Arnaldo levaria no primeiro turno, se sucessão de Rosinha fosse hoje

(Infográfico de Eliabe de Souza, o Cássio Jr. — clique na imagem para ampliá-la )
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Pesquisa Pro4 outubro 2015 (2)
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Pesquisa Pro4 outubro 2015 (3)
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Por Aluysio Abreu Barbosa

 

Se a sucessão da prefeita Rosinha Garotinho (PR) fosse hoje e seu antecessor Arnaldo Vianna (PDT) tivesse condições jurídicas de concorrer, ele teria uma diferença na intenção dos votos válidos tão superior aos demais pré-candidatos, que levaria a eleição ainda no primeiro turno. Foi o que apontou a última pesquisa do Pro4, feita entre 22 e 24 de outubro, ouvindo 981 pessoas das sete zonas eleitorais do município, primeira consulta do instituto sobre a eleição de prefeito de Campos em 2016. A margem de erro é de 3,1 pontos percentuais para mais ou menos.

Na espontânea, Arnaldo lidera com 19,2%, seguido de longe pela própria Rosinha, com 3,2%, que não pode ser candidata pela terceira vez, nem ter nenhum parente concorrendo à sua sucessão. Em terceiro lugar, aparece o vereador de oposição Rafael Diniz (PPS), com 1,8%; acompanhado do vereador “independente”Alexandre Tadeu (PRB), o “Tô Contigo”, com 1,6%. Pré-candidato governista a prefeito mais bem colocado, o atual vice, além de secretário municipal de Saúde, Dr. Chicão de Oliveira (PP), surge em quinto, com 1,2%. Ex-governista, o deputado estadual Geraldo Pudim (PMDB) vem em sexto, com 1,1%, à frente do vereador “independente” Gil Vianna (PSB), do deputado estadual João Peixoto (PSDC) e do vereador de oposição Nildo Cardoso (PMDB), os três com 0,9%.

Marido da prefeita e seu secretário de Governo, Anthony Garotinho (PR) também foi citado na espontânea, mesmo que como ela não possa concorrer. O ex-governador, ex-prefeito e ex-deputado federal e estadual ficou com 0,2% das intenções de voto em sua cidade natal, exato 0,1 ponto percentual à frente de Beto Cabeludo, candidato a vereador derrotado no último pleito municipal, e da presidente Dilma Rousseff (PT), que enfrenta muitas dificuldades para continuar no comando do Brasil, mas ainda assim lembrada para governar Campos. Fungando no cangote de Garotinho, Cabeludo e Dilma tiveram 0,1%.

Mas é na pesquisa estimulada que a vantagem de Arnaldo permite apontar sua vitória em primeiro turno único, caso a eleição fosse hoje. Com 42% de intenções de voto, se excetuados os 9,3% de brancos e nulos e os 13,8% que não souberam ou não responderam, o ex-prefeito de Campos chegaria a impressionantes 55,2% dos votos válidos, liquidando a fatura sem necessidade de segundo turno.

Quando Arnaldo está no páreo, com menos votos, assim como menos problemas na Justiça Eleitoral, o segundo colocado no primeiro cenário da consulta estimulada foi Tadeu Tô Contigo, com 8,3%; seguido de Pudim (5,7%), Rafael (4,5%), Peixoto (4,1%), Chicão (4%), Gil (3%), o deputado estadual Papinha (2,2%), Nildo (1,9%) e do líder da bancada rosácea, vereador Mauro Silva (1%). A soma de 5% dos dois principais pré-candidatos governistas, além de Arnaldo, é também inferior aos percentuais de intenção de voto individuais de Tô Contigo e Pudim.

Sem Arnaldo na disputa, foi montado um cenário B da pesquisa estimulada. Nele, além do vereador do PRB e do novo deputado estadual do PMDB, Rafael Diniz também aparece puxando a disputa. Líder da corrida sucessória com boa vantagem, Tô Contigo surge com 14,6%, seguido por Pudim e Rafael, juntos no empate exato de 8,2%. Depois deles, surgem João Peixoto (7,1%), Gil Vianna (6,3%), Dr. Chicão (4,9%), Papinha (3,7%), Nildo Cardoso (3,5%) e Mauro Silva (1,5%). Sem Arnaldo, a soma das intenções de voto de Chicão e Mauro (6,4%) é inferior ao alcançado individualmente não só por Tô Contigo e Pudim, como também por Rafael e João Peixoto.

Se Arnaldo não puder participar e a sucessão de Rosinha não for definida em turno único, a rejeição é sempre considerada fator principal para quem chegar ao segundo com chances de vencê-lo. Neste quesito negativo, quem lidera com folga é Pudim (24,7%), seguido do próprio Arnaldo (10,3%), Chicão (8,6%), Papinha (6%), Clodomir Crespo (4,8%), Peixoto (4,5%), Gil (4%), Tô Contigo (3,1%), Nildo (2,5%) e Mauro (2,2%). Entre os citados, a menor rejeição e consequente maior possibilidade de vitória num eventual segundo turno é de Rafael Diniz. Apenas 0,9% dos campistas não votariam nele.

 

Pesquisa Pro4 outubro 2015 (4)
(Infográfico de Eliabe de Souza, o Cássio Jr. — clique na imagem para ampliá-la )

 

 

Rafael Diniz e Papinha são os menos conhecidos

 

Além da rejeição, que impede o crescimento do candidato durante a campanha, podendo definir sua sorte, como foi o caso de Anthony Garotinho na eleição a governador de 2014, quando não conseguiu nem chegar ao segundo turno, outro fator fundamental à conquista de novos eleitores é o conhecimento que o eleitorado tem do candidato. Em tese, quanto menos conhecido, maior a chance de crescimento durante o processo eleitoral, à medida em que a campanha for massificando a imagem de cada político, suas ideias e propostas junto ao eleitor.

Na medição desse quesito, o instituo Pro4 saiu mais uma vez na frente nas pesquisas em Campos. Líder inconteste da consulta, tanto espontânea, quanto estimulada, e prefeito duas vezes de Campos, Arnaldo Vianna é bem conhecido por 79,3% do eleitorado goitacá, não muito por 0,7%, dele ouviram falar 17,4%, enquanto apenas 2,5% afirmaram não conhecê-lo.

Por sua vez, Tadeu Tô Contigo, popular apresentador de TV, além de vereador, é bem conhecido por 54,6% da população. Candidato a prefeito de Campos duas vezes, 47,3% dos eleitores conhecem bem Gerado Pudim, percentual que cai para 35,9% em relação a João Peixoto, mesmo deputado estadual cinco vezes; e para 30,9% quanto a Gil Vianna, vereador em segundo mandato.

Entre os governistas, Dr. Chicão de Oliveira, que compôs por duas vezes a chapa vencedora com a prefeita Rosinha, é bem conhecido por 31,1% dos campistas. Já quanto a Mauro Silva, vereador de primeiro mandato, só 20,2% do eleitorado disseram conhecê-lo bem.

Se o baixo percentual de conhecimento de Mauro dá chance ao crescimento de sua eventual candidatura, as possibilidades neste sentido são ainda maiores para Rafael Diniz e Papinha. Apenas 17,3% do eleitorado afirmaram conhecem bem o jovem vereador de oposição em primeiro mandato, percentual que cai para 15,6% quanto ao ex-vereador rosáceo, mas atual deputado estadual do bloco antigarotista.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã

 

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Se sucessão de Rosinha fosse hoje, Arnaldo venceria no primeiro turno

Arnaldo Vianna
Apesar dos problemas na Justiça Eleitoral, Arnaldo Vianna continua o campeão de votos no município de Campos

 

Se a sucessão da prefeita Rosinha Garotinho (PR) fosse hoje e seu antecessor Arnaldo Vianna (PDT) pudesse ser candidato, ele teria uma diferença nos votos válidos tão superior aos demais pré-candidatos, que levaria a eleição ainda no primeiro turno. Este e muitos outros claros indicativos do eleitorado de Campos, ouvidos em todos suas sete Zonas Eleitorais (ZE’s), começarão a ser levados a público a partir da edição de amanhã da Folha, seguida de uma série de matérias durante a semana. Na pauta, a mais recente pesquisa do Pro4, feita entre 22 e 24 de outubro, com universitários/IBGE no trabalho de campos, sob coordenação do empresário e colunista Murillo Dieguez, ouvindo 981 pessoas, com margem de erro de 3,1 pontos percentuais para mais ou menos.

É a primeira pesquisa do instituto que aborda as intenções de voto a eleição a prefeito de Campos em 2016.

 

Confira a matéria completa amanhã, na edição da Folha da Manhã, bem cedo nas bancas e na casa dos assinantes.

 

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Cabral a Peixoto: “A Prefeitura de Campos vai cair no seu colo”

 

Deputado João Peixoto e seu “padrinho” a prefeito de Campos, o ex-governador Sérgio Cabral
Deputado João Peixoto e seu “padrinho” a prefeito de Campos, o ex-governador Sérgio Cabral

 

 

 

“O que eu fiz com (o governador Luiz Fernando) Pezão (PMDB), vou fazer por você. A Prefeitura de Campos vai cair no seu colo”. Foi o que Sérgio Cabral (PMDB) disse ao deputado estadual João Peixoto (PSDC), que respondeu ao ex-governador:

— Entrei nessa porque você pediu. Mas agora, sobretudo depois dessa pesquisa Informa (aqui) para prefeito de Campos, eu entrei de cabeça. E não entro em eleição para perder — disse o ex-vereador de Campos e cinco vezes deputado estadual, em seu terceiro mandato consecutivo.

 

Leia a íntegra da matéria amanhã na edição impressa da Folha

 

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Ofício de Cristo em exposição de Edinho Black nessa sexta no Sesc

Edinho Black - exposição Sesc

 

 

Edinho Black 2
(Foto de Alexandre Ribeiro – divulgação)

 

 

Da profissão de Cristo, Edson de Souza Ribeiro, o Edinho Black, fez da carpintaria uma arte. E a vida e a obra desse desse refinado designer de móveis de madeira, no ofício que aprendeu desde os 15 anos com um tio marceneiro, estarão expostos na mostra “Contrastes — Vida e obra de Edinho Black”, que será aberta nessa sexta-feira (06/11), no Sesc-Campos, com coquetel a partir das 19h. Os “contrastes” do título se dão entre a plasticidade dos objetos de peroba, vinhático e imbuia que o artista é capaz de produzir, com a forma rústica com a qual ele imprime sua arte à madeira.

Parte da vida e da obra de Edinho, bem como o processo de criação de suas obras, seguem na exposição do Sesc até o final deste 2015, em 31 de dezembro. O horário de visitação é de 9h às 21h nas terças às sextas, e de 9h às 18h, aos sábados, domingos e segundas.

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Paratodos — Chico Buarque tem Sarau nesse sábado, no Sinasefe

Chico Buarque - Sarau 07-11-15

 

 

Você gosta de Chico Buarque de Hollanda? Posições políticas à parte, é possível ser brasileiro e não gostar? Pois para quem quer tomar mais um pouco de intimidade com a obra desse tradutor da alma tupiniquim, sob a leitura goitacá, uma oportunidade imperdível se dará nesse sábado, dia 7, às 19h, no espaço Fulinaíma, na sede do Sindicato dos Servidores Federais da Educação Básica e Profissional (Sinasefe), na rua Álvaro Tâmega, nº 132. O já tradicional Sarau Baião de Dois, promovido pelo poeta, professor e artista multimídia Artur Gomes, terá uma edição especial dedicada ao, talvez, maior compositor brasileiro entre os viventes.

Não só a poesia da sua música, mas a prosa do também dramaturgo e romancista carioca, filho de paulista, neto de pernambucano, bisneto de mineiro e tataraneto de baiano, ganharão o sotaque da terra de José Cândido de Carvalho. Na voz e no violão de Vânia Navarro, Ivan Lee, Eros Rafael e Lolô Gusmão, bem como na bateria e na percussão de Bruno Moraes, ecoarão o compositor. Entremeados com a música, trechos das peças “Gota d’água” (1975) e “Ópera do malandro” (1978), e dos romances “Leite derramado” (2009) e “O irmão alemão” (2014), serão interpretados por Diogo Uhl, pelo próprio Artur e o Adriano Moura, que dirige o Sarau. Dividindo as funções de cantora e atriz, Adriana Medeiros e Carol Poesia completam o vasto e multifacetado bloco das mulheres de Chico. Ao professor e pesquisador Marcelo Sampaio caberá uma apresentação da obra e da vida do grande artista.

Em meio à campistada, vêm da terra do homenageado dois reforços de peso para o Sarau: os cariocas Jotamoura (violão e voz) e Hélio Prata (baixo). Será também exibido um vídeo sobre a canção “Beatriz”, de Chico e Edu Lobo. Adriano e Artur destacam que os artistas que aparecerem e quiserem fazer alguma intervenção poética ou musical, terão o microfone aberto. A todos que foram prestigiar, a organização do evento pede a doação de 1 kg de alimento não perecível, que será doado ao Hospital Psiquiátrico João Viana.

Enquanto o sábado não chega, como todo brasileiro tem sua ligação particular com Chico, segue abaixo a preferida de quem escreveu:

 

 

 

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Quem deita para fingir de morto, levanta para fingir de vivo, ou já morreu, mas não deitou

Com as merecidas férias do José Renato (aqui), meu parceiro neste “Opiniões”, para começar bem o dia e a semana de fato depois do feriado de Finados, o blog reproduz as charges de hoje do mestres Chico Caruso e Amarildo, sobre quem deita para fingir de morto, quem tenta levantar para fingir de vivo e quem morreu, mas esqueceu de deitar…

 

 

Chico Caruso 03-11-15

 

 

Amarildo 02-11-15

 

 

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Poema (e prosa) do domingo — “Recebe sua carta de alforria e se perde na correnteza”

Pontal Sesi 31-10-15 (2)
Yve, Saullo e Sidney na pele de pescadores de Atafona, ontem, na apresentação de “Pontal”, no teatro do Sesi, à beira do rio Paraíba do Sul (foto de Tércio Teixeira – Folha da Manhã)

 

Para ser sincero, acordei tarde, um pouco depois das 13h, o que não fazia há muito mais tempo do que precisava. Como no domingo passado (aqui), também não me sobrou tempo durante a semana para pensar previamente no que postar hoje, dia em que você, leitor, já se acostumou a buscar e encontrar poesia neste “Opiniões”. Pois poesia foi o que subiu ontem (31/10) à noite ao palco do teatro do Sesi-Campos, em Guarus, à beira do Paraíba do Sul, onde a peça “Pontal” foi apresentada após subir o rio desde a sua foz no oceano Atlântico.

Após a apresentação, os atores Yve Carvalho, Sidney Navarro e Saullo de Oliveira, como de hábito, sentaram no palco e abriram um bate papo com a plateia, majoritariamente formada por estudantes da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) e Universidade Federal Fluminense (UFF) em Campos que organizaram o Encontro Universitário de Cultura (Enuc), da qual “Pontal” foi parte e cuja programação ainda se estende por hoje e amanhã (confira aqui). Embora o tema da peça enseje mais que nunca o debate, com a crise hídrica sem fim do Paraíba cansado de guerra, falando para uma maioria de jovens vindos de outras cidades para buscar sua formação em Campos, o apelo que mais calou, pelo menos a mim, foi o feito pelo Sidney: “Conheçam o Pontal!”

Dentro desse espírito e antes que esta tarde dominical, mesmo esticada pelo horário de verão, cumpra sua metamorfose de noite, segue abaixo um dos 17 poemas meus que integram o espetáculo, o mais antigo em tempo entre eles, escrito por um jovem de 23 anos, de quando as sereias pouco ainda haviam lhe contado. E, para provar que mesmo mesmo em rio de prosa pode afluir a poesia, abaixo do poema corre uma crônica bem mais recente, publicada aqui, no site “Notícia Urbana”, da lavra de uma jovem ainda mais jovem, aos 22. Mais ou menos com a idade dominante da plateia de ontem, ambos, poeta e prosista, desvelam em palavras suas descobertas de si no Pontal de Atafona, onde até ilhas deixam de sê-las no baixio das marés, enquanto um rio deságua no oceano dentro de nós.

 

 

No debate após a peça, Sidney (último à direita) fez o apelo aos estudantes da Uenf e UFF que compuseram a maior parte da plateia: “Conheçam o Pontal!” (foto de Tércio Teixeira - Folha da Manhã)
No debate após a peça, Sidney (último à direita) fez o apelo aos estudantes da Uenf e UFF que compuseram a maior parte da plateia: “Conheçam o Pontal!” (foto de Tércio Teixeira – Folha da Manhã)

 

 

deriva

 

o navegador diz que liberdade

é diferente de estar à deriva

como sereia nunca me contou

se navegar é necessário

ou só demanda precisão

sigo a corrente

sem ver nisso prioridade

sentindo, roendo unha

pondo de lado as latitudes

ainda que as perceba

 

atafona, 14/11/95

 

 

Paula Vigneron, na manhã de 26 de outubro, na foz do rio Paraíba do Sul, sobre o istmo de areia que se forma na maré baixa entre as ilhas da Convivência e do Peçanha, com esta ao fundo, mais os cataventos da usina eólica de Gargaú (foto de Aluysio Abreu Barbosa)
Manhã de 26 de outubro, na foz do rio Paraíba do Sul, sobre o istmo de areia que se forma na maré baixa entre as ilhas da Convivência e do Peçanha, com esta ao fundo, mais os cataventos da usina eólica de Gargaú (foto de Aluysio Abreu Barbosa)

 

 

Encontro nas águas

Por Paula Vigneron

 

Manhã fria. O céu nublado aponta a possibilidade de chuvas ao longo do dia. As casuarinas à beira-mar, envergadas, potencializam a previsão. Os homens não sabem, mas não podem sempre identificar as vontades da natureza. O itinerário previamente planejado: caminhar sobre a areia, com toques da água de Iemanjá. No percurso, uma ligação transforma o dia, levando-os para outro destino: o encontro entre rio e mar; entre vidas que se cruzaram casualmente.

Pensamentos invadem o espaço antes ocupado por resquícios de uma noite de suspiros, sonhos e realidade. Incertezas que permeiam o dia que acabara de ser iniciado. Seria difícil a travessia? Os pés enterrados na areia, ora por vontade própria, ora pelos passos mal ajustados à nova superfície. Olhos que percorrem o ambiente, ainda pouco conhecido. A seu lado, o rosto familiar carrega sentimentos que se tornam sorrisos espaçados e sinceros.

A canoa, pintada de branco, traz histórias compartilhadas pelos ocupantes. Os olhos castanhos claros analisam movimentos diferentes: correnteza, conversas, suores, garças. Vegetação desconhecida que esbarra em corpo intacto. Estranheza causada a cada novo desvio. Distante, a terra se divide em duas ilhas, separadas pela vontade das águas. Pedaços de mesma construção natural. “Siamesas”, conforme afirma o homem de olhos infantis “como os olhos de um bandido”.

Em lugar próximo, um barquinho desliza no macio azul do mar, tal como previram, na época da Bossa Nova, os compositores Ronaldo Bôscoli e Roberto Menescal. “Tudo isso é paz. Tudo isso traz uma calma de verão.” À medida que avançam rio adentro, serenidade atípica domina a respiração dela. Buscas incessantes apaziguadas por barulhos da natureza e primeiros raios de sol, contrariando a previsão das primeiras horas da manhã. Os olhos dos dois se cruzam ocasionalmente. Mensagens são trocadas em silêncio.

Chegada à ilha. Primeiro contato mais íntimo com a natureza. Encontro com insetos incomuns. Picadas rápidas, dolorosas e aliviadas pelo contato com ar. Bancos de areia separados pelo fluxo das águas. Corpos levemente molhados atravessam o rio. Dedos brancos e morenos entrelaçados. Cabelos ao vento. A curiosidade infantil ressalta no olhar.

Sob o sol, ela observa o mundo que desponta ao seu redor. A realidade embalada pelas leves ondas. O fruto do beijo entre rio e mar. As águas frias que tocam os pés. Os pés que remexem a areia. Reconhecimento. Rotinas e horários foram sufocados pelos toques da brisa suave, que brinca com seu corpo e cabelos, arrepiando-os. Carinho mútuo abençoado por Oxum. Em canto esquecido, a criança, outrora presa à realidade exaustiva junto à adulta, recebe sua carta de alforria e se perde na correnteza. Desprende-se da mulher que a observa, sedenta pelo reencontro com a infância que lhe fora cruelmente subtraída.

 

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Artigo do domingo — Intervem, prefeita, por favor!

Mulher que aprecia exibir, na democracia irrefreável das redes sociais, a versatilidade das uas prendas domésticas, a prefeita Rosinha poderia ampliar sua intervenção na Santa Casa a muitas outras áreas já em controle do município (Facebook de Rosinha)
Mulher que aprecia exibir, na democracia irrefreável das redes sociais, a versatilidade das suas prendas domésticas, a prefeita Rosinha poderia ampliar sua intervenção na Santa Casa a muitas outras instituições e áreas já em controle do município (Facebook de Rosinha)

 

 

Jornalista e blogueira Suzy Monteiro
Jornalista e blogueira Suzy Monteiro

Senhora, senhora, intervém em mais áreas

Por Suzy Monteiro

 

Nas últimas semanas, Campos se viu, mais uma vez, envolvido numa verdadeira comédia pastelão, de idas e vindas da Prefeitura no impasse no caso da Santa Casa de Misericórdia. Sem nenhum juízo de valor sobre qualquer um dos envolvidos — Prefeitura e uma parte do Ministério Público Estadual –, sem entrar no mérito de haver ou não dívida (e de quanto), louvo a iniciativa da prefeita em querer internar em leitos ociosos pacientes que se acumula(va)m nos corredores dos hospitais. Nós da imprensa, que lidamos com esses casos diariamente, com denúncias, pedidos, reclamações de pacientes e familiares, alguns à beira do desespero, sabemos um pouco da dor de quem precisa contar com o serviço público de Saúde.

Essas informações não nos chegam porque vamos atrás delas. Ao contrário. Raros são os dias em que entrar em uma rede social, ligar o telefone, andar nas ruas não apareça alguém pedindo socorro. E se pedem esse socorro à imprensa, não é porque querem aparecer. É porque não tem mais a quem recorrer.

Vai pedir a quem? Ao Ministério Público? Na melhor das hipóteses, existe um trâmite legal, um tempo a ser cumprido, exceto em casos de riscos a crianças e idosos (ainda está valendo isso?). Na melhor das hipóteses, o tempo é o maior inimigo. E quem tem dor, ou vê o ser amado sentindo dor, tem pressa.

Voltando ao início, louvo que, enfim, entre artesanatos e orações, a prefeita tenha descoberto que os corredores dos hospitais Ferreira Machado e Geral de Guarus viviam lotados de pacientes. Citei orações porque concordo com a prefeita. Sem Deus nossa vida não é nada. E agradecer e orar e clamar é o que nos coloca no caminho certo. Então, é preciso amar a Deus sobre todas as coisas. Sem esquecer que temos que amar o próximo como a nós mesmos.

Tomara que tenha descoberto, também, que leito preenchido significa pouca coisa. Precisa de remédio, médicos, aparelhos para exames.Tomara que tenha descoberto, também, a falta de leite especial — porque tentar dizer que muitas famílias não precisam pegar o leite no serviço público só demonstra falta de organização de quem distribui. Tomara que tenha descoberto falta de insulina para diabéticos, médicos no PU Psiquiátrico. Intervém, prefeita, por favor.

O próximo passo para a prefeita descobrir seria a obra infindável do Hospital São José, em Goitacazes. Ele pronto não desafogaria bastante as demais unidades de Saúde? O que falta, senhora, para que o São José seja entregue à população com toda estrutura necessária? Intervém, prefeita, por favor.

Falo da Saúde, mas sem esquecer as escolas, muitas em obras sem fim, outras nem isso. O que dizer da escola em São Sebastião, que funcionava junto com a do Estado e agora está em salas do prédio de uma igreja? E a escola municipal Santo Antônio, no Jardim Carioca, com mofo, infiltrações, banheiros imundos e muito entulho. E a Rotary III, até com fiação exposta e mofo? Sem educação, prefeita, como criaremos uma geração mais independente, mais capaz, com maiores chances, sem precisar tanto de governos? Com certeza, a senhora, que é mãe, avó, pensa nisso. Então, intervém, por favor.

Não são poucas as áreas que necessitam da presença da pessoa eleita para administrar essa cidade. Coloque-se no lugar de quem a elegeu, venha conhecer a cidade como ela realmente é. Já falei outras vezes que o maior erro dos governantes é ver através dos olhos de seus assessores. Então, como antes tarde do que mais tarde, senhora, intervém.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã

 

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Férias

Caros leitores, estou saindo para gozar de férias,deixo vocês na companhia do meu amigo Aluysio, na certeza que vocês estarão sempre bem informados! Até o retorno! Abraços!

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Encontro Universitário Cultural: “Pontal” sobe o rio para subir ao palco do Sesi nesse sábado

Saullo, Yve e Sidney ensaiando “Pontal” no Pontal (foto de Michelle Richa - Folha da Manhã)
Saullo, Yve e Sidney ensaiando “Pontal” no Pontal (foto de Michelle Richa – Folha da Manhã)

 

Pontal cartazAcabou na tarde de hoje, nas areias do Pontal de Atafona, na foz do Paraíba do Sul, o último ensaio da peça “Pontal”, que sobe o rio nesse sábado, dia 31, às 20h, para subir ao palco do teatro do Sesi-Campos, em Guarus. Nele, os atores Yve Carvalho, Sidney Navarro e Saullo de Oliveira encarnam pescadores de Atafona, distrito do município de São João da Barra, que lançam suas redes em busca de sustento, enquanto contam histórias, cantam canções, remontam fatos, bebem cachaça e refletem sobre as desventuras da vida e do ambiente em que vivem.

Assumida bravamente por Yve, a direção da peça e sua concepção originais são obras de Antonio Roberto de Gois Cavalcanti (1955/2015), o inesquecível teatrólogo e poeta Kapi — conheça aqui um pouco da história do artista e da peça. Com Atafona como tema ou pano de fundo, poemas são cenicamente transformados em diálogos e causos contados pelos pescadores. Das 22 poesias que compõem o espetáculo, 17 são de Aluysio Abreu Barbosa, dois do próprio Kapi, dois do Artur Gomes e um da Adriana Medeiros, que fecha a apresentação.

Com grande sucesso de público, a peça foi encenada pela primeira vez no verão de 2010, no próprio Pontal, no encontro das águas do rio e do oceano. À luz da lua, lampiões, lamparinas e fogueira, o palco natural se transformou em protagonista no Bar do Bambu, como era conhecido o folclórico misto de comerciante e filósofo Neivaldo Paes Soares. Depois que o avanço do mar levou seu bar, em 2012, Neivaldo também acabaria tragicamente desaparecendo nas águas da foz do Paraíba, em 21 de junho deste ano, sem ter sido até hoje encontrado.

Nesse sábado (31), a apresentação de “Pontal” no Sesi vai integrar a programação do Encontro Universitário de Cultura (Enuc), que começou hoje (30) e se estende até a próxima segunda-feira (02/11). Promovido por universitários da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) e da Universidade Federal Fluminense (UFF) em Campos, muitos deles vindos de outras cidades, o apelo regional de “Pontal” fez com que a peça fosse escolhida para integrar o Enuc — confira abaixo sua programação completa.

Pode jogar a rede…

 

Encontro Universitário

 

 

Enuc

 

 

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Notas do MPF e Folha “acerca da precária situação da Saúde de Campos”

MPF

 

NOTA DE ESCLARECIMENTO DO MPF ACERCA DA PRECÁRIA SITUAÇÃO DA SAÚDE NO MUNICÍPIO DE CAMPOS DOS GOYTACAZES

 

O MPF, por respeito ao direito de informação devido à população em geral e pautado na costumeira impessoalidade com que orienta suas ações, vem esclarecer o seguinte:

1 – O Ministério Público Federal, através do procurador da República Eduardo Santos de Oliveira, no município de Campos dos Goytacazes, repudia a nota publicada no jornal Folha da Manhã, em 28/10/2015, na coluna Ponto Final, na qual consta a afirmação de que “a Procuradoria na cidade ainda não se manifestou” acerca de falta de transparência na aplicação dos recursos públicos na saúde. Igualmente repudia a nota publicada, em 29/10/2015, na qual consta que o MPF, “questionado (…) quase diariamente, desde o dia 19”, por uma posição oficial, (…) se pronunciou ontem”.

2 – Isso porque as notas publicadas, em vez de esclarecer a opinião pública, apresentam informações incorretas acerca da atuação do MPF em Campos.

3 – Vamos aos fatos. Em 07/07/2015, a Assessoria de Comunicação da PRRJ publicou nota informando a propositura de Ação Civil Pública, pelo MPF Campos, relativamente à precária situação da saúde em Campos/RJ. Referida nota foi amplamente divulgada aos veículos de comunicação, dentre os quais o jornal Folha da Manhã (http://www.prrj.mpf.mp.br/frontpage/noticias/mpf-move-acao-contra-prefeita-e-secretario-de-saude-de-campos-rj). No teor da nota, foi ainda disponibilizado link para acessar a íntegra da inicial da ação civil pública nº 0074441-49.2015.4.02.5103.

4 – Da simples leitura da inicial da ação, restam evidenciados os resultados dos trabalhos de inspeção do MPF Campos, em diversas unidades de saúde, entre abril e junho de 2015. Resultados tornados públicos com a ação civil pública em questão. Os pedidos constando na referida ACP se referem à regularização dos repasses de recursos da União, via SUS, ou pagamento de empenho por serviços/procedimentos prestados, às unidades contratadas, saneamento das irregularidades encontradas e auditoria das contas da saúde do município de Campos, nos últimos 5 anos, via Departamento Nacional de Auditoria do SUS, do ministério da Saúde. Lembrando que o MPF não audita contas da saúde, já que este é um trabalho específico de órgão próprio do ministério da Saúde.

5 – Se a nota amplamente divulgada, em julho de 2015, não foi lida, ou foi parcialmente lida, por qualquer dos veículos de comunicação destinatários da divulgação, não atentando para a gravidade dos fatos narrados e provados, por inspeções oficiais do MPF, não nos cabe pronunciar. O espaço dado a esta ou aquela notícia cabe ao corpo editorial do jornal/mídia.

6 – Relativamente à citação de que a ação só obteve até agora negativa da antecipação da tutela pretendida, cabe apenas lembrar que, como é de conhecimento amplo, cabe ao Poder Judiciário decidir e sentenciar nas ações judiciais, sendo esta a configuração adotada na Constituição Federal. Em relação à decisão inicial do Juízo, o MPF Campos interpôs agravo de instrumento, medida de recurso cabível no âmbito de suas atribuições, ainda pendente de julgamento pelo tribunal competente.

7 – O MPF Campos segue atuando com o firme propósito de proteção aos direitos constitucionais.

 

Folha da Manhã logo

 

NOTA DA REDAÇÃO

 

A Folha da Manhã, por respeito ao direito de informação devido à população em geral e pautado na costumeira impessoalidade que orienta seu jornalismo, vem esclarecer:

1 – A Folha, através dos seus 37 anos de serviços prestados ao município de Campos do Goytacazes, repudia o “repúdio” do procurador da República Eduardo Santos de Oliveira.

2 – Se o procurador não gostou do que leu, está no seu direito, livre para exercê-lo. Isto posto, reafirmamos entender que as referidas notas visam esclarecer a opinião pública, mas não sem ressaltar que a Folha tampouco apreciou esperar nove dias para ter o retorno do MPF numa informação capital sobre algo com poder de determinar diariamente entre a sua vida e sua morte, leitor, ou a do seu semelhante.

3 – Vamos aos fatos: às 16h17 de 19 de outubro, foi enviado o primeiro e-mail à assessoria do MPF no Rio de Janeiro, quando a reportagem da Folha foi informada, por telefone, que a demanda seguiu a Campos para pronunciamento do procurador. Entre os dias 20 e 23 foi feito contato diariamente, também por telefone, com o MPF em Campos, na tentativa de uma resposta. Neste período, às 15h55 do dia 21, o segundo e-mail foi encaminhado a um assessor identificado como Gimenes, informando que tentaria resposta até o dia seguinte, o que não se concretizou. Na sexta-feira (23), a Thaís Almeida informou, também por telefone, que tentaria responder a demanda no mesmo dia ou, no máximo, na segunda seguinte, o que não aconteceu. Ligamos novamente para o MPF, na segunda (26) e na terça (27), mas não tivemos resposta. Na quarta-feira (28) enviamos outra vez a demanda por e-mail, finalmente respondida pela Thaís às 19h40, conforme publicado ontem pela Folha.

4 – Não é preciso ter lido a inicial da ação civil pública nº 0074441-49.2015.4.02.5103, para saber que o MPF não é órgão para auditar contas da Saúde Pública. Mas parece ter sido a uma auditoria que se fez referência, quando se afirma que o procurador Eduardo pediu uma “auditoria das contas da saúde do Município de Campos, nos últimos 5 anos”. Isto, lógico, salvo engano, já que arrependimento não se cogita.

5 – Se os e-mails da Folha não foram lidos, ou parcialmente lidos, não atentando à gravidade das denúncias, não nos cabe pronunciar. Mas talvez fosse o caso de se reler com mais atenção: “Recentemente, o presidente do Grupo Imne denunciou publicamente, que a prefeitura retinha verbas do SUS para fazer caixa. O MPF tem conhecimento dessa questão?”

6 – Naquilo que parece ser o real motivo do “repúdio” mal assumido inicialmente: o fato da ação do MPF, apesar da “gravidade dos fatos narrados e provados por inspeções oficiais”, nada ter gerado de prático, além dos flashes do “jornal/mídia” e da negativa da antecipação de tutela pela 2ª Vara Federal de Campos. Na certeza de que a referida ação não é uma bola que se corre para não chegar, fica a torcida por algum efeito prático futuro.

7 – Para terminar por onde se começou, alvissareiro saber que o MPF de Campos não tem dúvida ao tentar esclarecer de cara, logo ao título da sua nota, “acerca da precária situação de Saúde no município de Campos”.

 

Publicado hoje na edição impressa da Folha da Manhã

 

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