Holanda enquanto Robben não vem…

Com quatro jogadores, entre os 14 que utilizou, atuando no futebol holandês, a Dinamarca não deu vida fácil à Holanda, na estréia desta que muito apontam (inclusive este blogueiro) como uma das favoritas ao Mundial. Mas, após um primeiro tempo de marcação impecável, onde até produziu, em contra-ataques, mais chances reais que os holandeses para abrir o marcador, um gol contra do lateral-esquerdo Simon Poulsen (que joga no AZ Alkmaar, da Holanda), logo aos 40 segundos da etapa final, obrigou a Dinamarca a ter que sair para o jogo.

Sem a qualidade técnica dos tempos dos irmãos Laudrup (Michael e Brian), a seleção escandinava acabou abrindo espaços para o futebol de toques rápidos, deslocamentos e variações táticas que há mais três décadas caracteriza e faz girar o Carrossel Holandês. Aos 40 (minutos, não segundos), o meia Sneijder, com atuação apagada até então, deu uma excelente enfiada de bola para o jovem Elia, que havia entrado para cair pela esquerda. Ele deslocou seu marcador com um drible de corpo ao cortar para o meio, entrou na área e colocou no canto oposto do goleiro Jorgensen. A bola bateu na trave direita e sobrou para Kuit,  ponta daquele lado, que vinha acompanhando a jogada o tempo todo e só precisou conferir.

Não deu para encantar como seus vizinhos alemães fizeram ontem, mas sobretudo pelo segundo gol, numa jogada típica do futebol ofensivo holandês, que mantém os velhos pontas abolidos em todos os demais cantos do globo, deu para se manter na ponta do Grupo E, enquanto o craque Robben não vem…

 

 

HOLANDA

SORENSEN — Duas defesas no primeiro tempo, em chutes de Rommedahl, aos 33, e de Kahlenberg, aos 36. NOTA 6.

VAN DER WIEL — No primeiro tempo, com a Dinamarca estava fechada, o jovem lateral-direito esteve entre as principais válvulas de escape da Holanda ao campo adversário. Na etapa final, ficou mais preso à defesa. NOTA 6,5.

HEITING — Deu conta da marcação, sobretudo depois que Bendter, grandalhão, mas habilidoso atacante dinamarquês, sentiu contusão e foi substituído, aos 16 do segundo tempo. NOTA 6.

MATHIJSEN — No mesmo nível do companheiro de zaga. NOTA 6.

VAN BRONCKHORST — Líder do time, completou hoje 100 jogos pela seleção holandesa, firme na defesa e tentando o apoio com as limitações de veterano. NOTA 6.

DE JONG — Cão de guarda do meio-de-campo da Holanda, às vezes com entradas duras, que lhe valeram um amarelo. NOTA 5.

VAN BOMMEL — Na etapa inicial, buscou furar a retranca dinamarquesa, se colocando como opção de saída de bola pela direita. Sumido no segundo tempo. NOTA 5.

SNEIJDER — Eleito melhor em campo por conta da preciosa enfiada para Elia, que gerou o segundo gol. No resto do tempo, atuou abaixo do esperado para o jogador holandês mais importante, na ausência de Robbie. NOTA 6.

KUIT — De fora da área, o ponta-direita deu o primeiro chute a gol do jogo, aos 9 minutos de jogo, defendido por Sorensen. Teve a inteligência de acompanhar a jogada tramada na esquerda, entre Sneijder e Elia, para pegar o rebote do chute deste, na trave direita, e marcar o segundo gol, aos 40 do tempo final. Três minutos depois, cruzou da esquerda para Afellay quase anotar o terceiro. NOTA 7,5.

VAN PERSIE — Foi dele a bola cruzada da esquerda, aos 40 segundos da etapa final, que Simon Polsen cabeceou, bateu nas cotas do zagueiro Agger e enganou o goleiro, no primeiro gol holandês. NOTA 6. Foi substituído, aos 31, por AFELLAY, que recebeu cruzamento da esquerda, de Kuit, e por muito pouco não marca o terceiro gol. NOTA 6.

VAN DER VAART — No primeiro tempo, caindo pela esquerda, buscou levar o time ao ataque, chegando a arriscar dois chutes a gol. No segundo, em bola cruzada da esquerda por Van Persie, bateu de primeira, obrigando o goleiro Sorensen a bonita ponte. NOTA 6. Foi substituído, aos 21 da etapa final por ELIA, que abriu o jogo na esquerda para aproveitar os espaços deixados pela Dinamarca, com habilidade e velocidade, recebendo de Sneijder a bola que mandou na trave, gerando o rebote que Kuit converteu no segundo gol. NOTA 7.

DINAMARCA

O destaque positivo ficou por conta do grandalhão, mas inteligente centro-avante BENDTER, que entrou no sacrifício, mas sentiu contusão e saiu, aos 16 do segundo tempo. NOTA 7.

 

Obs: Foto e texto foram originalmente postados no blog Folha na Copa (aqui)

Os pica-paus amarelos

Enquanto africanos e antigos iugoslavos, em nome do pragmatismo, optam por deixar no passado a poesia do seu futebol, segue uma foto que me foi mostrada hoje pelo Antonio Cruz, feita por ele em Macaé, que me lembrou versos gestados e paridos ao vento nordeste de Atafona, uma Copa atrás. Também os reproduzo aqui, numa metáfora com este fim de domingo de início de Copa, já que o blog dedicado à poesia, o Cantos, está com as atividades há algum tempo em recesso…

 

 

 

ornitologia

 

meninos eu vi

nas ruínas da marinha

dois pica-paus amarelos

 

um voou,

o outro ficou

pousado na cerca

 

o que voou

fez seu pouso

em monteiro lobato

 

atafona, 27/07/06 

 

Obs: Texto e foto foram publicados originalmente no blog Folha na Copa (aqui).

Bobeira da Sérvia, três pontos de Gana

Ao dar meus palpites para esta Copa, no último dia 10 (aqui), disse que as surpresas das anteriores costumavam sair da África ou do Leste europeu, embora tenha ressalvado que, na África do Sul, apostava numa seleção de outro continente para surpreender: os Estados Unidos. Pois se encerrou agora há pouco o primeiro confronto entre um time da África contra outro da Europa oriental: Gana x Sérvia, vencido pela primeira por 1 a 0, gol de pênalti, primeiro do Mundial, convertido aos 39 da etapa final pelo meia Gyan, eleito o melhor em campo.

Todavia, o que poderia ser um embate clássico entre duas escolas marcadas pela habilidade no trato com a bola, foi um jogo chato e de poucas emoções. Gana perdeu muito da qualidade que apresentou na última Copa, quando caiu nas oitavas-de-final, diante do Brasil, com o desfalque por contusão do craque Essien (Chelsea), antes do Mundial, enquanto espera pela recuperação de Muntari (Inter de Milão), que foi à África do Sul na esperança de recuperação, mas ontem ainda não entrou em campo. Por sua vez, desde as Eliminatórias, quando mandou a França à repescagem, a Sérvia optou pelo pragmatismo dos europeus do oeste, deixando de lado o jogo vistoso que sempre aproximou do futebol sul-americano os herdeiros da antiga Iugoslávia.

Num jogo podado em suas possibilidades de virtude, o resultado foi definido em dois erros da Sérvia. O primeiro, do zagueiro Lukovic, que até vinha fazendo boa partida, mas levou o segundo amarelo e foi expulso numa falta boba, aos 28 do segundo tempo, depois de segurar o braço de um adversário, ainda no meio-de-campo, em bola alta lançada em contra-ataque. A falha capital, no entanto, coube ao meia Kuznanovic, que havia entrado aos 16 da última etapa, para reforçar o ataque, mas acabou tirando com o braço outra bola alta, no canto esquerdo da sua área, cruzada em direção a Boateng, que talvez nem chegasse nela.

Com o favoritismo à primeira vaga do Grupo D para a Alemanha, que enfrenta daqui a pouco a zebra Austrália, o blogueiro já havia apostado em Gana na segunda vaga, mas não contava ser endossado por vacilos tão bobos dos sérvios.

 

 

Considerado o melhor em campo, o meia Gyan converteu o pênalti e garantiu a vitória de Gana sobre a Sérvia (foto: Fifa)
Considerado o melhor em campo, o meia Gyan converteu o pênalti e garantiu a vitória de Gana sobre a Sérvia (foto: Fifa)

 

 

GANA

KINGSON — Foi exigido em duas defesas, em chute de Stankovic, aos 38 do primeiro tempo, e de  Krasic, aos 32 da etapa final. NOTA 6.

PAINSTIL — O lateral-direito apoiou o ataque, principalmente em tabelas com Tagoe. Ficou mais na defesa após a entrada de Lazovic, que entrou para jogar na esquerda. NOTA 6,5.

VORSAH — Marcou bem o grandalhão Zigic, centro-avante sérvio. NOTA 6,5.

MENSAH — No mesmo nível do companheiro de zaga. NOTA 6,5.

SARPEI — O lateral-esquerdo apoiou, mesmo com o meia Krasic caindo os 90 minutos pela direita do ataque sérvio. NOTA 6,5.

ANNAN — Atuou como primeiro volante no combate e saída de bola. NOTA 6.

PRINCE BOATENG — Tentou levar seu time à frente, com muita disposição física, mas sem tanta habilidade. NOTA 6. Foi substituído, aos 45 do segundo tempo, por ADDY. SEM NOTA.

AYEW — Atuou na ligação com o ataque, dando duas cabeçadas a gol. NOTA 6,5.

GYAN — Autor do gol de pênalti e considerado o melhor em campo, o meia-atacante ainda acertou duas vezes a trave. NOTA 7. Já nos acréscimos, foi substituído por ABEYE. SEM NOTA.

TAGOE — Sozinho ou em triangulações com Painstil, comandou as ações ofensivas de Gana, sobretudo pela direita. NOTA 6.

AZAMOAH — O meia-atacante buscou o jogo, bateu escanteios e faltas, mas ontem não estava em dia inspirado. NOTA 6. Saiu aos 27 da segunda etapa para a entrada de APPIAH, habilidoso meia, mas que ainda não se mostrou recuperado após sofrer com lesões nas duas últimas temporadas. NOTA 5.

 

SÉRVIA

STJOKOVIC — Até o pênalti, só apareceu num soco, em cobrança de escanteio. NOTA 5.

IVANOVIC — Tentou apoiar, mas teve que se cuidar com as subidas de Sarpei. NOTA 6.

VIDIC — Considerado um dos melhores zagueiros do mundo, falhou em cabeçada de Ayew. NOTA 5.

LUKOVIC — Não vinha mal, até tomar o segundo amarelo, em falta infantil. NOTA 3.

KORALOV — Mesmo com Painstil e Tagoe por seu lado, o lateral apoiou o ataque. Apareceu também em cobranças de falta. NOTA 6,5.

STANKOVIC — Veterano que atua no futebol italiano em todas as posições do meio-campo, hoje jogou atrás, na saída de bola da Sérvia. Depois do 1 a 0, tentou encostar no ataque, mas já era tarde demais. NOTA 5.

MIJILAS — Atuação apagada na marcação e criação. NOTA 4. Foi substituído, aos 16 do segundo tempo, por KUZMANOVIC, autor do pênalti bobo que definiu o jogo. NOTA 2.

KRASIC — Incansável na ligação do meio com o ataque, sempre pela direita. Teve a melhor chance da Sérvia, aos 32 do segundo tempo, mas Kingson defendeu o chute. NOTA 6,5.

JOVANOVIC — Atuou como volante no primeiro tempo e meia-esquerda no segundo. NOTA 5. Após a expulsão de Lukovic, foi substituído por SUBOTIC, para recompor a zaga. NOTA 5.

PANTELIC — Atacante de movimentação, mas não muita habilidade. NOTA 5.

ZIGIC — Com 2,02m, é o típico pivô, que hoje teve dia de poste. NOTA 3. Foi substituído, aos 23 do tempo final, por LAZOVIC, que caiu pela ponta-esquerda, de onde cruzou a bola para o chute de Krasic, na melhor chance da Sérvia. NOTA 6.

 

Obs: O texto foi postado anteriormente no blog Folha na Copa (aqui). 

ARGENTINA

ROMERO — O ataque da Nigéria deu pouco trabalho. Duas intervenções no primeiro tempo e uma no segundo. NOTA 6.

GUTIÉRREZ — O lateral-direito apoiou mais o no 1º tempo. No 2º, com as entradas de Martins e Odemiwingie, para explorar as pontas, ficou mais preso na marcação. NOTA 6.

DEMICHELIS — Zagueiro pelo lado direito, teve atuação segura, facilitada pela falta de incisão do ataque nigeriano. NOTA 6.

SAMUEL — No mesmo nível do companheiro de zaga. Apresentou-se ao cabeceio na área nigeriana em dois ecanteios. NOTA 6,5.

HEINZE — Jogou como terceiro zagueiro, deixando a lateral-esquerda para Di Maria. Com uma cabeçada forte e precisa, marcou o único gol do jogo. NOTA 7.

DI MARIA — Mais preso à marcação, se apresentou no apoio em bela triangulação com Messi, aos 35 do 2º tempo. NOTA 6. Quatro minutos depois, foi substituído por BURDISSO, que entrou para garantir o 1 a 0. SEM NOTA.

MASQUERANO — Jogou como volante fixo, para liberar Verón à armação. NOTA 6.

VERÓN — Comanda a saída de bola do time de Maradona. Ontem, contudo, não estava em dia inspirado. NOTA 6.  

TEVEZ — A raça de sempre, sem se intimidar com o porte físico avantajado dos nigerianos, se alternado com Higuaín entre o meio e a direita do ataque. NOTA 6,5.

MESSI — Finalmente uma atuação no nível das do Barcelona, atuando pela esquerda do ataque. Só precisa regular a pontaria, pois teve seis chances para marcar, sempre passando perto ou esbarrando no goleiro Enyeama, o outro destaque da partida. NOTA 7,5.

HIGUAÍN — Perdeu três gols feitos, dois no 1º tempo e um no 2º. NOTA 4. Foi susbtituído, aos 33 da etapa final por MILLITO (SEM NOTA), para quem começa a abrir espaço na disputa por uma vaga no time titular.

MARADONA — Armou a seleção para jogar em função de Messi, como a Argentina de 1986,  que conduziu como jogador à conquista da Copa. Criticado pela mídia argentina, seu esquema defensivo deve ter, na próxima quinta, diante da rapidez da Coréia do Sul, um teste que a Nigéria não soube ser. NOTA 6,5.   

NIGÉRIA

Com várias defesas salvadoras, o destaque nigeriano foi o goleiro ENYEAMA. NOTA 8.

 

Obs: o texto foi postado inicialmente no blog Folha na Copa (aqui)

Argentina — Acomodação ofensiva e teste defensivo à frente

Abraçado por Messei, Heinze comemora o seu gol de cabeça (foto Fifa)

 

Deu para ganhar da Nigéria pelo placar mínimo, marcar os três pontos necessários nesta primeira fase de grupos e, enfim, para que Messi tivesse com a camisa da seleção uma atuação do mesmo nível que mantém no Barcelona, mas ficou faltando para credenciar a Argentina do técnico Maradona como candidata à campeã da Copa. Talvez a grande atuação do goleiro nigeriano Enyeama (do Hapoel Tel Aviv, de Israel), grande nome do jogo ao lado de Messi, com pelo menos cinco defesas salvadoras, tenha impedido que os argentinos apresentassem um desempenho mais convicente.Todavia, a impressão que ficou, sobretudo no segundo tempo, foi de que los hermanos preferiram administrar o 1 a 0, no lugar de ampliar o placar, evidenciando uma acomodação que não costuma compor o perfil dos campeões.

Além da disputa no ataque entre Higuaín (do Real Madrid), que perdeu dois gols feitos, e Millito (da Inter de Milão, que o substituiu aos 33 da etapa final), por um lugar ao lado de Messi e Carlito Tevez, que também jogou bem, o próximo confronto da Argentina, na próxima quinta-feira, dia 17, diante da rapidez da Coréia do Sul, do perigoso atacante Jing-Sung Park (do Manchester United), que hoje bateu a Grécia por 2 a 0, será um bom teste para o esquema defensivo de Maradona, tão criticado pela mídia de seu país, e sobre a qual ele se recusou a falar, na coletiva de hoje, após o jogo com a Nigéria.

Obs: Texto e foto foram postados inicialmente no blog Folha na Copa (aqui)

Palpites para a Copa (antes dela começar)

Na véspera da bola rola na Àfrica do Sul, no blog Folha na Copa (aqui) dei meus palpites (aqui) sobre o favoritos para levantar a Copa, sobre quem será a surpresa do Mundial e os times que passarão da primeira fase. Infelizmente, com a lentidão da net anteontem, por obra e graça da Via Cabo, acabei não reproduzindo o post no mesmo dia, o que faço agora, antes tarde do que nunca, até porque parte das previsões começam a se desenhar com apenas dois dias de Copa…

 

Palpites

Por aluysio, em 10-06-2010 – 19h20

Como em época de Copa, todo mundo se julga credenciado a dar palpites, mesmo um idiota que não sabia quem era Ramires (ex-Cruzeiro e atual Benfica) até os seus dois gols no amistoso recente contra a Tanzânia, aqui vão alguns palpites do blogueiro:

Candidatos ao Título: A Espanha tem o melhor time, o Brasil o melhor retrospecto e a Argentina, apesar de Maradona, os melhores jogadores. A Holanda, com a recuperação do atacante Arjen Robben (Bayer de Munique), e a Inglaterra, com a consistência dos times treinados por Fabio Capello, aparecem correndo por fora.

Candidatos a supresa: Costumam surgir do Leste Europeu ou da África. Nesta Copa, a Eslováquia e a Eslovênia, que se classificaram à Copa no mesmo grupo das Eliminatórias, e a Sérvia, que abriu mão do jogo criativo em nome da competitividade, já surprenderão se chegarem às oitavas. Quanto aos times africanos, Gana seria a candidata mais forte do continente, mas a ausência de Michel Essien (Chelsea), por contusão, e a dúvida quanto a Sulley Muntari (Inter de Milão), complicaram as coisas. Se Didier Drogba estiver em condições e se o treinador sueco Sven-Goran Eriksson (ex da Inglaterra) conseguir transformar bons jogadores num time, a Costa do Marfim poderá fazer bonito, mas pegou o “Grupo da Morte”, com Brasil e Portugal. Só Samuel Eto’o (da Inter), que já viveu melhores dias, deve ser muito pouco para Camarões, que ainda assim disputará com a Dinamarca a segunda vaga no grupo da Holanda. A Nigéria, assim como o atacante camaronês, também não vive seu melhor momento, embora tenha chances na disputa com Coréia do Sul e Grécia pela segunda vaga no grupo da Argentina. Time da casa, a África do Sul de Parreira (que já dirigiu Arábia Saudita, Emirados Árabes e Kwait, mas só venceu jogos em Copas com o Brasil) está no Grupo A, o mais equilibrado do Mundial, junto com França, Uruguai e México. Por fim, a Argélia, representante da África árabe, tem pouquíssimas chances no grupo da Inglaterra, cuja segunda vaga deve ficar com os Estados Unidos. Muito embora deva pegar a Alemanha nas oitavas, a equipe estadunidense é o palpite para supresa do Mundial. Único time a derrotar a Espanha nos últimos anos, na semi-final da Copa das Confederações — sendo derrotado pelo Brasil na final, mas de virada, após marcar 2 a 0 —, os EUA lembram muito o Botafogo campeão estadual: um time limitado tecnicamente, mas sólido na defesa, perigoso no contra-ataque e muito aplicado taticamente, com um pivô alto e forte na frente (Jozzy Altidore, do Villareal da Espanha, que lembra o uruguaio Loco Abreu) e um meia de ligação habilidoso (Landon Donovan, do Los Angeles Galaxy, ao estilo Lúcio Flávio).

Classificados às oitavas: O Grupo A, como já foi dito, é o mais equilibrado. Os palpites vão para França e México, mas pode muito bem dar Uruguai e África do Sul, ou qualquer outra variante. No Grupo B, como também já foi falado, a Argentina é favorita. Na segunda vaga, o palpite é a Nigéria, muito embora possa dar Coréia do Sul. No Grupo C, qualquer resultado que não seja a classificação de Inglaterra e EUA será uma surpresa. No Grupo D, a Alemanha deve ficar com a primeira vaga. Quanto à segunda, na disputa entre Gana e Sérvia, o palpite é africano. No Grupo E, como também foi adiantado, a primeira vaga da Holanda é quase certa, sendo Camarões o palpite na disputa pela segunda com a Dinamarca. No Grupo F, a coisa é parecida, com o franco favoritismo para a Itália e palpite sul-americano a favor do Paraguai, na disputa com a Eslováquia pela segunda vaga. No Grupo G, com a primeira vaga para o Brasil (e é bom ficar, porque o segundo deve pegar a Espanha nas oitavas), o palpite pende mais para Drogba do que para Cristiano Ronaldo, na disputa entre Costa do Marfim e Portugal pela segunda vaga. Por fim, no Grupo H, com a primeira vaga praticamente garantida à Espanha, muito embora o Chile seja favorito para a segunda vaga, o palpite vai para a Suíça.