Aqui, no grupo de discussão “Nelson Censurado”, criado na democracia irrefreável das redes sociais, logo após a denúncia de que a peça “Bonitinha, mas Ordinária”, de Nelson Rodrigues, maior nome da dramaturgia brasileira, teria sido cancelada no Trianon (conheça o caso aqui e aqui, que ganhou a mídia nacional aqui e aqui), por alegados motivos pessoais e religiosos da prefeita Rosinha (PR), o ator e produtor cultural Alexandre Ferran divulgou agora há pouco a pauta de reivindicação dos artistas de Campos, que prometem reagir ao suposto ato de censura, amanhã (11/07), a partir das 17h, na praça São Salvador. Resumidos na “Comida” do canto dos Titãs, querem os artistas deste palco plano cortado pelo Paraíba do Sul:
1 – Plena liberdade de expressão artística;
2 – Espaços para as práticas teatrais para grupos locais;
3 – Incentivos para montagens e criação de grupos de Teatro;
4 – Formação qualificada de técnicos teatrais;
5 – Manutenção de material técnico e estrutural dos teatros;
6 – Preço acessível de ingressos dos espetáculos para a população.
7 – Fomentação de Fóruns, seminários, festivais, congressos de âmbitos municipal, estadual e nacional;
8 – Ações concretas e representativas do Conselho Municipal de Cultura;
9 – Criação da escola Técnica de Teatro;
10 – Devolução do Teatro de Bolso para a classe artística (que era uma proposta de campanha do atual governo);
11 – Incentivo ao mercado de trabalho.
Além do desastre, com cheiro de ditadura teocrática e intelectualmente medíocre, no cancelamento no Trianon da peça “Bonitinha, mas Ordinária”, de Nelson Rodrigues, que seria apresentada pelo grupo de teatro carioca “Oito de Paus”, mas teria sido barrada por motivo de ordem pessoal e religiosa da prefeita Rosinha (PR), numa polêmica que ganhou a mídia nacional aqui e aqui, consegue ser ainda mais grave a denúncia feita aqui pela leitora Suzane Azevedo. Reproduzida abaixo, dá conta de uma suposta chantagem dos cofres públicos do município, via Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima, contra os artistas de Campos. Com a palavra, à qual o blog garante o mesmo espaço, a presidente da Fundação e esposa do cantor baiano Lucas “Cebola”, além de pessoa do círculo de confiança de Rosinha, Patricia Cordeiro…
Os artistas foram convocados e proibidos por Patricia Cordeiro de participar de qualquer manifestação.
Quem participar não entra mais na FCJOL e se tiver que ser contratado, ela não contrata mais.
Essa Senhora vai acabar com a Administração da prefeita Rosinha Garotinho.
Será que ela pensa que estamos vivendo na ditadura?
Isso tem que acabar. Ela não pode ameaçar ninguém, mesmo pq o dinheiro é do povo e não dela.
Não bastassem todos os motivos para que os “Cabruncos Livres”, os médicos de Campos e os ex-catadores de lixo da Codin julgam ter para ir às ruas cobrar a administração municipal de Rosinha (PR), depois da polêmica aberta pela denúncia de censura no Trianon à peça “Bonitinha, mas Ordinária”, de Nelson Rodrigues, por conta de supostos motivos pessoais e religiosas da prefeita (conheça o caso aqui e aqui), os artistas de Campos prometem também protestar publicamente amanhã, pelas ruas do município controlado há 25 anos por um grupo político que — entre a tragédia e a comédia da vida real, fundamentadas nas artes desde a Grécia Antiga — foi formado justamente no teatro. Para quem nele ainda está, ou pelo menos não esqueceu das suas origens, seja na arte ou na vida que a imita, segue abaixo a convocação dos artistas de Campos, para o protesto contra a censura e a favor do maior dramaturgo brasileiro, amanhã, às 17h, na praça São Salvador, que está rolando desde cedo na democracia irrefreável das redes sociais…
Atualização às 19h46: A sempre atenta jornalista e blogueira Susy Monteiro já havia anunciado aqui, desde às 11h20 da manhã, a convocação virtual à reação real dos artistas de Campos, contra a denúncia de censura de Nelson Rodrigues no Trianon.
Mário Sérgio Junior, jornalista da Folha (foto de Silésio Corrêa)
Ressalvadas as exceções e sem desmerecer as atitudes de ninguém, a reunião ocorrida na terça-feira (09) entre representantes do movimento “Cabruncos Livres”, médicos e o presidente da Câmara de Campos, Edson Batista, a meu ver apresentou uma série de bases aparentemente despreparadas, principalmente por parte dos “Cabruncos”, que em algumas reivindicações demonstraram não possuir total conhecimento das coisas que acontecem no município.
Vale ressaltar, com louvor, a iniciativa do grupo de ter saído do comodismo e reacender na planície o espírito de protesto, fazendo levar às ruas centenas de pessoas, cada qual com sua “revolta”, que marcharam em paz por questões que realmente merecem atenção, mas que durante a reunião pareceu que se tornou um pouco perdida. No entanto, antes de qualquer coisa cabe uma pergunta: Será que se na última manifestação, no dia 03 de julho de 2013, os médicos e outras classes não estivessem presentes, os “Cabruncos” sozinhos teriam conseguido o avanço de conseguir a reunião na Câmara? Uma vez que o anúncio desta partiu desses profissionais da saúde?
Ir a uma reunião na Câmara sem ao menos saber quais os dias e horários de sessões com ou sem tribuna livre, é no mínimo “baixar a guarda” diante de parlamentares que, embora vejam os manifestos como algo democrático, querem desviar o foco das manifestações.
Quero deixar bem claro que em nenhum momento disse que o movimento é fraco ou que não estão pleiteando assuntos relevantes para a sociedade em geral. Não é de hoje que todos estão percebendo a realidade precária dos transportes públicos, as reclamações de usuários da saúde pública, a falta de valorização dos profissionais da educação (que muitas vezes precisam trabalhar em vários locais para conseguir se sustentar), enfim uma série de queixas que os “Cabruncos” estão em alerta para ver um resultado efetivo.
Por parte dos parlamentares presentes e suas equipes, cabe as seguintes questões: Por que não ter aberto a reunião com todos os vereadores para que pudesse ao menos apresentar uma posição mais concreta e não apenas prometer análises? Quando será divulgado o resultado dessas análises? Será que elas serão “passadas para trás” por coisas mais “importantes”?
Enfim, no que diz respeito a soluções imediatas, nada foi apresentado. Acredito que se a reunião tivesse sido feita em outros moldes, com a presença de todos os vereadores, uma resposta mais direta poderia ter sido dada. Diante disso, independente de alguns despreparos, espero que tudo o que foi abordado não seja jogado para debaixo do tapete e uma forma disso não cair no esquecimento é o protesto nas ruas, que provavelmente não terá fim, pelo menos nas próximas semanas ou meses.
Das ruas à Câmara Municipal, na reunião de ontem, sem todos os vereadores (foto de Edu Prudêncio)
O diretor do grupo teatral carioca “Oito de Paus”, Luís Felipe Perinei, enviou por e-mail ao blog uma resposta à nota divulgada só hoje, aqui, pelo superintendente do Teatro Trianon, João Vicente Alvarenga, em relação ao polêmico cancelamento da peça “Bonitinha, mas Ordinária”, de Nelson Rodrigues, por supostos motivos de ordem pessoal e religiosa da prefeita Rosinha (PR). Abaixo segue na íntegra a versão de Luís Felipe aos fatos que hoje ganharam aqui a mídia nacional…
Luís Felipe Perinei
Rio de Janeiro, 10 de julho de 2013, 14:45.
Vou começar essa nota em resposta a nota oficial da Prefeitura de Campos com o seguinte e-mail enviado a mim por Ademilde Pacheco, diretora artística da Fundação Trianon, no dia 01/07/13:
Olá Felipe,
A Prefeitura de Campos está vivendo um momento de muitas mudanças nas Secretarias e Fundações, com isso as agendas a partir de agosto foram para a equipe da prefeita para confirmações e / ou novos espetáculos.
O João Vicente pediu para que eu cancelasse tudo que estava pré agendado, e ficarmos no aguardo de novas orientações. Inclusive aqui era Fundação Teatro Municipal Trianon, agora perdeu a autonomia. É somente Teatro Municipal Trianon. Ficando tudo subordinado ao Gabinete da Prefeita.
Enfim, pedimos muitas desculpas e o seu material será devolvido por SEDEX. Vamos ver como será a nova agenda. Por enquanto está cancelado.
Um grande abraço e muito obrigada pelo seu empenho e profissionalismo. Desejo sucesso.
Ademilde Pacheco
Diretora Artística
Bom, em primeiro lugar, o e-mail é bem claro relatando o cancelamento e não há nenhuma justificativa referente a documentações que estejam erradas ou algo do tipo. Temos e-mails e registros de ligações, em junho, da Fundação Trianon para a nossa empresa produtora, confirmando o espetáculo e inclusive a Fundação nos ofereceu transporte e uma possibilidade de hospedagem na cidade. Se tinha algum problema na documentação, como que a Fundação nos liga confirmando o espetáculo e ainda nos oferece hospedagem e transporte? Mistério!
Em segundo lugar eu tenho os registros de ligações feitas para o Sr. João Vicente Alvarenga em que conversamos sobre este cancelamento e onde ele me relatou a justificativa dada pela Fundação Oswaldo Lima sobre a “imoralidade” de Nelson Rodrigues que poderia ofender a religião da prefeita de Campos.
Em terceiro lugar o e-mail diz claramente que a agenda do Teatro Trianon ficou submetida ao Gabinete da Prefeitura, ou seja, segundo o e-mail a prefeita ou os seus assessores de gabinete teriam acesso a agenda, existindo então, a possibilidade dela vetar a peça devido a motivos religiosos ou algo do tipo e creio eu que foi exatamente o que aconteceu.
Em quarto lugar, a nossa empresa produtora (A Garagem) é uma empresa extremamente correta em todas as suas funções jurídicas, tão correta que ela é responsável por projetos aqui na cidade do Rio de Janeiro e a peça “Bonitinha, mas ordinária” atualmente está em sua terceira temporada aqui pela cidade e nunca tivemos nenhuma espécie de problemas com as documentações. Acho que não são os nossos documentos que estão errados, talvez seja a Fundação Trianon ou a Prefeitura de Campos que esteja equivocada.
Em quinto lugar, é uma decepção para o Grupo, para mim, para classe artística e para a minha família (que mora em Campos) ver que o Sr. João Vicente Alvarenga diz que houve mentiras por parte do Grupo. Eu aprendi na minha graduação na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) no curso de Direção Teatral, que um homem de teatro tem que sempre honrar a sua palavra em favor da arte e fico decepcionado quando vejo que o homem de teatro que é o Sr. João Vicente nega o seu contato comigo pelo telefone, no dia 08/07/13, em que me informou as justificativas religiosas sobre o veto da peça “Bonitinha, mas ordinária”. Ainda bem que temos os registros de ligação que comprovam o contato e as conversas.
O Grupo de Teatro Oito de Paus declara formalmente a sua indignação e o seu repúdio ao desrespeito pelo trabalho profissional de artistas de teatro na cidade de Campos. Gostaríamos de informar para os políticos e funcionários da Prefeitura que os senhores estão lidando com profissionais e artistas que sabem o que estão fazendo e que procuram o máximo de honestidade, clareza e comprometimento com a arte neste país.
E discordando do Sr. João Vicente de Alvarenga, talvez o verdadeiro preconceito, intolerância e mentira esteja realmente do lado certo.
Luís Felipe Perinei – Diretor do Grupo de Teatro Oito de Paus
Diretor do grupo teatral carioca “Oito de Paus”, Luís Felipe Perinei
O blog entrou em contato por telefone com Luís Felipe Perinei e o mesmo confirmou toda a história relatada aqui, com acréscimos importantes de informação AQUI na Folha da Manhã e AQUI no Terceira Via. O diretor ainda foi claro ao afirmar que foi João Vicente, pelo telefone, que disse, em off, que o problema era de cunho religioso e não documental.
Segue abaixo, dois e-mails que comprovam que o cancelamento NÃO está atrelado a qualquer problema de documentação. Além disso, causa espanto a afirmação no segundo e-mail de que as funções artísticas migraram para o gabinete da Prefeita Rosinha.
E-MAIL 01
Gustavo Fernandes
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Boa tarde Ademilde.
Conforme falamos em contato telefônico, segue o endereço para o encontro e embarque do grupo OITO de Paus para seguirmos para nossa apresentação de Bonitinha, mas ordinária em Campos.
Rua Haddock Lobo, número 300 – Tijuca – Rio de Janeiro
Pontos de referência: em frente à rua do Bispo, em frente a loja Jac Motors, um quarteirão após o Clube Municipal, altura da Praça Afonso Pena.
Horário de embarque: 5:30h da manhã do Sábado (10/08)
Acredito que seja uma boa hora para fazermos o trajeto com calma e chegarmos a tempo para a entrevista no estúdio da InterTV as 11:30.
A volta estamos programando para o Domingo (11/08) as 9;00h da manhã.
Quantos aos outros questionamentos:
– Hospedagem: peço a você para olhar com carinho, se for possível termos ok, seria ótimo. Se não damos o nosso jeito.
– Pagamento: só para constar,como você falou provavelmente será realizado em até 15 dias após o espetáculo.
Qualquer outra questão que venha a surgir vamos nos falando.
Desde já agradeço a atenção.
Um abraço.
Gustavo Fernandes
E-MAIL 02
Olá Felipe,
A Prefeitura de Campos está vivendo um momento de muitas mudanças nas Secretarias e Fundações, com isso as agendas a partir de agosto foram para a equipe da prefeita para confirmações e / ou novos espetáculos.
O João Vicente pediu para que eu cancelasse tudo que estava pré agendado, e ficarmos no aguardo de novas orientações. Inclusive aqui era Fundação Teatro Municipal Trianon, agora perdeu a autonomia. É somente Teatro Municipal Trianon. Ficando tudo subordinado ao Gabinete da Prefeita.
Enfim, pedimos muitas desculpas e o seu material será devolvido por SEDEX. Vamos ver como será a nova agenda. Por enquanto está cancelado.
Um grande abraço e muito obrigada pelo seu empenho e profissionalismo. Desejo sucesso.
Ademilde Pacheco
Diretora Artística
Atualização às 16h: O texto acima foi tirado diretamente do blog do Cláudio Andrade, não da página do jornal virtual Terceira Via, no qual ele escreve.
É o que se pode chamar de uma atitude feliciana. O Teatro Municipal Trianon, de Campos de Goytacazes, cancelou a apresentação do espetáculo “Bonitinha mas ordinária”, do Grupo de Teatro Oito de Paus, que estava agendada para agosto. De acordo com um dos atores do grupo, Rodrigo Vahia, a justificativa que a direção do teatro deu por e-mail para o cancelamento da peça de Nelson Rodrigues é que ela “poderia ofender a prefeita Rosinha Garotinho, que é evangélica”. E tem gente que acha que a prefeita é bonitinha.
Publicado hoje, aqui, na coluna do Artur Xexéo, na contracapa do Segundo Caderno, de O Globo.
“Não pratico a política com rancor ou espírito de vingança. Sou um cristão verdadeiro”. Foi assim que o pré-candidato a deputado federal e presidente da Fundação Estadual do Norte Fluminense (Fenorte), Nelson Nahim (atual PPL, mas de malas prontas ao PSD), reagiu à possibilidade de impedir que o suplente de vereador Kelinho (PR) mantivesse uma das 25 cadeiras da Câmara de Campos. Como o Gustavo Matheus explicou aqui, Kelinho só poderia permanecer na vaga do vereador eleito Fábio Ribeiro (PR), com a manutenção da passagem deste à secretaria municipal de Planejamento e Gestão. Para tanto, Nahim precisa liberar Fábio da Fenorte, onde este é funcionário concursado. Em contrapartida, favorecido direto pela liberação do titular, o suplente Kelinho foi um dos vereadores que, na Legislatura passada, fomentou as desavenças entre Nahim e seu irmão, o deputado federal e pré-candidato a governador, Anthony Matheus, o Garotinho (PR), se dizendo “motivado por Deus” para afirmar que o então presidente da Câmara conspirava contra a prefeita Rosinha (PR).
Muito embora tenha em suas mãos o poder de tirar a cadeira na Câmara de quem o acusou em passado recente, Nahim confirmou que amanhã mesmo estará assinando a cessão de Fábio da Fenorte para a secretaria de Rosinha:
— Fábio já foi cedido e Kelinho já assumiu na Câmara. Lógico que a possibilidade de reverter isso, num simples despacho, não deixa de revelar as voltas que o mundo dá. Mas jamais pensaria em agir de tal forma. Isso não faz parte do meu caráter, nem como homem, nem como político; não condiz com a criação que recebi dos meus pais. Desejo, inclusive, sucesso tanto a Fábio, quanto a Kelinho, pois sei da importância dos papéis públicos que os dois terão pela frente. E espero, sinceramente, que eles trabalhem dentro desse mesmo espírito de perdão, sem perseguições pessoais contra os eventuais adversários políticos, que em nada acrescentam.
O blogueiro tentou, durante à tarde e à noite de hoje, vários contatos telefônicos com Kelinho e Fábio, até para comunicar-lhes que, por meio da decisão de Nahim, ambos poderiam ficar onde estão, além de colher suas impressões, mas não obteve sucesso.
“A Prefeitura de Campos não vai se pronunciar, porque desconhece oficialmente o assunto”. Foi com essa evasiva que a secretaria municipal de Comunicação Social de Campos respondeu por telefone, às 17h34, ao pedido de esclarecimento feito pelo repórter da Folha Celso Cordeiro, em relação à grave denúncia de que a encenação da peça “Bonitinha, mas Ordinária”, de Nelson Rodrigues (1912/80), maior autor da dramaturgia brasileira, que seria apresentada no Trianon pelo grupo carioca de teatro “Oito de Paus”, como chegou a ser programado para 10 de agosto, foi cancelada com a justificativa de que o texto seria “imoral”, teria “muitos palavrões”, o que “poderia ofender a prefeita Rosinha, por ela ser evangélica”.
Segundo divulgou inicialmente aqui o blogueiro Cláudio Andrade, em e-mail enviado pelo diretor do grupo “Oito de Paus”, Luís Felipe Perinei, a versão ao cancelamento da peça lhe teria sido repassada pelo ex-diretor da Fundação Trianon, hoje superintendente do teatro, após a reforma administrativa de Rosinha, João Vicente Alvarenga. Este, de acordo com Luís Felipe, teria se mostrado “indignado” com a decisão, que teria sido tomada pela Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima, nova toda-poderosa da cultura de Campos, presidida pela Patrícia Cordeiro, esposa do cantor baiano Lucas “Cebola” e considerada pessoa do círculo de confiança pessoal da prefeita Rosinha.
“Bonitinha, mas ordinária”, em uma de suas versões para o cinema, de 1981, estrelado por Lucélia Santos
Não por outro motivo, João Vicente e Patrícia também foram procurados pela reportagem da Folha. No relato criterioso do seu jornalista Celso Cordeiro:
— João Vicente foi procurado, por telefone, às 14h30, mas não se encontrava na presidência do Teatro Trianon. Sua secretária Vânia atendeu e prometeu localizá-lo, tendo o cuidado de saber antes qual era o assunto. Informada, pediu para que entrasse em contato daqui a uma hora. Às 15h35m, durante novo contato disse que ele não se encontrava e que não tinha hora para chegar, mas que o recado foi passado. Quanto a Patrícia Cordeiro, ao ser contactada, às 14h51, também não foi localizada, mas no seu gabinete, a secretária Carla Rocha pediu o telefone do repórter e disse que retornaria. Nesta verdadeira via-crucis telefônica, às 15h10m, o assessor de imprensa da Fundação Oswaldo Lima, Ruan Gomes Barros, ligou à redação da Folha. Pediu que o assunto a ser tratado com Patrícia fosse formalizado através de e-mail e, que logo em seguida, daria a resposta também por e-mail. Às 16h, após o envio do e-mail solicitado, Ruan foi procurado novamente, mas argumentou que Patrícia não havia chegado e que tão logo tivesse a resposta, a enviaria. Diante da observação que a matéria teria horário para ser fechada, disse lamentar mas que nada poderia fazer.
Também integrante do grupo “Oito de paus”, Rodrigo Vahia se manifestou aqui, sendo replicado aqui no blog da editora da Folha Dois, Lívia Nunes, sobre o cancelamento da peça no Trianon, e seus supostos motivos de ordem pessoal e religiosa da prefeita de Campos:
— O fato que vou relatar aqui é GRAVE. Não pelo aspecto financeiro ou pelo descomprometimento. Mas pelo coronelismo e pelo cerceamento ao direito individual de liberdade. Além de, grosseiramente falando, ainda termos pessoas despreparadas e imbecis opinando e interferindo sobre políticas culturais, quando na verdade não deveriam nem estar varrendo rua, que é para não ofender os garis. Mas o fato é que o meu grupo de teatro teve a peça “Bonitinha, mas Ordinária” CENSURADA em Campos, pela Fundação Trianon, após a troca da sua presidência que resolveu rever os projetos já contratados. Simplesmente porque a peça de Nelson Rodrigues poderia ofender a prefeita Rosinha Garotinho, que é evangélica. Em pleno século XXI? Roubo, corrupção, lavagem de dinheiro através de ONGs, isso não ofende a atual prefeita, não é… Coitada, ela não deve saber dessas coisas… Ou deve rezar bastante e seu Deus a perdoa. Afinal, dinheiro não falta para pagar a própria redenção. Mas aí já não cabe a ninguém… Já que trata da individualidade dela. A questão é quando a individualidade de um governante interfere nas escolhas referentes ao coletivo. E é na minha opinião, a menos que eu esteja realmente ficando louco, INADMISSÍVEL, uma peça ser censurada porque pode desagradar esse ou aquele político!!! SE ALGUÉM CONCORDA COMIGO, POR FAVOR, COMPARTILHE ESSA MENSAGEM ATÉ QUE ELA CHEGUE À FUNDAÇÃO TRIANON EM CAMPOS. Não porque eu queira fazer a peça lá agora, porque sinceramente perdi a vontade. Mas porque acho digno mostrar também a essas pessoas que não vivemos mais em um regime absolutista e que não se faz política, nem muito menos arte, com a opinião ou aprovação de quem quer que seja. Nem de Deus. Quiçá de uma rosa.
Atualização às 19h50 para correção de datas.
Atualização às 12h30 de 10/07 para reproduzir a resposta dada só hoje por João Vicente Alvarenga, em nome do Teatro Trianon, publicada aqui, aqui, aqui e aqui, respectivamente, nos blogs do Ralfe Reis, do Gustavo Matheus, do Alexandre Bastos e da Suzy Monteiro, mas sonegada durante todo o dia de ontem à reportagem da Folha. Apesar de genérica, sem tratar especificamente da versão apresentada publicamente à denúncia de censura da peça, confira abaixo a nota da superintendência do Trianon:
“Cumpre-nos informar que não há nenhuma verdade nas alegações do grupo teatral 8 de Paus. O fato é que em reunião de rotina com diretores e a presidente da FCJOL observei que a peça “Bonitinha, mas ordinária” apresentava inconsistência na documentação apresentada, sugerindo sua análise posterior para aproveitamento no cronograma do Departamento de Literatura da Fundação Cultural, na medida em que não havia compromisso consolidado em contrato.
A prefeita Rosinha não teve acesso à agenda de agosto do Teatro Trianon, que não se encontrava fechada, e, portanto, não se posicionou a respeito de seu conteúdo. Cabe ressaltar que a administração pública é laica e que o fato da Prefeita ser evangélica não nos impediu de pontuar os atos culturais de forma múltipla, diversa, e respeitosa, apoiando realizações como a do Carnaval, grupos de Jongos e Mana Chica (manifestações afro-religiosas), festas tradicionais da Igreja Católica ou eventos por esta religião promovidos, como a da Jornada Mundial da Juventude, entre tantas outras.
Para nós, tanto Nelson Rodrigues, como qualquer outra expressão do teatro, da literatura, das artes em geral, tem sua importância. Entendemos que a palavra ganha no teatro conotações múltiplas através do jogo metafórico que se instaura em cena.
Recebemos no Trianon a comédia “Hermanoteu na terra de Godah”, que conta a história de Hermanoteu, típico hebreu do ano zero, companheiro, bom pastor e obediente. Ele recebe a missão divina de guiar seu povo à terra de Godah, numa sátira à história bíblica de Moisés. A pré estreia de “Maria do Caritó”, protagonizada pela atriz Lilia Cabral e tantas outras obras importantes e consagradas, independente de referências religiosas, ganharam espaço. Tal fato nos conduz a seguinte reflexão: o verdadeiro preconceito e a intolerância podem estar se apresentando de forma invertida.
Atenciosamente,
João Vicente Alvarenga
Superintendente do Teatro Municipal Trianon/FCJOL – Prefeitura de Campos”
A censura às peças e livros de Nelson Rodrigues sempre foram atribuídas à “indução ao sexo e à violência” contida em seus trabalhos, mas ele mesmo disse: “Não inventei nenhum dos dois. O sexo e a violência existem e aí estão para quem quiser confirmar. Se tomarmos ao pé da letra esta afirmação dos egrégios censores, tudo poderá ser proibido; assim, Branca de Neve poderia induzir à dissolução da família e à violência, o Pequeno Polegar poderia induzir ao homicídio ou à violência dos menores contra os maiores”.
Mas, quem imaginaria, que em 2013, um ano após o centenário do maior dramaturgo brasileiro, a censura a uma de suas obras viria da prefeitura de Campos? É isso que afirma o Grupo de Teatro Oito de Paus, do Rio de Janeiro. A página do Grupo no Facebook traz um desabafo em denúncia à prefeitura de Campos, que teria censurado a apresentação da peça “Bonitinha, mas Ordinária” em Campos. Os motivos seriam baseados em fundamentalismo evangélico. O assunto foi abordado no Blog do Cláudio Andrade e em Opiniões, de Aluysio Abreu Barbosa, com a reprodução de um e-mail do diretor do Grupo, Luís Felipe Perinei.
Segue o texto postado no Facebook, ontem (8 de julho) às 14h26 e assinado por Rodrigo Vahia, que é membro do Grupo de Teatro Oito de Paus.
“Liberdade? Que liberdade? De expressão, então…
Não costumo postar textos de desabafo por aqui, porque particularmente acho que os problemas de cada um devem ser resolvidos na sua intimidade. Mas o ocorrido está além da minha, ou da intimidade de um grupo de artistas, do qual eu faço parte. Mas de todo um coletivo que acredita na livre troca de informação, produção de ideias e reflexões. Que acredita, mais do que na liberdade de escolha, no direito a escolha. Que acredita na liberdade de expressão.
O fato que vou relatar aqui é GRAVE. Não pelo aspecto financeiro ou pelo descomprometimento. Mas pelo coronelismo e pelo cerceamento ao direito individual de liberdade. Além de, grosseiramente falando, ainda termos pessoas despreparadas e imbecis opinando e interferindo sobre políticas culturais, quando na verdade não deveriam nem estar varrendo rua, que é para não ofender os garis. Mas o fato é que o meu grupo de teatro teve a peça “Bonitinha, mas Ordinária” CENSURADA em Campos, pela Fundação Trianon, após a troca da sua presidência que resolveu rever os projetos já contratados. Simplesmente porque a peça de Nelson Rodrigues poderia ofender a prefeita Rosinha Garotinho, que é evangélica. Em pleno século XXI? Roubo, corrupção, lavagem de dinheiro através de ONGs, isso não ofende a atual prefeita, não é… Coitada, ela não deve saber dessas coisas… Ou deve rezar bastante e seu Deus a perdoa. Afinal, dinheiro não falta para pagar a própria redenção. Mas aí já não cabe a ninguém… Já que trata da individualidade dela. A questão é quando a individualidade de um governante interfere nas escolhas referentes ao coletivo. E é na minha opinião, a menos que eu esteja realmente ficando louco, INADMISSÍVEL, uma peça ser censurada porque pode desagradar esse ou aquele político!!! SE ALGUÉM CONCORDA COMIGO, POR FAVOR, COMPARTILHE ESSA MENSAGEM ATÉ QUE ELA CHEGUE À FUNDAÇÃO TRIANON EM CAMPOS. Não porque eu queira fazer a peça lá agora, porque sinceramente perdi a vontade. Mas porque acho digno mostrar também a essas pessoas que não vivemos mais em um regime absolutista e que não se faz política, nem muito menos arte, com a opinião ou aprovação de quem quer que seja. Nem de Deus. Quiçá de uma rosa.
Rodrigo Vahia – Membro do Grupo de Teatro Oito de Paus”