Opiniões

Morte anunciada do voto impresso e cenário do RJ a 2022

 

Brasil dos presidentes Jair Bolsonaro, Arthur Lira e Luix Fux; e Estado do Rio de Paulo Ganime, Cláudio Castro, Rodrigo Neves e Marcelo Freixo (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Goleada e voto impresso

Qualquer Proposta de Emenda Constitucional (PEC) precisa de 3/5 da Câmara e do Senado Federal para ser aprovada. No jargão do futebol, precisa de uma goleada a favor. E na noite de quinta (5), na Comissão especial criada para tratar da PEC que propõe a emissão de comprovante impresso ao voto eletrônico, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) tomou uma goleada contra: 11 a 23. Na noite de ontem (6) o presidente da Câmara Federal, Arthur Lira (PP/AL), anunciou que a questão será decidida plenário da Casa. A votação pode ser já na próxima semana. Mas o placar pode ser previsto por quem viu o Brasil e Alemanha de 2014.

 

Centrão na jogada

Como pode ser acusado de muitas coisas, menos de bobo, Lira ligou antes para avisar a Bolsonaro. Não por acaso, o presidente da Câmara estava ao lado do colega de Centrão Ciro Nogueira (PP/PI). Que se licenciou do Senado para ocupar o ministério da Casa Civil e tentar dar sustentabilidade e sensatez ao capitão. Na impossibilidade do segundo objetivo, resta saber até quando a liberação de verbas federais garantirá o primeiro. Lira também ligou antes para avisar o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luiz Fux. Que, segunda (2), advertiu: “Harmonia e independência entre os Poderes não implicam impunidade”.

 

Fogueira de São João

Desde 26 de junho, quando líderes de 11 partidos, inclusive governistas, fecharam questão contra o voto impresso, a tentativa bolsonarista de criar uma atenuante prévia à derrota em 2022 queimou numa fogueira de São João. De lá para cá, a cada nova pesquisa presidencial (confira a última), Bolsonaro se vê cada vez mais imprensado contra a porta de saída do Palácio do Planalto. E investiu contra o Supremo Tribunal Federal (STF), tentando fulanizar a questão como “valente” de creche. A reação institucional riscou uma linha no chão. Que, nos próximos 14 meses, revelará a culatra da ameaça feita por um… presidente da República: “a hora dele vai chegar”.

 

NF no roteiro de 2022

Pré-candidato ao governo estadual que ocupou com o impeachment de Wilson Witzel (PSC), o governador Cláudio Castro (PL) não é o primeiro pré-candidato ao Executivo fluminense a colocar o Norte e o Noroeste Fluminense em seu roteiro para 2022. No último dia 16, o ex-prefeito de Niterói Rodrigo Neves (PDT) lançou sua pré-candidatura a governador em Campos. Já entre 19 e 23 de julho, foi a vez do deputado federal Paulo Ganime (Novo) peregrinar por 10 municípios da região, muitos atendidos por seu trabalho parlamentar. Como é o caso do IFF, destino de duas emendas pessoais do deputado no valor total de R$ 1,04 milhão.

 

Novo a governador

Pré-candidato a governador pelo Novo, Ganime foi o entrevistado do Folha no Ar, na Folha FM 98,3, na última quinta (5). Carioca, engenheiro de produção e de formação liberal, ele costuma pontuar bem no site de avaliação parlamentar Ranking dos Políticos. Onde figura nas melhores posições entre os deputados federais fluminenses de melhor atuação em 2021. Na rádio, ele apresentou uma pesquisa do instituo Atlas a governador do Rio, que ouviu 807 pessoas entre 18 e 22 de junho, com margem de erro de três pontos percentuais para mais ou menos. Na qual ficou em 4º lugar ao Palácio Guanabara, com 3,4% das intenções de voto.

 

Freixo lidera

Na mesma pesquisa Atlas, com chancela de credibilidade do jornal Valor Econômico, Rodrigo Neves ficou na 3ª colocação a governador do Rio, com 4,4% de intenções de voto. Com folgas, quem lidera a consulta ao Palácio Guanabara foi o deputado federal Marcelo Freixo, que trocou o Psol pelo PSB para se candidatar, e tem 33%. Distante dele, mas também dos demais, o 2º colocado foi o governador Cláudio Castro, com 20,2%. Ganime tem uma aparente desvantagem aos demais nomes até agora postos a governador: é o mais desconhecido. Que, a depender da campanha, pode ser encarado como vantagem no potencial de crescimento.

 

Castro e Neves

Na pesquisa Atlas, só 11% disseram conhecer bem Ganime. Seu colega na Câmara Federal, Marcelo Freixo é bem conhecido por 68% do eleitorado fluminense, enquanto Cláudio Castro, por 37%. O governador tem, portanto, muito mais terreno para crescer que o ex-psolista. E tem a máquina estadual na mão, mais R$ 14,4 bilhões da venda da Cedae, para fazê-lo. Já Rodrigo Neves é bem conhecido por 21%. O que também revela potencial para crescimento, a depender da campanha. Que o ex-prefeito de Niterói provou no segundo turno a prefeito de Campos em 2020, quando quase deu a vitória a Caio Vianna (PDT), saber fazer como poucos.

 

 

“Cenário muito aberto”

Ao microfone da rádio mais ouvida de Campos, Ganime analisou seus possíveis adversários nas urnas daqui a 14 meses: “O Cláudio Castro é um cara bem razoável, tenho respeito por ele, mas olha o secretariado dele. No caso do Freixo, que é um dos nomes mais fortes, ele pensa A e eu não penso nem B; penso Z. E eu não quero que o que ele pensa como solução ao Rio seja implantado, porque vai ser diferente, mas vai ser bem ruim também. Rodrigo Neves tem força em Niterói, tanto que elegeu o candidato dele (a prefeito em 2020), mesmo ele (Rodrigo) tendo sido preso. Mas já estou em empate técnico com ele. Eu vejo um cenário muito aberto”.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã

 

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Este post tem 2 comentários

  1. Por quê será que o voto impresso auditável está sendo rechaçado por Barroso e Cia? Eleições com transparência é crime?

    1. Cara Sandra,

      Não espalhe, mas o voto já é auditável. E não tem uma única evidência de fraude desde que passou a ser adotado no Brasil em 1996. Como clamava Jair Bolsonaro em 1993: “Estamos votando uma lei eleitoral que não muda nada. Não querem informatizar as apurações pelo TRE”.

      https://opinioes.folha1.com.br/2021/05/22/bolsonarismo-no-voto-impresso-sob-analise/

      Grato pela chance de reforçar o óbvio.

      Aluysio

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