Convite
- Autor do post:Aluysio Abreu Barbosa
- Post publicado:5 de agosto de 2011 - 20:00
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Ainda em relação às mudanças na Saúde, a partir da posse do vice-prefeito Chicão de Oliveira na recém-criada Fundação Municipal de Saúde, segue abaixo a transcrição de um excelente e didático artigo que o jornalista Ricardo André Vasconcelos publicou aqui e o blog pediu licença para transcrever.
Diferente de muito blogueiro local que bate no peito para proclamar uma independência tão desprovida de senso de ridículo quanto à do Brasil pelas mãos do princípe herdeiro de Portugal, Ricardo não precisa de nenhum brado de afirmação, às margens do Ipiranga ou do Paraíba do Sul, daquilo que de fato é. E tanto numa característica, quanto na outra, é um dos poucos, muito poucos, que este blogueiro conhece.
Abaixo, seu texto…
O desafio do vice
Nunca na história deste município um vice-prefeito teve tanto poder quanto o atual, Dr. Chicão, que hoje foi empossado na poderosa (e ainda nebulosa) Fundação Municipal de Saúde, que é formada a partir da fusão das fundações João Barcelos Martins e Geraldo da Silva Venâncio, mantenedoras dos hospitais Ferreira Machado e Geral de Guarus, respectivamente.
A FMS será responsável, também, pela gestão de mais 6 unidades de saúde da rede de urgência e emergência 24h do município e pelo Hemocentro Regional. Somando ao poder, que está sendo esvaziado, da Secretaria de Saúde, onde está um afilhado do vice-prefeito, Paulo Hirano, tem-se, pela primeira vez o comando de uma área tão grande e tão importante nas mãos de um vice-prefeito.
Antes dele, nos últimos 30 anos, apenas Wilson Paes foi tão bem tratado assim pelo chefe do executivo. Vice de Raul Linhares, Wilson Paes ganhou um ano de mandato (1982), com a renúncia do titular um ano antes do fim do mandato. Depois de Raul veio uma sucessão de vices na geladeira. Zezé Barbosa (1983-1988) não deixou o vice, Waldebrando Silva, governar nem um dia e nem lhe deu função no governo.
Adilson Sarmet, vice no primeiro governo Garotinho, parecia ter destino diferente. Afinal, como médico respeitado, foi o grande avalista para eleição do radialista que era visto com muita desconfiança pela classe média e elites da época. No início do governo, Sarmet foi nomeado diretor do Hospital Ferreira Machado, ainda em fase de reabertura. A lua de mel durou pouco e uma crise, justamente na Saúde, fez o prefeito demitir o vice do cargo para o qual o nomeara. A partir daí azedaram para sempre as relações entre ambos. O rompimento, no entanto, não impediu Adilson Sarmet de assumir o governo, por uma semana, durante uma viagem de Garotinho ao Japão.
O sucessor de Garotinho, Sérgio Mendes (1993/1996), até que tentou dar uma boa fatia de governo ao vice, Amaro Gimenes, e criou a Secretaria de Infraestrutura, agregando as pastas de Obras, Serviços Públicos e Transportes. Durou pouco pela falta de operacionalidade e o vice passou o resto do governo discretamente.
No segundo governo Garotinho (que durou um ano e cinco meses), o vice, Arnaldo Viana, ocupou as secretarias de Saúde e Governo. Uma relação sem sobressaltos, até mesmo porque foi um governo que começou já em campanha pelo Governo do Estado. A prioridade era, portanto, outra…
Eleito em 2000, Arnaldo Vianna teve Geraldo Pudim como vice e a convivência durou até 2002, quando o prefeito rompeu com o antigo chefe. Pudim chegou a assumir o governo durante um período em que Arnaldo afastou-se para tratamento de saúde.
Quanto a Carlos Alberto Campista e Toninho Viana, eleitos prefeito e vice em 2004, não há registro do relacionamento porque foram cassados cinco meses após a posse.
Alexandre Mocaiber, eleito nas eleições suplementares de 2006, praticamente não conviveu com o vice, Roberto Henriques, por incompatibilidade surgida nos primeiros meses de governo. Afastado por decisão da Justiça Federal em 11 de março de 2008, Mocaiber foi substituído por Henriques por 43 dias. Foi, então, o vice-prefeito que mais tempo governou, desde Wilson Paes.
Chicão, primo-irmão do marido da prefeita, com o comando da saúde nas mãos, pode se credenciar à sucessão de Rosinha em 2012, caso consiga equacionar os difíceis problemas da área de saúde. No entanto, também pode ser “queimado” se não conseguir fazer nada que mude o atual quadro, como por exemplo, a falta de tratamento oncológico no município. Uma vergonha para uma cidade com um orçamento anual de R$ 2 bilhões.
Centenas de campistas são obrigados a se deslocar para o Rio, Itaperuna e Vitória em busca de um tratamento que Campos inexplicavelmente (talvez a incompetência explique) não oferece aos seus contribuintes. Muitos já morreram, inclusive, vítimas das estradas assassinas.
Se Chicão ganhou um presente ou uma armadilha, logo veremos.
Após o artigo ter sido publicado no “Eu penso que…”, este blogueiro lembrou e o Ricardo corrigiu a informação relativa à aludida ausência de tratamento oncológico no município, posto que, desde o dia 11, o IMNE retomou em Campos seu atendimento de radioterapia pelo SUS.

Ao conversar hoje, pela manhã, com um profundo conhecedor da Saúde de Campos e região, impossível deixar de registrar sua revolta com os dois fatos ligados ao setor, ocrridos ontem e reunidos hoje na primeira dobra da capa da edição impressa da Folha.
O primeiro, dando conta da atitute do secretário de Saúde Paulo Hirano, não só ao negar um atraso no repasse aos cinco hospitais conveniados da cidade (Santa Casa, Beneficiência, Plantadores, Álvaro Alvim, João Viana), como na afirmação de que não seria uma obrigação da municipalidade manter os pagamentos por serviços prestados e acordados em contrato.
O segundo assunto, fartamente noticiado na mídia há três dias, foi a assunção ontem do vice-prefeito, Chicão de Oliveira, da Fundação Municipal de Saúde (FMS), criada para unificar o controle das fundação João Barcelos Martins (antes responsável pelo hospitais Ferreira Machado, São José, de Travessão, de Ururaí, de Santo Eduardo e dos PUs da Saldanha Marinho e de Guarus) e Geraldo Venâncio (do Hospital Geral de Guarus).
Em relação às declarações de Hirano, a fonte da Saúde fez a analogia do inadimplente que não salda em dia suas dívidas e ainda ameaça ao contestar sua obrigação de continuar pagando o previamente acordado.
Já em relação à escolha de Chicão, o questionamentos se dá pela fusão das duas Fundações para legar a uma só pessoa, intimamente ligada ao casal Garotinho, o controle orçamentário — e, por conseguinte, do bolso dos servidores das oito unidades de saúde municipais— que antes cabia a Ricardo Madeira e Edson Batista, agora, respetivamente, apenas diretores do HFM e do HGG.
E, em relação tanto a uma impressão, quanto à outra, a fonte garantiu que são ambas correntes no meio de quem milita com Saúde em Campos.
Mas o que isso tudo quer dizer à nível prático? O blogueiro foi buscar no orçamento aprovado para 2011 e encontrou as previsões de R$ 44,563 milhões à secretaria de Saúde, de R$ 209 milhões à Fundação Municipal de Saúde, de R$ 149,724 milhões à Fundação Barcelos Martins e de R$ 93,067 milhões à Fundação Geraldo Venâncio.
Com base apenas nessas cifras previstas para 2011, sem contar os milionários recursos repassados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), as suplementações aprovadas e a aprovar pela Câmara Municipal e os eventuais remanejamentos orçamentários, significa dizer que, a partir de agora, fica assim: Paulo Hirano controla anualmente R$ 253,563 milhões (secretaria mais Fundo de Saúde), cabendo a Chicão, R$ 242,791 milhões (ou o que restou disso para o resto do ano) pela união das duas Fundações.
Por mais redundante que possa parecer, não custa lembrar que essa divisão quase exata, tirando milhão pra cá, milhão pra lá, é de dinheiro público.
Por Thiago Andrade
O ex-prefeito de Campos, Sérgio Mendes, venceu o pleito municipal em 1993 aos 32 anos e saiu do governo em 96, enfrentando duas CPIs capitaneadas pelo ex-aliado Anthony Garotinho. Na época, os dois eram do PDT e caminharam juntos na campanha. Agora, aos 50 anos, Sérgio é presidente do Diretório Municipal do PPS e um dos nomes que fortalecem a Frente Democrática de Oposição na tentativa de impedir que o grupo do atual deputado federal Anthony Garotinho (PR) consiga a sucessão na Prefeitura de Campos. Sérgio define a administração da prefeita Rosinha Garotinho como vazia, de improviso e sem planejamento para o futuro. “Eles não têm prioridades na administração, estão apenas interessados em esculhambar governos alheios para tomar as Prefeituras da região. Com isso, praticam a política do isolacionismo e fazem de Campos um município cada vez mais atrasado”.

Folha — Você foi prefeito de Campos de 1993 a 96. Como foi sua administração e qual sua opinião sobre a administração atual?
Sérgio Mendes — Comecei na política ainda nos movimentos estudantis, na década de 80. Participei do primeiro governo do Garotinho, de 89 a 92, como secretário de Governo, presidente da Empresa de Habitação e secretário de Governo. Depois, aos 32 anos, fui eleito prefeito. A arrecadação anual naquela época era de R$ 75 milhões, nos quatro anos foi de mandato foi de R$ 350 milhões. Atualmente, por mês, são R$ 166 milhões, o que dá R$ 5,5 milhões por dia. Tínhamos o ideal, e fizemos, políticas concretas e estruturantes para Campos. Fizemos um movimento para que as empresas que exploravam o petróleo deixassem o ISS em Campos. Elas atuavam aqui, mas o escritório de muitas ficava em outras cidades. Deixamos isso encaminhado, mas os prefeitos que vieram depois não deram continuidade. Além de lutar para que a Petrobras trouxesse o gás para Campos. Outro ponto também foi a implantação da Uenf, em 1993 e rompemos o contrato com a Cedae (Companhia Estadual de Águas e Esgotos), que abastecia muito mal a cidade, com água de péssima qualidade. Abrimos a concorrência pública e a Águas do Paraíba entrou, com planos e metas para resolver a questão do saneamento. Não tem sentido o que está sendo feito: Campos é o maior município do Rio e não tem planejamento. A cidade cresce verticalmente e no Centro, isso estrangula o município, acaba com a ventilação e com a parte histórica da cidade.
Folha — A falta de planejamento seria então a principal diferença entre os governos?
Sérgio Mendes — Falta muito planejamento. Por dia, o município recebe mais de R$ 5 milhões. É claro que não tem foco ou visão de futuro. Essa é a verdade. É um governo de improviso e consegue ser assim mesmo com toda experiência que o casal possui. As casas populares têm uma tomada de preço de R$ 357 milhões arredondados. Desse número, foram pagos R$ 235 milhões no ano passado à empresa e só pouco mais de 700 casas entregues, de um total de 5.100. No início da Frente Democrática, no fim do ano passado, apertamos com cobranças e eles entregaram mais algumas. Agora acho que está em torno de 1.100. A alegação é que a infra-estrutura era mais cara, por isso pagaram mais, agora é a parte de alvenaria e seria mais barata, o que não é verdade. O Ministério Público pode entrar em ação. Afirmo, vai chegar na campanha e não entregam todas. Por falta de planejamento financeiro. É inominável o que fazem com a educação de Campos. Ficamos em penúltimo lugar do estado no Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Base) no ano passado. O município é rico, mas não adianta reformar prédios se não investirmos na alma da educação e no corpo docente. Os professores estão nas ruas com movimentos pedindo melhorias. Todo mundo sabe dessa situação. Não há determinação nem vontade política. O governo não tem prioridades. O programa Navegar é Preciso, que levaria internet para a população, está parado por que não interessa que o povo tenha acesso à internet. O líder deles sabe que a rede virtual é uma arma na mão do povo e ele quer frear isso. A internet tem força pra fiscalizar os governos, até mais do que os poderes instituídos. Pra quem tem vocação para Hugo Chávez isso não interessa, por isso pararam. Não estão preocupados com o povo, mas sim apenas com obras suntuosas como o sambódromo. Vão dizer que Sérgio Mendes é contra a felicidade do povo, mas temos que ter prioridades como saúde educação em dia.
Folha — Você falou em falta de metas e prioridades políticas. Quais os problemas que um governo desse tipo pode acarretar para o município?
Sérgio Mendes — A forma como esse grupo faz política está provocando o isolacionismo da nossa cidade. Não estou aqui defendendo A ou B, mas o casal esculhamba o governo de Carla Machado (prefeita de São João da Barra), mas querem só tomar a cadeira dela. Fazem isso com Quissamã, Macaé, com o governador, mas não estão preocupados com nenhum desses municípios ou com o Rio de Janeiro, querem apenas tomar as cadeiras desses prefeitos e do governador. Uma coisa é a campanha, você tem adversários e quer mostrar para a população as diferenças e o que você pode fazer de bom pela cidade. Acabou a campanha, temos que agir republicanamente, sentar à mesa com todos e discutir parcerias. O Porto do Açu vai ser uma explosão de crescimento para toda a região. Campos poderia liderar um movimento unindo todos, sem política belicosa, baixa, mesquinha. A estrada vai sair de lá e passar pelos municípios, temos que pensar na macro-região que será criada. Falta equilíbrio e serenidade. Isso atravanca nossa cidade, traz prejuízos enormes para nós.
Folha — Sobre a Frente Democrática, acha que seu nome pode ser um dos escolhidos para disputar a eleição? Como está a coligação neste momento: fortalecida e coesa ou acha que muita coisa pode acontecer, como um racha, até o ano que vem?
Sérgio Mendes — É importante ressaltar que os partidos políticos constituídos têm obrigação de representar e atuar como a vanguarda da cidade. Longe de mim ter a pretensão de que nós somos os donos da verdade. O que temos é a obrigação histórica de fiscalizar e denunciar os desmandos que estão acontecendo e, paralelamente, temos que ser agentes provocadores de novas discussões sobre: onde estamos, porque estamos caminhando desta forma e para onde queremos levar Campos dos Goytacazes? Muitas vezes, sem querer usurpar o poder de fiscalização da Câmara Municipal, dos Ministérios Públicos Federal e Estadual, temos contribuído para que as irregularidades e/ou ilegalidades administrativas não sejam varridas para debaixo do tapete. O convívio semanal, permanente, com os membros da Frente tem nos fortalecido enquanto grupo, sobretudo, de uma forma democrática, tem nos apontado rumos para caminharmos na mesma direção, em virtude do bem comum, da coletividade.
Folha — Alguma idéia do por que o seu nome não está na lista do Precisão? Acha que pode ser uma surpresa nas eleições de 2012 e aparecer como um nome forte contra o casal Garotinho?
Sérgio Mendes — Eu rompi com este grupo que está no poder há 16 anos, ao contrário do que disseram na minha sucessão, na eleição de1996, eu anulei o meu voto porque não acreditava mais em quem estava me sucedendo. Já tinha a convicção, de que aquele pseudo-líder, que estava subindo meteoricamente, tinha um projeto muito mais pessoal do que coletivo. Fui incompreendido, execrado publicamente. Abriram ao longo destes anos, duas CPIs contra nosso governo, e nada, absolutamente nada, ficou provado contra mim. Porém, ele atingiu seu objetivo politicamente, que foi me desgastar perante a opinião pública. Pois bem, feito isto, a vontade dele, era que eu me acovardasse, e saísse da cidade. Mas, sempre tive minhas convicções, e sabia que “a justiça tarda, mas não falha”. Hoje, talvez eu não esteja figurando nesta pesquisa, feita pelo instituto Preci$ão, porque o menino da Lapa, no seu subconsciente, quer ainda me riscar do mapa municipal. Eu, com certeza, sou um dos poucos que rompi e nunca mais voltei a recompor com este grupo. Olha que não foi por falta de convites. Agora, muito mais importante do que ser esse nome forte para a sucessão do casal, é participar da promoção de um debate altivo, discutir idéias, tentar elevar o tom político do nosso município. Precisamos dar uma demonstração de civilidade, de respeito aos adversários.
Folha — Já fez ou pretende fazer algum tipo de pesquisa de opinião para saber a aceitação do seu nome entre a população de Campos? Teme algum tipo de rejeição que possa derrubar sua candidatura antes mesmo dela nascer?
Sérgio Mendes — Esta não pode ser efetivamente a nossa preocupação, nem a tônica do nosso comportamento. Temos que entrar neste jogo democrático, conforme afirmei na resposta anterior, com espírito público, com vontade de contribuir para políticas públicas de qualidade. De uma forma, ou de outra, vamos olhar nos olhos dos nossos adversários, do nosso povo, e afirmar que é possível andar por um caminho de desenvolvimento econômico, social, sobretudo com sustentabilidade, de uma forma absolutamente responsável. Feito isto, já estaremos cumprindo o nosso papel histórico. Por último, devo afiançar que qualquer pesquisa quantitativa, hoje, é muito prematura. O importante neste momento é uma pesquisa qualitativa, que vai nos dar uma idéia do sentimento de todas as camadas sociais da população. Ela sim poderá nortear os nossos rumos. No mais, o que se divulgou recentemente, no meu ponto de vista, é marketing dos desesperados.
Folha — O deputado federal Anthony Garotinho disse que “a Frente cabe toda dentro de uma van”. O senhor acredita que a coligação pode levar a melhor sobre o casal Garotinho? E quanto aos vereadores? Garotinho disse que a oposição vai fazer “apenas quatro ou cinco”.
Sérgio Mendes — A sabedoria popular me encanta muito, e ela diz: “Ninguém atira pedras em árvores que não dá bons frutos”. Dito isto, devo aconselhar ao menino da Lapa, sem querer ser pretensioso, que aprendi com as lições da vida, que a arrogância, a soberba, a presunção, cegam os homens, de bem, é claro. Todos têm o direito de arriscar palpites, faltando um ano e três meses para as eleições, porém política não é matemática exata. Talvez serenidade e bom senso não sejam o forte desse pseudo-líder tupiniquim.
Folha — Garotinho disse que sua administração foi a pior dos últimos tempos em Campos. Qual sua relação com o deputado e qual a opinião sobre as administrações dele na município?
Sérgio Mendes — Respeito profundamente a opinião dele. Como dizia o saudoso Nelson Rodrigues: “toda unanimidade é burra”. Mas, no meu ponto de vista, ele deveria estar mais preocupado com o governo da prefeita cantora. Temos acompanhado a falta de planejamento estratégico e financeiro deste governo. Estratégico, porque da forma que eles se comportam, geram o isolamento total da nossa cidade. Infelizmente, seu “sonho de consumo” é mesmo ser o Hugo Chávez regional. Até porque a ambientação é muito propícia, na medida em que os municípios produtores de petróleo poderiam, com certeza, figurar hoje, na Opep (Organização dos Países Produtores de Petróleo). Só que devo lembrar a este cidadão, que Hosni Mubarak (ex-ditador do Egito) já está no banco dos réus, Pinochet no Chile já teve o mesmo caminho, Sadam Husseim teve um final mais trágico, enfim, todos os ditadores foram para a lata de lixo da história. Financeiro, porque é inadmissível que uma cidade que arrecada quase R$ 2 bilhões esteja experimentando amargamente atraso nos pagamentos de entidades sociais. Da mesma forma, empreiteiras parando obras porque não recebem suas medições, inclusive com a afirmação do Presidente do Sindicato da Construção Civil, de demissão de mais de 2.000 trabalhadores. Onde está esse dinheiro? Com a palavra a prefeita cantora. Ela nos deve esta satisfação pública, sincera, sem tergiversar. Ou talvez os Ministérios Públicos Estadual e Federal possam dirimir nossas indagações. Gostaria de deixar para nossa reflexão, uma estrofe da “Marcha da Quarta-Feira”, composta pelo poetinha Vinícius de Moraes e Carlos Lira: “E no entanto é preciso cantar, mais que nunca é preciso cantar, é preciso cantar e alegrar a cidade”. Talvez seja este o pensamento da prefeita cantora.
Após sua importante vitória na votação e aprovação da LDO, no último dia 28, a prefeita sanjoanense Carla Machado abriu aqui, no blog do Esdras, a possibilidade de diálogo com a oposição na Câmara, sobretudo com Gersinho, presidente da Casa, que pertence ao seu partido. O blogueiro se interessou em conhecer a resposta, estendida nas circunstâncias apresentadas pelo vereador, inclusive às possibilidades dele se lançar por outro partido, numa candidatura alternativa à Prefeitura, em 2012…

Diálogo com Carla — A Câmara sempre pregou o diálogo. Nós dois somos do mesmo partido, mas isso pode tanto unir, quanto às vezes impedir. O que ela sinalizou para o Esdras, a Câmara já vem sinalizando para ela há muito tempo.
Ressentimentos antigos — Nas duas vezes que tentei ser presidente da Casa, meu diálogo com Carla não adiantou, e ela fez o Neco (na Legislatura passada). Na primeira (2005/06), até entendi, porque ela tinha uma dívida política com o Neco, mesmo que eu tenha sido o vereador mais votado, critério que tínhamos combinado para definir o presidente. Mas na segunda (2007/08), que ela havia combinado que seria eu, Carla antecipou a eleição da Mesa Diretora, com votação na véspera do Carnaval, sem avisar a mim ou ao Alexandre, e fez o Neco de novo.
Revanche — Na eleição municipal de 2008, depois do resultado, quando já sabia que tinha sido o candidato mais votado, Neco quis fazer uma lei para usar isso como critério oficial da escolha do presidente do biênio seguinte (2008/09), para ficar pela terceira vez. Eu e Alexandre derrubamos isso na Justiça.
Da situação à oposição — Fizemos uma reunião com os vereadores (da situação) Jonas (PMDB) e Aluizio Siqueira (PTB), propondo o sorteio para definir o presidente, mas sem o Neco, que já tinha sido duas vezes. Carla não aceitou. Aí, eu e Alexandre nos juntamos aos vereadores da oposição: Franques (PDT), Kaká (PDT) e Camarão (PPS).
Oposição sistemática — Elegemos Alexandre (2009/10), mas mesmo assim, dissemos que não iríamos fazer oposição sistemática à prefeita. Ela não aceitou porque disse que era uma vitória de Alexandre, não dela. Aí, viramos oposição mesmo.
Enfim, a presidência — Nós cinco havíamos combinado que eu seria o presidente no biênio seguinte (2011/12), já que os outros três da oposição, diferentes de mim e de Alexandre, eram vereadores de primeiro mandato.
Ressentimentos recentes — Em 2011, os vereadores governistas entraram com um requerimento para me destituir do cargo de presidente. Agora, entraram no Ministério Público contra mim por improbidade administrativa. Para qualquer evento oficial da Prefeitura, eu não sou convidado, mesmo sendo presidente da Câmara e do mesmo partido.
Possibilidade de reconciliação — Não diria que é impossível, mas que é difícil, é. Eu jamais ficaria a favor do que foi feito nas desapropriações com o pessoal do 5º distrito, que é meu reduto eleitoral. Não há mais confiança. Grupo político é como casal: se não há confiança, que se separe. Pode até se reconciliar, mas desde que volte a confiança.
Candidatura à Prefeitura — Todo jogador sonha em chegar à Seleção. Acho que tenho chances, sim, de ser candidato (a prefeito) pelo PMDB (em 2012). Há cerca de 15 dias, estive com (Jorge) Picciani (presidente estadual do PMDB), no Rio, e fui muito bem recebido e tratado.
Candidatura a prefeito por outro partido — Sou fiel ao PMDB, como fui fiel ao PDT no passado. Temos que esperar as coisas acontecerem. Minha decisão pode ser tomada até 6 de outubro. Até lá, são mais de dois meses. O PP do (senador Francisco) Dornelles pode ser uma opção, entre vários outros partidos.
Oposição na Câmara com candidatura alternativa — Li no seu blog que Wladimir fechou com Betinho para prefeito. Assim mesmo, Kaká e Camarão ficariam fechados comigo. Franques, embora do grupo, realmente é mais ligado a Betinho.

“Se Makhoul aceitar o convite que lhe fizemos, lógico que eu abro mão, em favor dele, da candidatura do PT à Prefeitura em 2012. Meu projeto não é pessoal, mas de partido. E Makhoul é um nome de consenso dentro do PT”. Foi o que a vereadora Odisséia Carvalho garantiu agora há pouco ao blogueiro, confirmando tanto a possibilidade de disputar a reeleição na Câmara em 2012, quanto a revelação do convite petista ao seu ex-candidato nas eleições majoritárias de 2004 (33.628 votos, em 4º lugar) e 2006 (na 3ª posição, com votação de 23.508,)
A vereadora considera que Makhoul não só é um nome novo entre aqueles que vinham sendo especulados na oposição, como também agrega um patamar eleitoral já consolidado pelas recentes corridas à Prefeitura que disputou, característica que divide com Arnaldo Vianna (PDT) e Odete Rocha (PCdoB). Um dos três pré-candidatos do PPS, Sérgio Mendes também já disputou (e conquistou) o Executivo municipal, mas na década retrasada (1992/96), com residual bem mais remoto na mente do eleitorado.
Segundo revelou Odisséia, o contato inicial com Makhoul partiu do advogado Edinho Rangel, sendo depois participado a ela, ao presidente Eduardo Peixoto, ao Marcão (líder do grupo de Renato Barbosa) e ao Hélio Anomal. Posteriormente, a vereadora e Eduardo conversaram pessoalmente com o ex-petista, reiterando o convite ao seu retorno com vistas à mais uma disputa para prefeito.

Sempre bem informado, o jornalista e blogueiro Saulo Pessanha revelou aqui que a vereadora petista Odisséia Carvalho, no lugar de uma candidatura à Prefeitura de Campos, vai mesmo tentar a reeleição na Câmara Municipal em 2012. Usando do mesmo pragmatismo que deu ao seu grupo a hegemonia no PT de Campos, a decisão não está incorreta, ao declinar da condição de franco-atiradora no enfrentamento direto contra a prefeita Rosinha, optando pelas chances menos arriscadas de manter em seu partido um mandato legislativo que, segundo Geraldo Pudim afirmou aqui, foi conquistado com os votos pessoais do saudoso vereador Renato Barbosa.
Embora a vaga na disputa da Prefeitura, caso o PT decida mesmo lançar candidatura própria, baste para reacender os delírios natimortos dos aloprados locais do partido, no plano real de quem tem garrafas para vender, sobem as chances de Hélio Anomal, candidato a vice de Arnaldo Vianna em 2008. Todavia, o mesmo nome que Carla Machado já havia convidado para ingressar no PMDB de Campos, também já foi sondado por Odisséia e seu marido, Eduardo Peixoto, para ingressar nas hostes petistas, com o mesmo objetivo: dotar a legenda de um nome com residual eleitoral na disputa majoritária.
A pedido da fonte, o blogueiro havia mantido seu anonimato, mesmo após confirmar desde a última sexta (aqui), com Carla Machado, o convite que ela lhe fez. Com a informação desse outro convite, feito também pelos petistas, a autorização devida foi dada para nomear essa outra possibilidade, não de ingresso, mas de REingresso. O fato é que o PMDB de Carla e o PT de Odisséia e Eduardo querem Makhoul Moussalém.

Atrasos no pagamento de obras, nos repasses aos hospitais conveniados e às instituições assistenciais? Prefeitura de orçamento bilionário e sem dinheiro? Qual o motivo possível?
Ainda as emendas individuais que teriam sido concedidas generosamente aos vereadores, apaziguados em uníssono na gestão interina de Nelson Nahim na Prefeitura? Algo a ver com a saída ainda nebulosa de Francisco Esquef da secretaria municipal de Finanças? Tentativa de fazer caixa para gastar em dobro em 2012, ano em que a prefeita tentará a reeleição?
Segundo uma fonte do primeiro escalão da administração Rosinha, nada disso! O motivo real, londe das atenuantes farsescas que os governistas encenam aos olhos do povo e da mídia, é muito mais elementar: a Prefeitura simplesmente já teria gasto praticamente todos os R$ 1,9 bilhão previstos para durar por ainda mais cinco meses.
É a mesma fonte que diz não entender porque o governo ao qual integra simplesmente não admite isso diante do dono de fato da grana: nós, o respeitável(?) público.
“Uma coisa é certa: vice eu não serei. Muito menos candidato a vereador, o que romperia meu compromisso com os pré-candidatos ao Legislativo que me apoiaram internamente”. Foi o que garantiu ao blogueiro o ex-prefeito e atual secretário de Educação de Quissamã, Arnaldo Mattoso (PMDB), preterido pela vereadora petista Fátima Pacheco na disputa interna da pré-candidatura da situação à eleição majoritária de 2012, a partir da pesquisa do IBPS, que teve alguns números revelados no post anterior.
Confirmando o que prefeito Armando Carneiro havia dito antes ao blog, Arnaldo reagiu com aparente elegância diante da definição interna desfavorável:
— Reconheço o resultado e tenho um compromisso com Armando. E este compromisso pressupõe que eu apóie a candidata definida pelo grupo a partir da pesquisa. Participei da definição deste critério e acompanhei todo o processo. Se não questionei antes, não posso fazê-lo agora. O momento requer muita tranquilidade — disse Mattoso, revelando ainda desconhecer a informação de que a primeira dama e secretária de Saúde de Quissamã, Alexandra Moreira, tenha tido qualquer interferência no processo de escolha.
Em relação à pesquisa do Instituto Brasileiro de Pesquisa Social (IBPS), coordenada pelo cientista político Geraldo Tadeu, professor da Uerj, ouvindo mil pessoas em Quissamã, nos dias 18 e 19 de julho, visando o pleito majoritário de 2012, o blogueiro teve acesso a alguns números, passados por telefone pelo prefeito daquele município, Armando Carneiro (PSC). Embora só tenha revelado os percentuais atingidos por seus então dois pré-candidatos, a veredora Fátima Pacheco (PT) e o ex-prefeito e secretário de Educação Arnaldo Mattoso (PMDB), que fizeram definir seu apoio desde já pela primeira, Armando admitiu que o ex-prefeito Octávio Carneiro (PP) lidera as amostragens espontânea e estimulada. Abaixo, o que foi revelado ao blog…

Na verdade, através da sua assessoria, Armando Carneiro entrou em contato com o blogueiro para questionar alguns pontos da matéria publicada hoje, na edição impressa da Folha, noticiando a definição de Fátima Pacheco como sua pré-candidata em 2012, a partir da pesquisa do IBPS. A ressalva do prefeito se centrou, sobretudo, na informação que creditava a escolha também a uma opção pessoal da secretária de Saúde e primeira dama daquele município, Alexandra Moreira.
Embora não assinada, a matéria foi apurada e redigida pelo editor de Política da Folha, Cilênio Tavares, profissional da maior competência e seriedade, com passagem de destaque em outros jornais, como os extintos A Cidade e Monitor Campista, além do carioca O Dia. Sigilo de fonte, como o blogueiro explicou ao prefeito, é uma garantia constitucional. De qualquer maneira, ao ter o cuidado de colocar a susposta intervenção pessoal de Alexandra na condicional, o repórter abriu a devida margem ao contraditório, reforçada hoje não só pela negação veemente de Armando, como no desconhecimento dessa versão por parte do próprio Arnaldo Mattoso, também ouvido pelo blog.
Em relação à pesquisa, o prefeito esclareceu que, embora a alternância entre Fátima e Arnaldo, nos números entre espontânea e estimulada, aponte para o equilíbrio, o que definiu a escolha da primeira pré-candidata foram as possibilidades de crescimento de ambos a partir dos índices de rejeição, na qual o secretário de Educação apareceu com diferença negativa de 10,1% em relação à concorrente. Ainda segundo Armando, este foi o raciocínio do cientista político Geraldo Tadeu na exposição da pesquisa feita ao vice-governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) e ao ministro da Pesca, Luiz Sérgio (PT), que levou os quatro a se definirem conjuntamente pela vereadora do PT.