Rafael Diniz: “O futuro prefeito de Campos é da oposição”
Em 1989, um jovem político destronou uma velha liderança e assumiu as rédeas do poder em Campos pelos 27 anos seguintes. Hoje, quando o Garotinho reflete apenas um nome, um dos que se lança para tentar destroná-lo é o jovem neto do velho líder do passado. Após explicar porque considera o governo Rosinha Garotinho (PR) “um dos piores da história”, o vereador Rafael Diniz (PPS) disse não ter dúvida do futuro: o prefeito de Campos será da oposição.

Governo Rosinha — Um dos piores da história! O governo que mais arrecadou e ainda assim tem a Educação nas últimas posições do Ideb, a Saúde completamente abandonada, o transporte público caótico, obras paradas, funcionalismo desvalorizado. E ainda venderam por duas vezes nossos royalties, comprometendo o nosso futuro pelo menos até 2020. Completa ausência de prioridade e transparência. Até hoje não buscaram alternativas a dependência dos royalties, como por exemplo ciência e tecnologia, agricultura e turismo. E, se a gente for pensar, não faltou oportunidade para que isso fosse feito. Em 2013, tivemos um aviso disso, no momento em que saiu a decisão do Congresso pela redistribuição dos royalties, nos deixando presos a uma liminar, que pode cair a qualquer instante. E, mesmo com o aviso, nada foi feito até agora. É ou não é para falar que se trata de um dos piores governos da nossa história?
Oposição – Acredito que vem cumprindo muito bem o seu papel e se fortalecendo cada vez mais. Discordo quando as pessoas falam que existe vaidade na oposição. Todos temos o direito de nos lançarmos e defendermos o nosso espaço. Até porque, como o próprio nome diz, somos apenas pré-candidatos. E muita coisa pode acontecer até o lançamento das futuras candidaturas. O que não pode existir é desrespeito e ataques entre nós, opositores. Pois uma coisa é certa: todos temos que estar juntos num eventual segundo turno. E outra coisa é mais certa ainda: o futuro prefeito de Campos é da oposição.
Crítica sem proposta – É a maior mentira do mundo! Quem acompanha nosso trabalho, e falo por mim e outros colegas da oposição, sabe que apresentamos, sim, propostas e projetos que o governo prefere engavetar ou não ouvir. Posso citar três projetos meus: a criação de um pólo universitário, buscando a valorização desse setor tão forte em nossa cidade; a criação de bicicletário público e a eleição direta para diretores das escolas municipais. Sem falar nas várias vezes que debatemos a lei orçamentária, quando apresentamos nossas emendas buscando o fortalecimento de pontos como agricultura, ciência e tecnologia, esporte, trabalho e renda, educação, saúde, cultura. E nenhuma delas foi aceita. Somos, sim, propositivos, mas não podemos deixar de apontar todos os problemas que esse desgoverno causou na nossa cidade. Além de legislar, nossa função também é fiscalizar.
“Independentes” – Os vereadores da bancada “independente” têm contribuído, e muito, com os nossos trabalhos na Câmara. Eles podem muito bem dizer que o governo, ou melhor, desgoverno, vai de mal a pior, pois estiveram lá e hoje não estão mais exatamente por entender que quem manda na Prefeitura não cuida de Campos como deveria. Vale dizer que eles nos ajudaram bastante na nossa tentativa de impedir a segunda “venda do futuro”, como também na absurda reformulação do Código Tributário.
Vir de vice – Eu sou pré-candidato a prefeito. E é nesse contexto que nós vamos seguir.
Vice – Uma hora o nome vai surgir. E estou trabalhando para que seja o melhor nome possível. Temos dialogado com várias pessoas, sejam com mandato ou não, e até as convenções traremos um nome para formar a nossa chapa.
Nominata – Temos trabalhado bastante e pretendemos alcançar de três a quatro cadeiras na Câmara. Hoje, posso falar pelo PPS, mas acredito que, na formação da coligação, novos partidos possam se aproximar. A Rede do vereador Marcão é um partido muito importante nesse processo e certamente estará em nossa coligação.
Neto de Zezé x Garotinho – A história nos prepara e também nos leva a momentos que podem nos remeter ao passado. Mas não é nisso que eu me prendo. A história deles (Zezé Barbosa e Anthony Garotinho), lá atrás, foi uma. E a minha, aqui e agora, é outra. Carrego o orgulho de ser neto de Zezé e filho de Sérgio Diniz. Como eles me ensinaram, meu sonho é um só: ajudar a reconstruir esta cidade; que não é de político nenhum. O verdadeiro dono de Campos é o campista.

Publicado hoje (12/04) na Folha da Manhã










