Faxina
- Autor do post:Aluysio Abreu Barbosa
- Post publicado:16 de agosto de 2011 - 11:00
- Categoria do post:Sem categoria
- Comentários do post:0 comentário
Pela fé expressa em conceitos morais de conduta, ou pela ciência política que analisa nossa conduta enquanto tribo, o bispo Dom Roberto Ferrería Paz (aqui) e o professor Hugo Borsani (aqui) chegaram à mesma conclusão que todos os campistas já deveriam ter elaborado por conta própria, há muito tempo: tudo indica que nosso processo político, independente dos lados, está corrompido de corpo e alma pelo fisiologismo.
Omissões goitacá à parte, não deixa de ser curioso notar que tanto o sacerdote, quanto o cientista, são uruguaios.
Parece que depois de nos mostrarem, na Copa do Mundo da África do Sul e na Copa América da Argentina, como se joga futebol com seriedade, os uruguaios agora nos ensinam como fazer política com ética. E o pior é que, em ambos os casos, merecemos as lições.
À notícia da suposta particpação do deputado federal Dr. Aluízio (PV), em desvio de verbas federais no auxílio à regiao serrana arrasada pelas chuvas de janeiro último, que o Christiano Abreu Barbosa divulgou aqui, em seu Ponto de Vista, o médico e parlamentar de Macaé acabou de soltar aqui, em seu blog, a nota de esclarecimento transcrita abaixo…
Nota de
O deputado federal Dr. Aluizio (PV-RJ) esclarece que não participou de reuniões na Prefeitura de Teresópolis, conforme divulgado pela coluna Radar do portal da revista Veja, de Lauro Jardim. O deputado, assim como outros parlamentares, visitou os municípios da Região Serrana, devastados pela tragédia do dia 12 de janeiro, onde ofereceu apoio aos prefeitos para a reconstrução das cidades. É fato que o parlamentar esteve no prédio da Prefeitura de Teresópolis, onde conversou com o prefeito, mas não participou de nenhuma reunião.
O trecho abaixo é do depoimento do Sr. José Ricardo de Oliveira à CPI da Região Serrana na Alerj, no dia 12 de agosto, no qual declara que o deputado federal não esteve presente em reuniões em Teresópolis.
Professor da Uenf, o cientista politico Hugo Borsani é uruguaio, mas tem uma visão bem diferente da Campos enxergada pelo vereador e bispo da Universal Vieira Reis (PRB), no que se refere ao fisiologismo político local indentificado pelo novo bispo católico da cidade, Dom Roberto Ferrería Paz:
— O que o bispo católico diz me parece bastante compatível, com processos na Justiça por compra e voto de um lado e do outro, indicando que esse fisiologismo existe. E isso é perceptível em quase todos os setores da opinião pública da cidade — diagnosticou o professor.
Por outro lado, pelo que Dom Roberto disse na entrevista, ainda não está claro de que forma a Igreja Católica vai atuar contra essa prática:
— Pelo que ele disse na matéria, ainda não dá para saber a dimensão da interferência católica no processo eleitoral, se eles vão indicar propostas e nomes mais ou menos compatíveis com determinados princípios éticos. Mas uma coisa parece clara: a Igreja não vai ser mais mera especatadora. Esta me parece ser a mensagem. Os candidatos e as propostas ainda não estão definidos, mas parece definida a posição da Igreja Católica em Campos: “Não vamos mais ser passivos”. O que resta definir é em que grau será essa participação — ponderou Borsani.

Diferente do que disse no novo bispo católico de Campos, Dom Roberto Ferrería Paz, em entrevista feita pelo jornalista Alexandre Bastos e publicada na edição da Folha do último domingo, o vereador e bispo da Igreja Universal Vieira Reis (PRB) não reconhece no município a generalização de um fisiologismo desatrelado de princípios e valores nas representações políticas:
— Nesse ponto, tenho que discordar. A política em Campos não é mais como antigamente, em todos os níveis, Executivo e Legislativo. A cidade hoje tem uma outra cara, na saúde, na educação, no asfaltamento, no saneamento básico, na construção e reforma de escolas e creches. A Câmara, em relação às legislaturas passadas, tem hoje uma nova dinâmica — garantiu o parlamentar governista.
Vieira, no entanto, criticou a postura de alguns colegas de Legislativo. Sem citar nomes, ele disse que o comportamento daqueles que faltam as sessões ou não ficam até o seu final, não obedecem ao prinicípio cristão do compromisso com o próximo e a coletividade: “nem com a população, nem com seus próprios eleitores”, alfinetou.
O vereador vê como normal o posicionamento de Dom Roberto, ao apontar, enquanto líder religioso, alguns valores éticos que os católicos deveriam buscar em seus candidatos. “Mas desde que isso não se torne pregação a favor de nomes ou partidos, e que a campanha política não entre dentro da igreja”, frisou.
Vieira garantiu ainda que sua Igreja Universal, conhecida em todo o Brasil por sua forte atuação política, não seguirá o novo discurso católico de Campos para as eleições de 2012:
— A Universal não vai dar nenhum tipo de orientação. Nossa igreja vai deixar seu rebanho livre para tomar sua decisão. Só vamos pregar a conscientização na hora ir às urnas, sem voto de cabresto ou comprado.
Atualização às 23h13: Aqui, no Blog do Bastos, o pastor batista e ex-deputado federal Éber Silva e o babalorixá Vavá de Odé também opinaram sobre as declarações políticas do novo bispo católico Dom Roberto Ferrería Paz.
Seguindo o conselho dado aqui pela leitora Isabel, o blogueiro põe fim a um debate velado, desinteressante e menor, que pelo baixo número de acessos gerados pelos posts relativos, passou ao largo da grande maiora dos leitores deste blog. Como ponto final apropriado à assunção da inveja alheia, segue abaixo mais uma edição da série “recordar é viver”…
Por Aluysio, em 06-10-2010 – 21h07
Um dos letristas da Música Popular Brasileira que fez com maior sucesso a transição à poesia literária, chegando a faturar o conceituado Prêmio Jabuti, em 1993, com o livro “As Coisas”, o ex-titã Arnaldo Antunes não chega a ser um Shakespeare, mas deixou em letra e música uma precisa descrição do monstro da inveja…
Invejoso
O carro do vizinho é muito mais possante
E aquela mulher dele é tão interessante
Por isso ele parece muito mais potente
Sua casa foi pintada recentemente
E quando encontra o seu colega de trabalho
Só pensa em quanto deve ser o seu salário
Queria ter a secretária do patrão
Mas sua conta bancária já chegou no chão
Na hora do almoço vai pra lanchonete
Tomar seu copo d’água e comer um croquete
Enquanto imagina aquele restaurante
Aonde os outros devem estar nesse instante
Invejoso
Querer o que é dos outros é o seu gozo
E fica remoendo até o osso
Mas sua fruta só lhe dá caroço
Invejoso
O bem alheio é o seu desgosto
Queria um palácio suntuoso
mas acabou no fundo desse poço
Depois você caminha até a academia
Sem automóvel e também sem companhia
Queria ter o corpo um pouco mais sarado
Como aquele rapaz que malha do seu lado
E se envergonha de sua própria namorada
Achando que os amigos vão fazer piada
Queria uma mulher daquelas de revista
Uma aeromoça, uma recepcionista
E quando chega em casa liga a tevê
Vê tanta gente mais feliz do que você
Apaga a luz na cama e antes de dormir
Fica pensando o que fazer pra conseguir
Invejoso
Querer o que é dos outros é o seu gozo
E fica remoendo até o osso
Mas sua fruta só lhe dá caroço
Invejoso
O bem alheio é o seu desgosto
Queria um palácio suntuoso
mas acabou no fundo desse poço
Neste domingo dia dos pais, seguem abaixo três poemas, os dois primeiros de autoria do blogueiro, respectivamente para o pai e o filho. O primeiro (“Dom Casmurro”), escrito por um filho adolescente; o segundo (“ícaro voador”), feito para um filho com exatos quatro meses de vida.
Já o terceiro (“Cântico do Calvário”) serve como espírito santo na lavra do meu conterrâneo romântico Fagundes Varela (1841/1875), contemporâneo a quem Castro Alves (1847/1871) mais admirou, feito em memória do filho morto, perda que conduziu também o poeta à morte precoce. Mais do que a tristeza lancinante dos versos, que li pela primeira com a visão embotada em lágrimas, trata-se para mim da melhor evidência literária do amor incondicional de um pai, pelo qual todos deveriam ser lembrados neste e nos outros dias…
Dom Casmurro
Lá vai ele,
Lamentando do ser e do estar:
“Oh! Dia! Oh! Vida! Oh! Azar!”
Lá vai ele,
Pernas fortes, passos curtos,
Jade nos olhos, miúda estatura,
Tomar o seu cafezinho no Boulevard.
Lá vai ele,
Levando seu inseparável cigarro entre os dedos,
Escassos cabelos revoltos na fronte,
Um colo escondido no bolso da calça caída,
Um afago oculto sob a La Coste poída
E um conselho ponderado sei lá de onde.
Lá vai ele,
Meu adorável Dom Casmurro,
Trajando a sisuda carapaça da esfinge,
Guardiã eterna da singeleza de um menino
Que nunca soube elaborar charadas,
Tampouco devorar ninguém.
ícaro voador
na descoberta do eixo
ele gira seu pequeno corpo
busca com os olhos
me identifica neles
simula espanto
e ri
ri estridente como os anjos
agita seus bracinhos morenos
bate palmas
e leva as mãos à boca
escancarada em riso
desdentada e ávida de gostos
eu, que nunca cri
ser motivo de tanta alegria
por estar ao lado de alguém
percebo meu choro
no reflexo dos seus olhos
cambuci, 15/11/99
Cântico do Calvário
(À memória de meu Filho morto a 11 de dezembro de 1863)
Eras na vida a pomba predileta
Que sobre um mar de angústias conduzia
O ramo da esperança. Eras a estrela
Que entre as névoas do inverno cintilava
Apontando o caminho ao pegureiro.
Eras a messe de um dourado estio.
Eras o idílio de um amor sublime.
Eras a glória, a inspiração, a pátria,
O porvir de teu pai! — Ah! no entanto,
Pomba, — varou-te a flecha do destino!
Astro, — engoliu-te o temporal do norte!
Teto, — caíste! — Crença, já não vives!
Correi, correi, oh! lágrimas saudosas,
Legado acerbo da ventura extinta,
Dúbios archotes que a tremer clareiam
A lousa fria de um sonhar que é morto!
Correi! um dia vos verei mais belas
Que os diamantes de Ofir e de Golconda
Fulgurar na coroa de martírios
Que me circunda a fronte cismadora!
São mortos para mim da noite os fachos,
Mas Deus vos faz brilhar, lágrimas santas,
E à vossa luz caminharei nos ermos!
Estrelas do sofrer, gotas de mágoa,
Brando orvalho do céu! Sede benditas!
Oh! filho de minh’alma! Última rosa
Que neste solo ingrato vicejava!
Minha esperança amargamente doce!
Quando as garças vierem do ocidente
Buscando um novo clima onde pausarem,
Não mais te embalarei sobre os joelhos,
Nem de teus olhos no cerúleo brilho
Acharei um consolo a meus tormentos!
Não mais invocarei a musa errante
Nesses retiros onde cada folha
Era um polido espelho de esmeralda
Que refletia os fugitivos quadros
Dos suspirados tempos que se foram!
Não mais perdido em vaporosas cismas
Escutarei ao pôr-do-sol, nas serras,
Vibrar a trompa sonorosa e leda
Do caçador que aos lares se recolhe!
Não mais! A areia tem corrido, e o livro
De minha infanda história está completo!
Pouco tenho de andar! Um passo ainda
E o fruto de meus dias, negro, podre,
Do galho eivado rolará por terra!
Ainda um treno, e o vendaval sem freio
Ao soprar quebrará a última fibra
Da lira infausta que nas mãos sustenho!
Tornei-me o eco das tristezas todas
Que entre os homens achei! o lago escuro
Onde o clarão dos fogos da tormenta
Miram-se as larvas fúnebres do estrago!
Por toda a parte em que arrastei meu manto
Deixei um traço fundo de agonias!…
Oh! quantas horas não gastei, sentado
Sobre as costas bravias do Oceano,
Esperando que a vida se esvaísse
Como um floco de espuma, ou como o friso
Que deixa n’água o lenha do barqueiro!
Quantos momentos de loucura e febre
Não consumi perdido nos desertos,
Escutando os rumores das florestas,
E procurando nessas vozes torvas
Distinguir o meu cântico de morte?
Quantas noites de angústias e delírios
Não velei, entre as sombras espreitando
A passagem veloz do gênio horrendo
Que o mundo abate ao galopar infrene
Do selvagem corcel!… E tudo embalde!
A vida parecia ardente e doida
Agarrar-se a meu ser!… E tu tão jovem,
Tão puro ainda, ainda n’alvorada,
Ave banhada em mares de esperança,
Rosa em botão, crisálida entre luzes,
Foste o escolhido na tremenda ceifa!
Ah! quando a vez primeira em meus cabelos
Senti bater teu hálito suave:
Quando em meus braços te cerrei, ouvindo
Pulsar-te o coração divino ainda;
Quando fitei teus olhos sossegados,
Abismos de inocência e de candura,
E baixo e a medo murmurei: meu filho!
Meu filho! Frase imensa, inexplicável,
Grata como o chorar de Madalena
Aos pés do Redentor… ah! pelas fibras
Senti rugir o vento incendiado
Desse amor infinito que eterniza
O consórcio dos orbes que se enredam
Dos mistérios do ser na teia augusta
Que prende o céu à terra e a terra aos anjos!
Que se expande em torrentes inefáveis
Do seio imaculado de Maria!
Cegou-me tanta luz! Errei, fui homem!
E de meu erro a punição cruenta
Na mesma glória que elevou-me aos astros,
Chorando aos pés da cruz, hoje padeço!
O som da orquestra, o retumbar dos bronzes,
A voz mentida de rafeiros bardos,
Torpe alegria que circunda os berços
Quando a opulência doura-lhes as bordas,
Não te saudaram ao sorrir primeiro,
Clícia mimosa rebentada à sombra!
Mas, ah! se pompas, esplendor faltaram-te,
Tiveste mais que os príncipes da terra!
Templos, altares de afeição sem termos!
Mundos de sentimento e de magia!
Cantos ditados pelo próprio Deus!
Oh! quantos reis que a humanidade aviltam,
E o gênio esmagam dos soberbos tronos,
Trocariam a púrpura romana
Por um verso, uma nota, um som apenas
Dos fecundos poemas que inspiraste!
Que belos sonhos! Que ilusões benditas!
Do cantor infeliz lançaste à vida,
Arco-íris de amor! luz da aliança,
Calma e fulgente em meio da tormenta!
Do exílio escuro a cítara chorosa
Surgiu de novo e às virações errantes
Lançou dilúvios de harmonia! O gozo
Ao pranto sucedeu. As férreas horas
Em desejos alados se mudaram.
Noites fugiam, madrugadas vinham,
Mas sepultado num prazer profundo
Não te deixava o berço descuidoso,
Nem de teu rosto meu olhar tirava,
Nem de outros sonhos que dos teus vivia!
Como eras lindo! Nas rosadas faces
Tinhas ainda o tépido vestígio
Dos beijos divinais, — nos olhos langues
Brilhava o brando raio que acendera
A bênção do Senhor quando o deixaste!
Sobre teu corpo a chusma dos anjinhos,
Filhos do éter e da luz, voavam,
Riam-se alegres, das caçoilas níveas
Celeste aroma te vertendo ao corpo!
E eu dizia comigo: — teu destino
Será mais belo que o cantar das fadas
Que dançam no arrebol, — mais triunfante
Que o sol nascente derribando ao nada
Muralhas de negrume!… Irás tão alto
Como o pássaro-rei do Novo Mundo!
Ai! doido sonho!… Uma estação passou-se
E tantas glórias, tão risonhos planos
Desfizeram-se em pó! O gênio escuro
Abrasou com seu facho ensangüentado
Meus soberbos castelos. A desgraça
Sentou-se em meu solar, e a soberana
Dos sinistros impérios de além-mundo
Com seu dedo real selou-te a fronte!
Inda te vejo pelas noites minhas,
Em meus dias sem luz vejo-te ainda,
Creio-te vivo, e morto te pranteio!…
Ouço o tanger monótono dos sinos,
E cada vibração contar parece
As ilusões que murcham-se contigo!
Cheias de frases pueris, estultas,
O linho mortuário que retalham
Para envolver teu corpo! Vejo esparsas
Saudades e perpétuas, sinto o aroma
Do incenso das igrejas, ouço os cantos
Dos ministros de Deus que me repetem
Que não és mais da terra!… E choro embalde.
Mas não! Tu dormes no infinito seio
Do Criador dos seres! Tu me falas
Na voz dos ventos, no chorar das aves,
Talvez das ondas no respiro flébil!
Tu me contemplas lá do céu, quem sabe?
No vulto solitário de uma estrela.
E são teus raios que meu estro aquecem!
Pois bem! Mostra-me as voltas do caminho!
Brilha e fulgura no azulado manto,
Mas não te arrojes, lágrima da noite,
Nas ondas nebulosas do ocidente!
Brilha e fulgura! Quando a morte fria
Sobre mim sacudir o pó das asas,
Escada de Jacó serão teus raios
Por onde asinha subirá minh’alma.
O secretário de Saúde Paulo Hirano, negou na edição impressa de hoje de O Diário e em seu recém-lançado blog pessoal (aqui), que a Prefeitura de Campos não estava devendo repasses no valor de R$ 5,8 milhões aos cinco hospitais conveniados do município. O fato é que desde a quinta-feira, apenas um dia após a Folha revelar o montante da dívidas pelos serviços prestados por Santa Casa de Misericórdia (R$ 2.212.232 milhões), Álvaro Alvim (R$ 730.071 mil), Beneficiência Portuguesa (R$ 291.628 mil), João Viana (R$ 116 mil) e Plantadores de Cana (R$ 2.051.642 milhões), os atrasados começaram a ser pagos. Até o dia de hoje, R$ 3.157.678 milhões já haviam sido repasados aos hospitais, que ainda têm R$ 2.643.895 milhões a receber.
Apesar de negada publicamente, a inquestionável reação do governo Rosinha é uma característica positiva, quando comparada à certa indiferença às denúncias que caracterizou as gestões de Alexandre Mocaiber e Arnaldo Vianna. Diante disso, é mais ou menos como me saudou o jornalista Joca Muylaert, há pouco menos de um ano, quando nos encontramos por acaso na Toca dos Amigos, após este blog (aqui) e a Folha terem aderido à campanha então lançada por ele pela eleição direta à Prefeitura de Campos, diante da ameaça do novo pleito que chegou a ser marcado durante a cassação de Rosinha (depois revertida) ficar apenas restrito ao voto dos vereadores: “Quando sai na Folha, a coisa acontece!”
Neste trabalho de agora, que em jornalismo é sempre coletivo, por Folha entenda-se as repórteres Fernanda Moraes (incansável) e Rosi Santos, o editor de Geral Thiago Freitas, o editor de Arte Eliabe de Souza (o Cássio Jr.), o editor geral Luiz Costa; toda a redação enfim, que, direta ou indiretamente, proporcionou dias melhores não só aos milhares de doentes de Campos atendidos pelo SUS, mas às centenas de profissionais de Saúde que trabalham nesses cinco hospitais e agora começam a ter como pagar suas contas.
Como diz o slogan já balzaquiano do jornal: a diferença está na qualidade — de como um serviço é feito e de como ele é prestado à comunidade!
Deste blogueiro e diretor de redação, ficam aqui registrados meus sinceros parabéns e o obrigado a todos!
Diferente da vereadora petista Odisséia Carvalho e do médico Makhoul Moussalém (ainda sem partido), a professora Odete Rocha não trabalha com a possibilidade de se candidatar à Câmara Municipal, como alternativa à eleição majoritária de 2012. Neste sentido, ela não confirmou, no entanto, as informações passadas aqui pelo jornalista e blogueiro Saulo Pessanha, dando conta de que, a partir de pesquisas, Sérgio Cabral (PMDB) já a teria escolhido como o nome de oposição com mais chances no enfrentamento contra a prefeita Rosinha (ainda no PMDB). Segundo Odete, isso teria que ser confirmado pelo próprio governador, em reunião com a Frente Democrática de Oposição anunciada aqui desde o dia 19 de julho, mas com data ainda a marcar. Com várias críticas à gestão Rosinha, a pré-candidata comunista aposta na busca, entre os próprios campistas, de uma equipe técnica para se governar melhor o município.

Folha da Manhã – Junto com a vereadora petista Odisséia Carvalho, você foi a integrante da Frente Democrática de Oposição mais presente nos encontros com lideranças no Rio de Janeiro. Quais foram os frutos reais das reuniões com o deputado André Corrêa (PPS), o vice-governador Luiz Fernando Pezão (PMDB), o deputado Paulo Melo (PMDB) e o presidente do PMDB Jorge Picciani?
Odete Rocha – Gostaria de ressaltar que a agenda realizada com essas lideranças do Estado tem um aspecto positivo na medida em que ficou clara a existência de uma oposição organizada em Campos, que discute um projeto em comum, mesmo dadas as diferenças na formação de cada partido, mas que vem discutindo um projeto consequente para uma cidade que daqui a algum tempo comportará um grau de desenvolvimento que, se não tratado com a devida justeza, terá desdobramentos imprevisíveis e até irreversíveis. Outro aspecto é que, na busca desses apoios, a Frente encontrou eco. E se houve eco é porque estamos no caminho certo.
Folha – Desde o encontro com Paulo Melo, foi anunciado um encontro com o governador Sérgio Cabral, ao qual seriam convidados todos os parlamentares fluminenses dos partidos que compõem a Frente. Por que ele ainda não foi marcado? Quando será?
Odete – Tudo que estava ao alcance da Frente Democrática nesse sentido foi feito, na medida que tomamos todos os encaminhamentos. Estamos aguardando que a reunião com o governador Sérgio Cabral aconteça o mais breve possível. Acreditamos que o encontro ainda não aconteceu por algum problema de agenda.
Folha – Na reunião com Picciani, ele limitou em três as candidaturas dos partidos que integram a Frente, para que estas pudessem contar com o apoio de Cabral. Concorda com esse limite? Como definir essas três candidaturas em comum acordo entre todas as legendas?
Odete – É importante salientar que a discussão do número de candidaturas partiu da Frente Democrática. Na reunião com Picciani, onde apresentamos uma pauta escrita, este ponto, de fato, cabia nela. O número de candidaturas da Frente Democrática faz parte de um debate político, de uma avaliação do quadro municipal, buscando não uma pulverização de votos, mas uma estratégia que nos conduza ao segundo turno. Como a decisão foi conjunta, fica claro que esse também é o nosso pensamento. O caminho que a Frente vem traçando é de ter parâmetros sobre o potencial de cada nome apresentado como pré-candidato. No nosso entender, o pragmatismo eleitoral vai apontar quem, de acordo com as pesquisas eleitorais, terá condições concretas de disputa.
Folha – Enquanto Rosinha esteve cassada e uma nova eleição chegou a ser marcada, você e o PV de Andral pareciam próximos da coligação. Agora, consta nos bastidores que os verdes terão candidatura própria à Prefeitura em 2012. Há ainda essa possibilidade de composição?
Odete – Olha, nós entendemos que política não caminha em linha reta. E até 2012 muita coisa pode acontecer. Respeitaremos as decisões do PV, mas confesso que ter o Andral caminhando ao nosso lado seria uma boa composição política.
Folha – Em entrevista ao blog Opiniões (aqui), republicada na Folha, o médico Makhoul Moussalem a elogiou e disse ver com bons olhos a possibilidade de vocês dois caminharem juntos em outro pleito, a exemplo do que já fizeram em 2006. Mesmo que Makhoul ainda não tenha se definido entre PMDB e PT, como enxerga essa alternativa?
Odete – Dr. Makhoul é para mim muito mais do que um aliado político. Com ele, caminhamos em 2006, e, em 2008, foi de extrema importância o apoio dele à nossa candidatura. Temos um diálogo franco e fraterno, conhecemos os limites um do outro, o que torna o caminho político mais fácil. Mas como ele ainda não definiu seu futuro político, seria prematuro da minha parte ter uma posição neste momento.
Folha – Assim como Odisséia e o próprio Makhoul deixaram a possibilidade em aberto, há chance de que você abra mão da disputa majoritária para concorrer à Câmara? Caso sejam mesmo aprovadas as 25 cadeiras na próxima Legislatura, como parece ser a vontade de Garotinho, seria uma disputa menos difícil? Qual número de vereadores você julga ideal para Campos?
Odete – Na nossa opinião, o aumento de cadeiras na Câmara, ao contrário do que possa parecer, tornará a disputa muito mais acirrada, visto que o número de candidatos será muito grande. Mas não é este desafio que nos afasta dessa possibilidade. Nossa candidatura se apresenta de forma natural, que vem sendo construída há algum tempo. As pesquisas apontam o acerto que há neste processo de construção.
Folha – Quer você concorra ou não ao Legislativo, como estão as nominatas do PCdoB em Campos? Não só em relação ao seu partido, qual a importância terá para a oposição ampliar proporcionalmente suas quatro cadeiras entre as atuais 17?
Odete – Estamos construindo uma nominata equilibrada, mas que possibilite eleger vereadores, o que é, inclusive, uma grande tarefa do PCdoB em Campos. O aumento de cadeiras, no nosso entender, mesmo tornando a eleição mais difícil, vai contribuir para que haja uma renovação significativa no Legislativo. Pelo menos é isso o que esperamos e torcemos. Lógico que vai depender do eleitor.
Folha – Entre os nomes que surgem como pré-candidatos da oposição, você, Arnaldo Vianna (PDT) e Makhoul têm um residual já consolidado, pelas eleições majoritárias recentes que disputaram. Concorda com isso e com a perspectiva de que será o potencial de crescimento, a partir da rejeição de cada um, o melhor indicador das chances contra Rosinha?
Odete – Até 2012, muita coisa vai acontecer. Entretanto, deve ser considerado o acúmulo eleitoral de cada pré-candidato e também a possibilidade de crescimento. Mas é preciso fazer um trabalho político consistente para que o cacife eleitoral não só se mantenha, mas possa crescer. E nesse aspecto considero que quem tem menos rejeição junto ao eleitorado, tem mais chances de ampliar seu potencial eleitoral.
Folha – Baseado nessas possibilidades de crescimento, o jornalista Saulo Pessanha disse não só que você seria o nome mais viável eleitoralmente da oposição, como seria esta a conclusão já feita por Sérgio Cabral. Existe realmente essa indicação, com base em pesquisa, e esse entendimento por parte do governador?
Odete – Difícil responder essa pergunta, porque ainda estamos aguardando que aconteça a reunião com o governador Sérgio Cabral.
Folha – Em seus artigos na Folha, você vinha pautando suas críticas ao governo Rosinha, principalmente, na área da educação. No último, voltou as baterias às denúncias de paralisação de obras? Quais são, em seu entender, as principais deficiências da administração campista? Quais os motivos? Como fazer para melhorá-las?
Odete – Na Saúde, por mais que se anuncie aos quatro cantos que vai muito bem, as filas continuam acontecendo, deixando milhares de pessoas sem consultas diariamente. Além disso, faltam medicamentos para atender à população. Na educação, o quadro é desolador. São profissionais mal pagos, que convivem com péssimas condições de trabalho, sem falar que, até o fim do primeiro semestre, os alunos não tinham recebido todo o material escolar. Outro problema é a falta de oportunidades de trabalho. Podemos enumerar ainda a falta de infra-estrutura, que não dá qualidade de vida para a população, e o trânsito, principalmente na área central, que está cada dia mais caótico. Esses problemas e tantos outros poderiam ser resolvidos com duas simples medidas que devem caber ao gestor público: planejamento e bom uso dos recursos. Até porque, recursos a Prefeitura de Campos tem de sobra. Afinal, o orçamento deste ano é de nada menos que R$ 1,9 bilhão, e o do ano que vem, de R$ 2 bilhões.
Folha – Um problema do qual o governo Rosinha se ressente, embora só seja admitido nos bastidores, é a escassez de nomes para compor tecnicamente o governo. Se o grupo deles, que já governou o Estado do Rio duas vezes, padece desse problema, como você, ou outro nome da oposição, montaria uma equipe apta a lidar com as demandas de Campos e região, ampliadas pelo Porto do Açu e o Complexo Logístico de Barra do Furado?
Odete – De maneira alguma há escassez de bons nomes para compor tecnicamente um governo em Campos. Existe muita, mas muita gente competente e séria neste município. O problema está na escolha, que se reflete no tipo de governo que se pretende fazer. Pensar que num município com quase 500 mil habitantes não tenha gente capaz de conduzir de forma decente e competente uma administração é, no mínimo, menosprezar e subestimar a inteligência, a competência e a seriedade do nosso povo.
Destinado especificamente aos maniqueístas do PT, alcunhados de “aloprados” pelo próprio Lula, o ex-ministro e jurista Nelson Jobim proferiu a definitiva sentença:
“Os idiotas perderam a modéstia. E nós temos de ter tolerância e compreensão também com os idiotas, que são exatamente aqueles que escrevem para o esquecimento”
E para os maniqueístas em geral, que desde a queda do ministro têm lembrado como eram bons os tempos de quando o Jobim era o Tom, fica o vaticínio do eterno maestro Antônio Brasileiro:
“Sucesso, no Brasil, é ofensa pessoal”