Seis meses de intervenção militar e 149 homicídios em Campos no ano

 

 

Charge do José Renato publicada hoje (16) na Folha

 

Intervenção x homicídios

Hoje, a intervenção militar na Segurança do Estado do Rio completa seis meses. Em Campos, deu o ar da graça numa megaoperação em Guarus na última quinta (9), com 800 homens da PM, Bombeiros, PRF, PF e Exército, além de três carros blindados. Diante de tanto aparato, o resultado foi aquém do esperado: com o objetivo de cumprir 162 mandados de prisão, só 30 suspeitos foram presos. E seu residual foi nenhum: ontem (15), Campos teve mais três homicídios no espaço de apenas oito horas, dois em Guarus. Em episódios diferentes, dois jovens, de 19 e 20 anos, foram executados a tiros, assim como um trabalhador de 46 anos.

 

Guarus e Pelinca

Em sua edição de 17 de maio, esta coluna detalhou (aqui) o problema específico de Guarus, onde uma guerra entre facções rivais explodiu após a prisão, em 8 de março, de quem foi apontado pela Polícia como líder do tráfico na região: Francio da Conceição Batista, o Nolita. O Ponto Final voltaria a abordar o quadro alarmante, que deveria ser assim encarado por todos os campistas, independente em qual margem do Paraíba se resida. Em 25 de maio e 6 de junho, foi ecoado aqui (e aqui) o alerta: “a sociedade parece esperar que alguém tenha menos sorte na Pelinca, para se revoltar contra o que banaliza enquanto Guarus é o foco”.

 

Pelinca e Guarus

Por ser óbvio, o que era previsto ocorreu. Por sorte, outra ação criminosa não provocou nenhum óbito. Mas foi emblemático que, na noite do último sábado (9), o Bob’s da Pelinca sofresse um assalto. Por volta das 19h, dois bandidos entraram na lanchonete, fazendo funcionários e todos os clientes de reféns, sob a mira de armas. Pelo menos dessa vez, no lugar de vidas humanas, levaram apenas dinheiro e celulares. Mas talvez tenha servido para evidenciar às classes mais abastadas de Campos: ninguém está livre dessa explosão de violência que, em Guarus, há muito tempo ganhou contorno de guerra civil.

 

Crime mira símbolos

Além das franquias de fast-food, cuja vinda ao município já foi encarada como sinônimo de progresso, dois outros símbolos campistas também foram alvos de ações criminosas. A partir da exploração de petróleo na Bacia de Campos, os petroleiros se tornaram uma categoria importante na cidade. Na última segunda (13), enquanto sete deles estavam embarcados, seus veículos eram roubados num estacionamento particular do Farol. No mesmo dia, mais um aluno do IFF foi assaltado num ponto de ônibus, forçando a tradicional instituição de ensino a providenciar transporte particular para tentar garantir a integridade física dos seus estudantes.

 

Saldo de guerra

Apesar do golpe militar de 1964, que agora se nega ter existido, o Exército Brasileiro é uma instituição que merece o respeito da população. Mas é inegável que falhou solenemente na intervenção na Segurança do Rio. O fracasso teve o testemunho do comandante das Forças Armadas mais poderosas da Terra. Em passagem pelo Rio, o secretário de Defesa dos EUA, general James Mattis, disse ontem, após ter ouvido do seu quarto de hotel o tiroteio nos morros vizinhos: “Quando se ouve um desses tiros, a vida de alguém pode estar mudando”. É vida que não muda mais para os 149 assassinados em Campos em 2018, sete só em agosto.

 

PT, Bolsonaro e Alckmin

Enquanto isso, circulou ontem nas redes sociais: “O PT nacional pede para não reproduzir os posts e matérias sobre Bolsonaro. Está relacionado ao logaritmo do Facebook. A indicação é evitar digitar o nome para que não entre nos ‘trend topics’”. A quem não é petista, difícil não falar do líder em todas as pesquisas presidenciais sem Lula. Mas com a segurança como pleito, talvez seja necessário constatar que, pela sensível redução dos homicídios no Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB) é opção consistente para quem busca fatos, não bravatas. Só que depôs ontem sobre doações de caixa dois da Odebrecht. E se aliou à quadrilha do Centrão.

 

Publicado hoje (16) na Folha da Manhã

 

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