Zico, Flamengo, futebol e arte (I)

Em qualquer escola de jornalismo, seja na academia ou nas redações, se aprende que o jornalista tem que ser narrador impessoal dos fatos, com os quais deve se evitar envolvimento emocional, em busca da verdade. E é em nome dela que a negação desta regra é o preâmbulo desta entrevista, feita na manhã da penúltima sexta, dia 3, na sede do CFZ, no Recreio dos Bandeirantes, na cidade do Rio de Janeiro. Amarrada em Campos e no Rio, respectivamente pelos jornalistas Antunis Clayton e Eraldo Leite, o repórter se pôs diante de um ídolo não apenas seu, mas da maior torcida do planeta: Arthur Antunes Coimbra, que passou à história do futebol mundial como Zico. Entrevista dividida em duas partes, na primeira coube ao maior jogador da história do Flamengo falar da difícil missão que ora exerce como diretor de futebol do clube, que segue próximo à zona de rebaixamento no Brasileiro, após tantos escândalos nas páginas policiais. Na segunda, o ex-gênio da bola falou dos times, jogadores e técnicos que, como ele, transformaram um esporte em arte. Em ambas as partes, Zico demonstrou a mesma humildade e determinação que marcaram uma carreira de craque generoso dos campos. No futebol que imita a vida para ser arte, o segredo para se receber a bola no futuro é saber de onde parte e quem lança a bola do passado.

 

(Foto de Diomarcelo Pessanha)
(Foto de Diomarcelo Pessanha)

 

Folha – À parte o trabalho na direção de futebol no Flamengo, acha que sua condição de ídolo maior  da torcida rubro-negra, com aceitação positiva em todas as outras, sem contar sua grande influência no mercado japonês, tem sido devidamente explorada pelo clube ?

Zico – Olha, é uma área que não me diz respeito, porque o Flamengo tem uma área de marketing e tem os seus compromissos, pessoas ligadas que devem saber o que pode ser bom ou pode ser ruim para o Flamengo. Eu não me envolvo nessa área, minha área diz respeito somente ao futebol. Eu não tenho a autonomia de orçamento, de decisões em relação ao que eu posso fazer para o time de futebol. Eu apenas tenho reuniões com quem de direito, que é o vice de Finanças (Michel Levy), com a presidente (Patrícia Amorim), com quem eu passo aquilo que deveria ser feito, mas se eles não derem autorização, eu não posso fazer nada. A instituição é assim, o Flamengo é assim, e, naturalmente, que enquanto não existir o Fla Futebol, que possa ter uma autonomia, qualquer dirigente que for para lá fica atrelado ao orçamento.

 

Folha – Já virou lugar comum dizer que o Flamengo é a maior marca do futebol brasileiro e até mundial. Como fazer para explorá-la em sua totalidade? E, em contrapartida, como o Flamengo pode tirar da marca Zico o devido proveito?

Zico – Essas pessoas é que tem que estudar. Eu, por exemplo, quando assumi o Flamengo, disse bem claro que não gostaria que saisse um tostão do Flamengo.

 

Folha – Você disse que tudo que tinha que ganhar do Flamengo, ja havia recebido como jogador.

Zico – É, agora, utilizando a minha marca, o meu nome, dessa forma eu assinei contrato com a Sky, com a Locant e agora deve estar saindo com a BMG. São três empresas a que eu ofereço a minha imagem, elas utilizam e dessa forma eu posso permanecer aqui no Brasil e estar de diretores do Flamengo. Se eu sair, eles também saem. Então, isso eu procurei deixar bem claro e lógico que existem outras formas de utilização do meu nome, se o Flamengo quiser utilizar…

 

Folha – Está aberto a isso?

Zico – Eu estou aberto, claro que estou aberto.

 

Folha – Você jogou com Silas pela Seleção, na Copa do Mundo de 1986. Agora, no Flamengo, mas do lado de fora do campo, a tabela entre vocês ficou mais fácil ou mais difícil?

Zico – A tabela do treinador e dirigente é sempre mais difícil. Você, dentro do campo, a coisa depende de você; é mais fácil sempre. Agora, tabela fora do campo, depende de uma série de gente. Em termos de diálogo, não vai ter influência nenhuma, a gente vai continuar da mesma forma, pelo que eu conheço dele, já de bastante tempo, pelo carinho que a gente tem um pelo outro. Ele é o tipo do cara que se sentir também que a coisa não está funcionando, ele vai ser o primeiro a dizer: “Olha, não deu!” A contratação dele não tem nada a ver com a amizade que a gente tem, com esse fato da gente ter jogado junto; tem sim com o fato dele ter uma carreira em ascensão. É um treinador  que  tem conhecimento de futebol, tem obtido resultado por onde tem passado, e a gente está dando essa oportunidade. Tomara que ele acerte.

 

Folha – Quais são as reais expectativas para a campanha do Flamengo no Brasileirão? Ainda dá para pensar no G-4, ou escapar do rebaixamento já estará de bom tamanho?

Zico – Eu acho que o Flamengo tem que pautar: primeiro, o título. Se distanciou, mas a diferença para o quinto colocado é de três pontos (antes da rodada de hoje, já era de nove). Se você pega duas, três vitórias, você já encosta no G-4. A meta é sempre o título, mas se não dá, você tem Libertadores, você tem Sul-Americana. O Flamengo não pode no rebaixamento, pelo plantel que tem…

 

Folha – Por ser o atual campeão brasileiro?

Zico – Não é por isso. O Corínthians foi campeão (brasileiro em 2005) e foi rebaixado logo depois (em 2007). O título, às vezes, ele traz uma certa acomodação, ele se torna perigoso. Então, para alguns, o título não faz bem.

 

Folha – Para você sempre fez bem. Ganhou quatro Brasileiros como jogador.

Zico – A gente quer ganhar mais, mas tem uns que se acomodam, acham que já fizeram o que tinham que fazer, salário ótimo, este é que é o perigo. Mas ele esquece que como fica marcado por um título, também fica marcado por uma queda, e às vezes até mais forte. Pegar trem andando é sempre muito complicado, quando você não planeja nada. O Flamengo não teve nenhum planejamento para este ano, empurraram com a barriga os problemas, pensaram que era só botar aquele time (campeão brasileiro em 2010) e iria ganhar a Libertadores. Não pensaram na possibilidade de uma eliminação, como é que iria ficar o time. Então, pegamos esse trem andando e, no meio do caminho, às vezes é difícil você encontrar soluções, sem planejar. Se não der certo este ano, se a gente conseguir pelo menos ficar ali no meio do bolo, a gente começa agora, já em outubro, a planejar para o ano que vem, mas para não deixar nenhum sufoco para ninguém. Tenho procurado fazer uma planejamento até dezembro de 2012, que é quando termina o mandato da Patrícia. É isso que eu quero, para que  ninguém tenha os problemas que eu tive quando cheguei agora.

 

Folha – Na história do futebol brasileiro, poucos jogadores tiveram comportamento profissional e pessoal mais regrado que o seu. Como fazer que este exemplo volte a ser referência no Flamengo, após os escândalos de Adriano, Wagner Love e, sobretudo, Bruno?

Zico – São casos bem isolados. Os casos do Adriano e do Wagner Love não foram propriamente por estar no Flamengo; eles têm caso em outros lugares por onde passaram. O do Bruno é um caso totalmente pessoal. Então eu acho que a consequência maior, a maior repercussão acabou sendo do Bruno, mas dos outros também e do próprio Flamengo. Eu acho que isso foi muito ruim para a imagem do clube, mas você não pode pegar, por conta de dois, três de maior idolatria, você colocar todo mundo no mesmo barco. Esses dois, três, às vezes levavam cinco, seis que agora já entraram nos eixos. Então, o Flamengo não é um time de santo, não é um time de padre, mas todos têm tido um ótimo comportamento profissional, mas dentro do campo a coisa não está funcionando.

 

Folha – E se continuar não funcionando? Ninguém talvez tenha tanta lenha para queimar com a torcida rubro-negra quanto você. Mas pode dimensionar até onde vai esse crédito, na sua proposta de trabalho a médio e longo prazo, se os resultados imediatos permanecerem insatisfatórios?

Zico – Não sei, é difícil. A gente sempre espera e acredita que a torcida pode confiar, porque conhece o passado, conhece o meu passado.  Então, sabe que eu vou trabalhar para o futuro do Flamengo. Posso não ganhar nada agora, mas tenho certeza que se o Flamengo se estruturar, pode ganhar muito depois. O futebol é imediato. Então, se realmente eu achar que não estou conseguindo fazer isso que a torcida quer, só tem uma coisa: tirar o meu chapéu, dizer “muito obrigado, desculpe se não acertei”. E que entre outro para fazer o trabalho. No futebol, está mais do que provado que todas aquelas equipes que se estruturaram, obtêm benefícios em todos os sentidos, de conquistas, de venda de atletas, de formação de atletas. E aqueles que não se estruturam, podem ganhar: o Flamengo passou por um momento, ganhou um título, mas passou 17 anos na fila, sem ganhar quase nada.

 

Folha – Embora tenha sido a estrela maior, você foi fruto de uma geração igualmente brilhante, com Júnior, Leandro, Mozer, Andrade, Adílio, Tita, Nunes, todos formados na Gávea. Seu objetivo seria reviver o lema: craque o Flamengo faz em casa? Até onde é possível hoje formar um time competitivo sem apelar aos empresários?

Zico – Se reestruturando com um orçamento, se planejando. Porque hoje, todo jogador que quer ir para o Flamengo, sabe que o clube vai ter um percentual maior. Então, na base, quando nós chegamos, a maioria o Flamengo tinha zero por cento, não tinha nada, e muito jovens. Agora, se o garoto quiser vir, a gente paga, mas 70%, 80% são do Flamengo. Só o fato de vir, o Flamengo já tem que ter um percentual. Mais à frente, você pode até vender, em caso de dificuldade, mas quando chega, o Flamengo já tem que ser dono do atleta. E com muitos garotos, isso não estava acontecendo, colocavam o Flamengo para servir vitrine já nas categorias de base.

 

Folha – Líder do Brasileirão, o Fluminense parece ter investido no imediatismo, abrindo mão de jovens talentos para pagar Conca e contratando jogadores consagrados, como Deco. O próprio Emerson, sondado para voltar ao Fla, acabou nas Laranjeiras. Se a fórmula garantir o título, isso não irá na contramão da filosofia que você tenta implantar na Gávea?

Zico – Não, isso aí pode acontecer, é basicamente o que o Flamengo fez ano passado e conseguiu. Mas não é sempre que você pode adotar essa fórmula e vai encontrar jogadores disponíveis. O Fluminense está bom agora, mas vamos ver se vai aguentar até o final nesse ritmo. O Flamengo já fez isso uma vez (em 2000) e não deu certo, trouxe Alex, Denilson, Gamarra, Edilson, Petkocic; estava todo mundo lá e não deu certo. Têm umas vezes que dá, têm outras que não. Agora, quando você se estrutura, você pode contar. Aí, não é sorte.

 

Folha – Com o êxodo dos jogadores mais promissores ainda muito jovens à Europa, acredita que seria possível para um clube sul-americano formar e manter um time como aquele inesquecível Flamengo campeão do mundo de 1981, que começou a ser formado ainda nos anos 70? Se jogassem hoje, por quanto tempo permaneceriam no Brasil um Zico, um Leandro, um Júnior, um Mozer ou um Adílio?

Zico – Eu acho que a gente teve um período de derrotas e o Flamengo soube segurar. Nós não chegamos e fomos campeões. Eu, por exemplo, ganhei um título em 74 e só fui ganhar outro em 78 (Campeonatos Cariocas). O Flamengo acreditou no grupo e a coisa funcionou. Então, tudo é questão de se acreditar quando se tem resultados embaixo. O Flamengo teve três gerações que poderiam ser bem melhor aproveitadas…

 

Folha – Marcelinho, Djalminha, Paulo Nunes…

Zico – Essa foi a terceira. A segunda foi quando eu estava terminando, que veio Leonardo, Zinho Aldair, Zé Carlos, Jorginho. Depois, esses jogadores foram embora. Depois veio a do Marcelinho, Marquinhos, Paulo Nunes, Djalminha. Imagina se fosse juntada a essa de cima, de Bebeto. Na Copa do Mundo de 94, foram cinco daquele time: Jorginho, Leonardo, Zinho, Bebeto e Aldair, metade do time campeão (brasileiro pelo Flamengo) de 87. Então, eu acho que se juntasse com essa turma que veio campeã na base, em todos as categorias, que profissional o Júnior ainda pegou em 92 (no Penta do Brasileiro), mas depois saiu todo mundo. Daí em diante…

 

Folha – Perdeu o fio da meada?

Zico – O Flamengo perdeu o fio da meada de equipe. Aí, foi surgindo um ou outro, veio o Ibson, Júlio César, Renato Augusto, Juan. Mas é muito pouco em comparação ao que era. O Flamengo é um time que o treinador do profissional tem que olhar para a base e ter cinco, seis para subir. Eu vi um time de juniores jogar e não vi ninguém que pudesse pegar e  botar no time titular, com tranquilidade, exceto o Galhardo e o Diego Mauríco, que o Rogério já tinha observado e já estavam treinando com os profissionais.

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Ilsan denuncia terceirização do Fundecam

A vereadora Ilsan Vianna (PDT) enviou e-mail ao blog, justificando o seu voto na comissão de Justiça da Câmara, que compõe com os colegas Kelinho (PR) e Albertinho (PP).  A ex-primeira-dama foi a única contrária à aprovação de proposta do governo Nahim, que visa criar o Fundo de Equalzação das Taxas de Juros nos empréstimos do Fundo de Desenvolvimento de Campos (Fundecam) para pequenas e micro-empresas. Na visão da vereadora, se o projeto passar também no plenário, significará a terceirização do Fundecam.

Abaixo a íntegra do e-mail com a (grave) denúncia de Ilsan, tema também por ela abordado em seu artigo semanal, que será publicado amanhã, na edição impressa da Folha: 

 

Boa tarde, Aluysio!

 

Sei que o nosso tempo é muito corrido, por isso estou lhe enviando um release do porquê do meu voto em separado na Comissão de Justiça em relação ao projeto de equalização proposto para o Fundecam.

Vejo como grande desperdício do “dinheiro público”. Este entendimento não é só meu, mas também de técnicos que elaboraram esta ferramenta que hoje serve de modelo para outros municípios.

 

 

Release

 

Prefeitura quer terceirizar o Fundecam

 

 A vereadora Ilsan Viana (PDT) mantém-se contrária a criação de um Fundo de Equalização de Taxas de Juros, proposto pelo Executivo Municipal para financiamentos a microempresas e empresas de pequeno porte. Segundo ela “estão terceirizando o Fundecam, um projeto pioneiro e eficiente criado no governo Arnaldo Vianna para fomentar o desenvolvimento e não para alimentar instituições financeiras. Por que não concedem o empréstimo diretamente?”, questionou a vereadora.

 

Ilsan explicou que não faz sentido a Prefeitura criar um mecanismo para subsidiar taxas de juros de instituições financeiras particulares que deverão ser licitadas, se o Fundecam já oferece a mais baixa taxa de juro do mercado, neste caso o próprio Fundo deveria ser o financiador. Para ela é um absurdo, um desperdício do recurso público, que será repassado a uma instituição, que de acordo com a proposta do Executivo poderá operacionalizar o Fundo de Equalização de taxas atuando como agente financeiro e depositários dos recursos.

 

Segundo a vereadora, o governo municipal extinguiu o Banco do Povo, cuja lei foi aprovada em 2004 e que consistia na concessão de empréstimos a pessoas de baixa renda para montar ou ampliar seu próprio negócio. “O que deve ser feito é a incorporação do projeto social Banco do Povo ao Fundecam, que passaria a ter uma linha de crédito para micro e pequenos empresários e atender também aos que desejarem iniciar uma atividade econômica”.

 

Ilsan Viana acrescentou que um Fundo de Equalização de Taxas seria aceitável exatamente em situação oposta, “em grandes investimentos, onde o Fundecam não dispusesse de capital suficiente para concessão do empréstimo e neste caso uma das contrapartidas do município poderia ser a equalização das taxas, mas isso em grandes empreendimentos, como uma montadora de automóveis. Aliás, a idéia surgiu exatamente num período em que houve a possibilidade da instalação de um investimento desta envergadura no município”, disse.

 

— Temos um dos maiores orçamentos do país! Dinheiro não falta! Onde estão sendo aplicados os recursos do Fundecam que deve ser o financiador direto, não vejo justificativa para tal iniciativa da municipalidade. Quantos empréstimos foram concedidos nos últimos 20 meses pelo Fundecam? Já terceirizaram a merenda, o projeto pedagógico da educação, os servidores, e agora o Fundecam?

 

 

 

Parecer contrário.

 

A vereadora que é membro da Comissão de Legislação, Justiça e Redação Final já havia emitido parecer contrário ao projeto do Executivo. Na última quarta-feira houve uma reunião com representantes do Executivo e os integrantes das Comissões de Legislação, Justiça e Redação Final e da Comissão de Financiamento e Orçamento no centro Administrativo José Alves de Azevedo, mas para a vereadora os esclarecimentos não alteraram o seu posicionamento.

 

Comissão de Legislação, Justiça e Redação Final

 

Parecer ao Projeto de Lei Nº0052 de autoria do Executivo que dispõe sobre a criação do Fundo de Equalização de Taxas de Juros.

 

O projeto encaminhado pelo executivo apresenta em princípio os mesmos objetivos do Fundo de Desenvolvimento de Campos (Fundecam).

 

Se o Fundecam apresenta taxa mais baixa que as que oferecidas pelas instituições financeiras, se a receita do Fundo de Equalização que se pretende criar é oriunda de recurso da própria municipalidade, tal iniciativa se constituiu na terceirização de mais uma atividade municipal onerando ainda mais os cofres públicos.

 

 E ainda o projeto em seu artigo. 2º não define claramente quais serão as receitas que irão compor o Fundo, conforme determina a da Lei 4.320/64.

 

 Assim como carece esclarecimento à forma de controle do Fundo, uma vez que no artigo 5º, o Executivo autoriza instituições financeiras operacionalizarem os recursos do fundo. O fundo especial, em regra, é administrado por algum ente público. No entanto, os recursos do fundo não pertencem ao administrador. Trata-se, em verdade, de um patrimônio especial.

 

Assim sendo emito parecer contrário ao projeto em tela.

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Odisséia: PT quer Prefeitura, não secretaria de Nahim

Numa conversa por telefone, na noite de quarta, a vereadora Odisséia Carvalho fez algumas revelações ao blogueiro. Para torná-las públicas, ficou combinado uma entrevista, com as perguntas enviadas por e-mail, naquele mesmo dia, e retorno com as respostas na noite de ontem. Dito ao telefone e confimado na hora de escrever, o principal: ela não será secretária de Educação de Nelson Nahim, com quem admite diálogo, mas sem perder de vista tratar-se de representante do grupo de Garotinho, ao qual a vereadora reafirmou sua oposição. Antagônico ao entendimento geral, o discruso é curiosamente parecido com o que o vereador Edson Batista (PTB) fez (aqui) ao tomar posse do mandato de Nahim na Câmara: a situação de Rosinha continua situação de Nahim, mesma manutenção que a petista entende cabível à oposição. O que Odisséia disse ao telefone, mas não confirmou quando escreveu, foi que, em sua opinião, o prefeito interino dificilmente conseguirá a vaga do PR na eventual eleição suplementar à Prefeitura. Mesmo que seja e monte sua própria equipe de governo, nem Nahim, nem o pedetista Arnaldo Vianna (que teve vice petista na última eleição e já declarou intenção de se candidatar num novo pleito) terão o apoio do PT, que quer lançar candidato próprio a prefeito, vaga pretendida abertamente pela própria vereadora.

      

(Foto de Leonardo Berenger)
(Foto de Leonardo Berenger)

 

 

Blog Opiniões – Mesmo quem não acompanha o dia-a-dia da Câmara fala abertamente que a oposição a Rosinha virou a situação a Nahim, e vice-versa. Concorda? Por quê?

Odisséia Carvalho – Claro que não concordo. Esse tipo de análise, além de ser equivocada, carrega no bojo uma fala da bancada governista que por ter perdido a eleição da mesa diretora “planta” esse tipo de fala. Sou uma vereadora de oposição e ponto. Minhas ações comprovam isso.

 

Opiniões – Em sua visão, quais foram os critérios políticos que definiram a eleição da nova mesa diretora da Câmara e, especificamente, sua conquista da segunda secretaria?

Odisséia – Acredito que houve bom senso por parte dos integrantes da chapa e uma pré disposição a tentar manter o equilíbrio no que diz respeito à democracia, uma vez que a mesa ficou composta por dois vereadores da situação e dois da oposição. A intenção foi democratizar o debate e a direção dos trabalhos. Sem dúvida a oposição soube se organizar melhor, caso contrário não teríamos o Rogério Matoso como vice-presidente. Em São Paulo, por exemplo, ocupamos a 1ª  secretaria da Câmara sem que isso de algum caráter de adesão ao governo do prefeito do DEM, Gilberto Kassab. Fazer parte da mesa diretora fortalece meu poder de fiscalizar, pois terei acesso mais agilmente a projetos e outros documentos.

 

Opiniões – Especula-se, até no próprio PT, que você busca a secretaria de Educação do governo Nahim. Aceitaria o cargo? Por quê?

Odisséia – Não existe essa conversa, mesmo porque o PT não faz parte da coligação do atual governo municipal. Como já disse anteriormente, está havendo diálogo com o prefeito, mas única e exclusivamente com a intenção de se fazer cumprir a pauta de reivindicações entregue ao mesmo. Não existe interesse privado. Nunca faria parte de um governo do grupo político da prefeita cassada. Nunca poderíamos implementar nossos projetos num governo desses e nem nunca pensamos nisso.
 

Opiniões – Sua resposta mudaria se o governo Nahim ganhasse a cara dele, mudança que o próprio prefeito interino, em entrevista ao blog (aqui), projetou para quando o TRE definir o pleito suplementar?

Odisséia – Nelson Nahim, em que pese algum diálogo com a oposição faz parte do grupo político do casal Garotinho.

 

Opiniões – Ninguém no lugar de Nahim, pela necessidade que este ainda tem de Garotinho, para conseguir a vaga do PR na eleição suplementar, teria como agir de forma diferente. Acha que ele consegue a legenda? Por quê?

Odisséia – Acho que esse é uma questão interna do PR e não me cabe fazer especulações a respeito do espaço que o prefeito interino ocupa na legenda.

 

Opiniões – Confirmada a eleição suplementar, como caminhará o PT? Há possibilidade de aliança com Nahim ou Arnaldo, que também já se colocou mais uma vez à disposição? Com quais partidos o PT estaria disposto a dialogar para compor uma chapa e quais as chances de ser você a candidata?

Odisséia – O PT vai ter candidatura própria. A partir do momento em que o Partido dos Trabalhadores julgar que meu nome é o indicado para representar nossa legenda e lutar pela mudança de nossa cidade, com certeza estarei à disposição para disputar o pleito. O PT é um partido democrático, teremos uma prévia e qualquer filiado ou filiada pode disputar e eu colocarei meu nome nessa disputa, foi assim por exemplo na escolha do nosso candidato ao Senado Lindberg Farias.

 

Opiniões – Como possível candidata, acha que errou ao não concorrer à Alerj, assim como Andral Tavares Filho, pelo PV, e Odete Rocha, pelo PCdoB? O PT poderia dar a vice de alguns desses nomes?

Odisséia – Não estou concorrendo a um cargo de Deputada porque consideramos que este é o momento de trabalhar dentro do nosso município. Na condição de vereadora ainda tenho muito trabalho a ser feito e estou me dedicando a tais questões. Quanto à eleição suplementar, como dito anteriormente, o PT ainda precisa discutir algumas questões como as alianças e consequentemente os possíveis candidatos a vice e um programa de governo. Em caso de eleições extraordinárias ou em 2012 nossos aliados preferenciais são os partidos que hoje fazem parte da Frente Democrática que têm pensado alternativas para a gestão municipal.

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Edson — Excessos de ontem não podam os de hoje

Regressei na noite de ontem à planície, vindo de terras de São Sebastião, onde estava desde a última quinta, para fazer uma importante entrevista que será publicada sábado no blog e domingo na Folha impressa. O fato é que a viagem impediu a leitura das edições impressas dos jornais locais de sexta a ontem. Conferindo-os apenas hoje, não pude deixar de contrastar a diferença básica na cobertura da posse de Edson Batista (PTB) na vaga do prefeito interino Nelson Nahim (PR), realizada na última quinta.

Se, para Folha e O Diário, além do previsível fato em si, o inesperado ficou por conta da negativa de Edson à possiblidade de assumir também a liderança do governo, o segundo jornal, no entanto, trouxe uma “novidade” distinta na forma de um pagamento de recibo atribuído ao novo vereador: “quero ressaltar que não autorizei a ninguém  especular meu nome sobre ser líder do governo. Estão querendo fazer um movimento para provocar divisões (…) Não existe grupo de vereadores da prefeita Rosinha e do prefeito Nahim”.

Ressalvado que os repórteres da Folha presentes à posse não ouviram nenhuma das palavras destacadas e  atribúidas a Edson, cumpre lembrar que a possibilidade dele assumir a liderança de governo foi externada aqui, desde o dia  25, unicamente pelo blog, quando ecoou raciocínio lógico do Alexandre Bastos, jornalista e blogueiro mais bem informado dos bastidores da Câmara de Campos. E para tecer raciocínos lógicos sobre figuras públicas, referentes a a assuntos de interesse público, nem o Bastos, nem este também jornalista e blogueiro precisam da “autorização” de Edson, ou de quem quer que seja — pelo menos enquanto o PT não põe em prática sua intenção fascista de controlar a imprensa. 

Até porque, se o raciocínio que apontava para Edson líder de Nahim não fosse lógico e, por conseguinte, pertintente, dificilmente mereceria a pretensa resposta pública do vereador interino, de O Diário e, sobretudo, de ambos.

Ademais, ciente de que todos, acompanhem ou não o dia-a-dia da Câmara, têm hoje a exata noção das suas reais divisões, talvez caiba ainda aconselhar ao interino um pouco mais de parcimônia para demonstrar sua fidelidade a Garotinho, pela qual já é tão conhecido — e nem sempre de maneira elogiosa ou positiva. Na legislatura passada, não fosse, por exemplo, o empenho para tentar endossar a sanha acusatória do mestre, durante a Operação Telhado de Vidro no governo Mocaiber, e Edson poderia ter contido um pouco a incontinência verbal que destinou contra a então secretária de Promoção Social, Ana Regina Fernandes.

Mãe do presidente interino da Câmara, Rogério Matoso (PPS), não é apenas uma fonte que credita grande parte da resistência recente à posse do suplente de Nahim, a esse evitável excesso cometido em seu último mandato.

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Otávio Cabral sai do HGG

Como o blog havia adiantado aqui, desde o dia 30, Otávio Cabral não é mais o diretor do Hospital Geral de Guarus (HGG). Quem assume interinamente é o secretário de Saúde Paulo Hirano. Veja aqui a confirmação oficial da Prefeitura daquilo que o blog anunciou há mais de uma semana.

 

Atualização às 15h51: Entre os blogs hospedados na Folha Online, a mudança no HGG já havia sido anunciada aqui, 10 minutos antes, pelo jornalista Alexandre Bastos. Duas horas antes dele, o advogado Cláudio Andrade já havia confirmado, aqui, aquilo que este Opiniões anunciou nove dias na frente de todos os demais.

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Wladimir não crê em eleição, mas não descarta ser candidato

Embora continue acreditando na recondução de Rosinha à Prefeitura de Campos, a despeito da defesa do presidente do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), Namatela Jorge, pela eleição suplementar ainda em 2010, o presidente local do PR, Wladimir Garotinho, faz o devido aviso aos navegantes: “Legalmente nada impede que eu seja candidato”. Se foi evasivo em algumas respostas, como sobre a nomeação ao Tribunal de Justiça (TJ), pela então governadora Rosinha, do irmão do presidente do TRE que reverteu condenação eleitoral do casal Garotinho, ele se mostrou incisivo na defesa dos pais quanto aos reveses mais recentes na Justiça, comparando a entrevista de rádio que cassou sua mãe com as brandas multas aplicadas pelas desavexadas ações do governo federal em favor da candidata do PT à presidência, Dilma Rousseff. Além de endossar a tese de “perserguição política” encampada por Garotinho, quando contrastado com a opinião irônica de Sérgio Diniz, candidato a deputado federal pelo PPS, Wladimir distinguiu o pai: “Ele não teve sogro (…) que o projetasse na vida pública”. Em relação ao tio e prefeito interino, Nelson Nahim, ele claramente optou por serenar os ânimos, demonstrando aquela que parece ser sua distinção pessoal mais positiva em relação aos demais Garotinho. Disposto a manter o papel protagonista do seu partido em Campos, o entrevistado só deixou um recado para fechar sua última resposta: “Administrar um partido como o PR não é fácil, requer maturidade”.

 

Foto de Antônio Cruz
Foto de Antônio Cruz

 

Blog Opiniões – Como filho e herdeiro político, como você recebeu as condenações de seus pais por crime eleitoral, que gerou a cassação de Rosinha, e a de Garotinho, pela Justiça Federal (aqui), por formação de quadrilha?

Wladimir Garotinho – Em ambas as condenações, só tenho a lamentar, por serem muito mais condenações políticas do que jurídicas. No caso da Rosinha, uma entrevista foi considerada abuso de poder econômico. Que poder é esse, uma vez que ela não possuía nenhum cargo público? Caso semelhante vemos com a candidata a presidência Dilma Roussef do PT, que ainda ministra, concedeu varias entrevistas aos veículos de comunicação, e foram passiveis apenas de multa. Quanto ao processo do Garotinho, é de se estranhar que sempre próximo as eleições surjam denuncias negativas contra ele. O que teria motivado ao juiz tornar uma decisão monocrática e tornar publico um inquérito que corria em segredo de justiça?

 

Opiniões – Em entrevista ao blog (aqui), o candidato a deputado federal Sérgio Diniz (PPS), falou sobre seu pai, em relação ao discurso de perseguição política para tentar justificar as condenações na Justiça: “todos nós o conhecemos bem, para darmos, sempre, risadas de descrença”. E você, é partidário do mesmo discurso de Garotinho? Por quê?

Wladimir – A história tanto de vida como a política de Garotinho, foram feitas de coragem, ousadia e luta. Garotinho construiu sua historia vitoriosa sem apadrinhamentos políticos, diferentemente de pessoas que o criticam. Ele não teve sogro, parente e nenhum outro tipo de padrinho que o projetasse na vida pública. Por seu jeito de ser, Garotinho desde o início, aqui em Campos, já era perseguido, pois contrariava os interesses e a forma de se fazer política. Quem não se lembra de tentarem tirar Garotinho da disputa a apenas dois dias da eleição de 1996? É o que acontece ate hoje, só que em proporções muito maiores.

 

Opiniões – No seu blog, Garotinho levantou uma série de ilações contra o TRE, que o condenou eleitoralmente, bem como contra os procuradores que o acusaram e o juiz que o condenou por formação de quadrilha. Em que essas ilações se diferem das óbvias, de quando Rosinha, como governadora, nomeou ao TJ o irmão do então presidente do TRE, Marlan de Moraes Marinho, pouco tempo depois que este deu o voto de minerva para reverter a condenação dos seus pais pela Justiça Eleitoral de Campos, relativa à eleição de 2004?

Wladimir – No caso do TRE, as ilações levantadas por Garotinho devem-se ao fato de que a denúncia foi rejeitada em primeira instância. Por que o TRE resolveu dar seqüência ao processo? A primeira instância havia arquivado, por entender que Garotinho estava exercendo sua profissão de radialista e não era candidato em nenhum pleito. Quanto à condenação pelo juiz federal já respondi primeira na pergunta. Sobre a nomeação (do irmão de Marlan por Rosinha), sinceramente não conheço os fatos.

 

Opiniões – Seu pai tenta fazer crer que o governador Sérgio Cabral influenciou ou manipulou o TRE e a Justiça Federal, por temer concorrer à reeleição contra Garotinho. Supondo, apenas em tese, que isso seja verdade, não teria sido então desinteligente insistir até o último momento na candidatura ao governo do estado para acabar condenado duas vezes na Justiça e candidato apenas a deputado federal, assim mesmo na base de liminar?

Wladimir – Como já disse, a história de Garotinho é marcada pela coragem. Não é uma tese, e sim um fato. Garotinho insistiu na candidatura ao governo, porque sabia que na disputa política venceria no voto. Mas lamentavelmente as coisas tomaram outro rumo.

 

Opiniões – Tentando falar mais como observador do que como filho, você ainda tem esperança que Rosinha retorne à Prefeitura? Baseado em quê?

Wladimir – Estou convicto do retorno. Diante das decisões do TSE que retornaram diversos prefeitos, a exemplo do prefeito de Rio das Ostras, ainda com o agravante de ter um cargo publico. Creio que não usarão critérios diferentes.

 

Opiniões – Em reunião na última segunda-feira, com representantes locais de seis partidos, o presidente do TRE, Namatela Jorge, que já vinha defendendo abertamente a realização da eleição suplementar de Campos ainda em 2010, projetou o pleito para 21 de novembro, como revelou a professora Graciete Santana (aqui). Acredita que a nova eleição possa ser marcada pelo TRE antes que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) julgue o mérito do recurso de Rosinha, como fez no caso de Campista? À exceção de que seu grupo político antes era a favor da brevidade e hoje é contra, qual a diferença?

Wladimir – São casos escandalosamente diferentes. No caso de Campista ele foi condenado por capitação ilícita de sufrágio, ou seja, compra de votos. Rosinha esta sendo acusada apenas por ter concedido uma entrevista, para anunciar sua pré-candidatura. Não sei de onde surgiu essa data. O pronunciamento oficial do Presidente do TRE, diz que só marcara novo pleito quando houver decisão definitiva do TSE.

 

Opiniões – Assim que o TSE negou por unanimidade o pedido para que Rosinha aguardasse no cargo o julgamento do mérito do seu recurso, você chegou a anunciar que uma reviravolta estaria prestes a ocorrer na política de Campos. A que se referia?

Wladimir – Fui mal interpretado. O que disse foi que Campos não merecia mais passar por intrigas, fofocas, confusões que só atrapalham o desenvolvimento da cidade. O clima de instabilidade prejudica o comercio e o crescimento constante do município.

 

Opiniões – Caso as eleições se confirmem, você pode ser o candidato do PR? Possibilidades à parte, você quer?

Wladimir – Legalmente nada impede que eu seja candidato, porem não acredito na realização de eleições suplementares.

 

Opiniões – Além de você, se fala também na possibilidade de mais uma candidatura de Geraldo Pudim. Há como algum de vocês, ou qualquer outro nome do PR, hoje tirar a vaga de Nelson Nahim?

Wladimir – Como já disse, não acredito em novas eleições. O nosso grupo trabalha com projeto político, as decisões só são tomadas com fatos concretos.

 

Opiniões – Também em entrevista ao blog (aqui), Nahim disse: “Campos precisa de alguém que tenha maturidade política, Vladimir não tem”. Como encarou a classificação?

Wladimir – Esta colocação está dentro de um contexto. Entendo que, na entrevista, Nahim fala muito mais como tio do que como político, ate mesmo pela questão do zelo familiar.

 

Opiniões – Qual sua avaliação da atuação do seu tio na Prefeitura? Arriscaria uma nota? Vê alguma melhora ou piora em relação ao governo Rosinha?

Wladimir – Nahim tem ido bem, dando prosseguimento aos programas de Rosinha. Quem dá nota, aprova ou desaprova, é o povo. É natural que ele tenha um estilo próprio, mas que ate o momento não alterou significativamente o modelo de governo.

 

Opiniões – Como analisa a reviravolta na Câmara, a partir da eleição da mesa diretora, com Nahim transformando em minoria os vereadores ligados à Rosinha (aqui), bem como em bancada governista todos aqueles que se opunham à sua mãe?

Wladimir – Cada votação na Câmara é um processo político. A eleição da mesa foi um momento, o que não quer dizer quer dizer que os vereadores da base tenham sido transformados em minoria. A base continua a mesma, prova disto foi a convocação de Edson Batista.

 

Opiniões – O blog revelou (aqui) que sua mãe comandou, na casa dela, a reunião que varou a madrugada com seus vereadores, mas não conseguiu, na manhã seguinte, eleger ninguém à mesa diretora da Câmara. Você também participou? O que, afinal, ficou faltando?

Wladimir – Para esclarecer, não foi uma reunião projetada e nem comandada por ela. O vereador Magal ligou e pediu que ela fosse a uma reunião com os vereadores da base. Como resposta, ela disse que se precisassem da ajuda dela para alguma questão, ela estaria em casa e os receberia sem problemas. Eu estive presente e, assim como ela, mais escutamos do que falamos. O resultado coube às articulações deles mesmos.

 

Opiniões – Em entrevista ao Folha no Ar (aqui), Albertinho admitiu que a bancada de oposição a Rosinha foi mais organizada do que a de vocês. Concorda com a opinião do vereador?

Wladimir – Não acompanho o dia a dia da câmara, se essa é a opinião do vereador Albertinho deve ser respeitada.

 

Opiniões – Se, no lugar de figurativo, o voto de Nahim na eleição à vice-presidência da Câmara fosse decisivo, acredita que ele o manteria favorável a Magal?

Wladimir – Por que não? Pelo que sei, ele tinha esse compromisso com o vereador Magal, creio que não faria diferente e manteria sua posição.

 

Opiniões – Após tomar posse do mandato, Edson descartou assumir a liderança do governo (aqui), em resposta à possibilidade aventada pelo blog (aqui). Ao mesmo tempo, ele reafirmou a condição de líder de Magal, mesmo sabendo que Nahim não quer mantê-lo, devido às críticas do vereador do PMDB à condução da eleição na Câmara pelo prefeito interino. Vocês vão tentar forçar Nahim a aceitar Magal, ou têm um plano B? Poderia ser Albertinho, por exemplo?

Wladimir – A decisão cabe a Nahim. Definir o líder do governo é um ato discricionário do prefeito.

 

Opiniões – Embora tenha confirmado a reunião com os vereadores de Rosinha, após a sessão da última quarta, Nahim revelou ao blog que não deu nenhuma garantia que a liderança do seu governo seria mantida entre eles. Cogitado nos bastidores, Dante foi descartado após a manobra ter sido exposta aqui, pelo blog. Vocês aceitariam que o líder de Nahim saísse da oposição a Rosinha?

Wladimir – Nahim é um político experiente. Como já disse a liderança é um ato do prefeito. Acredito que ele sabe diferenciar os companheiros dos aliados, e o que realmente é necessário para a governabilidade.

 

Opiniões – Serenidade e fácil trato com as pessoas são características positivas atribuídas a você, até por quem não gosta do seu pai. Considerada com um temperamento mais próximo ao dele, Clarissa se elegeu vereadora no Rio e agora tenta uma vaga à Alerj. Pleito suplementar de prefeito à parte, você pensa em aproveitar suas características pessoais em algum mandato eletivo?

Wladimir – Essa decisão não é fácil de ser tomada. Aprendi a gostar da política pelo bem que com ela podemos realizar na vida das pessoas; porém, existe o outro lado. Como filho de pessoas publicas, sei o que a família passa pelos momentos ausentes e principalmente pelas falsas acusações, que quando se tem uma família unida, como a minha sempre foi, você consegue sempre superar. Hoje sou casado e tenho uma filha. Essa não é mais uma decisão somente minha.

 

Opiniões – Em meio a tantas turbulências, que avaliação faz da sua experiência à frente do PR?

Wladimir – Nas adversidades é que crescemos. Quando assumi, começamos um partido do zero, dirigir o PR, que é hoje o maior partido da cidade, tem sido uma experiência proveitosa. Ali convivo diariamente com a população, lideranças políticas e vereadores. Hoje o trabalho está voltado para a consolidação do partido. Para isso precisamos fazer uma grande votação elegendo nossos candidatos a deputado estadual e federal. Administrar um partido como o PR não é fácil, requer maturidade.

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