O lançamento de Flávio a presidente por Jair (confira aqui) no dia 5, além de bagunçar o quadro revelado no RJ pela pesquisa Big Data (confira aqui) concluída no dia 2, também mexeu no cenário nacional projetado pela Datafolha concluída no dia 4. Mesmo que, no dia 7, o filho 01 tenha declarado (confira aqui): “Tem uma possibilidade de eu não ir até o fim e eu tenho um preço para isso, que eu vou negociar”.
Lula acima da margem de erro
No “preço” da intenção de voto, Lula liderou com os mesmos 41% todos os cinco cenários da consulta estimulada Datafolha ao 1º turno. Como também liderou todas as seis simulações ao 2º turno, variando de 47% a 52% de intenção. Em todos esses 11 cenários, o presidente liderou acima da margem de erro de 2 pontos para mais ou menos da pesquisa Datafolha.
(Infográfico: Joseli Matias)
Sova em Flávio, apertado com Tarcísio
Entre os pré-candidatos da direita, Flávio seria sovado no 2º turno para Lula por 51% a 36% (15 pontos de diferença) na Datafolha de dezembro. Nela, o nome mais competitivo da oposição em um eventual 2º turno contra Lula seria o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (REP): 47% do petista a 42% (5 pontos de diferença, apenas 1 ponto acima do empate técnico).
Prisão de Bolsonaro justa a 54%
Se o “preço” de Flávio for a anistia ao seu pai, preso desde o dia 22 na Superintendência de Polícia Federal (PF) de Brasília e cumprindo a pena de 27 anos e três meses pela condenação no STF por tentativa de golpe de Estado, a Datafolha revelou que a prisão foi justa para a maioria de 54% dos brasileiros. Embora tenha sido injusta para uma relevante minoria de 40%.
(Infográfico: Joseli Matias)
Regime da prisão divide brasileiro
O regime de prisão de Bolsonaro divide bem mais a opinião do eleitor. Pela Datafolha de dezembro, ele deveria estar em prisão domiciliar para 34%, em um presídio comum para 26%, em uma unidade militar para 20% e em uma unidade da PF, onde de fato está, para 13%. Outros 7% dos brasileiros disseram não saber.
Duas pesquisas eleitorais recentes, a governador do RJ e a presidente do Brasil, foram atropeladas pelos fatos. A Real Time Big Data, feita de 1 a 2 de dezembro, confirmou a liderança folgada do prefeito carioca Eduardo Paes (PSD) a governador. Já a Datafolha foi feita de 2 a 4 de dezembro. E, sem a mesma vantagem de Paes no RJ, deu Lula líder à reeleição.
Novidade do Capitão Pimentel
Nos cinco cenários estimulados da Big Data, com margem de erro de 3 pontos para mais ou menos, Paes variou entre 55% a 44% de intenção de voto a governador. Os dois únicos cenários em que ele não liquidaria a fatura no 1º turno têm o mesmo fator comum: o ex-capitão do Bope Rodrigo Pimentel (sem partido) foi colocado em ambos como pré-candidato.
Atrás de Paes, Pimentel e Garotinho
No cenário 4 da Big Data, atrás de Paes, com 45% de intenção, Pimentel teve 15%. No cenário 5, atrás de Paes, com 44%, Pimentel teve 14%. Entre todos os nomes testados, apenas o ex-governador Anthony Garotinho (REP) também teve 15%, atrás dos 51% de Paes, no cenário 3. O que mostra o potencial eleitoral do ex-capitão do Bope.
(Infográfico: Joseli Matias)
Bacellar a governador antes da prisão
O maior problema da Big Data é que, então presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União) teve de 14% a 8% de intenção nos cinco cenários a governador, variando na 2ª à 4ª posição. Mas, por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, o político de Campos seria preso preventivamente (confira aqui, aqui e aqui) no dia 3, seguinte à conclusão da pesquisa.
Sarrafo curto após prisão
Mesmo liberado ontem (9) por Moraes (confira aqui), com várias medidas cautelares, incluindo uso de tornozeleira eletrônica e afastamento da presidência da Alerj, Bacellar sai muito enfraquecido. Deve ainda ter força no bastidor, mas candidatura a governador ou vaga de conselheiro no Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) parecem ter ficado distantes.
E ao Senado?
A Big Data também fez pesquisa às duas cadeiras que o RJ elegerá ao Senado. Mas, líderes em todos os cenários em que participam, o governador Cláudio Castro (PL) pode ainda ser afetado pelo desenrolar do caso do ex-aliado Bacellar, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL) foi lançado no dia 5 (confira aqui) pré-candidato a presidente por seu pai, o ex Jair Bolsonaro (PL).
Frederico Paes, vice-prefeito de Campos, engenheiro agrônomo, presidente da Coagro e industrial do acúçar e do álcool (Foto: Folha da Manhã)
Vice-prefeito de Campos, engenheiro agrônomo, produtor rural, presidente da Coagro e industrial do açúcar e do álcool, Frederico Paes (MDB) está internado no hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Vítima de uma prostatite (inflamação na próstata), que acabou gerando uma infecção bacteriana generalizada, esta já foi controlada e seu quadro de saúde é estável.
Frederico se internou inicialmente no Hospital Plantadores de Cana (HPC) no dia 25, apresentando quadro de febre e dor no corpo. Após três dias no HPC, ele se transferiu ao hospital Dr. Beda, onde teve o quadro de septicemia controlado. Mesmo assim, foi transferido no dia 5 ao Sírio-Libanês num jato particular do Grupo MPE, com o qual administra em parceria a usina da Coagro.
No hospital referência de São Paulo e do Brasil, já com a infecção generalizada debelada, o vice-prefeito de Campos passou ontem (8) por uma punção e drenagem de um abscesso na próstata, apontado pelos médicos como a causa do problema. Hoje, amanheceu sem febre e, segundo ele mesmo passou ao blog, deve estar recuperado em mais 15 dias.
Em nome deste blog e do Grupo Folha de comunicação, o desejo sincero pela rápida e completa recuperação de Frederico.
Alexandre Moraes e Rodrigo Bacellar (Montagem: Joseli Matias)
Como esperado, a Alerj decidiu hoje (8) contra a prisão preventiva do seu presidente, Rodrigo Bacellar (União). Que, na quarta (3), foi afastado do cargo e preso na Superintendência da Polícia Federal (PF) do Rio de Janeiro, na operação Unha e Carne, como suspeito de ter vazado informações sigilosas ao deputado estadual TH Joias (MDB), preso em 3 de setembro, na operação Zargun, por ligação com a facção criminosa Comando Vermelho.
Mas após os 42 votos pela soltura de Bacellar na Alerj (confira aqui), com 21 pela manutenção da sua prisão, duas abstenções e três ausências, a pergunta agora é: o que acontece?
Alerj vai comunicar decisão ao STF — Após a elaboração do texto final da resolução do plenário da Alerj, ele será publicado em Diário Oficial. No qual o Legislativo fluminense comunicará sua decisão ao STF. Onde o ministro Alexandre de Moraes é o responsável pela ordem de prisão e pela condução do inquérito contra Bacellar, a partir da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental 635, a ADPF das Favelas.
Medidas cautelares? Quais? — Ainda não há definição sobre quando Bacellar será solto e se terá seu poder restituído. Mesmo com a decisão política pela revogação da prisão, caberá exclusivamente ao STF determinar as condições da soltura. Há a expectativa de que Moraes possa impor medidas cautelares contra o parlamentar:
— O que foi decidido aqui (na Alerj) será encaminhado ao ministro Alexandre. Em relação à soltura, caso seja essa a decisão, teremos que soltar. Mas o mesmo ato pode determinar uma série de medidas cautelares, como afastar do exercício da presidência, usar tornozeleira, apreensão de passaporte. São medidas diferentes da prisão e que o Supremo pode tomar independentemente deste Parlamento — explicou (confira aqui) o veterano deputado estadual Carlos Minc (PSB).
Entre as cautelares possíveis além do uso de tornozeleira eletrônica, afastamento da função pública e entrega do passaporte, pode estar o recolhimento domiciliar noturno e a probição de contato com outros investigados.
O que Moraes já disse — Na decisão que determinou a prisão e o afastamento do presidente da Alerj, Moraes afirmou (confira aqui):
— “Bacellar (…) teve conhecimento prévio da operação policial, comunicou-se com Thiego (TH Joias), principal alvo da ação, e ainda o orientou quanto à retirada de objetos de interesse investigativo — disse o ministro do STF. Para quem o político de Campos tem “fortes indícios” de participação em uma organização criminosa.
Desdobramentos na operação Oricalco? — Moraes também já sinalizou que a investigação terá desdobramentos. Ele pediu o compartilhamento de informações (confira aqui e aqui) da Operação Oricalco. Que, pelo menos publicamente, ainda não aconteceu. O processo está no Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF 2) e corre sob sigilo.
“Ao desembargador relator Júdice Neto, da 1ª Seção Especializada do TRF 2, (solicito) o compartilhamento de todos os elementos de convicção angariados em todos os procedimentos e processos relacionados à operação Oricalco”, despachou Moraes. Nos bastidores da Alerj, corre que, além de Bacellar, outros cinco deputados estaduais também seriam alvos da PF na operação Oricalco.
O que há no celular Bacellar? — Além do que ainda não foi revelado na operação Oricalco, há possibilidade de desdobramentos no caso também no celular pessoal de Bacellar. Que foi apreendido com ele no momento da sua prisão, da qual ele aparentemente não desconfiava. O deputado se recusou a fornecer a senha, mas a perícia da PF já teria (confira aqui) conseguido acessar seu conteúdo. Que é temido por muita gente na cúpula do Poder Público do RJ.
A prisão (confira aqui, aqui e aqui) do deputado estadual campista Rodrigo Bacellar (União), na quarta (3), pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, sua votação na Comissão de Constituição e Justiça (confira aqui) e no plenário da Alerj, e suas consequências (confira aqui).
O lançamento da pré-candidatura a presidente em 2026 do senador Flávio Bolsonaro (PL) por seu pai (confira aqui e aqui), o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Por fim após o inédito tetracampeonato na Libertadores da América (confira aqui) e o eneacampenato Brasileiro (confira aqui), o que esperar do Flamengo no Intercontinental de Clubes de 2025, em que o clube carioca estreia nas quartas de final contra o mexicano Cruz Azul no Qatar, a partir das 14h de Brasília, nesta quarta (10)?
Esses serão os três temas em debate no Folha no Ar desta terça (9), ao vivo, a partir das 7h da manhã, entre o radialista Cláudio Nogueira e o jornalista Aluysio Abreu Barbosa, na Folha FM 98,3.
Quem quiser participar do Folha no Ar desta terça poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook e no YouTube.
José Paes Neto, advogado, professor de Direito Eleitoral da Ceped/Uerj e presidente da Comissão de Direito Público da OAB Campos
Democracia e devido processo: reflexões sobre a prisão de Rodrigo Bacellar
Por José Paes Neto
A prisão preventiva do presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, deputado Rodrigo Bacellar, decretada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, inaugura um capítulo preocupante na política fluminense. As acusações são graves: vazamento de informações sigilosas da Operação Zargun, que resultou na prisão do então deputado TH Joias, além de obstrução de investigações envolvendo o crime organizado. A magnitude das denúncias exige apuração célere, firme e, sobretudo, imparcial.
Não me dedico à área criminal, que tem seus próprios especialistas de reconhecida competência. Minha atuação concentra-se no Direito Eleitoral e no Direito Público. Contudo, mesmo sob essa perspectiva, alguns aspectos do caso chamam atenção e merecem reflexão.
Primeiro, causa estranheza o fato de a prisão ter sido decretada no âmbito da ADPF 635, conhecida como “ADPF das Favelas”. Trata-se de uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental, ação de controle concentrado de constitucionalidade, que não foi concebida para substituir a jurisdição penal ordinária. A ADPF 635 objetivava estabelecer políticas públicas de redução da letalidade policial e combate ao crime organizado no Rio de Janeiro. Embora o Supremo Tribunal Federal tenha determinado que a Polícia Federal conduzisse investigações sobre organizações criminosas e suas conexões com agentes públicos, a utilização deste instrumento processual para decretar prisões preventivas configura uma expansão da competência originária do STF que merece debate.
Isso nos leva ao segundo ponto: a questão da competência jurisdicional. As investigações contra o deputado TH Joias tramitam no Tribunal Regional Federal da 2ª Região, que já decretou e manteve sua prisão preventiva. Se as acusações contra Rodrigo Bacellar se relacionam diretamente a fatos apurados naquele processo — o suposto vazamento da Operação Zargun —, surge a dúvida: não seria o TRF-2 o juízo natural para apreciar eventual pedido de prisão preventiva? A conexão probatória entre os casos sugere que deveriam tramitar perante o mesmo órgão jurisdicional, sob pena de decisões conflitantes e fragmentação da prestação jurisdicional.
O Supremo Tribunal Federal possui competência para julgar deputados federais e autoridades com foro privilegiado na Constituição. Deputados estaduais, contudo, são julgados pelos Tribunais de Justiça estaduais, conforme prevê a Constituição Federal. A ampliação da competência do STF através da ADPF das Favelas para alcançar qualquer agente público envolvido com crime organizado no Rio de Janeiro representa uma novidade procedimental que exige maior reflexão jurídica.
Além disso, questiona-se a necessidade da prisão preventiva neste momento processual. A prisão de TH Joias ocorreu há quase três meses, em setembro. Os fatos que fundamentaram a prisão de Bacellar — o suposto vazamento e a orientação para destruição de provas — são anteriores à prisão de TH Joias. Não há nos autos, ao menos não se tem notícia, de elementos concretos demonstrando que Rodrigo Bacellar tenha praticado atos recentes de obstrução das investigações. A jurisprudência exige que a prisão preventiva seja fundamentada em fatos contemporâneos, e não em condutas pretéritas já consumadas.
A prisão preventiva é medida excepcional em nosso ordenamento jurídico, que consagra a presunção de inocência como garantia fundamental. Sua decretação exige a demonstração concreta e atual de que o investigado está praticando condutas que justifiquem a segregação cautelar. No caso, se o vazamento ocorreu em setembro e a prisão de TH Joias já se consumou, qual seria o risco atual que justificaria a prisão de Bacellar? Ele teria acesso a novas operações sigilosas? Estaria praticando novos atos de obstrução? Essas perguntas precisam de respostas objetivas.
Ressalto: as denúncias são extremamente graves. Se comprovado que o presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro atuou para proteger parlamentar envolvido com organização criminosa, estaremos diante de um dos mais significativos casos de corrupção institucional da história recente fluminense. A infiltração do crime organizado nas instituições republicanas é ameaça mortal à democracia e ao Estado de Direito.
Mas é justamente porque as acusações são graves que o rigor processual se impõe. A gravidade dos fatos não pode servir de justificativa para o afastamento das garantias constitucionais. O devido processo legal, a ampla defesa e o contraditório não são privilégios de inocentes — são direitos de todos os investigados, independentemente da acusação. Uma democracia madura se fortalece quando respeita as regras do jogo mesmo nos casos mais difíceis.
Não integro o grupo político de Rodrigo Bacellar e não tenho qualquer vínculo partidário ou eleitoral com o deputado. Minha análise é estritamente técnica e comprometida com a preservação das instituições. O que está em jogo não é a proteção de um indivíduo, mas a solidez do sistema de garantias processuais que protege — ou deveria proteger — a todos nós.
Por fim, é preciso reconhecer uma realidade incontornável: independentemente da conclusão das investigações, o dano político já está consumado. Rodrigo Bacellar era considerado um dos principais nomes para disputar o governo do Rio de Janeiro em 2026. A prisão, ainda que eventualmente revogada, representa um golpe duro em suas pretensões eleitorais. O caso redefine o tabuleiro político fluminense e evidencia como o combate ao crime organizado passou a ser fator ainda mais determinante na dinâmica eleitoral do estado.
A sociedade fluminense merece respostas. Merece que as investigações sejam conduzidas com eficiência e que os culpados sejam punidos com o rigor da lei. Mas merece, igualmente, que o processo se desenvolva dentro dos parâmetros constitucionais, com respeito às competências estabelecidas e às garantias fundamentais. Só assim construiremos um Rio de Janeiro verdadeiramente livre do crime organizado: não apenas com prisões, mas com instituições sólidas, respeitadas e confiáveis.
Alexandre de Moraes, TH Joias e Rodrigo Bacellar (Montagem: Joseli Matias)
Futuro do RJ no celular de Bacellar
Preso após ser convidado pelo superintendente da PF no RJ, delegado Fábio Galvão, para uma reunião na manhã de quarta, Bacellar teve também apreendidos R$ 91 mil em espécie que levava em seu carro blindado. Como o seu celular pessoal. Cujo conteúdo é temido por muitos na cúpula política fluminense. E tem o poder de ser o definidor eleitoral (e policial) do RJ.
Alerj entre a cruz e a espada
Entre o medo de Moraes e o de um Bacellar reeleito presidente pela unanimidade dos seus pares, a Alerj adiou para esta segunda (8) a votação sobre a prisão marcada para ontem (5). Na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e, em sequência, no plenário da Casa. Mas, mesmo que ambos decidam a favor de Bacellar, há a expectativa de que Moraes mantenha a prisão.
Medo de mais prisões
Contra Bacellar, inclusive entre seus muitos aliados da direita bolsonarista na Alerj, pesa o fato de que ir contra uma acusação de associação com o Comando Vermelho pode custar muito caro na tentativa de reeleição em 2026. Como, a favor da decisão de Moraes, pode pesar o medo de que a prisão de Bacellar possa ser seguida de outras.
O que está sob sigilo na Oricalco?
Na decisão sobre a prisão de Bacellar, Moraes sinalizou que a investigação terá desdobramentos. Ele pediu o compartilhamento de informações da Operação Oricalco. Que, pelo menos publicamente, ainda não aconteceu. O processo está no Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF 2) e corre sob sigilo.
Mais deputados no alvo da PF?
“Ao desembargador relator Júdice Neto, da 1ª Seção Especializada do TRF 2, (solicito) o compartilhamento de todos os elementos de convicção angariados em todos os procedimentos e processos relacionados à operação Oricalco”, despachou (confira aqui) Moraes. Nos bastidores da Alerj, corre que, além de Bacellar, outros cinco deputados seriam alvo da PF.
Sobre prisão de políticos
No lugar de celebrar, prisão de políticos deveria servir à reflexão de quem os elege. Seja dos presidentes Lula, Temer, Collor e Bolsonaro; dos governadores Sérgio Cabral, Pezão, Moreira Franco, Garotinho e Rosinha; dos presidentes da Alerj José Nader, Jorge Picciani, Paulo Melo e, agora, Rodrigo Bacellar. O próprio Lula prova que quem cai hoje pode se reerguer amanhã.
Presidente da Alerj, o campista Rodrigo Bacellar (União) está preso desde quarta (3) numa cela de 4 m², sem TV ou janela, na Superintendência de Polícia Federal (PF) do Rio de Janeiro. Sua prisão, como seu afastamento da presidência do Legislativo fluminense, foi determinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
Unha e Carne com TH Joias
Bacellar foi preso na operação Unha e Carne. Foi um desdobramento da operação Zargun, que prendeu em 3 de setembro o deputado estadual TH Joias (MDB), ligado ao Comando Vermelho. Em seu celular, a PF capturou mensagens trocadas com Bacellar, que teria vazado informações sobre a prisão do colega e o orientado na eliminação de provas.
“Fortes indícios” para Moraes
“Bacellar (…) teve conhecimento prévio da operação policial, comunicou-se com Thiego (TH Joias), principal alvo da ação, e ainda o orientou quanto à retirada de objetos de interesse investigativo”, disse Moraes para justificar a prisão do político de Campos. Que, segundo o ministro do STF, tem “fortes indícios” de participação em uma organização criminosa.
As faces da ADPF das Favelas
Moraes é o relator no STF da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental 635, a ADPF das Favelas. Nela, a PF investiga a infiltração do crime organizado no Poder Público do RJ. Por outro lado, a ADPF é acusada de tirar autonomia das polícias estaduais para incursões em comunidades cariocas. Que, por isso, passaram a atrair criminosos de vários outros estados.
Nunca serão?
Crítico à ADPF, o ex-capitão do Bope Rodrigo Pimentel, que inspirou o Capitão Nascimento dos filmes “Tropa de Elite”, lembrou que TH Joias já tinha sido preso e condenado a 14 anos de cadeia por associação ao Comando Vermelho. “Mas que, numa manobra jurídica, conseguiu participar da eleição (de 2022) e ficar na condição de 2º suplente, com 15 mil votos”.
Comando Vermelho na Alerj
“Infelizmente, um deputado morreu (Otoni de Paula Pai, em 2024) e TH passou à 1ª suplência. E a partir daí, houve uma movimentação. O governador Cláudio Castro (PL) nomeou o deputado Rafael Picciani à secretaria de Esporte, que era do MDB. Com isso, TH conseguiu o que ele queria: ser o representante do Comando Vermelho na Alerj”, cravou Pimentel.
Feita de 22 a 27 de novembro e divulgada ontem (2), nova pesquisa AtlasIntel indica queda na aprovação de governo de Lula (PT). E que ele, hoje, empataria tecnicamente no 2º turno presidencial com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (REP), a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) e o ex-presidente Jair Bolsonaro, preso no dia 22 e inelegível até 2060.
AtlasIntel, Quaest e Paraná x MDA
A nova AtlasIntel parece confirmar as pesquisas dos institutos Quaest e Paraná (confira aqui, aqui, aqui e aqui), feitas na 1ª quinzena de novembro, que também apontaram queda de Lula em aprovação de governo e intenção de voto. Mas se contrapõe à pesquisa MDA (confira aqui), feita na 2ª quinzena de novembro, quando o líder petista parecia se recuperar nos dois índices: aprovação e intenção.
Desaprovação de outubro a novembro
Na série histórica AtlasIntel, Lula cresceu 2,6 pontos na desaprovação de governo entre outubro e novembro. Quando passou de 48,1% aos atuais 50,7% dos brasileiros que desaprovam o atual Governo Federal. No mesmo período, os que aprovam o Lula 3 caíram os mesmos 2,6 pontos: dos 51,2% de outubro aos 48,6% dos brasileiros no final de novembro.
Lula x Bolsonaro no 1º turno
Nas projeções de 1º turno da AtlasIntel, Lula diminuiu sua vantagem sobre um Bolsonaro inelegível e preso. De outubro a novembro, o petista caiu 3,1 pontos: de 48,8% aos atuais 45,7% de intenção. No mesmo período, o capitão cresceu 3,5 pontos: de 41,3% aos atuais 44,8%. Pelo menos no final de novembro, a prisão de Bolsonaro teve efeito reverso.
(Infográfico: Joseli Matias)
Lula x Tarcísio no 1º turno
Ainda nas projeções de 1º turno da AtlasIntel, Lula também diminuiu sua vantagem sobre Tarcísio, considerado seu opositor mais consistente entre os elegíveis. De outubro a novembro, o petista caiu 2,9 pontos: de 51,3% a 48,4%. Por sua vez, Tarcísio cresceu 2,1 pontos no mesmo período: de 30,4% aos atuais 32,5% de intenção ao 1º turno.
(Infográfico: Joseli Matias)
Lula em 3 empates técnicos no 2º turno
Feita com 5.510 eleitores e margem de erro de 1 ponto para mais ou menos, é nas projeções de 2º turno que a nova AtlasIntel acende o sinal amarelo a Lula. Ele não foi além do empate técnico não só diante de um Bolsonaro inelegível e preso, mas também contra Tarcísio e Michelle. Contra cada um dos três, o petista, hoje, ficaria nos mesmos 49% a 47% de intenção.
(Infográfico: Joseli Matias)
Lula desce, Tarcísio sobe no 2º turno
Na série da simulação de 2º turno entre Lula e Tarcísio, a AtlasIntel também evidenciou como a prisão de Bolsonaro pode favorecer um seu candidato a presidente. De outubro ao final de novembro, Lula caiu 3 pontos: de 52% aos atuais 49%. No mesmo período, Tarcísio cresceu os mesmos 3 pontos num eventual 2º turno contra o petista: de 44% aos atuais 47% de intenção.
(Infográfico: Joseli Matias)
Bolsonaro preso não define 2026
Há contradição entre AtlasIntel, Quaest e Paraná de novembro e a MDA do mesmo mês. Com metodologias diferentes, só as próximas pesquisas esclarecerão. Mas a quem supunha que o pleito a presidente de outubro de 2026 estaria definido com a prisão de Bolsonaro, o calendário eleitoral chega a dezembro de 2025, a 10 meses da urna, envolto em dúvida.
William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE
Comparação entre pesquisas
“Com entrevistas online, a AtlasIntel de novembro traz o aumento da desaprovação ao governo Lula captado pela Quaest, que trabalha com entrevistas presenciais. O instituto MDA também faz entrevistas presenciais e registrou aumento da aprovação a Lula em novembro”, comparou William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE.
Resiliência do bolsonarismo
Por sua vez, no que diz respeito à intenção de voto, a AtlasIntel testou sete cenários de 2º turno. Lula liderou todos numericamente, mas ficou em empate técnico, na margem de erro de 1 ponto para mais ou menos, em três: contra Bolsonaro, que está inelegível, e contra Tarcísio e Michelle. Isso aponta a resiliência eleitoral do bolsonarismo”, concluiu o estatístico.
Empresária, atleta de futevôlei e torcedora do Flamengo, Bianca Inojosa é a convidada do Folha no Ar desta quarta (3), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3.
Ela analisará o tetracampeonato da Libertadores, primeiro na história do futebol do Brasil, conquistado (confira aqui) no sábado (29) pelo Flamengo. Assim como a possibilidade do time da Gávea conquistar, a partir das 21h30 desta própria quarta, diante do Ceará, mais um Brasileirão no Maracanã.
Por fim, Bianca tentará projetar a campanha do Flamengo na Copa Intercontinental da Fifa, na qual estreia em 10 de dezembro, na quartas de final contra o clube mexicano Cruz Azul. Assim como a do Brasil do treinador italiano Carlo Ancelotti na Copa do Mundo de seleções, a partir de junho de 2026.
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Feita de 22 a 27 de novembro e divulgada hoje (2), nova pesquisa AtlasIntel indica queda na aprovação de governo de Lula (PT). E que ele, hoje, empataria tecnicamente no 2º turno presidencial com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (REP), a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) e o ex-presidente Jair Bolsonaro, preso no dia 22 e inelegível até 2060.
Na série histórica AtlasIntel, Lula cresceu 2,6 pontos na desaprovação de governo entre outubro e novembro. Quando passou de 48,1% aos atuais 50,7% dos brasileiros que desaprovam o atual Governo Federal. No mesmo período, os que aprovam o Lula 3 caíram os mesmos 2,6 pontos: dos 51,2% de outubro aos 48,6% dos brasileiros no final de novembro.
Feita com 5.510 eleitores e margem de erro de 1 ponto para mais ou menos, é nas projeções de 2º turno que a nova AtlasIntel acende o sinal amarelo a Lula. Ele não foi além do empate técnico não só diante de um Bolsonaro inelegível e preso, mas também contra Tarcísio e Michelle. Contra cada um dos três, hoje, o petista ficaria nos mesmos 49% a 47% de intenção.
Na série da simulação de 2º turno entre Lula e Tarcísio, a AtlasIntel também evidenciou como a prisão de Bolsonaro pode favorecer um seu candidato a presidente. De outubro ao final de novembro, Lula caiu 3 pontos: de 52% aos atuais 49%. No mesmo período, Tarcísio cresceu os mesmos 3 pontos num eventual 2º turno contra o petista: de 44% aos atuais 47% de intenção.
Leia nesta quarta (3) a análise completa da pesquisa no blog Opiniões e na coluna Ponto Final, da Folha da Manhã.
Secretário de Abastecimento, Aquicultura e Pesca, vereador licenciado e produtor rural, Nildo Cardoso (PL) é o convidado do Folha no Ar desta terça (02), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3.
Ele detalhará o projeto do Centro de Abastecimento de Campos (Ceascam), suas emendas federais já destinadas e a negociação para abertura de licitação para início das obras do empreendimento.
Nildo também analisará as pré-candidaturas a deputado federal e estadual (confira aqui, aqui e aqui) de Campos e região, bem como as eleições a senador (confira aqui, aqui, aqui e aqui) e governador do RJ (confira aqui, aqui, aqui e aqui) em 2026.
Por fim, tentará projetar as eleições a presidente da República (confira aqui), e os caminhos à direita no país após a prisão (confira aqui, aqui e aqui) do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no dia 22, após ser condenado em 11 de setembro (confira aqui) por tentativa de golpe de Estado.
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