Greve dos caminhoneiros esquenta o clima para as manifestações pelo impeachment de Dilma
Por Ricardo Noblat
Qual foi a inteligência rara que aconselhou a presidente Dilma Rousseff a chamar a polícia ao invés de negociadores para tentar acabar com a greve dos caminhoneiros?
O pior: a ideia pode ter partido da própria Dilma, uma pessoa de formação áspera, encrespada, violenta no trato com seus subordinados.
O que Dilma não parece entender é que subordinados nada têm a ver com governados. Subordinados são obrigados a obedecer a ela — ou a se demitirem. Governados podem dispensá-la.
A greve dos caminhoneiros serve a um propósito não previsto — o de aumentar o mau humor de um setor importante da economia às vésperas de manifestações marcadas para o próximo dia 15.
Tais manifestações pedirão o impeachment de Dilma. O governo receia que elas sejam bem sucedidas principalmente em São Paulo e em alguns Estados do Sul. Ali é reduto do PSDB.
Reunido ontem em São Paulo, o alto comando do PSDB decidiu que o partido não participará das manifestações – mas nada impede que vários dos seus líderes saíam às ruas por sua conta e risco.
O eventual impeachment de Dilma só beneficiaria o PMDB do vice Michel Temer. E o PSDB acabaria obrigado a se compor com o PMDB para juntos governarem.
É mais cômodo para o PSDB esperar que o segundo mandato de Dilma seja um fracasso para que ele tente derrotar o PT daqui a quatro anos.
Quando era oposição, o PT cobrava negociação para superar impasses trabalhistas — jamais a polícia. No governo, Dilma preferiu chamar a polícia para reprimir grevistas.
Presidente da Camargo Corrêa, Dalton dos Santos Avancini
Brasília – A onda de delações de réus da Operação Lava-Jato, que vem alimentando as investigações desde o ano passado, ainda não terminou. Dois executivos da construtora Camargo Corrêa — o presidente Dalton dos Santos Avancini e o vice-presidente Eduardo Leite — fecharam, na noite desta sexta-feira, acordos de colaboração com a força-tarefa que investiga fraudes em contratos de empreiteiras com a Petrobras. Já João Ribeiro Auler, presidente do Conselho Administrativo da construtora, ainda está negociando com os procuradores.
As delações podem tornar as investigações ainda mais explosivas. A Camargo Corrêa foi uma das primeiras empresas flagradas em transações financeiras com o doleiro Alberto Youssef, operador do pagamento da propina no esquema de desvios da Petrobras. A Camargo também é uma das empresas com mais doações para campanhas políticas. Os executivos teriam decidido colaborar por três motivos: prisão prolongada, dificuldade para enfrentar as investigações e risco de condenação à prisão em regime fechado.
Está sendo negociada a possibilidade de revelações de fraudes não só na Petrobras, mas também em outras áreas de atuação da Camargo Corrêa. Na mira dos procuradores estão obras e serviços em hidrelétricas, rodovias e ferrovias. Os executivos da empreiteira resistiam à ideia de falar sobre outros assuntos fora do tema principal da Lava-Jato.
Mas, nos últimos dias, o ambiente mudou e as partes já se entenderam sobre os pontos principais do acordo.
Vice-presidente da Camargo Corrêa, Eduardo Leite
Benefícios são discutidos
Estão sendo preparados acordos individuais. Os benefícios para os delatores deverão ser estabelecidos em função da importância das informações a serem fornecidas por eles. Nesta sexta-feira, as negociações giravam em torno dos benefícios, que vão da redução de penas até a não aplicação do regime fechado.
Nesta sexta-feira, o juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, ouviu funcionários da Camargo Corrêa arrolados como testemunhas de defesa dos executivos Dalton dos Santos Avancini e João Ricardo Auler. Os depoimentos de Alessandra Mendes da Silva, Eduardo Maghidman, Jorge Yasbek, Enes Faria e Rodoal Schlemm foram feitos por videoconferência. Segunda-feira, serão ouvidas as testemunhas de Eduardo Leite, outro executivo da Camargo Corrêa.
Até o momento, a força-tarefa da Lava-Jato fechou 13 acordos de delação premiada, entre eles as confissões do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa e do doleiro Alberto Youssef. Os executivos das empreiteiras estão presos desde a nona fase da Lava Jato, deflagrada em 14 de novembro passado.
O blog já havia publicadoaqui a foto das agressões covardes, a socos e pontapés, dos militantes do PT, CUT e MST contra cidadãos que ousaram questionar nas ruas do Centro do Rio a ladroagem desenfreada do desgoverno petista no Brasil, assim como o “mimo” da convocação de Washington Quaquá, presidente fluminense do PT, chamando seus militantes literalmente à porrada. Mas nunca é demais complementá-las com o pronunciamento irresponsável que as gerou, na sede da Associação Brasileira de Imprensa, onde Lula falou em paz e democracia antes de ameaçar colocar o “exército” do João Pedro Stédile, líder do MST, nas ruas, gerando aqui a manifestação política mais dura das Forças Armadas do Brasil desde o fim da Ditadura Militar, em 1985. Até porque, os filhos da puta que realmente interessam nunca precisaram de porta-voz esquizofrênico diagnosticado, invejoso patológico, megalomaníaco, prolixo, de pouco talento e nenhum caráter, para falarem por si mesmos.
Quem alguma dúvida ainda tiver, que veja, leia e ouça por conta própria…
Agressão covarde de petistas contra cidadãos na ruas do Rio, na última quarta, dia 26, enquanto Lula ameaçava dentro da ABI colocar o “exército” do MST de Stédile nas ruas (foto de Marcos Paulo – Estadão)
Poeta e diplomata João Cabral de Melo Neto (1920/99)
Os três mal amados
Por João Cabral de Melo Neto
O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato. O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço. O amor comeu meus cartões de visita. O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome.
O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas. O amor comeu metros e metros de gravatas. O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus. O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos.
Ícaro Abreu Barbosa, em julho de 2009, na ágora de Atenas
O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia. Comeu em meus livros de prosa as citações em verso. Comeu no dicionário as palavras que poderiam se juntar em versos.
Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha, escovas, tesouras de unhas, canivete. Faminto ainda, o amor devorou o uso de meus utensílios: meus banhos frios, a ópera cantada no banheiro, o aquecedor de água de fogo morto mas que parecia uma usina.
O amor comeu as frutas postas sobre a mesa. Bebeu a água dos copos e das quartinhas. Comeu o pão de propósito escondido. Bebeu as lágrimas dos olhos que, ninguém o sabia, estavam cheios de água.
O amor voltou para comer os papéis onde irrefletidamente eu tornara a escrever meu nome.
O amor roeu minha infância, de dedos sujos de tinta, cabelo caindo nos olhos, botinas nunca engraxadas. O amor roeu o menino esquivo, sempre nos cantos, e que riscava os livros, mordia o lápis, andava na rua chutando pedras. Roeu as conversas, junto à bomba de gasolina do largo, com os primos que tudo sabiam sobre passarinhos, sobre uma mulher, sobre marcas de automóvel.
O amor comeu meu Estado e minha cidade. Drenou a água morta dos mangues, aboliu a maré. Comeu os mangues crespos e de folhas duras, comeu o verde ácido das plantas de cana cobrindo os morros regulares, cortados pelas barreiras vermelhas, pelo trenzinho preto, pelas chaminés. Comeu o cheiro de cana cortada e o cheiro de maresia. Comeu até essas coisas de que eu desesperava por não saber falar delas em verso.
O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta. Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em volta da sala.
O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte.
A PM E POLÍCIA CIVIL PRENDEM OS LADRÕES COMUNS, A POLÍCIA FEDERAL PRENDE OS LADRÕES DE GRAVATA E LADRÕES INTERNACIONAIS, E QUEM PRENDE OS LADRÕES (OS PIORES) QUE CONTROLAM O GOVERNO CENTRAL DO BRASIL. SÓ A FORÇA MÁXIMA DO BRASIL, AS FORÇAS ARMADAS, SALVEM MEU BRASIL PELO AMOR DE DEUS EXÉRCITO, AERONÁUTICA E MARINHA!! PRECISAMOS DE VOCÊS!!!! SABEM QUAL É A DIFERENÇA ENTRE UM GOVERNANTE CIVIL E MILITAR? A DIFERENÇA É QUE O CIVIL É 100% CORRUPTO E O MILITAR POR CAUSA DE JURAMENTO A BANDEIRA E COISA E TAL, SÃO PATRIOTAS DE VERDADE!!!
Pois está demorando muito para os militares agirem nos estamos sofrendo com corrupção em todas esferas dos governos federal estadual municipal vem para ruas por favor
Tenho evitado responder comentários, atendo minha lida blogueira à reprodução dos textos de opinião que julgo mais relevantes à compreensão da cada vez mais preocupante realidade nacional. Não por outro motivo, tudo que creio vai de encontro, de cara no muro em caso de necessidade, ao retorno à ditadura militar que vcs parecem pregar. Na democracia, não há alternativa, a não ser a tentativa de convencimento, a Justiça e o voto. E embora não disposto a matar, estaria a morrer para que meu filho permaneça vivendo num estado democrático de direito.
E como rir da cara dos débeis mentais cada vez mais alienados pela realidade é sempre um prazer, segue outra garimpagem do publicitário e advogado argentino caído em Campos, Gustavo Alejandro Oviedo, e sua ferina verve portenha destilada (aqui) na democracia irrefreável das redes sociais, jogando luz sobre o que já devia ser ridículo desde quando os dinossauros andavam pela Terra.
Depois de Dilma Rousseff se basear na delação premiada de Pedro Barusco para atribuir o início da corrupção na Petrobras ao governo de FHC, as redes sociais não perdoaram a presidente.
As piadas diziam que a culpa pela extinção dos dinossauros caberia a FHC, assim como os atentados ao World Trade Center, a morte de Ayrton Senna, a derrota na Copa de 1950, a Gripe Espanhola, entre outros.
Além de responder Dilma dizendo que a atitude dela era a de quem “bate a carteira e grita ‘pega ladrão”, FHC resolveu entrar na brincadeira. Com uma cédula de dois reais à mão, o ex-presidente foi fotografado pelo senador Cássio Cunha Lima fazendo referência ao Plano Real e ironizando: “Foi FHC”. A letra no cartaz, a propósito, é de Aécio Neves.
Atualização à 0h42 de 28/07:Aqui, o “Ponto de vista” do Christiano Abreu Barbosa foi o primeiro na blogosfera goitacá a repercutir a nota do Lauro Jardim sobre a irônica resposta do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso ao fetichismo petista sobre sua pessoa
Então procurador-geral anuncia no dia 27 de fevereiro que sua casa foi arrombada e invadida no fim de janeiro? E o que quer dizer, Cardoso: “radicais se avolumando em vários segmentos”?
Por Reinaldo Azevedo
Autoridades têm de ter responsabilidade.
Autoridades são autoridades porque a função institucional que ocupam os torna… autoridades!
Autoridades são donas do seu corpo, mas não são donas do seu cargo.
Autoridades têm o direito à vida privada desde que a vida privada não comprometa a sua função pública.
Rodrigo Janot, procurador-geral da República, anunciou hoje, dia 27 de fevereiro, que sua casa em Brasília foi arrombada e invadida no “fim de janeiro”. Não sei o que quer dizer “fim de janeiro”, mas suspeito que haja algum registro da ocorrência em alguma instância. Acabo de me informar e asseguro que a casa do procurador-geral é guardada, desde sempre, por uma esquema oficial de segurança. Os agentes federais estavam dormindo nesse dia?
Como o procurador-geral da República é procurador-geral da República, não procurador-geral de si mesmo, nós deveríamos ter sabido dessa ocorrência, não? A informação deveria ter vindo a público imediatamente. Janot faz de si mesmo o que quiser; é problema dele. A segurança do chefe do Ministério Público Federal é problema nosso.
Estou desconfiando de que a invasão não tenha acontecido? Não! Se estivesse, diria. Detesto o estilo oblíquo, que sugere, que infere, que se acovarda no estilo, geralmente ruim. Estou dando fé. Se ele diz que foi, então foi. Quero saber a razão de anunciar isso um mês depois.
Ele próprio sugere algo de estranho, não um simples assalto. Afinal, os invasores deixaram de levar uma pistola com três carregadores — e assaltantes gostam de pistolas, certo? —, máquina fotográfica e outros objetos de valor. Tudo ficou onde estava. Só levaram o controle remoto do portão. Mesmo assim, Janot diz não acreditar que o evento tenha alguma relação com a Operação Lava Jato. Então tá bom.
Na conversa fora da agenda que Janot manteve com José Eduardo Cardozo, o ministro da Justiça o teria alertado sobre o aumento do risco à sua segurança. Por essa razão, nada menos de 80 agentes federais faziam o protegiam nesta sexta, num evento do MP em Uberlândia, de solidariedade a um promotor que sofreu um atentado. A Polícia Federal, que guarda o procurador-geral, informa que o tal alerta, vocalizado por Cardozo, não partiu dela. Então partiu de quem?
Cardozo, esta figura exótica da República, disse a Janot que o aumento do risco se deve a “radicais se avolumando em vários segmentos”. Radicais se avolumando em vários segmentos? Em quais segmentos? Gente de extrema direita? Gente de extrema esquerda? Gente da extrema-central? Gente de extremo saco cheio? Quais segmentos?
Eu não gosto dessa história de autoridades virem a público para anunciar conspirações em marcha — ou sugerir alguma. Ou espalhar, de forma solerte, que elas existam. Sempre acho que quem apela a esse expediente está em busca de pedir à sociedade uma licença especial para comportamentos heterodoxos.
Por exemplo: é bastante heterodoxo que o procurador-geral se reúna com o ministro da Justiça e com o vice-presidente da república — e chefe inconteste do PMDB — pouco antes de tomar uma decisão importante. Se Geraldo Brindeiro tivesse feito isso no governo FHC, teria sido chamado de “estuprador-geral da República”.
Tendo havido a invasão — e a minha ressalva apenas faz parte da retórica decorosa, que procura chegar ao cento da questão —, eu me solidarizo com o homem Janot. Mas aponto, então, o erro brutal cometido pelo procurador-geral, que só agora informa a ocorrência. Quanto a José Eduardo Cardozo, dizer o quê? Eu nunca tenho nada de diferente a recomendar a este senhor: sempre é a demissão.
Stédile e Lula confabulam em frente à sede da Petrobras
O Clube Militar criticou de maneira dura o discurso feito pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em durante o ato em defesa da Petrobras, na última terça-feira (24), no Rio de Janeiro. A nota, publicada no site da associação, chama o ex-presidente de “agitador”, além de considerar “inadmissível um ex-presidente da República pregar, abertamente, a cizânia na Nação”.
A nota do Clube Militar, formado por oficiais da reserva, também critica o ex-presidente que disse que os petistas também sabem brigar, “sobretudo quando o Stédile (João Pedro Stédile, um dos líderes do MST) quer colocar o exército dele nas ruas”. A frase foi dirigida aos militantes presentes ao evento. Stédile também participou do ato em defesa da estatal.
“Neste País sempre houve e sempre haverá somente um exército, o Exército Brasileiro, o Exército de Caxias, que sempre nos defendeu em todas as situações de perigo, externas ou internas”, diz a nota. O texto também faz referências a Operação Lava Jato da Polícia Federal que investiga denúncias de desvios e corrupção na Petrobras. “O que há mais por trás disso? Atitude prévia e defensiva de quem teme as investigações sobre corrupção em curso?”, questiona a publicação.
Confira aqui e na reprodução abaixo a íntegra da nota do Clube Militar em resposta à ameaça de Lula, na mais dura manifestação política da caserna desde o fim da Ditadura Militar no Brasil, em 1985:
O BRASIL SÓ TEM UM EXÉRCITO: O DE CAXIAS!
Ontem (25/02), nas ruas centrais do Rio de Janeiro, pudemos assistir o despreparo dos petistas com as lides democráticas. Reagiram inconformados como se só a eles coubesse o “direito” da crítica aos atos de governo. Doeu aos militantes petistas, e os levou à reação física, ouvir os brados alheios de “Fora Dilma”.
Entretanto, o pior estava por vir! Ao discursar para suas hostes o ex-presidente Lula, referindo-se a essas manifestações, bradou irresponsáveis ameaças: “ ..também sabemos brigar. Sobretudo quando o Stédile colocar o exército dele nas ruas”. Esta postura incitadora de discórdia não pode ser de quem se considera estadista, mas sim de um agitador de rua qualquer. É inadmissível um ex-presidente da República pregar, abertamente, a cizânia na Nação. Não cabem arrebatamentos típicos de líder sindical que ataca patrões na busca de objetivos classistas.
O que há mais por trás disso?
Atitude prévia e defensiva de quem teme as investigações sobre corrupção em curso?
Algum recado?
O Clube Militar repudia, veementemente, a infeliz colocação desse senhor, pois neste País sempre houve e sempre haverá somente um exército, o Exército Brasileiro, o Exército de Caxias, que sempre nos defendeu em todas as situações de perigo, externas ou internas.
Há alguma coisa sobrevoando a Operação Lava Jato e não são aviões de carreira, como se dizia antigamente.
Desde que o ministro da Justiça resolveu receber advogados de empreiteiras acusadas em audiência fora da agenda e que começou a tricotar estranhamente com o procurador geral da República, Rodrigo Janot, cuja integridade física estaria ameaçada às vésperas da divulgação de uma supostamente “bombástica” lista de políticos envolvidos na operação, há uma forte suspeita de “abafa” no ar.
O fato de que alguns empreiteiros importantes tenham desistido de recorrer à delação premiada depois da conversa com Cardozo é um indício de que alguma porca pode estar torcendo o rabo. O fato de Cardozo não parar de defender o seu encontro “extra-agenda” como se fosse uma prerrogativa dos ministros da Justiça ignorar o dever da transparência no trato com a coisa pública, reforça mais ainda a suspeita de que alguma trama esteja sendo urdida por baixo dos panos.
O juiz Sergio Moro criticou o encontro do ministro com as empreiteiras e o MP se manifestou contra um eventual acordo de leniência entre governo e as empresas envolvidas na apuração dos crimes na Petrobras.
Este porém não é o único imbróglio que envolve a Petrobras, embora nada seja mais letal para a empresa do que a sua transformação num balcão de negócios de sustentação de esquemas políticos.
Ela perdeu o grau de investimento da agência de avaliação de risco Moody’s não só pelos prejuízos causados pelo esquema de desvio de dinheiro, mas acima de tudo pela perda de controle de governança da empresa, que não conseguiu sequer divulgar um balanço devidamente auditado.
A presidente Dilma comentou a perda de grau de investimento com mais uma das platitudes que tem pronunciado com preocupante insistência, coisa que ela faz com a solenidade de quem anuncia ter descoberto o sentido da vida. Ela disse que a agência de risco não tem informações suficientes sobre a situação da Petrobras-como se agências de risco não fossem capazes de identificar riscos-ainda que tardiamente.
De resto, quem tinha “informações suficientes”? Ela? Gabrielli? Graça Foster?
Mesmo sendo responsável por uma administração que conseguiu a façanha inimaginável de transformar as ações da Petrobras em “junkie bonds”, o PT, como é de hábito, inverteu o foco da narrativa e voltou a atirar em seus fantasmas prediletos: a mídia, a reação, a direita, a cobiça internacional, os especuladores, os de sempre.
Todos são culpados pela desgraça da Petrobras, menos os que a provocaram. O discurso já é conhecido e só os fiéis da seita acreditam nele e o repetem como se fosse a Ave Maria. Mas desta vez o discurso veio acompanhado de uma ferocidade inédita.
Ao colocar na rua uma tropa de bate-paus mal encarados e de camisetas vermelhas para conter os protestos anti-governistas e a favor da impeachment da presidente, o PT criou um cinturão de segurança em torno do prédio da ABI, onde o líder supremo fazia a sua arenga “em defesa da Petrobras” (contra quem, além dele mesmo?)
Com a habitual serenidade e equilíbrio, Lula disse: “Quero paz e democracia. Mas eles não querem. E nós sabemos brigar também, sobretudo quando o Stédile colocar o exército dele na rua”.
Ficamos sabendo, então, que há uma tropa de choque de prontidão para entrar em campo e ajudar a enriquecer o debate político e quem sabe melhorar a nota da Petrobras com paus e pedras.