Abdu, Dante e Pé no Chão: A oposição que não quer CPI

Oposição que não quer saber onde e como é gasto o dinheiro dos royalties: Abdu Neme, Jorge Pé no Chão e Dante Pinto Lucas (fotos de Antonio Cruz, divulgação e Rodrigo Silveira)
Oposição que não quer saber onde e como é gasto o dinheiro dos royalties: Abdu Neme, Jorge Pé no Chão e Dante Pinto Lucas (fotos de Antonio Cruz, divulgação e Rodrigo Silveira)

 

Adbu Neme (PSB), Dante Pinto Lucas (PDT) e Jorge Pé no Chão (PT do B). Estes foram os três vereadores que, mesmo se dizendo de oposição, se negaram a apoiar a criação da CPI dos Royalties na Câmara. Proposta pela vereadora petista Odisséia Carvalho e exigida pela esmagadora maioria da população de Campos, para finalmente se saber onde e como este e outros governos municipais aplicaram e aplicam os recursos do petróleo, o requerimento da CPI contou com o apoio apenas do vereador Marcos Bacellar (PT do B).

Sem a presença de Rogério Matoso (PPS), que estava em Brasília, levando a questão dos royalties ao Supremo Tribunal Federal (STF), e com a estranha vacilação de Abdu, Dante e Pé no Chão, Odisséia foi obrigada a se contentar com o requerimento de uma audiência pública, aprovado, mas ainda sem data. O “prêmio de consolo” da audiência foi decidido um pouco antes antes da sessão de ontem, numa reunião da bancada de “oposição”, noticiada com exclusividade pelo blog (aqui).

Marcada inicialmente para hoje, a nova reunião da “oposição” foi adiada para a tarde da próxima sexta, dia 12, visando aguardar a chegada de Matoso, que ficou em Brasília para acompanhar hoje a votação da proposta de emenda constitucional para partilha dos royalties, na Câmara Federal.

Câmara: royalties e IPTU a meia bomba

Anunciada na edição da Folha do último sábado e mesmo com uma oposição com número de votos suficiente para aprová-la, a proposta de CPI que Odisséia para saber onde são gastos os royalties em Campos, acabou se tornando um pedido de audiência pública ainda sem data (foto de Antonio Cruz)
Anunciada na edição da Folha do último sábado e mesmo com uma oposição com número de votos suficiente para aprová-la, a proposta de CPI que Odisséia para saber onde são gastos os royalties em Campos, acabou se tornando um pedido de audiência pública ainda sem data (foto de Antonio Cruz)

 

Com o perdão ao leitor Luís Fernando, acabou de acabar a sessão na Câmara de Campos. Noves fora as esperadas acusações de Marcos Bacellar (PT do B) contra o promotor Leandro Manhães, que já ganharam o contorno de uma briga pessoal de parte a parte, a temperatura foi muito aquém do esperado.

Quanto aos royalties, no lugar do requerimento de CPI para investigar onde e como são aplicados os recursos do petróleo, Odisséia Carvalho (PT) e Abdu Neme (PSB) fizeram o pedido de uma audiência pública para tratar da questão, com técnicos da Petrobras, do governo municipal e representantes da sociedade civil organizada. Sobre o IPTU, o novo texto está sobre análise do departamento jurídico da Câmara, mas Odisséia adiantou que se parece muito com o texto proposto e aprovado em 2008, com exercício em 2009.

Como são necessários seis assinaturas para se aprovar uma CPI, exatamente o número de vereadores ditos de oposição, parece que estes vão deixar de passar uma chance histórica de se passar a limpo a real aplicação dos royalties no município. Aliado e médico do ex-governador Garotinho nos tempos que este não era ex, Abdu chegou a dizer que não cabe CPI, porque não haveria nenhum “fato determinante” para sua instalação. Numa cidade em que a Folha previamente anuncia a Odebrecht como vencedora de uma licitação de 318 milhões para construção de casas populares, depois repartida com a uma empreiteira local dos amigos da prefeita; em meio a todo esse clamor popular pela satisfação devida da aplicação dos royalties e diante da possibilidade de perdê-los, entre outros motivos, pela orgia com dinheiro público em municípios pouco responsáveis; realmente fica difícil saber o que os vereadores de oposição consideram um fato determinante. De qualquer maneira, eles se reunem novamente, amanhã à tarde, para debater a questão…

Quanto ao IPTU, bem, esperemos que o corpo jurídico da Câmara, após ignorar solenemente a inconstitucionalidade óbvia da última proposta, dessa vez faça o dever de casa direito.

Royalties: detalhes do acordo Lula-Cabral

Hoje, em Itaocara, entre o o vice Pezão, o secretário de Agricultura Cristino Áureo e mais de 15 prefeitos fluminenses que foram dar apoio à sua reeleição, o governador Sergio Cabral demonstrou tranquilidade em relação aos royalties (foto de Ricardo Avelino)
Hoje, em Itaocara, entre o o vice Pezão, o secretário de Agricultura Cristino Áureo e mais de 15 prefeitos fluminenses que foram dar apoio à sua reeleição, o governador Sergio Cabral demonstrou tranquilidade em relação aos royalties (foto de Ricardo Avelino)

 

Se valer o acordo do governador Sergio Cabral com o presidente Lula, o estado do Rio e os municípios produtores vão manter os royalties das jazidas de petróleo já exploradas na Bacia de Campos, deixando a divisão só para o pré-sal. Para honrar esse acordo, se a Câmara aprovar amanhã a emenda constitucional pela partilha integral dos royalties, proposta pelos deputados Ibsen Pinheiro (PMDB/RS) e Saulo Queiroz (PPS/WG), Lula teria que vetar. Caso o presidente não vete ou a Câmara derrube seu veto, Cabral recorrerá ao Supremo Tribunal Federal (STF), não mais para garantir apenas os royalties atuais para o estado do Rio, mas em busca também do pré-sal.

Hoje, em Itaocara, onde inaugurou a segunda fase do projeto Rio Rural e recebeu apoio de mais de 15 prefeitos fluminenses à sua reelição, o governador reafirmou várias vezes que acredita na palavra de Lula. Ou seja: se a Câmara aprovar a proposta de emenda, sofrerá o veto presidencial. No caso da derrubada do veto, a briga sairá do discurso dos políticos e partirá para a interpretação da letra da Constituição, pelos ministros do STF. E não mais pelos royalties já pagos, mas pelo bolo que será distribuído ainda por várias décadas.

Royalties: Cabral tem acordo com Lula

Sergio Cabral está tranquilo em relação à manutenção dos royalties aos estados e municípios produtores. Foi isso que o governador garantiu agora há pouco ao Renato Wanderley, jornalista da Folha, durante entrevista em Itaocara, no lançamento da segunda fase do projeto Rio Rural naquele município. Cabral revelou ter um acordo com o presidente Lula, a quem acompanhou ontem em diversos eventos na cidade do Rio, garantindo que a partilha dos royalties proposta pelo deputado federal Ibsen Pinheiro (PMDB/RS) se dará apenas nas novas jazidas de petróleo do pré-sal.

É esperar para ver, muito embora a segurança do governador sirva para aliviar um pouco as tensões da região.

Engolir sapos — Arte que dá voltas…

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Há que se elogiar o compromisso de Rosinha não só como prefeita de Campos, mas sobretudo como presidente da Organização dos Municípios Produtores de Petróleo (Ompetro), por ter engolido seu orgulho e vaidade pessoais ao falar com Lula sobre royalties, ontem, na Leopoldina, por intermédio de Sergio Cabral. É que apenas algumas horas antes, o presidente e o governador desceram a lenha, publicamente, nas administrações estaduais do casal Garotinho, durante comício de inauguração de obras do PAC (aqui).

Deve ser mais ou menos o que sentiu o secretário municipal de Finanças, Marcos Esqueff, ao ser publicamente desautorizado pela prefeita Rosinha, numa entrevista coletiva, em 29 de janeiro, quando ela voltou atrás na cobrança do IPTU abusivo e ilegal que sua administração queria impor sobre Campos (aqui). Naquela oportunidade, Esqueff também aguentou calado e continuou no governo, assim como Rosinha, ontem, continou pacientemente esperando a chance de falar com Lula.

Como se vê, além de necessária ao desempenho da função pública, engolir sapos é uma arte que também dá voltas…

CPI dos Royalties é questão de tempo…

Em relação à CPI dos Royalties que Odisséia quer propor, são necessárias seis assinaturas, exatamente o número de vereadores da bancada de oposição. Como um deles, Rogério Matoso, está em Brasília, seria necessário esperar o retorno do vereador do PPS para aprovar a CPI, muito embora sua necessidade deva dominar hoje os debates no plenário da Câmara Municipal, na sessão que se inicia daqui a pouco, a partir das 18h.

A discussão deve ser quente, até porque Rosinha já se posicionou publicamente contrária à CPI, no último sábado, em programa de rádio. Muito embora a postura da prefeita seja estranha, até porque a investigação teria como alvo o destino dado aos royalties pelas administrações municipais passadas, a aprovação da CPI deve ser mera questão de tempo, seja pela pressão da sociedade, seja porque parece já ter, de antemão, o número de assinaturas necessário para ser instalada.

Oposição em busca dos royalties em CPI e no Supremo

Neste exato momento, a vereadora Odisséia Carvalho (PT) está reunida com os colegas Marcos Bacellar (PT do B), Dante Lucas (PDT), Abdo Neme (PSB), Jorge Pé no Chão (PT do B), discutindo sua proposta de apresentar a CPI dos Royalties na Câmara de Campos, para investigar onde foram aplicados os R$ 6 bilhões recebidos pelo município ao longo dos últimos 10 anos, frutos da indenização pela exploração do petróleo.

Única ausência da bancada de oposição, o vereador Rogério Matoso (PPS) está em Brasília, compondo uma comitiva de legisladores do três estados produtores (Rio de Janeiro, Espírito Santo e São Paulo), que se reúne no início da noite com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, onde deve ser definida a proposta de partilha dos royalties, do deputado federal Ibsen Pinheiro (PMDB/RS), caso seja aprovada amanhã, em sessão da Câmara Federal.

Lula: partilha de royalties só do pré-sal

Presidente Lula recebeu carta da Ompetro demonstrando perdas com a emenda de Ibsen Pinheiro
Presidente Lula recebeu carta da Ompetro demonstrando perdas com a emenda de Ibsen Pinheiro

Acabou de acabar o encontro entre o presidente Lula (PT) e os prefeitos da região, intermediado pelo governador Sergio Cabral (PMDB). Nele, segundo informou por telefone a assessoria da Prefeitura de Campos, Rosinha (PMDB) entregou a Lula um relatório com as perdas dos municípios produtores, caso seja aprovada a partilha proposta pelo deputado federal Ibsen Pinheiro (PMDB/RS). O presidente assumiu o compromisso de se reunir com a bancada governista e pedir que sejam votadas somente as questões referentes ao pré-sal, deixando de fora as jazidas de petróleo já exploradas, responsáveis pelos royalties pagos hoje.

Em outras palavras, é a pedra que o jornalista e consultor da Folha, Aluysio Barbosa, vem cantando há tempos, no Ponto Final e seus artigos dominicais: se a Câmara aprovar a partilha, Lula veta. Caso o veto presidencial seja derrubado, o que seria difícil, a questão vai para o Supremo Tribunal Federal (STF), onde a tendência seria manter as coisas como estavam. A partilha proposta por Ibsen valeria, pois, valeria mesmo só para o pré-sal.

À espera de Lula, na Leopoldina

A reunião entre o presidente Lula (PT) e o governador Sergio Cabral (PMDB) com os prefeitos da região, para tratar da questão dos royalties, não foi ou será na Rocinha, mas na estação ferroviária Barão de Mauá, no bairro carioca da Leopoldina, onde ocorre uma comemoração pelo dia da Mulher. A informação foi confirmada agora, ao telefone, por um integrante da comitiva de São João da Barra, à jornalista e blogueira Suzy Monteiro. Aguardando a chegada de Lula, além de Carla Machado (PMDB), Riverton Mussi (PMDB), Armando Carneiro (PSC) e Rosinha Garotinho (PMDB), também está o prefeito de Carapebus, Amaro Fernandes (PRB).

Retorno, IPTU e royalties

Após um longo e delicioso verão, reinicio a colaboração no blog, a partir de hoje. Bem verdade que cheguei a ensaiar uma pequena retomada, em janeiro, para acompanhar a questão do IPTU ilegal e abusivo que a administração Rosinha tentou implantar em Campos, cuja reversão este blog chegou a prever no dia anterior (aqui e aqui). Agora, o tema promete voltar à pauta da Câmara Municipal, na sessão de amanhã, já com o retorno de Marcos Bacellar (PT do B), impulsionado pela liminar do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) que o reconduziu ao cargo.

Além do IPTU, outro assunto que dominou a mídia local foi a proposta de partilha dos royalties do petróleo, do deputado federal Ibsen Pinheiro (PMDB/RS), que deve ser votada depois de amanhã, na Câmara Federal. Para tratar do polêmico tema, enquanto escrevo estas mal traçadas, as informações são de que está ocorrendo uma reunião entre o presidente Lula (PT) e o governador Sergio Cabral (PMDB) com os prefeitos de Campos, Rosinha Garotinho (PMDB); de Macaé, Riverton Mussi (PMDB), de São João da Barra, Carla Machado (PMDB); e de Quissamã, Armando Carneiro (PSC).

O ensejo da reunião sobre royalties é inauguração de obras do PAC na favela da Rocinha, no Rio. Pelas críticas que Lula e Cabral fizeram em seus discursos, às atitudes políticas e administrativas do casal Garotinho, esperemos que a recepção à pauta da prefeita de Campos seja mais amistosa do que à sua pessoa. Maiores informações sobre a inauguração e às críticas aos Garotinho estão na UOL (aqui).