Militantes de Neco agridem verbalmente PF e imprensa, chegando às vias de fato contra dois jornalistas

Em Campos, a PF para primeiro na casa de Alex Valentim (foto de Phillipe Moacyr)
Em Campos, a PF para primeiro na casa de Alex Valentim (foto de Phillipe Moacyr)

Na porta da casa de Tino Ticalu, rapaz revoltado exemplifica que a violência se cultiva desde novo (foto de Phillipe Moacyr)
Na porta da casa de Tino Ticalu, rapaz revoltado exemplifica que a violência se cultiva desde novo (foto de Phillipe Moacyr)

Já em SJB, a militância de Neco inicia suas hostilidades contra a PF e a imprensa (foto de Phillipe Moacyr)
Já em SJB, em frente ao comitê de renato Timóteo, a militância de Neco inicia suas hostilidades contra a PF e a imprensa (foto de Phillipe Moacyr)

Em frente à casa de Neco, militantes não disfarçam a atitude agressiva contra a imprensa (foto de Phillipe Moacyr)
Em frente à casa de Neco, militantes não disfarçam a atitude agressiva contra a imprensa (foto de Phillipe Moacyr)

Sobre o capô da viatura da PF, a advogada Carolina Cunha assina as intimações dos seus seis clientes (foto de Phillipe Moacyr)
Sobre o capô da viatura da PF, a advogada Carolina Cunha assina as intimações dos seus seis clientes (foto de Phillipe Moacyr)

Lamentável, sob todos os aspectos, o que aconteceu no final da manhã e início da tarde de hoje, entre a coletiva do delegado federal Paulo Cassiano Junior e as diligências da PF para entregar mandados de intimação, dando sequência à operação deflagrada na noite da última terça, a apenas cinco dias da eleição, para prender a prefeita Carla Machado (PMDB) e Alexandre Rosa (PMDB), vereador e candidato a vice na chapa governista encabeçada pelo também vereador Neco (PMDB), favorito em todas as pesquisas na corrida à Prefeitura. Por volta das 11h, enquanto gravava as sonoras com as equipes de reportagem de TV, ao final da coletiva iniciada às 9h, o delegado Paulo Cassiano interrompeu as entrevistas, dizendo que iria cumprir mandados de intimação.

Logicamente, todas as equipes de reportagem presentes seguiram a diligência do delegado, cujo primeiro ponto de parada, por volta das 11h30, foi ainda em Campos, mais precisamente no Parque Tarciso Miranda, na residência de Alex Valentim, opositor que teria sido cooptado para retirar sua candidatura a vereador para apoiar o candidato governista Renato Timóteo (PDT). Com a casa fechada, sem que ninguém atendesse, a PF pegou a BR 356, rumo a São João da Barra.

Por volta do meio-dia, o primeiro destino foi no centro da cidade, no comitê de Renato Timóteo, onde ele também não foi encontrado. Mas enquanto os policiais federais falavam com alguém dentro do comitê, centenas de militantes de Neco começaram a chegar ao local, passando a cercar a imprensa, acusada indistintamente de “sem ética” e por “estar levando dinheiro de Garotinho”, além a própria viatura da PF, sobre a qual foi entoado o grito“Au, au, au, fora Federal!”.

Dali, por volta das 13h, os agentes e a imprensa foram, também no Centro de São João da Barra, à casa de Tino Ticalu (PT do B), o único dos intimados que seria econtrado nas diligências da PF. Lá, novamente os militantes governistas chegaram, mas dessa vez em menor número, o que não reduziu as hostilidades contra os jornalistas e os policiais federais. A repórter da Folha, Ulli Marques, por exemplo, teve que ouvir as classificações de “debilóide” e “burra” de uma militante com o dedo em riste diante ao rosto de quem só estava ali para fazer seu trabalho. Mas pior ainda, lamentavelmente, aconteceu com o editor do site Ururau, Leandro Nunes, que chegou a ser empurrado por um militante e quase foi lançado ao chão.

Depois, em torno das 14h, a diligência da PF e a imprensa que a seguia se encaminharam à residência do próprio Neco, no bairro de Água Santa, na saída de São João da Barra em direção a Atafona. Com a casa fechada, os militantes do candidato não tardaram a também chegar, novamente às centenas. E, infelizmente, suas agressões novamente excederam as verbais. A jornalista do SBT Roberta Barcelos, que sem nenhum dolo político trajava azul (cor da campanha de Betinho), teve a roupa molhada pela água jogada por uma militante vestida de vermelha, cor da campanha de Neco e geralmente associada à violência.

Por fim, ainda diante à casa de Neco,  chegou ao local a advogada Carolina Cunha, que assinou, mediante procurações previamente assinadas, os mandados de intimação de Neco, Silvana Ferreira (PR), Alex Valentim (PR), Alex Firme (PMDB), Renato Timóteo e Eliseu Motos (PDT) — os cinco últimos, ou candidatos governistas a vereador, ou de oposição que teriam sido cooptados. A advogada da coligação de Neco questionou a atitude midática de Paulo Cassiano, ao montar uma diligência para entregar mandados de intimação que poderiam ser entregues por oficiais de justiça, deflagrando a nova operação em meio a uma coletiva de imprensa, além do fato de nela o delegado ter distribuído ao jornalistas as supostas provas do seu inquérito, na forma de CD contendo um áudio de Carla Machado e um vídeo de Alexandre Rosa, que antes negou à defesa dos acusados.

Certamente a advogada tem suas razões, jurídicas e éticas, para suas críticas à atuação do delegado. No entanto, nenhuma delas é capaz de nublar o fato de que aquilo que a militância governista de São João da Barra fez hoje, contra a insituição da Polícia Federal, patrimônio que, a despeito de eventuais desvios isolados, dignifica este país, e sobretudo contra a imprensa, que estava ali cumprindo sua função constitucional de narrar fatos, culminado com duas agressões físicas a jornalistas, é tão vergonhoso quanto inadmissível.

É por essas e outras práticas arrogantes, soberbas, paridas na passionalidade desprovida de razão, típicas de quem se julga acima da lei, que o grupo de Carla tem colecionado desafetos e problemas com a Justiça, da mesma maneira que o seu principal inimigo: Anthony Mateus, o Garotinho.

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Pesos e medidas da PF de Campos

Logo após a Telhado de Vidro ter sido deflagrada em Campos, em 11 de março de 2008, o vereador Marcos Bacellar (PDT), então presidente da Câmara, veio a público denunciar que o hoje candidato a vereador Edson Batista (PTB) o teria procurado dois dias antes, como emissário enviado pessoalmente por Anthony Garotinho (PR), para tentar negociar o rearranjo político do município, a partir do grande impacto que seria causado (como de fato foi) pela operação cujo conhecimento prévio deveria ser restrito aos órgãos federais de atuação judicial em Campos.

Com o passar do tempo, mudaram os desafetos e os aliados. O ex-prefeito Alexandre Mocaiber e alguns dos seus principais assessores, execrados publicamente por Garotinho, encontraram abrigo no colo do seu grupo político e da sua esposa. Já alguns parceiros umbilicais de antes, como a prefeita sanjoanense Carla Machado (PMDB), foram transformados em desafetos figadais. O que não mudou, no entanto, foram as aparentes coincidências entre o que Garotinho anuncia em tom de ameaça contra seus adversários e aquilo que a realidade se encarrega de cumprir não muito depois.

No último dia 30 de junho, na convenção do PR em São João da Barra (SJB), que lançou o ex-prefeito Betinho Dauaire (tradicional opositor convertido em aliado) à sucessão de Carla, Garotinho disse textualmente, sem se importar em ser filmado: “Há uma quadrilha instalada na Prefeitura de SJB, e a chefe desta quadrilha chama-se Carlinha Machado. Vocês não tenham dúvida, isto aqui vai terminar igual terminou em Campos: secretário preso, prefeito preso. E antes que a eleição termine, depois vocês me digam aí, vai ter um grupo grande da prefeita passando uma temporada lá em Bangu I”.

Pois pouco mais de 90 dias depois, na noite da última terça, a apenas cinco dias da eleição na qual o vereador Neco (PMDB), candidato apoiado por Carla, segue tão favorito nas pesquisas quanto a prefeita Rosinha (PR) em Campos, mais uma profecia de Garotinho foi cumprida quase integralmente. Carla realmente foi presa, pela mesma Polícia Federal (PF) que quatro anos antes prendera secretários do governo Mocaiber. E talvez não seja irrelevante a constatação de que, baixada a poeira do inevitável (e insanável) estrago político, nenhum deles foi condenado pela Justiça.

Bem verdade que a prefeita de SJB, pelo menos por enquanto, ainda não foi para Bangu I, mas passou a madrugada de ontem presa na Delegacia da PF de Campos, de onde saiu no início da manhã, após pagar fiança, prometendo questionar na Corregedoria do órgão vários pontos da operação montada para prendê-la. Por sua vez, a PF prometeu divulgar hoje dois CDs com vídeos e áudios que comprovariam os crimes eleitorais que teriam sido cometidos pela situação sanjoanense.

Se o Ministério Público Eleitoral de SJB denunciar e, sobretudo, se a Justiça Eleitoral de SJB condenar Carla e seu grupo com a mesma certeza com que fez ontem, em entrevista coletiva, o delegado titular da PF em Campos, Paulo Cassiano Júnior, este merecerá aplausos por sua ação, assim como merecem os policiais federais do Rio, o Ministério Público Federal do Rio e a Justiça Federal do Rio, que juntos conseguiram impor a Garotinho sua condenação como líder de quadrilha armada.

Todavia, mesmo que Carla venha a ser também condenada como chefe de quadrilha, confirmando o discurso do deputado federal em 30 de junho, ecoado ontem pelo delegado federal de Campos, o que qualquer um, político, jurista, delegado ou o simples cidadão leigo poderá questionar é por que esse mesmo rigor da PF local não se deu, por exemplo, na apreensão de R$ 318,2 mil, na antevéspera da eleição municipal de Campos em 2004,  que seriam usados para compra de votos e estavam na sede do PMDB — então partido de Garotinho, que lá dentro se encontrava?

Certo que, à época, o comando da PF em Campos era outro. Muito embora fosse o mesmo de hoje, na Operação Cinquentinha, que comprovou compra de votos na eleição de 2008, nos distritos de Morro do Coco e Vila Nova, para a então candidata Rosinha Garotinho. No caso, talvez fosse cabível questionar: mesmo tendo nomeado logo após tomar posse, como seu subsecretário de governo, um dos principais envolvidos (Thiago Calil) na compra de votos faturados à sua candidatura, como Rosinha conseguiu não ser indiciada ou sequer chamada para prestar nenhum esclarecimento na mesma delegacia em que Carla passou uma madrugada presa?


Publicado na edição de hoje da coluna Ponto Final, da Folha da Manhã.

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Ouça a entrevista de Carla Machado sobre sua prisão

Editada em seus trechos mais fortes, ouça abaixo a entrevista com Carla Machado (PMDB), feita na manhã de hoje, na rádio sanjoanense Barra FM e retransmitida pela Rádio Continental, do grupo Folha, logo após a prefeita ser liberada da delegacia de Polícia Federal de Campos, onde passou a madrugada presa, mediante pagamento de R$ 60 mil de fiança…

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Carla vai à Corregedoria da PF

blog do bastos
Por alexandre bastos, em 03-10-2012 – 15h08

A prefeita Carla Machado (PMDB) já informou que vai à Corregedoria da Polícia Federal para questionar uma série de questões.  Ela alega ter sido detida sem qualquer mandado de prisão e ficou por uma hora e meia sem um advogado, pois os policiais teriam impedido a entrada. Ela também questiona a forma da abordagem. “Não havia necessidade daquela gritaria com armas em punho”, disse a prefeita. Carla relatou que a informação sobre a operação da PF estava sendo ventilada no comício do adversário. “Não tem ninguém bobo. Estamos nos aproximando de uma eleição e todos sabem da minha aprovação e da margem que temos de vantagem em relação aos adversários”, disse.


Postado aqui, no Blog do Bastos.

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MP Eleitoral investiga políticos presos em SJB

Por suzy, em 03-10-2012 – 15h39

A Procuradoria Regional Eleitoral (PRE) no Rio de Janeiro acompanha o inquérito da Polícia Federal que investiga a prefeita de São João da Barra, Carla Machado, o candidato a vice-prefeito Alexandre Rosa e outros políticos por compra de votos e formação de quadrilha. As provas colhidas com a prisão dos dois políticos em flagrante delito na madrugada de hoje (03/10) serão examinadas pelo procurador regional eleitoral Maurício da Rocha Ribeiro, responsável por processos contra crimes eleitorais no Tribunal Regional Eleitoral (TRE/RJ).

(Fonte: Ascom/PRE)

Publicado aqui, no blog “Na curva do Rio”.

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A versão de Carla Machado sobre ação da PF

Os blogueiros Cláudio Andrade e Alexandre Bastos publicaram, respectivamente aqui e aqui, a versão da prefeita sanjoanense Carla Machado (PMDB) sobre sua prisão por formação de quadrilha, junto com o candidato a vice-prefeito na chapa governista, Alexandre Rosa (PMDB), na noite de ontem, após um comício de Neco (PMDB), vereador e postulante governista à Prefeitura, em Grussaí. O primeiro blogueiro apurou com a prefeita uma declaração exclusiva por telefone, enquanto o segundo trasncreveu trechos da entrevista de Carla deu na rádio sanjoanense Barra FM, na manhã de hoje, após ser liberada mediante pagamento de fiança de R$ 60 mil. Abaixo, o blog pede a licença devida para trasncrever ambos…

Carla Machado: “Eu já sabia!”

A prefeita Carla Machado em contato com o blog informou que já tinha sido avisada da operação. Segundo ela, na madruga, ela já tinha postado em seu facebook, uma carta de perseguição.

Carla relatou que vai entrar na Corregedoria contra o delegado Paulo Cassiano. A prefeita disse que foi detida sem qualquer mandado de prisão e que ficou por uma hora e meia sem um advogado, pois os policiais não deixaram os mesmos entrarem.

Noticiou também que no momento da abordagem ela estava com dois advogados e o motorista e não havia nenhum material em seu veículo que pudesse justificar a questão.

Para ela se trata de uma armação orquestrada pelos adversários políticos devido ao alto índice de aprovação de seu governo e da liderança de Neco.

Carla disse ainda que soube que no comício de Betinho, a operação havia sido ventilada.

Carla está nesse momento indo para a Rádio Barra onde irá dar uma coletiva.

Carla Machado: “Fomos vítimas de uma trama”

Em entrevista à rádio Barra FM, a prefeita de São João da Barra, Carla Machado (PMDB), comentou sobre a prisão dela e do vereador Alexandre Rosa (PMDB). “Fomos vítimas dessa trama, dessa maldade arquitetada pelos adversários. Mas quero deixar claro que temos fé. Tudo isso aconteceu por conta da eleição. Todos sabem o resultado da pesquisa. Temos uma ampla margem de vitória. Nosso adversário tem um projeto personalista e ele é um inimigo muito feroz. Todos conhecem Garotinho. Brigou com Sérgio Mendes, perseguiu Arnaldo e perseguiu Mocaiber, que hoje está ao lado dele. Todos sabem a influência que ele tem. Foi governador. Mas existe alguém maior, que é Deus. Temo a Deus, não temo homem algum”, disse Carla, frisando que vai até o fim. “Não tivemos acesso ao processo, mas garanto que nossos advogados vão buscar os recursos. Não tenho medo. Vou até o fim”, frisou.

Sobre o momento da prisão, a prefeita contou: “Chegou um carro sem identificação com homens gritando, revólver em punho. Me puxando para entrar no carro deles”, disse, ressaltando que a população está ao seu lado. “O povo de São João da Barra não gosta de covardia. Qualquer pessoa consegue perceber isso. Até adversários já disseram que isso foi uma grande maldade. Quem vibra com uma perseguição desse tipo é uma minoria interesseira”, completou.

Já sabia — Segundo Carla Machado, fontes já haviam informado anteriormente sobre uma possível operação da PF em SJB. “Uma pessoa ligada ao vereador Camarão me avisou. Outra pessoa ligada ao Garotinho também me avisou. E mais uma pessoa ligada ao partido dele já havia dito. Como eles sabiam disso?”, indagou a prefeita.

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Paulo Cassiano: “Carla era a líder da quadrilha!”

Paulo Cassiano Júnior, na coletiva de hoje (foto de Thiago Macedo)
Paulo Cassiano Júnior, na coletiva de hoje (foto de Thiago Macedo)

“Machadada”. Esta foi o nome dado pela Polícia Federal (PF) de Campos à operação que, na noite de ontem, prendeu a prefeita sanjoanense Carla Machado (PMDB) e o candidato a vice na chapa governista, vereador Alexandre Rosa (PMDB). Segundo informou o delegado titular da PF, Paulo Cassiano Júnior, na coletiva da manhã de hoje, Carla e Rosa foram presos pelo Art. 288 (formação de quadrilha), não pelo 41 A (compra de voto), como chegou a ser aventado durante a madrugada de hoje, quando ainda não havia informações oficiais sobre o caso. O delegado identificou a prefeita como “líder de uma quadrilha criada para manipular o resultado das eleições”. Ela foi liberada na manhã de hoje, após pagar fiança de R$ 60 mil, enquanto Rosa foi posto em liberdade mediante pagamento de R$ 50 mil. Carla teria se negado a responder qualquer pergunta, se resguardando ao seu direito de só falar em juízo, muito embora, depois de liberada, ela tenha dado uma entrevista na rádio sanjoanense Barra FM, na qual deu sua versão sobre o caso. Segundo Cassiano, a operação de ontem foi montada para prender também outras três pessoas: Elísio Motos, Renato Timóteo e Alex Firme, candidatos governistas a vereador.

Líder na corrida à sucessão de Carla, com 55,1% das intenções de voto, segundo pesquisa do GPP, Neco também será indiciado pelo mesmo crime (formação de quadrilha), mas só amanhã, quando o delegado prometeu também divulgar CDs de áudio e vídeo que trariam evidências da prática de crime eleitoral. Contestado pela defesa de Carla quanto à falta da condição de flagrante no momento da prisão, Cassiano disse “para haver crime de formação de quadrilha, não é necessário que o grupo esteja no ato de uma ação de delito, sendo o estado permanente”, justificando a ausência do mandado de prisão. Sobre a prefeita, o delegado ainda comentou:

— Ela asfixiava a oposição, mediante oferta de vantagens econômicas, benefícios em cargos, ou facilidades em licitações, para que os candidatos da oposição abrissem mão das suas candidaturas, declarando publicamente o apoio aos candidatos governistas. Ela estava confortável do ponto de vista da vitória na Prefeitura, mas queria eliminar a oposição política na Câmara.

Apontado por fontes a este blog como um dos candidatos a vereador da oposição que teria gravado uma conversa com Carla Machado e Alexandre Rosa, numa negociação financeira para que mudasse de lado político, Rodrigo Rocha teve participação elogiada por Paulo Cassiano: “Fomos procurados por ele e outros. Mas elogio a colaboração de Rodrigo Rocha”.

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Prisão de Carla e Rosa por gravação de pedido de R$ 80 mil e oferta de R$ 60 mil

Segundo informações apuradas agora com uma fonte, as prisões da prefeita de São João da Barra, Carla Machado (PMDB), e do vereador Alexandre Rosa (PMDB), vice na chapa governista encabeçada pelo também vereador Neco (PMDB), teriam motivadas por uma gravação feita por Rodrigo Rocha, candidato a vereador do PR, mesmo partido do deputado federal Anthony Matheus, o Garotinho, e do candidato a prefeito Betinho Dauaire. A partir dela, a prefeita e o candidato a vice teriam sido presos em flagrante pela Polícia Federal por formação de quadrilha (Art. 288) e compra de voto (Art. 41 A). Após 0 comício de Neco, em Grussaí, ontem à noite, Carla foi presa quando entrava na Pousada Mediterrâneo, em Atafona, onde iria dormir, enquanto Alexandre foi detido depois, na residência do próprio Neco.

Na gravação que motivou a prisão da prefeita e do candidato a vice, Rodrigo Rocha teria pedido R$ 80 mil para passar ao lado governista, proposta à qual Carla teria contraproposto R$ 60 mil. Alexandre Rosa também teria participado da conversa gravada.

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Garotinho comanda previsões da PF na região — Carla Machado e Alexandre Rosa presos em SJB

O deputado federal Anthony Matheus, o Garotinho (PR), tem mesmo uma bola de cristal infalível sobre as ações da Polícia Federal (PF) na região que domina politicamente. Exatamente de acordo com suas previsões, feitas aqui, no último dia 30 de junho, durante a convenção do PR de São João da Barra, uma operação da PF acabou de ser realizada, entre às 22h30 e 23h de ontem, na qual foram presos por agentes federais a prefeita Carla Machado (PMDB) e o vice na chapa governista, o vereador Alexandre Rosa (PMDB).

Até o presente momento sem ter o motivo da prisão revelado, nem no local, nem na delegacia regional da PF em Campos à qual os dois foram em seguida encaminhados e se encontram incomunicáveis, até do contato com seus advogados, Carla e Alexandre foram detidos após o comício de Neco na noite passada, em Grussaí. Segundo a última pesquisa, do insituto GPP, feita entre os dias 26 e 27 de setembro e divulgada aqui, a chapa Neco/Alexandre lidera com folgas a corrida eleitoral em São João da Barra, com 55,1% das intenções de voto, contra 33,5% do ex-prefeito Betinho Dauaire (PR), candidato de Anthony Matheus, o Garotinho.

Quando Garotinho fez sua “previsão” sobre operação da PF, contra seus adversários políticos em São João da Barra, que só agora, a cinco dias da eleição, finalmente aconteceu, o blog do advogado Cláudio Andrade, assessor do deputado estadual Roberto Henriques (PSD), divulgou um vídeo que circulava no Youtube, com trechos do discurso do ex-governador e, no final, com imagens do documento da nomeação do dentista Paulo Cassiano para a superintendência da secretaria de Saúde de Campos, no governo Rosinha Garotinho (PR). Ele é pai do delegado titular da Polícia Federal (PF) em Campos, Paulo Cassiano Júnior.

Ouvido à época pela repórter da Folha Suzy Monteiro, Paulo Cassiano Júnior classificou o discurso de Garotinho como “bravata”, dizendo:

— Faz parte do processo eleitoral e todos conhecem o estilo do ex-governador, que usa discursos desse tipo para intimidar ou conquistar as pessoas. Nos três anos e meio que estou em Campos não houve vazamento de informações em nenhuma de nossas operações. Ele está jogando, se acontecer estava certo. Se não, poderá justificar de outra maneira.

Na matéria, Cassiano Júnior também ressaltou que seu pai é funcionário da Prefeitura de Campos há quase 37 anos, passando pelos governos de Rockfeller, Garotinho, Sérgio Mendes, Arnaldo Vianna, Mocaiber e agora Rosinha: “Ele sempre cumpriu expediente normal, foi chamado pelo secretário para a superintendência, um serviço burocrático e não é ordenador de despesas como colocaram ali”, garantiu, não sem assegurar que investiga denúncias que chegam à delegacia sem se importar com “cor partidária”.

Postado aqui no Youtube, quem foi condenado como quadrilheiro (aqui) pela Justiça Federal, acusa a prefeita sanjoanense como “chefe de quadrilha”, no vídeo reproduzido abaixo…

Atualização às 3h15: A primeira divulgação da notícia da prisão de PF de Carla Machado e de Alexandre Rosa, foi feita (aqui) pelo portal sanjoanense de notícias OZK.

Atualização às 3h24: Segundo o blog “Quatro elementos” (aqui), da jornalista Thais Aguiar, primeira hospedada na Folha Oline a divulgar a notícia, advogados de Carla Machado classificaram a prisão da prefeita como “ilegal e abusiva”.

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Na opinião do “Opiniões”, quem serão os próximos vereadores de Campos

Que a prefeita Rosinha irá se reeleger no próximo domingo, liquidando a fatura eleitoral em turno único, a despeito das suas muitas contas jurídicas ainda em aberto, ninguém em sã consciência discute mais. Sejam com os 55,5% do Iguape (02/10), ou os 62% que lhe deram o Precisão (27/09) ou o Ibope (18/09), não há projeção racional que aponte a existência de segundo turno. Mas e os vereadores que serão eleitos em 7 de outubro?

Na opinião deste “Opiniões”, formada no bom e velho trabalho jornalístico de observações e conversas com representantes dos mais variados segmentos políticos de Campos, no lugar das 25 cadeiras da Câmara que o presidente municipal do PR Wladimir Matheus chegou a projetar aqui, em setembro de 2011, como domínio exclusivo dos governistas a partir de 2013, os partidos que apoiam a candidatura da prefeita deverão fazer apenas 17, ou 72% do novo Legislativo. Seria mais proporcionalmente, mas não muito, do que os 64,7% representados pelos 11 vereadores eleitos em 2008 pelas legendas que apoiaram Arnaldo Vianna (PDT).

Mas como Rosinha, que da última vez elegeu consigo apenas seis edis, termina sua administração municipal com o dobro de vereadores, na dúzia deles (ou 70,6%) que hoje lhe dá sustentação, nem a imposição da fidelidade partidária pelo Supremo Tribunal Federal pode garantir que ela, se conseguir assumir e desempenhar até o fim o novo mandato quase certo nas urnas, não acabe conquistando mais apoios, mesmo que velados, entre os oito vereadores ditos de oposição que aqui serão projetados com boas chances de eleição no próximo domingo.

Abaixo, coligação a coligação, partido a partido, abaixo seguem os palpites do blog, submetidos aos riscos de quaisquer outros palpites, mas muito pior quando se trata das complicadas contas do coeficiente eleitoral dos pleitos proporcionais. Votos depositados nas urnas e apuração totalizada, depois será só conferir para sentar a pua sobre os erros de avaliação mais que prováveis do blogueiro…

PR/PRB

A coligação do partido dos Garotinho deve fazer seis vereadores, sem sobra. Os mais prováveis são:

1 – Tadeu Tô Contigo (PRB)

2 – Jorge Magal (PR)

3 – Kellinho (PR)

4 – Dr. Abdu Neme (PR)

5 – Dr. Paulo Hirano (PR)

6 – Gil Vianna (PR)

Também estariam na briga: Thiago Ferrugem (PR), Carlos Alberto do Canaã (PR), Adriano Limpa Fossa (PR), Fábio Ribeiro (PR) e Dayvison Miranda (PRB).

PP

Correndo sozinho, o partido do senador Francisco Dornelles deve reeleger, também sem sobra, dois da atual Legislatura,:

1 – Papinha

2 – Albertinho

Também na disputa: Miguelito e Orlando Portugal.

PSB

Os socialistas de legenda, mas não necessariamente próximos ao ideário em suas práticas, devem eleger dois, um de maneira direta, com outro na sobra:

1 – Jorge Rangel

2 – Diego Dias

Também com chances: Altamir Bárbara.

PTC

Outro partido a correr sozinho, também tende a fazer dois vereadores, um deles também na sobra:

1 – Thiago Virgílio

2 – Ozéas

Também disputam: Geraldinho, Renatinho Eldorado, Charles Pipiu e Geraldinho de Santa Cruz.

PT do B e PRTB

A coligação deve fazer também duas cadeiras, uma igualmente na sobra:

1 – Mauro Silva (PT do B)

2 – Eduardo Crespo (PT do B)

Também apresentam chance: Linda Mara (PRTB) e Chico da Rádio (PT do B).

PTB e PSDB

Tradicionalmente de oposição aos Garotinho, o partido do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso pode ter se aliado ao governo de Campos para não colher resultado eleitoral algum, pois as prováveis duas vagas da coligação, uma direta, uma na sobra, devem ficar para a legenda do ex-presidente Getúlio Vargas:

1 – Luiz Azeredo (PTB)

2 – Dr. Edson Batista (PTB)

Também disputam: Neném (PTB), Beto Cabeludo (PTB) e Pedro Nízio (PTB).

PHS

Um partido, mais uma provável vaga à situação:

1 – Professora Auxiliadora

Também na briga: Manoel Alves da Costa, Robinho Barbosa, Luiz Augusto Abençoado, Vinícius Madureira e Dudu de Custodópolis.

PPL, PPS e PDT

Todos os mundos e fundos movidos pelo deputado federal Anthony Matheus, o Garotinho, contra a reeleição do próprio irmão, não devem surtir o resultado esperado pelo presidente regional do PR. Além disso, a coligação da oposição tende a eleger mais um vereador na sobra:

1 – Nelson Nahim (PPL)

2 – Rafael Diniz (PPS)

Também têm chance: Abu (PPL), Cordeiro (PPL) e Toninho Vianna (PPL).

PMDB e PSD

A coligação do partido do governador fluiminense Sérgio Cabral com a legenda criada pelo prefeito paulistano Gilberto Kassab também deve fazer duas cadeiras, uma direta, uma na sobra:

1 – Nildo Cardoso (PMDB)

2 – Fred Machado (PSD)

Também disputam: Dr. Admardo (PSD), Joilso Melo (PSD) e Jorginho Virgílio (PSD).

PT e PSL

Outra coligação da oposição que também tem boas chances de eleger dois, contando um na sobra:

1 – Alessandra Faez (PT)

2 – Marcão (PT)

Também na briga: Odisséia Carvalho (PT), Claudeci das Ambulâncias (PSL) e Professor Alexandre (PT).

PSDC e PMN

Embora oficialmente na oposição, nesta coligação, que também pode eleger dois, sendo um na sobra, devem sair os vereadores mais sucetíveis à mudança de lado ao governo municipal, confirmada a eleição e o exercício do poder por Rosinha:

1 – José Carlos do Detran (PSDC)

2 – Enock Amaral (PSDC)

Também disputam: Kelynho Povão (PSDC), Álvaro César (PMN), João da Égua (PSDC) e Gerusa Peixoto (PSDC).

Obs: Outras coligações e partidos, embora com alguns candidatos bem votados individualmente, na opinião deste blog, montada nas necessidades de legenda e na lógica apresentada nestas eleições, não conseguirão eleger representantes.

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