Bolsa Família revela fundo falso nas mentiras do PT e do governo Dilma

Uma mentira engole a outra, que engole a outra

Por Ricardo Noblat, em 27-05-13, 8h00

O que foi que na semana passada a ministra Maria do Rosário, dos Direitos Humanos, atribuiu à central de notícias da oposição? O que Dilma, por sua vez, chamou de “desumano e criminoso”? Lula, de ação praticada por “gente do mal”? José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça, de “manobra orquestrada”? E Ruy Falcão, presidente nacional do PT, de “terrorismo eleitoral”?

Ministra Maria do Rosário, dos Direitos Humanos e de “singela” opinião
Ministra Maria do Rosário, dos Direitos Humanos e de “singelas” opiniões

No sábado 18 e no dia seguinte em 13 estados, um milhão de clientes do programa Bolsa Família invadiu agências lotéricas para sacar suas mesadas fora do dia marcado. Boatos davam conta de que o programa seria extinto ou suspenso. Ou que Dilma autorizara o pagamento de um bônus. Houve quebra-quebra. A polícia foi acionada.

A ministra Maria do Rosário corrigiu-se poucas horas depois de ter pendurado na conta da oposição as consequências dos boatos. Qualificou de “singela” sua própria opinião — não mais do que “singela”. E garantiu com a inocência que Deus lhe deu: “Não quero politizar”. Ora, ora, ora… Quem por meio de uma “manobra orquestrada” poderia fazer “terrorismo eleitoral”?  Aliados do governo? Claro que não. Uma vez politizado o episódio, politizado está. Só que aos poucos ameaça se voltar contra o governo. Na melhor das hipóteses teria sido um caso de má gestão polvilhado com mentiras.

Entre as tardes do sábado e do domingo, quando pessoas em desespero se empurraram e depredaram agências lotéricas na caça ao tesouro do Bolsa Família, dois gerentes regionais da Caixa Econômica sugeriram que um erro do sistema de pagamento seria o responsável pela liberação do dinheiro em desacordo com o calendário do programa. Um deles, Hélio Duranti, do Maranhão, foi preciso.

“Os boatos surgiram após um atraso no pagamento do benefício ocorrido em todo o país. A situação foi normalizada, mas muita gente procurou os caixas eletrônicos ao mesmo tempo e o dinheiro acabou”, disse ele. “Quem não encontrou ficou revoltado e quebrou os caixas”. A ministra Tereza Campello, do Desenvolvimento Social, preferiu observar: “Não existe qualquer motivação para que a gente pudesse gerar esse tipo de intranquilidade para a população”. Será?

A direção da Caixa Econômica atravessou a semana negando que tivesse mexido no calendário de pagamento. Até que na última sexta-feira, a Folha de S. Paulo encontrou em Caucaia, região metropolitana de Fortaleza, a dona de casa Diana dos Santos, 34 anos. Na sexta anterior ela fora a um caixa eletrônico sacar os R$ 32,00 do Bolsa Família referentes a abril. Ao inserir seu cartão, sacou os R$ 32,00 de abril e os R$ 32,00 de maio.

“Recebo o Bolsa Família há anos e nunca pagaram antecipadamente”, comentou Diana. “Acho que outras pessoas receberam também, avisaram aos conhecidos e virou essa confusão”. A Caixa inventou então outra história depois que se desmanchou no ar a história que ela vinha contando. Soltou uma nota dizendo: “A Caixa Econômica esclarece que vem realizando, desde março, diversas melhorias no Cadastro de Informações Sociais. Em consequência desse procedimento, na sexta-feira (17), primeiro dia do calendário de pagamentos de benefícios do Bolsa Família do mês de maio, o banco disponibilizou o saque independentemente do calendário individual.

O pagamento é feito levando-se em conta o último número do cartão magnético de cada bolsista. A Caixa liberou o dinheiro para pagar de vez a todo mundo, mas não avisou a ninguém. De resto, não explicou como uma operação dessa natureza pode melhorar seu Cadastro de Informações Sociais. É razoável desconfiar que a Caixa mentiu outra vez. Para mudar o sistema de pagamento do Bolsa Família permitindo saques em  outras datas, o Conselho Deliberativo da Caixa teria de ser obrigatoriamente consultado — e não foi, segundo me contou um dos seus membros. Ou informado — e também não foi. A Caixa esconde que houve uma falha no sistema, o que tornou possíveis os pagamentos fora de hora.

No dia em que a Folha pegou a mentira da Caixa, uma fonte da Polícia Federal, mediante a garantia prévia de anonimato, revelou ao O Globo em Brasília que fora localizada  no Rio de Janeiro a central de telemarketing responsável pela difusão dos boatos. Não disse o nome da central. Nem do seu proprietário. Não disse quem a contratou. Nem como a central teve acesso aos números de telefones de inscritos no Bolsa Família. Sem acesso aos números de telefones como a central poderia disseminar boatos? Enquanto a Polícia Federal não revelar o nome da empresa e não apresentar o criminoso que encomendou o serviço, sobreviverá a suspeita de que ela mente para livrar a cara da Caixa Econômica.

Publicado ontem (27/05) na edição impressa de O Globo.

Na letra de Lobão e na paródia de Russo, uma pocilga chamada Brasil

Renato Russo e Lobão em entrevista à revista Elle, edição de julho de 1995 (clique na imagem para ampliá-la)
Lobão e Renato Russo em entrevista conjunta à revista Elle, edição de julho de 1995 (clique na imagem para ampliá-la)

Não dá para saber como Cazuza (1958/90) e Renato Russo (1960/96) estariam hoje cantando o Brasil há uma década governado pelo PT. De qualquer maneira, letras como “Brasil” e “Que país é esse?” dão boas pistas, assim como a opinião presente de Lobão, tão talentoso e polêmico quanto qualquer um dos seus pares do BRock, que após ter apoiado Lula e o PT de graça, da campanha presidencial de 1989 até estourar escândalo do Mensalão, em 2005, passou a descer a lenha sobre o lulo-petismo e seus “carolas estatizados”, como fez com precisão cirúrgica na letra de “Aquarela do Brasil 2.0”, usada como prólogo do seu último (e necessário) livro, “Manifesto do Nada na Terra do Nunca” (aqui, a R$ 24,21, na Ponto Frio), numa ambiciosa, corrosiva, mas embasada e corajosa crítica sobre a cultura e a política brasileiras:

“Com a santa ignorância dos que defendem, cegos, surdos, suas teses

Acobertando num silêncio um tanto cínico, aloprados e bandidos

de um governo cheio de reveses,

catequizando suas verdades imutáveis e eternas,

a patrulhar, ameaçar, comprar, reprimir (quando não, simonalizar)

todos aqueles que não se alinharam

nessa patuscada triste que eles mesmos inventaram:

A inveja da Pobreza. A cartilha do bom brasileiro.

A terraplanagem é por baixo e a laje é o limite, companheiro!

Para o inferno, vocês, proprietários dessas verdades de merda.

Fascismo não é monopólio da direita nem da esquerda.

Fascismo é imposição inflexível e truculenta de verdades sacralizadas

(…)

O Brasil dos estupros consentidos na surdina,

dos superfaturamentos encarados como rotina,

dos desabamentos e enchentes de hora marcada,

de hospitais públicos em abandono genocida,

de subsídios da Cultura a artistas consagrados,

dos aeroportos em frangalhos, usuários indigentes,

de políticos grosseiros, como sempre, subornados,

de cabelos acaju e seus salários indecentes,

da educação sucateada pelo Estado

em sua paralisia ideológica, omissa e incompetente.

(…)

E não me venha com essa lenga-lenga do tipo

‘não gostou, se manda! vai pr’outro lugar!’,

porque estou aqui para exterminar:

vossa hiponga modorra, vossa preguiça macunaímica,

vosso caráter vacante, vossa antropofagia cínica,

pois esse lugar também me pertence,

e ninguém vai me calar. Ninguém vai me calar.

(…)

E no cagaço metafísico

da multidão de contritos telerredimidos

brota o pavor da morte, da vida, do sexo,

da doença, da pobreza e do castigo.

Fazendo bispos milionários,

gângsteres do paraíso,

lotearem pedacinhos do firmamento

para histéricos apocalípticos aguardarem…

o fim do mundo fora de perigo…

(…)

Bem vindos à Terra do Nunca!

Bem vindos a essa pocilga chamada Brasil!”

A obra e seu autor
A obra e seu autor


Quem não ler o novo livro de Lobão, assim como seu primeiro, o bestseller autobiográfico “50 anos a mil”, estará realmente perdendo a chance de conhecer seu próprio país pela visão de um genuíno (até por antítese a Genoíno) livre pensador do nosso tempo, dono de cultura e inteligência invejáveis, sem paúra de colocar os dedos em muitas das nossas feridas, inclusive as suas próprias. De qualquer maneira, como quem está na crista da onda é o Renato Russo e a sua (nossa) Legião Urbana, a partir dos filmes “Somos tão jovens” e “Faroeste caboclo”, ambos em cartaz nos cinemas de Campos, assim como de boa parte do Brasil, vale a pena também a conferida na esperta paródia da música transposta às telas no segundo filme, que vem registrando igual sucesso na democracia irrefreável das redes sociais…

Por Newton, São Paulo, Constituição e Marx, a psiquiatria da democracia

“O grito”, do pintor expressionista norueguês Edward Munch (1863/1944)
“O grito”, do pintor expressionista norueguês Edward Munch (1863/1944)

Não sem algum constrangimento, confesso: não ouço a rádio Diário. Não por outro motivo, só agora, nesta noite de domingo, dia e meio depois, fui saber do que falou na manhã de ontem (25/05), em seu microfone de cabresto, o deputado Anthony Matheus, o Garotinho (PR). Segundo o jornalista e blogueiro Alexandre Bastos (aqui), disse o governante de fato de Campos, mesmo sem ter sido eleito de fato ou direito para tanto:

— Não dá para acender um fósforo (no lugar da vela católica dos santos) para cada pessoa. Se a pessoa toma café comigo e diz que é meu amigo, não pode dar entrevista para a Folha. Ou então, não vai mais tomar café comigo. Isso é democracia. Tem que escolher um lado.

Por raciocínio lógico e caridade cristã, pelo que se pode ler aqui, no próprio blog de Anthony Matheus, o Garotinho, até se deve entender o desespero de quem prevê em tempo curto as consequências inexoráveis da terceira lei de Isaac Newton (1643/1727), referentes ao princípio universal da ação e reação, preconizadas também e muito antes pelo apóstolo Paulo, em sua epístola aos gálatas, ou gauleses, ou celtas, ainda ao primeiro século cristão:

— Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará. (Gálatas 6:7)

Como, graças a Deus, ainda é laica a nossa Constituição, aconselha-se ao acossado deputado a releitura atenta do primeiro e segundo parágrafos do Art. 220 da Carta Magna, antes de pretender ditar, em delírio fascista mal disfarçado ou amparado em lei, com quem da imprensa ou não qualquer homem público possa falar:

— § 1º – Nenhuma lei conterá dispositivo que possa constituir embaraço à plena liberdade de informação jornalística em qualquer veículo de comunicação social, observado o disposto no art. 5º, IV, V, X, XIII e XIV.

— § 2º – É vedada toda e qualquer censura de natureza política, ideológica e artística.

Todavia, se for o caso de se rebelar contra o estado democrático de direito, na intenção de contra ele se promover uma revolução em nome de interesses individuais e inconfessáveis, bastariam dois pertinentes alertas de Karl Marx (1818/83), em sua face menos conhecida de jornalista:

— Trata-se de uma afirmação arrogante: minha individualidade é boa, as poucas existências que correspondem à minha individualidade são boas, e a imprensa má e perversa não quer reconhecer tal fato. A má imprensa!

— Quando uma pessoa privada se vangloria de ter inspiração divina, na nossa sociedade há somente um indivíduo que nega oficialmente tal fato: o especialista em doenças mentais!

Atualização de 28/05: Republicado hoje, na edição impressa da Folha.

GAP: Mistérios no ar e milhões na conta

Por Alexandre Bastos, em 26-05-2013 – 13h50

Uma semana após a revista Época divulgar matéria sobre um suposto amigo invisível do deputado federal Anthony Matheus (PR), o caso ganhou novos capítulos. Se por um lado o parlamentar alegou estar sendo perseguido, por outro ele mesmo deixou nítido que havia algo errado e afirmou que a Prefeitura de Campos suspenderia o contrato com a GAP. Porém, na prática, a empresa continua recebendo. Nos últimos dois meses, por exemplo, a Prefeitura pagou R$ 1,8 milhão à GAP. Em meio aos fantasmas, denúncias e dúvidas, outras situações começam a ser descobertas. A principal delas envolve o empresário Fernando Trabach.

Se o George Augusto Pereira não existe, Trabach é de carne e osso. Inclusive, de acordo com a revista Época, ele teria fornecido combustíveis para uma campanha do PR. Trabach é dono da Posto 01, empresa que ganhou uma concorrência em Campos e que fica no mesmo endereço da GAP.

Quem pesquisa a vida de Trabach se assusta com o fato do empresário ter três números diferentes de CPF. Ele também já apareceu em uma denúncia do Ministério Público Estadual (MPE) contra a Prefeitura de Campos. Em 2009, a prefeita Rosinha (PR) resolveu alugar ambulâncias ao invés de comprá-las. Para abrir concorrência, o município precisava cotar preços entre empresas e definir o valor a pagar pelo serviço de locação das ambulâncias. O mecanismo visa obter a proposta mais econômica aos cofres públicos. Uma das quatro empresas que apresentaram orçamento foi o Posto 01, que vende combustível em Itaboraí, município próximo ao Rio. Naquela época, o posto tinha uma filial no mesmo endereço da GAP. A suspeita do MPE era que houvesse um acerto entre as duas empresas irmãs para fraudar a concorrência. De acordo com o MPE, no dia da licitação, a GAP teve o caminho livre para vencer e receber, ainda por cima, em valores superfaturados. O que isso tem a ver com Trabach? Ele comanda a rede que inclui o Posto 01.

Trabach também aparece nas denúncias de fraudes na campanha eleitoral do PR em 2010. Sua rede de postos ganhou R$ 1,2 milhão para fornecer combustível ao candidato a governador do partido, Fernando Peregrino, lançado por Anthony Matheus. Tudo legal, afinal Trabach realmente opera estações de venda de gasolina, álcool, gás e diesel. A suspeita veio à tona quando a investigação esbarrou nas notas fiscais apresentadas à Justiça Eleitoral para comprovar as despesas com os quatro postos de Trabach. No final de abril, a revista Época revelou que as notas contêm indícios de irregularidades e falsificação.

Artigo do domingo — Sinal vermelho na BR 101

Por Suzy Monteiro

Difícil encontrar, nos municípios cortados pela BR 101, uma pessoa que, no mínimo, não conheça alguém que tenha perdido a vida nessa rodovia tão importante e, ao mesmo tempo, tão perigosa.

Pela BR 101, especialmente a partir do trecho do Rio de Janeiro, trafega grande parte da riqueza brasileira. Máquinas, equipamentos, móveis, vestuário, veículos, alimentos. Tudo passa pela BR em direção a seus destinos. É o progresso, é o desenvolvimento, é a riqueza.

Ao mesmo tempo, por ali passam histórias de vidas. É a família que viaja em férias, é o homem de negócios, é o trabalhador que enfrenta o estresse da estrada todos os dias, ano após ano. É o próprio caminhoneiro na briga para manter suas metas e, por consequência, seu emprego.

Numa convivência quase impossível para uma pista simples que recebe tão volume de trânsito e responsabilidades. Segundo dados da Polícia Rodoviária Federal, entre janeiro e abril de 2013, no Norte Fluminense, foram 19 acidentes com mortes, um número quase 50 vezes maior que o registrado no mesmo período de 2012.

Um dado muito mais que alarmante. Passou da hora de acender o sinal vermelho. A duplicação é necessária, é urgente, mas a conscientização dos motoristas que utilizam essa (e qualquer outra via) é imperial.

Basta de acreditar que só quem morre é o outro, só o outro é irresponsável, não sabe ultrapassar, é afobado. O outro sou eu, é você. O outro pode morrer. O outro pode sofrer um acidente e ficar imobilizado, com sequelas para sempre.

Apesar de o Brasil precisar intensificar outros meios de transportes — como o ferroviário e o marítimo, por exemplo — enquanto isso não acontece, vamos cobrar de quem precisa ser cobrado pelas melhorias na pista e sinalização adequada, mas sem esquecer de fazer nossa parte, de dirigir com responsabilidade.

Publicado hoje na edição impressa da Folha.

Feijó: definição para deputado estadual e federal em 2014 será de Anthony

“Um sobrevivente”. Em sua própria definição política, o deputado federal Paulo Feijó (PR) não entra de sola na discussão da disputa pelas vagas que seu grupo reservará aos candidatos locais à Câmara Federal e à Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). Com a experiência de quem está na vida pública há quase 30 anos, ele não antecipa agora uma discussão que só será definida nas convenções partidárias daqui a um ano. Todavia, como fez o deputado estadual Geraldo Pudim (PR), sutilmente também deixou seus recados à deputada estadual Clarissa Matheus (PR), todos pré-candidatos a federal em 2014, a quem lembrou a importância dos três se elegerem. Quanto à Alerj, embora defenda a legitimidade do pleito do vereador Adbu Neme (PR), ele não só empurra a discussão ao futuro, como sob o juízo de quem de fato a decidirá: o deputado federal Anthony Matheus (PR), reafirmado pelo colega de Câmara em sua pré-candidatura a governador.

Folha da Manhã – O PR de Campos terá mesmo três candidatos à Câmara Federal: você e os deputados estaduais Clarissa e Pudim?

Paulo Feijó – A princípio sim, mas nós temos ainda 12 meses até as convenções que irão oficializar as candidaturas para definir este quadro. Não se pode ter ansiedade.

Folha – Campos e região têm caixa para eleger vocês três?

Feijó – Campos e região têm votos para eleger até um número maior de deputados federais, é só o eleitor valorizar os candidatos da sua terra, não deixando acontecer o absurdo que aconteceu em 2010, quando, somente em Campos, 80 mil eleitores votaram nos candidatos de fora. As lideranças políticas, as entidades representativas, os eleitores e, principalmente, a mídia podem ajudar nesse trabalho importantíssimo de conscientização sobre a necessidade da regionalização do voto.

Folha – Em entrevista à Folha (aqui), Pudim disse que Campos teria entre 100 mil a 120 mil votos para candidatos locais a deputado federal pelo PR. Nas contas dele, que disse serem as mesmas de Anthony Matheus, se Clarissa fizesse entre 10 mil a 15 mil votos campistas, o que sobrasse bastaria para que você e ele saíssem da cidade com as eleições praticamente asseguradas. Concorda com essa aritmética?

Feijó – A viabilidade eleitoral dos três candidatos a federal do PR é enorme. Campos e região têm 800 mil eleitores, e saberemos trabalhar este eleitorado para que nós três sejamos eleitos, levando-se em conta também que Clarissa tem um trabalho muito forte na cidade do Rio de Janeiro e Baixada Fluminense.

Folha – Também em entrevista à Folha, Clarissa declarou (aqui) que não aceitará ser tratada como candidata do Rio. Como analisa esse posicionamento e até que ponto ele atrapalha nas contas eleitorais feitas por Pudim?

Feijó – Clarissa tem um forte vínculo político com Campos e região, e também alta densidade eleitoral no Estado. Pela sua experiência política, com certeza ela entende a importância da minha eleição e a de Pudim para consolidação do nosso grupo político.

Folha – Dos três pré-candidatos a federal, você é o único que concorreria à reeleição. Isso deixa sua vaga mais garantida? E até que ponto ajuda na eleição?

Feijó – Renovação de mandato a cada eleição fica mais difícil. Eu sou sobrevivente. Depois de Garotinho, que começou em 1986, sou o político de vida pública mais prolongada na região, tendo iniciado em 1988. Fui duas vezes vereador e quatro vezes deputado federal. Já tive altos e baixos. Hoje, neste novo mandato, estou recomeçando em ascensão, e muito otimista em relação a 2014, pelo reconhecimento dos eleitores e pelas oportunidades a mim concedidas pelo deputado Garotinho.

Folha – Pudim também disse que o projeto do PR fluminense é fazer oito federais e entre 10 a 12 estaduais. É isso mesmo?

Feijó – Pode ser. Garotinho tem que se caracterizado como um grande articulador político e contribuidor para o crescimento dos partidos. Foi assim por onde ele passou: no PDT, PSB, PMDB e agora no PR. Com certeza, nós iremos fazer novamente uma excelente bancada federal e estadual.

Folha – Em relação à Alerj, concorda que o limite de candidatos do PR em Campos não pode passar de três, sob risco de pulverização da votação? Quem seriam os pré-candidatos locais do seu partido com mais chance de ter a vaga?

Feijó – Três é um número razoável, mas ainda está cedo para definir este quadro. Precisamos aguardar, porém o mais importante é que o eleitor valorize os candidatos da terra para que o PR e os outros partidos elejam o maior número de deputados, o que será muito importante para nossa região. Quanto aos nomes, todos têm chance, e serão escolhidos aqueles que em junho do ano que vem estiverem com melhor aceitação eleitoral.

Folha – Além do PR, quais partidos da base da prefeita Rosinha lançariam candidatos à Alerj? O PP de Albertinho, o PT do B de Mauro Silva, o PSC de Genásio (opções elencadas aqui)? Algum outro? Quantos candidatos locais a estadual, em seu entender, o grupo deveria apresentar?

Feijó – Como disse anteriormente, este quadro só se definirá em junho de 2014. Serão candidatos os que tiveram maior viabilidade eleitoral. Para ser candidato do grupo, estadual ou federal, tem que ter o apoio de Garotinho, que é o líder e o nosso pré-candidato a governador. No grupo, ninguém tem musculatura eleitoral para ser candidato sozinho.

Folha – Além de Clarissa, quem também reagiu à entrevista de Pudim à Folha foi Abdu Neme (aqui), que usou o fato de ter sido o vereador mais votado do PR em 2012 para cobrar sua vaga no partido para disputar à Alerj em 2014. Já que ele apoiaria você a federal, como entende o pleito do vereador?

Feijó – Legítimo, Abdu Neme é um excelente vereador, de forte expressão eleitoral. Assim como é legítimo também para os demais vereadores que pleiteiam a vaga de deputado estadual ou federal, independente de partido. No entanto, quem almeja tem que trabalhar muito e não pode ter ansiedade. Este quadro só será definido em 2014 matematicamente, sob a condução do deputado Garotinho.

Folha – Em resposta ao colunista Ilimar Franco (aqui), de O Globo, Anthony Matheus garantiu (aqui) que Rosinha não será candidata a governadora. Até que ponto ele levará sua própria pré-candidatura à sucessão de Cabral? Acaso desista, como fez em 2010, quando decidiu concorrer a federal, até que ponto isso pode modificar os planos para 2014 de quem busca vaga para disputar o pleito à Câmara, como foi o caso de Pudim, três anos atrás?

Feijó – Já está definido. O nosso pré-candidato a governador é Garotinho, hoje o pré-candidato com maior viabilidade eleitoral no Estado do Rio. Em qualquer pesquisa que se faça, ele está em 1º lugar com razoável folga em relação ao segundo colocado. O que aconteceu em 2010 foi uma decisão política injusta do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), que não deu o registro para que Garotinho fosse candidato a governador, daí a opção pela candidatura a deputado federal. Essa perseguição, com certeza, não irá acontecer novamente, até porque o caso já foi resolvido com vitória para Garotinho no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Folha – Natural de Madalena, você sempre foi político de atuação e expressão eleitoral regional. Mantém a característica? Até que ponto ela pode ajudar em sua reeleição?

Feijó – Com certeza ajudará muito. Continuo mantendo esta característica e hoje talvez atravesse o meu melhor momento político regional eleitoral, até porque Garotinho me concedeu a oportunidade de coordenar as eleições municipais em vários municípios da região Norte/Noroeste Fluminense, e os resultados foram extremamente positivos.

Publicado hoje na edição impressa da Folha.

Bolsa Família: tecnologia de igualdade ou para formar curral?

Anos após abandonar a poesia que revolucionou com apenas 16 anos, foi como comerciante de armas que o francês Arthur Rimbaud (1854/91) acabaria sendo o primeiro homem branco a pisar em Adis Abeba, capital da Etiópia. E foi de lá que ontem a presidente Dilma Rousseff (PT), primeira mulher a governar o Brasil, admitiu pela primeira vez as falhas do seu governo na confusão do Bolsa Família (lembre aqui), que fez filas de brasileiros, negros, brancos e pardos, mulheres em sua maioria, se formarem como gado, dissociados de qualquer poesia, em todas as agências da Caixa Econômica Federal de pelo menos 12 estados da Federação:

— Nós somos humanos, pode ter tido falhas, o que estou dizendo é o seguinte: não é uma falha tópica que explica 12 Estados. Então, a Polícia Federal e a segurança da Caixa vão procurar todos os motivos e vão elencá-los todos. O que a gente pode tirar de bom disso? Podemos tirar que vamos estar sempre mais atentos agora para essa possibilidade — disse Dilma na África, para depois completar:

— Eu acho que seria um simplismo total dizer que o Bolsa Família é pura e simplesmente uma distribuição de recursos, ou como alguns diziam no Brasil, um bolsa esmola. O Bolsa Família é uma sofisticada tecnologia pra garantir o aumento da igualdade no nosso país.

As falhas que a sucessora de Lula admitiu, se referem à confirmação de que a Caixa alterou, sem nenhum aviso prévio, a antecipação do pagamento do benefício para o último dia 17 de maio, no valor de mais de R$ 2 bilhões, às vésperas de toda a confusão, como a Folha de São Paulo teve que revelar aqui para só então o ministério de Desenvolvimento Social admitir a verdade que vinha sonegando à população. Agora, à certeza do erro do seu governo que Dilma foi forçada pela imprensa a admitir, se opõe a dúvida de origem: “sofisticada tecnologia de pra garantir a igualdade” ou primaríssima “tecnologia” para se formar currais eleitorais às custas do dinheiro público?

Petistas fluminenses a favor da aliança com Cabral organizam fórum em Caxias

PT-RJ começa a costear o alambrado

Por Ralfe Reis, 25-05-13 – às 10h44

Rio – Como diria o ex-governador Leonel Brizola, parte do PT começou a costear o alambrado, ou seja, a demonstrar que quer vestir outra camisa na sucessão estadual. Um certo Fórum dos Petistas marcou para o dia 8, em Caxias, o debate Em Defesa da Aliança Nacional – 2014.

A convocação para o encontro deixa evidente seu objetivo: a aprovação de Carta Aberta que defenderá a indicação, pelo PT, do candidato a vice-governador na chapa de Pezão (PMDB). Isto forçaria a retirada da pré-candidatura do petista Lindbergh Farias ao Palácio Guanabara.

Apelo nacional

Pela proposta, o PMDB manteria a vaga de vice na chapa de Dilma Rousseff, que tentará a reeleição. O Fórum é formado principalmente por militantes de Caxias que defenderam a candidatura da neopetista Dalva Lazaroni à prefeitura da cidade.

Fora do tom

Para muitos peemedebistas, Sérgio Cabral desafinou ao insinuar o apoio a Aécio Neves para presidente caso Lindbergh seja candidato. Eles ressaltam que Dilma Rousseff destesta ser ameaçada e não descarta fechar com Pezão.

Fonte: Coluna informe do Dia, Jornal O Dia.

R$ 1,8 milhão pago à GAP após Anthony anunciar suspensão em nome de Rosinha

Reprodução e destaque por Eliabe de Souza, o Cássio Jr. (clique na imagem para ampliá-la)
Reprodução e destaque por Eliabe de Souza, o Cássio Jr. (clique na imagem para ampliá-la)

Apesar da Procuradoria do Município ter informado em nota oficial de 18 de maio, reproduzida acima e ecoada aqui pelo deputado federal Anthony Matheus, o Garotinho (PR), que a municipalidade teria suspenso desde março seus pagamentos à GAP Comércio e Serviços, só nos meses seguintes de abril e maio o governo Rosinha (PR) já pagou quase R$ 1,8 milhão (ou, mais precisamente, R$ 1.799.953,75) à empresa denunciada nacionalmente pela revista Época (relembre o caso aqui e aqui), por falsificação de documentos e por suas ligações com o líder do PR e com a Prefeitura de Campos.  A diferença entre o que foi anunciado e o que de fato está sendo feito, às custas do dinheiro público, pode ser conferida por qualquer cidadão que acesse o Portal da Transparência do próprio governo Rosinha (PR), onde consta o pagamento de R$ 1.277.025,75, feito ainda este mês, no dia 10 de maio, relativo à nota fiscal nº 175, gerada oito dias antes, em 2 de maio.  Para conferir, basta clicar aqui (no oitavo item da página 30) ou conferir a reprodução abaixo…

Reprodução e destaque feitas por Eliabe de Souza, o Cássio Jr. (Clique na imagem para ampliá-la)
Reprodução e destaque por Eliabe de Souza, o Cássio Jr. (clique na imagem para ampliá-la)

Não é a primeira vez que o pagamento da Prefeitura de Campos à GAP, cuja suspensão desde março foi anunciada pela Procuradoria, acabou desmentida pelo próprio Portal da Prefeitura. Aqui, como evidenciou o jornalista e blogueiro Ricardo André Vasconcelos, em 30 de abril outro pagamento também havia sido feito, no valor total de R$ 522.928,00, pelas notas fiscais 169, 170, 171, e 172, geradas cinco dias antes, em 25 de abril, como prova a reprodução abaixo…

Reprodução e destaque por Ricardo André Vasconcelos (clique na imagem para ampliá-la)
Reprodução e destaque por Ricardo André Vasconcelos (clique na imagem para ampliá-la)

Enquanto não se cumpre a suspensão de pagamento à GAP anunciada pela Procuradoria e ecoada por Anthony Matheus, o Garotinho, tampouco a primeira informa em que prazo se cumprirá outra promessa do segundo, feita aqui, em entrevista à rádio CBN, referente à suspensão também do próprio contrato da Prefeitura com a empresa denunciada, que soma R$ 32 milhões pelo aluguel de 80 ambulâncias. Perguntas feitas neste sentido, acerca dos prazos da ruptura do contrato com a GAP e sobre a nova licitação emergencial para atender ao serviço fundamental à Saúde Pública do município, também anunciada pelo deputado e “porta voz” do governo de Campos, simplesmente não foram respondidas pela secretaria de Comunicação, como evidenciou aqui o jornalista e blogueiro Rodrigo Gonçalves.

Enquanto isso, as ambulâncias da GAP continuam rodando na cidade e os pagamentos sendo feitos pelo governo Rosinha.