Nelson Rodrigues — A grandeza do homem do Brasil é uma piada

Garrincha

 

 

Nelson Rodrigues A piada imortal

Por Nelson Rodrigues

 

“Já descobrimos o Brasil e não todo o Brasil. Ainda há muito Brasil para descobrir. Não há de ser num relance, num vago e distraído olhar, que vamos sentir todo o Brasil. Este país é uma descoberta contínua e deslumbrante”.

Amigos, eu ando falando muito do Brasil. E muita gente já rosna, com tédio e irritação: — “Você está descobrindo o Brasil?” É exato. Estou, sim, estou descobrindo o Brasil. Eis que, de repente, cada um de nós, cada um dos setenta milhões de brasileiros passa a ser um Pedro Álvares Cabral.

Já descobrimos o Brasil e não todo o Brasil. Ainda há muito Brasil para descobrir. Não há de ser num relance, num vago e distraído olhar, que vamos sentir todo o Brasil. Este país é uma descoberta contínua e deslumbrante. E justiça se faça ao escrete: — é ele que está promovendo, quem está anunciando o Brasil.

A princípio, o sujeito pode pensar que o escrete revelou o Brasil para o mundo. Isso também. Todavia, o mais importante e o mais patético é a descoberta do Brasil para os próprios brasileiros. Pergunto: — o que sabemos nós do Brasil? Pouco ou, mesmo, nada. A partir de 58, o Brasil começou a aparecer aos nossos olhos.

Digo mais: — foi o escrete que ensinou o brasileiro a conhecer-se a si mesmo. Tínhamos uma informação falsa a nosso respeito. Sempre me lembro de um amigo meu que era um bem, um símbolo nacional. Exuberante como um italiano de Hollywood, um italiano de anedota, o sujeito tinha o gosto do berro e do gesto largo. Se via um vago conhecido, ele abria os braços até o teto e se arremessava com a efusão de um amigo de infância. Tipo gozadíssimo. E o Fulano costumava dizer, aos uivos: — “Eu sou um quadrúpede!” E para evitar dúvidas, ampliava: — “Eu sou um quadrúpede de 28 patas!”

Esta autocrítica jocunda e feroz era o que todos nós fazíamos. O sujeito, aqui, não acreditava nem nos outros, nem em si mesmo. E aquele que se nega está, ao mesmo tempo, negando a própria terra. Quando dissemos: — “Eu sou uma besta!” — estamos vendo bestas por toda parte. Não havia nenhum ufanismo no Brasil. Em absoluto. Como o meu amigo citado, cada um de nós era um Narciso às avessas, que cuspisse na própria imagem.

Em 58, o escrete ainda embarcou desconfiado. Mas já uma dúvida instalava-se em nosso espírito. O sujeito já não sabia se era ou não uma besta chapada ou, na melhor das hipóteses, uma semibesta. A campanha de 58 viria clarificar o problema. Chegamos na Suécia, ainda perplexos. Vencemos a Áustria e empatamos com a Inglaterra. Vem, finalmente, o jogo com a Rússia.

Eu vou dizer o momento exato em que se inaugurou o verdadeiro Brasil. Foi após o hino nacional brasileiro. Os jogadores ainda estavam perfilados e trêmulos. A Rússia seria uma prova crucial. Mais do que nunca dava em cada jogador o dilema: — “Ser uma besta ou não ser uma besta?” E, então, soou, naquele escrete contraído, a voz de Garrincha. Com a sua candura triunfal, dizia o Mané para o Nilton Santos: — “Aquele bandeirinha tem a cara do ‘seu’ Carlito!” Houve, então, o riso incoercível, total. Foi o bastante. O escrete tomou-se de uma nova e feroz potencialidade. E da piada de Garrincha partiu para a vitória

Ali, começava o verdadeiro Brasil. Ninguém sabe, mas foi uma piada que derrotou a grande, a colossal, a imbatível Rússia. A mesma piada deu ao brasileiro a sensação da própria grandeza. Com um quase pânico, o homem do Brasil percebeu que era genial.

 

Jornal dos Sports, 27/5/1962

 

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Interpol investiga no Brasil manipulação de resultados na Copa do Mundo

Ronald Noble, secretário geral da Interpol, e Joseph Blatter, presidente da Fifa (foto de Arnd Wiegmann - Reuters)
Ronald Noble, secretário geral da Interpol, e Joseph Blatter, presidente da Fifa (foto de Arnd Wiegmann – Reuters)

 

O secretário geral da Interpol (organização internacional que coopera com policias de diversos países), Ronald Noble, revelou à rede americana CNN que a instituição enviou uma equipe para o Brasil para investigar uma possível manipulação de partidas na Copa do Mundo.

“Posso garantir que, agora, enquanto a Copa acontece, existem grupos de crime organizado trabalhando com apostas ilegais. Isso pode influenciar no resultado de um jogo ou no que acontece em campo, com suborno ou corrupção”, disse Noble em entrevista ao apresentador Richard Quest no programa Quest Mean Business, na tarde de ontem (13/06).

“E quando você pensa é um evento grande, é muito importante, esse tipo de coisa não pode acontecer, é que aí você tem um problema. Por isso, enviamos uma equipe da Interpol ao Brasil, para ajudar os brasileiros, e outras equipes pelo mundo para investigar esses grupos de crime organizado que trabalham com manipulação de resultados. Isso tem que ser vigiado”.

Na noite desta sexta, Luiz Eduardo Navajas, delegado da Polícia Federal e coordenador da Interpol no Brasil, negou aqui a existência de uma operação da instituição no país investigando manipulações de resultado na Copa. De acordo com Navajas, houve um mal entendido com relação à entrevista de Noble.

Segundo Ronald Noble, as apostas não seriam apenas sobre os resultados dos jogos, mas também sobre outros lances que acontecem em campo. “Um pênalti, qual equipe dá a saída de bola, para quem é o primeiro escanteio… as pessoas apostam milhões de dólares nessas coisas. É assim que definimos o termo ‘manipulação’ num jogo”.

Questionado sobre uma eventual participação de árbitros, jogadores e outros envolvidos na organização da Copa do Mundo, ele disse que a possibilidade existe, mas não deu mais detalhes. “Há possibilidade, mas não sei se é provável. Não prevejo o futuro, falo apenas sobre o que está acontecendo”.

Noble também falou sobre a investigação aberta pela Fifa para apurar os supostos casos de suborno nas eleições para as sedes das Copas de 2018, na Rússia, e 2022, no Qatar. “São promotores muito respeitados pelo mundo. Leio muito no jornal sobre as suspeitas com a Fifa, mas vou esperar a investigação e as evidências para saber o que aconteceu”, analisou.

“Espero que a Fifa apoie as investigações, que são independentes, e dê todos os recursos possíveis. Mas talvez isso não aconteça, porque é uma investigação independente, que chegará a algumas conclusões. Mas confio na integridade e na credibilidade de quem está investigando, e o relatório final deverá ser respeitado”, afirmou.

Fifa e Interpol já colaboraram para investigar manipulação de resultados no futebol. Em janeiro de 2012, a entidade que organiza o futebol mundial anunciou que contaria com agentes internacionais para apurar as denúncias, além de elaborar um programa de proteção para quem denunciasse esquemas de manipulação de jogos.

 

Fonte: UOL

 

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Copa politicamente incorreta: Quem chama jogador de “veado” é chamado de “macaco”

 

“Macacos!” Foi assim que muitos torcedores espanhóis se referiram ontem aos brasileiros, inundando as redes sociais com comentários racistas sobre os anfitriões da Copa do Mundo, logo depois da sua seleção ser goleada de 5 a 1 pela Holanda, com apoio entusiasmado da torcida da Fonte Nova, em twiter espanhóisSalvador (BA). Na verdade, o público presente ao jogo começou vaiando apenas um jogador da Espanha: o brasileiro naturalizado Diego Costa, artilheiro do Atlético de Madri, que optou por defender o novo país, mesmo que tivesse sua convocação também garantida na seleção de Felipão.

Dentro da lógica do politicamente correto, se os espanhóis foram racistas virtuais após a partida, ninguém pode dizer que os brasileiros não foram homofóbicos ao vivo durante o jogo. Além de vaiar cada vez que o jogador naturalizado tocava na bola, a torcida brasileira no estádio também entoava o coro: “Diego, veado!”. Encerrado o primeiro tempo dominado pela Espanha, mas com o placar parcial equilibrado em 1 a 1, o futebol empolgante jogado pelos holandeses na etapa final, quando marcaram mais quatro gols, fez com que a torcida que já perseguia Diego Alves passasse a vaiar também o resto do time espanhol. Na Fonte Nova, talvez alguém ainda tivesse na memória os mesmos comentários racistas nas redes sociais, que já tinham sido feitos após a final da Copa das Confederações, no Maracanã, em 30 de junho do ano passado, quando o Brasil bateu os espanhóis por 3 a 0.

Na reação racista ao apoio brasileiro a Holanda, que teve ontem teve sua revanche da final da Copa de 2010, os espanhóis usaram principalmente o Twiter para escrever mensagens como:

— “Macacos brasileiros. Como (eles) não têm nada o que fazer ficam felizes com a derrota da Espanha e fazem a ‘ola’. Coitados”

— “Do que riem esses macacos brasileiros? Celebrando a vitória da Holanda… macacos”

— “Macacos brasileiros, que passem fome o resto de suas vidas”

—  “Os brasileiros celebram mais que os holandeses na arquibancada. Que patéticos esses macacos”

— “O destino quer que a gente fiquei em segundo. Para acabarmos com os putos brasileiros. Macacos!”

A última mensagem fazia referência à possibilidade da Espanha, após a derrota pelo placar dilatado, se classificar em segundo lugar do Grupo B, pegando nas oitavas de final o primeiro colocado do Grupo A, que tem o Brasil ainda como favorito.

 

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Após encenar pênalti no campo, Fred continua a interpretar em vídeo da CBF

Assim como o pênalti que encenou em campo, ontem, gerando o gol da virada brasileira contra a Croácia, Fred hoje encenou, diante a câmera da CBF, a versão de que não cavou a penalidade (foto: AP)
Assim como o pênalti que encenou em campo, ontem, gerando o gol da virada brasileira contra a Croácia, Fred hoje encenou, diante a câmera da CBF, a versão de que não cavou a penalidade (foto: AP)

 

Depois de encenar o pênalti que gerou o gol da virada do Brasil, ontem, contra a Croácia, a repercussão negativa do lance em todo o mundo (confira aqui) fez com que a CBF gravasse e divulgasse hoje um vídeo, no qual o centroavante titular de Felipão continuou a interpretar não ter se atirado acintosamente dentro da área, induzindo o erro do árbitro japonês Yuichi Nichimura, no jogo de abertura da Copa do Mundo:

— Foi pênalti claro. Não existe mais pênalti ou menos pênalti. A Fifa mandou a comissão de arbitragem aqui para orientar todos os jogadores, para não ter agarra-agarra na área que os árbitros iam dar pênalti. Naquele lance, dominei a bola com a direita já para virar para a esquerda, eu sofri uma carga no ombro, perdi o alcance da bola, me desequilibrou e eu caí. Não sou jogador de ficar caindo. Um jogo atrás, contra a Sérvia, sofri uma carga, me desequilibrei e mesmo caído fui para a bola para fazer o gol. Ouvi muita gente falando que não foi pênalti, mas teve sim a carga e foi suficiente para me tirar da bola para eu fazer o gol. Nada vai abalar nosso ambiente aqui, nada vai tirar o nosso foco, e está todo mundo muito preparado. Não vamos tirar o brilho da nossa vitória, que foi muito merecida, que foi muito difícil.

Após a partida, os croatas não economizaram nas reclamações contra os erros de arbitragem que favoreceram  a seleção brasileira. Zagueiro que disputou o lance com Fred, Dejan Lovren disse que é melhor “dar a taça logo ao Brasil”. Por sua vez, o técnico croata Niko Kovac denunciou na coletiva após o jogo:

— Se alguém viu pênalti, levante a mão. Eu não posso levantar a mão. Nenhum dos presentes no estádio ou os 2,5 bilhões que assistiram à partida mundo afora viram pênalti, se for assim, haverá mil pênaltis na Copa,. Foi ridículo o que fizeram. Não tem nada a ver com esse árbitro em especial, tem a ver com jogar aqui no Brasil, o Brasil ser o grande favorito para ser campeão. As regras valem para os dois lados. O slogan da Fifa é “respeito”, então, que haja respeito para as duas equipes, se continuarmos assim, vamos ter um circo.

A polêmica levou o chefe do departamento de arbitragem da Fifa, o suíço Massimo Busacca, a também se pronunciar publicamente sobre o lance. Para ele, ainda não se pode falar em erro do árbitro japonês e muito menos em punição:

— Foi uma decisão, tomada de forma honesta, sobre o que ele viu e para o que se preparou. A gente não pode falar em punição.

Confira o vídeo da CBF com a versão de Fred:

 

 

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Xingamentos a Dilma nasceram das ruas, um ano antes da Copa do Mundo

Desde ontem, quando 2,5 bilhões de pessoas ao redor do mundo assistiram à presidente Dilma Rousseff (PT) ser vaiada e xingada ao vivo, pela torcida brasileira que lotou a Arena Corinthians, em São Paulo, no Brasil 3 x 1 Croácia, que abriu a Copa do Mundo, os céleres simpatizantes do governo federal petista têm insistido em segmentar o fato como evento isolado,  lido a partir do conceito marxista da luta entre classes sociais. Por essa visão, uma governante como Dilma, que deu continuidade às políticas de inclusão social do ex-presidente Lula, sobretudo a partir da distribuição maciça de bolsas assistenciais, estaria sendo atacada por uma elite branca, raivosa e preconceituosa de São Paulo, capital econômica do país, embora também seja, ironicamente, o berço de nascimento do PT.

Dentro desse raciocínio, essa mesma tal “elite branca” seria a única capaz de pagar os caríssimos ingressos cobrados pela Fifa ao evento que os governos populares de Lula e Dilma, paradoxalmente, tanto lutaram para trazer ao Brasil — apesar dos atrasos vergonhosos nas obras nos estádios e do adiamento, só para depois da Copa, de grande parte das obras de infraestrutura prometidos como legado permanente à população.

Felizmente, com o advento da internet e da democracia irrefreável das redes sociais, essa leitura não resiste a uma simples consulta no Youtube. A partir dos eventos lá registrados em áudio e vídeo por qualquer cidadão munido de celular, é possível constatar que as vaias e os xingamentos à presidente Dilma, cuja queda de aprovação e popularidade se acentua a cada nova pesquisa, se trata de um fenômeno nacional, presente tanto nas ruas quanto em eventos pagos, que nasceu há cerca de um ano e cresceu gradativamente, até alcançar a previsível evidência mundial de ontem.

Senão, vejamos:

15/06/13 Na abertura da Copa das Confederações, no Brasil 3 x 0 Japão, no estádio Mané Garrincha, em BRASÍLIA, a presidente Dilma Rousseff foi sonoramente vaiada, embora ainda sem ser xingada, quando foi apresentada oficialmente pelo presidente da Fifa, Joseph Blatter. Relembre:

 

 

17/06/13 Num dos protestos que estouraram em junho do ano passado, na democracia sócioeconômica plena das ruas paulistanas, surge o grito “Ei, Dilma, vai tomar no cu!”, que só agora, quase um ano depois, causou tanta surpresa, sendo apressadamente atribuído a uma suposta “elite branca”. Como aconteceria no Itaquerão, também nas ruas o hino nacional serviu de introdução aos xingamentos à presidente da República. Veja:

 

 

31/05/14 No show de O Rappa, realizado em Ribeirão Preto (SP), na 13ª edição do João Rock, considerado o maior festival de música pop e rock do interior, o cantor Falcão toma o microfone para fazer um desabafo até raro na classe artística, ainda majoritariamente ligada ao PT, ou com medo da feroz patrulha dos seus militantes: “Infelizmente o legado que tem da Copa é um legado muito escroto, muito pequenininho, muito nada a ver. (…) E só tem dois tipos de Copa, a que vencer e a eleição que vem logo depois. A gente não pode esquecer disso”. O público presente de cerca de 40 mil pessoas respondeu em uníssono, a apenas 12 dias da abertura da Copa: “Ei, Dilma, vai tomar no cu!”. Confira:

 

 

No mais, para quem teve que deixar qualquer torcida de lado para trabalhar na cobertura do jogo de abertura de uma Copa do Mundo no Brasil, na qual se foi obrigado a também registrar o “Ei, Dilma, vai tomar no cu!” da torcida, cabe o eco pessoal à reação de Falcão ao mesmíssimo coro, menos de duas semanas atrás:

— Você viu que eu jamais falaria isso. Mas esse desabafo não é meu, não. Esse desabafo é de vocês, é nosso, é de todo mundo. É só um desabafo! Mas mesmo se ganhar, eu vou continuar pensando desse jeito, mesmo se ganhar. Me falaram que a Copa está comprada. Eu não acredito nisso, porque tem seleção que joga pra caralho.

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Após evitar abertura da Copa, Lula xinga de “moleque” quem xingou Dilma

Foram várias as reações ao coro da torcida brasileira (confira o vídeo acima) contra a presidente Dilma Rousseff (PT), presente ontem à Arena Corinthians, o Itaquerão, no Brasil 3 x 1 Croácia, que abriu a Copa do Mundo. Mesmo sem ter feito o tradicional discurso de abertura no maior evento esportivo do mundo, por temer as vaias, a presidente teve que ouvir o coro das mais de 60 mil pessoas que lotavam as arquibancadas: “Ei, Dilma, vai tomar no cu!”.

Hoje, por meio da Agência Brasil, Dilma se pronunciou (aqui), lembrando até do seu passado como militante do grupo guerrilheiro Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares), durante o regime militar brasileiro (1964/85), quando participou de ações armadas até acabar presa e torturada nos porões da ditadura:

— Não vou me deixar perturbar, atemorizar por xingamentos que não podem sequer ser escutados pelas crianças e famílias. Aliás, na minha vida pessoal, enfrentei situações do mais alto grau de dificuldade, situações que chegaram num limite físico. Superei agressões físicas quase insuportáveis e nada me tirou do meu rumo, dos meus compromissos, nem do caminho que tracei para mim. Quero dizer para todos, não serão xingamentos que vão me intimidar, não me abaterei por isso.

As declarações da presidente foram feitas no discurso numa inauguração em Brasília. Por sua vez, o ex-presidente Lula (PT), que foi o principal responsável pela construção da Arena Corinthians, para presentear o clube da sua torcida pessoal, mas preferiu não prestigiá-lo no jogo que abriu ontem a Copa, hoje falou grosso contra aqueles que xingaram a mulher que ele escolheu para sucedê-lo como presidente da República:

—  Os responsáveis por aqueles xingamentos contra uma mulher e uma presidente são moleques. Fiquei pensando em casa que não é dinheiro, nem escola, nem qualquer tipo de título que garante educação. A educação se aprende dentro de casa com o pai e com a mãe. Mesmo quando eu fazia oposição, nunca tive coragem de faltar com respeito a um presidente da República.

Cada vez mais pressionado pelas pesquisas que atestam a tendência de queda de popularidade do governo Dilma, assim como de intenção de votos à reeleição da presidente, as declarações de Lula foram feitas hoje, numa palestra no auditório do Teresina Hall, no lançamento da pré-candidatura do ex-prefeito teresinense Elmano Férrer (PTB) ao senado, e o lançamento da pré-candidatura do senador Wellington Dias (PT) ao governo do Piauí e da deputada estadual Margarete Coelho (PP) como sua vice.

Lula declarou que assistiu ao jogo em casa, em São Paulo, enquanto Dilma era vaiada e xingada ao vivo, como indicavam todas as previsões. Ele tentou justificar sua ausência, afirmando que quem vai ao estádio durante a abertura do Mundial é o chefe de Estado. “O que eu não sou mais”, lembrou o ex-presidente.

 

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Pai tira filho de protesto contra a Copa e diz: “Vai trabalhar e ganhar seu dinheiro!”

Ontem, nos protestos em São Paulo contra a Copa, um pai reconheceu o filho menor, mesmo com o rosto coberto, e usou da sua autoridade paterna para tentar tirá-lo da manifestação na zona leste da capital paulista. Diante das câmeras dos cinegrafistas que acompanhavam o protesto, ele tirou camisa que cobria o rosto do filho, enquanto este protestava: “Estou no meu direito, deixa eu me manifestar”. Ao que o pai respondeu: “Você vai ter o seu direito quando trabalhar e ganhar o seu dinheiro”.

Nestes tempos em que o estado brasileiro pretende legislar sobre a responsabilidade dos pais sobre seus próprios filhos, a partir da aprovação da polêmica lei da palmada por nosso insuspeito Congresso Nacional, e da maciça perda de apoio popular às manifestações de rua radicalizadas e banalizadas por uma minoria de jovens estudantes de classe média, esse pai demonstrou o amor e a coragem para sê-lo integralmente. A despeito do fascismo politicamente correto cada vez mais entranhado na sociedade.

Confira abaixo o vídeo:

 

 

 

 

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Mídia mundial questiona pênalti e técnico da Croácia denuncia “circo” para o Brasil

Aqui, o jornalista Alexandre Bastos repercutiu na blogosfera goitacá a repercussão da vitória do Brasil sobre a Croácia no sempre irreverente e irônico (sobretudo contra os brasileiros) jornal argentino de esportes Olé. Pelo pênalti simulado por Fred e marcado pelo árbitro japonês Yuchi Nichimura, convertido por Neymar para virar o placar em 2 a 1, que ainda seria ampliado por Oscar no final do jogo, o técnico croata Niko Kovac não poupou palavras, na coletiva após a partida, na qual fez denunciou um “circo” estaria armado para o Brasil ganhar a Copa que sedia:

Niko Kovac
Niko Kovac

— Se alguém viu pênalti, levante a mão. Eu não posso levantar a mão. Nenhum dos presentes no estádio ou os 2,5 bilhões que assistiram à partida mundo afora viram pênalti, se for assim, haverá mil pênaltis na Copa,. Foi ridículo o que fizeram. Não tem nada a ver com esse árbitro em especial, tem a ver com jogar aqui no Brasil, o Brasil ser o grande favorito para ser campeão. As regras valem para os dois lados. O slogan da Fifa é “respeito”, então, que haja respeito para as duas equipes, se continuarmos assim, vamos ter um circo.

Por sua vez, o treinador Felipão, que disse ter enxergado o pênalti inexistente, quando confrontado pelos repórteres, em sua coletiva, sobre as acusações fortes de Kovac, respondeu:

Felipão
Felipão

— Não vou analisar a arbitragem. Para mim, foi pênalti. Vi o lance dez vezes no vestiário. Milhares não viram, mas o árbitro viu, e a arbitragem é do árbitro. Mas ele interpreta. Ganhando ou perdendo, foi a interpretação dele. Eu não vou comentar o que disse o técnico croata. Vou só dizer que temos cinco títulos mundias. Foram organizados cinco circos em favor do Brasil? Nunca tivemos Pelé, Garrincha, Carlos Alberto, Ronaldo, Romário, Rivaldo, Neymar? Respeito a decisão do meu colega e, se estivesse no lugar dele, também pensaria isso.

A julgar pela reação da imprensa ao redor do mundo, o pensamento geral  está bem mais próximo do treinador da Croácia, do que do Brasil. Confira abaixo, clicando nas imagens para ter acesso às publicações originais:

 

Argentino Olé falou em "roubo" para o Brasil
Olé fala em “roubo” para o Brasil — Argentinos citam pênalti dado de presente após queda de Fred dentro da área. Brasil venceu a Croácia por 3 a 1 na estreia

 

Italianos chamam pênalti em Fred de "presente" —  La Gazzetta dello Sport elogiou atuações de Oscar e Neymar, mas não esqueceu o pênalti marcado pelo árbitro japonês Yuichi Nishimura em Fred.
Italianos chamam pênalti em Fred de “presente” — La Gazzetta dello Sport elogiou atuações de Oscar e Neymar, mas não esqueceu o pênalti marcado pelo árbitro japonês Yuichi Nishimura em Fred
L'Equipe: "Neymar (já) salva o Brasil"  — O site do jornal francês L'Equipe destaca que o Brasil já precisou recorrer ao seu principal craque para vencer. A publicação também lembrou que, para chegar à vitória, a seleção contou com um pênalti inexistente.
L’Equipe: “Neymar (já) salva o Brasil” — O site do jornal francês L’Equipe destaca que o Brasil já precisou recorrer ao seu principal craque para vencer. A publicação também lembrou que, para chegar à vitória, a seleção contou com um pênalti inexistente.

 

Argentinos fazem piada com árbitro da estreia — O diário argentino Olé sempre recorre ao humor para fazer suas críticas, e na estreia da Copa não foi diferente. A publicação estampou na capa de seu site uma montagem com o japonês recebendo uma sacola de dinheiro e a legenda "Jajajaja... ponés". Jajaja é a reprodução da risada em espanhol, equivalente ao nosso hahaha
Argentinos fazem piada com árbitro da estreia — O diário argentino Olé sempre recorre ao humor para fazer suas críticas, e na estreia da Copa não foi diferente. A publicação estampou na capa de seu site uma montagem com o japonês recebendo uma sacola de dinheiro e a legenda “Jajajaja… ponés”. Jajaja é a reprodução da risada em espanhol, equivalente ao nosso hahaha

 

Para o inglês Guardian, o Brasil e Neymar não convenceram. A  publicação foi crítica à atuação do Brasil na estreia da Copa do Mundo, apesar da vitória por 3 a 1 sobre a Croácia
Para o inglês Guardian, o Brasil e Neymar não convenceram. A publicação foi crítica à atuação do Brasil na estreia da Copa do Mundo, apesar da vitória por 3 a 1 sobre a Croácia

 

Site croata diz que Neymar e "juiz tendencioso" deram vitória ao Brasil  Site sportske novosti critica atuação do árbitro, que deu pênalti em Fred
Site croata diz que Neymar e “juiz tendencioso” deram vitória ao Brasil — Site Sportske Novosti critica atuação do árbitro, que deu pênalti em Fred

 

El País: "Neymar termina trabalho de Nishimura" —  Publicação espanhola afirmou que é difícil ver o Brasil sem craques como Ronaldo, Ronaldinho ou Romário, e que Neymar é a única referência de talento na equipe de Felipão. Segundo texto publicado no site do jornal, Neymar e Brasil precisaram da ajuda do árbitro Yuichi Nishimura para conseguir a vitória
El País: “Neymar termina trabalho de Nishimura” —
Publicação espanhola afirmou que é difícil ver o Brasil sem craques como Ronaldo, Ronaldinho ou Romário, e que Neymar é a única referência de talento na equipe de Felipão. Segundo texto publicado no site do jornal, Neymar e Brasil precisaram da ajuda do árbitro Yuichi Nishimura para conseguir a vitória

 

Imprensa croata repercute declaração de Kovac: “juiz é uma desgraça” — O site Vecernji coloca como principal destaque a declaração do técnico croata Niko Kovac, que afirmou que o árbitro japonês Yuichi Nishimura “é uma desgraça”
Imprensa croata repercute declaração de Kovac: “juiz é uma desgraça” — O site Vecernji coloca como principal destaque a declaração do técnico croata Niko Kovac, que afirmou que o árbitro japonês Yuichi Nishimura “é uma desgraça”

 

O jornal espanhol Marca citou o lance duvidoso com Fred, no pênalti inexistente convertido por Neymar
O jornal espanhol Marca citou o lance duvidoso com Fred, no pênalti inexistente convertido por Neymar

 

O diário espanhol As destacou a atuação do brasileiro Neymar, que marcou duas vezes, mas alfinetou o pênalti marcado em Fred. A manchete na capa do site diz que o Brasil estreou com um "empurrão" do árbitro
O diário espanhol As destacou a atuação do brasileiro Neymar, que marcou duas vezes, mas alfinetou o pênalti marcado em Fred. A manchete na capa do site diz que o Brasil estreou com um “empurrão” do árbitro

 

 

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Com protestos, gol contra e gol roubado, Brasil bate a Croácia


 

 

Antes da bola rolar ontem, na estreia da Copa do Mundo, os mais de 60 mil torcedores presentes ao Itaquerão emocionaram todo o mundo que acompanhava pela TV a abertura da Copa da Fifa, entoando a plenos pulmões toda a primeira parte do hino nacional brasileiro, em uníssono com os 11 jogadores da seleção brasileira em campo e seu técnico Felipão. Até a presidente Dilma Rousseff, que quebrou o protocolo oficial e não discursou com medo de ser vaiada, não escondeu a emoção diante das câmeras, depois posando para elas com os dedos cruzados ao apito inicial do atrapalhado árbitro japonês Yuchi Nichimura.

Vindos da guerra mais sangrenta da Europa, desde a II Guerra Mundial, na dissolução da antiga Iugoslávia no início dos anos 1990, os croatas parecerem não se impressionar com as demonstrações do nacionalismo tupiniquim. Quem esperava uma marcação por pressão pelo Brasil no começo do jogo, viu os habilidosos meias Modric e Raktic dominaram o meio de campo, construindo as jogadas croatas e desconstruindo as brasileiras. Pelas extremas, os atacantes Perisic, pela direita, e Olic, pela esquerda, além de incomodarem no ataque, atrapalhavam a saída de bola brasileira com os laterais Daniel Alves e Marcelo.

Foi num corredor deixado pelo primeiro, em lance concluído pela infelicidade do segundo, que a Croácia abriu o placar. Raktic desarmou Daniel Alves e lançou Olic no espaço vazio às costas do brasileiro. O ponta croata avançou até cruzar da esquerda, dentro da área, para o centroavante Jelavic roçar na bola que Marcelo colocaria involuntariamente para dentro do gol de Júlio César. Em 10 minutos de jogo, era a primeira vez na história que uma Copa acabaria aberta com um gol contra.

A Croácia seguiu dominando o jogo. Aos 15 minutos, antes da noite cair, se apagou cerca de um terço das luzes do Itaquerão, estádio arranjado pelo ex-presidente Lula ao seu time de coração, o Corinthians, mas que só ontem foi testado em sua máxima capacidade. Passaram-se seis minutos de constrangimento nacional aos olhos do mundo, antes da iluminação ser novamente restabelecida.

Aos 26, Neymar, talvez nervoso com tantos imprevistos, deu uma cotovelada gratuita e desnecessária no rosto de Modric, ficando visivelmente aliviado em só receber o cartão amarelo. Mas dali em diante, começou a aparecer aquele que seria o grande nome do jogo: Oscar. Com sua condição de titular questionada por mídia e torcida, o meia ganhou duas divididas em sequência no meio de campo e serviu a Neymar, que avançou até chutar de fora da área, de perna esquerda, aos 28 minutos. A bola rasteira ainda beijou a trave, antes de morrer no canto esquerdo de Pleitkosa.

Inspirado no gol de Neymar e no esforço de Oscar que o gerou, o Brasil finalmente encaixou a marcação no campo do adversário, passando a dominar o jogo até o final do primeiro tempo. Todavia, a impressão de que o time de Felipão fosse continuar dominando o jogo após o intervalo, foi desfeita após a Croácia voltar a impor seu toque de bola no segundo tempo. Esse domínio só seria desfeito aos 23 minutos, numa jogada pela direita entre Daniel Alves e Oscar, com a bola cruzada por este para a encenação no pênalti por Fred, que o árbitro japonês assinalou caseiramente, sob os justos protestos dos jogadores croatas.

Neymar, que não tinha nada com isso, cobrou e Pleitkosa quase defendeu, mas a bola acabou entrando no canto direito do goleiro. Na tribuna de honra, a TV mostrou Dilma e a filha vibrando com o gol de virada — roubado! Por sua vez, pressionada pelo placar, a Croácia teve que partir para cima, na tentativa de buscar o empate, tornando o jogo mais franco. Aos 29 minutos, a franqueza chegou às arquibancadas do Itaquerão, que passaram a entoar como antes haviam feito com o hino nacional: “Ei, Dilma, vai tomar no c(…)!”

Oito minutos depois, com coisa mais sérias para pensar, Olic ganhou a dividida pelo alta com Júlio César, e a bola sobrou para Perisic tocar para dentro do gol, mas o juiz havia marcado falta, esta realmente existente, sobre goleiro brasileiro. Aos 40, foi a vez do craque Modric arriscar de fora da área. Júlio César teve que se espichar todo ao espalmar para fora, em seu canto direito, a bola venenosa que veio quicando no chute rasteiro. Aos 44, Perisic voltou a tentar, também num chute fora da área, que Júlio rebateu para a frente, em defesa esquisita.

No bate e rebate na sequência do lance, a bola foi ganha numa dividida por Ramires, que havia entrado no lugar de Neymar e lançou Oscar. Depois de participar dos dois primeiros gols, o meia avançou até marcar o seu num chute consciente de fora da área, usando o bico do pé direito, ao melhor estilo Romário. Três gols no placar e pontos no bolso, era fechar a conta e passar a régua.

Aos 49, quando o confuso Yuchi Nichimura soou o apito final, as arquibancadas paulistas novamente cantavam: “Ei, Dilma, vai tomar no c(…)!”. Mas qualquer questão moral acabaria flagrada em posição de impedimento ético, quando alguns minutos depois os mesmos torcedores saíram do Itaquerão cantando: “A-ha, u-hu, o juiz é nosso!”.

De gols contra e roubados, pelo menos em relação ao Brasil (na Copa), oxalá tudo tenha ficado por conta do nervosismo da estreia.

Publicado na edição impressa de hoje da Folha.

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Brasil 3 x 1 Croácia: Torcida manda Dilma tomar no c(…) e sai cantando “o juiz é nosso!”

“Ei, Dilma, vai tomar no c(…)!”. Com esse grito ecoado pela garganta da torcida presente à Arena Corinthians, o Itaquerão, em São Paulo, generoso presente do ex-presidente Lula ao seu clube de coração, que se encerrou agora há pouco o Brasil 3 x 1 Croácia, na abertura da Copa do Mundo. Após os croatas abrirem o placar aos 10 minutos, num gol contra do lateral-esquerdo Marcelo, os brasileiros empataram ainda no primeiro tempo, aos 26, num chute de Neymar fora da área.

No segundo tempo, a Croácia tinha voltado a impor seu bom toque de bola, até que o confuso árbitro japonêsYuchi Nichimura marcou um pênalti inexistente do zagueiro Louran sobre Fred, totalmente sumido do jogo. Neymar, que não tinha nada com isso, fez muita firula para cobrar, mas converteu a cobrança forte e virou o placar, aos 24 minutos da etapa final, mesmo com goleiro Pletikosa chegando a tocar na bola.

Se o Brasil não merecia a vitória, o mesmo não poderia ser dito de Oscar. Após ter sua saída do time titular cogitada por imprensa e torcida por toda a semana, o meia brasileiro teve sua excelente atuação coroada já nos descontos, aos 46. Em outro chute de fora, com o bico do pé direito, num contragolpe gerado por uma dividida ganha por Ramires, que substituíra Hulk,  Oscar provou que merece ser titular da seleção brasileira, assim como Neymar, o volante Luiz Gustavo e o zagueiro David Luiz, os destaques hoje do time de Felipão.

Pelo menos na transmissão da TV, o gol brasileiro que Dilma mais comemorou foi o segundo, roubado. A mesma torcida que encerrou o jogo mandando a presidente tomar no cu, depois cantou, na saída do Itaquerão: “A-ha, U-hu, o juiz é nosso!”. Talvez numa prova de que não seja tão diferente assim a moral que, dentro e fora de outros campos, rege governantes e governados neste país da Copa.

Confira nos vídeos abaixo o pênalti inexistente convertido por Neymar, o gol de Oscar e o coro da torcida paulista à presidente do Brasil:

 

 

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Neymar salva o Brasil do vexame no primeiro tempo

Um gol contra de Marcelo aos 10 minutos. Aos 15, um terço dos holofotes apagados na recém-construída arena do Itaquerão, com a presença constrangida da presidente Dilma Rousseff, que não discursou na abertura da Copa do país que governa (?) para não ser vaiada. Diante da habilidade dos meias Modric, pela direita, e Raktic pela esquerda, armando as jogadas  da Croácia e desarmando as brasileiras com igual eficiência, o cenário parecia o pior possível. Mesmo Neymar indicava que poderia decepcionar, ao levar um merecido cartão amarelo, aos 26 minutos, depois do craque brasileiro atingir com o braço o rosto de Modric, craque croata.

Mas assim como a luz voltou ao estádio antes de cair a noite, Neymar também deu sua contribuição para livrar o Brasil do vexame, chamando a responsabilidade do jogo para si numa jogada individual. Após uma roubada na raça de Oscar, o atacante do Barcelona puxou o contragolpe até chutar de fora da área, com a bola batendo na trave, antes de entrar canto esquerdo do goleiro Pletikosa. A partir daí, o Brasil começou a jogar melhor.

Para que o time de Felipão chegue a vitória no segundo tempo, necessário que Hulk mostre alguma coisa além da disposição física e da aplicação tática, e que Fred finalmente entre em campo.

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