Votos à vitória no voto de Jefferson, por Caxinguelê
Sobre a posse hoje do professor Jefferson Azevedo, eleito diretor do campus Campos-Centro do Instituto Federal Fluminense (IFF), num pleito parido a fórceps, pensei em escrever algo, mas desisti desde ontem, ao constatar que tudo que pude apreender como observador atento desse conturbado processo eleitoral, foi melhor resumido no artigo publicado na edição impressa da Folha de segunda-feira, pelo coordenador do Sindicato Nacional dos Servidores Federais (Sinasefe), professor Paulo Caxinguelê.
Para certos detratores que gostam de taxar Caxinga como radical e porra louca, enquanto posam artificalmente como lideranças políticas e escribas, o texto do incansável sindicalista, além de uma aula de democracia no conteúdo, ofertou preciosas lições, para quem pretende escrever, de como fazê-lo num estilo fluido e conciso. Não por outros motivos, vamos ao artigo, republicado aqui com a autorização devida do autor…
A vitória da democracia
O recente processo eleitoral pelo qual passou o campus Campos-centro, do Instituto Federal Fluminense, para a escolha do seu diretor-geral, está a exigir que sejam parabenizados os seus servidores e alunos, que, a despeito de todas as pressões e de uma campanha injuriosa, movida pela reitora pró-tempore e por aqueles que a orientam, votaram de maneira consciente e destemida.
Foi esta a primeira eleição dentro das novas regras, que aboliram a famigerada lista tríplice, com que, por intermédio de articulações políticas, pelas salas e corredores de Brasília, o mais votado pela comunidade corria o risco de não ser o escolhido para a designação.
Apesar de tudo e de uma demonstração clara de que o IFFluminense é, hoje, muito maior do que alguns dos seus dirigentes, certos fatos que envolvem a instituição precisam ser levados ao conhecimento público, até como medida de precaução contra oportunistas e aventureiros de qualquer ideologia ou coloração.
O Instituto Federal Fluminense tem estado, nos últimos anos, à mercê de um grupo retrógrado, formado por pessoas movidas, acima de tudo, por um projeto de poder, que se diz de esquerda, mas que, na verdade, só ergue a bandeira dos seus próprios interesses. E a este grupo é que a reitora pró-tempore presta contas e pede permissão, inclusive em eventos públicos, quando precisa tomar decisões, algumas das quais afrontam os interesses da educação e os princípios da democracia.
Ao professor Jefferson, parabéns pela vitória. Mas que esteja atento para aquilo que lhe sinalizou a coletividade, ao escolhê-lo como seu novo dirigente: é hora de mudanças, de retomar a identidade, numa instituição de trajetória gloriosa. Que ouse sair um pouco desse viés meramente acadêmico, e se volte para o que ela já teve de melhor: a formação profissional, para o atendimento de uma demanda que, segundo as estimativas do próprio MEC, é hoje de 260.000 técnicos em todo o país. Que a sua administração seja participativa e transparente. Que a valorização dos educadores no IF Fluminense não seja mais, a partir de agora, apenas uma figura de retórica. Muito sucesso!
Comarca de Campos: Justiça que tarda, falha!

Não é de hoje, qualquer cidadão que recorre à Justiça Estadual em Campos, esbarra sempre no mesmo problema: morosidade na resolução dos casos, muitas vezes de anos, gerada pela falta de juízes. Na Justiça Cível da comarca, por exemplo, duas das cinco Varas estão sem juízes titulares: a 1ª e a 3ª. Na Criminal, são duas vagas ociosas, uma na 2ª Vara e uma no Juizado Especial Criminal (Jecrim). Na Justiça de Família, se as três varas estão devidamente ocupadas, uma delas, a 2ª, deve vagar ainda este ano, com a transferência do titular, dr. Carlos Araújo, para o Tribunal de Justiça (TJ) do estado do Rio de Janeiro. E a mesma realidade está prevista à 2ª Vara Cível, já que o dr. Sebastião Bolelli, juiz mais antigo da comarca, também deve ser promovido para desembargador do TJ.
Abordado em matéria especial da Folha, em sua edição dominical do último dia 7 de fevereiro, o problema se agravou de lá para cá. Em 22 de março, o dr. Ronaldo Assed teve que deixar o Jecrim para aceitar a promoção a desembargador do TJ, fortalecendo a presença de Campos na 2ª instância da Justiça Estadual, mas deixando mais uma vaga ociosa na instância de primeiro acesso do cidadão à Justiça.
Ciente da gravidade do caso, que dificulta também o trabalho de todos os advogados que militam na cidade, a OAB-Campos, liderada por seu presidente, Filipe Estefan, vai promover um protesto no Fórum Maria Tereza Gusmão, às 14h da próxima quinta. Além de faixas na parte externa do Fórum, cobrando a resolução do problema, os cinco diretores e 35 conselheiros da OAB local, mais advogados militantes, se farão acompanhar da equipe de reportagem da Tribuna do Advogado (aqui), publicação mensal da OAB-RJ de grande influência no meio jurídico. Eles estarão entrevistando cidadãos e advogados presentes, para registrar como a falta de magistrados vem dificultando o andamento dos processos em Campos. Para acompanhar a visita-protesto, foram também convidados os órgãos de mídia locais.
Filipe Estefan esclareceu ao blog que a ação da OAB-Campos não começou agora. Em novembro de 2009 ele protocolou no Conselho Nacional de Justiça o procedimento 0007036-11, sob cuidados do conselheiro Nelson Thomaz Braga, contra o presidente do TJ-RJ, Luiz Zveiter, criticando a falta de juízes em Campos e pleiteando a realização de concurso público para atender a demanda. Em todo o estado do Rio de Janeiro, seriam necessários 138 novos magistrados, segundo admitiu o próprio Zveiter. O último concurso público, realizado em 2008, ofereceu 120 vagas, mas apenas três foram aprovados.
Depois do movimento junto ao CNJ, Estefan esteve reunido com o presidente do TJ, em seu gabinete, em dezembro de 2009, acompanhado do presidente da OAB-RJ, Wadih Damous. Zveiter se limitou a designar que os juízes das comarcas vizinhas acumulassem as varas sem titulares em Campos. Ocorre que eles só podem comparecer uma vez por semana, inviabilizando o andamento dos processos. Além disso, foram redesignados para Campos os juízes Cláudio Rodrigues (2º Juizado Especial Cível), que estava de licença médica, e Leonardo Grandmasson (1ª Vara Criminal), que estava no plantão noturno do TJ.
Na Consituição Brasileira, de 1988, em seu artigo 5º,que trata do direito do cidadão à Justiça, o inciso LXXVIII, fruto de emenda consitucional nº 45, de 2004, diz: “a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação”. Pois aos cidadãos, advogados, promotores e aos juízes de Campos, que padecem pelo trabalho acumulado em impossibilidade lógica de resolução, falta cumprir a lei.
Dilma e Garotinho juntos em Brasília — E no Rio?

Se o governador Sergio Cabral (PMDB) chegou a contar mesmo com a exclusividade da petista Dilma Roussef em seu palanque de reeleição, ele teve hoje um teste de fogo em Brasília, que esquentará de vez no próximo sábado, no Rio, quando o PR vai lançar a pré-candidatura de Anthony Garotinho ao governo do estado. Presente hoje, na capital federal, à posse do presidente do PR, o ex-ministro dos Transportes Alfredo Nascimento, a candidata de Lula à sua sucessão esteve bem à vontade ao lado do ex-governador do Rio. Em seu discurso, Dilma ressaltou ter uma “convivência cordial” com o casal Garotinho, desde o tempo em que os três eram do PDT.
Por sua vez, Garotinho confirmou que convidou Dilma pessoalmente para o congresso estadual do PR no Rio, quando a sua candidatura a governador deve ser lançada informalmente, diante de 15 mil pessoas. Providencialmente, Lula e sua candidata ao governo federal estarão na cidade, para uma homenagem que ela receberá do PT fluminense.
— Não é fato consumado, nem condicionamos a ida dela (Dilma) ao evento (do PR). Ela disse que vai depender da agenda do presidente Lula — revelou Garotinho.
Fonte: Folha.UOL
Pontos de vista e de ensino sobre jornalismo e publicidade
Embora tenha sido criado dentro de uma redação de jornal e milite há mais de 20 anos na Folha como jornalista, com participações bissextas em rádio e televisão, além da recente atuação como blogueiro, admito, por paradoxal que seja, que não sou grande consumidor de mídia. A bem da verdade, meu contato com as notícias de Campos, região, estado, Brasil e mundo, se limitam à leitura diária dos jornais impressos de Campos (hoje, apenas dois), de O Globo, além da audiência do Jornal Nacional — esta quase sempre entrecortada com a edição da Folha do dia seguinte. Muito raramente ouço rádio e, residindo em Atafona, a intencional falta de antena deixa minha TV circunscrita à exibição de filmes de ficção e documentários em DVD.
Quando quero assistir a um jogo de futebol ou basquete, ou então a uma luta, o faça na casa de meu pai. E mesmo atuando em dois blogs, um deles dedicado à poesia e clamando por retomada das atividades, não tenho hábito de ler opiniões e notícias pela internet. Meu tempo livre costumava ser dedicado à leitura, mas de livros, hábito também tátil e olfativo, além de visual, do qual não consigo me libertar.
Não por outros motivos, apenas no final de semana fui atualizar minha leitura do blog Ponto de Vista (aqui), do Christiano Abreu Barbosa. E foi ali que me deparei com dois textos (aqui e aqui) tratando do assunto jornal: um sobre a decadência do carioca O Dia, outro sobre a substancial venda de anúncios da Folha na edição de aniversário de Campos, em oportuna analogia com a crise financeira que condenou o Monitor Campista a encerrar sua atividade centenária.
Em sua estréia como blogueiro, já havia dito que, em prosa, Christiano sempre escreveu melhor que eu. Pois após a leitura das suas duas análises profundas, diretas, equilibradas e didáticas, cheguei à orgulhosa conclusão de que ele também entende muito mais de jornal do que seu irmão que vive de fazer jornal.
Ao contrário de muitas Cassandras da mídia, reproduzidas em escala geométrica com o advento dos blogs, diria que, ao lado do jornalista Guilherme Belido, titular do site Opinião (aqui), Christiano é hoje a pessoa em Campos que mais entende do assunto jornal, em todas as suas muitas nuances. Para quem dúvida tiver, recomendo a leitura dos posts trancritos abaixo, cuja análise poderia fazer parte de qualquer curso superior de jornalismo e publicidade, sobretudo aos oferecidos localmente pela Fafic, cujos formandos e formados têm a preparação ao exercício da profissão sempre construída na prática…
Por Christiano, em 29-03-2010 – 23h18
A edição da Folha da Manhã de ontem, ajudada um pouco pela Páscoa e a data comemorativa ao aniversário de Campos, estava absolutamente lotada de anúncios, em sua imensa maioria de clientes privados. A edição de sábado já tinha bombado de publicidade também.
Entre os anúncios, destacaram-se: 1 página da TIM, 1 página do Alpha, 1 página do Colégio Regina, 1/2 página do Shopping Avenida 28, 1/2 página dos 175 anos de Campos, 2 páginas de volume de anúncios variados de Páscoa e aniversário da cidade, 1/4 página do Grupo IMNE e 1/4 página da Fundação Getúlio Vargas.
Entre os clientes públicos, destacaram-se: 1 página do Governo do Estado, 1/2 página da Prefeitura de São João da Barra e 1/4 da Alerj. Isto fora os anúncios privados normais no noticiário, colunas sociais e classificados.
A receita para isto parece ser simples: uma ótima equipe de redação -> conteúdo de qualidade -> procura por leitura -> inúmeros assinantes + leitores de bancas -> grande circulação -> retorno para os anúncios -> departamento comercial bom e guerreiro -> vários anunciantes.
Parece simples, mas não é. Muitos tentam e acabam não conseguindo por inúmeros motivos, especialmente por não entender que jornal sem anúncio não sobrevive.
Um bom exemplo foi o Monitor Campista, que teve, durante anos, bom projeto gráfico, excelente impressão feita no Rio, ótima equipe de redação (talvez seu ponto mais forte), bons colaboradores, o melhor contrato publicitário da cidade e acabou encerrando as suas atividades, por nunca ter conseguido circulação minimamente relevante e clientes para anunciar, se acomodando em um frágil contrato único.
Veja abaixo o belo anúncio de 1 página da TIM, parabenizando Campos pelo seu aniversário, publicado ontem na Folha. Os membros do Blue Man Group, grupo famoso internacionalmente que estrela as campanhas da companhia telefônica, têm um bolo de aniversário desenhado na cabeça. Uma menina vestida de princesa sopra para apagar as velas, gerando belo efeito visual.
Folha da Manhã, Monitor Campista, TIM
Comunicação
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Por Christiano, em 02-04-2010 – 21h03
O Dia pertenceu durante décadas ao ex-governador Chagas Freitas. Era um jornal extremamente popular, com muito sangue na capa. Vendia, nesta época, em torno de 180.000 exemplares diários. Sua grande transformação começou com a venda para Ary Carvalho, em 1983.
Em 1987, Ary fez uma grande reforma gráfica e editorial em O Dia, investindo pesadamente em bons profissionais, qualificando sua redação, trazendo um visual moderno, com muitas cores para suas páginas, e muitas promoções. A resposta dos consumidores foi imediata, levando o jornal a inimagináveis 900.000 leitores no domingo.
Junto com a circulação, veio o faturamento. E junto do crescimento, veio o incômodo ao gigante O Globo. A concorrência levou O Globo a se mexer, mudando o seu visual e investindo em equipamentos e melhorias gráficas, levando mais cores para as suas páginas.
Porém, o tiro certeiro da Infoglobo, que edita o jornal O Globo, veio 11 anos depois, em abril de 1998, com o lançamento do Extra. O novo jornal popular, voltado para a classe C e com muitas promoções, foi criado exatamente para brigar com O Dia e tirar O Globo desta briga, colocando-o num patamar de jornal mais qualificado.
Já em seu lançamento O Extra alcançou a tiragem de 110.000 exemplares. Pouco a pouco foi conquistando leitores de O Dia, até ultrapassa-lo como jornal de maior circulação do estado, alcançando depois o título de jornal com mais leitores no país.
Em dezembro de 1998, O Globo inaugurou o maior parque gráfico da América Latina, dando capacidade industrial folgada para todos os seus projetos de crescimento.
Com o falecimeto em 2003 de Ary Carvalho, as três herdeiras Gigi, Eliane e Ariane iniciaram um disputa pelo controle do grupo. Ariane assumiu a direção, mas depois perdeu o posto no ano seguinte para um suposto e ilógico rodízio entre elas. Gigi assumiu o posto.
Para combater o Extra, O Dia lançou o jornal popular Meia-Hora, em outubro de 2005. A idéia era posicionar o Meia-Hora para brigar com o Extra, deixando caminho aberto para O Dia brigar com O Globo. O Meia-Hora foi um sucesso de circulação, conquistando grande números de leitores.
Tiro certeiro? Não, tiro no pé. O Meia-Hora tirou leitores do Extra, mas tirou muito mais leitores de O Dia, canibalizando o mercado e levando o Grupo O Dia a perda de publicidade.
Em março de 2006, a Infoglobo lança o Expresso, para combater o Meia-Hora. A idéia foi posicionar o Expresso para brigar com o Meia-Hora nas classes C e D, o Extra para brigar com O Dia nas classes B e C (maioria), deixando O Globo sem concorrentes nas classes A e B.
A Infoglobo teve sucesso em sua estratégia. O Extra e O Globo, voltados para classes distintas, continuaram na disputa pela liderança no estado, seguidos em distância segura pelo Meia-Hora, enquanto O Dia iniciou uma queda sem fim de circulação e faturamento.
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Sem rumo, O Dia ainda fez uma desastrada mudança de formato, saindo do standard e migrando para o berliner, tamanho similar ao tablóide, e lançou o jornal O Campeão, em outubro de 2009, fracasso de vendas. Já sem alternativa, Gigi deixou a direção em janeiro deste ano, preparando o terreno para a venda anunciada ontem.
A missão do grupo português, novo dono de O Dia, é reverter o quadro desfavorável. O IVC de fevereiro mostrava, no estado do Rio: Extra em 1º (3º no país) com 272 mil exemplares, O Globo em 2º (4º no país) com 251 mil, Meia-Hora em 3º (8º no país) com 144 mil, O Dia em 4º (18º no país) com 56 mil.
Para se ter uma idéia da crise atual, o jornal Meia-Hora perdeu 75 mil leitores em 1 ano, enquanto O Dia decresceu 36 mil.
Extra, Meia-Hora, O Dia, O Globo
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2012, uma Odisséia do PT
À frente do mandato na Câmara herdado do falecido vereador Renato Barbosa, a professora Odisséia Carvalho coloca seu nome à disposição para se candidatar à Prefeitura de Campos em 2012, “como qualquer outro companheiro ou companheira” do PT. Se a pretensão não é novidade, pois já havia sido explicitada por Odisséia, no Folha no Ar, logo após a morte de Renato, a ressalva inclusiva do presente , de que a corrida está aberta também a outros correligionários, deixa definida uma certeza: após ter se dividido entre apoio e candidatura própria em 2004, 2006 e 2008, o PT agora tenta se unir em torno apenas da segunda opção para 2012, quando a prefeita Rosinha (PMDB) deverá tentar sua reeleição. E, para o PT caminhar unido daqui a pouco mais de dois anos, Odisséia conta com o trabalho de seu marido, o também professor Eduardo Peixoto, à frente da presidência municipal do partido, na tentativa de pacificação das suas várias correntes, como corretamente observou o também petista Marco Barcelos, em entrevista ao blog (aqui), na semana passada.
Enquanto 2012 não vem, Odisséia tenta se colocar como porta-voz dos desejos da sociedade civil organizada, seja se opondo de maneira franca à maioria governista na Câmara, em pedidos de informação sobre obras suspeitas do governo Rosinha, seja em detrimento da sua própria bancada de oposição, que compõe com colegas de outros partidos, como no caso da CPI dos Royalties. Derrotada em ambos os casos na Câmara, mas com maciço apoio popular fora dela, sobretudo em relação à satisfação pela real destinação dos mais de R$ 6 bilhões de royalties recebidos por Campos nos últimos 20 anos, a vereadora petista recorreu na última quarta-feira (aqui) ao Ministério Público, para tentar obter na Justiça as respostas sonegadas na Casa que deveria ter como missão fisalizar os atos do Executivo. Embora aponte a morosidade como empecilho nesta maneira de buscar respostas, como no caso da investigação de uma rede de prostituição de menores em Guarus, denunciada em primeira mão pela Folha (aqui), Odisséia diz apostar na esperança. Apesar da diferença na formação e nos estilos, ela usa lança mão do endosso da viúva de Renato Barbosa, Jossana, para evidenciar que as bandeiras erguidas no único mandato do PT em Campos se mantém as mesmas.

Blog – Por que você insistiu com a CPI dos Royalties, depois que toda a bancada de oposição lhe deixou sozinha no pedido?
Odisséia Carvalho – Realizamos uma primeira reunião com os vereadores de oposição, onde foi colocado que o momento não era oportuno devido à votação que ocorreria no Congresso Nacional, mas que deveríamos ouvir também a opinião do Rogério Matoso (PPS), pois este estava em Brasília. No primeiro momento apresentamos a proposta de audiência pública, sobre como e onde deveriam ser aplicados os royalties. Na segunda reunião realizada com os vereadores, conversamos sobre várias alternativas, inclusive de apresentarmos várias CPI’s, mas prevaleceu a idéia que não era o momento, mas também houve um entendimento de que eu apresentaria a CPI democraticamente e que essa atitude não seria um racha na oposição. Somos vereadores de oposição, atuamos em várias frentes conjuntamente, principalmente no que se refere ao enfrentamento ao casal que hoje detém o poder na Prefeitura, mas pertencemos a partidos diferentes, com práticas e ideologias diferenciadas. É importante ratificar que o mandato tem compromisso com os meus eleitores, com a população campista e com o Partido dos Trabalhadores.
Blog – Você ocupa o mandato do vereador Renato Barbosa. Acredita que ele agiria da mesma maneira, em relação aos pedidos de informação sobre as obras do governo Rosinha e à CPI dos Royalties? Crê que, após negados, ele buscaria as informações no MP, como você optou em fazer na última quarta, dia 31?
Odisséia – Tenho certeza que sim, inclusive fiquei muito emocionada quando recebi no blog Nós Mulheres uma mensagem da esposa de Renatinho, Jossana, onde afirmou que essa também era sua luta e que ele faria o mesmo se estivesse vivo. Entendo que Renato, apesar de não ser filiado antigo do PT, como dizia o slogan da sua campanha, “A mais nova estrela do PT”, estava absorvendo e colocando em prática o modo petista de atuar. Em conversa com seus parceiros, fui informado que ele entrou diversas vezes, em outros momentos, com pedido de informações no Ministério Público.
Blog – O presidente da Câmara, Nelson Nahim (PR), e seu próprio colega de grupo, Marco Barcelos, concordaram que você e Renato Barbosa têm características diferentes. Em que aspectos acha que se dão essas distinções?
Odisséia – Tenho uma formação diferente de Renato. Minha origem é do movimento sindical. Sou professora, pedagoga e filiada ao Partido dos Trabalhadores desde 1986. Acredito que essa experiência no movimento sindical, em lutar pelos direitos da categoria, é uma educação de qualidade. Sou uma militante partidária que já amargou várias derrotas, mas principalmente a vitória de termos um presidente operário, sindicalista, respeitado não só no nosso país, mas mundialmente, pois sempre defendeu uma sociedade mais justa e igualitária para todos e todas, faz com que saibamos fazer o enfrentamento, principalmente na adversidade. Renato era um advogado competente e um petroleiro compromissado com as questões sociais e portanto suas ações e atitudes fazem parte da sua formação.
Blog – Acredita mesmo que o MP é o melhor lugar para se obter as informações negadas na Câmara? Por quê?
Odisséia – Entendo que o Ministério Público é uma representação da Justiça que estimula o exercício da democracia, que tem atuado em vários casos de forma eficiente e competente. Mas sabemos que algumas denúncias apresentadas ao MP, como no caso da “Operação Cinquentinha”, “As meninas de Guarus” e outras, ainda não obtivemos as respostas devido à morosidade, mas que a sociedade espera ansiosamente, na busca de soluções. Portanto, não demeos perder a fé e esperança que as denúncias apresentadas ao MP, sobre os desmandos dos recursos dos royalties, bem como as informações sobre as licitações e obras realizadas pelo executivo municipal, negadas na Câmara municipal pelos vereadores da situação, possam ser obtidas para que a justiça com a população de Campos dos Goytacazes possa ser feita.
Blog – Em relação, sobretudo, à CPI dos Royalties, como enxerga a visão de que você jogou para a galera, correndo atrás de uma bola que sabia ser inalcançável?
Odisséia – É importante reafirmar que a idéia da CPI surgiu no dia da manifestação em defesa dos royalties, realizada na praça São Salvador. Antes de subir no palanque, conversava com várias pessoas da população campista, que questionavam sobre a importância de lutarmos pela manutenção dos royalties, mas que também era necessário sabermos onde foram investidos e como estão sendo aplicados estes recursos na nossa cidade, que são da ordem de R$ 6 bilhões nos últimos 20 anos. Se caminharmos pela cidade, bairros e distritos, podemos ter a clareza que esses recursos, que hoje representam 70% do nosso orçamento, não foram e não são investidos em educação, saúde, habitação e geração de empregos para nossa população. Trouxemos para a cena do debate uma discussão o mau uso dos recursos dos royalties, indo ao encontro de vários movimentos organizados na nossa cidade, como por exemplo o movimento Nossa Campos, que tem feito um debate sério sobre a transparência do uso do dinheiro público. Tive o prazer de conversar com o advogado Cleber Tinoco, sobre vários assuntos: a CPI dos Royalties, a necessidade de implementarmos o pregão eletrônico. Precisamos ampliar esse debate com a sociedade civil organizada, entidades de classes, partidos políticos e sindicatos. A população não deve ser chamada apenas para defender a manutenção dos royalties, mas ela tem o direito de saber onde e como devem ser investidos esses recursos.
Blog – Você herdou um mandato de um homem notável, que claramente se cacifava com seu mandato de vereador para chegar a ser prefeito de Campos. Entende que está honrando este mandato no mesmo nível? Como e por quê?
Odisséia – No dia do velório de Renatinho, na Câmara de Vereadores, sua esposa me fez o pedido: “Honre o mandato do meu marido. Ele acreditava muito em você”.Tenho certeza que mesmo com estilos diferentes, tenhamos o mesmo objetivo, o de vermos nossa Campos proporcionando dignidade de vida à população e uma sociedade mais igualitária e fraterna.
Blog – Pretende mesmo se lançar candidata à prefeita pelo PT em 2012? Acha que a via alternativa teria uma chance real?
Odisséia – Em uma entrevista dada ao Folha no Ar, assim que assumi o mandato, falei que colocaria meu mandato à disposição do PT para disputar a Prefeitura. Naquele momento, fui mal compreendida, sendo chamada de imatura ou de querer tudo. Hoje, no PT, um dos fatores de unidade é o lançamento de uma candidatura em 2012, e essa decisão será tomada na convenção, democraticamente. Tenho clareza que o mandato tem contribuído para fortalecer o partido e apresentar uma alternativa viável para nossa cidade. Portanto, estou apta para colocar meu nome à disposição do partido, como qualquer outro companheiro e companheira. É necessário que PT e as forças democráticas, que desejam construir uma proposta alternativa, que de fato represente os anseios da nossa sociedade, possam se unir em torno desse projeto.
Odisséia cobra no MP investigação sobre royalties e obras de Rosinha

Conforme havia prometido e este blog adiantado (aqui e aqui), a vereadora Odisséia Carvalho (PT) entrou hoje no Ministério Público (MP) com ações para ter respondidos os três pedidos de informação negados pela bancada governista, na sessão da Câmara do último dia 16. A saber: a licitação de R$ 357,8 milhões, para construção de 5.100 casas populares, vencida pela Odebrecht em 29 de maio de 2009, como a Folha adiantou na edição daquele mesmo dia, e depois repartida com a Construsan; a construção de casas dentro da Lagoa Maria do Pilar, em área de proteção ambiental; e as obras do programa Bairro Legal em Donana e Ururaí, no valor de R$ 57 milhões, realizadas pela Construsan e Avenida, ambas de colaboradores da campanha de Rosinha.
Além disso, a veradora também cobrou também no MP a investigação sobre a devida aplicação dos recursos dos roaylties no município de Campos, que apresentou como proposta de CPI, na tribuna da Câmara durante a mesma sessão do dia 16 (aqui), negada por todos os demais vereadores, inclusive os de oposição. A ação de Odisséia no MP já havia sido noticiada pela própria vereadora, em seu “Nós Mulheres” (aqui), blog hospedado no site da Folha, assim como na própria Folha Online (aqui).







