Folha 40 anos — Esdras Pereira

 

Jornalista Esdras Pereira

Aventura, sonho & realidade

Por Esdras Pereira(*)

 

Naquela manhã distante e modorrenta, de mormaço sufocante, eu jazia sentado naquele incômodo banco de madeira da antiga loja de Dib Hauaji, bem em frente ao relógio do Mercado Municipal. Do alto dos meus 14 anos, me impacientava à espera de algum serviço de fotógrafo freelancer, quando estacionou na porta da loja um fuscão ocre como gema de ovo bem passado e dele desceu um homem, tão despachado quanto bigodudo, que foi logo dizendo: “Dib, me arruma um fotógrafo aí que já não aguento mais ficar te pedindo fotos”.

Dib nem titubeou: “Leva esse aqui, que saiu da loja e está coçando o s…, é novinho, mas é bom.”

E, assim, lá fui eu viver a grande aventura de uma vida ao lado do jornalista Aluysio Barbosa, então redator-chefe de A Notícia. O melhor repórter que já conheci.

Professor/amigo/pai, ele foi me ensinando as manhas do ofício entre raríssimos elogios e generosos puxões de orelha. Tudo era novidade, uma aventura atrás da outra. Eu, adolescente, vibrava com as viagens, grandes reportagens, personagens e o seu faro para as boas histórias.

Dali para frente, Aluysio, também repórter especial do Jornal do Brasil, formalizou no JB a nossa dupla, conhecida como os “Caçadores de Primeiras Páginas”, tantas elas foram.

E as aventuras foram acalentando um sonho que nem a sua rabugice, muito menos seus penetrantes olhos verdes conseguiam esconder.

Aluysio queria mais, queria olhar acima da copa do jornalismo provinciano da planície. Queria poder fazer aqui um jornalismo moderno, sem as limitações dos antigos jornais de linotipos e clichês, e do ranço do comodismo ultrapassado.

O seu sonho foi compartilhado com Diva, que o abraçou de corpo e alma. Ela estava ao seu lado e ele ao lado dela. Logo eles foram compartilhando esse sonho com outros amigos.

Estava lançado o desafio. Não se tratava apenas de fazer mais um jornal em Campos, mas o melhor jornal da região. A semente germinou, brotou a Folha, lançando raízes profundas e caule forte. Nascia ali o primeiro jornal offset do interior do Estado do Rio. Mas o desafio não teria fim e seria sempre a nossa maior motivação.

A Folha da Manhã nasceu líder, são 40 anos de vitórias, essa a maior delas. Hoje, amadurecida, mostra-se a cada dia mais jovem. Aluysio já não está entre nós, mas o seu legado permanece através dos filhos Aluysio e Christiano, novos regentes dessa bela orquestra ao lado da mãe Diva Abreu Barbosa.

O que era uma aventura se transformou em sonho e depois realidade. E hoje nos dá o orgulho de ser Folha…

 

(*) Jornalista e colunista social da Folha da Manhã

 

Publicado hoje (07) na Folha da Manhã

 

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