Alemão confirma saída do DEM e vai definir novo partido pelo apoio a prefeito

Presidente do diretório municipal do DEM, o empresário e pré-candidato a vereador Hélio Montezano, o “Alemão”, está fora do partido. E garante que levará junto a nominata que já vinha montando com o auxílio do pai, o ex-presidente da Câmara de Campos Nelson Nahim (PMDB). O motivo, antecipado aqui, é a entrada do vereador Nildo Cardoso no DEM (aqui e aqui), onde agora vai tentar ser candidato à sucessão da prefeita Rosinha Garotinho (PR).
Quanto a Alemão, seu novo destino pode também definir seu apoio e do pai na disputa pela Prefeitura de Campos. Se for para o PPS, o apoio será ao vereador Rafael Diniz. Se for o PMDB de Nahim, o deputado estadual Pudim será o apoiado. O PSDC de outro pré-candidato a prefeito, deputado estadual João Peixoto, e o PSD deixado por Nildo e oferecido (aqui e aqui) ao deputado federal Paulo Feijó (PR), correm por fora.
Abaixo, o que disse Alemão:
“Fui convidado a permanecer no DEM, contudo teria que aceitar a pré-candidatura do vereador Nildo Cardoso a prefeito. Nada pessoal contra o vereador Nildo, mas temos ideias bem diferentes e tão pouco pretendo fazer política igual a dele. O fato de ser apenas um estreante na política, concordo plenamente com ele, pois estou mesmo iniciando minha vida pública, e essa é mais uma razão para a saída do partido, pois pretendo fazer as escolhas certas e apoiar quem acredito. Da mesma forma desejo ao vereador boa sorte e, em breve, eu e os outros pré candidatos a vereador do nosso grupo anunciaremos a nova legenda onde disputaremos as eleições”.
Artigo do domingo — De quando a luta termina

“A queda do governo Dilma é uma questão de dias”. Foi o que disse ontem (aqui) em Vitória (ES), durante a Convenção Nacional de Cidades do PPS, o senador pelo partido Cristovam Buarque. Primeiro reitor eleito da Universidade Federal de Brasília (UNB), ele foi também governador do PT no Distrito Federal, quando criou o bolsa-escola mais tarde transformado em bolsa-família, além de ministro da Educação do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Seu currículo, portanto, não é receita de “coxinha”.
Desde a condução de Lula sob ameaça de força coercitiva, por determinação do juiz federal Sérgio Moro, no dia 4 deste mês, o desespero do ex-presidente passou a ser traduzido por quem ainda se presta a tentar defendê-lo. Não é preciso ir longe. Do Planalto Central à planície goitacá, poderíamos ficar no exemplo de um presidente de associação de imprensa que bravateia duvidar que a Globo News dará à coletiva de Lula o mesmo espaço conferido à cobertura da sua condução pela Polícia Federal. E, desmentido alguns minutos depois, no lugar de assumir a parcialidade companheira, diz ter sido a emissora que evitou ser parcial demais.
O que falar do educador que, sem vergonha da apologia ao crime lecionada, bate no peito para dizer: “Prefiro Lula roubando do que qualquer outro político honesto do Brasil”? Ou da cronista que escreve contra a demanda de uma nação por heróis, com a mira no calcanhar de Moro, para tentar defender o peito aberto de Lula? Ou da feminista em apoio a um líder patriarcal cobrando macheza de “mulheres de grelo duro”, saudando a consciência masculina do clitóris? Ou do jornalista que defende a manutenção de Dilma para não sermos governados por Temer, na amnésia seletiva de quem votou na chapa composta por ambos à presidência? Ou de quem, independente do ofício, perdeu o emprego por conta do desastre econômico do lulopetismo, mas continua a defendê-lo, purgado pelo bolso vazio, em aparente questão de fé?
Seria menos pior se fossem realmente “petralhas”, na associação de petistas com os Irmãos Metralhas, bandidos dos quadrinhos da Disney. Mas se tratam de pessoas reais, a maioria dotada de cultura, sensibilidade e índole acima da média. Bem verdade que, embora ainda ruidosa, representam uma parcela hoje ínfima da população. Na contabilidade das manifestações nacionais dos últimos domingo (13) e sexta (18), a cada 100 brasileiros que saíram às ruas pelo fim do governo Dilma, a prisão de Lula e em defesa da atuação de Moro, apenas sete marcharam pelos motivos opostos. E a diferença foi ainda maior em Campos (aqui), onde diante de cada 100 manifestantes contra o PT, somente quatro se apresentaram à defesa do partido.
Anabolizada de “coxinha” a “pernil” pela disparidade, verdade que essa maioria antipetista, na planície ou no planalto, guarda no discurso tanta hipocrisia quanto os casos “petralhas” tipificados acima. Afinal, como levar a sério quem sai para protestar contra Dilma e Lula e se cala, em sua própria cidade, sobre Rosinha e Garotinho? Na extensão institucional mais grave desta contradição, como entender a Justiça Federal da comarca goitacá promover um ato público de apoio a Moro, enquanto (aqui) ajusta a venda da cegueira diante ao desperdício, por uma Prefeitura inexplicavelmente quebrada, dos recursos federais dos royalties do petróleo e do Sistema Único de Saúde (SUS) — apontado em inspeções midiáticas, mas inócuas (aqui), do Ministério Público Federal (MPF) local?
Clássico do cinema, “Os intocáveis” (1987), do mestre estadunidense Brian De Palma, recria com brilho a Chicago dos anos 1920 para contar a história real do agente federal Eliot Ness (vivido por Kevin Costner) na tentativa de prender o criminoso Al Capone (Robert De Niro, no auge). No julgamento, após descobrir no bolso do capanga do mafioso uma lista com os nomes dos jurados, Ness leva o caso ao juiz, no escritório deste, na presença do promotor e advogado de defesa. Respondido que o papel não era prova de nada, o agente pede licença aos demais para falar em particular com o magistrado, conversa não revelada pelo corte da cena.
Na tomada seguinte, já no salão do júri, o juiz reflete acabrunhado antes de pedir ao meirinho que trocasse o júri de Capone pelo do julgamento ao lado. Exultante, mas surpreso, o promotor se vira para Ness e pergunta: “Mas o que você disse a ele?”. Ao que o agente federal responde: “Que o nome dele também estava na lista”.
Foi mais ou menos assim que Moro enquadrou o Supremo Tribunal Federal (STF), tanto nas gravações que geraram a prisão do então líder de Dilma no Senado, Delcídio do Amaral, quanto nas mais recentes, nas quais Lula cobra ao telefone (aqui) subserviências e “gratidões” tão republicanas quanto o nível do seu linguajar. No caso de dúvida, a entrevista de Delcídio (aqui) convertido em delator da Lava-Jato, publicada ontem na revista Veja, impressiona pelo detalhamento do bilionário esquema de corrupção, seus beneficiários e mandantes, bem como pelas cascas de banana mesquinhamente deixadas um para o outro, entre presidente e ex.
Foi nelas que ambos escorregaram, ao acharem que Lula poderia assumir (e salvar) o governo de Dilma e, de quebra, se salvar da ameaça de prisão pelo foro privilegiado. Três dias depois da maior manifestação política da História do Brasil sair às ruas contra uma mandatária e o antecessor que a inventou como poste de esquentar lugar.
Com a OAB endossando o pedido de impeachment de Dilma, a devolução do inquérito de Lula pelo STF para Moro e a legalidade dos grampos sobre o ex-presidente atestada pelo procurador geral Rogrigo Janot, pertinente a última fala de Ness a Capone, perto do final do filme: “Never stop fighting until the fight is done” (“Nunca pare de lutar, até que a luta termine”).
Publicado hoje (20/03) na Folha da Manhã
Rafael Diniz na Conferência Nacional de Cidades do PPS

Desde ontem, o vereador e pré-candidato a prefeito de Campos Rafael Diniz (PPS) está com sua equipe em Vitória, participando da Conferência Nacional de Cidades promovida por seu partido. Governada por um prefeito do PPS, Luciano Resende, a capital capixaba recebe no evento os nomes de maior peso nacional da legenda, como seus presidentes nacional e estadual, deputado federal Roberto Freire (SP) e estadual Comte Bittencourt (RJ), o líder da bancada federal, deputado federal Rubens Bueno (PR), além do senador Cristovam Buarque (DF).
Ex-ministro da Educação do primeiro governo Luiz Inácio Lula da Silva, além de governador de Brasília pelo PT, quando criou o bolsa-família, Cristovam falou aos presentes sobre o quadro nacional de tensão e incerteza. Para o senador e ex-petista, “a queda do governo Dilma Rousseff é uma questão de dias”.
Sobre a questão municipal, objeto do encontro, Rafael disse estar “recolhendo experiências valiosas do partido em várias cidades brasileiras”, como na própria Vitória, para tentar aplicá-las em Campos, num seu eventual governo.
Justiça Federal de Campos apoia Moro. Poderia copiar-lhe o exemplo

Os juízes federais de Campos Gilson David Campos, Giovana Teixeira Brantes Calmon, Rosangela Lúcia Martins, além de outros servidores da Justiça Federal no município, fizeram ontem uma manifestação em apoio ao juiz titular da 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba, Sérgio Moro, responsável pela operação Lava-Jato. Aqui, em matéria do jornalista Arnaldo Neto, a Folha Online registrou a manifestação.
Louvável a atitude dos magistrados federais na planície goitacá ao colega de primeira instância. Agora, como os recursos dos royalties e do Sistema Único de Saúde (SUS) são federais, diante do quadro falimentar do município, talvez fosse o caso de se perguntar por que, com bravas exceções do Ministério Público e Justiça estaduais, não se lava nada a limpo em Campos?
Enquanto isso, gente como o aposentado Amaro Silva Barreto, de 64 anos, continua morrendo, de infarto, após dar entrada com dor no peito e receber alta do PU de Guarus, sem fazer sequer um exame — como detalhado aqui, na matéria do jornalista Marcus Pinheiro. Ao que talvez também coubesse perguntar: apagadas as luzes dos flashes, o que resultou de prático todas as vistorias do Ministério Público Federal (MPF) local (relembre aqui) “acerca da precária situação de Saúde no município de Campos”?

“Onde é que na História diz que Lula é inocente, doutor?”
Ciro Gomes começou a vida política nos anos 1980 pelo antigo PDS, partido que dava sustentação à Ditadura Militar (1964/85). Nos anos 1990, foi tucano, governador do Ceará e depois ministro da Fazenda do governo Itamar Franco, surfando na onda da estabilização econômica do Plano Real implantado por seu antecessor no cargo, Fernando Henrique Cardoso. Na década seguinte, se converteria em aliado do PT, ocupando o ministério da Integração Regional do primeiro governo Luiz Inácio Lula da Silva.
Ex-candidato a presidente da República pelo PPS em 1998 e 2002, passou pelo PSB e Pros antes de chegar ao PDT, pelo qual é agora potencial pré-candidato mais uma vez à presidência, numa espécie de alternativa à esquerda, caso o PT confirme o naufrágio que parece mais inevitável a cada onda. Na esperança de recolher parte dos náufragos, Ciro vinha se destacando como defensor do governo Dilma Rousseff (PT), mesmo depois que seu irmão, Cid Gomes (PDT), também ex-governador do Ceará, ter “pedido para sair” do ministério da Educação, após ser humilhado publicamente (aqui) pelo presidente da Câmara Federal, deputado Eduardo Cunha (PMDB).
Pois foi ao tentar puxar briga com manifestantes que não ameaçavam seu irmão, na noite de ontem, diante do edifício deste, em Fortaleza, que Ciro deu prova de como andam as coisas (ou sempre foram?) entre as lideranças governistas do Brasil. Resumidos ou na íntegra dos flagrantes em vídeo, os “diálogos” são elucidativos:
— Vão estudar História!
— Onde é que na História diz que Lula é inocente, doutor?
— Lula é inocente, nada. O Lula é um merda!
“Amanhã mete um tiro na tua cabeça, filho da puta!”
Feijó fica com Comissão na Câmara e no PR. Nildo reafirma que vai para o DEM

A janela para mudança de políticos com mandato se encerra hoje em todo o Brasil. Em Campos, as definições ficam para a véspera. O deputado federal Paulo Feijó, por exemplo, que tinha confirmado publicamente (aqui) sua ida ao PSD, para assumir a legenda em Campos e na região, acabou decidindo ficar mesmo no PR. Por sua vez, o vereador oposicionista e pré-candidato a prefeito Nildo Cardoso, que saiu do PSB (aqui) para fugir da sua posse governista por Feijó, reafirmou ontem que seu destino será mesmo o DEM. Presidente do partido em Campos, o empresário e pré-candidato a vereador Hélio Montezano, o “Alemão”, já havia declarado (aqui) que sairia do DEM se Nildo entrasse.
Para manter Feijó, o PR deu-lhe o cargo de presidente da Comissão de Transporte na Câmara Federal. O partido detém o ministro da pasta, o ex-senador Antonio Carlos Rodrigues (PR/SP). O deputado o transforma no segundo nome mais importante na bancada federal do PR, abaixo apenas do líder, Maurício Quintela (PR/AL):
— Eu realmente ia para o PSD, que é um grande partido. Mas o pessoal do PR gosta muito de mim e fez essa oferta para que eu ficasse. Pela importância do cargo, como presidente de uma Comissão com ministro do mesmo partido, achei que seria mais importante ficar.
Do legislativo federal ao municipal, Nildo Cardoso confirmou ontem sua saída do PSD, que além de ter sido oferecido a Feijó, tem em seus quadros o ex-deputado estadual Roberto Henriques, recentemente reconvertido em aliado do secretário municipal de Governo Anthony Garotinho (PR). Líder da oposição na Câmara de Campos, Nildo reafirmou que seu destino será o DEM e respondeu à ameaça de saída do seu atual presidente municipal:
— Está tudo acertado com o deputado (federal) Rodrigo Maia, presidente do partido. Deve ser publicado na segunda. Quanto a Alemão, não vou polemizar com ele, que ainda não é nada na política, só um pré-candidato a vereador. Não chego sozinho ao DEM e minha nominata já vem pronta. Não haveria mesmo espaço para ele. Mas desejo sorte ao rapaz.

Publicado hoje (18/03) na Folha da Manhã
Demonizar quem foi às ruas para justificar, a si, apoio ainda dado ao governo
Antes tarde do que nunca, trecho da coluna publicada ontem, aqui, da jornalista Cora Rónai:

“Os governistas passaram o domingo e a segunda tentando desconstruir as manifestações. Das milhares de imagens produzidas ao longo do dia, pinçaram, com o entusiasmo de entomologistas cuidando de borboletas raras, as que recriavam o protesto de acordo com o que queriam ver — ou com o que queriam que fosse, uma espécie de marcha de ricos de anedota, egoístas e cafonas, eleitores do Bolsonaro e do Malafaia. Nas suas páginas, que escorrem ódio por todos os pixels, as maiores manifestações políticas da nossa História não passaram de uma espécie de micareta sinistra, protagonizada por analfabetos políticos manipulados pela direita radical, pelo FHC e, claro, pela imprensa golpista.
Coitados deles. Suponho que precisem demonizar quem foi às ruas para conseguir justificar, talvez até para si mesmos, o apoio que ainda dão ao governo
Ficou aparente nesses últimos dias, aliás, o ódio descomunal que, graças a Lula, essa esquerda de Facebook devota à classe média. Na falta de argumento mais forte para desmoralizar as manifestações, a presença maciça da classe média passou a ser o motivo principal do asco e do repúdio petistas. Como se não ser muito pobre (ou muito rico) fosse algum defeito de origem, uma espécie de pecado sem remissão — e como se não fossem, todos eles, tão fidalgos, membros dessa mesma classe que tanto desprezam”.
Feijó fica no PR e Nildo refirma sua ida para o DEM

A janela para mudança de políticos com mandato se encerra amanhã (18/03) em todo o Brasil. Em Campos, as definições ficam para a véspera. O deputado federal Paulo Feijó, por exemplo, que tinha confirmado aqui sua ida ao PSD, para assumir a legenda em Campos e na região, vai mesmo se manter no PR, pelo qual assumirá a presidência da Comissão de Transportes da Câmara Federal. Por sua vez, o vereador oposicionista e pré-candidato a prefeito Nildo Cardoso, que saiu do PSB para fugir de Feijó, reafirmou hoje que seu destino será mesmo o DEM — como já havia adiantado aqui.
Presidente do partido em Campos, o empresário e pré-candidato a vereador Hélio Montezano, o “Alemão”, declarou aqui que sairia do DEM se Nildo entrar.
Aqui e aqui, saiba mais sobre as mudanças de partido dos políticos de Campos no Blog do Bastos.
Confira amanhã a íntegra das matérias na Folha da Manhã
Porque é melhor rir do que chorar
Não, o Brasil não é um país para amadores. Mas como é sempre melhor rir do que chorar:

Anunciada hoje, a nomeação de Lula deixou o autor de House of Cards deprimido. “Eu achei que tinha feito uma história sobre a política suja, mas agora descobri que escrevi algo muito mais próximo a Peppa Pig”, disse Beau Willimon, autor da série da Netflix.
Já os brasileiros que foram às ruas veem outra semelhança com a Peppa. “Ela parece um pênis e foi isso que ganhamos”, disse um manifestante.
Na semana que vem, Dilma deve anunciar Jair Bolsonaro na secretaria de diversidade sexual.
Publicado aqui, em o “Senasacionalista”




