Questionável, inquestionável e inédito nas prisões por golpe

 

Bolsonaro flagrado por câmera dentro da sede da Polícia Federal de Brasília no domingo, onde está preso desde sábado, após tentar violar sua tornozeleira eletrônica com um ferro de solda (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Bolsonaro da preventiva ao início da pena

Preso preventivamente no início da manhã de sábado (22), após confessamente tentar violar sua tornozeleira eletrônica, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi transferido no mesmo dia da sua casa à Superintendência da Polícia Federal em Brasília. Onde, desde ontem (25), passou a cumprir sua pena de 27 anos e 3 meses de prisão, por tentativa de golpe de Estado.

 

O questionável e o inquestionável

Há questionamentos legítimos (confira aqui, aqui, aqui e aqui) à condução do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) que condenou Bolsonaro (confira aqui) em 11 de setembro. Mas nenhum dos réus e advogados negaram no processo que a tentativa de golpe existiu. E a prisão preventiva de um condenado em prisão domiciliar, monitorado por tornozeleira eletrônica e que tenta violá-la, é inquestionável.

 

Histórico golpista do Brasil

Para além da parte jurídica, há questões históricas maiores. A primeira? Do golpe militar de Estado que fundou a República em 15 novembro de 1889 à Invasão da Praça dos Três Poderes em 8 de janeiro 2023, o Brasil teve sete golpes consumados e 16 tentativas. O que dá ao país, em 134 anos de República, a média de um golpe de Estado ou tentativa a cada 5,8 anos.

 

Inédito à República

Incluído Bolsonaro, capitão da reserva do Exército, 17 militares já foram condenados (confira aqui) na tentativa de golpe de Estado: um almirante da Marinha, três generais, três coronéis, seis tenentes-coronéis, dois majores e um subtenente do Exército. Na primeira vez que militares pagam por seus crimes contra a democracia no Brasil. É um didatismo inédito à República.

 

Generais Augusto Heleno e Paulo Sérgio Nogueira e o almirante Almir Garnier foram presos ontem

 

Três generais e almirante presos

Ontem, com a conclusão do processo no STF, também foram presos os generais Augusto Heleno e Paulo Sérgio Nogueira e o almirante Almir Garnier, respectivamente, ex-ministros do GSI, da Defesa e ex-comandante da Marinha. O general Braga Netto já estava preso desde 14 de dezembro. São as mais altas patentes presas por tentativa de golpe na História do Brasil.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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