Sérgio Cabral encerra a semana do Folha no Ar nesta 6ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Ex-governador do estado do Rio, o jornalista Sérgio Cabral Filho é o convidado para encerrar a semana do Folha no Ar, ao vivo, a partir das 7h desta sexta (17), na Folha FM 98,3. Ele falará das suas condenações por corrupção, dos seis anos de prisão, da recente liberdade condicional e do afastamento do juiz federal Marcelo Bretas pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Cabral também analisará a sucessão do poder no RJ, o governo Cláudio Castro (PL), a ascensão do deputado estadual campista Rodrigo Bacellar (PL) na Alerj que ele também presidiu e a Campos sob o governo Wladimir Garotinho (sem partido). Por fim, falará do Brasil pós-Jair Bolsonaro (PL) e no novo governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta sexta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

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Silvana Siqueira lança seu primeiro livro nesta terça

 

Silvana Siqueira lança nesta terça “o outro lado de mim”, seu primeiro livro de poesia

“Sou muitas num só lugar/ Sou única em meu existir/ Sou todas que precisam gritar”. Nestes três últimos versos do poema “Conflito” talvez esteja a melhor autodefinição de Silvana Siqueira, como mulher e poeta. Jornalista formada e professora de Português, especializada em revisão, após graduação também em Letras, ela lança às 19h desta terça (14), na Santa Paciência Casa Criativa, seu primeiro livro “o outro lado de mim”. O título é o primeiro verso do poema “Metades”, que compõe a publicação integralmente dedicada à poesia.

Dedicado aos três filhos, Juliana, Rodrigo e Beatriz, o livro é assumidamente motivado pela condição de avó de Laura, Raphael, Guilherme, Bettina e Thomáz. “Nunca tive a pretensão de publicar um livro ou me tornar escritora. Mas senti a necessidade de reunir o que escrevo nos últimos 40 anos, desde que me formei em jornalismo nos anos 1980. Para que meus netos possam conhecer integralmente sua avó, achei importante não deixar isso se perder entre cadernos e agendas”, explicou Silvana.

Laura, Raphael, Guilherme, Bettina e Thomáz merecem um poema cada, logo ao começo do livro. Que é aberto com prosa poética “Netos”, baseado numa brincadeira na qual a avó escolhe uma palavra para os netos darem sinônimos: “Bela – bonita/ Feliz – contente/ Velha – vovó Sissil…”.

Orgulhosa dos netos, a sinonímia com “velha” aos olhos destes não compõe nenhum anacronismo à condição sensual feminina. Que é exposta, entre outros, no poema “Assim,”: “Com a gente é assim/ Seu corpo no meu/ Colado/ Melado,/ Mel (…) Basta você olhar pra mim/ que eu fico/ Apaixonada/ Alucinada,/ A fim”.

Avó, mãe e mulher, a poeta não é dada ao “Claustro”. É o título do poema em que prega: “Minha mudez rasga os segredos guardados/ nos livros sagrados./ A inquisição não me cala!/ Minha voz é a chave de acesso à liberdade./ Grito e me exponho./ Incendiada, não queimo./ Sobrevivo/ naqueles que rompem o silêncio/ Livres de qualquer temor”.

Patrícia Rehder Galvão, Pagu

Os versos de Silvana parecem ecoar os de Rita Lee, que se recupera de um câncer, e Zélia Duncan, na música “Pagu”, mais famosa na voz de Maria Rita: “Mexo, remexo na inquisição/ Só quem já morreu na fogueira/ Sabe o que é ser carvão/ Eu sou pau pra toda obra/ Deus dá asas à minha cobra/ Hum! Hum!/ Minha força não é bruta/ Não sou freira, nem sou puta/ Porque nem toda feiticeira é corcunda/ Nem toda brasileira é bunda”. Ícone dos movimentos feminista e modernista no Brasil da primeira metade do século 20, Pagu também era poeta.

Ana Cristina Cesar

Silvana assume a influência da poeta “marginal” Ana Cristina Cesar, da “geração mimeógrafo” dos anos 1970. Cujos versos “e a tarde pendurada no raminho de um/ fogáceo arborescente/ deixava-se ir/ muda feita uma coisa última”, do poema “Dias não menos dias”, parecem deitar seu jogo de luz e sombra em “Voyer”: “A tarde chega com todo seu esplendor de outono/ E, sem pedir licença, debruça sua beleza/ Nas hastes verticais da minha janela./ Uma mistura de cores silenciosas e espessas./ Eu, voyer em pudor”.

João Cabral de Melo Neto

Outra influência, Silvana diz que João Cabral de Melo Neto a marcou “pelo esmero com as palavras e a intensidade”. De fato, o “medo da morte” que o poeta maior de Pernambuco assume para encerrar seu “Os três mal amados” surge em “O último mandamento”. Onde, em meio a uma ceia “sobre o sangue/ coagulado pelos gritos/ De dor”, a poeta acrescenta mais um aos 10 mandamentos dados por Deus a Moisés: “Ah, meus inimigos!/ Onde estão?/ Fadas e duendes/ Visitas das alucinações etílicas/ Escrevem o último mandamento:/ ‘Não morrerás’”.

Clarice Lispector

O “último mandamento” é contradito por outras “metades” da obra de Silvana, em faz a junção de Macabéa, protagonista de “A hora da estrela”, de Clarice Lispector, com o clássico do cinema “Blade Runner – O caçador de androides” (1982), de Ridley Scott. Que têm em comum a busca existencial das duas obras, reunidas numa terceira, “Time to die, Macabéa”: “Se finalmente encontrar/ A definição do que sou/ E o que resta de mim/ Dentro de uma metade/ Escreverei um final nada feliz/ Atropelado pela vontade de ficar/ Voando lento e molhada nas asas/ Da replicante Macabéa: ‘Time to die!’”.

Campos também bate ponto na obra de Silvana, como a Itabira do mineiro Carlos Drummond de Andrade, ou a Alexandria do grego Konstantinos Kaváfis. Em “Cidade…”: “Um vento nordeste/ insistente e larápio/ sopra lá na curva/ revolta, embaraça/ e levanta os cabelos, as saias/ e suspeitas…/ As águas serpenteadas do Paraíba/ vão inundando as margens profanas da cidade,/ Até o encontro do seu amor maior,/ O mar/ em Atafona”.

Manoel de Barros

A memória da sua cidade, inundada numa cheia famosa do mesmo Paraíba, se junta à do pai, quando a avó de hoje projeta da retina da menina de “1966”: “Tinha apenas sete anos/ Quando o rio abraçou a minha rua (…) E eu navegando com meus barquinhos de papel// Meu pai construiu uma ponte de madeira/ Ligando a nossa casa até a padaria da esquina// Ao longo da vida ele viria a construir outras pontes. Era um engenheiro de facilidades”, sentencia na influência semântica de Manoel de Barros, outra referência da poeta.

Título de dois poemas do livro lançado hoje, um escrito nos anos 1980, outro mais recente, “Solidão” também é tema recorrente na obra de Silvana. Nos versos mais antigos, a solidão “é travesseiro com cheiro de saudade”, “é poesia inacabada”. Nos mais recentes, “talvez eu seja apenas um mensageiro/ entre o que existo/ e o abstrato da busca”. Mas solidão se cura com outra boa autodefinição da poeta, em “Metamorphose”: “Sou o sonho/ Transformado em abraço”.

“Estou prenhe de palavras”, versejou a mãe de três filhos que, após 40 anos de poesia, nesta terça dá à luz o seu primeiro livro.

 

 

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Cerveja irlandesa para brindar o Êxodo do Egito a Israel

 

Cercadas pelo Egito Édipo de hoje, as três grandes pirâmides de Gizé da janela do avião, em 26 de janeiro de 2023 (Foto: Aluysio Abreu Barbosa)

Era o início da manhã de quinta, 26 de janeiro. O pai ainda tinha à flor da pele a emoção da subida ao cume do Monte Sinai, com o filho, na madrugada do dia anterior. Fizeram o check out no hotel e foram ao aeroporto de Sharm el-Sheikh, na Península do Sinai, Egito “europeu” na porção asiática do país de maior parte africana.

Para continuar a seguir os passos de Moisés, tinham comprado desde o Brasil as passagens a Tel Aviv, capital de Israel. Até que, no check in ao voo, foram encaminhados, por autoridades israelenses no Egito, a uma autoridade deste país. Que, bem mais deseducado, se limitou a informar que só poderiam sair pelo mesmo lugar que entraram: a capital Cairo, onde pai e filho tinham desembarcado, vindos da Holanda, há 20 dias.

O pai perguntou por que isso não havia sido informado na compra da passagem de Sharm el-Sheikh a Tel Aviv. E como seria ressarcido diante daquele impedimento que não existe em nenhum outro lugar do mundo. Cujo objetivo é forçar sobre os visitantes estrangeiros uma reserva de mercado às companhias áreas do Egito. A autoridade do país deu de ombros, passando a atender um senhor que vivia o mesmo dilema.

Foram ao estande da única companhia aérea egípcia aberta, manhã cedo, no aeroporto de Sharm el-Sheikh. E compraram a passagem do primeiro voo ao Cairo. E, de lá, a Tel Aviv. O dia, assim que chegassem lá, estava praticamente perdido, mas era a única solução. Logo depois chegou o senhor também barrado no caminho mais curto e simples, pela mesma imposição da ditadura militar do Egito. Ele falava árabe em busca da mesma alternativa.

Pai, filho e o senhor árabe embarcaram de Sharm el-Sheikh ao Cairo no final da manhã. Lá, naturalmente se juntaram em direção ao portão do voo seguinte a Tel Aviv. Este identificado, foram os três a um café próximo, que permitia fumar. Como a França, o Egito também tinha espaço reservado ao consumo de tabaco nos aeroportos. Com uma peculiar diferença: entre os egípcios, os fumódromos funcionavam com as portas abertas. Na prática, só se fingia cumprir a lei e o respeito aos não fumantes.

Como esperado, o senhor árabe não falava português. Só que também falava inglês muito mal, o que dificultou a comunicação. Como pai e filho brasileiros, tampouco, falavam árabe, prevaleceu o esperanto do mesmo perrengue. Nele, a sentença do cronista Otto Lara Rezende extrapolou o horizonte montanhoso das Minas Gerais para se tornar universal: “o mineiro só é solidário no câncer”.

No café do aeroporto do Cairo, com a ajuda do tradutor do aplicativo celular, os companheiros involuntários de jornada trocaram nomes, origens e histórias em resumo. O senhor se chamava Bilal, era da Palestina, onde visitaria parentes e amigos a partir de Israel. Morava na cidade de Ismit, na Turquia, onde tinha uma serralheria de esquadrias de alumínio. Cujo movimento, exibiu orgulhoso no celular, acompanhava em tempo real pelas câmeras.

Comum entre os fumantes de cultura árabe, e o pai aprendera em 20 dias no Egito, trocou com o senhor palestino um cigarro, cada qual da sua marca, como gesto de cortesia e confiança. Entre tragos de nicotina e goles de café, Bilal se disse islâmico e perguntou da religião de pai e filho. Que responderam terem sido criados como católicos romanos. Indagou também o tamanho do Islã no Brasil e nas Américas. E ficou desapontado ao saber que seu credo é professado por parcela ínfima da população do país e continente, com as poucas mesquitas restritas aos seus maiores centros urbanos.

Após finalmente passarem pelo check in do voo a Tel Aviv, pai e filho não voltariam a se cruzar com o senhor palestino. Mas, país de contrastes ainda maiores que o Brasil, a saída do Egito reservava mais surpresas desagradáveis. Lotado de judeus, como era de se esperar em voo à capital de Israel, o ônibus que os levou do portão de embarque ao avião parou ao lado deste. E sem nenhuma explicação do motorista, separado dos passageiros pelo vidro, passou cerca de meia hora parado, sem refrigeração do ar condicionado, sob o sol forte do início da tarde.

No calor do veículo apinhado de gente, o pai se lembrou do filme “A Lista de Schlinder” (1993), de Steven Spielberg, sobre o Holocausto dos judeus pelos nazistas na II Guerra Mundial (1939/1945). Mais especificamente, da cena em que os judeus são amontoados em vagões de trem para transporte de gado, com destino aos abatedouros humanos dos campos de extermínio. Mas sem nenhum Schlinder a tentar atenuar o sofrimento alheio com água.

Personagem incrédula da cena, o pai ponderou se aquilo seria só mais um exemplo do caos do país do qual tentava sair desde o início da manhã. Ou se não teria se metido, com o filho, no meio de uma vendeta egípcia pelas derrotas, junto de outros países árabes, sofridas para Israel nas Guerras dos Seis Dias (1967) e do Yom Kippur (1973). Cujas existências são simplesmente sonegadas no Museu Militar Nacional do Cairo, na mesma pretensão de reescrever a História que o bolsonarismo ambicionava ao Brasil. Era a ebulição do pensamento enquanto os corpos sufocavam trancados sob a luz mais quente do dia, no principal aeroporto do Egito.

Se o brasileiro pensava em explicações, os judeus do ônibus, todos com parentes exterminados em meio às cenas reais de “A Lista de Schlinder” na II Guerra, passaram a agir. Além dos protestos gritados, alguns passaram a socar os vidros das janelas. Só aí abriram a porta, revelando o motivo do atraso: não sabiam se as malas despachadas, empilhadas ao lado do avião, seriam daquele voo. E pediram que os passageiros identificassem as suas, para que fossem colocadas no compartimento de carga. Não era vingança, só incompetência.

Se tinha usado o Êxodo como bússola da viagem com o filho, o pai não esperava tantas dificuldades para seguir do Egito a Israel, três milênios depois. Incompetente para abrir o Mar Vermelho e sem 40 anos para caminhar, sobrevoou o Deserto do Sinai duas vezes no mesmo dia, na ida e volta irracionais da reserva de mercado de uma ditadura militar corrupta.

Antes de ultrapassar as nuvens, o pai observou da janela do avião as três grandes pirâmides de Gizé. Talvez, pela última vez. Agradecido pela vivência delas do chão, de Saqqara, de Tel el-Amarna, de Alexandria, de Aswan, de Abu Simbel, de Luxor, do Vale dos Reis, do Saara, do curso do Nilo e da afluência consigo no cume do Sinai, agradeceu também por conseguir sair daquele país Édipo, filho impotente de um Laio imortal.

Após cerca de 1h30 de voo, pai e filho desembarcaram em Tel Aviv. Tiraram o visto, esperaram as malas, trocaram dólares por shekels israelenses, pegaram o carro alugado desde o Brasil e acharam o hotel perto da praia mediterrânea de Jerusalém. Era noite. Fizeram o check in, deixaram as bagagens no quarto e foram, a pé, tomar uma Guinness no bar de rock da esquina.

A cerveja preta irlandesa desceu pela garganta em Israel. Tinha gosto de veludo e alívio. Afinal, islâmico, cristão, judeu ou ateu, todo mundo é filho de Deus.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Novela da pacificação tem semana de pé de guerra

 

Nildo Cardoso, Abdu Neme, Wladimir Garotinho e Frederico Paes na Prefeitura, que Thiago Rangel quer o apoio de Rodrigo Bacellar para disputar em 2024 (Fotos: redes sociais/Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Pacificação x contas de Rosinha

A pacificação entre o prefeito Wladimir Garotinho (sem partido) e o presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (PL), entra a próxima semana em xeque: presidente da Câmara Municipal por irmão de Rodrigo, Marquinho Bacellar (SD) marcou para esta quarta (15) a votação das contas da ex-prefeita Rosinha Garotinho (União), relativas a 2016. O governo reconquistou recentemente a maioria mínima de 13 a 12, com os vereadores Nildo Cardoso (União) e Abdu Neme (Avante). Mas, como o parecer do Tribunal de Contas do Estado (TCE) recomenda a rejeição, para aprovar as contas da mãe, Wladimir precisa de 2/3 dos 25 edis, ou 17 votos.

 

Oposição da Câmara na Alerj

“Sobre as contas da minha mãe, prefiro não me aprofundar no momento. Só registro que ele (Marquinho) está utilizando a pior maneira de esticar a corda: fazer mal à mãe de alguém”, declarou Wladimir à coluna. Na verdade, após perder a maioria mínima na Câmara que o fez presidente, Marquinho ficou nas cordas na negociação do acordo com o prefeito. Posição que tentou inverter ao colocar na sala o bode das contas de Rosinha. Como a pacificação foi costurada pelo governador Cláudio Castro (PL) e Rodrigo não quer se meter diretamente, a oposição buscou socorro em outro deputado estadual de Campos: Thiago Rangel (Podemos).

 

Wladimir x Thiago (I)

Eleito vereador e deputado estadual nas suas primeiras tentativas, respectivamente, em 2020 e 2022, Thiago quer disputar a Prefeitura de Campos em 2024 com Wladimir, hoje favorito à reeleição. Para ter chance, precisa do apoio de Rodrigo, que hoje disputa com Caio Vianna (PSD). Foi o que esta coluna adiantou em 1º de março. No dia 3, o deputado recebeu no Rio nove vereadores da oposição de Campos. No dia 5, postou em suas redes sociais a foto com um 10º. No dia 7, postou foto com Rodrigo. E, na última quarta, dia 8, fez um comentário, em postagem de Wladimir, ameaçando levar denúncias contra o prefeito à tribuna da Alerj.

 

Wladimir x Thiago (II)

Wladimir respondeu no mesmo dia, com acusações ainda mais pesadas contra Thiago. No dia seguinte (9), os dois comentários tinham sido apagados, mas os prints deles já tinham viralizado. Até para tentar elevar o nível do debate político da cidade, a coluna não irá reproduzir a troca de acusações. Mas, ao observador um pouco mais atento, ficou bem evidente que as acusações do deputado estadual contra o prefeito eram as mesmas feitas na tribuna da Câmara pelo vereador Igor Pereira (SD). O mesmo que, no final de 2019, foi o responsável pela perda da maioria parlamentar do então prefeito Rafael Diniz (Cidadania).

 

Histórico da disputa

Fato é que as contas de Rosinha já tinham sido reprovadas pela Legislatura passada, que acolheu o parecer do TCE. Sua anulação pela atual, sob a presidência de Fábio Ribeiro (PSD) no início do primeiro biênio, foi questionada por juristas. E foi ali que começou a perda da maioria parlamentar de Wladimir, consumada na reação à sua proposta de aumento da carga tributária, com apenas cinco meses de governo. Que seria ratificada com a eleição de Marquinho a presidente. Cuja maioria mínima perdeu depois que os edis Nildo e Abdu, em costura do vice-prefeito Frederico Paes (MDB), negociaram com o governo em separado.

 

Reta final

As inscrições do 1º Festival de Teatro e Contação de História de Campos prossegue até este domingo (12). Proposto a partir de uma emenda do, então, deputado federal Chico D’Angelo (PDT), o evento está previsto para junho e os interessados em participar devem acessar o edital, preencher e enviar um formulário disponível no site oficial da Prefeitura. Os espetáculos serão registrados em vídeo, para apresentação virtual. Podem concorrer pessoas físicas ou jurídicas de direito privado, com ou sem fins lucrativos, de natureza cultural, tais como cooperativas, produtoras, companhias ou grupos de teatro ou contação de histórias, de Campos e região.

 

Cerco às torcidas

Na reunião realizada na sexta (10), o governador Cláudio Castro anunciou medidas para coibir a violência de torcedores nos jogos de futebol. O encontro ocorreu no Palácio Guanabara, contou com a presença dos secretários de Polícia Militar, Polícia Civil e Esporte, do Procurador-Geral do Estado e representantes do Tribunal de Justiça, Ministério Público, dirigentes de clubes de futebol, além da Federação de Futebol do Estado do Rio. Segundo o governador, será implantado um plano de ação permanente e mais enérgico para aqueles que praticam atos de violência, como os da última semana.

 

Fora das arquibancadas

Com as novas medidas, que já valem a partir do próximo jogo, os clubes de futebol não poderão mais disponibilizar ingressos para torcidas organizadas. Além disso, a Raça Rubro-Negra, Jovem Fla, Força Jovem do Vasco, Young Flu e a Fúria do Botafogo estão, por tempo indeterminado, proibidas de frequentar todos os estádios de futebol do Estado do Rio. O governador também destacou o preparo das forças de segurança: “Fazemos grandes eventos, como o Carnaval e o Réveillon, que reúnem milhares de pessoas. Como não iríamos garantir a segurança entre duas torcidas de futebol?”, questionou Castro.

 

Com o jornalista Rodrigo Gonçalves.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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De Rafael a Wladimir e do PT ao PL no Folha no Ar desta 6ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Ex-deputado federal e ex-presidente da Câmara Municipal de Campos, Marcão Gomes (PL) fecha a semana do Folha no Ar a partir das 7h da manhã desta sexta, ao vivo, na Folha FM 98,3. Ele falará da sua antiga aliança com o ex-prefeito Rafael Diniz (Cidadania), da recente aproximação do seu grupo político com o governo Wladimir Garotinho (sem partido) e da pacificação entre este e o presidente da Alerj, deputado estadual Rodrigo Bacellar (PL).

Marcão também analisará as idas e vindas na Câmara Municipal que conhece tão bem, e o tabuleiro político de Campos às urnas municipais de 2024. E falará da sua trajetória, do PT ao PL do ex-presidente Jair Bolsonaro, assim como do Brasil do novo governo Luiz Inácio Lula da Silva.

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Ex-prefeito Sérgio Mendes no Folha no Ar desta quinta

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Prefeito de Campos entre 1993 e 1996, Sérgio Mendes (Cidadania) é o convidado do Folha no Ar a partir das 7h da manhã desta quinta (9), ao vivo, na Folha FM 98,3. Ele falará do legado do seu governo, há 27 anos, e do mais recente do seu aliado político Rafael Diniz (Cidadania).

Sérgio também analisará o governo Wladimir Garotinho (sem partido), a ascensão do deputado estadual Rodrigo Bacellar (PL) à presidência da Alerj e a pacificação entre ambos pelo governador Cláudio Castro (PL). E, por fim, o tabuleiro político para as eleições municipais de Campos em 2024.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quinta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

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Violência contra mulher no Dia da Mulher, Deus e samba

 

Vidas de jovens mulheres tiradas em Campos por homens, a tiros e facadas, Letycia e Flaviana tiveram seus assassinatos investigados pelas delegadas titulares da Polícia Civil Madeleine Dykeman, Pollyana Henrique e Natália Patrão (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Dia da Mulher? (I)

Hoje é o Dia Internacional da Mulher. E as mulheres de Campos têm pouco a comemorar. A violência masculina contra o universo feminino da planície causou consternação e revolta na execução a tiros da gestante Letycia Peixoto da Fonseca, de 31 anos, na noite da última quinta (2), no Parque Aurora. Grávida de sete meses, ela estava em um carro da empresa em que trabalhava, conversa com a mãe do lado de fora, quando uma moto se aproximou com dois homens e o carona atirou, a sangue frio. Atingiu tórax, rosto, ombro e mão esquerda da vítima. Sua mãe tentou protegê-la e também foi atingida por um tiro na perna esquerda.

 

Dia da Mulher? (II)

Dentro do carro, a tia-avó de Letycia, portadora de síndrome de Down, ficou banhada do sangue da sobrinha. Que morreu após dar entrada no Hospital Ferreira Machado, onde uma cesariana foi feita para tentar salvar o bebê. Com nome já escolhido, Hugo chegou a ser transferido à UTI neonatal da Beneficência Portuguesa, mas também não resistiu. O suspeito de conduzir a moto foi preso no sábado (4); o de ser o atirador, na segunda (6). Companheiro de Letycia e suposto pai do filho que ela levava no ventre, o empresário e professor do IFF Diogo Viola de Nadai, 40 anos, foi preso ontem (7), como suspeito de ser o mandante.

 

Dia da Mulher? (III)

Na segunda, Diogo tinha deposto e se negado a fornecer material genético para checar a paternidade de Hugo, cujo caixão carregou no sepultamento de sexta. O caso de Letycia gerou nota oficial do IFF, do qual era ex-aluna: “Agradecemos o esforço da Polícia Civil na elucidação de tão bárbaro crime. Confiamos na rigorosa aplicação da lei”. Ressalvada a presunção da inocência, é no que todos confiam. Mas o caso não foi o único de violência contra mulher na cidade. A endossar que, a despeito de eventuais radicalismos, o feminismo está certo em seu cerne: o machismo estrutural está na sociedade. Vê a mulher como posse, agride e mata!

 

Dia da Mulher? (IV)

No domingo (5), dois dias após Letycia e seu Hugo serem sepultados no Campo da Paz, a comerciante Flaviana Teixeira de Lima, 23 anos, foi morta a facadas dentro do seu bar em Travessão. Foi assassinada pelo ex-companheiro, 46 anos, que não aceitou o fim do relacionamento. Ele passou por cima de uma medida protetiva de restrição, de janeiro deste ano. Na segunda (6), outro homem foi preso por agredir a esposa e mantê-la em cárcere privado. Ele também é investigado por estuprar as próprias filhas, duas maiores de idade e outra de apenas 12 anos. A esposa chegou a sofrer um AVC em decorrência das agressões.

 

Dia da Mulher, sim, senhor!

Emblematicamente, à frente da investigação dos três casos, estão três mulheres. São as delegadas titulares da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), Madeleine Dykeman; da 146ª DP de Guarus, Pollyana Henrique; e da 134ª DP do Centro, Natália Patrão. Que, em nome do humanismo que não difere o direito entre os gêneros, e de um grau mínimo de civilização, provam que o lugar da mulher na sociedade é onde ela quiser estar. E o homem que agir em sentido oposto, na base da covardia e da força bruta, enfrentará a coragem da imensa maioria de mulheres e homens dispostos a não regredir à barbárie.

 

Deus e o samba da Villa (I)

A falta de boas opções culturais é queixa constante de Campos. Desde que passou a funcionar como Casa de Cultura da Uenf, nos anos 1990, a Villa Maria é uma exceção. Mas, desde o final de 2022, tem sofrido com o som potente de eventos neopentecostais na Câmara Municipal, nos mesmos dia e horário, há poucos metros de distância. Promovidos pelo pastor e vereador governista Marcos Elias (PSC), têm apoio do poder público municipal. Foi assim na tarde/noite do último sábado (04), quando o “Ressaca da Villa”, com samba pelo fim do carnaval, foi sonoramente sufocado pelo evento gospel “Aviva Campos”, nas escadarias da Câmara.

 

Deus e o samba da Villa (II)

Como o que aconteceu no sábado já tinha ocorrido em 10 de dezembro do ano passado, quando o “Brota na Villa” foi também sonoramente sufocado por outro “Aviva Campos”, a dúvida foi gerada: coincidência ou ato doloso de enfrentamento? Procurado, o pastor e edil Marcos Elias garantiu ontem à coluna que a duplicidade dos eventos não foi proposital: “Pode acreditar, não foi intencional. Formalizamos a criação do evento junto ao presidente (da Câmara), Marquinho Bacellar (SD), em todo o primeiro sábado do mês. Mas vamos conversar com a direção da Villa Maria, para ajustar nossas agendas, sem nenhum problema ou conflito”.

 

Deus e o samba da Villa (III)

Professora da Uenf e diretora da Villa Maria, após ter o som novamente abafado no sábado pelo evento religioso em sede de Poder laico, Priscila Castro chegou a atravessar a rua até a Câmara. E pediu que o volume do gospel fosse abaixado. O que ocorreu por 10 minutos, antes de voltar à altura máxima. E incomodou também vários moradores do entorno do Liceu. Marcos Elias, como Priscila, reiteraram que seus eventos se encerram antes das 22h, preservando o limite legal do silêncio em área urbana. A religião é parte indissociável da cultura. Como louvar a Deus não significa atravessar o samba.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Mulher entre políticas e violência no Folha no Ar desta 4ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Ex-vereadora e subsecretária municipal de Políticas para as Mulheres, Josiane Morumbi é a convidada do Folha no Ar desta quarta (8), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Ela falará sobre o Dia Internacional da Mulher em meio a tantos casos de violência contra a mulher em Campos, além das políticas do município para atender às campistas.

Josiane também analisará a pacificação entre o prefeito Wladimir Garotinho (sem partido) e o presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (PL), além do tabuleiro político que já começa a mexer suas peças para as eleições municipais de 2024.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quarta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

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No governo Castro, Bruno Dauaire no Folha no Ar desta 3ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Secretário estadual de Habitação de Interesse Social e deputado estadual reeleito, Bruno Dauaire (União) é o convidado do Folha no Ar desta terça (07), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Ele falará da sua volta ao governo Cláudio Castro (PL) como parte do acordo de pacificação entre o prefeito Wladimir Garotinho (sem partido) e o presidente da Alerj, deputado Rodrigo Bacellar (PL).

Bruno também analisará as movimentações com vistas às eleições municipais de 2024 em Campos e São João da Barra. E falará do seu voto declarado no ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e do Brasil no novo governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta terça poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

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Amsterdã, a anti-Atafona, e o Brasil do séc. 17 em Haia

 

Amsterdã, a anti-Atafona

 

“Velha e menino com velas” (1616/1617), Peter Paul Rubens, Museu Mauritshuis, Haia (Foto: Aluysio Abreu Barbosa)

Era o domingo de 1º dia de janeiro de 2023 quando pai e filho embarcaram no Galeão. E, quase 12 horas depois, a segunda-feira do segundo dia do ano, quando desceram em Amsterdã. Após o sol correr a Terra no sentido contrário ao avião, era o início da manhã quando foram de uber ao hotel, fizeram o check in e deixaram as bagagens no locker. Enquanto o quarto não ficava pronto, foram bater pernas na Damrak, avenida principal do centro da capital da Holanda.

O frio fez com que entrassem na primeira loja de souvenirs. O filho comprou logo um par de luvas de lã. O pai também, além de um gorro cinza, com o nome Amsterdã e o peculiar XXX da cidade. Muito antes do triplo da letra ser usado para classificar filmes pornográficos nos EUA, ou da Rua da Luz Vermelha ficar conhecida no mundo pelas prostitutas se exibindo em vidraças, aquário do ensino fundamental a quem havia se formado na Atlântica da Copacabana dos anos 1990, o X medieval tem simbologia oposta. É a cruz em que Santo André, apóstolo de Jesus e irmão de Pedro, foi crucificado.

Enquanto vestia o gorro na cabeça, o pai pensou que o nome Amsterdã, na própria cidade, denunciava a condição sempre cafona de turista. Como um europeu usando camisa do Cristo Redentor no Rio. Mas que teria efeito inverso, descolado, assim que saíssem da Holanda. O filho quis sacaneá-lo, dizendo que parecia gorro de pescador. Quem o usava lembrou de Atafona, do outro lado do Atlântico. E, por isso, teve orgulho da peça com que se protegeria do frio em boa parte dos 47 dias seguintes, no inverno rigoroso do Hemisfério Norte, entre Europa, África e Ásia.

Pai e filho na Olde Kerk, primeira construção pública de Amsterdã, de 1213 (Foto: Ícaro Barbosa)

Antes de voltarem ao hotel no final da tarde, para descansarem da viagem de avião, do dia de caminhada e do frio, foram tomar a benção à Oude Kerk. Esvaziada de fiéis, como a maioria dos templos cristãos na Europa setentrional, é primeira construção pública em Amsterdã, de 1213. E, com a Reforma, seria convertida ao calvinismo em 1578. Desta época, não da Rua da Luz Vermelha, veio o XXX. No entanto, a simulação do Santo Sepulcro em uma câmara da igreja medieval era montada no efeito da luz vermelha filtrada pelos vitrais. A predestinação do Cristo de Calvino levou à reflexão da condição feminina entre Madalenas e Genis.

 

Autorretrato de Van Gogh, com detalhe em painel ao fundo, Vicent Van Gogh, Museu Van Gogh, Amsterdã (Foto: Aluysio Abreu Barbosa)

 

“Piada”, Vicent Van Gogh, Museu Van Gogh, Amsterdã (Foto: Aluysio Abreu Barbosa)

Na terça de 3 de janeiro, dedicaram o dia, com ingressos comprados pela internet desde o Brasil, à visitação ligeira ao Palácio Real de Amsterdã e, lenta, ao Museu Van Gogh. Eram distantes um do outro, mas pai e filho foram andando para conhecer melhor a cidade e esquentar do frio. Diante do maior acervo mundial de Van Gogh, com seus vários autorretratos e obras primas como “Os comedores de batata”, “Piada”, “O quarto”, “A Ponte Langlois”, “Paisagem marinha perto de Santa Maria do Mar”, “Pietá” e, sobretudo, “Campos de trigo com corvos”, a sensação era de passear entre as pinceladas de vigor agônico. Como no episódio de “Sonhos” (1990) em que o alter ego de Akira Kurosawa encontra o Van Gogh, após este cortar a própria orelha, interpretado por Martin Scorsese.

 

“Os comedores de batata”, Vicent Van Goh, Museu Van Gogh, Amsterdã (Foto: Aluysio Abreu Barbosa)

 

“Moça com brinco de pérola” (1665), Johannes Vermeer, Museu Mauritshuis, Haia (Foto: Aluysio Abreu Barbosa)

Na quarta de 4 de janeiro, foram e voltaram de trem a Haia. É a sede, de fato, do governo da Holanda. Lá, o rei Guilherme Alexandre cumpre os deveres de chefe de Estado, no Palácio Noordeinde. E se assentam as duas Câmaras no complexo gótico Binnenhof, Parlamento em atividade mais antigo do mundo, às margens do Lago Hofvijver. Como o Museu Mauritshuis, cujo nome indica o proprietário original do prédio, Maurício de Nassau. Entusiasta das artes e ciências, governou a colônia holandesa no Pernambuco do século 17, atrás da riqueza do açúcar. E passou a ser chamado na Europa de “o Brasileiro”, como o pai e o filho brasileiros descobriram lá.

Sem sombra de dúvida, a grande garota propaganda do Mauritshuis é “Moça com brinco de pérola”, de Johannes Vermeer. O quadro gerou um filme homônimo, de 2003, dirigido por Peter Webber, que lançou a musa Scarlett Johansson ao estrelato. Mas quem quiser buscar o Brasil do Nordeste de quse 400 anos atrás, também vai achar no museu. Em pinturas como “Paisagem brasileira com uma casa em construção” e “Vista da Ilha de Itamaracá”, ambos de Frans Post; e “Estudo sobre duas tartarugas do Brasil”, de Albert Eckhout.

 

“Paisagem brasileira com uma casa em construção” (1655/1660), Frans Post, Museu Mauritshuis, Haia (Foto: Aluysio Abreu Barbosa)

 

Autorretrato de Rembrandt (1669), Museu Mauritshuis, Haia (Foto: Aluysio Abreu Barbosa)

Outros grandes mestres, como Rembrandt, também estão lá. Não só com um dos seus autorretratos que tanto devem ter influenciado Van Gogh, vistante assíduo do Mauritshuis, quanto uma das suas obras primas: o revolucionário “A lição de anatomia do Dr. Nicolaes Tulp”. Ao pai, no entanto, nenhuma pintura do museu marcou tanto quanto “Velha e menino com velas”, do barroco Peter Paul Rubens. Desde que fôra ao Museu do Prado, na Madri de 2006, em busca do “Saturno” de Francisco de Goya, e tropeçou ao acaso com o “Saturno” de Rubens, anterior e com o qual o espanhol dialogou, a vertigem da queda nunca mais se desfez.

 

“A lição de anatomia do Dr. Nicolaes Tulp” (1632), Rembrandt van Rijn, Museu Mauritshuis, Haia (Foto: Aluysio Abreu Barbosa)

 

Em “Velha e menino com velas”, Rubens confessamente se inspirou no italiano Caravaggio, precursor do mesmo barroco que, no Brasil, produziria Aleijadinho. Nunca quis vender o quadro que pintou para si, da velha a proteger os olhos com a mão esquerda da luz da vela acesa que ilumina a cena, segura com a direita e buscada pelo menino com a vela apagada, enquanto olha a idosa. Outra luz busca acender naquela já consumida pela chama. No grupo de WhatsApp criado como diário de viagem, o pai confessou, ainda profundamente impactado: “À minha sensibilidade, e apenas a ela, sem nenhuma pretensão de convencer a mais ninguém, Rubens é o maior artista que já existiu”.

A quinta do dia 5 era o último dia inteiro em Amsterdã. No início da tarde de sexta, embarcariam no avião ao Cairo, capital do Egito. Ainda na da Holanda, programaram visitar o Rijkismuseum, ao lado do Museu Van Gogh. Mas, diferente deste, não compraram ingressos previamente. E, ao chegar lá, descobriram que a bilheteria já estava esgotada para o dia. O filho foi comprar lembranças aos seus, enquanto o pai sentou em uma jardineira da Museumplein (“Praça dos Museus”). Dedicou-se a observar os pombos, corvos e gaivotas que disputavam o espaço, entre arrulhos e grasnados, em busca dos restos humanos.

O filho voltou. Com o hiato no último dia holandês, resolveram caminhar até o canal e fazer um passeio de barco. Do que viu e ouviu no audioguia, o pai teve um insight com a sua terra, agora tão distante. Como um bem-te-vi estaria na disputa ornitológica que testemunhara. Na véspera de embarcar ao Egito, registrou no diário de viagem em grupo de WhatsApp:

 

Amsterdã vista de barco pelos seus canais (Foto: Ícaro Barbosa)

 

— No passeio de hoje entre os canais concêntricos que formam a cidade, como obra gradual do homem em adaptação à natureza, a partir do represamento do rio Amstel, no século 13, veio forte a imagem: Amsterdã é em muitos sentidos uma anti-Atafona. É o que Campos e São João da Barra poderiam ter sido, com suas mesmas redes de canais e origem em planície de aluvião dada ao mar: nós, ao Atlântico; eles, ao Mar do Norte. A imagem se reforça quando lembrado como nós, campistas e holandeses, disputamos o domínio do mesmo rico ciclo do açúcar brasileiro no século 17. A diferença básica, de lá para cá, é que eles não pararam ali. Adaptaram-se ao meio e aos novos tempos.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Nildo entre oposição e governo no Folha no Ar desta 6ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Ao vivo, a partir das 7h da manhã desta sexta (03), quem encerra a semana do Folha no Ar, na Folha FM 98,3, é o vereador Nildo Cardoso (União). Ele falará da sua saída da oposição que elegeu Marquinho Bacellar (SD) presidente, nas idas e voltas da Câmara em meio ao seu processo de pacificação com o governo Wladimir Garotinho (sem partido).

Nildo também analisará o debate que já se inicia sobre as urnas de Campos para 2024. Assim como o Brasil pós-Jair Bolsonaro (PL), cuja tentativa de reeleição apoiou em 2022, nos dois primeiros meses de 2023 sob o novo governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta sexta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

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Religião e política na Quaresma do Folha no Ar desta 5ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Ao vivo, a partir das 7h da manhã desta quinta (02), Dom Fernando Rifan, bispo da Administração Católica Pessoal São João Maria Vianney, é o convidado do Folha na Ar, na Folha FM 98,3. Ele falará sobre o cristianismo e a história das religiões monoteístas em tempo de Quaresma, menos lembrado do que aqueles que celebram o Carnaval.

Sempre atento à política, Dom Rifan analisará também seu cenário nos planos nacional, estadual e municipal. Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quinta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

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