Campos mais perto de retomar Escola de Cinema da Uenf

 

Roberto Dutra, Fernando Sousa, Rosana Rodrigues, Geraldo Timóteo, David Maciel e Mauro Macedo Campos se reuniram para debater a retomada do projeto da Escola de Cinema da Uenf, idealizada pelo antropólogo Darcy Ribeiro na implantação da universidade em Campos, em 1993 (Foto: Divulgação)

 

A Escola de Cinema em Campos está mais perto da vida real. A ideia é retomar o projeto da Escola Brasileira de Cinema e Televisão (EBCTV), pensado pelo antropólogo Darcy Ribeiro na fundação da Uenf em 1993, mas depois abandonado. A atualização do projeto foi apresentada esta semana à reitora da Uenf, Rosana Rodrigues, pelo cineasta carioca Fernando Sousa.

Também participaram da reunião os professores da Uenf Roberto Dutra e Mauro Macedo Campos, ambos do Laboratório de Gestão de Políticas Públicas; Geraldo Timóteo, diretor do Centro de Ciências do Homem (CCH); e David Maciel, coordenador do curso de pós-graduação em sociologia política.

Além da atualização do projeto da Escola de Cinema, foram abordadas algumas ações à sua retomada, como a organização do Seminário de Cinema e Audiovisual do Norte e Noroeste Fluminense e a criação do Festival Internacional Goitacá de Cinema, previsto para agosto de 2025. Essa iniciativa é da produtora carioca Quiprocó Filmes, pensada como marco ao setor audiovisual no município.

Outra pauta abordada na reunião foi a possibilidade de a Uenf ofertar uma disciplina de “cinema e sociedade” já no primeiro semestre de 2025, em níveis de graduação e pós-graduação. Por fim, comentou-se sobre o início de uma interlocução com o sociólogo Juca Ferreira, ex-ministro da Cultura e atual assessor especial do presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante.

— Em 16 de agosto, quando se comemorou o 31º aniversário da Uenf, lançamos o curta-metragem “Campos é uma cidade de cinema”, com narração do ator campista Tonico Pereira. Aquele curta foi o embrião para recuperarmos a relação histórica do Norte Fluminense com o cinema brasileiro, encabeçando outras ações voltadas a esse objetivo. Agora, na reunião com a reitora, demos mais um importante passo para que o projeto possa ser colocado em prática — disse Fernando, cineasta, sócio da produtora Quiprocó Filmes e doutorando em sociologia política na Uenf.

 

 

Em entrevista ao programa Folha no Ar, em 9 de agosto, a reitora da Uenf disse (confira aqui) sobre a ideia de retomar a Escola de Cinema:

— Uma das minhas intenções é cravar uma bandeira na Escola de Cinema da universidade. A gente acompanhou a história dela lá atrás e sabe que o modelo hoje de docência na Uenf não guarda muita relação com o que a gente tem na formação de recursos humanos na área de Cinema e de Comunicação de um modo geral. Mas entendo que a gente precisa fazer um movimento concreto e definitivo na direção de termos, sim, uma Escola de Cinema na universidade — disse Rosana à Folha FM 98,3.

Nos últimos meses, a Uenf demonstrou maior atenção ao assunto cinema. Em junho, por exemplo, a Casa de Cultura Villa Maria sediou a exibição do documentário “Rio, Negro” (2023), de Fernando Sousa e Gabriel Barbosa, seguida por um debate sobre a proposta de criação do curso de cinema. A partir de indicação de Fernando, a atriz campista Zezé Motta será a primeira pessoa a receber o título de doutora honoris causa da Uenf.

Nos áureos tempos do cinema em Campos, a cidade chegou a ter quase 70 salas para exibições de filmes. Atualmente, conta com apenas três cinemas, todos em shoppings, além de alguns cineclubes, entre eles o Cine Darcy, realizado pela Uenf.

Em relação à produção cinematográfica, a planície goitacá foi palco de gravações de novelas, como “Escrava Isaura” (1976), de Walcyr Carrasco; e filmes, como “Ganga Zumba” (1963) e “Xica da Silva” (1963), de Cacá Dieguez. Produções locais também foram promovidas, com destaque aos filmes “Sobre o domínio da fé” (1995), de Maria Helena Gomes; “Forró em Cambahyba” (2013), de Vitor Menezes; e “Faroeste Cabrunco” (2022), de Victor van Ralse.

 

Com a assessoria do projeto “Campos é uma cidade de cinema”.

 

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