Denunciante de homofobia, Bacellar também foi denunciado

Dia desses, numa conversa pessoal com o blogueiro Gustavo Matheus, este observou que este “Opiniões”, se possuía uma virtude, era a de não ter critérios pautados por interesses pessoais e/ou políticos quanto às suas postagens. Não por outro motivo, no endosso ao julgamento talvez generoso do jovem sobrinho de Anthony Garotinho, segue abaixo, na forma mais relevante de post, o comentário do leitor Juca, feito aqui, sobre uma denúncia de homofobia, devidamente registrada no Judicário, contra o vereador Marcos Bacellar (PDT), que aqui, em aparente contradição, recentemente denunciou o presidente regional do PR pela mesma prática…

Parecer do MP Eleitoral é pela inelegibilidade de Rosinha

A vice-procuradora-geral Eleitoral, Sandra Cureau, deu parecer nesta segunda-feira pedindo a rejeição do recurso da chapa de Rosinha Garotinho (PR)A vice-procuradora-geral Eleitoral, Sandra Cureau, emitiu parecer pedindo a rejeição do recurso da chapa de Rosinha Garotinho (PR)

Por Bruno Góes | Agência O Globo

A vice-procuradora-geral Eleitoral, Sandra Cureau, deu parecer nesta segunda-feira (17) pedindo a rejeição do recurso da chapa de Rosinha Garotinho (PR) para disputar a Prefeitura de Campos dos Goytacazes este ano. O caso ainda será será julgado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), sob a relatoria do ministro Marco Aurélio Mello. Com base na Lei da Ficha Limpa, o TRE-RJ barrou a candidatura de Rosinha no final de agosto, e a candidata recorreu.

Ela foi enquadrada na Lei porque tem duas condenações no TRE-RJ, um órgão colegiado. As duas ações se referem ao mesmo caso: abuso de poder econômico nas eleições de 2008, decorrente do uso indevido de meios de comunicação. A corte condenou, no início de agosto deste ano, a ex-governadora pelo episódio e a declarou inelegível por três anos, a contar de 2008, quando ocorreu o abuso do poder econômico. Na condenação mais antiga, de 2010, a prefeita e o marido, o deputado federal e ex-governador, Anthony Garotinho (PR), ficaram inelegíveis também por três anos. A punição de Rosinha incluiu ainda a cassação do mandato, mas ela conseguiu liminar no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para se manter à frente da prefeitura de Campos.

O MP eleitoral diz que a liminar do TSE que manteve Rosinha no cargo em 2010 não suspendeu a inelegibilidade. Apenas permitiu que ela continuasse como prefeita. “Conforme bem anotado no acórdão regional, em tal decisão, somente há referência à cassação dos diplomas dos pretensos candidatos, ‘não tendo havido qualquer discussão acerca da inelegibilidade ou dos fundamentos do acórdão recorrido’.”

Defesa — A defesa da candidata afirma que a condenação de inelegibilidade dada no início de agosto não pode tornar Rosinha inelegível, pois a decisão só foi dada após o registro de candidatura, fato este que viola a legislação eleitoral. Já em relação à primeira decisão de inelegibilidade, há o argumento de que houve a sua suspensão. “Nós estamos com a expectativa muito boa. E a jurisprudência é bem clara a nosso favor. A inelegibilidade só pode ocorrer antes do momento do registro”, diz o advogado de Rosinha, Jonas Lopes de Carvalho Neto, referindo-se à segunda decisão de inelegibilidade.


Transcrito do Blog do Bastos (aqui).

Para tentar justificar homofobia, Garotinho põe palavras na boca de Jesus

“Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não pregamos nós em vosso nome e não foi em vosso nome que expulsamos demônios e fizemos muitos milagres?/ E no entanto eu lhes direi: Nunca vos conheci. Retirai-vos de mim, operários maus!”

(Mat 7:22-23)

Depois de questionadas aqui, aqui e aqui, respectivamente nos blogs do Gustavo Matheus, do vereador Marcos Bacellar (PDT) e neste “Opiniões”, as declarações homofóbicas, na mistura sempre temerária entre religião e política laica, feitas pelo deputado federal Anthony Garotinho (PR), mereceram resposta do próprio, conforme observou atentamente, aqui, o jornalista Alexandre Bastos. Não sem antes se declarar impressionado com “a capacidade de manipular a verdade de algumas pessoas e de setores da mídia”, Garotinho disse aqui: “Como cristão que conhece a palavra de Deus não posso assistir ao teatro do absurdo de mudarem o que disse Jesus. Amo o pecador, não o pecado”.

Homofobia à parte, e sem duvidar da fé do deputado pela qual ele garante ter sido motivado, não é sem algum constrangimento que o blog se vê obrigado a lembrar, no entanto, que o rabi galileu Yeshua Ben Youssef (Iesous em grego, Jesus em latim), entre outras algumas outras flagrantes diferenças com Garotinho, nunca disse: “Amo o pecador, não o pecado”. Bem, pelo menos não nos relatos da vida e pregação do messias cristão (considerado ainda como profeta pelos islâmicos, que o chamam Isa) registrados por Mateus, Marcos, Lucas e João. Comos são estes os quatro evangelistas aceitos pela cristandade, portanto alicerces do Novo Testamento às denominações católicas e às várias protestantes, recomenda-se a Garotinho que leia melhor a Bíblia, antes de pretender citá-la. Sobretudo, quando for para justificar declarações infelizes, tentando usar um fundamento religioso mal lido e interpretado de maneira ainda pior, visando angariar preconceitos e votos contra aquilo que no mundo laico, pouco sucetível a milagres, parece uma certeza: a chapa Rodrigo Maia/Clarissa Garotinho caminha para ser um dos maiores fiascos eleitorais na disputa à Prefeitura do Rio de Janeiro.

Quanto à utilização da Bíblia para tentar justificar a homofobia, em pleno séc. 21, num paralelo pertinente com o que faziam no séc. 19 os defensores da escravidão (regulamentada por Deus no Velho Testamento), transcrevo abaixo um texto que publiquei em debate com um leitor, aqui, neste mesmo blog, há mais de dois anos, acerca de outra manifestação homofóbica de Garotinho:

Sou radicalmente a favor da união de vida entre duas pessoas que assim desejam, sejam ou não do mesmo sexo. Não vejo como a coletividade, aprovando por princípios pessoais ou não esta união, tenha direito a arbitrar sobre isso. O que vc diria se o Estado (ou seu vizinho) se negasse a reconhecer, por exemplo, a sua união, ou considerá-la, digamos, de segunda classe em relação ao Direito Civil, mesmo sendo montada no respeito aos direitos alheios e, sobretudo, em desejo e sentimento recíprocos? A liberdade de expressão só é um direito intocável enquanto respeita limites como este. Não é onipotente, como não deve ser, por exemplo, para um nazista, um racista, ou qualquer outro preconceituoso, incluindo seu vizinho e o Estado, independente da ideologia ou fé. Tanto pior quando o preconceituoso pretende usar como base a vida e pregação libertárias de certo rabi da Galiléia, que desfez os preconceitos do seu tempo diante de uma prostituta, de um coletor de impostos, de um homem de outra fé, de todos os doentes, dos miseráveis, da face de César estampada numa moeda e dos dois ladrões que o acompanharam em sua morte.
E a coisa ainda é muito pior quando, como os homens do Templo de ontem e hoje, o uso do divino é feito com desavexado objetivo de política terrena. Há dois mil anos, por exemplo, foi o que gerou a crucificação daqueles mesmo rabi.
Da teologia ao estado laico, como é o nosso, a união entre duas pessoas, independente de sexo, já é uma conquista de vários tribunais brasileiros. Nosso Judiciário, graças a Deus, não tem esperado a morosidade do Legislativo nessa questão, impondo a regulação social da jurisprudência à omissão da lei. Seja por decisão judicial ou humanidade de base, é um direito que precisa ser preservardo. E quem se coloca contra ele, é, sim, um preconceituoso; pois tem, sim, preconceito. Moralmente, está próximo de quem se nega a dar uma vida digna aos aposentados ou o direito de acesso à medicina a todos, sonegado em vários lugares do Brasil, como têm sido caso destacado, por exemplo, da saúde pública de Campos.

Pesquisas e interrogações

Aqui, o jornalista e blogueiro Roberto Barbosa divulgou que uma pesquisa interna do PT, não registrada, “gerou uma onda de entusiasmo”. Quem viu os números finais da consulta, garante que o crescimento da candidatura a prefeito de Makhoul Moussallem, já registrada entre as pesquisas do Precisão (4%)  e a posterior do Ibope (9%), é uma tendência inequívoca e ainda sem teto. Em contrapartida, da mesma maneira permaneceria a larga dianteira de Rosinha Garotinho (57% no Precisão e 63% no Ibope), ainda suficiente para garantir sua vitória em turno único, independente dos números. Mesmo atentos às restrições feitas aqui pelo presidente municipal do PPS e blogueiro Sérgio Mendes, vamos ver o que nos diz a nova pesquisa Ibope, feita este mês, devidamente registrada e que será divulgada amanhã pela InterTV, do grupo Folha da Manhã.

Garotinho usa homofobia para angariar votos (e preconceitos)

Da juventude hippie à conversão evangélica, muitos foram os caminhos trilhados por Anthony Garotinho, na política e na sua vida a ela quase integralmente dedicada. Muitas também foram as críticas recebidas, mas, talvez, poucas tenham sido tão justas quanto aquelas geradas pela retórica de desrespeito que o deputado federal passou a alimentar contra os homossexuais, num uso perigoso de fundamentalismo religioso para tentar angariar votos (e preconceitos) em busca de poder. Não por outro motivo, a pregação homofóbica (portanto, criminosa) de Garotinho foi alvo de contestações, nos últimos dias, do seu próprio sobrinho Gustavo Matheus (aqui) e do vereador Marcos Bacellar (aqui).

Abaixo, com a licença devida dos dois combativos blogueiros, seguem as transcrições da necessária reação contra o preconceito, de onde quer que ele venha e seja lá por quais motivos, mas tanto pior quando estes são tão claramente oportunistas e torpes…

Garotinho e seus claros preconceitos.

Publicado em setembro 14, 2012

Retirado do Blog : http://www.blogdogarotinho.com.br/lartigo.aspx?id=11846

“Haddad e Paes defendem o aborto, o casamento gay, no caso do Rio, o prefeito “cachorrinho de madame” ainda faz coro pela liberação das drogas, paradas gays, kits de apologia ao homossexualismo. Tudo o que católicos e evangélicos são contra.

Mas na maior desfaçatez de olho nos votos dos cristãos, mentem descaradamente, são lobos em pele de cordeiro que só querem enganar e depois vão dar as costas para católicos e evangélicos. Aliás, aqui no Rio, o senador Lindberg Farias (PT) de olho em 2014 já está fazendo a mesma coisa, enganando os evangélicos. Como diz Reinaldo Azevedo são trapaceiros, que contam com a blindagem da imprensa. Não se deixem enganar! “

Como sempre o “ex-alguma coisa” e futuro nada Anthony Garotinho, usa de preconceitos e influência religiosa para apelar para a população em busca de votos.

Vale lembrar, que vivemos em um País Laico, onde os conceitos religiosos não devem influenciar as diretrizes de um governo, até porque possuímos por aqui também, pessoas não cristãs e sem religião.

Não podemos entender, por exemplo, se um pai ameaça um filho com uma faca, mesmo que a mando de Deus. Ligaríamos de pronto para a polícia se fosse o caso, pois este é um mundo palpável, assim como suas leis e regras, por isso deve ser constituído como tal.

Pare com esses apelos baixos, cansamos de palavras maldosas daqueles que distorcem a Bíblia e suas passagens para benefício próprio.

sábado, 15 de setembro de 2012

CHUCKY E A HOMOFOBIA

Quem conhece o Chucky sabe que suas opiniões sobre homossexuais são polêmicas. Agora, em período eleitoral, seu preconceito resultou até em um racha na campanha de Rodrigo Maia e Clarissa Garotinho, no Rio de Janeiro. Vendo que a sua Garotinha não está fazendo nem cosquinha em Eduardo Paes, o Chucky resolveu ir para a televisão criticar as políticas de apoio aos homossexuais na gestão do prefeito Eduardo Paes (PMDB). Por conta disso, o coordenador da campanha de Rodrigo Maia, Marcelo Garcia, abandonou a campanha e considerou a declaração do Bolinha como “oportunismo político” (AQUI).

É bom lembrar que em 2010 o Chucky andou pelos quatro cantos do Estado do Rio espalhando discursos homofóbicos. Cantava músicas contra homossexuais e debochava de todo mundo. Em um vídeo disponível no YouTube, ele diz: “A coroação da boiolagem é junho (referindo-se a Parada Gay). Em outubro tem eleição. Vamos ver o que o povo vai fazer. Se o povo estiver satisfeito com tudo isso, vota na boiolagem (…) Dá o voto pra eles”, disse Garotinho. Veja o vídeo:

Opostos unidos pela mesma falta de ética

Não foi só na oposição local que dublês de políticos e blogueiros adotam o Ctrl+C/Ctrl+V sem o devido crédito das informações noticiadas em primeira mão neste blog. Além do reincidente caso revelado aqui, quatro posts abaixo, quem também usou a notícia do cancelamento da vinda de Sérgio Cabral (PMDB) a Campos, hoje, onde era esperado para participar de ato de campanha de Makhoul Moussallem (PT) a prefeito, foi o mais figadal desafeto do governador, seu ex-aliado e deputado federal Anthony Matheus, o Garotinho (PR). Em seu blog, ele usou a informação aqui, às 17h55 de ontem, mais de 11 horas depois do fato ter sido primeiro noticiado aqui, neste “Opiniões”, em postagem evidenciada pelo link direto em chamada de destaque da Folha Online, de longe o espaço virtual de produção local mais acessado entre os campistas.

Quem não só apóia o governo do estado, como dele sobrevive, preferiu copiar, colar e sonegar o crédito para fazer média com a vinda do vice-governador Luiz Fernando Pezão (PMDB). Já quem quer voltar ao governo do estado, mesmo condenado à inelegibilidade por oito anos, junto com a esposa e prefeita Rosinha (PR), preferiu copiar, colar e sonegar o crédito para destacar a não vinda de Cabral, comparando o governador ao falecido cantor Tim Maia, famoso tanto pela voz potente, quanto por não comparecer aos eventos agendados.

Embora francamente opostos, os interesses políticos de ambos os blogueiros são claros e, desde que observados os limites da lei, até legítimos. Só poderiam ter só um pouquinho mais de cuidado ao se unirem na mesma falta de ética enquanto comunicadores, para atender aos seus interesses, sobretudo com quem não milita em política partidária, nem tem a pretensão de fazê-lo. De qualquer maneira, talvez não seja à toa que, apesar da contraposição radical de hoje, os dois já tenham sido tantas vezes aliados, sempre com o mesmo grau de passionalismo.

Possa que seja, como disse um sábio filósofo, aquela velha estória que Elis cantou como ninguém: “Porque o amor e o ódio se irmanam na fogueira das paixões”. Se for o caso, por favor, só respeitem meu trabalho e meu direito de ficar de fora!

Arthur Soffiati — Mínima de muitas faces

Evidenciado como professor de História e ecologista, Arthur Soffiati ficará mais conhecido a partir de amanhã pela sua face de poeta, uma das muitas que inundam sua alma e sua mente pré-socráticas, renascentistas, nas quais conhecimento e sensibilidade afluem livres, sem o compartimento das margens ou represas. Às 19h de amanhã, “Mínima poética”, seu terceiro livro de poemas, será lançado na Academia Campista de Letras, fruto de uma fase que o poeta identifica sua produção como “mais enxuta e formal, inspirada no cotidiano e na leitura de poesia”, reunindo versos construídos a partir de 1998. Dos cânones ou seus contemporâneos, no mundo, no Brasil e na sua cidade, entre as muitas influências assumidas por Soffiati está o português Fernando Pessoa, dividido em tantas faces quanto um daqueles que sua semeadura alcançou além do Bojador.

Folha Dois – Quando e por que começou a se interessar por poesia?

Arthur Soffiati – Meu pai tinha uma biblioteca especializada em literatura de prosa brasileira, com poucos livros de literatura estrangeira e de poesia. Ele não gostava de poesia. Acho que havia lido apenas “A Divina Comédia”, de Dante, e “O Paraíso Perdido”, de Milton, livros que hoje passaram para a minha biblioteca, mas que vim a ler muito tempo mais tarde. Meu interesse por poesia nasceu na escola, nos livros didáticos. Só despontei mesmo para a poesia nos anos 60. O primeiro livro que me marcou profundamente foi “A Educação pela Pedra”, de João Cabral de Melo Neto, do qual tenho a primeira edição com dedicatória do autor e lido muitas vezes. Não sei explicar a razão do meu interesse por poesia. Foi paixão à primeira vista, uma atração amorosa irresistível.

Folha Dois – O que você buscava e que mudanças sofreu ao longo do tempo?

Soffiati – Eu buscava o prazer que a poesia me proporcionava e que me proporciona até hoje. Li e gostei dos românticos, dos simbolistas, dos modernistas da primeira, segunda e terceira gerações, algo do poema concreto e do poema processo. Não gostei dos parnasianos. Minha poesia inicial foi marcada pelos poetas discursivos, como Mário de Andrade, Manuel Bandeira, Drummond, Manoel de Barros. De outros países, a bela poesia de Walt Whitman, que reli. Guardo muitos poemas dessa fase inicial e vejo claramente que são muito imaturos. Mais poesia para amores platônicos. De qualquer maneira, era necessário passar por ela. Atualmente, os poetas sintéticos na forma e nas dimensões do poema estão me influenciando.

Folha Dois – Que influências sofreu?

Soffiati – Li e leio muita poesia. Creio que seria difícil arrolar todos os poetas que me influenciaram. Deixo de fora Homero e os latinos. Gosto muito de Horácio e de Lucrécio, que filosofaram com a poesia. Os provençais são notáveis. Tenho paixão por Villon e Shakespeare. Disse que os deixo de lado como influência porque minha poesia é muito humilde diante de autores que tanto admiro. Atualmente, escrevo mais na linha de José Paulo Paes, que compôs poemas curtos e incisivos, às vezes mais curtos que o título do poema.

Folha Dois – Como vê a poesia hoje no mundo, no Brasil e na região?

Soffiati – Com relação à poesia estrangeira, não sei dizer se Portugal produziu um grande poeta depois de Fernando Pessoa. Borges, Pound, Eliot, Poe, Goethe, Hölderlin, Rimbaud e Maiakóski continuam sendo referências para mim. No Brasil, os grandes poetas vivos são Manoel de Barros e Ferreira Gullar. Deste segundo, reli recentemente “Poema Sujo” numa edição de luxo restrita a colecionadores. Foi um livro fundamental na nossa poesia por retomar a poesia discursiva.  Um poeta novo que muito me agrada é Paulo Henriques Britto. Vejo nele ecos de João Cabral de mistura com fina ironia e uma atitude pós-moderna. Sei que existe muito escritor produzindo poesia no Brasil, mas não me é possível acompanhar o estado da poesia. Tenho lido coletâneas, que são insuficientes. Na região, menciono os nomes de Joel Mello, Vilmar Rangel, Artur Gomes e o seu, Aluysio Abreu Barbosa. Sei que há outros também, mas a falta de uma política pública municipal de divulgação de poetas dificulta conhecê-los.

Folha Dois – E quanto a sua poesia, você participou de algum festival, obteve algum prêmio?

Soffiati – Nunca inscrevi um poema ou um livro meu em festivais por me considerar um poeta menor. Minha motivação maior sempre foi me expressar, não tanto me comunicar. Creio que só uma vez um poema meu foi selecionado para uma coletânea. Em 1990, publiquei “Depois do Princípio e antes do Fim”. O poeta Walmir Ayala o leu e o considerou engajado. Não era essa a proposta do livro. Ele reúne poemas em grande parte melancólicos e líricos. Gosto do lirismo. Não cabe mais repudiar um livro por abordar temática ambiental. A questão ambiental já se impôs como um tema ao lado do amor e da crítica social. Em 1999, foi a vez de “O Direito de o Avesso do Mangue”, um livro de transição entre minha poesia discursiva e minha fase atual, mais enxuta e formal. Lanço agora “Mínima Poética”, livro que comecei a organizar em 1998, mas tive de engavetar em função de compromissos profissionais. Há mais poemas no meu arquivo, mas não sei se merecerão livros. “Mínima Poética” nasceu de poemas inspirados no cotidiano e pela leitura de poesia. Antônio Cícero revelou, em recente entrevista, que ler poesia o inspira a escrever poesia. O livro reúne poemas curtos. Alguns são filosóficos, outros não passam de piadas, como fazia Oswald de Andrade. Por fim, há alguns flertes com poemas visuais.


Publicado na edição de hoje da Folha da Manhã, na capa da Folha Dois.

Advogado que barrou terceirizados briga pelo voto limpo

Diferente do que afirmou o procurador geral do município, a Prefeitura de Campos não estaria cumprindo a decisão judicial de primeira e segunda instância que determinou o afastamento dos 1.668 servidores terceirizados em Regime Especial de Direito Administrativo (Reda). Quem garante é o jovem advogado José Paes Neto, que prometeu medidas jurídicas nos próximos dias para fazer valer o que decidiu a Justiça em favor da sua ação popular. Já em relação ao abaixo assinado virtual, que convocou no site Avaaz (aqui), para tentar sensibilizar o TSE no sentido de julgar, até a eleição de 7 de outubro, se a prefeita Rosinha Garotinho (PR) e o ex, Arnaldo Vianna, podem ou não concorrer, ele diz que já considerará sua iniciativa vitoriosa se conseguir incutir na cabeça do eleitor a necessidade do voto limpo.

Folha da Manhã — O que o motivou a entrar com a ação que gerou o desligamento e suspensão de pagamento dos servidores contratados pela administração Rosinha, em Regime Especial de Direito Administrativo (Reda)?

José Paes Neto — Não tenho dúvidas de que a principal razão para a falta de desenvolvimento social do nosso município é a excessiva dependência econômica da máquina pública. Esse tipo de situação, vivida não apenas nesse governo, mas, sobretudo, nos últimos 20 anos, além de emperrar o desenvolvimento econômico da cidade, restringe a liberdade de opinião dos cidadãos, que se sentem reféns dos políticos que se encontram no poder. Por isso, ao tomar conhecimento da contratação desses servidores temporários, às vésperas do período eleitoral, como advogado, não pensei duas vezes em ajuizar a já conhecida ação popular, na tentativa de fazer prevalecer a Constituição Federal, que impõe como regra a realização de concurso público para admissão de novos servidores públicos.

Folha —  Segundo suas informações, qual é o número total os terceirizados do Reda na Prefeitura de Campos?

José Paes — Pelas minhas informações, seriam 992, fora os 676 ligados ao CCZ que, por ora, não estão abrangidos pela decisão liminar. Mas não tenho como precisar, quantos, de fato, estariam em atividade.

Folha — Pelo lado pessoal, como lida com o fato de que tantas famílias tenham perdido uma fonte de renda com a suspensão dos contratos?

José Paes — Gostaria de deixar claro que não tenho nada contra os servidores temporários e suas famílias, até mesmo por entender que essas pessoas são vítimas desse sistema de contratações perverso que há anos foi consolidado em Campos, que, como dito, torna reféns dos políticos no poder os cidadãos campistas. Contudo, não só esses servidores, como todos nós, precisamos compreender que o oferecimento de vagas para atuação no serviço público municipal não é um favor que os governantes estão nos fazendo. Muito pelo contrário. Havendo necessidade de novos servidores, é direito da população que essas vagas sejam preenchidas através de concurso público, justamente para evitar beneficiamentos indevidos e garantir oportunidades iguais para todos. Precisamos rever urgentemente essa política pública de contratações, para evitarmos que esse tipo de situação, que prejudica apenas a população, ocorra novamente.

Folha — Tanto na primeira, quanto na segunda instância, suas vitórias foram conseguidas na Justiça estadual. No entanto, usando o gancho das verbas federais do SUS ao PSF, foram o Ministério Público e a Justiça Federal de Campos que atuaram no final do governo Mocaiber, na operação Telhado de Vidro, para suspender os terceirizados. Além da cidade hoje ter os Garotinho no poder,  há algum motivo jurídico para que o MPF de Campos não tenha agido agora, já que parte dos terceirizados do Reda também se destina à Saúde, destinatária dos recursos dos SUS? Ademais, os royalties, também usados no pagamento de terceirizados, não são recursos federais?

José Paes — Não vislumbro um motivo jurídico que impedisse a atuação do Ministério Público Federal, cabendo à instituição esclarecer a razão pela qual entendeu por bem atuar ou não nesse ou em outros casos em específico. O mais importante para mim, é demonstrar a população que a atuação em defesa da moralidade administrativa não compete apenas ao Ministério Público, mas é um direito, para não dizer um dever, da sociedade, que dispõe de uma série de mecanismos administrativos e judiciais, como a ação popular, para resguardar os seus direitos. Já é chegada a hora de compreender que o desenvolvimento da nossa cidade não depende apenas do trabalho de instituições públicas, dos vereadores e do prefeito, mas, sobretudo, de uma postura mais ativa da própria sociedade.

Folha — Procurador geral do município, Fabrício Ribeiro disse que a decisão judicial está sendo cumprida, muito embora o secretário de Controle e Orçamento Suledil Bernardino já tenha dito que a administração não pode parar e que esses servidores são fundamentais. Há alguém fiscalizando se os terceirizados foram mesmo desligados? Tem alguma informação em contrário?

José Paes — Sinceramente, não acredito que esses servidores sejam tão fundamentais assim para a manutenção das atividades do município, já que ao longo dos últimos três anos e meio a Prefeitura desenvolveu de forma minimamente satisfatória seus projetos sem a necessidade dos contratados temporários. O principal agente de fiscalização tem que ser o próprio cidadão, denunciando ao Ministério Público eventuais descumprimentos, a fim de que sejam tomadas as medidas cabíveis. De todo modo, no último dia 13, vários veículos de imprensa divulgaram a informação de que a decisão estaria sendo descumprida, o que pode ser comprovado através de depoimentos dos próprios temporários, durante a assembléia que realizaram para debater a questão. Essa situação é inadmissível, e nos próximos dias adotarei as medidas cabíveis para que a decisão seja efetivamente cumprida.

Folha — Até onde o fato de você ter passado em primeiro lugar à procuradoria legislativa no recente concurso público da Câmara de Campos reforça sua independência para investir contra servidores terceirizados? A meritocracia é a melhor herança da iniciativa privada ao poder público?

José Paes — Essa aprovação, ao contrário de algumas insinuações propagadas por blogs ligados ao atual governo, não veio por acaso. É fruto de muito esforço e dedicação. Tive a oportunidade de estudar em instituições de excelência, Censa, Uerj, PUC, o que infelizmente é exceção em nosso município, vide o último lugar no Ideb. Também não é minha primeira aprovação em concurso público, já que também fui aprovado em primeiro lugar no concurso para assistente jurídico da Prefeitura de Macaé, onde hoje exerço minhas atividades profissionais. Não tenho a pretensão de servir de exemplo para ninguém, mas não tenho dúvidas de que a meritocracia é o caminho para um poder público mais eficiente. É o que está previsto na Constituição Federal, basta cumprir.

Folha — Acredita mesmo que sua iniciativa do abaixo assinado no site Avaaz pode mesmo conseguir com que o TSE defina, até a eleição, quem poderá ou não concorrer a prefeito de Campos, em respeito à lei do Ficha Limpa?

José Paes — Não posso assegurar que o nosso abaixo assinado sensibilizará ou não os ministros do TSE, para que a situação jurídica dos candidatos no município de Campos esteja definida até as eleições. Contudo, o objetivo maior do nosso movimento em favor do voto válido e limpo é demonstrar ao cidadão campista que nós não podemos mais tolerar que essa instabilidade jurídica continue a prejudicar o desenvolvimento da nossa cidade. É inadmissível que nos últimos oito anos tenhamos tido sete prefeitos diferentes. Essa situação, que gera prejuízos de todo modo, não é culpa do Poder Judiciário, mas dos próprios políticos que aí se encontram e, de certa forma, de nós mesmos, cidadãos, que não atentamos para verdadeira importância no nosso voto como instrumento de transformação. Se o nosso movimento conseguir fixar esse pensamento na cabeça do cidadão campista, já será vitorioso.

Folha — Como jurista, o que acha que acontecerá se a eleição ocorrer com Rosinha e Arnaldo concorrendo? Se um deles ganhar, o que pode acontecer?

José Paes — Certamente, viveremos mais quatro anos de indefinições e incertezas. O próprio procurador regional eleitoral já salientou a possibilidade de que esses candidatos, caso eleitos, poderão não ser diplomados e empossados. O posicionamento do STF com relação à aplicação da lei da Ficha Limpa também me parece bastante claro quanto à inviabilidade dessas candidaturas. Não descarto a necessidade da realização de uma nova eleição caso um deles seja eleito, o que seria desastroso para o município.

Folha — E como cidadão, não acha que está havendo uma interferência exagerada do Judiciário nos processos eleitorais de Campos, haja vista seus sete prefeitos nos últimos oito anos? Como estancar isso de vez?

José Paes — O Judiciário não atua se não for demandado. A culpa pela essa situação esdrúxula vivida nos últimos oito anos, em que sete prefeitos assumiram a prefeitura de Campos, é desses próprios governantes que ao longo dos últimos vinte anos praticaram uma série de ilegalidades. Mudar essa situação é difícil, mas depende apenas da sociedade, que tem a mais poderosa arma para estancar esse problema: o voto. Pode parecer um pouco utópico, mas será apenas a partir de uma maior conscientização da sociedade que deixaremos de ser pautados pelo Poder Judiciário e poderemos definir o nosso próprio futuro.

Folha — Inegavelmente, seu abaixo assinado virtual pegou carona no sucesso da iniciativa do publicitário Weyder de Almeida Lemuri, que primeiro usou o Avaaz (aqui) para protestar contra o aumento salarial máximo dos vereadores de Campos. Qual sua opinião sobre esse reajuste e sobre o fato de que alguns dublês de blogueiros e políticos, que fingiram ignorar a iniciativa do Weyder, por também atingir vereadores de oposição, tenham depois divulgado a sua, só por ser Rosinha o principal alvo da lei do Ficha Limpa na política local? Dá para ser seletivo com a democracia?

José Paes — A iniciativa do Weyder é digna de elogios e não tenho problema algum em reconhecer que a minha iniciativa partiu do seu manifesto. O aumento salarial dos vereadores, apesar de legal, é inegavelmente imoral, refletindo a própria qualidade da nossa atual representação na Câmara. Lamento, sinceramente, que a adesão a esse movimento não tenha sido maior e não concebo que críticas sejam pautadas por questões meramente político-partidárias. O que está errado deve ser questionado, independentemente de quem esteja no poder. Não dá para negar que Rosinha seja o principal alvo da lei da Ficha Limpa na política local, até por ser a atual prefeita do município. Mas o nosso movimento pelo voto válido não é direcionado a pessoas determinadas, buscando, na verdade, uma definição acerca da situação das pendências jurídicas que prejudicam o regular processo eleitoral da cidade.

Folha — Ainda em relação aos dois pesos e duas medidas, você é filiado ao PPS, partido que tem a vice na chapa de Arnaldo Vianna (PDT). Há como querer barrar Rosinha, em nome de critérios morais, e não querer barrá-lo também? Se sua iniciativa for contrária à candidatura dele, como o partido verá sua posição?

José Paes — Filiei-me ao PPS por intermédio do saudoso professor Sergio Diniz, com quem pude conviver desde criança. É com base nos seus ideais de moralidade e ética que busco pautar minhas atividades. Apesar de filiado ao partido, não concordo com o apoio à candidatura de Arnaldo Vianna, até mesmo por entender representar a mesma política do atual grupo governista. Não há como dissociar as situações de Rosinha e de Arnaldo, e o objetivo do nosso movimento é alertar sobre os riscos das candidaturas “ficha suja” o que, por consequência lógica, pode afetar a ambos os candidatos, caso os seus registros permaneçam indeferidos. O PPS, até pelos seus ideais democráticos, é tolerante com as divergências de pensamento e não acredito que minha atuação será repreendida. Contudo, se for do interesse e do desejo do diretório municipal, não vejo problemas em me afastar do partido, para que possa dar prosseguimento ao trabalho que entendo correto.

Folha — O fato de ser filiado a um partido político de oposição não tira sua isenção para abrir tantas frentes contra os Garotinho? Você tem pretensões políticas?

José Paes — Apesar de filiado ao PPS, minha atuação é independente. Tanto é assim,  que o abaixo assinado em favor do voto limpo atinge o candidato apoiado pelo meu partido. Minha atuação não se dá especificamente contra o grupo dos Garotinho, mas contra o que vislumbro estar equivocado na política local, que não é exclusividade do atual do governo. Não me vejo, no momento, ocupando um cargo político, mas tenho a consciência de que se nós, que desejamos a mudança dos rumos políticos que há mais de 20 anos norteiam a nossa cidade, não nos aproximarmos do processo eleitoral, dificilmente conseguiremos uma mudança verdadeiramente efetiva.


Publicado na edição de hoje da Folha da Manhã, à página 3 do primeiro caderno.

Quando o Ctrl+C/Ctrl+V ganha os contornos do ridículo

Aqui, há uma semana, a vinda do vice-governador Luiz Fernando Pezão (PMDB), hoje, para participar da campanha de Makhoul Moussallem (PT) a prefeito de Campos, foi anunciada em primeira mão pelo blog, quando ainda se esperava que junto também viesse o governador Sérgio Cabral (PMDB). Ontem, às 6h51 da manhã, a visita de Pezão foi novamente noticiada, aqui, neste “Opiniões”, já com a confirmação da nova ausência de Cabral. Como, nas duas vezes, pela importância do assunto, os posts mereceram links na página principal da Folha Online, é muito difícil que qualquer pessoa em Campos com acesso à net possa alegar não ter visto.

Ainda assim, aqui, às 23h49 de ontem, a notícia da vinda de Pezão foi replicada, sem o crédito devido à fonte original que a anunciou uma semana antes, da primeira vez, e quase 17 horas antes, no mesmo dia, da segunda vez. Colocar qualquer pinimba pessoal acima da ética profissional, portanto de caráter impessoal, que deveria ser exigida de um comunicador, sobretudo um com formação acadêmica de jornalista, já é algo extremamente desairoso. Mas como se trata de prática reincidente do copiador sobre o copiado (e com crédito dolosamente sonegado), a coisa já começa a ganhar os contornos do ridículo.

Nos 30 dias de morte, 76 anos de vida

Nestes 30 dias sem Aluysio Cardoso Barbosa, para quem quiser conhecer um pouco melhor seus 76 anos de vida anteriores, vale a conferida no vídeo feito em ocasião de uma homenagem prestada em 2008 ao jornalista, cujo nome batiza o auditório do campus local da Universidade Estácio de Sá.