Prefeito de Quissamã tem bens bloqueados pela Justiça Federal

Em decisão da última segunda, dia 11, a Justiça Federal de Campos bloqueou os bens, no valor de até R$ 10 milhões, do prefeito de Quissamã, Armando Carneiro (PSC), à guisa de ressarcimento do que foi gasto pelo município no convênio com o Instituto de Bem Estar Social e Apoio à Saúde (Inbesp), determinando ainda a realização de concurso público para assumir os serviços de Saúde hoje terceirizados. A decisão, no mesmo foro, é quase idêntica à que também bloqueou os bens da prefeita sanjoanense Carla Machado (PMDB), em parceria com o mesmo Inbesp, para terceirização do mesmo tipo de serviço. Tanto pelo convênio de São João da Barra, como pelo de Quissamã, a Justiça Federal também determinou bloqueio de bens da presidente do Inbesp, Dayse Maria Malafaia Quintan.

Notificada da decisão ontem, a Prefeitura de Quissamã enviou hoje ao blog a resposta que segue abaixo…

 

Prefeito de Quissamã, Armando Carneiro
Prefeito de Quissamã, Armando Carneiro

 

 

Nota de esclarecimento

Por decisão do Juiz da 1ª Vara Federal de Campos, Elder Fernandes Luciano, o município de Quissamã foi intimado a suspender o contrato com o Inbesp (Instituto do Bem Estar Social e Promoção à Saúde). Também determina a publicação de edital de concurso público em 30 dias, realização do mesmo em até seis meses e convocação dos aprovados em até 30 dias após o início do processo de seleção. Durante este período, diz a decisão, o município deverá, de forma direta, arcar com o pagamento destes funcionários.

O município esclarece que vai recorrer da decisão por entender que a contratação da Oscip (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público) tem amparo legal e se faz necessária para garantir a continuidade dos serviços complementares de saúde prestados no município. Esclarece ainda que a decisão exige o pagamento dos funcionários de forma direta, porém sem indicar a formalidade e a fonte dos recursos para tal procedimento, alternativa questionada pela Procuradoria do Município e vedada pelo Tribunal de Contas do Estado.

Em outra ação, o Juiz também determina a indisponibilidade dos bens do  INBESP, da presidente do Instituto, Sra. Dayse Maria Malafaia Quintan, e do prefeito Armando Cunha Carneiro da Silva, por não concordar com a forma de celebração da parceria. Esta decisão visa a garantir um eventual ressarcimento dos valores pagos aos profissionais de saúde ao longo das parcerias firmadas desde 2004.

A Prefeitura de Quissamã esclarece que em nenhum momento o magistrado afirma que tenha havido desvio de recursos ou enriquecimento ilícito, apenas discorda da forma como a parceria foi celebrada.  O bloqueio dos bens, mesmo os adquiridos pelo Sr. Armando Carneiro antes de ser Prefeito, caracteriza que o Magistrado não vê indícios de enriquecimento ilícito por parte do chefe do Executivo em função do contrato, apenas um suposto erro na forma de delegação dos serviços complementares de saúde.

Desta decisão também cabe recurso, que será interposto tão logo o prefeito seja formalmente intimado. Ciente da importância dos serviços prestados pelos funcionários provenientes desta parceria, a Prefeitura não medirá esforços para garantir a prestação dos serviços, o pagamento destes profissionais e a manutenção do atendimento à população.

Confiante de que a Justiça prevalecerá, a Prefeitura de Quissamã antecipa-se na divulgação destas informações na certeza da lisura de suas ações, da qualidade dos serviços prestados pelos funcionários da saúde e em respeito à população usuária dos serviços públicos.

 

Atualização às 15h55: Desde às 12h31, o jornalista e blogueiro Roberto Barbosa já havia antecipado aqui a decisão.

Atualização às 12h20 de 18/07/11 para correção de erro ortográfico no post, identificado em comentário pelo leitor Sérgio.

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Os canalhas só mudam de classe

Do rumoro caso que levou ao fechamento do tablóide inglês News of the World, pela utilização de grampos ilegais para apuração de matérias, numa conjugação do que há de pior entre mídia e práticas policialescas, fica a certeza de que aquilo que a gente chama de canalha não tem classe definida. Podem ser jornalistas, policiais, empresários, engenheiros, professores, blogueiros, radialistas, ou quaisquer outros que não respeitem limites éticos e legais em busca de lucro pecuniário, político, de poder, de aceitação social ou simplesmente de vaidade pessoal.

No caso da mídia, independente da sua forma, quando a obtenção da informação ou a expressão da opinião crítica não encontra o devido limite no respeito ao direito alheio, que não pode ser ditado pelo caráter e a ética de quem não os possui, a fronteira no Reino Unido, no Brasil, ou na planície, tem que ser demarcada pela lei. Aliás, exatamente para isso serve a lei: tentar impor limites de ética e caráter aos atos dos canalhas. 

Sobre o episódio britânico, vale a pena reler o artigo que um bom jornalista, o Aloysio Balbi, publicou no último sábado, dia 9, na página de Opinião da edição impressa da Folha…

 

news of the world

 

 

Os que escutam e os que lêem

 

O News of the Word se notabilizou produzindo furacões, e agora foi devastado por um deles. É quando o escandaloso vira escândalo. A união Britânica de Jornalistas definiu esse embaraço de páginas, como um abismo ético e moral. Foi econômico. O jornal sem ética, e sem moral, jogou muita gente no abismo, algumas dessas pessoas bem que mereceram, mas não tiveram sequer a chance de usar um pára-quedas, razão pela qual o tablóide merece o tombo.

Publicar informações conseguidas ilicitamente para os bons manuais de redação, é crime. Para a Justiça também. Jornais não devem publicar conteúdo de gravações conseguidas ilegalmente. O quadro se agrava quando o jornal produz o grampo, transformando jornalistas em espiões. Existe uma diferença entre isso aí, o jornalismo investigativo, a partir do momento da motivação da pauta, e como ela é cumprida.

O ex-diretor de Comunicação do primeiro-ministro Dadiv Cameron, Andy Coulson, trabalhou neste mercado auditivo até 2007, e está mais enrolado do que papel higiênico. Tinha tanto pulso nesta história que ontem foi grampeado por algemas. Se for para levar a sério, o acontecimento deveria provocar um grande debate, não no desempenho do jornalista, mas de alguns jornais.

Seria até compreensível, que um jornalista através de um material anônimo de profunda relevância e interesse público, conseguido à revelia da lei, fizesse uso dele. Parece que uma novela que está no ar, trata deste assunto, com um o jornalista publicando em seu blog uma gravação de vídeo que caiu do céu, para colocar um empresário corrupto na cadeia. Mas quando um jornal poderoso consegue informações criando um departamento de grampos, não difere daqueles que conseguem informações sob tortura.

O formato de produtos editoriais não serve para medir o seu conteúdo, mas no caso do News of the Word, parece que ele sempre reduziu tudo e todos. Agora, ficou provado que sua ética e moral são exatamente do tamanho de suas páginas. Sem ter o que falar ou escrever em sua defesa, decidiu fechar depois de 180 anos. Já vai tarde!

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Carla, Odisséia e Odete falam do encontro com Pezão

Acabou agora, no Palácio Guanabara, a reunião entre o vice-governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) e os representantes da Frente Democrática de Oposição, intermediado pela prefeita sanjoanense Carla Machado (PMDB), após o furo do presidente da Assembléia Legislativa, deputado Paulo Melo (PMDB). Dele, entre outros, participaram a vereadora petista Odisséia Carvalho e a presidente do PCdoB em Campos, Odete Rocha. Abaixo, as impressões das três mulheres opostas a Rosinha…

 

Representantes da Frente Democrática em encontro com Pezão, intermediado por Carla (Foto de Felipe Barros)
Representantes da Frente Democrática em encontro com Pezão, intermediado por Carla (Foto de Felipe Barros)

 

 

Carla Machado — Estava no Rio para encontros marcados com Paulo Melo e, depois, com o vice-governador Pezão. Cheguei a me encontrar com o primeiro, em seu gabinete, antes dele ter que sair para compor, em nome do governo do Estado, uma comissão para discutir com os professores em greve. Quando já estava com Pezão, Odisséia me ligou. Falei com o vive-governador que Paulo Melo não pôde atendê-los, que os convidou para falarem diretamente com ele. Fico satisfeita por ter feito essa ponte, já que somos todos da mesma região e de partidos da base aliada do governo Cabral. Nada mais natural que nos unamos.

Odisséia Carvalho — Apresentamos as propostas da Frente ao governo do Estado, em áreas como Saúde, Educação, Habitação, as alternativas que temos para a política falida que a população de Campos vê ser aplicada em nosso município pelo casal Garotinho. Reafirmamos nossa proposta de oposição, num compromisso conjunto entre todos os partidos que compõem a Frente. Em 2012, mesmo que tenhamos candidaturas diferentes, qualquer um da Frente que chegar ao segundo turno, contra a chapa dos Garotinho, ganha o apoio de todos os outros, em nome das propostas comuns de mudança. Pezão foi muito receptivo e garantiu que contaremos com o apoio do governo do Estado.

Odete Rocha — Foi muito bom termos vindo aqui e sido recebidos pelo vice-governador. Com isso, a Frente se consolida, em sua capacidade política de articulação, de oposição consequente. Falamos das nossas propostas para o município de Campos, dos nossos compromissos coletivos com elas, e recebemos total apoio.

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Do bolo de Paulo Melo na Frente, Carla fatia seu prestígio com Pezão

Do “bolo” do deputado estadual Paulo Melo na Frente Democrática de Oposição, Carla Machado fatiou seu prestígio junto ao governo estadual para não deixar os colegas campistas chupando o dedo. Depois que o presidente da Assembléia Legislativa chamou de Campos, mas não pode receber no Rio os representantes da Frente, a prefeita sanjoanense, que está no Rio por outras razões, mas para não deixar a oposição campista aos Garotinho dar viagem perdida, conseguiu intermediar agora um encontro com o vice-governador Luiz Fernando Pezão.

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Frente de Oposição leva bolo de Paulo Melo

Os integrantes da Frente Democrática de Oposição que viajaram hoje ao Rio, para encontro marcado com o presidente da Assembléia Legislativa, deputado Paulo Melo (PMDB), foram à toa. Adiada e ainda sem nova data marcada, a reunião não pode acontecer porque o deputado teve que receber, no mesmo horário, os professores estaduais em greve, em frente à Assembléia, para integrar uma comissão de negociação, em nome do governador Sérgio Cabral (PMDB).

Quem deu viagem perdida não escondeu a chateação. A prefeita de São João da Barra, Carla Machado (PMDB), que apesar do namoro recente com a Frente, foi lá por conta própria, para tratar de outros assuntos, ainda conseguiu falar com Paulo Melo. Já o pessoal de Campos teve que se contentar em tratar com o chefe de gabinete do deputado.

Para quem anuncia e conta com o apoio irrestrito de Cabral na eleição de Campos em 2012, cautela e canja de galinha não fazem mal. De qualquer maneira, não deixa de ser irônico que, depois do apoio dado às recentes manifestações do magistério municipal contra Rosinha, as professoras Odisséia Carvalho (PT) e Odete Rocha (PCdoB) tenham levado o bolo ontem por conta da greve dos colegas estaduais da categoria.

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Brasil — retrospecto contra o Equador e perspectivas contra o Paraguai

Do jogo Brasil 4 x 2 Equador da noite de ontem, que não fiz nem para o blog, nem para a Folha impressa, pelo horário avançado da partida, algumas observações:

1) Dizer que Júlio César falhou nos dois gols sofridos é chover no molhado. Todavia, falhas individuais à parte, os quatro gols que o Brasil tomou na duas últimas partidas evidenciam que o setor defensivo, coletivamente, não está bem. Isso se agrava não só porque até o jogo anterior, 2 a 2 com o Paraguai, a defesa vinha sendo o ponto alto do time de Mano Menezes, como pelo fato de que na defesa estão os jogadores mais experientes da jovem Seleção Brasileira. Para que os debutantes do meio para frente se firmem na Seleção, os veteranos lá de trás podem passar tudo, menos insegurança.

2) Ponto positivo da defesa, Maicon foi ontem o melhor jogador em campo. Sem sombra de dúvida, reconquistou a titularidade dos tempos de Dunga, substituindo agora com Mano a Daniel Alves, pior brasileiro no jogo anterior, com o Paraguai. Curiosamente, o lateral-direito do Barcelona, que perdeu a vaga na Seleção, é até mais habilidoso do que o da Inter de Milão. Todavia, por apoiar quase sempre entrando em diagonal da área adversária, Daniel acabava se embolando com Robinho, que joga aberto naquele setor. Com Maicon e seu vigor físico invejável, a Seleção ganhou não só em fluidez e velocidade nas tramas ofensivas pela direita, como uma importante opção de jogada pela linha de fundo, necessária a um time que pecava por afunilar pelo meio suas ações de ataque. 

3) Entre os dois volantes, o jovem Lucas Leiva cumpre suas funções táticas e defensivas, mas não tem imaginação no passe. Do lado oposto na linha defensiva do meio-de-campo, Ramires, que nunca foi grande passador, mas se destacou como eficiente condutor de bola, não atravessa boa fase técnica. Marcada pela obviedade dos passes curtos e laterais, a saída de bola brasileira facilita a marcação adversária e expõe a defesa aos contra-ataques. Um volante criativo como ex-são paulino Hernandes, destaque na última temporada italiana, pela Lazio, como meia de ligação, poderia ser uma solução. Todavia, como Mano sequer o convocou, a opção só vale para depois da Copa América.

3) Prejudicado pela bola que não chega redonda dos volantes, Paulo Henrique Ganso não tem conseguido ser o homem do último passe, aquele que acha o atacante em condições de conclusão. Bem verdade que tem tentado buscar o jogo menos do que poderia, passividade refletida também em sua pouca movimentação, facilitando a marcação dos adversários. Mas até por seus 21 anos e por não termos, em todo o futebol brasileiro, um reserva à altura para a função, não resta outra coisa a não ser a paciência.

4) Os dois gols de Pato e os dois de Neymar, além do legal que Robinho marcou e o bandeirinha uruguaio garfou, não podem camuflar a demanda que o ataque brasileiro tem da figura do pivô, aquele atacante que joga de costas para o zagueiro, retendo a bola lançada à chegada dos homens de trás, ou que gire com ela para concluir a gol. Ontem, Pato até marcou dois gols típicos de centro-avante, convertendo o lançamento que André Santos colocou em sua cabeça e, depois, chutando corajosamente a bola disputada entre ele, Robinho e dois zagueiros equatorianos. Todavia, seu senso de colocação no primeiro gol e seu destemor no segundo, além da sua habilidade e velocidade, não lhe confererem o físico ou as características de um pivô, função que nunca exerceu no Internacional, nem executa no Milan, onde atua como garçon do excelente centro-avante sueco Ibrahimovic. Dos convocados, mesmo sem estar na melhor forma, o único capaz de desempenhar o papel é Fred. Tendo ele como referência de área, o próprio Pato poderia render mais, assim como Neymar, que finalmente passou a objetivar o gol sobre o drible. No caso, mesmo que ontem não tenha atuado mal, quem poderia sair é Robinho.

5) As análises anteriores se atêm àquilo que Mano poderia fazer, não ao que fará. Com o placar elástico final a disfarçar o susto dos dois empates parciais impostos pelo fraco Equador, a tendência nas quartas-de-final de domingo é a manutenção do time que entrou jogando ontem. Contudo, com ou sem mudanças, tolo é quem acha que o reencontro com os paraguaios, agora em jogo eliminatório, tem um favorito. O Brasil possui valores individuais capazes, em dia inspirado, de construir uma vitória até tranquila. Mas mantendo a base da equipe que só foi eliminada na Copa do Mundo da África do Sul, com um suado 1 a 0 da campeã Espanha, nas mesmas quartas-de-final em que o Brasil caiu diante da Holanda, o Paraguai, como time, é melhor. Não custa lembrar que, de 2000 para cá, no confronto entre as duas seleções, foram quatro vitórias para cada lado e dois empates. A lógica aponta, pois, para o equilíbrio. Muito embora a grande graça do futebol tavez seja assistir a lógica, tantas vezes, levar de goleada.

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MP denuncia presidente da Câmara de Itaocara por dispensa de licitação

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro ofereceu denúncia em face do empresário e presidente da Câmara dos Vereadores do Município de Itaocara, Michel Ângelo Machado de Freitas, e do ex-presidente  da Comissão Permanente de Licitação do órgão Aldimar Oliveira da Cunha pela prática de crime previsto no artigo 89 da Lei nº 8.666/93 (lei das  licitações e contratos da Administração Pública). A denúncia foi oferecida no Juízo da Vara Única da Comarca de Itaocara, no Noroeste Fluminense.

De acordo com a denúncia oferecida pela Promotoria de Justiça de Itaocara, os denunciados, em 13 de janeiro de 2005: “dispensaram licitação fora das hipóteses previstas em lei e deixaram de observar as formalidades legais pertinentes à dispensa de licitação, tudo para celebração de contrato entre a Câmara dos Vereadores do Município e o Instituto Niteroiense de Administração Pública (Inap), no valor de R$ 44 mil”.

Ainda segundo a denúncia, Freitas, na qualidade de Presidente do Legislativo Municipal, determinou ao então presidente da Comissão de Licitação do órgão, Cunha, a contratação de empresa especializada em assessoria e consultoria de gestão governamental ou instituto de pesquisa em administração pública. Mesmo diante de parecer não conclusivo da Assessoria Jurídica da Câmara dos Vereadores, o presidente do Legislativo declarou a dispensa de licitação em favor do Inap, homologou o procedimento e adjudicou o objeto do contrato. Anteriormente à decisão,  o presidente da Comissão Permanente de Licitação informara que o Inap “apresentou a proposta nas diretrizes fornecidas pela Comissão.”

“Os denunciados ainda procederam à dispensa de licitação sem a comprovação efetiva da pertinência entre o objeto pretendido pela Administração e a finalidade da instituição contratada.” Em outro trecho, acrescenta que “deixaram de apresentar a justificativa do preço pactuado, indispensável à demonstração da economicidade do contrato”, diz trecho da denúncia.

As penas previstas para o crime tipificado no artigo 89 da Lei 8.666/93 são de detenção, de três anos a cinco anos, e multa.

 

Da Assessoria de Comunicação Social do Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro

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Frente Democrática amanhã, na Alerj, com Paulo Melo e Picciani

Segundo o repórter da Folha Rafael Vargas acabou de apurar com a vereadora petista Odisséia Carvalho, está confirmado o encontro da Frente Democrática de Oposição, às 17h de amanhã, na Assembléia Legislativa, com o presidente da Casa, Paulo Melo (PMDB), e o presidente estadual da legenda, Jorge Picciani. De Campos, vão os presidentes dos diretórios dos oito partidos que integram a Frente, mais os vereadores de oposição. Eles vão apresentar suas ações e se colocar como alternativa de governo ao município de Campos, na eleição de 2012, mesmo que em candidaturas divididas no primeiro turno, que se reuniriam no segundo contra o casal garotinho. O encontro deve servir também de preparação para uma reunião da oposição campista com o próprio governador Sérgio Cabral (PMDB).

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Opiniões de poesia — Castro Alves

Conforme anunciado aqui, segue o transplante, do “Cantos” a este “Opiniões”, de textos que o blogueiro produziu sobre poesia. A bola da vez, no resgate, é Antônio Castro Alves, mais alto eco do nosso Romantismo aos “Versos que Homero gemeu”…

 

Castro Alves — Brisa do Brasil

Por aluysio, em 07-10-2009 – 15h33

Ouvir ou dizer que o Brasil nunca produziu poetas à altura de seus maiores romancistas, não é conversa nova. Tampouco é recente constatar que o conceito de brasilidade desta mesma prosa superior (será?) foi fundamentado com a publicação de “Os sertões”, em 1902, narrativa ocular de Euclides da Cunha (1866/1909) da Guerra de Canudos (1896/97). Após seguir seus passos pelo sertão baiano, expedição que rendeu um caderno publicado a 26 de dezembro de 2002, comemorativo ao centenário da obra, escrevi que a partir dela  “nossa literatura (…) rompeu com a importação de modelos, de realidades estrangeiras, e se propôs a discutir o Brasil, plantando na terra seca a semente do Modernismo, fazendo brotar Ramos e Rosas em meio a Rochas, contrapondo nosso atraso diante de outros países e, muito mais grave, o atraso do Brasil em relação ao Brasil”.

Sete anos depois, necessário ressaltar que a defesa de “Os sertões” como pedra fundamental de uma prosa genuinamente brasileira foi feita antes e depois, por gente mais balizada, do grande euclidianista Roberto Ventura (1957/2002) ao mestre peruano Mario Vargas Llosa. Mas e a posia brasileira? Se realmente ainda deve o seu equivalente a Machado de Assis (1839/1908) — para quem a prosa de Euclides serviu de ponte rumo ao Modernismo de Graciliano RAMOS (1892/1953) e Guimarães ROSA (1908/1967) —, quem há de contestar a brasilidade pujante e inaugural do poema “O navio negreiro”, escrito por Castro Alves (1847/1871) em 1868, 34 anos antes de “Os sertões”?

Certo que Gonçalves Dias (1823/1864), primeiro grande poeta do Romantismo que teve Castro Alves como estrela derradeira, buscou fundamentar antes essa mesma brasilidade. Todavia, se poemas seus com essa aspiração nacional, como “O canto do Piaga” (de 1847) e “I-juca-pirama” (de 1851), pela qualidade dos versos, estão à altura de “O navio negreiro”, deste se distanciam pela idealização indianista de Gonçalves Dias, no paralelo fictício do Brasil pré-crabalino com a Idade Média européia e suas estórias de cavalaria. Já Castro Alves optou por desenrolar o drama dos seus versos sob a luz do sol real, sem abandonar o hemisfério Sul ou se afastar do Equador. Bom baiano, sua latitude era África com Brasil.

Escrito por um jovem de 21 anos, “O navio negreiro” integrava o livro “Os escravos”, seu segundo. O primeiro — único publicado nos 24 anos em que se resumiram sua vida — foi “Espumas flutuantes”, sendo “A cachoeira de Paulo Afonso” o terceiro. 

Cronologicamente, o primeiro poema de “Os escravos” foi “A canção do africano”,  escrito em 1863 por um adolescente de 16 anos, idade em que se manifestou pela primeira vez a tuberculose que iria matá-lo, assim como o amor pelas mulheres, marca da sua vida, começou a se manifestar em sua lírica. Iminência da morte oposta à paixão pela vida: contraste superlativo que iria marcar toda a poética de antíteses de Castro Alves.

 Três anos mais tarde, em 1866, o poeta passou de admirador a amante da atriz portuguesa Eugênia Câmara, 10 anos mais velha que ele e sua grande paixão. Para ela, além de poemas, escreveu a peça “Gonzaga”, sobre o famoso caso de amor que teve a Inconfidência Mineira como pano de fundo.

Quando compôs “O navio negreiro”, Castro Alves estava em São Paulo, roteiro precedido por Rio e Bahia, após deixar, em 1867, os estudos de Direito em Recife, curso no qual nunca se formaria. Ia em companhia de Eugênia, lendo em público seus versos e encenando com a musa sua peça, colhendo sucesso popular incomum a um poeta no Brasil, cujo crédito devia mais à audição do que à leitura da sua obra.  Não por outro motivo, classificava o ritmo, que marca a musicalidade dos versos, como “talismã da verdadeira poesia”. E isso num tempo anterior à disseminação do verso livre de Walt Whitman (1819/1892), quando a rima e a métrica ainda eram elementos indissociáveis do fazer poético.

Guardadas as proporções devidas, fenômeno análogo ocorre em Campos, com o já tradicional Festival Nacional de Poesia Falada. Em algumas de suas edições anuais anteriores, o sucesso de poetas egressos do teatro, como Antônio Roberto Kapi e Adriana Medeiros, deveu-se muito à oralidade impressa em seus versos pelo ritmo do palco, esse “talismã” que raras vezes brilhou na poesia brasileira como em “O navio negreiro”. Não terá sido coincidência que o poema foi recitado por seu autor, pela primeira vez,  em um teatro, triunfalmente, num hoje distante 7 de setembro de 1868.

Seja pela forma de pequena epopéia, ou pelo conteúdo libertário — equilibrado entre Romantismo e Sociologia —, “O navio negreiro” é fruto direto da principal influência de Castro Alves: o escritor francês Victor Hugo (1802/1855). E para além da literatura iam os paralelos com seu mestre. Ainda que sem a excelência deste, que chegou a ser um dos maiores artistas gráficos da França de sua época, o poeta baiano manteve em paralelo a atividade de desenhista e pintor.  

Se essa característica de imagista está expressa em toda a sua obra literária, em “O navio negreiro” ela atingiu, talvez, o seu ápice. Após as antíteses entre mar e céu do primeiro movimento, como vida e morte confluídas no eterno (“Embaixo — o mar… em cima — o firmamento… / E no mar e no céu — a imensidade!”),  será pelos olhos do albatroz, “Leviatã do espaço”, que se descortinarão as glórias passadas dos povos marinhos, cantadas no segundo movimento e pontuadas, não coincidentemente, com os nautas da pátria de Homero, pai de todos os vates.  

Segue-se então o terceiro movimento, reunido na vertigem de uma única estrofe, quando a ave-poeta dá seu mergulho. Como um travelling descendente do cinema, num daqueles geniais planos-sequência de Orson Welles, revela-se ao leitor o “quadro de amarguras”, a “cena funeral”, as “tétricas figuras”, a “cena infame e vil”, o “horror” do tráfico de escravos.

No quarto movimento,“talismã” do autor, o ritmo imprime a musicalidade expressa pelo “estalar do açoite” sobre os africanos, tirados do porão e postos “horrendos a dançar” no convés, costume realmente adotado nos navios negreiros para que o prejuízo da morte por inanição não se abatesse sobre  a  mercadoria humana. E no refrão da “orquestra irônica, estridente”, ecoa o riso do maestro Satanás.

Na passagem do quarto ao quinto movimento, outra das antíteses de Castro Alves. Após Satanás, surge Deus, cujo livre arbítrio aos homens não O exime de ser violentamente cobrado pelo poeta, que recruta também as forças da natureza a apagar o “borrão” da escravidão. É ainda neste movimento que os escravos ganham indentidade, a partir de referências geográficas (“Ontem a Serra Leoa”) e etnográficas, muito embora a citação das personagens bíblicas Agar (escrava egípcia de Abraão)  e Ismael (filho dos dois e patriarca da tribo dos ismaelitas, mais tarde árabes) aponte para a África do Norte, o Magreb muçulmano, enquanto a maioria dos escravos negros trazidos à América advinha da África sub-saariana, ao sul. Espécie nativa da Ásia, tampouco os tigres citados fazem parte da fauna africana.

Como o caráter de nacionalidade do poema se refere ao continente do outro lado do Atlântico, é só no sexto e último movimento que surge o “povo que a bandeira empresta / P’ra cobrir tanta infâmia e cobardia”: “Auriverde pendão da minha terra / que a brisa do Brasil beija e balança”. Nas aliterações (brisa, Brasil, beija, balança), recurso antecipado ao Modernismo, nossa digital é descoberta na arma do crime, como se toda a descrição da crueldade com que este foi cometido convergisse em preâmbulo à revelação final dos assassinos de uma raça: NÓS!

Ao fim do seu prefácio de “Os sertões”, ao resumir todo caráter da sua obra, Euclides da Cunha sentenciou o genocídio praticado pelo Exército Brasileiro contra as 25 mil almas arrebanhadas por Antônio Conselheiro num aldeamento miserável de sertão: “Aquela campanha lembra um refluxo para o passado. E foi, na significação integral da palavra, um crime. Denunciemo-lo”.

Em verso e prosa, nas denúncias dos crimes que cometemos, a identidade de uma nação.

 

 

O NAVIO NEGREIRO

 

TRAGÉDIA NO MAR

 

 

’Stamos em pleno mar… Doudo no espaço

Brinca o luar — doirada borboleta —

E as vagas após ele correm… cansam

Como turba de infantes inquieta.

 

’Stamos em pleno mar… Do firmamento

Os astros saltam como espumas de ouro…

O mar em troca acende as ardentias

— Constelações do líquido tesouro.

 

’Stamos em pleno mar… Dois infinitos

Ali se estreitam num abraço insano

Azuis, dourados, plácidos, sublimes…

Qual dos dois é o céu? Qual o oceano?…

 

’Stamos em pleno mar… Abrindo as velas

Ao quente arfar das virações marinhas,

Veleiro brigue corre à flor dos mares

Como roçam na vaga as andorinhas…

 

Donde vem?… Onde vai?… Das naus errantes

Quem sabe o rumo se é tão grande o espaço?

Neste Saara os corcéis o pó levantam,

Galopam, voam, mas não deixam traço.

 

Bem feliz quem ali pode nest’hora

Sentir deste painel a majestade!…

Embaixo — o mar… em cima — o firmamento…

E no mar e no céu — a imensidade!

 

Oh! Que doce harmonia traz-me a brisa!

Que música suave ao longe soa!

Meu Deus! Como é sublime um canto ardente

Pelas vagas sem fim boiando à toa!

 

Homens do mar! Ó rudes marinheiros

Tostados pelo sol dos quatro mundos!

Crianças que a procela acalentara

No berço destes pélagos profundos!

 

Esperai! Esperai! Deixai que eu beba

Esta selvagem, livre poesia…

Orquestra — é o mar que ruge pela proa,

E o vento que nas cordas assobia…

 

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Por que foges assim, barco ligeiro?

Por que foges do pávido poeta?

Oh! Quem me dera acompanhar-te a esteira

Que semelha no mar — doudo cometa!

 

Albatroz! Albatroz! águia do oceano,

Tu que dormes das nuvens entre as gazas,

Sacode as penas, Leviatã do espaço!

Albatroz! Albatroz! dá-me estas asas…

 

 

Que importa do nauta o berço,

Donde é filho, qual seu lar?…

Ama a cadência do verso

Que lhe ensina o velho mar!

Cantai! que a noite é divina!

Resvala o brigue à bolina

Como um golfinho veloz.

Presa ao mastro da mezena

Saudosa bandeira acena

Às vagas que deixa após.

 

Do Espanhol as cantilenas

Requebradas de langor,

Lembram as moças morenas,

As andaluzas em flor.

Da Itália o filho indolente

Canta Veneza dormente

— Terra de amor e traição —

Ou do golfo no regaço

Relembra os versos do Tasso

Junto às lavas do Vulcão!

 

O Inglês — marinheiro frio,

Que ao nascer no mar se achou —

(Porque a Inglaterra é um navio,

Que Deus na Mancha ancorou),

Rijo entoa pátrias glórias,

Lembrando orgulhoso histórias

De Nelson e de Aboukir.

O Francês — predestinado —

Canta os louros do passado

E os loureiros do porvir…

 

Os marinheiros Helenos

Que a vaga iônia criou,

Belos piratas morenos

Do mar que Ulisses cortou,

Homens que Fídias talhara,

Vão cantando em noite clara

Versos que Homero gemeu…

…Nautas de todas as plagas!

Vós sabeis achar nas vagas

As melodias do céu…

 

 

Desce do espaço imenso, ó águia do oceano!

Desce mais, inda mais… não pode o olhar humano

Como o teu mergulhar no brigue voador.

Mas que vejo eu ali… que quadro de amarguras!

Que cena funeral!… Que tétricas figuras!…

Que cena infame e vil!… Meu Deus! meu Deus! Que horror!

 

 

Era um sonho dantesco… O tombadilho

Que das luzernas avermelha o brilho,

Em sangue a se banhar.

Tinir de ferros… estalar do açoite…

Legiões de homens negros como a noite,

Horrendos a dançar…

 

Negras mulheres, suspendendo à tetas

Magras crianças, cujas bocas pretas

Rega o sangue das mães:

Outras, moças… mas nuas, espantadas,

No turbilhão de espectros arrastadas,

Em ânsia e mágoa vãs.

 

E ri-se a orquestra, irônica, estridente…

E da ronda fantástica a serpente

Faz doudas espirais…

Se o velho arqueja… se no chão resvala,

Ouvem-se gritos… o chicote estala…

E voam mais e mais…

 

Presa nos elos de uma só cadeia,

A multidão faminta cambaleia,

E chora e dança ali!

 

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Um de raiva delira, outro enlouquece…

Outro, que de martírios embrutece,

Cantando, geme e ri!

 

No entanto o capitão manda a manobra

E após, fitando o céu que se desdobra

Tão puro sobre o mar,

Diz do fumo entre os densos nevoeiros:

“Vibrai rijo o chicote, marinheiros!

Fazei-os mais dançar!…”

 

E ri-se a orquestra irônica, estridente…

E da roda fantástica a serpente

Faz doudas espirais!

Qual num sonho dantesco as sombras voam…

Gritos, ais, maldições, preces ressoam!

E ri-se Satanás!…

 

 

Senhor Deus dos desgraçados!

Dizei-me vós, Senhor Deus!

Se é loucura… se é verdade

Tanto horror perante is céus…

Ó mar! por que não apagas

Co’a a esponja de tuas vagas

Do teu manto este borrão?…

Astros! noite! tempestades!

Rolai das imensidades!

Varrei os mares, tufão!…

 

Quem são estes desgraçados,

Que não encontram em vós

Mais que o rir calmo da turba

Que excita a fúria do algoz?

Quem são?… Se a estrela se cala,

Se a vaga à pressa resvala

Como um cúmplice fugaz,

Perante a noite confusa…

Dize-o tu, severa musa,

Musa libérrima, audaz!

 

São os filhos do deserto

Onde a terra esposa a luz

Onde voa em campo aberto

A tribo dos homens nus…

São os guerreiros ousados,

Que com os tigres mosqueados

Combatem na solidão…

Homens simples, fortes, bravos…

Hoje míseros escravos

Sem ar, sem luz, sem razão…

 

São mulheres desgraçadas

Como Agar o foi também,

Que sedentas, alquebradas,

De longe… bem longe vêm…

Trazendo com tíbios passos,

Filhos e algemas nos braços,

Nalma — lágrimas e fel.

Como Agar sofrendo tanto

Que nem o leite do pranto

Têm que dar a Ismael…

 

Lá nas areias infindas,

Das palmeiras no país,

Nasceram — crianças lindas,

Viveram — moças gentis…

Passa um dia a caravana

Quando a virgem na cabana

Cisma da noite nos véus…

… Adeus! ó choça do monte!…

… Adeus! palmeira da fonte!…

… Adeus! amores… adeus!

 

Depois o areal extenso…

Depois o oceano de pó…

Depois no horizonte imenso

Desertos… desertos só…

E a fome , o cansaço, a sede…

Ai! quanto infeliz que cede,

E cai p’ra não mais s’erguer!…

Vaga um lugar na cadeia,

Mas o chacal sobre a areia

Acha um corpo que roer…

 

Ontem a Serra Leoa,

A guerra, a caça ao leão,

O sono dormindo à toa

Sob as tendas d’amplidão…

Hoje… o porão negro, fundo,

Infecto, apertado, imundo,

Tendo a peste por jaguar…

E o sono sempre cortado

Pelo arranco de um finado,

E o baque de um corpo ao mar…

 

Ontem plena liberdade,

A vontade por poder…

Hoje… cum’lo de maldade

Nem são livres p’ra… morrer…

Prende-os a mesma corrente

— Férrea, lúgubre serpente —

Nas ròscas da escravidão.

E assim roubados à morte,

Dança a lúgubre coorte

Ao som do açoite… Irrisão!…

 

Senhor Deus dos desgraçados!

Dizei-me vós, Senhor Deus!

Se eu deliro… ou se é verdade

Tanto horror perante os céus…

Ó mar, por que não apagas

Co’a a esponja de tuas vagas

Do teu manto este borrão?…

Astros! noite! tempestades!

Rolai das imensidades!

Varrei os mares, tufão!…

 

 

E existe um povo que a bandeira empresta

P’ra cobrir tanta infâmia e cobardia!…

E deixa-a transformar-se nessa festa

Em manto impuro de bacante fria!…

Meu Deus! meu Deus! mas que bandeira é esta,

Que impudente na gávea tripudia?!…

Silêncio!… Musa! chora, chora tanto

Que o pavilhão se lave no teu pranto…

 

Auriverde pendão de minha terra,

Que a brisa do Brasil beija e balança,

Estandarte que a luz do sol encerra,

E as promessas divinas da esperança…

Tu, que da liberdade após a guerra,

Foste hasteado dos heróis na lança,

Antes te houvessem roto na batalha,

Que servires a um povo de mortalha!…

 

Fatalidade atroz que a mente esmaga!

Extingue nesta hora o brigue imundo

O trilho que Colombo abriu na vaga,

Como um íris no pélago profundo!…

… Mas é infâmia de mais… Da etérea plaga

Levantavai-vos, heróis do Novo Mundo…

Andrada! arranca este pendão dos ares!

Colombo! fecha a porta de teus mares!

 

S. Paulo, 18 de abril de 1868

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