Pré-candidatos a prefeito de Campos na eleição de 6 de outubro, daqui a pouco mais de 8 meses, o professor Jefferson Azevedo, reitor do IFF, e o odontólogo Alexandre Buchaul ocupam espectros políticos opostos. O primeiro, pelo PT, à esquerda; o segundo, pelo Novo, à direita.
A despeito das diferenças ideológicas, Jefferson e Buchaul têm características comuns. Ambos ostentam capacidade oratória e intelectual, que falta a muitos políticos de Campos, para nivelar por cima o debate público. E não estão alinhados politicamente nem com os Garotinhos, nem com os Bacellar.
Sobre a novela da Lei Orçamentária Anual (LOA) de Campos para 2024, na qual os dois grupos dominantes da política goitacá passaram os últimos meses se digladiando, até caminharem ao acordo tutelado (confira aqui) pelo Ministério Público, que se espera ser consumado hoje na Câmara, Jefferson e Buchaul também emitiram suas opiniões. Que, se investidas de candidatura nas convenções partidárias de julho, podem ser ainda muito ouvidas até a urna de outubro:

Jefferson Azevedo — O que estamos observando em nossa cidade, é uma “quebra de braço” entre o Poder Executivo e o Poder Legislativo. Quem perde, principalmente, é a população mais fragilizada, assim como os servidores públicos municipais, que dependem da ação direta do Poder Público. Esperamos que nossas representações políticas, do Legislativo e do Executivo municipal, esgotem todas as possibilidades de diálogo e reconheçam, a partir dessa grave crise, a exigência de construir o Orçamento de nossa cidade com a efetiva participação popular e controle social, do seu planejamento inicial à sua execução. E que não seja apenas uma peça de ficção, sem corresponder às verdadeiras necessidades do município. Estamos torcendo, como cidadãos, para que o espírito público prevaleça e não a intransigência política.
Alexandre Buchaul — O cabo de guerra entre o representante dos Garotinho e o representante dos Bacelar parece finalmente encontrar desfecho. A disputa tem suas razões no Orçamento bilionário do município. Wladimir teria guardado cerca de R$ 1 bilhão para derramar no ano da eleição. Com a suposta intenção de usar a Prefeitura de Campos como trampolim ao Governo do Estado. Contrariando, assim, os planos dos Bacelar. Ao povo de Campos sobram o péssimo espetáculo e a conta a ser paga com a decadência do município, a falência do setor produtivo e a escravidão às vontades de suas castas políticas. Que encontram nas verbas dos royalties seus perfeitos instrumentos de dominação. Saímos das miçangas e espelhos, passamos pela escravidão nas senzalas, atravessamos o período do crédito nos armazéns das usinas e agora aportamos nos cheques-cidadão e RPAs.
