. E eu acho que aquando você é atleta de Seleção Brasileira, você veste essa camisa com cinco estrelas, você tem que respeitá-la acima de tudo. Então eu acho que a motivação em vesti-la, está acima de qualquer coisa. Independente da situação, se a gente vem de uma derrota teoricamente dura, da forma que foi a última, eu acho que a gente tem tudo agora para virar a página e… é vida que segue! É um outro adversário, de muita qualidade também, mas a gente está muito motivado para esse jogo. É um adversário muito qualificado, que não chegou a decisão, acredito, por falhas nas penalidades. É coisa que acontece no futebol, mas teria totais condições de estar na final com a Alemanha. Então tem todo nosso respeito, todo nosso respaldo, e a gente vai tentar fazer um grande jogo (interrompido por Felipão, que lembra a  eliminação do Brasil, com Thiago, pela Holanda, nas quartas de final de 2010). É basicamente o mesmo time que nos eliminou em 2010. E naquela ocasião, eu saí muito triste. E não vai ser dessa vez que eu vou querer sair triste novamente. Tentar virar essa coisa aí, tentar amenizar pelo menos um pouquinho a última partida.

Felipão continua? — Não é porque ele (Felipão) está do meu lado, mas eu já falei para ele, na frente do grupo e pessoalmente também, o quanto nós confiamos nele, e o quanto nós acrescentamos e crescemos de um ano e meio para cá. É claro que tudo começou com o Mano Menezes lá atrás,formando o grupo, e depois teve a saída. Eu acho que a saída é sempre um pouco difícil você tentar assimilar. E eu acho que o momento não é de você crucificá-lo, por um erro, por acerto, enfim, por qualquer razão. E a gente está junto, porque um grupo, quando um erra, erra todo mundo. Ele falou na última coletiva (da quarta, dia 9, seguinte ao jogo com a Alemanha) que ele teve a parcela dele de erro; como nós temos a nossa. Eu acho que quando a gente consegue dividir o erro em partes, fica leve, não fica pesado para todo mundo. Então, a derrota não é culpar o Felipão, porque quem estava dentro de campo fomos nós jogadores. Por mais que eu não estivesse em campos, eu faço parte daquele jogo também; eu me incluo, porque como capitão eu tenho que fazer esse papel. Infelizmente, aconteceu. E só vai acontecer agora daqui a 100 anos. Não é uma coisa que acontece regularmente. Foi um momento de seis minutos de pane que resultou num resultado final trágico pra gente.

Brasil sem Maracanã — É claro que fica frustrante pelo simples fato de você criar a expectativa em função de um jogo final, possível hexacampeonato, que era visível e todo mundo tinha essa consciência de que era possível também. E é frustrante, sim, porque eu passei muitas noites sem dormir, pensando nessa Copa do Mundo, nessa possível final. Infelizmente, não vai acontecer mas em nenhum momento eu acho que deixei de ter determinação para jogar futebol. Eu acho que a gente, quando é apaixonado por aquilo que faz, independente da situação, a gente tem que demonstrar e crescer com os erros. E eu acho que esse erro do jogo passado, com certeza faz a a gente muito mais forte.

 

Thiago Silva (zagueiro e capitão da Seleção Brasileira, na entrevista coletiva que ocorre neste momento, em Brasília)

 

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Se 70% dos brasileiros exigem mudança na política e na economia, imaginem no futebol

Brasil choro
(Foto: Fernando Donasci / Agência O Globo)

 

 

Jornalista Nelson Motta
Jornalista Nelson Motta

Fechando a tampa

Por Nelson Motta

Para qualquer brasileiro louco por futebol, era como estar em Nova York no 11 de Setembro, com o espetáculo de horror e grandiosidade da História diante dos nossos olhos, em tempo real. Apesar de tudo, foi um privilégio testemunhar o melhor do pior, sem mortos nem feridos: só humilhados.

Em qualquer clube-empresa, uma derrota dessas derrubaria toda a diretoria e até a presidência, por pressão dos acionistas. Mas os que escolheram a comissão técnica, os arquitetos do fracasso, como o presidente da CBF, José Maria Marin, dizem que o nosso futebol precisa de grandes mudanças, fingindo que não sabem que são eles a raiz dos problemas que nos levaram a essa humilhação histórica. Só falta culparem a imprensa golpista… rsrs.

Se essa sucessão de arrogâncias, negociatas, cinismos e incompetências que resultaram nessa épica derrota do futebol brasileiro — não de um time, mas como um todo — não for motivo para uma CPI suprapartidária, o que seria? Se 70% dos brasileiros exigem mudanças na política e na economia, imaginem no futebol. Mas com a “bancada da bola” investigando, em vez de ser investigada, nem esse, que seria o maior legado da Copa, teremos.

Se, como filosofava Neném Prancha, “pênalti é tão importante que deveria ser batido pelo presidente do clube”, a escolha do técnico da seleção brasileira deveria ser feita em eleições diretas por todos os brasileiros maiores de 14 anos. E não por um cartola eleito por outros cartolas que dominam federações estaduais como políticos dominam currais e que vivem de vampirizar a paixão popular. Agora o sangue ferveu.

Mas Deus teve compaixão por Neymar e Thiago Silva, poupando-os de sofrer o vexame de corpo presente. E também por Lula, que não foi ao estádio para não ser vaiado e escapou do pior: ser acusado de pé-frio. E por nós, que escapamos de levar uma “zapatada” da Argentina na final no Maracanã. Deus é mesmo brasileiro.

Como sabem os grandes artistas, políticos, empresários e atletas vitoriosos, o sucesso não ensina nada, só infla o ego e subestima os limites, é nos fracassos que se aprendem as lições que levam a conquistas maiores.

 

Publicado hoje em O Globo.

 

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Ai, mamita querida! No Brasil, Maradona rege o coro argentino: “Brasil, me diga o que sente”

 

 

Como diz o famoso comercial do vídeo acima: “Ai, mamita querida!”. Não bastasse a humilhação do Brasil diante do mundo, nos 7 a 1 impostos pela Alemanha, que até presidente Dilma Rousseff (PT) disse aqui à CNN — tentando limpar sua barra ao melhor estilo Felipão e Parreira — que não habitava nem nos seus piores pesadelos, na noite de ontem foi o próprio Maradona quem apareceu no IBC (Centro Internacional de Imprensa da Copa do Mundo), na Zona Oeste do Rio de janeiro, para reger os jornalistas argentinos no cântico que tem atormentado os brasileiros.

Criado na rivalidade entre os torcedores do Boca Juniors e o River Plate (conheça aqui suas origens), o canto “Brasil, decime que se siente” (“Brasil, me diga o que sente”), dizendo que Maradona é melhor do que Pelé (“Maradona és mas grande que Pelé”), foi cantado em conjunto e a plenos pulmões pelo primeiro e seus conterrâneos da imprensa, mas com uma pequena adaptação. Após a semifinal vencida pela Alemanha na terça (09/07), o título e primeiro verso da música, com uma pequena alteração, ficaram “Brasil, decime que se siete” (“Brasil, me diga o que são sete”). A adaptação ainda mais provocativa foi feita ainda no mesmo dia da tragédia brasileira, pelo sempre provocativo diário esportivo argentino Olé.

 

 

Até o domingo no Maraca, não tem jeito. Afinal, Messi, Mascherano, Romero, Di María e cia. fizeram por merecer. Mas se a profecia da última parte do seu cântico, “A Messi vocês vão ver/ A Copa ela vai nos trazer” (“A Messi lo vas a ver/ La Copa nos va a trazer”), seu eco provavelmente vai assombrar os brasileiros por tanto tempo ou mais do que o fantasma do Maracanazzo de 1950, quando perdemos com muito mais dignidade uma outra Copa dentro do Brasil, na virada de 2 a 1 do Uruguai.

Na dúvida, confira o vídeo abaixo da orquestra e seu maestro, antes dos campos, agora do canto:

 

 

 

 

Abaixo, para quem quiser conferir mais uma vez, as letras do hit argentino no original e em sua tradução portuguesa:

 

“Brasil decime que se siente

Tener en casa a tu papá

Te juro que aunque passen los años

Nunca nos vamos a olvidar

Que el Diego te gambeteó

Que Cani te vacunó

Que está llorando desde Itália hasta hoy

A Messi lo vas a ver

La Copa nos va a trazer

Maradona es más grande que Pelé”

 

“Brasil, me diga o que sente

Ter em casa seu papai

Te juro que mesmo que passem os anos

Nunca vamos nos esquecer

Que Diego (Maradona) os driblou

Que Caniggia os espetou (autor do gol argentino que eliminou o Brasil na Copa de 1990, na Itália)

Estão chorando desde a Itália até hoje

A Messi vocês vão ver

A Copa ele vai nos trazer

Maradona é melhor do que Pelé”

 

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Neymar vai torcer pela Argentina na final com a Alemanha. E você?

Capa da Folha de ontem da Folha, com edição de Rodrigo Gonçalves e Aluysio Abreu Barbosa, e diagramação de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Capa da Folha de ontem da Folha, com edição de Rodrigo Gonçalves e Aluysio Abreu Barbosa, e diagramação de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.

 

Jornalismo, como futebol, é trabalho coletivo. Na quarta (09/07), após o jogo em que Messi, Romero, Masquerano e cia. ganharam nos pênaltis sua vaga às finais, conversando com o editor geral da Folha, Rodrigo Gonçalves, e com o hit argentino “Brasil, decime que se siente” (conheça aqui suas origens, na rivalidade entre o Boca Juniors e  o River Plate) ainda ecoando nos ouvidos desde as sonoras arquibancadas do Itaquerão, saiu a manchete da capa do jornal impresso de ontem: “Brasil me diz o que sente/ em ver a Argentina na final?”.

Não se sabe se Neymar leu a Folha ontem, antes de aparecer ontem na Granja Comary, em Teresópolis. Mas o fato é que o craque brasileiro usou sua entrevista coletiva surpresa para responder, entre outras coisas, à pergunta dos versos do cântico argentino adaptados em manchete, quando declarou aqui:

— Eu tenho dois companheiros na Argentina: Messi e o Mascherano. E eu acho que pro futebol, pela história que o Messi tem, de ter conquistado muita coisa, de ter conquistado quase tudo em sua carreira, eu acho que ele merece, sim, ser campeão. Estou torcendo, sim, por ele (…) Você parar para pensar e falar assim: “Pô, um brasileiro torcendo para a Argentina”. Não, eu não estou torcendo para a Argentina; estou torcendo por dois companheiros, para uma pessoa que eu aprendi a admirar ainda mais, estando ao lado dele todos os dias. Um jogador que eu tinha como espelho, como ídolo, que admirava de longe, pelas suas qualidades dentro de campo. E ali (no Barcelona), eu passei a admirá-lo como pessoa, como jogador, e ver que nos treinos ele é tão ou mais especial do que nos jogos. Então, por isso que a minha torcida é sempre pro Messi. Se você falar que eu sou Messi Futebol Clube, eu sou.

Se o fato de jogar junto no Barcelona com os dois principais jogadores argentinos definiu o apoio público de Neymar, a rivalidade no futebol entre os maiores países sul-americanos não impediu que, testada aqui, na democracia irrefreável das redes sociais, como resposta aos versos/manchete “Brasil, me diga como se sente/ Em ver a Argentina na final?”, a torcida por los hermanos na final da Copa desse uma goleada tão impiedosa nos alemães, quanto os 7 a 1 que estes aplicaram na semifinal contra o Brasil. Das 28 manifestações em comentários, nada menos que 17 se declararam a favor da Argentina, com 10 para Alemanha e uma neutralidade ao estilo da Suíça — cuja seleção, aliás, foi eliminada nas oitavas de final pelos argentinos, por 1 a 0, no segundo tempo da prorrogação, após uma jogada genial de Messi finalizada pelo craque Ángel Di María, cuja recuperação é esperada ainda a tempo da final de domingo.

No tira-teima entre duas potências do futebol mundial que já decidiram duas finais de Copa consecutivas, em 1986 e 1990, com uma vitória para cada lado, passados os tempos saudosos nos campos de Diego Maradona e Lothar Matthäus (hoje comentarista da SporTV), o que se pode dizer com certeza sobre a final do próximo domingo no Maracanã, é que ela será disputada entre a melhor seleção (a Alemanha) e o maior craque (Messi) do mundo, ambos à altura coletiva e individual daquilo que de melhor já foi produzido na história do futebol. Se vencer a primeira, será uma injustiça com um dos maiores gênios que já vi com a bola no pé. Se vencer o segundo, estará injustiçada uma das mais brilhantes gerações que pude assistir no trato com a bola.

O futebol, como a vida, não é um ato de justiça. E é nisto que reside seu maior encanto.

Danke, Deutschland! Gracias, Messi!

 

Uma das mais brilhantes gerações que um país já produziu para jogar futebol. Em pé: Neuer, Kroos, Klose, Hummels, Khedira e Boateng. Agachados: Lahm, Müller, Höwedes, Schweinsteiger e Özil
Uma das mais brilhantes gerações que um país já produziu para jogar futebol. Em pé: Neuer, Kroos, Klose, Hummels, Khedira e Boateng. Agachados: Lahm, Müller, Höwedes, Schweinsteiger e Özil

 

Ao lado de Maradona, Zico e Zidane, o maior jogador que já vi jogar: Lionel Messi
Ao lado de Maradona, Zico e Zidane, o maior gênio que vi no futebol: Lionel Messi

 

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Após passar Ronaldo na artilharia das Copas, Klose convida outros a fazê-lo

Klose comemora seu 16º gol em Mundiais, marcado contra o Brasil, dentro do Brasil, para superar o ídolo brasileiro Ronaldo como o maior goleador da história das Copas
Klose comemora seu 16º gol em Mundiais, marcado contra o Brasil, dentro do Brasil, para superar o ídolo brasileiro Ronaldo como o maior goleador da história das Copas

 

“Acredito que foi um pouco amargo para ele quando eu quebrei seu recorde. Quando eu marquei o 15º gol, o Ronaldo me parabenizou por entrar no clube. Agora estou no clube dos 16 e convido a todos que entrem também”

 

(Miroslav Klose, na coletiva de ontem, em provocação sutil como um tanque Panzer)

 

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“Pátria de chuteiras” — Presidente tenta explicar ao mundo humilhação do Brasil no futebol

Não foi só Neymar quem apareceu para dar entrevista (confira aqui e aqui). Depois da tragédia do futebol brasileiro nos 7 a 1 da semifinal contra a Alemanha, na qual foi novamente xingada pela torcida brasileira (leia aqui), mesmo sem estar presente, como já havia sido pessoalmente na abertura da Copa (relembre aqui), a presidente Dilma Rousseff (PT) também deu uma entrevista. Diferente do craque da bola, em sua coletiva de ontem, a da política em ano de eleição foi exclusiva à jornalista Christiane Amanpour, do canal de TV estadunidense CNN, gravada ainda na manhã de quarta-feira. Nela, Dilma tentou explicar ao mundo a humilhação do Brasil, dizendo não acreditar que ela vá afetar o humor nacional. “Além de saber ganhar, tem que saber perder”, disse a presidente.

Questionada pela repórter, Dilma tentou justificar os gastos públicos com a construção de estádios para a Copa, garantiu ter tolerância zero no combate à corrupção e falou até da sua militância armada na guerrilha, da prisão e da tortura nos tempos da ditadura militar no Brasil. Confira abaixo a íntegra da entrevista:

 

 

 

 

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Chico de Aguiar — Breve história do futebol do Brasil

Jornalista Chico de Aguiar
Jornalista Chico de Aguiar

Subsídio para um bate-papo com as crianças

Por Chico de Aguiar

O que escrevo foi pensando na decepção das crianças que acompanharam a Copa do Mundo pela primeira vez. Pensei nelas e naquele “joga pra mim, Brasil”, mostrado em alguns canais da TV. A nossa seleção é a maior vencedora de Copas do Mundo, com cinco conquistas, mas também nos deu frustrações como o Maracanazo de 1950; o vexame de 1966; as decepções de 1982 e 1998. Em 1978, na Argentina, o Brasil declarou-se campeão moral porque terminou invicto — com quatro vitórias e três empates. Houve até a acusação de que a anfitriã fez jogo de compadre e arrumou um resultado que a favorecesse contra o Peru.

Sempre torci para a Seleção do Brasil. Sou brasileiro e amante do nosso futebol, porque desde cedo aprendi que somos os melhores. Na ocasião da morte do grande zagueiro Hideraldo Luís Bellini – em 20 de março deste ano —, capitão da seleção campeã do mundo em 1958, na Suécia, falei de minha paixão iniciada naquela conquista. Tínhamos alguns craques fora de série, inigualáveis, como Garrincha, Didi, Nilton Santos e o estreante Pelé, além de coadjuvantes de altíssima qualidade como Vavá, Zito, Djalma Santos, Bellini, Orlando, o goleiro Gilmar e Zagallo. Sem falar nos reservas que fariam sucesso em quaisquer escalações.

O grupo campeão na Suécia foi também, com pouquíssimas alterações, bicampeão, em 1962, no Chile. Uma das mudanças no time foi a entrada do campista Amarildo no lugar de Pelé, que, contundido no segundo jogo, ficou fora do Mundial. Amarildo entrou com vontade de vencer, sabendo que teria ao lado dele gigantes como Garrincha, o melhor daquela competição; Didi, o melhor da Copa anterior; e Nilton Santos que, por motivos óbvios, já era conhecido por Enciclopédia do Futebol. Embora zagueiro — jogava de lateral esquerdo —, Nilton Santos conhecia todos os atalhos do campo para facilitar a performance tanto na defesa quanto no ataque.

Nosso terceiro título mundial foi conquistado em 1970, no México. Pelé, que já era o Rei do Futebol, ganhou as excelentes companhias de Gerson, Tostão e Rivelino que, como se diz entre os experts, sabiam tudo de bola. De quebra, o Brasil tricampeão tinha ainda o capitão Carlos Alberto Torres, Jairzinho, o goleiro Félix, Brito, Piazza, Everaldo e Clodoaldo. O elenco era tão sofisticado em qualidade técnica que o técnico Zagallo se deu ao luxo de ter no banco um supercraque como Paulo Cesar Caju. Jairzinho fez gol em todos os jogos e foi eleito o craque da competição. O Brasil sobrou na turma e venceu os seis jogos disputados.

Depois de 24 anos sem título de Copa do Mundo, o Brasil voltou a vencer em 1994, nos Estados Unidos. O tetracampeonato foi a conquista da geração de Romário — o craque da Copa — e Bebeto, chamada de Era Dunga pela adoção de uma postura defensiva e de poucos gols. Surgiu após o fracasso do estilo vistoso e de técnica apurada dos times que encantaram o mundo, mas perderam duas copas em 1982 e 1986. Dunga era o capitão e símbolo daquela filosofia de jogar. O jogo final, contra a Itália, terminou empatado em 0x0 e foi decidido nos pênaltis. O goleiro Tafarel foi um dos heróis do título.

Por fim conquistamos, em 2002, no Japão e na Coréia do Sul, o pentacampeonato. Tivemos novamente uma geração brilhante com um trio de craques da melhor estirpe, de uma linhagem que honrou a história do futebol do Brasil: Rivaldo, Ronaldo Fenômeno — artilheiro com oito gols — e Ronaldinho Gaúcho. Que trio! Dirigidos por Luiz Felipe Scolari, nossos atletas venceram todos os sete jogos disputados, fazendo a final contra a Alemanha: 2×0. Afora os três atacantes, o time titular jogou com Marcos, Cafu, Lúcio, Roque Júnior, Edmilson, Roberto Carlos, Gilberto Silva e Kléberson.

Isso posto, penso que é natural a derrota de nossa seleção nesse jogo da fase semifinal da copa que promovemos. É resultado de um processo cíclico que permite aos países participantes a possibilidade de mostrar os ingredientes novos como esquemas táticos ou outra geração de craques que fazem a diferença. Por isso o ranking das seleções são sempre alterados. O Brasil que já foi líder por tantas vezes percebe ainda agora o rebaixamento da Espanha, cantada como maravilha pela conquista de 2010. O que não entendemos ainda foi o placar dessa derrota que nos envergonha. Um futebol com a história e tradição do Brasil, não pode admitir normalidade numa derrota tão acachapante. O 7×1 foi um vexame que deve, merece e precisa ter uma reflexão.

 

Publicado hoje na edição impressa da Folha

 

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Fala, Peixe: “Dilma vai entregar a taça da vergonha!”

Presidentes da CBF, José Maria Marin, e a do Brasil, Dima Rousseff
Presidentes da CBF, José Maria Marin, e a do Brasil, Dima Rousseff

 

 

“Dilma tem sim que entregar a taça para outra seleção. Este gesto será o retrato do valor que ela deu ao nosso futebol nos últimos anos! Eles levarão a taça e nós ficaremos com nossos estádios superfaturados e nenhum legado material, porque imaterial, mostramos para o mundo que com toda nossa dificuldade, somos um povo feliz.

Essa será a taça da vergonha.”

 

Romário (deputado federal do PPS, candidato a senador na chapa do petista Lindberg Farias a governador e ex-craque tetracampeão mundial em 1994)

 

O fato de apoiar Lindberg a governador não tem feito Romário poupar a presidente Dilma e seu governo de pesadas críticas e cobranças públicas nas questões do futebol brasileiro
O fato de apoiar Lindberg a governador não tem feito Romário poupar a presidente Dilma e seu governo de pesadas críticas e cobranças públicas nas questões do futebol brasileiro

 

Confira aqui e aqui a íntegra das cobranças do Peixe, feitas publicamente à presidente Dilma Rousseff (PT) e ao seu ministro dos Esportes, Aldo Rebelo (PC do B), com graves acusações aos dirigentes da CBF José Maria Marin e Marco Polo Del Nero.

 

Vergonha - futebol

 

 

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