Mérida: atores de outubro e gestão Rafael pela ótica do setor produtivo
Desde que anunciou ser pré-candidato a deputado federal em entrevista à Folha, o empresário Marcelo Mérida (PSD) se colocou como representante do setor produtivo de Campos e região em busca de representação em Brasília. Com sua candidatura confirmada em convenção, ele aceitou a proposta do jornal de se posicionar mais como analista político. E falou sobre alguns dos protagonistas das eleições que daqui a 11 dias definirão o segundo turno quase certo a presidente e governador. Mantida a coerência, analisou cada um sob o ponto de vista do seu setor, gerador das divisas e empregos que sustentam a economia do Brasil e do Estado do Rio. De quebra, analisou também a gestão municipal Rafael Diniz (PPS).

Jair Bolsonaro – A sua candidatura é fruto da sequência de equívocos de governos anteriores, e cresce à mesma medida em que fracassaram gestões de esquerda, como a de Dilma, ou de centro, como a de Temer. Há pontos positivos de sua postura, como a defesa das instituições, como a família, e há exageros como a manifestação de seu economista pelo retorno da CPMF.
Fernando Haddad – Ele foi prefeito da maior cidade do Brasil e não se reelegeu. Ele é reconhecidamente um intelectual capaz, mas depõe contra ele a carga, a pressão e o peso de seu partido. O Brasil precisa amadurecer e encontrar caminhos para trazer avanços com gestões transparentes, com correta aplicação dos recursos, sem que o povo pague a conta de erros.
Ciro Gomes – Tenta se reinventar buscando aproximar seu discurso de viés nacionalista para um posicionamento mais ponderado e liberal, sem muita clareza. Vejo dificuldades que nascem de uma tendência pessoal ao isolamento, e isso se viu em suas alianças.
Geraldo Alckmin – Com fortes alianças e muito tempo de propaganda eleitoral, ele não decolou e hoje sua candidatura se dedica mais a polarizar com os que lideram do que a propor caminhos para o Brasil. Ele carrega também o desgaste dos principais quadros de seu partido com denúncias.
Marina Silva – Ela vive ainda a espera de um resultado que nunca veio: a eleição de 2014, quando substituiu Eduardo Campos à presidência e quase tirou do segundo turno a Dilma. Ela tenta reproduzir essa disputa, mas suas ideias, seu partido que não cresceu, já não encontram mais o mesmo ambiente.
Luiz Inácio Lula da Silva – É um político carismático, sem dúvidas, mas em sua biografia vão estar anotados os erros graves cometidos por seu partido e por seu governo. O comprometimento da máquina pública federal gerou uma grave crise institucional, moral, política e econômica, cujo preço é pago por toda a sociedade brasileira, sem distinção.
Eduardo Paes – A sua história se confunde com a da cidade do Rio de Janeiro, onde foi gestor em diferentes cargos. Ele também viu nascer os graves problemas de denúncias que enfrenta, teve o seu nome envolvido e atrelado a grupos políticos que lançaram o Estado do Rio na maior crise política e financeira já vivida em sua história.
Romário Faria – O senador é uma pessoa conhecida por todos nós por sua passagem na história dos esportes do Brasil, por seu jeito criativo nos campos, suas posições abertas e transparentes como jogador de futebol. Nessa campanha ele pode estar tendo dificuldades de adequar esse seu perfil às demandas que são muito delicadas e graves vividas hoje pelo Estado do Rio.
Anthony Garotinho – Não pertenço ao grupo dele, não sou seu aliado e vejo que Garotinho é um dos principais nomes que Campos projetou, seja para o bem por seus acertos, ou para o mal, por seus erros. A sua forma de de fazer política o leva ao isolamento.
Tarcísio Motta – Ele vai se consolidando no vácuo aberto pela pouca renovação dos grupos e partidos de esquerda no cenário complexo da fragilidade política do Estado do Rio.
Indio da Costa – Respeito muito as posições de meu colega de partido, suas visões administrativas e programáticas para o Estado do Rio e sua história, por ter sido o relator da Lei da Ficha Limpa, um divisor de águas na democracia brasileira. Eu me identifico com a sua posição em uma das questões mais difíceis que o Estado vive, a segurança pública, um debate que deve vir ao lado da geração de empregos com inclusão social e produtiva.
Voto útil – O voto útil para a transformação da sociedade é aquele exercido de forma consciente por parte do cidadão, na definição por nomes que representem um compromisso claro de propor avanços ao País e ao Estado do Rio.
Segundo turno – É preciso avaliar como irão sinalizar os candidatos no segundo turno sobre o diálogo com a sociedade. Se vão ouvir a todos e incorporar novos temas e demandas às suas proposições iniciais. .
Novo Congresso – A reforma do pacto federativo, que priorize as cidades onde vivem as pessoas, a redução e simplificação de tributos para apoiar quem produz e ao cidadão. O Congresso terá a responsabilidade de refundar as bases da República, dando maior espaço para a sociedade opinar, ser representada e respeitada de fato.
Governo Rafael Diniz – Pesa no ombro dele a responsabilidade de ter sido eleito com toda uma expectativa da população que ainda precisa ser confirmada. Para isso acontecer, é preciso dialogar com toda a sociedade, e os segmentos produtivos sempre alertaram para isso. A população quer resultados na saúde, na educação, na geração de empregos e só com interação é que esse caminho pode ser construído.

Publicado hoje (26) na Folha da Manhã








“Até o século XIX o idiota era apenas o idiota e como tal se comportava. E o primeiro a saber-se idiota era o próprio idiota. Não tinha ilusões. Julgando-se um inepto nato e hereditário, jamais se atreveu a mover uma palha, ou tirar uma cadeira do lugar. Em 50, 100 ou 200 mil anos, nunca um idiota ousou questionar os valores da vida. Simplesmente, não pensava. Os ‘melhores’ pensavam por ele, sentiam por ele, decidiam por ele. Deve-se a Marx o formidável despertar dos idiotas. Estes descobriram que são em maior número e sentiram a embriaguez da onipotência numérica. E, então, aquele sujeito que, há 500 mil anos, limitava-se a babar na gravata, passou a existir socialmente, economicamente, politicamente, culturalmente etc. houve, em toda parte, a explosão triunfal dos idiotas.”
