Opiniões

Wladimir questiona juízes e delegado federal no Folha no Ar. E tem respostas

 

Deputado federal Wladimir Garotinho, juízes Ralph Manhães e Glaucenir Oliveira, e delegado federal Paulo Cassiano (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

“A Justiça Eleitoral se manifesta nos autos”. Foi como o juiz estadual Ralph Manhães, que vai coordenar a Justiça Eleitoral (confira aqui) nas eleições municipais deste ano, reagiu às declarações do deputado federal Wladimir Garotinho (PSD), dadas no final do programa Folha no Ar, na manhã de hoje (09). Ao vivo na Folha FM 98,3, o pré-candidato a prefeito questionou nominalmente o magistrado. Sem citar o nome, questionou também o delegado da Polícia Federal (PF) Paulo Cassiano, que chefiará as investigações eleitorais em Campos e outros 17 municípios do pleito de novembro. Procurado pela reportagem da Folha, ele preferiu não se pronunciar.

— O delegado de Polícia Federal da eleição passada (Cassiano), que conduziu a operação Chequinho, será o mesmo delegado responsável pela eleição em Campos. O mesmo juiz (Ralph) que participou ativamente da operação Chequinho, vai ser o juiz responsável pela fiscalização da eleição em Campos. Isso me preocupa como pessoa, como pai e como marido (…) Não quero que seja transferida para mim o que houve com a minha família e meu grupo político. Mas eu não estou seguro que isso não vai acontecer. Então, isso também pesa na minha decisão de ser candidato (a prefeito) ou não (…) Tenho essa preocupação: vou disputar uma eleição em que dois atores principais do que ocorreu com a minha família e meu grupo político, estarão mais uma vez à frente da eleição. O que me garante que não vá acontecer nada? (…)  Na minha eleição de deputado federal (em 2018), o dr. Ralph Manhães, o juiz, que também vai participar da próxima eleição de prefeito, ele era juiz da propaganda. Ele tentou, de ofício, usurpando da sua competência, abrir um processo criminal de compra de voto e associação ao tráfico de drogas na minha eleição de deputado (…) Eu tive que recorrer ao TRE (Tribunal Regional Eleitoral), que disse que o dr. Ralph não tinha competência para abrir de ofício aquele inquérito. E curiosamente, misteriosamente, dr. Ralph manda um comunicado ao TRE, narrando fatos, que virou um processo, uma Aije (Ação de Investigação Judicial Eleitoral) que eu e (o deputado estadual) Bruno Dauaire (PSC) estamos respondendo (…) Em Campos existe essa situação que foi criada na eleição passada, do estilo bélico e combativo do meu pai, com setores do Judiciário campista, que eu tenho medo do que, de repente, se possa inventar contra mim — disse Wladimir ao Folha no Ar, cujo espaço foi em seguida franqueado ao vivo ao juiz Ralph Manhães e ao delegado Paulo Cassiano.

Antes de encerrar o programa de hoje, Wladimir também questionou outro magistrado de Campos, Glaucenir Oliveira. Ele foi afastado temporariamente das suas funções por decisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) de 3 de dezembro de 2019, em representação movida pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes. Que, como presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), decidiu monocraticamente a libertação do ex-governador Anthony Garotinho (sem partido), então preso há 28 dias pela operação Caixa D’Água, em decisão de Glaucenir. Este, em grupo de WhatsApp, questionou a decisão de Gilmar, em áudio que vazou na mídia nacional e gerou a representação do ministro contra o juiz campista no CNJ.

— Teve outro juiz de Campos (Glaucenir) que acabou sendo afastado do seu cargo por dois anos, devido a denúncias que meu pai fez no CNJ. Então, assim, existe uma animosidade do Judiciário contra o meu pai, contra a minha família e contra uma parte do meu grupo político. Que, apesar de eu não ter o estilo bélico que meu pai tem, eu tenho medo como ser humano, como pai, como marido, que isso possa ocorrer. Não estou, em hipótese alguma, dizendo que vá ocorrer. Mas o histórico me leva a ter precaução — disse Wladimir. Lembrado na sequência que o afastamento temporário de Glaucenir se deu por uma representação de Gilmar Mendes ao CNJ, não de Garotinho, o deputado admitiu: “correto”.

Após o Folha no Ar de hoje, Glaucenir também foi procurado para se manifestar sobre sua citação por Wladimir. Após ouvir o áudio deste, o juiz esclareceu:

— Primeiro ponto: todas as minhas decisões foram mantidas no Rio, pelo TRE. Não me preocupo com as mudanças ocorridas em tribunais superiores, que fazem seu trabalho de acordo com o entendimento dos ilustres ministros, cujas decisões devo respeitar. Não tenho nada pessoal contra nenhum dos réus em processos que julgo, e nem poderia. Por isso preservo e muito minha independência e imparcialidade. Mas políticos confundem as estações, o que é evidente: são seus interesses pessoais. Mas, no exercício da função, tomo minhas decisões com rigor nos exatos termos da legislação e de minha consciência jurídica. Friso, não existe nenhuma animosidade minha com ninguém. Seja político, traficante, assaltante. A lei é para todos! Independente de posição social e econômica, e também política. Aplico a lei. Ponto final. Réus que não aceitam ou não concordem com decisões judiciais, podem exercer o direito a recurso e a uso banalizado da ação constitucional de habeas corpus. Não fui afastado das funções, temporariamente e não em definitivo, por denúncias do sr. Garotinho, mas por conta de polêmicas com sua exa. ministro Gilmar Mendes. Todos sabem os motivos. Não deturpem os fatos! E todas as ações e acusações do sr. Garotinho contra mim, em qualquer tribunal, foram julgadas improcedentes, como não poderia deixar de ser. Enfim, trabalho de magistrado é e deve ser respeitado. Só pra ressaltar, minha imparcialidade foi mais uma vez demonstrada quando eu indeferi um novo pedido de prisão do sr. Garotinho, pois não acatei os fundamentos do MP na ocasião. Isso foi amplamente divulgado. Poderia ter feito o contrário. Mas a seriedade da minha judicatura sempre fala mais alto.

 

A matéria com o resto da entrevista de Wladimir Garotinho ao Folha no Ar da manhã de hoje, junto à que dará o prefeito Rafael Diniz (Cidadania) na manhã desta sexta (09) na Folha FM, será publicada no sábado (11) na edição da Folha da Manhã e no site Folha1.

 

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